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Atualizado: 2 semanas 10 horas atrás

Maior produtor da América Latina, MST inicia colheita do arroz orgânico no RS

1 hora 37 minutos atrás

A colheita do arroz orgânico da safra 2019/2020 já iniciou no Rio Grande do Sul. Os trabalhos ocorrem desde sábado (22) no Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão, na região Metropolitana de Porto Alegre.

Informações do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mostram que a produção abrange 14 assentamentos da Reforma Agrária situados em 11 municípios gaúchos.

A estimativa é colher mais de 300 mil sacas do alimento, numa área total de 3.215 hectares. O cultivo, que ocorre em sistema pré-germinado, é de 364 famílias. Esses dados colocam o MST na posição de maior produtor de arroz orgânico da América Latina, conforme o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

A colheita iniciou em Viamão no lote de André Oliveira da Luz e Neusa Amador da Luz, onde há 12 hectares de lavoura destinados ao plantio de arroz orgânico. A estimativa do casal é colher mil sacas no local.

De acordo com o Grupo Gestor, a região Metropolitana produz a maior parte do arroz livre de agrotóxico do MST. O Assentamento Filhos de Sepé tem a maior área plantada – 1.150 hectares – e 124 famílias envolvidas. Segundo o assentado Osmar Moura, que acompanha a colheita no município, lá a estimativa é colher 100 mil sacas.

Festa da Colheita com Lula

O MST já tem data para a 17ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico. Será no dia 20 de março, numa sexta-feira, no Assentamento Capela, em Nova Santa Rita, também na região Metropolitana de Porto Alegre.

Este ano o evento, que já tem a presença confirmada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçará a necessidade de preservar a natureza. Durante todo o dia terá atividades, entre elas estudos, colheita simbólica de arroz na lavoura, ato político e feira de produtos da Reforma Agrária.

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Jornal Brasil Atual Edição da Tarde | 26 de fevereiro de 2020

1 hora 40 minutos atrás

O Brasil se tornou o primeiro país da América Latina a identificar um caso de coronavírus. Após confirmação da doença no país, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, comparou o covid-19 a "uma gripe", e afirmou que o governo está observando o comportamento do vírus no país.

Para falar sobre o envolvimento do presidente Jair Bolsonaro na convocação de ato pelo fechamento do Congresso, o Jornal Brasil Atual Edição da Tarde recebeu o professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Rogério Dultra dos Santos. 

Para Santos, a "gravíssima" ação de Bolsonaro é feita em meio a uma situação de fragilidade do governo federal: "Nesse momento histórico o governo Bolsonaro está muito enfraquecido, não só pelas denúncias, mas pela patente incapacidade do presidente de gerir as reformas demandadas pela burguesia, essa incapacidade política e técnica do governo está afastando seus apoiadores mais ferrenhos, especialmente o mercado. O mercado já está lendo que essa instabilidade política e administrativa gera crise econômica, e gera uma incapacidade de o governo de debelar a crise econômica, e esse é o grande problema deste governo: sua incapacidade de superar uma crise instalada desde 2015".

O jornal também conversa com o consultor da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Artur Araújo, para analisar a relação entre a epidemia coronavírus e a economia internacional e nacional. Nesta quarta (26), o Ibovespa despencou mais de 7%, e o dólar operou em alta na reabertura dos mercados, chegando a R$ 4,44. 

Ao ser questionado sobre as medidas que o governo Bolsonaro deveria tomar para tentar reduzir os impactos que o vírus possa ter na economia nacional, Araújo é enfático: "o governo deveria fazer o que se recusa fazer desde que assumiu: liberar os gastos estatais. A economia brasileira patina seguidamente porque há uma recusa ideológica a pôr o Estado brasileiro como um motor da economia".

Confira os outros destaques no início do jornal.

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O Jornal Brasil Atual Edição da Tarde é uma produção conjunta das rádios Brasil de Fato e Brasil Atual. O programa vai ao ar de segunda a sexta das 17h às 18h30, nas frequências da Rádio Brasil Atual na Grande São Paulo (98.9 MHz) e noroeste paulista (102.7 MHz), e pela Rádio Brasil de Fato (online). Também é possível ouvir pelos aplicativos das emissoras: Brasil de Fato e Rádio Brasil Atual.     

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Resultado do Carnaval do Rio confirma força das religiões de matriz africana

1 hora 57 minutos atrás

Se em algum momento da história do Carnaval do Rio houve dúvidas sobre a influência e presença das religiões de matriz africana na festa, 2020 veio para derrubá-las. As três primeiras colocadas do grupo especial levaram à Sapucaí a força dos orixás do Candomblé, das entidades da Umbanda e o papel primordial que essas crenças têm na construção da identidade cultural brasileira.

