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Atualizado: 1 hora 7 minutos atrás

Desprotegida, Estação Ecológica em Itabirito (MG) pode estar na mira da mineração

1 hora 21 minutos atrás
Vale do Aço Está parado na ALMG projeto para retomar a proteção, atacada por lei sancionada este ano Marcelo Gomes | Área tem 1.281 hectares, o que corresponde a 1.200 campos de futebol Foto: Divulgação/Patrimônio Cultural

Responsável por abrigar um grande acervo cultural e ambiental, a Estação Ecológica de Arêdes tem atualmente 1.281 hectares, segundo a Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais. Isso corresponde a 1.200 campos de futebol. Imagine que 100 desses campos fossem retirados, o que equivale a aproximadamente 100 hectares da estação localizada em Itabirito, na região Central do estado.

Esse é o objetivo do artigo 84 da lei estadual 22.796 de 2018, em vigor desde janeiro. Um mês depois, foi apresentado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) o projeto de lei (PL) 4. 940, que visa a revogar o artigo da lei. Nesta semana, completam-se dois meses que o PL está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da ALMG, primeira etapa no trâmite de projetos similares.

O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) é favorável à aprovação do PL e afirma que a lei é inconstitucional, pois desprotege 100 hectares de uma Unidade de Conservação, área protegida pela legislação. Já ambientalistas argumentam que a exploração mineral será o destino da área desprotegida.

Segundo o MP, outra irregularidade do artigo da lei é a forma como tramitou. O objetivo do PL que originou a norma era alterar outra legislação, que institui a Taxa de Controle, Monitoramento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (TFRM).

Nos momentos finais de tramitação, em dezembro de 2017, na Comissão de Administração Pública, o deputado João Magalhães (MDB) apresentou uma emenda ao projeto, que mais tarde se tornaria o artigo 84. Segundo o deputado Antônio Jorge (PPS), autor do PL que visa a revogação do artigo, o volume de matérias à análise dos deputados é muito grande em períodos de final de ano.

Em virtude disso, os parlamentares dispõem de pouco tempo para analisar o teor de cada projeto. “Essa emenda nem sequer foi lida em plenário. Nós aprovamos o corpo do projeto com essa emenda”, explica o autor do projeto, assinado ainda por outros 11 deputados.

“A emenda apresentada e o projeto (que originou a lei 22.796) não têm ligação temática. O MP defende que isso é inconstitucional”. É o que afirma a promotora de justiça e coordenadora das promotorias de defesa do patrimônio cultural do estado, Gisele Ribeiro de Oliveira.

Ela e mais três promotores do MP estadual assinam uma ação civil pública, pedindo à Justiça que declare o valor que Estação Ecológica de Arêdes já possui. Na ação, o órgão afirma que a legislação ambiental atual determina que a alteração de limites de unidades de conservação seja feita mediante lei específica. Ainda segundo Gisele, a área de Arêdes já goza de uma proteção legal, pelos seus importantes atributos culturais e ambientais.

De acordo com o Ministério Público, a estação possui 40 nascentes, 520 espécies de plantas, 21 espécies de anfíbios, 186 espécies de aves além de abrigar ruínas do período colonial. Decretada como estação ecológica em julho de 2010, o espaço é reservado para pesquisas científicas e não é aberto ao público.

“Que o Judiciário possa reconhecer uma situação de preservação que já existe”, completa Gisele Ribeiro, que, junto com seus pares, pedem na ação civil que a prefeitura de Itabirito faça o tombamento da área. A Justiça reconheceu de maneira liminar, temporária, a situação de preservação da área. O processo segue.

Interesses antigos

Tramitam no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) processos de duas empresas mineradoras, cuja pretensão é explorar recursos da área de Arêdes, como argumentam ambientalistas. Informações acessadas no banco de dados do DNPM em julho deste ano mostram que a empresa Sanvicel São Vicente Indústria e Comércio Extrativa Ltda está requerendo uma concessão de lavra. O objetivo é a exploração de ferro.

Outra empresa que também pleiteia a extração de ferro é a Mineração Arêdes Ltda, titular de um requerimento de pesquisa, até a data mencionada. A pesquisa solicitada inclui levantamentos geológicos, por exemplo, a fim de as mineradoras obterem informações sobre o aproveitamento da área desejada.

Informações do banco de dados ainda constam requerimento de outras duas empresas, porém não conseguimos mais detalhes. Não é a primeira vez que a área de Arêdes está em disputa. Em 2014, a Assembleia de Minas promulgou a lei 21.555, alterando os limites da estação. Em fevereiro de 2017 essa lei foi declarada inconstitucional, porque comprometia a função de preservação cultural e ambiental que guarda o local.

Em 2012 tramitou, também na ALMG, o Projeto de Lei 3.311, do deputado Arlen Santiago (PTB), cujo objetivo era tornar toda a área da estação um local para a exploração mineral. O projeto propunha que as mineradoras poderiam extrair os recursos sem licenciamento ambiental. “Impossível vislumbrar, no atual estágio da humanidade, uma vida sem o uso de produtos e derivados dos recursos minerais. E não restam dúvidas de que o Brasil possui expressivas reservas minerais, mesmo em âmbito mundial”, alegava Arlen em seu projeto que vão vingou.

Outras desproteções

A Assembleia Legislativa de Minas também protagonizou a desproteção de outra área, realizada por deputados aliados à mineração, segundo ambientalistas. Maria Teresa Corujo, integrante do Movimento SOS Serra da Piedade conta um caso similar ao de Arêdes.

Segundo ela, após anos na luta pela conservação da Serra da Piedade, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi apresentado um projeto de lei na ALMG com a finalidade de delimitar uma área na serra para conservação. O PL foi aprovado e se tornou a lei estadual 15. 178 de 2004.

Originário de um PL do deputado Gustavo Valadares (PSDB), a lei foi alterada dois anos mais tarde por uma outra norma, a 16.133, de 2006. De autoria do então deputado estadual e hoje federal Luiz Fernando Faria (PP), o projeto tinha a finalidade de realizar a doação de um imóvel. Porém, ao longo da tramitação foi incluída uma emenda ao projeto original, com a finalidade de reduzir o tamanho da unidade de conservação instalada anos antes na Serra da Piedade.

De acordo com Ubirajara Oliveira, pesquisador em unidades de conservação da UFMG, tais áreas são relevantes mediante a preservação da biodiversidade e a obtenção de recursos que ela pode possuir. “Essas áreas têm um papel importante para o bem-estar humano, para a manutenção da qualidade da água e do clima”, afirma.

Ele ainda chama atenção para a importância das pesquisas científicas nessas áreas. Como explica, é a partir delas que se pode mensurar o potencial econômico, por exemplo, que possuem. Mas ressalta os custos e benefícios que as atividades econômicas em áreas de conservação poderiam ter. “Algumas espécies podem só existir ali. Nesse caso, o que seria mais vantajoso?”, questiona.

O pesquisador ainda aponta que, atualmente, sabemos muito pouco sobre as unidades. “Tão pouco que talvez elas possam desempenhar funções vitais, que nem sabemos”. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, existem no Brasil 698 unidades de conservação integral, sob responsabilidade dos municípios, estados e da União.

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Análise | Lute (e dance) como Marielle Franco

1 hora 32 minutos atrás
HOMENAGEM No próximo dia 28, à 18h, a UERJ Sem Muros fará um ato show Tributo a Marielle Franco Guilherme Vargues* | Se ainda não sabemos quem mandou matar Marielle Franco, temos a certeza do que a matou: o ódio em forma de política, o fascismo à brasileira Sérgio Franklin

Há um pouco mais de seis meses perdíamos Marielle Franco, a nossa gigante. Até agora o crime está sem solução, mas não há mais dúvidas sobre o seu caráter político. Isso até o general Richard Nunes, Secretário de Segurança Pública da intervenção, já admitiu. Pela sofisticação do crime, paira no ar a desconfiança da ordem ter partido dos altos escalões do poder público. Por isso o silêncio das autoridades é tão ou mais atordoante do que o som dos disparos quando imaginamos a cena do extermínio.

Se ainda não sabemos quem mandou matar a vereadora Marielle Franco, temos a certeza do que a matou: o ódio em forma de política, o fascismo à brasileira. Não é à toa que o deputado Jair Bolsonaro foi o único presidenciável a se silenciar diante do crime. Pior: seus seguidores iniciaram uma onda de ódio e calúnias nas redes sociais. Não estou acusando Bolsonaro de ser o mandante do assassinato, porém seu discurso racista, misógino e homofóbico faziam de Marielle um alvo – um alvo que foi atingido com quatro tiros.

Não, não estou aqui defendendo que o ódio deve ser combatido com ódio. O ódio como prática política é necessariamente de direita e, nesse sentido, não existe ódio de esquerda. No caso da facada que Bolsonaro foi vítima, por exemplo, todos os candidatos foram enfáticos na condenação do crime. Mas isso não pode significar nenhum recuo na luta contra o fascismo.  Dar a outra face está fora do nosso leque de possibilidades.

