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Atualizado: 57 minutos 3 segundos atrás

Governo identificou erros nas notas do Enem em quase todos os estados brasileiros

seg, 20/01/2020 - 21:44
Educação Houve equívocos na correção de quase 6 mil exames; somente Roraima e Amapá não registraram problemas Nara Lacerda | Erros foram apontados nas redes sociais pouco tempo após o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmar que o exame foi um sucesso Foto: Luís Fortes/MEC

Os erros na correção das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) atingiram quase todos os estados brasileiros, de acordo com informações do próprio governo federal, anunciadas nesta segunda-feira (20). Somente Roraima e Amapá não tiveram registro de problemas.

Em entrevista coletiva, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Alexandre Lopes, afirmou que os equívocos foram identificados em 5.974 provas e que 95% dos problemas ocorreram em três municípios de Minas Gerais -- Viçosa, Ituiutaba e Iturama -- e um na Bahia -- Alagoinhas. Os outros 5% foram registrados em quase todas as unidades da federação.

Ainda de acordo com Lopes, uma equipe do Inep composta por 300 pessoas analisou os exames, durante o último fim de semana, de todos os 3,8 milhões de estudantes que participaram do processo. Questionado sobre a possibilidade de que novas inconsistências sejam encontradas, o presidente do instituto afirmou que não trabalha com hipótese.

Segundo as explicações do governo, houve erro na gráfica que imprimiu o exame durante o processo de associação entre as provas e os gabaritos. O problema foi identificado somente após reclamações de estudantes nas redes sociais. Em nenhum momento a empresa responsável pela impressão das provas notificou as autoridades sobre qualquer tipo de engano.

Um processo administrativo vai avaliar as responsabilidades para definir eventuais sanções à empresa. O presidente do Inep avisou que será feita uma revisão dos mecanismos de controle de qualidade. Segundo ele, a implementação do Enem Digital vai servir para evitar falhas dessa natureza.

:::Leia mais: Professores temem que Enem digital prejudique estudantes do campo e de baixa renda:::

Alexandre Lopes disse ainda que estão mantidas as datas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza os resultados do Enem para ingresso em instituições públicas de ensino superior. Na opinião dele, frente ao número total de participantes do exame, os erros identificados nas notas não são significativos.

“A prova está sendo muito elogiada pelos participantes. Foi uma aplicação muito calma. Essas inconsistências representam 0,15% dos participantes. O Enem 2019 continua sendo muito bem realizado”, declarou.

A percepção durante a transmissão ao vivo da coletiva de Lopes pela internet, no entanto, não corrobora a fala do presidente do Inep. Com mais de 900 comentários feitos em tempo real, os estudantes afirmavam que as explicações eram insuficientes e pediam garantias de que todas as notas foram reavaliadas. Muitos informavam que o e-mail disponibilizado pelo governo para atender às reclamações não funcionou e alguns chegaram a pedir o cancelamento do exame.

Na opinião de Alexandre Lopes, esse tipo de manifestação é comum e nenhum aluno foi prejudicado. “Não há problemas de correção. Esses tipos de manifestações ocorrem todo ano”.

Os erros na correção das provas do Enem foram confirmados pelo governo ainda no sábado (18), um dia após uma coletiva de imprensa em que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, comemorou os resultados da prova. Na ocasião, ele chegou a afirmar que esse havia sido "o Enem de todos os tempos" e ressaltou que gestão e eficiência são marcas do governo atual. 

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (MPF) solicitou ao Ministério da Educação que a abertura do Sisu seja suspensa até que as falhas na correção do Enem sejam solucionadas. O Partido dos Trabalhadores (PT) entrou com ação na Justiça federal para que seja aberto novo prazo de pedidos de revisão. O Inep informou que a Advocacia Geral da União está atenta a possíveis questionamentos judiciais e vai prestar todo apoio ao Instituto. 

Em nota, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) disse que “as universidades federais terão todo compromisso para efetivar as matrículas dos alunos aprovados nos processos seletivos a partir da confirmação dos resultados das notas, que devem ser corretos, em respeito aos padrões mais elevados de justiça”.

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Em mais uma sentença, Justiça determina pena de 40 anos a João de Deus

seg, 20/01/2020 - 21:23
crimes sexuais Nova sentença é referente a crimes cometidos contra cinco mulheres durante atendimentos espirituais em Abadiânia (GO) Redação | O médium mantinha a Casa Dom Inácio de Loyola para atendimentos espirituais, no interior de Goiás Foto: Evaristo Sá/AFP

Preso desde 16 de dezembro de 2018, João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, recebeu mais uma sentença nesta segunda-feira (20), desta vez a mais de 40 anos de prisão. A decisão é referente a crimes sexuais cometidos contra cinco mulheres.

Esta é a terceira condenação do médium, que já recebeu sentença por posse ilegal de arma de fogo a 4 anos em regime semiaberto, em novembro de 2019, e por crimes sexuais contra quatro mulheres, condenado a 19 anos em regime fechado, em dezembro de 2019.

A nova decisão da juíza Rosângela Rodrigues Santos acolheu denúncia do Ministério Público de Goiás (MP GO) enviada em março do ano passado. O condenado nega as acusações e seus advogados de defesa podem recorrer da sentença. O processo tramita na Comarca de Abadiânia, interior de Goiás, onde o médium mantinha a Casa Dom Inácio de Loyola para atendimentos espirituais.

:::Leia mais: Abusos da fé | Um ano do caso João de Deus:::

Desde quando as denúncias vieram à tona, em dezembro de 2018, o MP GO já recebeu cerca de 320 denúncias de mulheres que se dizem vítimas de João de Deus.

Ao todo, Teixeira de Faria já foi denunciado 14 vezes pelo Ministério Público, sendo 12 por crimes sexuais. 

A avalanche de acusações contra o líder espiritual vieram à tona após reportagem do programa Conversa com Bial, publicada no dia 7 de dezembro de 2018, na qual brasileiras e estrangeiras denunciaram terem sido abusadas sexualmente durante atendimentos espirituais.

Segundo informações do MP, as vítimas que formalizaram as denúncias no último período foram abusadas entre 1973 e 2018. Ou seja, o médium teria violentado pacientes espirituais ao longo dos últimos 45 anos.

Das 319 mulheres que procuraram a promotoria, 194 formalizaram as acusações e ao menos 15 alegaram terem sido vítimas antes dos 13 anos.

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Partidos e movimentos de esquerda do Chile criam frente por nova Constituição

seg, 20/01/2020 - 21:03
Organização Apruebo Chile Digno foi fundado por partidos de esquerda e movimentos sindicais, estudantis e ambientalistas Redação* | Organizações populares do país e ativistas se mobilizam para o plebiscito constituinte que irá ocorrer em abril Foto: Reprodução

Partidos de esquerda e movimentos sociais fundaram no domingo (19) o Apruebo Chile Digno, uma frente programática que pretende fazer campanha pelo voto a favor de uma nova Constituição no plebiscito que acontecerá no país em abril.

Entre as organizações que fundaram a frente estão o Partido Comunista (PC), o Partido Progressista (PRO), a Federação Regionalista Verde Social (FRVS), o Partido Igualdade (PI), a Esquerda Libertária (IL) e o Wallmapuwen Movimento Autônomo.

Além dos partidos, um grande número de movimentos sociais esteve presente no ato do lançamento como sindicalistas, estudantis, ambientalistas, além de ativistas de direitos humanos.

Segundo o presidente do PC, Guillermo Teillier, a frente Apruebo Chile Digno está buscando uma "nova forma de fazer política, em coordenação estreita com o mundo social que se expressa nas ruas por múltiplas demandas".

Por sua vez, o presidente da FRVS, Jaime Mulet, classificou a criação do grupo como "um passo muito importante para acompanhar o povo do Chile no processo de uma nova Constituição".

A fundação do Apruebo Chile Digno vem após o governo do presidente Sebastian Piñera aprovar a convocação de um plebiscito para consultar a população sobre a necessidade de instalar uma Assembleia Constituinte para escrever uma nova Carta Magna ao país, substituindo a vigente, criada pelo ditador Augusto Pinochet na década de 1970.

A medida foi uma resposta do governo à jornada massiva de protestos que toma as ruas do Chile desde outubro, contra as políticas neoliberais de Piñera.

*Com informações do Cubadebate.

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Resistência e luta marcam a cultura das parteiras tradicionais no Brasil

seg, 20/01/2020 - 20:57
20 de Janeiro Entre ameaças e novas fronteiras na cidade, parteira tradicional indígena conta sua realidade dentro e fora da aldeia Marina Duarte de Souza | Dxony Fulni-ô fala sobre a experiência de ser uma parteira tradicional Foto: Espaço Santosha e Mamastê

“Quando você vê um filho chegar na terra, ou um neto, um bebê, de qualquer pessoa, você vê uma estrela. Por isso, que diz ‘dar à luz’, você vê a sua estrela brilhando na sua frente”. O relato é da parteira tradicional indígena Dxony Fulni-ô, 37 anos, ao entoar uma de suas cantigas ao acompanhar um nascimento.

Dxony mora na Reserva Indígena Kariri Xocó, em Brasília (DF), mas pertence à etnia Fulni-ô, da cidade de Águas Belas (PE), onde nasceu. Lá no agreste pernambucano ela aprendeu a “cultura”, como ela mesma chama, desde os 7 anos, acompanhando a avó, mãe e mulheres mais velhas durante os partos na sua comunidade. Esse saber e tradição são celebrados nesta segunda-feira (20), Dia Nacional da Parteira Tradicional. 

“No meu primeiro parto, eu tinha 7 anos e fui ajudar minha mãe e gostei daquilo. E comecei a fazer de bichos, quando eu via assim um gato, um cachorro, uma vaca, uma cabra, aí eu ia ajudar. Eu vi que aquilo ali me ensinava, o olhar daquele animal para mim. E o que eu fiz, eu pedi para essas mais velhas da minha aldeia para me ensinarem”, lembra.

Dxony já realizou mais de 200 partos em 15 anos. “Eu me conecto com a força e com a sabedoria dos animais. O grande espírito está dentro de mim, dão força, energia e confiança para que eu passe para as mulheres e o parto seja de luz”.

Mesmo com orgulho do ofício, por muitos anos ela escondeu ser parteira, por medo e ameaças das instituições hospitalares e profissionais de saúde, como médicos e enfermeiras. A profissão foi mantida em sigilo na própria comunidade Kariri Xocó, e ela só conseguiu acompanhar partos na cidade de Abadiânia (GO), cerca de uma hora e meia da sua casa e onde passava a semana vendendo artesanatos. 

“Aqui eu nunca atuei, aqui quase ninguém sabia que eu era parteira. Porque isso era uma coisa que eu tinha medo de dizer devido a muitas coisas que nós não temos em documentos nem em diploma. Porque tem muita burocracia, ter o parto em casa, eles colocavam muita coisa negativa, aí era processo se tivesse o filho em casa sem documento. Eu sei que eles colocavam muita lei”, conta.

O relato de Fulni-ô não é único. Apesar de realizarem uma das atividades mais antigas da humanidade, as parteiras ainda são associadas à ignorância, à falta de higiene e ao subdesenvolvimento na sociedade moderna.

O Ministério da Saúde reconhece o ofício: “Assistência ao parto domiciliar que tem como base saberes e práticas comunitárias”. O termo inclui também mulheres indígenas e quilombolas. Mas para o que predomina é o preconceito e a desvalorização do conhecimento tradicional.

Dxony relata também que chegou a receber ameaça de processo de um médico ao atender uma vizinha, em Abadiânia, que não tinha tempo para chegar ao hospital para o parto. O bebê nasceu, a mãe e o menino estavam bem de saúde. Mas, ainda sim, foi questionada pelo médico atendente do Samu. “E ele chegou e falou: ‘Quem é você, você não sabe de nada! Eu sou profissional, eu estudei pra isso’. ‘Meu senhor eu sou indígena, eu nasci com esse dom, não foi estudo que me deu, foi eu vendo os animais.’ Ele riu, disse a mim: ‘Se você continuar desse jeito eu meto um processo em você’”, relembra a parteira.

Restrições

A enfermeira obstetra Tamires Moreira estuda as parteiras tradicionais no doutorado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e explica que existe a Política Nacional de Parteiras Tradicionais, mas que é muito “utópico” que as leis saiam do papel.

Umas das dificuldades é conseguir a Declaração de Nascido Vivo (DNV), que permite a emissão da certidão de nascimento apenas por médicos diplomados ou por parteiras que passaram pelo Curso de Capacitação de Parteiras Tradicionais do Ministério da Saúde. Mas, segundo a pesquisadora, não existe mais nas áreas urbanas. “Elas não têm acesso ao curso para conseguir pegar a DNV com a presença de testemunha os cartórios são obrigados a emitir a DNV, mas isso não existe.”

A própria Dxony Fulni-ô teve os quatro filhos no hospital para ter acesso à declaração e à certidão dos filhos. “Eu só ia porque tinha que ter um teste de pezinho, tinha que ter o 'nascido vivo’, que é aquele papel que dão. Eu nasci em casa, eu fui registrada com 21 anos, porque eu nasci em casa e não tinha 'nascido vivo'. Eu sou o exemplo disso, por isso que eu fui para o hospital”.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que existe o Programa Trabalhando com Parteiras Tradicionais desde 2000, mas não apresenta nenhuma informação sobre o Curso de Capacitação das Parteiras Tradicionais, dados estatísticos sobre as parteiras no Brasil e outras formas de desenvolvimento de políticas públicas. O órgão apenas cita uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), desde 2018, que realiza capacitação de parteiras tradicionais no estado do Amazonas.

Violência obstétrica

Dxony Fulni-ô em uma das oficinas que ministrou para doulas e parteiras urbanas. Foto: Espaço Santosha e Mamastê

Atualmente, Dxony acompanha partos em todo o Brasil e conta a realidade relatada por muitas mulheres sobre o parto nos hospitais.