O samba da Viradouro, grande vencedora do Carnaval, já começava com uma saudação a Oxum, orixá das águas doces. A composição foi protagonista de um dos momentos mais emocionantes dos desfiles na Sapucaí. Com pouquíssimo tempo de desfile, já era entoada pelo público, que abraçou as referências ao Candomblé. 

Ora yê yê ô oxum! Seu dourado tem axé/ Faz o seu quilombo no Abaeté/ Quem lava a alma dessa gente veste ouro/ É Viradouro! É Viradouro!

Xangô ilumina a caminhada/ A falange está formada/ Um coral cheio de amor/ Kaô, o axé vem da Bahia/ Nessa negra cantoria/ Que Maria ensinou

O carro da comissão de frente trouxe a atleta Anna Giulia nadando em um grande aquário. Única negra na equipe de nado sincronizado da seleção brasileira, ela estava fantasia de sereia dourada, em alusão a Oxum. A mãe das águas doces esteve presente também nas roupas das guardiãs do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeiras da escola, com um amarelo forte e coroas que lembravam as vestimentas dos orixás nos xirês do Candomblé. 


A atleta de nado sincronizado, Anna Giulia, foi destaque na Viradouro (Gabriel Nascimento/Riotur)

No enredo, a escola homenageou As Ganhadeiras de Itapuã, mulheres que desde o fim do século 19, contam histórias de vida por meio de canções populares, enquanto trabalham nas ruas de Salvador. Hoje, as descendentes desse costume formam um grupo musical, que nasceu nos quintais de duas casas de Candomblé de capital baiana. A força do trabalho das mulheres, conduzidas por Oxum, garantiram à Viradouro o apoio do público na hora do desfile e a consistência do espetáculo chamou atenção dos jurados.

O Rei do Candomblé

O pai de santo que criou polêmica no Carnaval de 1956 por ter saído fantasiado de Vedete, em 2020 foi tema do desfile que deu o segundo lugar à escola Acadêmicos da Grande Rio. Joãozinho da Gomeia, um dos mais importantes líderes do Candomblé brasileiro, foi homenageado no enredo “Tata Londirá: o canto do caboclo no quilombo de Caxias”.

Não faltaram referências aos orixás durante o desfile. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira cruzou a avenida com fantasias que remetiam a Exu e Pomba Gira. Maquiagem, figurino e carros alegóricos colocaram rituais dos terreiros como elementos essenciais e centrais da formação do povo brasileiro. 

Giram presidentes, penitentes, yabás/ Curva se a rainha/ E os ogans batuqueiros pedem paz/ Salve o candomblé, eparrei Oyá

Em um movimento declarado de retorno e valorização da comunidade onde nasceu, a Grande Rio percorreu a avenida liderada por Fabrício Machado, o mestre Fafá. Cria de Caxias, ele teve o reforço do intérprete Evandro Malandro e da primeira porta-bandeira Taciana Couto, que também são da comunidade.


Acadêmicos da Grande Rio pede respeito ao Axé (Foto: Raphael David/Riotur)

Exu protege as ruas e o povo

A Beija-Flor fechou os desfiles da Sapucaí na madrugada de segunda-feira (24) com uma celebração às ruas. Da era do gelo à Sapucaí, a escola falou sobre a construção de caminhos, pontes e estradas como mecanismo de evolução da humanidade. Durante todo o desfile o recado da agremiação de Nilópolis foi claro: a rua pertence ao povo.

Exu, entidade que abre caminhos e permite a comunicação nas religiões de matriz africana abriu o desfile. A comissão de frente simulava uma briga de gangues em uma encruzilhada. Tranca Ruas, Pomba Gira, Malandro e outras manifestações da Umbanda foram vestidos com roupagem moderna e ares punks e distópicos.


Exus modernos abriram o desfile da Beija-Flor / Dhavid Normando | Riotur/ Fotos Públicas

No samba enredo, Exu apareceu como protetor do povo nas ruas: 

Por mais que existam barreiras/ Eu vim pra vencer no teu ninho/ É bom lembrar, eu não estou sozinho/ Ê Laroyê Ina Mojubá

Adakê Exu ô, ô, ô/ Segura o povo que o povo é o dono da rua/ Ô corre gira que a rua é do Beija-Flor!