O ódio na política, o ódio social e a violência assassinaram Marielle, mas não a Mari que vive em nós. Nossa tarefa – isso, tarefa – é honrar a sua memória. Dizemos e continuaremos a dizer: transformar o luto em luta. A UERJ – universidade onde a irmã de Marielle, Anielle Franco, se formou e onde sua filha, Luyara Franco, estuda – tenta fazer a sua parte. Na sessão do Conselho Universitário, realizada no dia 4 de maio, decidiu-se por batizar a Concha Acústica de Marielle Franco. Na ocasião os conselheiros deliberaram por unanimidade pela alteração do nome – com caráter imediato e vigorando desde então.

No próximo dia 28, às 18h, a “UERJ Sem Muros” fará um ato show Tributo à Marielle Franco na concha. Continuaremos a sua luta, Mari. Com a coragem e a alegria que você esbanjava. Até!

*Guilherme Vargues é professor da Faculdade de Educação da UERJ e está presidente da Asduerj.

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Candidato ao governo pernambucano pertence a família recordista em trabalho escravo

1 hora 33 minutos atrás
Exploração O irmão do senador Armando Monteiro foi condenado à prisão por gestão fraudulenta Bruno Stankevicius Bassi | Em oito anos, 1.406 trabalhadores foram resgatados da Destilaria Araguaia Comunicação PTB

Com apenas quatro deputados federais vinculados à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pernambuco não está entre os estados mais representativos na bancada ruralista. No entanto, assim como o vizinho Alagoas, a política pernambucana é historicamente dominada por famílias usineiras.
Um dos principais candidatos ao governo do estado, Armando Monteiro Neto (PTB) é herdeiro dessa tradição. A partir da Usina Cucaú, que processa anualmente mais de 1 milhão de toneladas de cana de açúcar em Rio Formoso (PE), o clã dos Queiroz Monteiro construiu um império sucroalcooleiro que se estende para outras áreas, como o Banco Mercantil e o jornal Folha de Pernambuco.
Seu pai, Armando Monteiro Filho, foi deputado federal e ministro da Agricultura no governo de João Goulart. O filho foi presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) entre 2002 e 2010. Em 2015, tomou posse como ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, deixando o cargo após o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
O patrimônio de Armando Monteiro aumentou 12 vezes entre 2010, quando foi eleito senador, e 2014, ano em que concorreu pela primeira vez ao governo pernambucano. Ele tinha R$ 1,2 milhão,  passou a ter R$ 14,9 milhões. Nestas eleições ele declarou um patrimônio de R$ 16,8 milhões. A maior parte, R$ 12 milhões, “empréstimos concedidos através de instrumentos particulares de contratos mútuos”.


NO MT, JUIZ DESCREVEU ‘ESTADO ANIMALESCO’
Outros tipos de contratos povoam os negócios da família – que vão muito além de Pernambuco. Por meio da Zihuatanejo do Brasil, empresa responsável pela gestão de ativos do conglomerado, o Grupo EQM – iniciais de Eduardo Queiroz Monteiro, irmão de Armando e presidente do conglomerado – possui destilarias no Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, além de três usinas em Pernambuco. A mais famosa delas, em Confresa (MT), possui um passado nebuloso.
A Destilaria Araguaia, antes chamada Gameleira, é a recordista de trabalho escravo no Brasil. Entre 2001 e 2009, 1.406 trabalhadores foram resgatados em situação análoga à escravidão. Em 2005, no maior dos quatro flagrantes, 1.003 pessoas foram encontradas em condição degradante e insalubre. Foi a segunda maior libertação de trabalhadores da história.
Em junho, o Ministério Público Federal defendeu a manutenção da condenação, em 2005, dos responsáveis por trabalho escravo na usina. Entre eles, Eduardo Queiroz Monteiro. Os funcionários trabalhavam das 7 às 17 horas. Descalços. Quando o facão escapava, cortavam-se. As acomodações não tinham ventilação. A comida estragava com o calor. Diante das imagens dos trabalhadores sobre a cana cortada, sem proteção, o juiz descreveu uma situação “próxima a um estado animalesco”.
Condenada a pagar R$ 1,4 milhão em indenizações, a destilaria recebeu apoio do então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). Após uma liminar na Justiça remover temporariamente o nome da empresa da “lista suja” do trabalho escravo, o deputado ligou pessoalmente para o Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis questionando porque suas empresas afiliadas haviam parado de comprar da Gameleira.


EM PERNAMBUCO, UM MAR DE DÍVIDAS
Os processos contra a Destilaria Araguaia não são os únicos do Grupo EQM. A Usina Cucaú também é reincidente em ações trabalhistas. Em 2009, quando ela possuía quase 30 mil hectares, uma equipe de reportagem da revista Rolling Stoneflagrou trabalhadores submetidos a regimes impróprios e condições degradantes. Quatro anos depois, em 2013, trabalhadores da usina ocuparam a empresa exigindo o pagamento de salários atrasados, verbas rescisórias e férias.
O motivo? Naquele mesmo ano, o Grupo EQM entrou em recuperação judicial. Cinco empresas vinculadas ao grupo possuíam dívidas ativas que ultrapassavam R$ 696 milhões. A garantia oferecida na reestruturação das dívidas do grupo foi oferecida pela Callao Partners Ltd, empresa offshore baseada nas Ilhas Cayman. Seu representante no Brasil, o advogado André Ricardo Passos de Souza, é sócio no Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento Do Agronegócio.


SENADOR DEFENDE FIM DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL
Em 2008, a Operação Engenho Verde, do Ibama, autuou a Usina Cucaú em R$ 5 milhões por crimes ambientais. Denunciada junto a outras 23 usinas sucroalcooleiras, a empresa do grupo EQM não cumpria a legislação de reserva legal e estendia suas plantações em áreas de preservação permanente.
A área onde ficam as três usinas do Grupo EQM, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, é repleta de manguezais e ilhas, sobre os quais avançam as plantações de cana. Em 2006, foi proposta a criação de uma Reserva Extrativista (Resex) para proteger as áreas de mangue no estuário de Sirinhaém, cancelando os direitos de exploração concedidos aos usineiros. Mas, novamente, o poder político dos Monteiro se fez valer.
O primo de Armando, José Múcio Monteiro, ex-deputado federal que, na época, era ministro da Secretaria de Relações Institucionais, interveio no caso e reverteu a decisão. Em 2009, Múcio tornou-se ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
No Congresso, Armando Monteiro defende o afrouxamento do licenciamento ambiental. Ele foi vice-presidente na Comissão Mista que aprovou a Medida Provisória 727/2016, que instituiu o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), estabelecendo o “licenciamento ambiental a jato” na liberação de projetos de infraestrutura sob concessão à iniciativa privada.
O novo regulamento beneficia diretamente empresas que doaram para Armando Monteiro. A Mineração Corumbaense Reunida, do grupo Vale, doou R$ 400 mil para a campanha do petebista ao governo de Pernambuco em 2014, mesmo sem ter operação no estado. A empresa foi notificada em 2010, no Mato Grosso do Sul, por utilizar porto sem licenciamento ambiental.
Outra doadora de campanha, a Agrovale também é acusada de crimes ambientais. Em 2015, um incêndio em uma área pertencente à produtora de açúcar e etanol, em Juazeiro (BA), destruiu um trecho importante de vegetação nativa na margem direita do Rio São Francisco e causou problemas respiratórios nos moradores da região. Em 1984, foi acusada de despejar vinhoto no rio, matando toneladas de peixes e impactando permanentemente o ecossistema no trecho afetado. A Agrovale doou R$ 200 mil para Armando Monteiro.
O senador pernambucano foi um dos principais articuladores da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 113C/2015, que pretendia resgatar, em 2018, o financiamento privadode campanhas. O projeto lhe interessava diretamente: em 2014, Monteiro tirou R$ 7,4 milhões do próprio bolso para bancar sua campanha a governador, mas contou com outros R$ 12,3 milhões provenientes de empresas privadas.


CONHEÇA OUTROS RURALISTAS DE PERNAMBUCO
Apesar de sua representatividade no Congresso, Armando Monteiro Neto não é signatário da Frente Parlamentar da Agropecuária, face mais organizada da bancada ruralista. Menos ativos na FPA, os deputados pernambucanos têm atuação importante em suas bases eleitorais.

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Quais as mudanças na lei eleitoral?

1 hora 56 minutos atrás
Eleições 2018 Conheça as principais mudanças da reforma política Redação | Deputados tomam posse na Câmara Laycer Thomar/Ag.Câmara

Muito se tem falado sobre as mudanças da Reforma Política, que já valem para as eleições deste ano. Mas você sabe o que realmente muda na corrida eleitoral? 

Um dos principais pontos foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu as doações de recursos por parte das empresas para as campanhas. Com isso, foi criado o Fundo Especial de Campanhas Eleitorais, com um valor de quase dois bilhões de reais. Esse dinheiro é distribuído entre os 35 partidos registrados no país. 

Outra mudança é que agora as legendas podem utilizar o sistema de financiamento coletivo, as chamadas vaquinhas na internet, para arrecadar fundos para as campanhas. Mas é importante ficar atento, pois as doações só podem ser feitas por meio de plataformas registradas junto à Justiça Eleitoral. 

Empresas não podem participar e as doações de pessoas físicas não devem ultrapassar 10 salários mínimos para cada cargo. Caso essa regra não seja respeitada, o doador pode pagar uma multa de até 100% da quantia que excedeu o limite. 