“Muitas me falam sobre violência no parto, por parte de pessoas que não têm paciência, pessoas que gritam, que não entendem esse lado profundo. Essa conexão traz elas para esse lado mais natural, porque nos hospitais que elas relatam, há demora, às vezes, de se recuperar, o jeito que tratam elas, sem paciência. E nós, que somos parteiras, damos tempo ao tempo para as crianças nascerem. Nos hospitais é tudo avexado. Isso se chama violência obstétrica”, afirma.

De acordo com a pesquisa “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado”, organizada pela Fundação Perseu Abramo, uma em cada quatro mulheres já foi vítima de violência obstétrica. Esse tipo de violação quando há prática de negligência ou de maus tratos, sejam eles físicos ou verbais, contra a mulher em todo seu período gestacional, não apenas no momento do parto.

Dxony afirma respeitar o trabalho dos obstetras, mas defende a necessidade de um encontro entre a ciência e a cultura tradicional das parteiras. “Mas eu acharia melhor se tivesse as parteiras nos hospitais para fazer com que essa conexão voltasse, para fazer com que essa evolução da espiritualidade entre nesse lugar, para verem que não é um simples diploma, não é um simples papel. Eu sei que é necessário ter os obstetras nos hospitais, porque eles estudam para isso e eles têm mais uma visão através da ciência. E nós, parteiras, já temos uma visão através da espiritualidade, a diferença está aí. Só isso.”

A recomendação da parteira vai ao encontro das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica o acompanhamento de parteiras tradicionais a mães e recém-nascidos, assim como a não padronização do tempo que o processo pode durar, já que cada mulher responde de forma diferente.

Já nas comunidades indígenas, a violência obstétrica psicológica tem afastado e extinguido as parteiras tradicionais. Dxony conta que as próprias indígenas estão com medo de parir em casa e dar errado, ideia essa alimentada por profissionais da saúde com discursos alarmista.

A enfermeira obstetra Tamires Moreira relata que há o mesmo processo em comunidades do Alto Rio Negro, no Amazonas, onde desenvolve sua pesquisa. “Há um tempo elas pariam na própria comunidade com as parteiras locais e, agora, elas estão sendo muito menos buscadas por mulheres para parir. Elas [parteiras] relatam que as mulheres estão indo procurar o hospital de São Gabriel da Cachoeira [cidade mais próxima, o extremo norte do estado]”, relata a pesquisadora.

Esperança e resistência

Assim como um dia teve coragem de assumir a cultura herdada de geração em geração, Dxony Fulni-ô tem esperança de que a tradição resista na sua cultura, por meio da articulação com outras parteiras tradicionais. Ela e indígenas de todo o Brasil estão se reunindo para fortalecer as parteiras tradicionais nas suas comunidades e transmitir o conhecimento.

“Aquelas que tiverem coragem e força no seu coração de ajudar ao próximo nesse rito de passagem de uma mãe e um filho, eu estou disposta a ensiná-las o pouquinho que eu sei e a deixar que o grande espírito e a força da natureza, dos animais e da terra mostrem a ela como é. Não é só chegar falar, falar e falar, se você não se firmar espiritualmente e dizer eu posso, eu consigo e eu sou capaz”, defende. 

A própria filha de Dxony, Itauãnai Fulni-ô, de 18 anos, já está aprendendo os caminhos da mãe. Desde os 15 anos, a jovem acompanha os partos realizados pela matriarca, que defende com veemência a atividade.

"Eu não quero dizer que os médicos não sabem, mas eu só quero dizer a eles e ao governo [federal e Ministério] da Saúde que deem uma nova chance, que nos deixem fazer o que é do nosso povo, da nossa vida. Porque eu vejo que eles bloqueiam você ser o que você é, é um bloqueio da nossa vivência nessa terra. É só o que eu tenho para dizer, abrir mais os olhos para nós, parteiras". 

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Cursinhos populares combinam educação, formação política e entrada em universidades

seg, 20/01/2020 - 20:07
Juventude Projetos combatem desigualdades educativas com estratégias de acolhimento e ensino formal Vanessa Nicolav | Coletivo Transformação oferece aulas de cursinho pré-vestibular para pessoas trans Foto: Coletivo Transformação

“Quando a gente fala de uma população que enfrenta um histórico de mais 300 anos de escravidão e que ainda vivencia o racismo de uma forma estrutural -- econômica, política e dentro da sua subjetividade --, ter acesso a uma educação libertadora e de qualidade é fundamental para a transformação dessa estrutura.”

A autora da frase é Débora Dias, de 21 anos, que cresceu em um bairro periférico em São Paulo, criada por sua mãe e sua avó, ambas empregadas domésticas. Sabendo das dificuldades impostas pela sua condição de mulher negra e trabalhadora, buscou, em 2016, cursinhos populares que oferecessem gratuitamente aulas com disciplinas para a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cursou dois cursos oferecidos pela Uneafro Brasil e, no final do mesmo ano, conseguiu a aprovação em quatro universidades públicas.

A Uneafro é uma frente de articulação e formação que surgiu como herdeira das lutas de diversas organizações negras, como a Frente Negra Brasileira e o Movimento Negro Unificado (MNU), da década de 1980 e 1990. Hoje, com mais de dez anos de criação, a organização atua nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de São Paulo (SP), e já atendeu mais de 15 mil alunos de regiões periféricas.

Para ela, o diferencial do cursinho popular é o foco na valorização da autoestima, reconhecimento identitário e pertencimento comunitário. “Quando a gente está dentro de um espaço crítico, como um cursinho popular, construído coletivamente, seja no lanche, seja no material que você vai ter que dividir, seja na xerox que você vai ter que dividir, você começa a pensar em uma outra lógica de educação, que não é essa que a gente passou a vida inteira tendo”, afirma Débora, que hoje cursa Ciências Sociais na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e trabalha como orientadora socioeducativa.

Kairos de Castro, produtor cultural de 24 anos, também conseguiu ingressar no ensino superior por meio do aprendizado dos cursinhos populares. Depois de participar do projeto Transformação, dedicado a pessoas trans, o jovem hoje faz o curso de Biblioteconomia.

Para ele, o diferencial do projeto é apresentar um ambiente acolhedor diferente dos espaços formais de educação. “As pessoas trans querem estudar. A questão da falta de estudo é que muitos são expulsos de casa, muitos vão para a escola e não têm o nome respeitado, não conseguem ficar lá. Isso afasta os jovens da educação. Eu sofri transfobia dos professores”, relata.

O coletivo Transformação oferece, além das disciplinas que caem no Enem, formação política, oficinas de poesia e de linguagens do corpo.

Para João Ineco, poeta e educador do projeto, a educação popular é a estratégia central de resistência em um contexto de perseguição e cortes de direitos na educação. “A ideia [do cursinho] é colocar o aluno como protagonista, para, de alguma forma, ele enxergar nessa educação com contexto político, com as manifestações, com essa variação que a gente vive agora na educação, o medo e a perseguição”, opina.

Também educador no projeto, Naná Deluca aposta na educação como estratégia de resistência nos tempos atuais. “Quando você trabalha com educação popular, você não pode esperar a revolução chegar ou o governo fazer uma reforma incrível na educação. Acho que é uma forma muito efetiva e imediata de atuação”, defende.

Inclusão e desigualdades

Segundo pesquisa publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, um em cada 600 alunos das classes mais baixas alcançam as melhores notas no Enem. Em comparação, um em cada 4 alunos de classe média, estão na lista com as melhores notas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um dado importante para educação brasileira: pela primeira vez, o número de negros (pretos e pardos) nas universidades públicas ultrapassou o de brancos, chegando ao patamar de 50,3%. 

Os negros também conquistaram espaço na Universidade de São Paulo (USP), dobrando o número total de alunos de 2007 a 2017, segundo o IBGE. No entanto, a representatividade ainda é baixa: apenas um a cada seis alunos é negro. De acordo com o instituto, na idade de entrar no ensino superior, 52,2% dos estudantes negros ainda cursam o ensino fundamental ou médio, frente a 29,1% dos brancos.

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Fórum da Diversidade Religiosa realiza encontro em João Pessoa nesta terça (21)

seg, 20/01/2020 - 19:48
Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa O evento tem como tema Direitos Humanos e Espiritualidade e é realizado na OAB Joel Cavalcante | Cartaz de divulgação do Encontro. Reprodução

“Direitos Humanos e Espiritualidades: Pactos de Construção para uma Cultura de Paz” é o tema do evento do Fórum da Diversidade Religiosa da Paraíba, em parceria com a Defensoria Pública da Paraíba e a Ordem dos Advogados do Brasil – PB

De acordo com o coordenador do Fórum Paraibano de Diversidade Religiosa, Saulo Gimenez, as lideranças religiosas que compõe o Fórum estarão reunidas juntamente com o poder público para construir o Pacto de Construção para uma cultura de paz para diminuir a intolerância religiosa.

Na Paraíba, de acordo com Saulo Gimenez, nos últimos quatro anos ocorreu um aumento no número de casos envolvendo intolerância religiosa no estado. No ano de 2019, houve um aumento de 5% em comparação com 2018.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituído por meio da Lei 11.635 de 2007 e é comemorado anualmente em todo o território nacional no dia 21 de janeiro.
O encontro ocorre às 17h00, no auditório da OAB-PB, situado na Rua Rodrigues de Aquino, 37, centro de João Pessoa.
 

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Dominar en la fe y en la política: proyecto de poder de líderes evangélicos en Brasil

seg, 20/01/2020 - 19:31
RELIGIÓN El éxito de candidatos de la iglesia no se debe solamente al aumento del número de fieles en la sociedad brasileña Caroline Oliveira | Los líderes evangélicos, según especialistas, no representan a la mayoría de los evangélicos que es negra, femenina y pobre Alan Santos/Presidencia de la República

Son casi las siete y media de la noche en una de las unidades de la Iglesia Pentecostal Dios es Amor, en la región central de São Paulo. Después de una lluvia intensa, los fieles se demoran en llegar. Mientras el culto no comienza y los hermanos no llegan, Serafina Ribeiro, de 36 años, anda de un lado a otro, poniendo las cosas en su lugar, pasando un paño húmedo por el suelo, limpiando los ventiladores y sonriendo a quien entra en el espacio.

Empleada doméstica, está allí desde hace cuatro años, desde que pasó por un proceso de depresión después de la muerte de su madre, en Bahía, mientras Serafina vivía en São Paulo – llegó a la capital paulista acompañada de su patrona, con quien siempre vivió. En la Iglesia, sintió el “amor de Dios”, dejó de sentir angustia y se siente “curada”.

Serafina es el rostro evangélico brasileño: mujer, negra y de bajos ingresos. En la Iglesia relativamente pequeña, si se la compara con el Templo Salomón de la Iglesia Universal, la mayoría allí presente confirmó los datos levantados en una investigación de enero de 2020, del Instituto Datafolha: un rostro femenino, negro, que gana hasta dos salarios mínimos por mes y con solo secundaria completa es rostro de la religión evangélica hoy.

Sin embargo, el perfil de los líderes evangélicos que deciden actuar en la esfera política es bien diferente, sea tras bastidores o bajo los reflectores.

Un ejemplo es el pastor Edir Macedo. Líder de la Iglesia Universal del Reino de Dios, fundada en el terreno de una antigua funeraria, en 1977, en Rio de Janeiro, tiene una fortuna declarada de aproximadamente 2.000 millones de reales (478 millones de dólares), según la Revista Forbes. El fue uno de los que apoyó la campaña de Jair Bolsonaro a la Presidencia de la República en 2018. Resultado: cerca de 70% de los evangélicos declararan haber votado por el candidato bendecido por la extrema derecha.

La pre exponencial. De 1982 para acá, el número de parlamentarios declaradamente evangélicos pasó de 12 a 90, según el Departamento Intersindical de Asesoría Parlamentaria (DIAP). El cambio se explica parcialmente por el aumento voluminoso de la población evangélica en Brasil, que, en el mismo período, pasó de 7,8 millones a 26,2 millones. Pero no es sólo eso.

Un proyecto de poder

Especialistas y evangélicos consultados por Brasil de Fato explican que el avance de los evangélicos en la política responde a un proyecto de poder, instigado por los líderes religiosos y en alianza con la derecha brasileña.

“Con el crecimiento de los evangélicos, muchos más se presentarán a la política partidaria. Eso es natural y esperado. Con la Universal, sin embargo, eso cambió”, afirma el pastor Ariovaldo Ramos, de 64 años, líder de la Comunidad Cristiana Renovada y uno de los coordinadores nacionales del Frente de Evangélicos por el Estado de Derecho, formado en 2016. Para el, la iglesia de Edir Macedo se transformó en una “agencia política”, con una lógica de ascenso al poder.

En 2008, el pastor Edir Macedo publicó el libro “Plan de Poder”, citando Maquiavelo, presentando a Dios como un estadista y a Adán y Eva como elementos de un estado de naturaleza o salvajismo. “Los cristianos necesitan despertar al toque de la alborada. (…) La emancipación comienza con la madurez individual, el inconformismo con ciertas situaciones, el consenso en un ideal y la movilización general.”

Diez años después, en las elecciones de 2018, el plan de poder estaba en plena marcha: fueron los pastores, apoyados por candidatos da derecha, que llevaron a parte de la población brasileña a las calles, defiende el pastor Ariovaldo Ramos. Aquellos que mejor supieron surfear la ola del crecimiento de los evangélicos fueron las siglas de derecha y extrema derecha.

“Es la religión que más crece en Brasil y en América Latina y que se alinea muy bien a ese proyecto de la derecha que pasa por la cuestión moral y por el conservadurismo”, afirma Andrea Dip, periodista y autora del libro “¿En nombre de quien?: La bancada evangélica y su proyecto de poder”.