No fim do desfile, o povo tomou as ruas em uma ala com fantasias brancas e prateadas e empunhado cartazes. Alguns deles falavam de saudade, do amor pela escola e pelo Carnaval, em frases retiradas de sambas da Beija-Flor. Entre elas, a frase que representou o grito mais alto deste Carnaval na Sapucaí "Meu canto é resistência".

Política na avenida

O Carnaval do grupo especial na Sapucaí também trouxe críticas políticas, exaltação à diversidade e pedidos de respeito às minorias. As fake news de Jair Bolsonaro foram retratadas pela São Clemente. O humorista Marcelo Adnet, um dos compositores do enredo “O Conto do Vigário”, fechou a passagem da escola pela Sapucaí fantasiado como o presidente. Fazendo flexões e gestos de arma com as mãos, ele estava no alto de um carro alegórico adornado pelas mentiras propagadas pelo capitão reformado. A bateria entrou vestida de laranjal, em alusão às suspeitas do uso de laranjas no financiamento da campanha eleitoral de Bolsonaro.  

Políticos ricos e poderosos sentados em vasos-sanitários e favelas vigiadas por helicopteros que pediam paz marcaram o desfile da União da Ilha. O enredo “Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas, a sorte está lançada: Salve-se quem puder!” denunciava a violência e a desigualdade. A escola colocou um ônibus lotado sendo assaltado na avenida e iniciou a passagem pela Sapucaí lembrando a importância da educação. 

A campeã de 2019, Mangueira, marcou a noite com diversas representações de Jesus Cristo e o enredo “A verdade vos fará livre”. Na comissão de frente, Cristo aparece vestido como um jovem de comunidade que é revistado por policiais. A rainha da bateria, representou Cristo como uma mulher negra.

No primeiro dia de desfiles, a Portela contou a história da chegada do povo Tupinambá ao Rio de Janeiro. Os indígenas acreditavam ter encontrado o paraíso na região. A escola levou esse Rio de Janeiro edílico para a avenida, mas não esqueceu do tom crítico ao lembrar o caos urbano da atualidade. O Rio ideal foi retratado pela Unidos da Tijuca, que falou sobre a história da arquitetura e do urbanismo com o enredo "Onde Nascem os Sonhos". Um dos carros alegóricos representava a cidade ideal, com saúde, segurança, educação e cultural. 

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Livro sobre conflitos na Amazônia é distribuído gratuitamente; confira

3 horas 43 minutos atrás

A região amazônica é palco de grande conflitos fundiários, frutos da concentração de terra nas mãos de latifundiários e também dos interesses de grandes corporações, como as mineradoras.

Analisando a origem desses conflitos, sobretudo, na região Sul e Sudeste do Pará e na fronteira com o Maranhão, o professor Rogério Almeida, docente da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa)  lançou o livro Amazônia, pequenas inflexões, grandes abacaxis, disponível gratuitamente para download.

O trabalho aborda não só esses conflitos, mas também casos emblemáticos, como a morte da missionária Dorothy Stang, assassinada a mando de fazendeiros, em Anapu, no Pará.

Para o professor, a análise dessa conjuntura se faz necessária para que possamos entender os caminhos que o Brasil está traçando, uma vez que o processo de exploração dos recursos naturais faz parte da construção histórica do país e a luta pela terra tem uma série de desdobramentos que precisam ser discutidos para que se possa pensar em soluções para eles. 

 
“A luta pela terra tem várias dimensões nesta região. Tem com relação à terra em si, onde o embate é contra grileiros e  fazendeiros e também tem uma outra dimensão que é relacionada com as mineradoras, onde está em xeque o subsolo, que acaba também tensionando historicamente. Essa luta vem sendo marcada pela expulsão e execução de lideranças. Mais uma vez agora foi executado em Ourilândia [do Norte] um dirigente sindical, o Paulino, que foi vereador pelo PT . É uma naturalização desses episódios. Se banaliza esse tipo de coisa, como esse processo de expansão do grande capital sobre as terras da Amazônia. Então, desde o primeiro colonizador isso vem se perpetuando”, sintetiza.

O Pará é um dos estados brasileiros que mais sofre com a questão de grilagem de terras e assassinatos de pessoas do campo. Segundo o último relatório anual de conflitos no campo, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) em 2019, o número de famílias expulsas e despejadas aumentou.

Somente no Pará, foram registrados 1.016 casos de pistolagem. O estado ocupa a quarta posição com mais registros em relação a esse crime no Brasil ficando atrás, apenas, do Paraná (1.509), Mato Grosso (1.174) e o Maranhão (1.065). 