Também teve mudanças no teto de gastos das campanhas. Para presidente, o partido não pode usar mais do que R$ 70 milhões no primeiro turno e R$ 35 milhões no segundo. No caso de governador, o valor pode ser de até R$ 21 milhões, de acordo com a quantidade de eleitores no estado. O limite para o Senado também segue essa mesma regra e pode chegar até os cinco milhões de reais. 
    
Os candidatos a deputado federal tem um limite de R$ 2,5 milhões e os estaduais e distritais, de R$ 1 milhão. 

A Reforma Política também criou novas regras para a propaganda eleitoral na internet. Agora, os candidatos podem patrocinar o próprio conteúdo em redes sociais e em mecanismos de buscas, como o Google, por exemplo. Eles também podem criar sites próprios, mas fica proibido colocar anúncios em páginas de terceiros.

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Congresso do Povo realiza oficina de camisas Lula Livre neste sábado (22)

2 horas 3 minutos atrás
Na Luta Atividade acontece na praça do Morro da Conceição Redação | A partir de segunda-feira (24), estarão abertas as inscrições para o Congresso do Povo na internet e nos pontos fixos presenciais Raoni Garcia/Mídia Ninja

Dando continuidade às atividades do Congresso do Povo em Recife, será realizada, neste sábado (22), uma oficina de pintura de camisas “Lula Livre” na Praça do Morro da Conceição, das 16h às 20h. A ideia é desenvolver espaços de diálogo e conversa com a população sobre a política brasileira, enquanto os moradores da região aproveitam para estampar suas camisas pintando o desejo de Lula Livre. E, a partir de segunda-feira (24), estarão abertas as inscrições para o Congresso do Povo na internet e nos pontos fixos presenciais: Armazém do Campo (São José), sede do MTC-Movimento dos Trabalhadores Cristãos (Boa Vista) e nos comitês da Frente Brasil Popular no Ibura, Jordão, Paulista, Peixinhos, Rio Doce e no Casarão da Várzea.

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2ª Virada Cultural em defesa do Teatro do Parque

2 horas 16 minutos atrás
Na Luta O teatro, fundado em 1915 é um marco da história e cultura popular recifense, mas se encontra fechado desde 2010 Redação | A ação e organizada pelo coletivo Virada Cultural Teatro do Parque Divulgação/Virada Cultural

Com a proposta de discutir o resgate do meio ambiente cultural da cidade do Recife, acontece, neste sábado (22), a segunda edição da Virada Cultural do Teatro do Parque. O teatro, fundado em 1915 é um marco da história e cultura popular recifense, mas se encontra fechado desde 2010.

O evento é gratuito e contará com a presença de artistas da cena cultural da cidade, que se apresentarão em palcos montados na rua do Hospício, onde está localizado o teatro. É esperado um dia inteiro de atividades para público em geral, a partir das 12h. A ação e organizada pelo coletivo Virada Cultural Teatro do Parque, formado por artistas e produtores culturais que lutam pela reabertura do teatro, que está há oito anos sem receber espetáculos.

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Movimento Transborda ocupa espaços no RMR e Agreste com programações culturais

2 horas 23 minutos atrás
Artes Projeto do SESC discute impacto da cultura com mesas de conversas, apresentações de e oficinas Redação | Durante os três meses de Transborda, a programação contempla ações nas unidades e em espaços públicos Jonas Alcantara/Divulgação

Com capacidade de abarcar projetos, o Transborda dá continuidade a sua segunda edição em Pernambuco. Após início da programação com o Transborda Capiba, do Sesc Casa Amarela, outras unidades da Região Metropolitana do Recife e do Agreste vão levar atividades culturais, até novembro, para vários espaços com preços populares. As entradas custam R$ 20 e R$ 10 (meia). A programação completa está no site www.sescpe.org.br.
O Transborda, do Sesc, traz apresentações de teatro, dança, música e circo, exposição de arte e rodas de conversas. “Queremos refletir sobre a tarefa de mensurar o impacto da cultura das artes na economia do país e, além disso, levantar questões como acessibilidade e formação de públicos direcionado ao processo de aproximação da população da cena artística”, explica a coordenadora do projeto, Rita Marize.

Nesta edição, o projeto fortalece a sua grade e inova seu olhar sobre o setor ao se conectar com projetos conceituados desenvolvidos por mais outras cinco unidades do Sesc: Transborda – Na Onda da Dança (Piedade), Transborda – Diálogos das Manifestações Populares (São Lourenço da Mata), Transborda – CIT (Santo Amaro), Transborda – Usina Teatral (Santa Rita) e Transborda Mostra Pesqueira (Pesqueira).

Durante os três meses de Transborda, a programação contempla ações nas unidades e em espaços públicos, aumentando sua proximidade com a população, se integra ao programa Cena Expandida e aos projetos Câmbio Festival Internacional de Teatro de Pernambuco, Festival de Teatro do Agreste (Feteag), Teatro Experimental de Arte, em Caruaru, até chegar ao Cena Cumplicidades.

Destaques na programação

São muitas atividades, em diversos locais e municípios. A exemplo da Usina Teatral (Santa Rita) o evento acontece de 21 a 28 de setembro e vai realizar oficinas, mesas de conversa e espetáculos. Entre os convidados, está José Celso Martinez Corrêa, um dos maiores nomes do teatro brasileiro. Tendo como tema “Políticas do Intangível: o teatro sob (im)pressão”, o projeto conta com o apoio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas Apolo-Hermilo. Durante os oito dias de programação, serão apresentados ao público 12 espetáculos com grupos representantes do Nordeste, que serão encenados no Sesc Santa Rita e nos teatros de Santa Isabel, Apolo e Hermilo Borba Filho, além de espaços abertos, como o Cais do Imperador. Haverá, ainda, mesas de conversa, lançamento de livros, baile temático, conferências e ações formativas com encenadores de todo o país.

A abertura acontece nesta sexta, dia 21, às 19h30, no Sesc Santa Rita, com apresentação do musical “Ritmo Kente”, da companhia Onze Produções, que traz à cena o universo peculiar do brega pernambucano. Logo após a encenação, no Salão de Eventos da Unidade, começa o Baile Ritmo Kente, com Kelvis Duran e Banda Ovelha Negra. Já entre as montagens, estão “Nuestra Senhora de las Nuvens”, do grupo Clowns de Shakespeare; “A invenção do Nordeste”, do Grupo Carmin, ambos do Rio Grande do Norte; e “Dinamarca”, do Grupo Magiluth, de Pernambuco. O evento terá também uma Mostra Pedagógica, com espetáculos de grupos de teatro formados por alunos da UFPE e de unidades do Sesc no estado.

Serão realizadas mesas de conversa e conferências. Uma delas é “O teatro no Brasil ainda é possível?”, com José Celso Martinez Corrêa. O encenador tem uma longa trajetória nos palcos desde a década de 1950 e se tornou conhecido pela montagem do texto “O Rei da Vela”, de Oswald de Andrade, além de comandar o Teatro Oficina Uzyna Uzona. O encontro será no Sesc Santa Rita no último dia do Usina, 28 de agosto, a partir das 18h.

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Queda do salário real dos trabalhadores argentinos chega a 16% com crise econômica

2 horas 53 minutos atrás
Economia Segundo pesquisa, o ramo da construção civil é o mais afetado após acordo com do presidente Mauricio Macri com o FMI Redação | Pelo acordo entre governo argentino e FMI, que vai até junho de 2020, será liberado um total de US$ 50 bilhões ao país Site Oficial Mauriciomacri.com.ar

De acordo com dados divulgados nessa quarta-feira (19) pelo programa de Capacitação e Estudos sobre Trabalho e Desenvolvimento (Cetyd) da Universidade de San Martín, o poder de compra dos trabalhadores da Argentina sofrerá uma queda entre 7% e 16% até o final de 2018.

Segundo os especialistas do Cetyd, os trabalhadores do ramo da construção civil serão os mais afetados, podendo ter seu salário real diminuído em 16%. Um dos motivos seria a interrupção da construção de obras públicas previsto no acordo financeiro com o FMI, afirma o núcleo de estudos.

Os empregados do setor público, alimentação, têxteis e de segurança privada vem logo em seguida, podendo chegar a 15% de diminuição de seu poder aquisitivo.

Para o Cetyd, "uma contração importante no poder aquisitivo da massa salarial não afetará apenas as condições de vida dos trabalhadores e suas famílias, mas também provocará graves consequências para uma parte significativa de empresas cujo nível de produção depende diretamente do consumo interno".

Crescimento

O PIB da Argentina recuou 4,2% no segundo trimestre de 2018 em relação com o mesmo período do anos passado, divulgou nessa quarta-feira (19) o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) do país. De acordo com o órgão oficial argentino de estatísticas, em comparação com o primeiro trimestre de 2018, o índice recuou 4%.

Segundo o Indec, o PIB do país havia avançado 3,9% nos primeiros três meses deste ano, contando uma porcentagem semelhante ao quarto trimestre de 2017.

A Argentina atravessa uma crise econômica e, segundo dados do próprio Banco Central da Argentina (BCRA), o dólar se valorizou quase 100% em um ano. .