Como parte de la investigación para el libro, en 2015, Dip asistió a un culto evangélico en el Congreso Nacional, cuando Dilma Rousseff (PT) aún era presidente. “Hasta entonces no sabia que ocurrían cultos evangélicos en ese espacio. Eduardo Cunha estaba allá orando, con la Biblia en la mano. Allí percibí que había un proyecto de poder desarrollándose.” Entre los valores evangélicos y los de la derecha, nació la base necesaria para el desarrollo de ese proyecto de poder.

El pastor Ariovaldo Ramos relata la participación de evangélicos en la política partidaria desde el fin de la dictadura militar. Las Iglesias Evangélicas, no obstante, tendían a mantenerse distantes de la lógica partidaria. “Nunca pasó por la lógica evangélica asumir el poder, influenciar en la política. Hasta porque la fe protestante es la que más actuó en la construcción del Estado laico, justamente porque es un cristianismo tardío, que va a ser perseguido, en la Cortina de Hierro y, después, en el mundo islámico”, afirma.

La lógica, entretanto, pasó a entender que “era preciso estar en el poder para garantizar el avance de la fe, principalmente por causa de las persecuciones”. Con la llegada de la Teología de la Prosperidad, explica Ramos, el cambio seria inevitable. Ahora, “si usted fue elegido por Dios, usted tiene prosperidad económica. Ahí se convirtió en la columna que usted ve en el mensaje de la Universal y de todas las neo pentecostales. Eso es el huevo de la serpiente, creó el ambiente que tenemos hoy”.

¿Por qué el número de evangélicos crece tanto?

De acuerdo con Marco Fernandes, doctor en Psicología por la Universidad de São Paulo (USP) e investigador del Instituto Tricontinental de Investigación Social, para entender lo que llevó a que el número de evangélicos aumente tanto, es necesario estudiar los cambios ocurridos en la sociedad brasileña en las tres últimas décadas vinculados a la precarización de la vida de la clase trabajadora. 

“Ante eso, ¿qué ofrecen las iglesias a las personas? Primero, la posibilidad de pertenecer a una comunidad. Las Iglesias funcionan como un centro cultural en las periferias. Si un joven quiere aprender a tocar algún instrumento, por ejemplo, va a la Iglesia Universal del Reino de Dios”, que, actualmente, tiene cerca de 15 programas sociales destinados a los fieles. De acuerdo con datos oficiales de la Iglesia, de 2018, cerca de 10,8 millones de personas fueron alcanzadas por esos programas.

Otra constatación listada por el investigador es el acogimiento emocional que esos espacios promueven. De acuerdo con un estudio hecho por la Asociación Nacional de Medicina del Trabajo (ANAMT), en 2017, los trastornos mentales están entre las mayores causas de separación del trabajo.

“¿Donde van a procurar alivio esos trabajadores? En la Iglesia. Y, de hecho, ellas mejoran de depresión, ansiedad. Quien cura el alcoholismo hoy en las clases populares son las Iglesias”, afirma Fernandes. De la misma forma, “donde van a encontrar también un alivio material, aunque sea una canasta básica alimentaria a fin de mes”.

Para Fernandes, las instituciones religiosas evangélicas acaban, de ese modo, por organizar la vida en sociedad, principalmente en espacios donde el Estado no llega, como en las periferias.

La mujer negra que está en la periferia no tiene acceso a cultura, salud ni educación. Allí la Iglesia trae salud, cultura y educación.

Al paso que la religión evangélica se expande por el país, el catolicismo pierde espacio.

Todavía de acuerdo con Datafolha, los católicos aún son 50% de la población, pero en 1980 eran 90%. La diferencia, según Fernandes, se explica por la mejor penetración de las iglesias evangélicas entre la clase trabajadora, con un discurso y un formato más próximo de su realidad que los de la Iglesia Católica.

Para tener una idea, apenas en la década de 1960 la Iglesia Católica dejó de dar misa en latín y de espaldas a los fieles. Por otra parte, los evangélicos difunden su narrativa por medio de música, de canales de radio y TV y en las pequeñas casas que transforman en templo, en todas las periferias.

La educadora social evangélica Rachel Daniel, de 24 años, dice que la Iglesia Evangélica acoge las personas “de una forma perfecta”. “Usted es abrazado, se siente acogido, las personas están preocupadas si usted tiene que comer en casa, sobre su salud, lo llaman en su cumpleaños”, afirma.

“La mujer negra que está en la periferia no tiene acceso a cultura, salud ni educación. Ahí la Iglesia trae salud, cultura y educación. Su hijo aprende a tocar un instrumento, hace teatro. Ella logra ir al médico, consigue los remedios. La Iglesia tiene un pre-universitario comunitario. Todo lo que el Estado no ofrece, la Iglesia lo trae.”

La izquierda no hizo los deberes

“La izquierda no escuchó a Paulo Freire, no fue a enseñar al sujeto a escribir a partir del ladrillo, de la argamasa, que es lo que Paulo Freire ensañaba sobre la educación libertadora. La base quedó suelta y se fue volviendo religiosa”, argumenta Ariovaldo Ramos.

Para el pastor, el error de la izquierda es olvidar que “bajo de la línea del Ecuador todos somos religiosos". "Todo el mundo dice ‘Gracias a Dios’. Pensar que todo el mundo, a medida que gana su dignidad económica va a dejar la religión es solo imaginación. La fe es una cosa más profunda que eso, es una manera de mirarse en la vida.”

La política es afecto, es relación y la religión también. La izquierda dejó de hacer eso y la derecha utilizó a esos pastores.

Ramos alerta que, mientras que la izquierda no trate de la dignificación de la mujer y del hombre negro, seguirá perdiendo votos ante cualquier movimiento que “de a los pobres, a los negros y a los miserables un sentido de dignidad, que no tiene que ver con la plata que tienen en los bolsillos, porque van a poner agua en la sopa de cualquier forma. Lo que no van a aceptar es ser tratados como esclavos”.

“No se puede llegar donde la señora de 90 años que va a mi Iglesia y decirle así: se que el pastor la llevó al médico cuando usted lo necesitó, conversó con usted cuando lo necesitó, visitó a su hijo en la prisión, pero el está equivocado, vote por otra persona. Porque hay una construcción de afecto. La política es afecto, es relación, y la religión también. La izquierda dejó de hacer eso y la derecha utilizó a esos pastores”, sentencia la educadora evangélica Rachel Daniel.

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Como secretária de Cultura, Regina Duarte tem histórico de conservadorismo político

seg, 20/01/2020 - 19:10
Controversa Atriz já defendeu corte de verbas de Bolsonaro na Cultura e fez manifestações contrárias a demarcações indígenas Cristiane Sampaio | Aliada de Bolsonaro, atriz Regina Duarte é associada a pautas políticas conservadoras e virou símbolo do antipetismo Reprodução/ Twitter

A atriz Regina Duarte deverá assumir o posto de secretária Especial de Cultura no lugar do dramaturgo Roberto Alvim, que foi demitido na semana passada após protagonizar um vídeo com conteúdo nazista. A informação sobre o aceite, o qual ela caracterizou como um "teste", do convite por parte da atriz foi divulgada nesta segunda-feira (20), após uma reunião entre ela e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).   

“Tivemos uma excelente conversa sobre o futuro da cultura no Brasil. Iniciamos um ‘noivado’ que possivelmente trará frutos ao país”, disse o chefe do Executivo por meio de sua conta no Twitter.

A atriz ficou de dar a reposta definitiva, no entanto, na quarta-feira (22), quando viajará a Brasília. 

A nomeação da atriz para a pasta é controversa mesmo dentro do meio artístico por conta do perfil de Regina, que é associada à defesa de pautas conversadoras na política e medidas neoliberais na economia. Ao longo de 2019, ela fez diferentes postagens nas redes sociais em que defendeu o presidente Bolsonaro e ministros como Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, e Paulo Guedes, da Economia.  

No ano passado, por exemplo, em entrevista ao jornalista Pedro Bial, da TV Globo, a atriz chegou a defender os cortes de verbas do governo na área de Cultura, afirmando que seria o momento de “controlar os gastos” – a asfixia orçamentária é uma das principais críticas encampadas pelo meio artístico à gestão do capitão reformado.

Além disso, em 2017, quando o então presidente Michel Temer (MDB) sinalizou que acabaria com o Ministério da Cultura, Regina Duarte defendeu a extinção da pasta, que havia sido criada em 1985.  

“Se o país está ’em coma’, não entendo a insistência no autoengano de achar que a Cultura pode se safar, sadia, do desconserto geral que nos abateu. Na teoria (linda!) a prática é outra (dolorida). Sou a favor da ideia de manter a Cultura internada no ‘Hospital’ da Educação. Depois da possibilidade de ‘alta’, vamos ver o que pode ser melhor para ela e para todos nós, brasileiros”, disse, na época.  

Agora, segundo jornais da mídia empresarial, Bolsonaro estaria reavaliando a recriação do ministério para que a atriz pudesse ficar à frente da pasta. Em tom de deboche, o ator José de Abreu criticou a indicação dela para o cargo de secretária.

“Breking Faking News: Regina Duarte exige a recriação do Ministério da Cultura para participar do governo. ‘Sempre fui a protagonista, não será agora que vou ser a secretária. Quase não tem fala!’”, ironizou, pelo Twitter.  

A documentarista Debora Diniz se somou às reações críticas, afirmando que “personagem e criatura se confundem na adoração que ela devota ao presidente Bolsonaro”. “Ela é a matéria que incorpora a libido do poder patriarcal. Uma mulher em submissão encantada”, disse, também pela rede social.   

Histórico político

A indicação para a secretaria e a defesa da extinção do ministério não são as únicas controvérsias que circundam o nome da atriz, que já protagonizou outras polêmicas relacionadas ao mundo político.  

Nas eleições presidenciais de 2002, por exemplo, a frase “eu estou com medo”, proferida por Regina Duarte em campanha nacional a favor de José Serra (PSDB), marcou a disputa. Na ocasião, ela se referia à possível eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao se engajar no pleito, a atriz acabou se tornando um dos símbolos da polarização política entre PT e PSDB e passou a ser associada a manifestações de caráter conservador e antipetista.

Contra indígenas

Regina Duarte também tem histórico de críticas às demandas pautadas pelo movimento indígena no que se refere às demarcações de terra – bandeira principal das comunidades tradicionais e alvo frequente do ruralismo.  

Em 2009, por exemplo, ao participar da 45ª Exposição Agropecuária e Comercial (Expoagro), em Dourados (MS), a atriz se mostrou solidária aos produtores rurais do estado que lutavam contra demarcações indígenas e quilombolas.

“Podem contar comigo, da mesma forma que estive presente nos momentos mais importantes da política brasileira”, disse, na ocasião, acrescentando que “o direito à propriedade é inalienável”. “Confesso que em Dourados voltei a sentir medo”, destacou ainda, ao se referir a despachos da Fundação Nacional do Índio (Funai) que previam a criação de reservas de comunidades tradicionais na região.

Casada com o pecuarista Eduardo Lippincott desde 2002, a atriz mantém junto com o marido um criatório de gado de elite apontado como um dos melhores do país. Lippincott atua no ramo há mais de 40 anos e os dois frequentam os espaços de poder e prestígio do agronegócio.

Apesar de a Secretaria Especial de Cultura não ter ligação com demandas de reconhecimento e demarcação de terras indígenas, entidades que acompanham o tema se mostram críticas à nomeação da atriz para o cargo.

“A gente lamenta isso e acha que esse tipo de postura [dela] em nada vai contribuir pra cultura no Brasil e tampouco pra questão indígena, porque ela vai respaldar um governo que é contra as demarcações e os direitos indígenas. A nomeação dela vai significar simplesmente um reforço nessa postura extremamente preconceituosa e de ódio que está existindo no Brasil”, avalia o secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Eduardo Cerqueira de Oliveira.  

O governo Bolsonaro ainda não confirmou em que data a atriz tomará posse. Com a saída de Alvim, o secretário-adjunto da pasta, José Paulo Martins, assumiu o cargo interinamente.

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Jornal Brasil Atual Edição da Tarde | 20 de janeiro de 2020

seg, 20/01/2020 - 18:49
Mobilização Marcha dos atingidos pelo crime da Vale em Brumadinho (MG) está entre os destaques do programa Redação | Ouça o programa ao vivo das 17h às 18h30 na Grande São Paulo (98.9 MHz) e noroeste paulista (102.7 MHz) e através do site do Brasil de Fato Juliana Almeida | RBA

Os atingidos e atingidas pelo crime da Vale em Brumadinho (MG) iniciaram nesta segunda-feira (20), uma marcha que durará seis dias para denunciar a impunidade e falta de reparação das vítimas, há um ano do que foi um dos piores desastres socioambientais do mundo nas últimas décadas. 

A tragédia, que completa um ano no próximo sábado (25), deixou 272 pessoas mortas. Onze pessoas não tiveram os corpos encontrados até agora. 

No Jornal Brasil Atual Edição da Tarde, conversamos com Joceli Andrioli, da coordenação nacional do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), entidade que organiza a marcha. 

A marcha, que partiu de Belo Horizonte, fez duas paradas: em frente ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJ-MG), e em frente a Agência Nacional de Mineração. 

Andrioli explica porque o protesto no TJ-MG: "O Tribunal de Justiça de Minas Gerais tem sido conivente com os crimes da Vale, na medida em que tem uma morosidade imensa em garantir um plano de reparação adequada às famílias, e porque ninguém foi punido ainda, quatro anos depois do crime da Vale-BHP em Mariana, e já há um ano do crime em Brumadinho, a gente vê um processo de lentidão: os atingidos sem assessoria técnica, a Vale tendo o controle de tudo e de todos no território, a Vale definindo que tipo de programa vai fazer, sem a participação dos atingidos".