O professor explica que discutir o caso se torna ainda mais necessário devido à conjuntura do país e a todas as decisões defendidas e implementadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Infelizmente a tendência é piorar essas tensões com relação à luta pela terra e essa morte do Paulino em Ourilândia, outras questões de Pau D’Arco, execuções no Maranhão, dos indígenas Guajajaras. Infelizmente, a tendência com essa conjuntura que vivemos hoje é piorar essas tensões. Praticamente o governo assinou uma licença para matar. Toda uma conjuntura no Congresso de revisão de algumas conquistas que foram efetivadas na constituição de 1988, que praticamente está tudo em xeque. Há um revisionismo muito grande para permitir mineração em terras indígenas, mineração em terras quilombolas, esvaziamento muito grande das instituições, Ibama, ICMBio, Incra, tanto de pessoal quanto de recurso para esvaziar essas pautas populares”, afirma. 

Educação e resistência 

O educador acredita que a melhor forma de resistência e luta é o uso do conhecimento e da informação. Ele conta que o livro é fruto de conversas com diferentes colegas de diversos campos do conhecimento e também da militância popular. Na troca de diálogos, eles perceberam que a ideia é também mais um instrumento que agrega na luta popular camponesa.

“A publicação foi possível por muita teimosia. Mais teimosia do que condições materiais para fazer, e contribuições de pessoas que se empenharam na revisão, na compilação e em críticas com relação ao conteúdo para gente poder colocar no mundo essa pequena contribuição”, conta.

Ele diz ainda que uma parte do livro é dedicado ao Bico do Papagaio. Palco de conflitos desde a década de 30, o local que engloba os estados do Pará e Maranhão é onde mais se assassinou lideranças do campo e a impunidade impera.

“Com relação ao Bico do Papagaio desde sempre, desde a década de 30, 40, 50, o Bico do Papagaio que representa o Sul e Sudeste do Pará, Oeste do Maranhão e o Norte do Tocantins, que antes era Goiás, é uma região emblemática com relação à luta pela terra. É o local onde mais se matou gente na luta pela reforma agrária do país e onde menos se apurou e se condenou pistoleiros e seus mandantes. Então, é uma região super emblemática”, finaliza. 

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Bolsonaro comete crime de responsabilidade e pode ser alvo de impeachment

6 horas 45 minutos atrás

Jair Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao compartilhar um vídeo convocando manifestação contra o Congresso Nacional, organizada por grupos de extrema direita, em defesa dos militares e do próprio governo. A análise é de especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato, que afirmam que a ação fere o item II do artigo 85 da Constituição Federal.

A cláusula prevê como crime de responsabilidade do presidente da República atos que atentem contra o livre exercício do Poder Legislativo, Judiciário, do Ministério Público e outros Poderes constitucionais das unidades da Federação. 


Artigo 85 da Constituição Federal define o crime de responsabilidade / Brasil de Fato

O ato organizado por defensores do governo está marcado para o próximo dia 15 de março. A mobilização ganhou força na semana passada após o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ter atacado parlamentares acusando-os de fazer “chantagem”.

Divulgado com exclusividade pelo O Estado de S. Paulo, o vídeo de um minuto e 40 segundos conta com o Hino Nacional Brasileiro como trilha sonora, e, em tom dramático, mostra em seus primeiros segundos a facada que Bolsonaro sofreu em Juiz de Fora (MG), em 2018.

"Ele foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa de nosso apoio nas ruas. Dia 15.3 vamos mostrar a força da família brasileira", diz trecho da legenda do vídeo compartilhado por Bolsonaro. 

Tânia Oliveira, da coordenação executiva da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), reprova a postura do presidente e afirma que, ao compartilhar o vídeo, Bolsonaro cometeu um crime. 

“Quando o presidente da República repassa, em qualquer que seja o mecanismo, a convocação para um ato que tem como pauta o fechamento do Congresso Nacional, isso é claramente um crime de responsabilidade. Em alguns casos existem interpretações sobre o que é ou não é crime de responsabilidade. Nesse caso não há qualquer dúvida. Ele corroborou com o chamamento de um ato contra a democracia brasileira. É muito grave”, ressalta Oliveira. 

Doutor em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Adilson Moreira traça o mesmo diagnóstico e afirma que Bolsonaro violou a Constituição de diversas formas.

Moreira explica que, conforme o artigo primeiro da Constituição Federal, o Brasil é um Estado Democrático de Direito e se baseia na divisão entre os três Poderes. Por mais que sejam independentes, Legislativo, Executivo e Judiciário devem exercer o controle um sobre o outro, reciprocamente, de forma a manter o equilíbrio entre eles. 