No final de agosto, o governo de Maurício Macri pediu um auxílio financeiro ao FMI e elevou a taxa de juros do país 45% para 60% ao ano. 

OCDE

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nessa quinta-feira (20) um relatório sobre as perspectivas de crescimento da economia mundial para os anos de 2018 e 2019. Segundo a organização, o pior índice registrado foi o da Argentina, com um retrocesso de 1,9% no índice de crescimento econômico.

Para 2019, a OCDE, que havia previsto em maio deste ano um crescimento de 2,5% para o país no próximo ano, estima que a economia argentina crescerá apenas 0,1%.

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Entenda a crise na Nicarágua

3 horas 46 segundos atrás
Opinião Em artigo, o professor de História Mathias Seibel analisa quais forças políticas estão em jogo no país centro-amerinano Mathias Seibel Luce* | As forças sociais estão divididas na Nicarágua, que passa por uma grave crise política ATC/Nicarágua

Na virada para os anos 1980, em meio aos combates contra o regime oligárquico da ditadura dos Somoza (família que controlava 20% das terras do país) e sua terrível Guarda Nacional (polícia política do somozismo), a Nicarágua foi palco de uma revolução popular nacional e anti-imperialista.

A Revolução Sandinista de 1979 alentou a esquerda mundial, com sua ampla participação das mulheres, a valorização da cultura própria e a realização de reformas estruturais nessa nação centro-americana marcada por enorme concentração da riqueza. Ao mesmo tempo, foi um movimento na conjuntura em que os EUA preparavam uma segunda Guerra Fria (ou fase de contrainsurgência) para recuperar seu domínio no cenário mundial.

O povo nicaraguense teve que enfrentar uma dura guerra de agressão imperialista movida durante as administrações dos governos estadunidenses de Jimmy Carter (1977-1981) e Ronald Reagan (1981-1989), atravessando um saldo de 30 mil mortos, para conquistar sua soberania e afirmar bandeiras inspiradas no projeto de Sandino – o líder popular assassinado na década de 1930, que lutava contra a usurpação das terras camponesas e uma invasão estadunidense, e que emprestou seu nome à organização que protagonizava um novo ciclo de lutas, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).

Na esteira de 1979, o compositor cubano Silvio Rodríguez escreveu em uma canção: “Andará Nicarágua/su camino es la gloria/porqué fue sangre sabia/la que hizo su historia”. Hoje, o fardo doloroso cantado na poesia de Silvio reapresenta-se outra vez. Mas, à diferença do passado, com caminhos que não ensejam nenhum otimismo.

A Nicarágua é um país à beira da guerra civil. Insolitamente, porém, não sob o governo de Somoza e, sim, sob o governo de Daniel Ortega, um dos ex-comandantes da Revolução Nicaraguense.

Presidindo o país centro-americano em um segundo período, Ortega chegou novamente ao governo em 2007. Fazendo pactos com associações do empresariado e com setores conservadores da cúpula da Igreja Católica (contrários a reivindicações como a regulamentação do aborto), foi distanciando-se das bases históricas do sandinismo.

Por outro lado, Ortega implementou programas sociais que lhe garantiram a preferência do voto popular, conquistando duas reeleições – a mais recente em 2016. Ao começo de 2018, porém, as condições que ainda asseguravam parte de sua legitimidade parecem ter ruído definitivamente.

Ao assinar um acordo com o FMI e ceder às pressões do organismo financeiro internacional, o presidente nicaraguense tentou passar uma reforma da previdência que reduziria benefícios e penalizaria a maioria da população. Essa medida, seguida pela inércia do governo para debelar o incêndio florestal de uma vasta área de reserva ecológica cobiçada por fazendeiros e empresas exportadoras, abriu uma onda de protestos por todo o país.

Desde abril deste ano, o uso desmedido de violência policial contra os manifestantes promoveu uma escalada de confrontos, que já computa algumas centenas de mortes, em sua maioria pelas armas do Estado e de forças aliadas a Ortega, vitimando estudantes, trabalhadores e militantes de distintas tendências.

O presente conflito na Nicarágua tem dividido opiniões na intelectualidade mundial. O sociólogo Boaventura de Sousa Santos e o teólogo brasileiro Leonardo Boff pronunciaram-se contra as violações de direitos humanos pelo governo Ortega, taxando-o de tirania. Em contraste, o intelectual argentino Atilio Borón, ex-secretário do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, sustenta a posição por uma “correção de rumos”.

Talvez uma das melhores análises a respeito seja a de Manuel Cabieses, diretor da revista chilena Punto Final. No seu entendimento, Ortega representa o desvirtuamento das bandeiras do sandinismo. Ao mesmo tempo, o acirramento da conflitividade no país pode levar a uma guerra civil em que o desfecho provável não é o triunfo de uma segunda revolução nicaraguense (em que pesem declarações fundamentadas de lideranças históricas como Mónica Baltodano, hoje dirigente do Movimento Resgate Sandinista, que tem defendido a legitimidade do direito de rebelião diante de circunstâncias como a atual).

Nesse quadro, Cabieses sustenta a necessidade de cessar a violência do Estado e de se chegar a uma solução negociada que abra caminho para um novo ciclo político no país – solução a ser buscada pela autodeterminação do povo nicaraguense, sem ingerência externa de nenhuma origem, nem intervencionismo da Organização dos Estados Americanos (OEA), organismo que o poder unilateral dos EUA, junto com seus aliados na região organizados no Grupo de Lima, busca instrumentalizar.

Por sinal, o presidente da OEA, Luis Almagro, tem exigido eleições antecipadas na Nicarágua mediante o controle da entidade. O governo do país centro-americano recusa. Mas não apenas ele. Diferentes vozes alertam para as intenções por detrás da oferta de “ajuda externa”.

Ao mesmo tempo, alguns analistas têm feito conjecturas com o cenário vivido na primavera árabe, que começou com protestos por anseios democráticos e terminou dilacerando países como a Líbia, com potências estrangeiras, através da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), assumindo diretamente o controle de territórios e produzindo um rompimento do tecido social que se vive até hoje.

Não obstante o pragmatismo de Ortega em relação aos setores empresariais – não é um fato desconhecido que os EUA desejem removê-lo da presidência – seja por causa da aliança de Ortega com o grupo de países da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) – bloco integrado por Venezuela, Bolívia e Cuba –, seja pelo projeto de um eventual segundo canal bioceânico, que seria construído com apoio de investidores chineses e em concorrência com a rota do Canal do Panamá, controlado pelos EUA.

Não está fora desse contexto a motivação que leva instituições de Washington, como o National Endowment for Democracy, patrocinarem grupos opositores a Ortega que também participam dos protestos na Nicarágua. Contudo, seria um erro reduzir o espectro das forças que adversam o governo nicaraguense aos setores pró-imperialistas. Em suma, não se pode ignorar que uma deterioração ainda maior da situação nicaraguense compreende cenários incertos sob todos os pontos de vista.

Diante dessa complexa situação, cabe defendermos a necessidade do fim da violência estatal e paraestatal e o fim do intervencionismo, por uma saída negociada, com respeito ao princípio da autodeterminação dos povos. "Que la sangre sabia que hizo su historia", da canção de Silvio Rodríguez, não seja derramada outra vez sobre o solo da terra de Sandino. E que seu povo possa encontrar soberanamente o caminho para outro porvir no difícil momento que atravessa.

*Docente do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Este artigo foi publicado originalmente no Jornal da UFRGS.

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O 'voto útil' pode decidir as eleições presidenciais?

3 horas 2 minutos atrás
Eleições 2018 Analistas apontam que polarização influencia eleitores a votar para impedir a vitória de candidato que rejeitam Júlia Rohden | Pesquisas recentes apontam Bolsonaro e Haddad no segundo turno Foto: Elza Fiúza/ABr

A polarização e o caráter incomum das eleições deste ano, com a prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o impedimento de participar da disputa, trouxe para o debate público o chamado "voto útil". Esse é o voto que acontece quando o eleitor se orienta pelo objetivo de derrotar um adversário específico, mesmo que isso signifique votar em um candidato no qual não tem profunda convicção política.

Analistas apontam que o voto útil, também chamado de voto estratégico, pode influenciar diretamente nos resultados do primeiro turno.

Para Geraldo Tadeu Monteiro, coordenador do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas sobre a Democracia (Cebrad) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o voto útil é mais de negação do que afirmação. “Tem uma candidatura marcadamente à direita com volume expressivo de intenções de voto e há o crescimento de uma candidatura oposta,  à esquerda, criando um cenário de polarização no primeiro turno. O que deixa uma parte do eleitorado, especialmente o de centro, em um dilema político muito grande”, opina.

A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (20) apontou Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) como favoritos ao segundo turno. Enquanto o candidato petista cresceu 3% desde o último levantamento e está com 16%, Bolsonaro cresceu 2% e está com 28% das intenções de voto. Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) mantiveram os índices de 13% e 9%, respectivamente. Marina Silva (Rede) caiu um ponto e apresenta 7% das intenções de voto.

O dirigente da Consulta Popular e doutor em Serviço Social Eduardo Mara também aponta a polarização, com projetos políticos radicalmente distintos de país, como elemento fundamental para avaliar a questão do voto útil. Mara acrescenta que será necessário mobilização popular após as eleições. 