Em relação à responsabilização da mineradora, o dirigente do MAB afirma que "a primeira coisa importantíssima que o Judiciário deveria ter coragem de fazer é afastar o criminoso das vítimas e do cenário do crime. A Vale hoje tem superpoderes sobre decisões de o que fazer com o crime que ela cometeu. É um absurdo. Hoje a Vale faz o que bem entende no território, ela dita os programas de reparações".

O programa também recebeu o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, que afirmou que os erros nos resultados do Enem são fruto da irresponsabilidade na condução do Ministéro da Educação.

No final da tarde desta segunda-feira (20), o MEC decidiu ampliar o prazo do Sisu em 2 dias, até domingo (26), e afirmou que as notas erradas foram corrigidas.

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O Jornal Brasil Atual Edição da Tarde é uma produção conjunta das rádios Brasil de Fato e Brasil Atual. O programa vai ao ar de segunda a sexta das 17h às 18h30, nas frequências da Rádio Brasil Atual na Grande São Paulo (98.9 MHz) e noroeste paulista (102.7 MHz), e pela Rádio Brasil de Fato (online). Também é possível ouvir pelos aplicativos das emissoras: Brasil de Fato e Rádio Brasil Atual.

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Sua flecha perfura o céu, mas a nossa está na órbita

seg, 20/01/2020 - 18:23
coluna EUA e China: as competições continuarão, a instabilidade permanecerá Vijay Prashad | We Will Be Better (Seremos melhores), 1995 Imagem: Yu Youhan

China e Estados Unidos, na última quarta-feira (15), concordaram em suspender sua guerra comercial em larga escala. Desde fevereiro de 2018, os EUA passaram a aplicar tarifas sobre produtos chineses que entram no mercado estadunidense, ao que se seguiu uma retaliação da China. Esse jogo de toma lá, dá cá continuou por quase dois anos, causando grandes perturbações na cadeia de valor global. Em outubro de 2019, relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) feito pelo G20 informou que o PIB global teve queda de 0,8% somente pela tarifação de mercadorias como alumínio, aço, soja e peças de carros praticadas entre os EUA e a China. Os ataques ocidentais à tecnologia chinesa 5G -- e à empresa de tecnologia Huawei -- fazem parte da pressão sobre a China para que esta ceda diante da ordem liderada pelos EUA. Mas a China não se curvou. Como prelúdio ao acordo da “fase um”, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos parou de chamar a China de “manipuladora de moeda”, um termo que assombra o país asiático há décadas.

A suspensão da guerra comercial vem com um acordo da “fase um”, cujo texto inclui nove capítulos sobre tópicos como direitos de propriedade intelectual sobre serviços financeiros. Mais significativamente, a China concordou em parar de pedir às empresas que investem no país que compartilhem sua tecnologia; esse é um grande diferencial do modelo chinês de desenvolvimento. Esse acordo é apenas a primeira etapa de um processo contínuo de negociações e confrontos, que deverá continuar por muito tempo. Se a “fase um” for bem e se os mecanismos de implementação e diálogo funcionarem, os dois países passarão para a “fase dois”. Diplomatas chineses dizem que não preveem um retorno imediato ao período anterior ao confronto, ou seja, antes do início da guerra comercial, em fevereiro de 2018.

As notícias de um possível acordo comercial imediatamente levaram o FMI a revisar sua previsão de crescimento para 2020 para a China de 5,8% para 6%. O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse que o PIB dos EUA seria de 2,5% em 2020 (embora o FMI continue prevendo 1,9%). É provável que as baixas expectativas para a economia global (crescimento de 2,5% do PIB) também possam ser revisadas, embora as previsões de uma forte contração global permaneçam intactas. O CFO Signals, da Deloitte, para o quarto trimestre de 2019, sugere que as empresas estadunidenses começaram a restringir ainda mais os investimentos, antecipando uma séria desaceleração -- mas não uma recessão -- da economia. As empresas perderam pelo menos 46 bilhões de dólares como consequência da guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump, em fevereiro de 2018. A pressão das empresas na Casa Branca e a necessidade de Trump de fazer de sua “vitória” na guerra comercial um trunfo eleitoral levaram os EUA para a mesa. No quarto trimestre de 2018, a taxa de crescimento econômico da China era a mais lenta desde 1990, razão pela qual estava disposta a discutir questões pendentes desde fevereiro de 2018.

Shi Guorui, The Yangtze River (O rio Yangtze), 2013.

No nosso dossiê n. 24 O mundo oscila entre crises e protestos, abordamos a discussão sobre um novo “mundo bipolar”. É amplamente reconhecido que o poder dos EUA diminuiu desde o ataque ilegal ao Iraque em 2003 e desde a crise financeira mundial de 2007-08; ao mesmo tempo, é difícil negar o rápido crescimento da economia da China e sua crescente importância no cenário mundial. Há uma década, quando China e Rússia se uniram ao Brasil, Índia e África do Sul para formar o BRICS, parecia que a arquitetura global estava indo da unipolaridade dos EUA (com seus aliados) para a multipolaridade; mas, com o aprofundamento da crise em países como Brasil e Índia, a nova arquitetura global -- segundo o Instituto de Relações Internacionais da Universidade Tsinghua, na China, -- será bipolar, com EUA e China ocupando os dois polos da ordem global.

As taxas de crescimento da China desde o início da era das reformas, em 1978, permanecem surpreendentes. A tentativa de explicar isso gerou uma literatura enorme, algumas apenas parcialmente explicativas, mas a maior parte recheada de clichês. O professor Wang Hui, da Universidade de Tsinghua, sugere que a estrutura política da China não segue os padrões neoliberais ortodoxos, mas emergiu a partir do compromisso do Partido Comunista Chinês com a soberania, a partir dos imensos avanços em saúde e educação nas primeiras décadas do período revolucionário, do aprimoramento da economia pela economia socialista de mercadorias daquele período, das lutas sustentadas no campo para transformar as relações com a posse da terra, e do profundo pragmatismo dos comunistas (“atravessar o rio sentindo as pedras”). O professor Hui adverte que o estresse da sociedade de mercado começou a gerar novas e perigosas contradições para a China. Uma das contradições esmagadoras são as ameaças dos EUA.

Zhang Xiaogang, Bloodline – Big Family no. 4 (Linaje – Grande família nº 4), 1995.

Os Estados Unidos -- que têm o hábito da dominação -- tentaram ao máximo impedir e lidar com o crescente papel global da China. Lidar com a China significa intimidá-la para que permaneça subordinada aos interesses econômicos dos EUA. Washington acusou Pequim de manipulação de moeda e tentou fazer com que a China revisasse sua moeda em benefício dos Estados Unidos; isso não ocorreu e esse fracasso é um sinal de que a China não se curvará à autoridade dos EUA. As acusações sobre a moeda foram seguidas rapidamente por alegações de que a China havia forçado transferências de tecnologia ou roubado propriedade intelectual, de que impedia o acesso a serviços financeiros e de que não cortaria seus subsídios industriais. Cada presidente dos EUA, ao longo da década passada -- George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump --, acelerou as acusações contra a China e a retratou como tendo avançado inteiramente por meio da trapaça.

Quando a China se recusou a aceitar as demandas dos EUA, e quando continuou a desenvolver seu projeto econômico -- a Iniciativa do Cinturão e Rota --, os Estados Unidos passaram a ameaçá-la política e militarmente em vários eixos, alguns deles desenvolvidos por Wu Xinbo, decano da Instituto de Estudos Internacionais da Universidade de Fudan.

1. Estratégia do Indo-Pacífico. Em 2017, Estados Unidos e Índia começaram a desenvolver uma estratégia que uniria esses dois países contra a Iniciativa do Cinturão e Rota (ao longo da Eurásia) e a Iniciativa Colar de Pérolas (Oceano Índico). O primeiro documento sobre essa estratégia, produzido pelo Departamento de Defesa dos EUA, em junho de 2019, aponta o dedo para China e diz que “procura reordenar a região a seu favor, alavancando a modernização militar, influenciar operações e praticar economia predatória para coagir outras nações”. Os Estados Unidos e a Índia -- juntamente com o Japão e outros Estados menores -- devem criar um bloco para impedir o surgimento da China como potência continental e global. Não é à toa que o departamento de defesa dos EUA reclama de “operações de influência” e “economia predatória”, ambas entendidas de perto como políticas dos EUA (incluindo a própria Estratégia Indo-Pacífico).

2. O uso de Taiwan. O documento Indo-Pacífico promove a defesa de Taiwan como um pilar essencial da estratégia dos EUA. A China, há muito tempo, insiste no isolamento diplomático de Taiwan e por sua eventual incorporação. Como não possui uma embaixada em Washington, Taiwan tem -- desde 1971 -- um Conselho de Coordenação para os Assuntos da América do Norte e o Escritório de Representação Econômica e Cultural de Taipei; Trump mudou para Conselho de Taiwan para Assuntos dos EUA, um nome que irritou Pequim. Trump e seus funcionários não apenas disseram que gostariam de ampliar as relações EUA-Taiwan; mas venderam caças F-16 a Taiwan e apoiaram totalmente a reeleição de Tsai Ing-wen do Partido Progressista Democrático -- que afirma a independência de Taiwan da China -- nas eleições presidenciais de janeiro de 2020.

Liu Bolin, Hiding in New York No. 9 – Gun Rack (Escondido em Nova Iorque Nº 9 – Armero), 2013.

3. Hong Kong e Xinjiang. O documento Indo-Pacífico do Departamento de Defesa dos EUA diz que os EUA -- e a Índia -- expressam “profunda preocupação” com o destino da população muçulmana na China; ao mesmo tempo, os EUA dizem apoiar os protestos em Hong Kong. A preocupação com os muçulmanos chineses, vindo dos EUA, não é crível, dada a própria postura de Trump diante dos muçulmanos; no caso da Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi conduz uma política de cidadania e refugiados que é claramente antimuçulmana. Os Estados Unidos e seus aliados usam os casos de Hong Kong e Xinjiang para pressionar a China; as pessoas em Hong Kong e Xinjiang irão se iludir se acreditarem que os EUA realmente se preocupam com a democracia e os muçulmanos.

Ferrovia Tanzam. Em 1965, a pedido de vários movimentos de libertação nacional e governos no leste da África, a República Popular da China começou a trabalhar para construir a Ferrovia Tanzam ou a Ferrovia Grande Uhuru. Esta ferrovia cortou antigas fronteiras coloniais que isolavam a Zâmbia e mantinham a Tanzânia do interior do continente. Mao disse a Julius Nyerere da Tanzânia que - apesar da própria pobreza da China - como um projeto de libertação nacional, a Revolução Chinesa tinha o dever de ajudar seus camaradas na África a construir a ferrovia mais longa do continente. Foi isso que eles fizeram.

4. China na África. Na década passada, os EUA e os europeus reclamaram que a China é a nova potência colonial na África. É verdade que o investimento chinês na África aumentou astronomicamente, mas em muitos países o principal parceiro econômico continua sendo o antigo adversário colonial. No entanto, essa narrativa da China como potência colonial não é sobre fatos, mas serve ao propósito de depreciar a estratégia comercial da China no Sul Global e o desafio que ela representa à hegemonia dos EUA e de seus aliados. O procedimento real da China está bem descrito no Relatório de Desenvolvimento Humano de 2013: “A China está concedendo empréstimos preferenciais e estabelecendo programas de treinamento para modernizar os setores de vestuário e têxtil nos países africanos. A China incentivou suas indústrias maduras, como o couro, a se aproximarem da cadeia de suprimentos na África e suas modernas empresas de telecomunicações, produtos farmacêuticos, eletrônicos e construção a entrar em joint ventures com empresas africanas”. Alguns anos atrás, perguntei ao ex-ministro das Relações Exteriores da Tanzânia, Ibrahim Kaduma, o que ele pensava dos interesses comerciais chineses na África. “Os Estados africanos precisam apresentar sua própria avaliação do caminho a seguir”, não devem ser guiados pelo medo fomentado pelo Ocidente, disse.

Ta Men, Snow (Neve), 2016.

Desde fevereiro de 2018, vários mecanismos de solução de conflitos -- incluindo o Diálogo Econômico Estratégico -- estabelecido pelos EUA e pela China não funcionaram. O acordo mais recente da “fase um” cria novas plataformas para discussão e debate e fornece um roteiro para resolver o caos desencadeado por essa guerra comercial. Mas esse acordo é um cessar-fogo -- não um tratado de paz. As competições continuarão; a instabilidade permanecerá. “Caos e desordem”, como escrevem os estudiosos da Universidade Tsinghua, virão a seguir.

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The realm of faith and politics: a project of power of Evangelical leaders in Brazil

seg, 20/01/2020 - 18:10
Religion Rise of Evangelical politicians in Brazil is not just the result of the growing number of believers in Brazilian society Caroline Oliveira | Evangelical leaders don’t represent the majority of evangelical Christians, who are mostly black, female, and poor, experts say Alan Santos/President’s office

It’s almost 7:30 p.m. at a God is Love Pentecostal Church in downtown São Paulo. A torrential rain made it difficult for many believers to arrive on time. Before the service starts and the brothers and sisters come in, 36-year-old Serafina Ribeiro goes around the room getting things clean and tidy and smiling at those who walk into the venue.

A domestic worker, Ribeiro has joined the church four years ago, after she fell into depression following her mother’s death. She had come to São Paulo to work and live at her bosses’ home, moving away from her mom, who stayed in Bahia, many hundreds of miles away, in the northeast of Brazil. At church, she says she felt “the love of God,” stopped feeling anguished, and now feels she is “cured.”

Ribeiro is the face of Brazilian evangelical Christians: woman, black, low-income. At the relatively small venue -- if compared to the Universal Church’s pharaonic Temple of Solomon --, most churchgoers corroborate the data provided by a survey disclosed in January 2020 by the Datafolha polling institute about the demographics of Evangelical believers: black women who earn up to two minimum wages a month and have secondary education.

It’s a very different background from that of evangelical leaders who decide to go into politics, whether behind the scenes or in the limelight.

One example is bishop Edir Macedo, the leader of the Universal Church of the Kingdom of God, first established in Rio de Janeiro in 1977, on the land of an old funeral home. Macedo’s net worth in 2015 was estimated US$1.1 billion, according to Forbes Magazine. As he endorsed the presidential campaign of Jair Bolsonaro in the 2018 elections, nearly 70 percent of Evangelical Christians voted for the blessed far-right candidate.

Evangelicals have been engaged in Brazilian politics for a long time, but their participation has increased exponentially. Since 1982, the number of members of parliament who identify as Evangelical Christians surged from 12 to 90, according to the parliamentary press office of Brazilian unions (DIAP). The numbers are partially explained by the growth of Evangelical Brazilians, from 7.8 million to 26.2 million in the same period. But that’s not the only reason why they have become a greater political force.

Jair Bolsonaro being blessed by billionaire bishop Edir Macedo | Universal Church of the Kingdom of God

A project of power

Experts and Evangelical Christians interviewed by **Brasil de Fato** explain that the growing participation of Evangelicals in politics is part of a project aiming at increasing their power, encouraged by religious leaders aligned with the Brazilian right.

“With the Evangelical growth, many more people will go into partisan politics. That’s normal and expected. With the Universal Church, however, that changed,” said 64-year-old pastor Ariovaldo Ramos, the leader of the Renewed Christian Community and one of the national coordinators of the Evangelicals’ Front for a Rules-Based Democracy, established in 2016. Ramos believes that Edir Macedo’s church has become a “political agency” that operates based on the idea of rising to power.

In 2008, bishop Macedo published the book *Plano de Poder* (“Plan for Power”), quoting Machiavelli and portraying God as a statesman and Adam and Eve as elements of a natural or savage state. “Christians must awaken at dawn,” he writes. “Emancipation starts with individual improvement, nonconformity with certain situations, the consensus about an ideal, and general mobilization.”

Ten years later, in the 2018 elections, his plan for power was in full force: it was the ministers, supported by right-wing candidates, who brought part of Brazilian society to the streets, pastor Ariovaldo Ramos believes. And it was the right-wing and far-right political parties that took the best advantage of the growth of Evangelicals in the country.

“It’s the fastest-growing religion in Brazil and Latin America, and it’s very easy to link it to this right-wing project that address morality and conservatism,” says Andrea Dip, a journalist and author of *Em nome de quem?: A bancada evangélica e seu projeto de poder* (“In the name of whom? The Evangelical caucus and its project for power”).

As part of her investigation for the book, in 2015, Dip attended an Evangelical service at Brazil’s Congress, when Dilma Rousseff was still president. “Before that, I didn’t know that Evangelical services took place there. Eduardo Cunha [then speaker of the lower house and one of the operators of the impeachment proceedings against Rousseff] was there, praying, holding a Bible in his hand. That’s when I realized that there was a project for power being devised,” Dip says. Evangelical and right-wing values came together and created the necessary sauce to develop that project.

Pastor Ariovaldo Ramos points out that Evangelical Christians have been engaged in partisan politics since the end of the military dictatorship in the country, in 1985, but Evangelical churches tended to stand clear of partisan struggles. “It was never part of the Evangelical logic to seize power or have a political influence. Actually, the Protestant faith was very active in building a secular State,” he says.

But over time, they started to realize that having power was a way to promote their faith, “especially because of the persecution against them.” With the rise of prosperity theology, Ramos explains, that change became inevitable. Now, “if you are chosen by God, you have financial prosperity. That became a pillar that you hear in the message of the Universal Church and all Neopentecostal Churches. That’s the ‘serpent’s egg' that created the environment we have today.” 

“Christians must awaken at dawn,” Edir Macedo wrote in his book “Plan for Power” | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Why is the number of Evangelicals growing so fast?

Marco Fernandes, a doctor of psychology and researcher with the Tricontinental: Institute for Social Research, says that, in order to understand what led to such a surge in the number of Evangelicals in Brazil, it is necessary to look into the changes that took place in Brazilian society in recent decades when it comes to the worsening of the quality of life of the working class.

“What did the churches offer people who were facing that? First, the possibility of belonging to a community. Churches are like a cultural center on the outskirts. If a young person wants to learn how to play a musical instrument, for example, they go to the Universal Church of the Kingdom of God,” he says, where they offer around 15 social programs to believers. According to official data from 2018 disclosed by the UCKG, nearly 10.8 million people had access to these programs.

Another aspect mentioned by the researcher is the emotional support provided by these places. A study conducted by Brazil’s National Association of Occupational Medicine, mental health issues were among the main causes of absence from work in 2017.

“Where are these workers finding relief? At church. And they really do get better from depression, anxiety. It’s the churches that are helping cure alcoholism in working-class communities today,” Fernandes says, adding that it’s also where “they find financial relief, even if it’s just by getting food at the end of the month.”

Fernandes believes that Evangelical institutions end up organizing life in society, especially in places where the State is not reaching, like communities on the outskirts.

And while Evangelical religions expand around the country, Catholicism, Brazil’s largest religion, is losing ground. According to pollster Datafolha, while Catholics make up 50 percent of Brazilians today, they were 90 percent in 1980.

That trend, according to Fernandes, can be explained because the penetration of Evangelical churches in the working class is better, as the rhetoric and the rituals are closer to the communities’ reality than those of the Catholic Church.

While the Catholic masses were conducted in Latin with the priest facing away until the 1960s, Evangelicals spread their message through music, TV and radio channels, and at small houses that they can turn into temples across low-income communities.

Rachel Daniel, a 24-year-old Evangelical social educator, says that the Evangelical Church welcomes people “perfectly.” “You are hugged, you feel welcome, people are concerned about whether you have food at home, about your health, they call you on your birthday,” she says.

“Black women who live on the outskirts don’t have access to culture, health, and education. That’s where the Church offers health, culture, and education. Their children can learn how to play an instrument, they take acting classes. They can get a doctor’s appointment, they can get medicine. Everything the State doesn’t offer them, the Church does.” 

The majority of Evangelical Christians in the country are women, black, and low-income Brazilians, according to pollster Datafolha | Rovena Rosa/Agência Brasil

The left didn’t do their homework

“The left didn’t listen to Paulo Freire, they didn’t teach people to write using bricks and building cement, which is what Paulo Freire taught us about a liberating education. The grassroots communities were unattended and eventually became religious communities,” Ariovaldo Ramos argues.

The pastor says that the mistake of left-wing forces was to forget the fact that “below the Equator, we are all religious people.” “Everyone says ‘thank God.’ To believe that everyone would leave religion behind as they gained economic dignity is misguided. Faith is something much deeper, it’s a way to see life.”

Ramos says that, as long as the left does not tackle the dignity of black men and women, it will continue to lose votes to any movement that “lends the poor, the black, and the miserable a sense of dignity, which has nothing to do with the money they have in their pocket. What they will not accept is to be treated as slaves.”

The Evangelical educator Rachel Daniel has a similar argument. “You can’t tell a 90-year-old lady who goes to my church, ‘I know that the minister took you to the doctor when you needed, talked to you when you needed, and visited your son in prison, but he is wrong, vote for someone else.’ That’s about forging affectional bonds. Politics is about affection and relationship, and so is religion. The left stopped doing that, and the right used those ministers.”

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A extrema riqueza: retrato da injustiça fiscal 

seg, 20/01/2020 - 18:05
coluna A desigualdade social só pode ser amenizada com ação do Estado Dão Real Pereira dos Santos | "As fortunas crescem e se concentram muito mais por mecanismos financeiros do que por esforço pessoal" Reprodução

“Sou defensor de um sistema fiscal onde, se alguém tiver mais dinheiro, paga uma maior percentagem em impostos”. Esta frase não foi dita por nenhum economista heterodoxo nem por nenhum socialista. Foi o Sr. Bill Gates, nada menos do que a segunda pessoa mais rica do planeta, quem a afirmou, assim como, disse também que a sua fortuna mostra que não há justiça fiscal. Esta frase resume o conceito de progressividade tributária, que significa que os mais ricos devem pagar mais tributos do que os pobres, proporcionalmente a renda de cada um.

Esta frase é emblemática e inusitada, não por ser estranha, incoerente ou ilógica, nem por representar algo novo, mas por ter vindo de onde veio. Um bilionário que reconhece que sua fortuna é o retrato da injustiça é algo realmente raro. O entendimento de que a extrema riqueza é um problema a ser enfrentado não é comum entre os extremamente ricos. Muitos deles até admitem que deveriam ser um pouco mais tributados, quando comparados com outros segmentos sociais, mas suas razões têm pouco a ver com justiça, mas sim com preocupação e receio quanto à sua segurança. Acham que sem o Estado seria muito difícil e oneroso manter e garantir suas posses e propriedades.

Outros nem chegam a tanto e se veem como credores do Estado. A maioria são mega empresários e investidores, que, de tanto repetir que são eles que, “generosamente”, criam empregos, acreditam que o Estado e a sociedade são seus sempre devedores, portanto, não teria sentido ainda terem que pagar tributos. Mais um destes mitos populares, que não tem outra função, que não a de ocultar o óbvio: que é o trabalho que reproduz o capital e produz a riqueza de quem o possui e não o contrário; e que é o Estado que garante a reprodução da força de trabalho. Assim, na competição entre dependências, o empresário é, no mínimo, tão dependente dos trabalhadores quanto os trabalhadores são do empresário.

A frase do Sr. Bill Gates não traz nenhuma novidade. A progressividade e o respeito à capacidade contributiva são conceitos muito antigos e estão, inclusive, contemplados em nossa Constituição Federal, de 1988. Karl Marx já havia popularizado a expressão “de cada qual segundo sua capacidade, a cada qual segundo suas necessidades”, que resume com muita clareza os fundamentos que amparam os Estados de Bem-estar social.

Muitos movimentos sociais, no mundo inteiro, já incluíram a progressividade tributária como eixo central de suas lutas. A desigualdade social só pode ser amenizada com ação do Estado e a eficácia da ação do Estado aumenta quando os tributos funcionam como instrumentos de redistribuição, ou seja, quando forem progressivos.

Ao admitir que sua fortuna demonstra a injustiça fiscal, o segundo homem mais rico do mundo, além de reconhecer a importância do Estado e da tributação para redução das desigualdades, reconhece também que a concentração da riqueza nas mãos de poucos produz redução de riquezas para milhões de pessoas. Isso é evidente, pois se alguém fica mais rico quando não há crescimento econômico ou a taxas superiores ao crescimento, é porque alguém ficou mais pobre.  

As fortunas crescem e se concentram muito mais por mecanismos financeiros do que por esforço pessoal, pelo trabalho, pelo talento ou pelo mérito. E grande parte delas é obtida pela superexploração do trabalho e dos recursos naturais, ou seja, decorre também da precarização das condições de vida dos trabalhadores e da sociedade, o que eleva as demandas por políticas públicas saneadoras ou compensatórias. Quando mais assimétrica for a apropriação das riquezas produzidas, maior será a importância do Estado no provimento do bem-estar social e mais tributos serão necessários. Se os tributos forem cobrados mais dos mais ricos, como sugere o Sr. Bill Gates, menor será a concentração das riquezas e mais equilibrado será o sistema social.

O Estado sequestrado pelos muito ricos acaba potencializando a concentração das riquezas, pela desoneração de parcelas relevantes de suas rendas e patrimônios, contribuindo para o aumento das desigualdades e prejudicando a própria economia produtiva.

O maior exemplo disso, no Brasil, é a isenção do Imposto de Renda sobre os lucros e dividendos distribuídos, inclusive quando remetidos ao exterior, criada em 1995, pela Lei 9.249, além de uma reduzida tributação sobre o patrimônio, desonerando as camadas mais ricas da sociedade. Aqui, as políticas públicas, inclusive os investimentos feitos para proteger o patrimônio dos muito ricos, são predominantemente financiadas pelas camadas médias e pobres da sociedade, com tributos sobre consumo e salários.

Mas o Sr. Bill Gates não fala do Brasil, fala dos EUA, onde a tributação sobre renda representa aproximadamente 50% do total da arrecadação e a tributação sobre consumo não passa de 16% do total e mais de 11% da arrecadação sai da tributação sobre o patrimônio. Além disso, até na terra do tio Sam, os lucros e dividendos distribuídos aos capitalistas são tributados pelo Imposto de Renda e a alíquota máxima incidente sobre as heranças ultrapassa a 35%. O que diria ele do sistema tributário brasileiro, que, além de isentar parcelas relevantes da renda de capital, contempla uma tributação sobre renda que representa menos de 20% do total arrecadado, onde mais de 35% provém do consumo e apenas 4% decorre do patrimônio? 

Além disso, no Brasil, o imposto sobre as heranças tem alíquota máxima de 8% (ITCMD). A composição estrutural do nosso sistema tributário faz dele um sistema regressivo que onera muito mais os pobres do que os ricos.

Se a fortuna de Bill Gates mostra a injustiça fiscal nos EUA, que ocupam a 66ª posição mundial em desigualdade social, as fortunas das pessoas mais ricas no Brasil certamente representariam uma injustiça fiscal ainda muito mais profunda e alarmante, pois aqui, somos um dos 5 países mais desiguais do planeta onde mais de 55 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza e mais de 15 milhões vivem abaixo da linha da extrema pobreza. Mas por aqui parece que está tudo muito bem, pois não vimos ainda nenhum bilionário brasileiro defender um sistema tributário progressivo e, quando falam de tributos, eles querem apenas reduzir a nossa carga tributária. Por que será?