Para ele, a discussão do voto útil sobre a escolha entre Fernando Haddad e Ciro Gomes para um segundo turno contra Bolsonaro é uma “miopia”. Mara avalia que há um discurso de inviabilidade por parte dos que condenam o golpe de 2016 e querem a retomada da democracia, afirmando que uma candidatura de Haddad não tenha chances de governar.

“Não haverá normalidade institucional sem retomar a democracia. E retomar a democracia exigirá de nós grandes mobilizações e capacidade de um governo popular de estimular essas manifestações pela democracia. É uma ilusão achar que investir em voto útil em outra candidatura trará uma normalidade e calma depois da eleição. Porque para reconstruir a democracia será necessário muita participação popular, muito debate de projeto de país, ou seja, as lutas pela democracia não vão terminar dia 7 de outubro”, considera.

Altos índices de rejeição

A pesquisa Datafolha aponta também que estas eleições presidenciais estão marcadas por altos índices de rejeição. Jair Bolsonaro é o mais rejeitado (43%), seguido por Marina (32%), Haddad (29%), Alckmin (24%) e Ciro (22%). Os resultados somam mais de 100% porque o entrevistado pôde citar mais de um candidato no qual não votaria em nenhuma hipótese.

Eduardo Mara avalia que o crescimento de votos em Bolsonaro está relacionado com o aumento de sua rejeição, especialmente por parte de setores que combatem as propostas ultra-conservadoras e antidemocráticas do militar da reserva. Ele lembra que há também um campo democrático que se mobiliza contra a ruptura democrática de 2016 e avalia que a figura que representa este campo é o ex-presidente Lula, impedido de concorrer, mas que apoia a candidatura de Haddad.

"Este polo democrático acumula votos e tende a transferir votos de outras candidaturas de centro para esta de esquerda, que é a do PT. Isso também carrega uma rejeição dos setores antidemocráticos à esta proposta, ou do antipetismo, que foi estimulado pela direita e pelo monopólio da mídia”, afirma.

No entanto, o pesquisador Monteiro avalia que o crescimento de Haddad interfere no voto de outros eleitores. "É provável que o crescimento do Bolsonaro tenha retirado votos do Alckmin e Marina, o que explica em partes a queda dos dois. Por outro lado, o crescimento do Haddad coloca para o eleitor de centro-direita o dilema de apoiar o Bolsonaro em função do crescimento de um candidato à esquerda", considera.

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Matrículas nos cursos de graduação a distância quadruplicaram em 10 anos

3 horas 15 minutos atrás
Educação A avaliação está no Censo da Educação Superior divulgado, nesta quinta-feira (20), pelo INEP Sayonara Moreno | Levantamento aponta que, no ano passado, as matrículas à distância registraram crescimento de 17 por cento adriencl / Creative Commons)

Entre 2007 e 2017, as matrículas nos cursos de graduação à distância aumentaram mais de 4 vezes, no Brasil, enquanto o crescimento no ensino presencial cresceu menos da metade, no mesmo período.

É o que mostra o Censo da Educação Superior divulgado nesta quinta-feira, pelo INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.

O levantamento aponta que, no ano passado, as matrículas à distância registraram crescimento de 17 por cento em relação ao ano anterior. Mas no ensino presencial, caíram pelo segundo ano seguido.

Por modalidade, as matrículas em Licenciatura- curso superior para a formação de professores - correspondem a 19% do total de oito milhões de matriculados em 2017.

Para o ministro da Educação, Rossieli Soares, o ensino à distância para a formação de professores é importante para o acesso ao ensino superior.

O censo mostra, ainda, que mais de 46 por cento dos estudantes de licenciatura estavam matriculados em cursos à distância. E as mulheres são as que mais cursam o ensino superior e as que mais concluem também.

Em 2017 foram oferecidos mais de 35 mil cursos de graduação e mais de dez milhões de vagas, entre novas e remanescentes, aquelas que sobram após a desistência de alunos. Segundo o ministro, as vagas ociosas precisam ser aproveitadas e, para isso, o MEC pretende abrir o Sisu Transferência, no ano que vem.

O levantamento mostrou que entre todos os estudantes de ensino superior, no ano passado, 75 por cento frequentavam instituições particulares e 46 por cento deles tinham bolsa ou algum financiamento estudantil.

O número daqueles que entraram pelo ProUniI aumentou nos últimos anos, enquanto os financiados pelo Fies caiu desde 2015.

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"Nossa gestão da Paraíba é o projeto que o Haddad defende para o Brasil"

3 horas 25 minutos atrás
Eleições Paraíba João Azevedo, o candidato de Ricardo Coutinho ao governo estadual , fala da Paraíba, de eleições e de seus projetos.  Marcos Freitas e Paula Adissi | “Eu me preparei enquanto gestor, enquanto executivo, e estou à disposição para desempenhar o meu papel” disse João ao Brasil de Fato. Assessoria

O Brasil de Fato na Paraíba entrevista o candidato do PSB ao governo do Estado da Paraíba, o engenheiro João Azevedo. É homem de confiança do atual governador Ricardo Coutinho (PSB) desde a época que o socialista era prefeito de João Pessoa. Os adversários de João Azevedo nessas eleições ao governo da Paraíba são Zé Maranhão (MDB) e Lucélio Cartaxo do PV em aliança com PSDB. Nesta entrevista, João fala sobre as gestões de Coutinho na Paraíba, eleições 2018, projetos de governo e seu apoio a Haddad (PT).

BDF: Qual o diferencial das gestões do Governador Ricardo Coutinho em relação às gestões anteriores?

Na verdade, aquilo que mais marcou essa gestão foi exatamente a adoção do modelo revolucionário em termos de participação democrática. O governo ouviu, nesses últimos anos, 270 mil pessoas, através do orçamento democrático estadual; nós fortalecemos demais o governo. O governo teve capacidade de dar respostas muito rápidas e foi ao encontro dos anseios da população. E como a resposta era dada muito rápida, talvez tenha sido o grande diferencial, além, claro, da implementação de políticas públicas que se destacaram nacionalmente. Outro elemento foi a preocupação do Estado com infraestrutura, o que o tornou competitivo para atrair empresas. Então, a participação popular, somada com a preparação do estado em relação à infraestrutura e à implantação de políticas públicas inovadoras, foram os três eixos que mais se destacaram.

BDF: Porque o senhor aceitou ser candidato a governador?

Por ter exatamente desde 2005 construído com Ricardo esse modelo. Nós chegamos numa prefeitura que, na primeira semana, não tinha água mineral para beber, porque os fornecedores não acreditavam sequer que o poder público fosse pagar a água. Nós conseguimos resgatar a capacidade de investimento com recursos próprios da prefeitura. Aconteceu a mesma coisa com o estado. Então, ter construído esse modelo junto com Ricardo, modelo de gestão fiscal responsável, e fazer com que o Estado resgatasse/recuperasse a capacidade de investimento, é motivo de muito orgulho; isso honra qualquer cidadão. Segundo, pelo fato de conhecer muito bem a Paraíba. Exerci funções de muita responsabilidade dentro do governo. Fui secretário de infraestrutura e recursos hídricos, meio ambiente e ciência e tecnologia, uma pasta muito grande que tocou todas as obras do estado. E isso, claro, me preparou não para ser governador. Eu me preparei enquanto gestor, enquanto executivo e estou à disposição para poder desempenhar o meu papel da melhor maneira possível.

BDF: Caso seja eleito, quais serão suas ações políticas prioritárias? 

Desenvolver uma infraestrutura que permita que o estado atraia investimentos para gerar riqueza e emprego, renda para sua população. O problema de logística de transporte está equacionado nesse estado, nós não temos mais uma cidade sequer que tenha estrada de barro. Nós temos a questão da segurança hídrica para avançar, porque é um estado que vive no semiárido e que precisa ter uma visão e uma atenção especial; a questão da matriz energética está equacionada, porque nós, a partir da construção de uma grande linha de transmissão, que vai sair de Milagres, passando em Cajazeiras, Santa Luzia, Campina Grande até João Pessoa, vamos resolver esta questão. Estamos trabalhando em uma infovia, ligando as 54 maiores cidades do Estado. Já interligamos João Pessoa com Campina Grande, mas queremos levar isso para todo o Estado. Isso vai permitir o desenvolvimento regional. Se você tem água resolvida, estrada resolvida, se você tem energia resolvida, se você tem dados e comunicação de alta qualidade resolvidos, e aproveitamento do parque enorme de universidades que a gente tem espalhadas, mais de 40 instituições, a gente vai promover desenvolvimento regional e transformar o estado num estado diferente. É essa a lógica do nosso desenvolvimento.

BDF: A sua candidatura declarou apoio a Lula e recebeu também o apoio do ex-presidente. Na vinda de Haddad à Paraíba, o senhor afirmou que, caso ele fosse o candidato, seguiria com o apoio. Qual a importância da candidatura Haddad e Manu para a Paraíba?