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Em ato em frente ao TJ MG, atingidos por barragens lançam marcha de 300 km

seg, 20/01/2020 - 17:50
MINERAÇÃO Protesto denuncia rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), que completa um ano no sábado (25) Wallace Oliveira | "Exigimos que se realize o que já foi definido nas negociações, a assessoria técnica, indenização justa e reparação dos direitos" Foto: Joka Madruga

“Vale assassina!” Com essas palavras, atingidos por barragens das bacias do Rio Doce e Rio Paraobepa iniciaram, nesta segunda-feira (20), uma marcha nacional de 300 quilômetros, partindo de Belo Horizonte rumo a Brumadinho (MG). O ato de lançamento iniciou na Praça do Papa, seguindo pela avenida Afonso Pena e terminou às portas da sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), na capital mineira.

“Que o tribunal apure e puna os responsáveis pelo crime em Brumadinho e também em Mariana. Também vamos questionar no Tribunal os projetos que ameaçam de morte outras comunidades”, denunciou Joceli Andrioli, da direção do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Durante seis dias, os manifestantes percorrerão cidades da Região Metropolitana de BH para protestar contra os crimes da mineradora. A marcha também conta com a participação de atingidos por barragens de 15 países dos continentes americano e europeu.

“Um dos objetivos é pedir que os órgãos responsáveis não parem as buscas. Temos 272 vítimas em Brumadinho, 20 em Mariana, mas ainda faltam encontrar, como dizem as famílias, 11 joias nesse processo das buscas para que possam ter um enterro decente. Além disso, exigimos que se realize o que já foi definido nas negociações, a assessoria técnica, indenização justa e reparação dos direitos que foram violados”, afirma Soniamara Maranho, da direção nacional do MAB, que organiza a manifestação.

A liderança também ressalta que, embora a Vale tenha fechado o ano de 2019 com lucro líquido de R$ 25 bilhões e um repasse de R$ 7,25 bilhões em dividendos aos acionistas, os atingidos permanecem sem reparação. “A Vale continua tendo lucros extraordinários, mas mantém sua dívida histórica com os atingidos por barragens em Minas Gerais”, critica.

Reconhecimento

Michelle Regina de Paula mora em Betim, a 100 metros do Rio Paraopeba. Ela perdeu uma prima, funcionária da Vale, soterrada pela lama da barragem da mina em Córrego do Feijão, em Brumadinho. “Os pais e irmãos da minha prima passam por atendimento psicológico, a família convive com esse trauma, ela deixou duas filhas. Além disso, a vida que a gente leva é problema com a água, o que dá no quintal a gente não pode comer, nem uma fruta a gente pode comer. Então, eu tive que aceitar a morte da minha prima e aprender a lutar pelos meus filhos”, conta a moradora.

Michelle relata a dificuldade de ser reconhecida como atingida pela Vale: “eles consideram que nós, que moramos em Betim, no leito do rio, somos oportunistas. E não somos. O rio está lá, quem o matou foi uma empresa. Se ela não lembra dos funcionários dela, vai lembra do resto?”.

O reconhecimento negado pela empresa, segundo ela, veio por meio do movimento popular. “O MAB foi um divisor de águas. Sabíamos que tínhamos direitos, por causa do rio, mas não sabíamos como fazer. Se não fosse o MAB, a gente estava lá quietinho e a Vale ia fazer o que quisesse”, conclui.

Atualmente, populações nas cidades de Nova Lima, Barão de Cocais, Congonhas, Paracatu e Macacos vivem sob barragens que estão sob risco de rompimento. “O pessoal já não dorme mais à noite, vive sob stress, com todos os problemas que acometem a população”, denuncia Joceli Andrioli.

Ainda nesta segunda, os atingidos passaram pelo prédio da Agência Nacional de Mineração e depois partem em direção a Pompéu (MG), onde acontecem atividades na terça-feira (21). Depois, seguem por Juatuba, Betim, São Joaquim de Bicas e Pará de Minas, até chegar a Brumadinho no dia 25. Nesses locais, o movimento debate os direitos dos atingidos, a segurança, a contaminação da água e a saúde em um grande seminário internacional.

Ato final

Na próxima sexta-feira (24), a Frente Brasil Popular realiza um ato que marca o um ano do crime da Vale, com a presença do ex-presidente Lula, em Citrolândia Betim (MG). No sábado, 25, data de aniversário do crime, acontece a 1ª Romaria pela Ecologia Integral em Brumadinho, organizada pela Arquidiocese de Belo Horizonte. Dentre as atividades previstas terá o lançamento do livro do bispo dom Vicente Ferreira, Brumadinho: 25 é todo dia.

Veja a programação da semana.

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Confira o programa Bem Viver desta quarta-feira (15/01)

seg, 20/01/2020 - 17:50
Bem Viver Durante as férias, o Bem Viver propõe a brincadeiras simples com as crianças | Brincar é uma maneira de criar vínculo com os pequenos e estimular a criatividade Foto: Tempo Junto

As férias escolares é aquele período onde a energia das crianças fica acumulada. E haja criatividade dos pais e dos cuidadores pra entreter os pequenos fora da rotina. Na edição dessa semana conversamos com Patricia Camargo, uma das criadoras da página Tempo Junto, que propõe brincadeiras como forma de criar vínculos afetivos com as crianças. 

O ouvinte também conhece a história das mulheres do Quilombo do Abacatal, no Pará, que são linha de frente na resistência contra as ofensivas de vários projetos sobre o território delas. No local, existem projetos de implantação de uma rodovia, uma ferrovia e até um lixão. 

O Bem Viver também traz análise sobre a nova política pública do Ministério da Saúde que propõe abstinência sexual para os jovens como maneira de prevenir gravidez na adolescência. Nossos especialistas explicam os problemas que envolvem uma orientação como essa. 

Sintonize

O programa Bem Viver vai ao ar toda quarta-feira, a partir das 9h, com reprise aos domingos, às 10h, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM em São Paulo e 102,7 FM no noroeste paulista.

A programação também estará disponível na rádio web do Brasil de Fato, toda sexta-feira, às 9h no site da Rádio Brasil de Fato.

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Em silêncio, 261 crianças morreram trabalhando no Brasil

seg, 20/01/2020 - 17:35
coluna A roupa que você veste e o chocolate que você come têm trabalho infantil Marques Casara | De cada dez trabalhadores infantis em atuação no Brasil, quase sete são negros Foto: Ministério do Trabalho

Nos últimos anos, quando o assunto é trabalho infantil, o governo federal e muitas empresas adotaram a chamada tática do avestruz: escondem a cabeça na areia e negam a realidade em volta.

Em 2020, completam-se três anos que o governo brasileiro esconde dados sobre trabalho infantil. Os índices mais recentes são de 2016, divulgados em 2017. Desde então, sucessivos adiamentos na divulgação comprometem gravemente a formulação de políticas públicas. 

A apresentação dos dados de 2017 e 2018 havia sido marcada para junho de 2019. Depois mudou para novembro. Depois para março de 2020. Agora, ficou para junho, ou seja, um ano de atraso, caso não ocorram novos adiamentos.

Em relação ao trabalho infantil, esconder informação protege violadores. Em muitos casos, são grandes empresas que se beneficiam do trabalho infantil na base de suas cadeias produtivas.

Criança preta

Não há nada mais sanitizante, em direitos humanos, do que a luz do sol, a transparência, a discussão pública e aberta. Mas poucos têm coragem. Há muitos interesses em jogo. Criança é mão de obra barata em importantes setores da economia brasileira.

Criança preta trabalhando em algum rincão isolado do país não é algo que tire o sono de 99% dos CEOs em atividade no Brasil. Estão por demais atarantados em alcançar a cenoura que corre a frente deles, as inalcançáveis metas do trimestre.

De cada dez trabalhadores infantis em atuação no Brasil, quase sete são negros. Criança preta trabalhando em algum rincão isolado do país. Poupem nossos CEOs de eventos tão irrelevantes. CEOs são machos alfa de pele branca. Estão no topo da pirâmide. 

No mundo dos negócios, boa parte dos violadores são grandes empresas do setor de alimentos, vestuário, fumo e construção civil. Em nome do lucro, fecham os olhos para o que ocorre em suas cadeias produtivas.

A roupa que você veste, o chocolate que você come e o prédio onde você mora têm trabalho infantil na fabricação de produtos ou componentes. Como você se sentiria se soubesse que o gesso que reveste o teu imóvel foi fabricado mediante o desumano esforço de crianças e adolescentes?

Provavelmente, não sentiria nada. Todos temos cenouras a perseguir. 

Mortes e acidentes

O Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) compilou alguns dados. O que se vê é aterrador.

Informações disponíveis no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram que 261 crianças e adolescentes morreram em decorrência do trabalho, entre os anos de 2007 e 2018. Foram registrados, no mesmo período, 43.777 acidentes de trabalho com crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos.

Não são acidentes qualquer. Em muitos casos, envolvem amputações de membros ou traumatismos irreversíveis.

Também é preciso considerar que boa parte das ocorrências não entra no sistema, pois não são lançadas como acidente ou morte decorrente de trabalho. A subnotificação é a regra.

Fora do alcance dos nossos olhos, o governo ajuda a dissipar a culpa, ao esconder dados.

As empresas ajudam, ao meter a cabeça na areia e anunciar que fazem de tudo pela sustentabilidade.

Nós fazemos a nossa parte, ou seja, consumimos loucamente.

Não somos mais cidadãos. Somos consumidores. Predadores.

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Brumadinho: Vale tenta boicotar assessorias técnicas dos atingidos pelo rompimento

seg, 20/01/2020 - 16:31
Barragens Mineradora pede na Justiça redução do orçamento, do escopo de atuação e do tempo de duração das assessorias Guilherme Weimann* | Rompimento da barragem em Brumadinho (MG) completa um ano neste sábado (25) Ricardo Stuckert

A poucos dias de completar um ano do rompimento da barragem na cidade de Brumadinho, a mineradora Vale do Rio Doce busca na Justiça diminuir o campo de atuação das assessorias que tem por objetivo prestar assistência técnica aos atingidos. Com os planos de trabalho já formulados, as entidades selecionadas pelas assessorias esperam uma resolução da Justiça para iniciar as atividades previstas para a região atingida, onde a comunidade de moradores está sem medidas efetivas para solucionar os problemas causados pelos rejeitos da mina de Córrego do Feijão.

Formadas por grupos interdisciplinares de profissionais especializados (advogados, psicólogos, assistentes sociais, agrônomos, etc), definidos por cada região de acordo com demandas específicas, o objetivo das Assessorias Técnicas Independentes (ATI) é oferecer às comunidades atingidas condições de produzirem seus próprios diagnósticos sobre os diversos impactos do rompimento em suas vidas. 

Na Bacia do Rio Paraopeba, afetada pelo rompimento  em janeiro de 2019, os Termos de Acordo Preliminar (TAP), assinado em fevereiro do ano passado, instituem a criação de cinco ATIs -  escolhidas pelas comunidades para atuarem ao longo do território que engloba desde Brumadinho até Pompéu, em Minas Gerais. 

Em documento encaminhado pela defesa da Vale à 6ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, a mineradora pede a redução do orçamento, do escopo de atuação e do tempo de duração das assessorias, os mesmos argumentos que impediram até hoje o início do trabalho das assessorias na Bacia do Rio Doce. 

De acordo com a advogada Heiza Maria Dias, da Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), selecionada para conduzir o processo das assessorias técnicas em Brumadinho e no Território 2 (Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Betim, Joatuba e Igarapé), as discordâncias da Vale desvirtuam radicalmente o papel original desse instrumento.

"As contestações da Vale apontam para a descaracterização do direito à Assessoria Técnica. Em relação ao escopo é importante destacar que a empresa propõe uma assessoria sem técnicos e sem consultorias, restando apenas a administração do projeto e mobilizadores, e estes em números reduzidos também", relata Dias.

Segunda a advogada, na prática, a Vale pretende reduzir a função das assessorias ao repasse de informes e, dessa forma, "limita a crítica dos atingidos às informações e à produção de informações a partir de sua visão".

A responsabilidade da mineradora Vale do Rio Doce com relação ao atendimento das famílias atingidas está sendo cobrada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em uma marcha de seis dias que partiu da capital mineira Belo Horizonte nesta segunda-feira (20) e tem como destino a cidade de Brumadinho. Até o fechamento desta reportagem, a Vale, dona da barragem que rompeu em Brumadinho (MG), não respondeu aos questionamentos enviados.

A história se repete

Desde o rompimento da barragem do Fundão, no município Mariana (MG), em novembro de 2015, as comunidades denunciam o poder das mineradoras na condução do processo de mitigação dos danos. Na prática, os réus (Samarco, BHP Billiton e Vale) são os que determinam quem são suas vítimas e as ações que devem ser realizadas para repará-las de suas perdas. 

As Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) surgiram para empoderar as comunidades afetadas e dar a elas condições de produzirem seus próprios diagnósticos sobre os diversos impactos do rompimento em suas vidas. Esse instrumento foi elaborado por organizações da sociedade civil para tentar diminuir a desigualdade entre as mineradoras e os atingidos.

Essa foi justamente a proposta acordada no Termo de Ajustamento Preliminar (TAP), assinado pelo Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e mineradoras (Samarco, BHP Billiton e Vale), em janeiro de 2017, e celebrada no Termo Aditivo, em novembro de 2017. 

Construído sobre três eixos - meio ambiente, socioeconômico e monitoramento das ações da Fundação Renova - o TAP instituiu o Fundo Brasil de Direitos Humanos como responsável por conduzir junto aos atingidos o processo de escolha das Assessorias Técnicas.