A candidatura de Haddad/Manu é a volta, a esse país, da esperança que o povo tinha, pois durante um longo período se implantou tantas políticas públicas e bastaram 2 anos e meio para desmanchar. A candidatura de Haddad/Manu vai resgatar para o Brasil  a esperança. Dar sonho ao povo. Saber que é possível, sim, progredir. Um país que tinha saído do mapa da fome, voltou ao mapa da fome. Essa é a grande questão: as políticas implementadas foram bloqueadas. Basta ver o absurdo dessa lei de limites de gastos que foi aprovada. Imagina o que é você pegar a saúde e dizer que o investimento do ano só pode ser o do ano anterior mais a correção. Significa dizer que você não pode abrir mais nunca um novo hospital. O Brasil de hoje está sendo excludente, totalmente excludente. O que nós entendemos para gestão da Paraíba é o projeto que o Haddad defende para o Brasil.

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Confira a edição desta sexta-feira (21) da Rede Lula Livre

3 horas 26 minutos atrás
Rádio Nossa programação vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 9h45 às 10h, na Rádio Brasil de Fato e emissoras parceiras Redação | O intelectual Noam Chomsky e o ex-ministro Aloizio Mercadante visitaram o presidente Lula nesta quinta-feira Mauro Calove

Saiba como foi a visita do linguista e ativista estadunidense Noam Chomsky e do ex-ministro Aloizio Mercadante a Lula, nesta quinta-feira (20). Lula está preso em Curitiba há 168 dias.

Você pode ouvir a Rede Lula Lula Livre de segunda à sexta-feira, das 9h45 às 10h, na Rádio Brasil de Fato.

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Mulheres paranaenses também se organizam contra Bolsonaro

4 horas 23 minutos atrás
Eleições 2018 Pesquisas mostram que metade das mulheres não votaria em Jair Bolsonaro “de jeito nenhum” Ana Carolina Caldas | “Temo pelos meus filhos”, diz Marilê que é cozinheira Arquivo pessoal

Nas últimas semanas, uma mulher negra, baiana, resolveu criar o grupo "Mulheres unidas contra Bolsonaro" no Facebook. Já com mais de 2,5 milhões de integrantes, elas começaram também a organizar atos de rua por todo o país. Ao contrário do que muitos pensam, os perfis da maioria das mulheres que fazem parte desta mobilização, via internet, não são de militantes e sim de mulheres preocupadas com a possível eleição de Jair Bolsonaro.

O Brasil de Fato Paraná buscou algumas dessas mulheres, moradoras do estado, para saber os motivos que as levaram se integrar ao grupo nacional e tornarem-se ativas na “guerrilha virtual” para convencer família, namorados, amigos e amigas a não dar seu voto ao candidato conhecido por declarações e atitudes machistas, misóginas e homofóbicas, além da incitação à violência.

Diferentes mulheres contra um só candidato 

Jovem curitibana que trabalha como ilustradora de livros infantis, Bruna Assis Brasil, que no sábado (15), dia que o grupo foi hackeado, fez várias postagens pedindo que as mulheres não desistissem da organização, disse que sua adesão foi porque vinha se sentindo isolada, já que a família tem posições favoráveis ao candidato.  “Quando fui convidada para participar não pensei duas vezes. Fiquei maravilhada em ver os valores das mulheres que estavam ali: todo mundo se respeitando, mulheres de tudo quando é tipo, todas unidas por uma causa. Me comovi com as histórias de cada uma delas.” E diz que fará voto útil. “Nessa eleição eu escolhi na aversão ao discurso do Bolsonaro, votaria em quem fosse (ao segundo turno) para não o ver eleito”.

O candidato é responsável por falas defendendo que mulher receba menos que os homens. Além de vários pronunciamentos incitando à violência. Recentemente, o deputado foi condenado pelo STJ a pagar R$10 mil a deputada Maria do Rosário por dizer que “ela não merece ser estuprada por ser muito feia”.

Mãe de dois filhos homens já adultos e de uma menina de 5 anos, a cozinheira Marilê Bravo (foto capa), 48, que é de Francisco Beltrão (PR), diz que uma das principais motivações para entrar no grupo foi por pensar no futuro. “É um candidato que se manifesta contra o que é diferente, meu sentimento é de medo pela Ana, por ser uma menina filha de pai negro e especial (a filha tem síndrome de down)”.

Apesar de no passado, no ensino médio, ter participado do Movimento Estudantil, diz ter militado dentro de casa ao longo da vida, com os filhos: “Mas hoje tenho sentido vontade de falar com as pessoas nas ruas, essa união das mulheres me deu vontade de externar minha opinião e dialogar”.

O principal argumento da estudante paranaense de Pedagogia, Sanciaray, de ser contra a eleição de Bolsonaro, é o fato de que ele incentiva o ódio contra a população negra, um retrocesso na luta antirracista:  “Vemos as ruas tornando-se trincheiras para o genocídio da população negra. Essa semana mesmo vimos um jovem negro sendo morto na periferia por policiais que confundiram o seu guarda chuva como uma arma", aponta. Para ela, “ter uma figura desta no poder, que incentiva uso de armas e matar, é retrocesso para a luta antirracista, para comunidade LGBT e as mulheres em geral”.

Todas dizem que irão até o fim das eleições fazendo campanha contra o candidato, que vem sido referenciado como “ele”, para não ter o nome citado.

Ataque

No sábado, 15, o número de integrantes do grupo "Mulheres unidas contra Bolsonaro" chegou a duas milhões e cem mil mulheres. Na mesma noite, a página sofreu um ataque de hackers, que mudaram o nome do grupo para que ficasse favorável ao candidato do PSL. A página voltou a funcionar no domingo e, segundo informações no facebook, as administradoras vem tomando as medidas necessárias para denunciar como crime cibernético.

Conforme informações divulgadas na imprensa, administradoras haviam recebido ameaças em suas contas no WhatsApp. Os invasores exigiram que o grupo fosse extinto até às 24h de sexta-feira e tentaram intimidar as responsáveis pelo grupo ameaçando divulgar seus dados pessoais como CPF e RG.

Ato

No dia 29 de setembro a caminhada contra Bolsonaro reunirá milhares de mulheres no centro de Curitiba. A concentração a partir das 16h, na Boca Maldita.

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Previsão do tempo para sexta-feira (21)

4 horas 33 minutos atrás
CLIMA Saiba como estará o clima nas cinco regiões do Brasil Rede Nacional de Rádio | Previsão do tempo Karina Ramos | BdF

Previsão do Tempo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia. 

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Jovens são grupos mais vulneráveis ao suicídio

4 horas 35 minutos atrás
Setembro Amarelo ​Esta já é a quarta causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos Lilian Campelo | Governo diz que lançará edital em outubro para desenvolvimento de pesquisas Reprodução

O Brasil registrou 11.433 mortes por suicídio em 2016. A informação faz parte do segundo boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (20) pelo Ministério de Saúde no mês de conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio, “Setembro Amarelo”.

Fátima Marinho, diretora do Departamento de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis e Promoção da Saúde (DANTPS), estima que o número pode ser 20% maior devido a subnotificação dos registros. Os dados apresentados coletados são do Instituto Médico Legal e boletins policiais, mas há registros de mortes que são classificadas como não determinadas, não sendo possível afirmar se foi um acidente ou algo intencional para por fim à vida.

Apesar do governo estimar uma subnotificação de 20% dos casos de suicídio, esta já é a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, sendo a terceira causa de morte entre os homens e a oitava entre as mulheres. É o que indica o segundo boletim divulgado pelo governo. Em 2015, o levantamento mostrou a ocorrência de 11.178 mortes, já em 2016 foram 11.433 registros, conforme o boletim divulgado na quinta-feira (20).

Em 2016, a taxa de mortalidade por suicídio no Brasil foi 5,8 casos a cada 100 mil habitantes. Em 2007, a proporção era 18% menor, 4,9 mortes a cada 100 mil habitantes.

No recorte raça e cor, os indígenas correspondem ao grupo com maior risco. Entre 2011 e 2015, a média da taxa de mortalidade por suicídio para cada 100 mil indígenas foi de 15,2. Taxa quase três vezes superior a de brancos, que foi de 5,9, e negros 4,7.  Chama atenção que a concentração de mortes nas populações originarias teve maior incidência entre jovens de 10 e 19 anos.

Intoxicação

Com relação às formas utilizadas, o enforcamento representa 60%, seguido por intoxicação exógena (18%), como envenenamento, abuso por medicamentos e outras substâncias. Mesmo em percentual menor, a intoxicação corresponde a mais da metade das tentativas de suicídio notificadas no país, sendo as mulheres as que mais a utilizam. Entre os homens foi verificado que aqueles que têm maior contato com agrotóxicos e raticidas acabam por utilizá-los.

De 2007 a 2017 foram registradas 153.745 tentativas de suicídio, 76% eram mulheres abaixo dos 40 anos. São elas também que iniciam mais cedo, na faixa entre 10 a 15 anos e tende a diminuir a partir dos 45 anos. O inverso do que ocorre com os homens, a tendência das tentativas foi observada na fase mais madura, entre 50 anos e 65 anos.  

A diretora do DANTPS explica que as tentativas de suicido por intoxicação, no período de 11 anos, resultaram em 12 mil internações por ano no SUS, a um custo médio de R$ 3 milhões anuais.

“Então, poderia criar 8 CAPS ao ano e mantê-los ao custo da internação, o que eu gasto com essa internação por autointoxicação. O que a gente está tentando mostrar é que eu poderia investir mais na prevenção, que iria me reduzir custo de hospitalização. Eu teria muito mais efetiva a minha política”.

Das regiões com maior notificação de tentativas por intoxicação a Sudeste representa 49%, e a Sul 25,1% -- onde se concentra a maior taxa de suicídios do País. 

Contudo, a diretora declara que a taxa de mortalidade por suicídio em alguns estados das regiões Norte e Nordeste, entre os anos de 2007 e 2017, são preocupantes. Rondônia (120%), Maranhão (58,8%) e Piauí (48,8%) foram os estados com maior incidência de suicídios entre os homens. Já os estados do Amazonas (88,3%), Rondônia (65,5%) e Alagoas (45,8), as ocorrências são maiores entre as mulheres.

Prevenção

De acordo com o coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro, a pasta irá investir R$ 6,5 milhões para ações de prevenção. Do montante, R$ 4,5 milhões será destinado ao desenvolvimento de pesquisas sobre o risco de suicídio em pessoas vivendo com HIV. O coordenador explicou que serão selecionados 10 projetos, por meio de edital público a ser lançado em outubro, para novas pesquisas sobre o tema.

Cordeiro informou também que serão destinados R$ 4 milhões para a realização de projetos nas Redes de Atenção Psicossocial (RAPS), nas capitais de Manaus (AM), Campo Grande (MS), Boa Vista (RR), Teresina (PI), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC), consideradas prioritárias devido ao alto índice de suicídio.

No final do primeiro semestre deste ano, as ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV) passaram a ser gratuitas em todo o país, após convênio assinado pelo Ministério da Saúde. O serviço está disponível por meio do telefone 188. Todas as ligações são sigilosas. 

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Cresce o número de pessoas que desistiram de procurar emprego, aponta Ipea

4 horas 48 minutos atrás
Desalento De acordo com um estudo do Ipea, 6 em cada 10 pessoas que desistiram de procurar emprego estão na região Nordeste Lucas Pordeus Leon | São mais de 4 milhões e 833 mil pessoas que não buscavam mais emprego no 2º trimestre de 2018. Agência Brasil

Estudo do Ipea confirma tendência de crescimento do desalento no mercado de trabalho. 6 em cada 10 dos que desistiram de procurar emprego estão no Nordeste.

Os desalentados são aquelas pessoas que estão em idade de trabalhar, gostariam de ter um emprego, mas desistiram de procurar porque perderam a esperança.

No Brasil, o perfil mais comum nesta condição é o de mulheres, nordestinas, pouco escolarizadas e pobres.

É o que diz o estudo sobre mercado de trabalho divulgado nesta quinta-feira pelo Ipea, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

São mais de 4 milhões e 833 mil pessoas que não buscavam mais emprego no 2º trimestre de 2018. 203 mil a mais que no período anterior.

Nathália Maximino, de 30 anos, é formada em Nutrição e também é técnica em cozinha. Ela está há mais de 2 anos desempregada e explica porque não procura mais emprego.

A maior parcela dos desalentados está entre 18 e 24 anos, o que corresponde a 25% do total . O problema maior é na região Nordeste, onde se encontram 6 de cada 10 dos desalentados.

A pesquisadora do Ipea e uma das autoras do estudo, Maria Andreia Lameiras, ressalta que tem aumentado também o número de pessoas que perdem a ocupação e nem chegam a procurar um novo emprego.

Ainda segundo o Ipea, a redução na taxa de desemprego ocorre mais porque as pessoas desistiram de procurar um trabalho do que pela expansão da população ocupada. Além disso, a maior parte dos empregos criados é no mercado informal.

O tempo que a pessoa fica desempregada também tem crescido. O percentual de quem fica mais de 2 anos procurando emprego saltou de 20%, no 2º trimestre de 2016, para 24%, no mesmo período deste ano.

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"Bolsonaro presidente sería la situación más riesgosa desde el golpe militar"

5 horas 49 minutos atrás
DEMOCRACIA EN RIESGO En entrevista, el jurista Pedro Serrano alerta sobre las nuevas formas de autoritarismo en la sociedad Redacción | Según el jurista, si se legitima a Bolsonaro por un proceso democrático, él estaría autorizado a promover políticas conservadoras Reproducción

“Esto es algo extremadamente peligroso. Elegir a Bolsonaro sería la situación más peligrosa para el país desde el golpe militar de 1964. No tengo la menor duda. Ese tipo puede usar su mediación con la democracia, el hecho de haber sido elegido para imponer un autoritarismo más intenso. Lo que significaría el asesinato de personas, el sacrificio de parte de una generación y su libre pensamiento, un retroceso para el país”.

Es lo que analiza Pedro Serrano, jurista brasileño, profesor de Derecho Constitucional en la Pontificia Universidad Católica de São Paulo (PUC-SP) que habló con la Radio Brasil de Fato. Según el jurista, el candidato ultraderechista, si es legitimado por un proceso democrático, estaría autorizado a promover políticas conservadoras y de extrema derecha.

A continuación la entrevista:

Brasil de Fato: ¿Cómo analiza la prisión del ex presidente Lula y su pérdida de derechos políticos?

Pedro Serrano: El caso del ex presidente Lula no es un caso único. Hoy el mundo vive el intento de construcción de un paradigma más autoritario, es una nueva forma de autoritarismo. No es lo mismo que un Estado de excepción o los regímenes de excepción que había en el siglo 20. Podemos decir que es un autoritarismo líquido. Porque está fragmentado en la sociedad, no se puede identificar con claridad a su autor, pues se encuentra diluido en otras medidas antidemocráticas. Son medidas de excepción, es decir, medidas que tienen una fachada democrática y un contenido tiránico.

En el primer mundo, son medidas que vienen del Poder Legislativo o del propio poder ejecutivo como agentes de medidas de excepción. Las “patriotic acts” en EEUU, las leyes antiterroristas en Europa, los encarcelamientos, el decreto de estado de excepción en Francia, hay diversos ejemplos. En América Latina, pasa algo muy diferente. Aquí las medidas de excepción se producen, para mí, en el sistema de justicia. El Legislativo y Ejecutivo tienen su rol, pero está más reducido.

He observado en mi trabajo investigativo que en América Latina son dos tipos de medidas de excepción: procesos penales de excepción o investigaciones de excepción e impeachments inconstitucionales. A partir de los 90, en Brasil, se empiezan a producir esas medidas de excepción, el caso de Lula es solo una continuidad de ellas. Es ahí cuando se inicia el encarcelamiento masivo, la guerra contra las drogas, donde la figura del enemigo es la figura del traficante. Esos procesos, desde esa época, vacían de sentido a los derechos humanos y fundamentales. Los reos son considerados enemigos, y se les quitan derechos.

Hubo una deshumanización de esas personas. La justificación de la guerra contra las drogas pasó a actuar como forma de control social, para abatir a la juventud negra, a los jóvenes de las favelas. Empezó a aumentar intensivamente la violencia en la sociedad y el encarcelamiento, cuestiones relacionados.

El 42% de los presos brasileños hoy, la tercera mayor población encarcelada del mundo, no tiene derecho a la defensa. Imagínate cuántas personas se encuentran en esa situación de injusticia. Son presos que están en la cárcel antes de ser juzgados ni en primera instancia.

En el caso del presidente Lula, con el “mensalão” (escándalo de sobornos mensuales pagados a políticos), se empezaron a transponer técnicas de los procesos penales de excepción, que tienen la apariencia de procesos pero que no lo son en su contenido. Hay un abogado, una corte, un tribunal, pero no interesa mucho lo que diga el abogado, o qué decida la corte, porque va a interpretar la ley no para aplicarla, sino para justificar lo que pretende hacer. Y entonces se traslada esa técnica a la política.

El impeachment inconstitucional de Dilma también es una continuación de lo mismo, una medida de excepción directa de la democracia. Es algo típico del autoritarismo que considero “líquido”, porque interrumpe la democracia, pero después vuelve a un espacio democrático y sigue controlando la democracia.

La interrupción no es un golpe militar que ocupa el poder. Es una medida de excepción que interrumpe el ciclo democrático y luego vuelve a él, como en el caso del proceso contra el presidente Lula. En su caso, un proceso penal de excepción muy intenso. Porque no hay las condiciones mínimas para condenarlo en un régimen civilizado. Entonces se impulsa un proceso que parece cumplir las normas procesales, pero que tiene un contenido tiránico. El presidente Lula es víctima de este modelo de autoritarismo.

Usted dijo que las decisiones que se toman contra los derechos del presidente Lula también se toman contra toda la sociedad. En 2014, solo 14.000 presos, en un universo de 227.000 presos aptos para votar, que todavía apelan sus sentencias en otras instancias, como el caso de Lula, tuvieron acceso a las urnas electrónicas. Esto tiene mucho que ver con lo que estamos hablando, que la justicia considera al reo como enemigo y cercena sus derechos.

No tengo dudas. Mire, la sociedad todavía no se despertó. Es coautora de un crimen de lesa humanidad. No hay un ambiente humano más próximo a un campo de concentración en la postguerra que las cárceles brasileñas. La sociedad brasileña sabe y desea que las personas vayan a la cárcel, algo absolutamente inmoral.