Com isso, a partir do segundo semestre de 2018, o Fundo Brasil realizou audiências públicas que garantiam às comunidades a definição de dezoito entidades para as Assessorias Técnicas espalhadas ao longo de toda a Bacia do Rio Doce, desde Mariana até a foz, no Espírito Santo. Entretanto, até hoje, nenhuma dessas Assessorias Técnicas estão em funcionamento.

Os únicos locais onde as assessorias técnicas já estão operando são os municípios mineiros de Mariana, Barra Longa e Rio Doce (que abarca também Santa Cruz do Escalvado e Chopotó), selecionados diretamente pelo Ministério Público em consultas públicas aos moradores, antes do Fundo Brasil ser apontado como intermediador desse processo.

Em carta aberta, cinco entidades que foram indicadas para assumir  assessorias técnicas nos diferentes territórios ao longo da Bacia do Rio Doce - Aedas, Adai, Cáritas Diocesa de Itabira, Cáritas Diocesana de Governador Valadares e Centro Agroecológico Tamanduá - denunciam que o valor global financeiro apresentado pelas mineradoras é 14 vezes menor do que o construído de forma participativa, aprovado pela Força Tarefa e pelo Fundo Brasil. Além disso, as empresas contestam o tempo de duração das assessorias técnicas de quatro anos, aprovado pela Justiça. Para as mineradoras, elas deveriam durar apenas um ano. 

De acordo com a advogada do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Tchenna Maso, a assessoria técnica é "um direito fundamental para assegurar aos atingidos e atingidas uma reparação integral, pois permite que participem informados na construção do processo reparatório". 

Em relação à recusa das mineradoras em cumprir o acordo de viabilizar esse instrumento, Maso considera que as empresas negam a efetivação deste direito. "Estão negando o direito das populações atingidas decidirem sobre como as coisas devem ser refeitas após o rompimento, desencadeando uma série de violações aos direitos humanos", aponta.

*Com informações do Movimento dos Atingidos por Barragens

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Golpe: Documentário faz cronologia e reflexão sobre os acontecimentos de 2016

seg, 20/01/2020 - 16:21
Estreia no cinema Longa de Guilherme Castro e Luiz Alberto Cassol será exibido em Porto Alegre; confira entrevista com os cineastas Fabiana Reinholz | Documentário fica em cartaz entre 23 e 29 de janeiro na Casa de Cultura Mario Quintana Divulgação

“Perderam em 64, perderam agora em 2016. Pela família, pela inocência das crianças em sala de aula, que o PT nunca teve, contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim.” Assim declarou seu voto pelo impeachment da presidenta Dilma Roussef, o então deputado federal Jair Bolsonaro (sem partido), em abril de 2016.

Estava ali, mais uma vez exposto, a misoginia, o machismo, a idolatria à ditadura. Também, implicitamente, o autoritarismo, que três anos depois vai se solidificando no poder. Como em 2016, Bolsonaro não está sozinho. É o que apresenta o documentário Golpe, que faz uma cronologia e reflexão sobre os fatos políticos recentes que marcam a destituição de Dilma e a prisão de Lula no Brasil.

Mesclando imagens capturadas presencialmente e de outras plataformas, o filme de Guilherme Castro e Luiz Alberto Cassol traz depoimentos de pensadores, militantes, estudiosos. A estreia nacional acontecerá no dia 23 de janeiro, em sessão de debate com a presença dos diretores, equipe e participantes do filme. A sessão ocorre às 19h30, na Cinemateca Paulo Amorim, da Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. O filme permanece em cartaz até o dia 29.

Em tempos de democracia em vertigem, o Brasil de Fato RS conversou com os realizadores sobre o filme, o golpe que ainda está em curso e a situação atual do audiovisual no país. “A consequência daquilo que aconteceu em 2016 é nefasta e nebulosa para o Brasil, e estamos vivendo ela hoje, na economia, na cultura e nas questões sociais. Toda e qualquer capacidade de dialogo e inclusão está sendo tirada nesse país”. 

Luiz Alberto Cassol e Guilherme Castro exibem poster do filme / Foto: Fabiana Reinholz

Confira a entrevista:

Brasil de Fato RS: Como surgiu a ideia do filme?

Guilherme Castro: É um filme que contextualiza, uma militância contra o golpe, é um filme político e de posicionamento, porque parte de uma perspectiva de engajamento no processo político que estávamos vivendo. O Cassol e eu temos uma trajetória de envolvimento há bastante tempo, em várias frentes de atividade, de construção e de debate político.

Desde 2015 eu vinha gravando algumas coisas. Em 2016, durante o Festival Oberá, na Argentina, em uma reunião do Fórum Entre Fronteiras, tivemos a ideia fazer o filme. Tinha um processo que a gente percebia parecido na América Latina, um processo orquestrado, que não são fatos isolados dos países, mas que estão dentro de lógica de geopolítica e histórica, que muitas vezes, no dia a dia, vivendo as coisas, a gente deixa de prestar atenção. E com certeza, no caso brasileiro, estávamos bem alienado dessas forças políticas e dessas questões que estão sempre em jogo, que mexe com as riquezas, com o futuro da nação e a política do mundo. Estávamos todos entorpecidos, achando que as reformas estavam consolidadas, e mesmo a democracia, uma tremenda ingenuidade. Quando nos demos conta do golpe, já era tarde.

Nessa reunião, discutindo o processo político, tivemos a ideia de fazer um filme que articulasse o que estava acontecendo no Paraguai, porque nós tínhamos vivenciando o golpe sofrido por (Fernando) Lugo em um outro processo Entre Fronteiras, e também a ascensão da direita na Argentina. Então começamos a fazer um filme internacional que no meio do caminho virou um filme sobre o golpe brasileiro. Essa é a trajetória do filme.

Luiz Alberto Cassol: Ambos havíamos acompanhado e ido às ruas em 2013, e ali já havia o questionamento, o que está acontecendo? Ambos vínhamos registrando e gravando manifestações, o Guilherme com mais ênfase. Na ocasião, começamos a dar por conta como a mídia estava cobrindo tudo isso, como isso chegava por meio da internet. E começamos a buscar essa lógica da mídia, das plataformas, dessas informações que sobrepõem, que vão te minando. E a gente faz um link, a leitura que a gente tem de 2013 até tudo o que foi arquitetado para chegar em 2016 - ao golpe da presidenta Dilma. Decidimos pegar toda essa informação e trazer para dentro do nosso processo de construção do filme, e aí nasce o roteiro do Guilherme, o argumento do filme. O nome Golpe nasce durante o processo de construção do filme, assumindo que houve o golpe.

Guilherme: Fomos documentar o que estávamos vivendo durante o acontecimento. Estávamos participando das manifestações, debates. A primeira manifestação pró-golpe, que eu vi em Porto Alegre foi em 2014, uma semana depois da eleição, na feira do livro. A primeira manifestação contra o golpe foi na prisão do Lula, em março de 2016, quando o povo foi para rua.

Tentamos organizar uma leitura disso, uma visão particular do que estava acontecendo. Outra característica que considero importante é a possibilidade de fazer um discurso nacional a partir do nosso ponto de vista em Porto Alegre.

O filme tem uma discussão, uma reflexão conceitual importante: colocar o golpe como o estado das coisas, a lógica midiática em que estamos inseridos. Tem alguns fatores que para mim são novidades, que estão acontecendo recentemente e não estão nesse filme, ficarão para o próximo, como a presença das igrejas evangélicas, da influência das igrejas pentecostais. Outro dado fundamental é a questão do uso da rede social e da mídia.

Estamos em um momento superpovoado de imagens, de informações midiáticas. Procuramos trazer para o conceito do filme essa realidade. Ele tem, ao mesmo tempo, uma linha que é uma análise não-linear, mas dinâmica do contexto político, histórico, das causas e das características, e não é unânime, tem divergências nessa análise. E outra linha que olha para essa realidade de superpovoamento de imagens recuperando imagens midiáticas, o filme trabalha com imagem já midiáticas capturadas de outras plataformas. A gente faz costura de fragmentos midiáticos. É um filme que não é concluso, fica aberto, mas tem uma super clareza.

BdFRS: Vemos nos últimos anos uma forte polarização política. Durante a produção do filme, essa polarização na sociedade estava presente?

Cassol: Quando teve a pré-estreia no CineBancários, em agosto de 2018, tivemos muito mais comentários favoráveis do que contrários. Até porque, com um documentário que se chama Golpe, já estamos dizendo a que viemos. Muitas pessoas que viram disseram que a análise critica que o filme apresenta é para além do golpe.

Eu fiz uma postagem na minha rede social dizendo da trajetória e do preconceito que o filme sofreu pelo nome. Teve um exibidor nacional com quem eu tive um debate em Gramado, mandei o link do filme para ele, que se interessou pela temática, e posteriormente veio conversar comigo sobre o nome. Ele disse que não tinha como colocar em cartaz um filme chamado Golpe. A resposta minha foi que tem que discutir o golpe, e que não abria mão do nome.

Queríamos despertar para o que estava acontecendo. Óbvio que a polarização se dá, e óbvio que quando a gente coloca o nome de um filme de golpe, vai vir uma polarização. Queria, para além desse debate, que não houvesse censura por ninguém, nem preconceito por ninguém, por conta do nome do filme. E quem tem, que faça outro filme, que se discuta o outro lado.

BdFRS: O golpe continua?

Cassol: Para mim sim, ele continua, está em marcha, por isso que o filme continua em aberto. Ao final do filme, a perspectiva que eu tenho, enquanto expectador do filme que eu co-dirigi, é que ele continua em aberto porque a consequência daquilo que aconteceu em 2016 é nefasta e nebulosa para o Brasil, e estamos vivendo ela hoje, na economia, na cultura e nas questões sociais. Toda e qualquer capacidade de dialogo e inclusão está sendo tirada nesse país.

Guilherme: A tendência é recrudescer, a gente percebe o avanço do fascismo com um novo modelo pentecostal, aliado com miliciano. Então estou pessimista em relação a isso. Por outro lado eu fiquei, como todo mundo, bem animado com a indicação do Democracia em Vertigem para o Oscar, porque é superimportante para a opinião pública internacional, e acho que tem chance de ganhar porque tem qualidade para isso, e porque o Bolsonaro ajuda, funcionando quase como um cabo eleitoral.

Cassol: Achei o Democracia em Vertigem belíssimo. A Petra está recebendo esse bombardeio, essa polêmica, e o problema é que a direita, a direita golpista, tem exatamente receio do que o filme está fazendo, que é mostrar para todos nós aquilo que já sabíamos, que houve um golpe.

Tem uma cena emblemática no filme da Petra e a gente mostra no nosso filme, e é doloroso para nós colocarmos esta cena, mas ela precisa ser mostrada, que é quando o atual presidente Bolsonaro, na época da votação do impeachment, dedica o seu voto ao comandante Carlos Alberto Ustra (https://www.youtube.com/watch?v=xiAZn7bUC8A). Nós colocamos aquela cena no filme Golpe de forma muito debatida, porque é doloroso ouvir aquilo, um deputado apoiar um torturador e declarar seu voto abertamente. Portanto ali estava um voto também misógino e machista, que passa pelo contexto do golpe da presidenta Dilma, e que o Guilherme eu assumimos no filme. O filme assume também de forma aberta o caráter misógino que o golpe teve, para além das questões políticas.

BdFRS: Como vocês analisam a situação do audiovisual nesse primeiro ano de governo Bolsonaro?

Cassol: Está acontecendo um desmonte declarado da Ancine. Censura a filmes que tratam da diversidade , verbas que não foram repassadas, há uma censura explicita ao cinema brasileiro. O Guilherme e eu sofremos isso há um ano, com a dificuldade em colocar um filme chamado Golpe em cartaz. Se exibidores tem dificuldade de colocar um filme que se chama Golpe sem o assistir, isso é ou não é uma consequência de um governo fascista, de ultra-direita, que não aceita o diálogo sobre qualquer possibilidade, que tem uma manifestação clara de ódio, de repulsa a toda e qualquer manifestação cultural e possibilidade de reflexão?

Óbvio que o audiovisual está sofrendo isso. Existem séries, longas que estão paradas no Brasil. O que está sendo feito é ainda consequência do resultado do Fundo Setorial Audiovisual (FSA) e outros editais há dois anos. Não houve mais editais federais, há uma manifestação muito objetiva deste governo, de uma linha ultrafascista contra as possibilidades plurais de narrativas.

Guilherme: O que a gente percebe é um combate à cultura e à inteligência, um projeto antinacional. Além do aspecto cultural, o cinema é fundamental, central para a ideia de nação, de identidade cultural de representação. Todas as nações investem no cinema justamente para se constituir como ideia de cultura, se autorrepresentar, o cinema é central para isso. Há também o aspecto econômico, porque é uma indústria superpoderosa, e que no país estava em crescimento. Vínhamos estabelecendo uma atividade comercial importantíssima que é alimentação das TVs por assinatura, das plataformas, isso tudo a partir de uma atuação política do Estado. Aí veio o esvaziamento disso, o projeto antinacional e que vai ter gravíssimas consequências.

Cassol: Um projeto que mente ao informar ao público, ao desconstruir, por exemplo, a Lei Rouanet, ou ao dizer que o FSA está retirando dinheiro da saúde ou da área de segurança. Primeiro que são pastas e rubricas completamente diferentes, preestabelecidas. Segundo que o FSA é mantido pela própria cadeia produtiva do audiovisual, somos nós que através de uma taxa chamada Condecine mantemos e retroalimentamos a cadeia produtiva. Portanto há essa mentira que o governo diz.

Aliás, o audiovisual é responsável por 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) atual do Brasil, é uma das indústrias que mais cresceu, são 300 mil vagas em postos de trabalho diretos e indiretos que ele gira. É preciso que esses dados sejam ditos. Essa questão que o governo tenta colocar é um absurdo, a gente ter que ouvir frases como “existe um cinema feito por cineastas que ganham verba pública”. É um discurso completamente alienado.

Nós, no Golpe, temos uma situação emblemática. Guilherme e eu defendemos os editais do FSA, todas as leis de incentivo, mas o documentário foi feito de forma independente, porque nós queríamos fazer esse filme.

BdFRS: Recentemente o presidente Bolsonaro disse que o Brasil não faz bom filmes há muito tempo. Como vocês avaliam isso?

Cassol: O Bolsonaro diz que os livros são um montão de palavras escritas, os filmes para ele são um montão de imagens que tem que ser vista, só que ele não vê. Ele acabou de afirmar que não gostou do Democracia em Vertigem, que ele também não viu.

Temos um governo alienado, que tenta acabar com a indústria criativa brasileira e com a indústria audiovisual brasileira. Que tenta fazer um discurso de que tudo tem que se autofinanciar e que não sabe que a própria indústria hollywoodiana paga imposto para produzir seus filmes. As filmografias no mundo inteiro são financiadas também pelo Estado, as pessoas não se informam disso e esse governo tenta alimentar uma mentira.

Além disso é um governo que tenta o tempo inteiro dialogar com os Estados Unidos, de uma forma vergonhosa, totalmente subserviente. Virando as costas para o nosso país e as nossas possibilidades de discussão, para as nossas narrativas, isso quando o país está em um amplo processo criativo, basta olhar as premiações, os festivais que o Brasil tem participado, o número de produções que temos feito. Esse governo quer terminar com a Ancine. Se não terminar, colocar uma Ancine com cabeças pentecostais à frente dela. Ou a gente vai e dialoga diretamente com isso, ou o que vamos ter daqui a dois anos é o fascismo piorado que esse governo implementa, porque ele quer aniquilar com a capacidade de pensamento reflexivo e o cinema é a possibilidade de pensamento reflexivo. A nossa forma de resistir é produzindo.

:: Assista ao trailer do filme ::

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Recife abre ciclo pré-carnavalesco; confira a programação completa

seg, 20/01/2020 - 15:06
CARNAVAL Ensaios de agremiações, concursos e apresentações culturais prometem agitar a cidade Da redação | São 54 ensaios de Maracatus, acertos de marcha, concursos de rei e rainha do Carnaval, passistas e porta-estandartes Bruno Campos/Arquivo/PCR Imagem

A partir desta terça-feira (21), a cidade do Recife abre oficialmente os festejos momescos, com dezenas de prévias gratuitas e abertas ao público. Até o dia 21 de fevereiro, a capital pernambucana promove 54 ensaios de Maracatus, acertos de marcha, concursos de rei e rainha do Carnaval, passistas e porta-estandartes, entre outros eventos.

A partir do dia 23 de janeiro, o Pátio de São Pedro vira o espaço do Frevo e irá sediar seis encontros de acertos de marchas de blocos. O Pátio de São Pedro ainda será palco das Terças Negras especiais de Carnaval, do encontro de baques de caboclinhos e tribos de índio, dos concursos para passistas, porta-estandartes, flabelistas, rei e rainha do carnaval, mestre sala e porta Bandeira.

Em fevereiro, alguns destaques são o Baile Municipal, tradicional prévia que chega à sua 56ª edição, no sábado que antecede o Carnaval (15). No dia seguinte, o Palco Frei Caneca mostra o melhor de sua programação de música local e nacional, na Praça do Arsenal. Entre os dias 13 e 15, o bairro também será tomado pela programação do Porto Musical. 

Confira a programação completa:

Janeiro

DIA 21
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Encanto da Alegria
Rua Coremas, nº 40, Mangabeira, 18h.

DIA 22
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Leão da Campina
Rua  empresário Ricardo Brennand n° 65, Ibura – COHAB, 18h.

DIA 23
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Estrela Dalva
Rua Pinheiro, n° 02 Bairro de São José/Joana Bezerra (Próximo à Delegacia), 18h.

DIA 23
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro, 18h.

DIA 24
Tumaraca - Ensaio coletivo - Encanto da Alegria, Estrela Dalva e Leão da Campina
Rua da Moeda, 18h.
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro, 18h.
I Eliminatória do Concurso de Rei Momo e Rainha do Carnaval
Teatro Barreto Júnior, 10h.

DIA 25
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Encanto do Pina
Rua São Benetido, nº88, Pina.(Segunda a esquerda após o Clube Banhista do
Pina), 18h.

DIA 28
Terça Negra Especial de Carnaval
Pátio de São Pedro, 19h.
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Estrela Brilhante
R. Severino Bernardino Pereira (em frente ao Caldinho do Biu), Alto José do
Pinho.

DIA 29
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Linda Flor
Ibura de Baixo, 18h.

DIA 30
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro, 18h.

DIA 31
Tumaraca - Encanto do Pina, Estrela Brilhante, Linda Flor e Xangô Alafim
Rua da Moeda, 18h. 
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro, 18h.
II Eliminatória do Concurso de Rei e Rainha do Carnaval 2020
Teatro Barreto Júnior, 18h.

Fevereiro

DIA 1°
Tumaraca - Ensaio Maracatu Nação Tupinambá
Rua Araripe Junior, nº 39 – Córrego do Jenipapo

DIA 3
Concurso de Porta Estandarte (Porta Flabelo, Mestre Sala e Porta Bandeira)
Pátio de São Pedro, 18h

DIA 4
Terça Negra Especial de Carnaval
Pátio de São Pedro, 19h.

DIA 5
Concurso de Porta Estandarte (Porta Flabelo, Mestre Sala e Porta Bandeira)
Pátio de São Pedro, 18h.
Tumaraca- Ensaio Maracatu Nação Porto Rico
Rua Eurico Vitrúvio, nº 483 Pina,18h.

DIA 6
Tumaraca -Ensaio Almirante do Forte
Estrada do Bongi, 1319  - Torrões
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro, 18h.

DIA 7
Final do Concurso de Rei e Rainha do Carnaval
Pátio de São Pedro, 18h.
Tumaraca - Tubinambá, Porto Rico e Almirante do Forte
Rua da Moeda, 18h.

DIA 8
Tumaraca - Ensaio Maracatu Nação Raízes de Pai Adão
Rua Estrada Velha de Água Fria  n° 1644
Carnaval Praia sem Barreiras
Posto 7 - Bruno Veloso,  9h às 12h.  
Concurso de Passistas
Pátio de São Pedro,  16h.

DIA 9
Dia do Frevo
Praça do Arsenal, 16h.
Aurora dos Carnavais
Rua da Aurora, 16h. 
Concurso de Passistas
Pátio de São Pedro, 16h.

DIA 11
Terça Negra Especial de Carnaval
Pátio de São Pedro,  19h.

DIA 12
Concurso de Fantasias
Sport Club do Recife, 19h. 
Tumaraca - Ensaio do Maracatu Nação Cambinda Estrela
Campina do Barreto, 18h.
Encontro de Baques de Caboclinhos e Índios
Pátio de São Pedro, 16h.

DIA 13
Encontro de Baques de Caboclinhos e Índios
Pátio de São Pedro, 16h.
Porto Musical
Praça do Arsenal, 18h.

DIA 14
Acerto de Marcha de Blocos de Pau e Corda
Pátio de São Pedro, 18h.
Tumaraca -Ensaio do Raízes de Pai Adão, Cambinda Estrela e Aurora Africana
Rua da Moeda, 18h. 
Porto Musical
Praça do Arsenal, 18h.

DIA 15
Baile Municipal do Recife
Classic Hall, 21h
Porto Musical
Praça do Arsenal, 18h.

DIA 16
Palco Frei Caneca
Praça do Arsenal, 18h. 

DIA 18
Baile Municipal da Pessoa Idosa
Classic Hall, 15h. 
Encontro de Mestres de Nações de Maracatus
Pátio de São Pedro, 17h.
Tumaraca - Ensaio Geral
Marco Zero, 18h. 
Terça Negra Especial de Carnaval
Pátio de São Pedro, 19h.
Desfile de Agremiações Carnavalescas
Bairro do Recife, 18h. 

DIA 19
Desfile de Agremiações Carnavalescas
Bairro do Recife, 18h.
Encontro de Caboclinhos e Índios
Praça do Arsenal, 17h.

DIA 20
Ubuntu - Encontro de Afoxés
Rio Branco - Marco Zero, 16h.
Tumaraca - Encontro de Nações
Rua da Moeda - Marco Zero, 18h.
Ensaio Geral da Abertura do Carnaval
Marco Zero, 21h.

DIA 21
Abertura do Carnaval 2020
Marco Zero, 19h.

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Mostra Arrabalde traz seminário e apresentações de mulheres na dança contemporânea

seg, 20/01/2020 - 14:27
Fortaleza A programação tem início sempre às 18:30 Da Redação | A programação apresenta também o seminário “Liberdade de expressão na cena produzida por mulheres" Divulgação

De 21 a 24 de janeiro o Theatro José de Alencar e a Biblioteca Dolor Barreira recebem a primeira edição da Mostra Arrabalde, evento de dança contemporânea que reúne 15 trabalhos feitos por mulheres. A programação inclui, ainda, um seminário com o tema “Liberdade de expressão na cena produzida por mulheres”, a ser realizado no dia 21 na Biblioteca Dolor Barreira. A programação tem início sempre às 18:30. A Mostra Arrabalde é um projeto da Prodança - Associação de Bailarinos, Coreógrafos e Professores de Danças do Ceará, contemplado no VII Edital das Artes de Fortaleza.
 
Programação
 
21/01
Seminário: Liberdade de expressão na cena produzida por mulheres
Com: Bartira Dias (artivista, cientista social e escritora), Lidia Rodrigues (artista visual e escritora), Sabrina Araújo (pesquisadora e integrante do grupo Aparecidos Políticos).
Local: Biblioteca Dolor Barreira.
Horário: 18:30.
 
22/01
* Você não dança - Tamara Lopes de Sousa; 
* Rede de Neblina - Larissa Batalha ; 
* Frutacor - Rafaela Lima;
* Donas de si - Donas de si;
* Escudo de Peneira. Espada de São Jorge. - Jessica Pereira da Silva / Coletivo Iamã de Teatro; 
Local: Anexo do Theatro José de Alencar -  Morro do Ouro.
Horário: 18:30.
 
23/01
* Contranatura - Jupyra Carvalho, Noá Bonoba, Georgia Vitrilis e Devon Zoal;
* REC - Juliana Rizzo/Coletivo DiBando;
* Ancés - Tieta Macau;
* Yugo - Nodo_Yara; 
* "É som de preta, de favelada" - Karízia Edwiges Silvestre Milhome e Maria Isabel Rocha de Castro;
Local: Anexo do Theatro José de Alencar - Sala Nadir Papi Saboya.
Horário: 18:30.
 
24/01
* Espelho - Coletivo As Filhas da Mãe;
* Corponegra - Larissa Maria Ribeiro de Paiva;
* O que move a alcatéia - Brecha Coletiva;
* Terra Prometida - Ella Monstra e Ellícia Marie; 
* Não Lugar - Quel Santos;
Local: Theatro José de Alencar - Jardim.
Horário: 18:30

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UFFS confronta xenofobia com vagas para haitianos

seg, 20/01/2020 - 14:06
EDUCAÇÃO Depois de cinco anos em Chapecó, o Prohaiti surge pela segunda vez em Erechim Liane Faccio | Estudantes haitianos do Campus Laranjeiras do Sul Foto: Divulgação UFFS

No atual contexto de xenofobia que se entranha pela sociedade brasileira, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) oferece um contraponto com potencial de mitigar mais de um preconceito. O Prohaiti, Processo Seletivo Especial para Acesso à Educação Superior para Estudantes Haitianos, criou novas vagas para os refugiados do país caribenho em cinco dos seis campi UFFS. Ao favorecer a integração, a iniciativa obriga a pensar em migração e diversidade.

Expulsos de seu país por terremotos, crises políticas e uma realidade de extrema pobreza, os haitianos conquistaram facilidades para ingresso na vida acadêmica por um acordo firmado com a Embaixada do Haiti em 2013. Posto em prática no ano seguinte, na sede da universidade, em Chapecó (SC), o benefício estreou em Erechim, no norte gaúcho, em 2019. Um dos participantes do Conselho Universitário na época, o professor Paulo Ricardo Müller lembra que houve certa relutância entre os docentes, temerosos de que o nível dos cursos baixasse, uma vez que os testes de admissão limitam-se aos de língua portuguesa.

Também havia incerteza quanto à aceitação dos alunos locais, em geral originários de comunidades pequenas que, de repente, topavam com diferenças de língua, raça e costumes nas salas de aula. “A universidade espelha a sociedade”, diz Müller, que é doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em estudos africanos, migrações internacionais e refúgio. “É importante desenvolver mecanismos que colocam em pauta a diversidade, para não se deixar cair na ideia de uma sociedade hegemônica”.

Depois de cinco anos em Chapecó, o Prohaiti surge pela segunda vez em Erechim, cidade que até poucos anos atrás se orgulhava de ter recebido imigrantes europeus, de cor branca e das nacionalidades polonesa, alemã e italiana. Movimentos migratórios mundiais mudaram essa configuração. “Os vendedores ambulantes que se veem pelas ruas do centro são senegaleses”, exemplifica Müller. Imagina-se que convulsões sócio-políticas em outros países possam alterar ainda mais esse panorama.

Dos que vieram do Haiti, além dos nove já matriculados e dos que ingressarão neste ano, sabe-se que a maioria está empregada na indústria. O que poucos sabem o professor relembra: “Normalmente, o imigrante é visto como um pobre em busca de trabalho, mas há muitos haitianos que vieram para cá já formados professores e estão dando aula”. Com projetos como o Prohaiti, essas populações poderão contribuir ainda mais com a sociedade que as acolhe.

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