Los que criticamos eso somos pocos, pero actuamos desde una lógica moral que forma parte de lo más bueno que el ser humano produjo en 3 millones de años sobre la tierra. Las personas tienen que comprender que no se puede someter así a los seres humanos.

La mayoría de las personas es inocente, pero los medios no lo cuentan. No se señala ese otro aspecto del encarcelamiento. Somos seres humanos, inteligentes, podemos pensar otros modos de castigo, otra forma de tratar los problemas.

No es de extrañar que exista esa política, es algo premeditado. Hay una parte de la élite mundial que apuesta por la violencia. Entonces, se puede asesinar a un negro en una favela o retirar al negociador del plan político, que es Lula. Entonces no hay que negociar, se resuelven los problemas con la violencia.

En las próximas semanas, que anteceden las elecciones, ¿habrá algún nivel de coherencia por parte del Poder Judicial y de las élites para asegurar un ropaje democrático o podría haber un nuevo golpe? En resumen, ¿habrá elecciones?

Pienso que habrá elecciones. Puedo estar engañado, pero hasta ahora se confirma mi lectura, que es antigua. Hay que comprender: existe una mediación con la democracia. Debemos recurrir a ese argumento incluso. Para demostrar las contradicciones de esa mediación, que existe. Es muy difícil legitimar una dictadura.

Elegir a Bolsonaro sería la situación política más arriesgada del país desde 1964. No tengo la menor duda. Ese tipo podría usar su mediación con la democracia, el hecho de haber sido elegido, para imponer un autoritarismo más intenso. Lo que significaría el asesinato de personas, el sacrificio de una parte de una generación y su libre pensamiento, un retroceso para el país. Tenemos que evitar su elección. No vamos a combatirlo a corto plazo, pero tenemos que evitar que él llegue al poder político. El mayor riesgo está ahí y no en no tener elecciones. Que elijamos a ese tipo y él, legitimado por la democracia, cometa una serie de atrocidades.

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Sistema político brasileiro impede entrada e permanência de mulheres

5 horas 50 minutos atrás
Patriarcado Estudo divulgado em agosto revela que o país tem a menor participação de mulheres no Poder Legislativo da América Latina Júlia Dolce | Deputados Federais durante a votação do Impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados

Uma pesquisa divulgada no final de agosto pelo Centro Estratégico Latino-americano de Geopolítica (Celag) mostra que o Brasil tem o menor número de mulheres ocupando cargos de poder na Câmara e no Senado dos países da América Latina. O documento analisa a composição etária e de gênero dos parlamentos latino-americanos, e a compara com os dados populacionais de cada país.

No Brasil, de acordo com a pesquisa, há uma relação de 96 homens a cada 100 mulheres, o que representa quatro milhões de mulheres a mais na população. Apesar deste dado, e da Lei Nº 9.504, de 1997, que estabelece que cada partido deve preencher o mínimo de 30% de candidaturas femininas, a presença de mulheres no Congresso é mínima: dos 513 Deputados Federais, apenas 54 são mulheres, ou 11%. No Senado a percentagem de mulheres não passa de 16%.

Para Masra de Abreu, assessora técnica do Centro Feminista de Estudos e Assessorias (CFemea), a permanência do país entre os países da região com menor representatividade feminina reflete um mecanismo sistêmico da política brasileira.

"A forma como ele é concebido e gerido pelos homens brancos, de classe média, ricos, empresários, representantes das bancadas ruralistas conservadoras, cria sempre mecanismos de impedir o acesso das mulheres ao poder. Nosso sistema é bem claro na mensagem que ele passa de que a política não é para ser feita por mulheres. 52% da população brasileira é formada por mulheres. Mulheres não estão votando em mulheres, porque o sistema político, por vários fatores, impede a entrada e permanência de mulheres", afirmou.

Divisão sexual da política

Há 30 anos o CFemea realiza o monitoramento feminista do legislativo brasileiro, por meio do Radar Feminista do Congresso. A pesquisadora aponta que a escassa proporção de candidaturas de mulheres ocorre apesar da existência da Lei de Cotas, e de uma decisão tomada neste ano pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de que os partidos devem repassar 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para a candidatura de mulheres.

Maíra Kubik, professora do Departamento de Estudos de Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o único do Brasil, descreve uma série de elementos que explicam o fato de as mulheres nunca terem ultrapassado, na história do país, 12% da Câmara Federal.

"As mulheres têm muita dificuldade em conseguir se dedicar à política institucional, por conta de uma divisão sexual do trabalho, que coloca os homens mais na esfera pública e as mulheres mais na privada. Quando as mulheres conseguem superar essa barreira, percebemos que elas têm muita dificuldade para se tornar lideranças reconhecidas. Isso tem muito a ver com a tradicional hierarquização da política que coloca os homens como os principais atores desse espaço. Quando elas conseguem ter sua candidatura aprovada, elas também têm menor financiamento que os homens, e poucas vezes são elencadas como candidaturas prioritárias", explicou.

Intersecção

Kubik também alerta para a presença ainda menor de pessoas não brancas no Congresso. Menos de 5% dos parlamentares são negros: 24 deputados federais e três senadores. Com o recorte de mulheres negras, que representam metade da população de mulheres no país, a porcentagem na Câmara cai para 0,39%.

"São muito comuns os depoimentos de mulheres negras que atuam na política institucional que denunciam essa dupla dificuldade, de sofrer um preconceito por machismo e racismo. São candidaturas que obtém menos financiamento, visibilidade, apoio, [e têm] muita dificuldade para fazer essa estruturação da campanha", afirmou.

O golpe sofrido pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2016, também foi destacado pelas especialistas como um acontecimento que impacta negativamente na inserção institucional de mulheres na política. Em contrapartida, o movimento feminista #Elenão, contra a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PSL) é visto com otimismo, como destaca Masra de Abreu.

Golpe machista

"O Impeachment foi altamente misógino e machista. Acompanhamos a composição do governo Temer e ele terminou de acabar com a Secretaria de Política para Mulheres; a política de enfrentamento à violência contra mulheres perdeu 70% do orçamento. Por outro lado, dá um alívio ver o levante que temos, já que a maior resistência ao Bolsonaro vem das mulheres. Se ele não for eleito a responsabilidade vai ser nossa. Mesmo assim, precisamos reconstruir toda uma narrativa sobre o papel das mulheres na sociedade. Nesse bojo, aparecem candidaturas alternativas à essa narrativa tão violenta, de mandatos de mulheres da periferia, mulheres negras, mandatos coletivos, então acho que mesmo em um cenário tão adverso, as mulheres estão provocando um debate de uma possível transformação do sistema político", concluiu.

O número de registro de candidaturas de mulheres aumentou levemente nestas eleições em comparação com as últimas eleições de 2014. Segundo o TSE, em 2018, 8.435 mulheres apresentaram candidaturas, e na disputa eleitoral anterior foram 8,1 mil. Apesar disso, em relação ao total de candidaturas, a proporção feminina diminuiu de 31,1% em 2014 para 30,7% neste ano. Segundo dados da Justiça Eleitoral, a maioria das candidatas de 2018 se declara branca (51,7%) e parda (33,4%). Mais de 60% das candidaturas são para vagas de deputadas estaduais, e 30% para federais. 

A manutenção do atual Congresso Brasileiro nessas eleições é um dos grandes obstáculos para alcançar qualquer mudança em relação à sub-representação de mulheres. Segundo um levantamento feito pela Folha de S. Paulo com base nos registros de candidaturas na Justiça Eleitoral, 80% dos atuais deputados federais buscam a reeleição.  

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Ouça o Programa Brasil de Fato – Rio de Janeiro – 20/09/18

5 horas 56 minutos atrás
Rádio O cuidado com as falsas informações e a influência das mídias no processo eleitoral são destaque da edição Redação | Em tempos de campanha eleitoral o acesso à informação de qualidade é fundamental para o exercício da democracia Bruno Fortuna/Fotos Públicas

O programa da última quinta-feira (20) discute a relação entre ética, informação e comunicação. Como as mídias podem auxiliar a população a ter clareza sobre em quem votar e como, por outro lado, elas também podem atrapalhar essa decisão?

Em entrevista ao vivo no estúdio, Marco Schneider, professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Instituto Brasileiro de Informação, Ciência e Tecnologia (Ibict-UFRJ), comenta sobre a relação entre informação e política no processo eleitoral brasileiro. Ele também fala sobre a plataforma FARMi, um projeto que agrupa e disponibiliza dados sobre os financiamentos de campanha, a atuação política dos parlamentares e a cobertura da política nacional pelas mídias.

O programa também conta com a participação especial da jornalista Viviane Tavares, da Eté Checagem, que esclarece a polêmica em torno de uma informação falsa divulgada pela família do candidato à presidência do PSL sobre o grupo “Mulheres contra Bolsonaro", que reúne mais de dois milhões de mulheres.

Ainda no clima das eleições, uma análise sobre as possíveis composições da Assembléia Legislativa  do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em 2019, e uma reportagem sobre a operação realizada por fiscais do Tribunal Regional Eleitoral de Campos dos Goytacazes no campus da Universidade Federal Fluminense.

No quadro “Rio, Rua e Cultura”, o colunista Talles Reis traz a agenda cultural do fim de semana. 

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