Segundo o especialista, todas as pessoas que representam tais poderes também são controladas pelas normas jurídicas da Constituição. Seja o presidente, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ou senador.

Portanto, na avaliação de Moreira, Bolsonaro fere o próprio Estado Democrático de Direito ao convocar uma ofensiva contra o Congresso. 

O professor universitário acrescenta que, além do item II do artigo 85, a fala de Bolsonaro também fere o item III do mesmo artigo, que aborda os direitos políticos, sociais e individuais.

“Ele está atentando contra um poder que representa a população brasileira, portanto, está violando também o direito de voto e a lógica da democracia. São inúmeras violações”.

Por ser um crime de responsabilidade, o especialista afirma que Bolsonaro pode ser alvo de um processo de impedimento. 

“O próprio Congresso Nacional pode iniciar um processo de impeachment presidencial.  Isso é um crime de responsabilidade de natureza político-administrativa. E o Congresso Nacional tem a possibilidade de fazer isso, também está previsto na Constituição da República”, afirma Moreira. 

O presidente, por sua vez, alegou em sua conta oficial no Twitter, que trocou mensagens de cunho pessoal pelo Whatsapp e disse que “qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República”.  

Na avaliação dos juristas, no entanto, o fato de ter compartilhado a convocatória contra o Congresso Nacional em sua rede pessoal, não exime o presidente do crime de responsabilidade. 

“Esse fato atenta contra a democracia. E esse não é o primeiro ato. São vários. Uma sucessão de atos que atenta contra o povo brasileiro, contra grupos minoritários, contra outros poderes. Contra a população em geral. Na verdade, é mais um de uma série de atos pelos quais ele poderia ter sido responsabilizado”, argumenta Adilson Moreira. 

Tânia Oliveira, da ABJD, defende que as casas Legislativas deveriam repudiar o ato com veemência e que a sociedade deve cobrar respostas dos poderes instituídos. Ela acrescenta ainda que qualquer cidadão pode oferecer uma denúncia e dar início ao pedido de impeachment contra o presidente da República submetido à Câmara dos Deputados. 

Posicionamentos

Quase 24h depois da notícia veiculada nos principais jornais do país, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, fez uma postagem em defesa da democracia, sem mencionar diretamente a manifestação de grupos autoritários.

“Só a democracia é capaz de absorver sem violência as diferenças da sociedade e unir a Nação pelo diálogo. Acima de tudo e de todos está o respeito às instituições democráticas”, escreveu Maia, fazendo referência ao slogan "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". 

“Criar tensão institucional não ajuda o País a evoluir. Somos nós, autoridades, que temos de dar o exemplo de respeito às instituições e à ordem constitucional. O Brasil precisa de paz e responsabilidade para progredir”, concluiu o presidente da Câmara. 

Segundo ressalta Pedro Fassoni Arruda, cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Bolsonaro acumula declarações polêmicas, contrárias à democracia e às instituições, durante seus 27 anos de atuação parlamentar. 

Fassoni relembra que não é a primeira vez que Bolsonaro atenta contra o Congresso Nacional. “Antes de ser eleito, ele declarou, inclusive, que uma das primeiras medidas ao assumir, seria justamente fechar o Congresso Nacional. Assim como seus filhos, que contam com respaldo do pai, e já fizeram declarações no mesmo sentido sobre ‘bastar somente um soldado e um cabo para fechar o STF’”, comenta Fassoni.  A frase em questão foi dita por Eduardo Bolsonaro em outubro de 2018. 

Na opinião do cientista político, o desgaste causado entre os três poderes neste momento é resultado da política adotada pelo governo.

“Bolsonaro vem tensionando, por meio dessas declarações, e tentando medir força com o Congresso e com o STF, para ver se existe algum tipo de reação. Como não existe nenhum tipo de tentativa efetiva de barrar esse avanço, Bolsonaro continua testando os limites dessas instituições. Acredito que se não houver uma resposta, do Congresso e do STF, diante a esse atentado do Bolsonaro, as coisas podem piorar”, avalia. 

Repúdio

Com a repercussão nacional do ato de Bolsonaro, as executivas nacionais do PT, PSOL e PSB, assim como diversos parlamentares, manifestaram repúdio contra o presidente. 

Em nota oficial, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu a republicação do vídeo por Bolsonaro, assim como a declaração do general Heleno, “como mais um gesto autoritário de quem agride a liberdade e os direitos todos os dias”.

Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definiu o episódio como “uma crise institucional de consequências gravíssimas”. “Calar seria concordar. Melhor gritar enquanto se tem voz”, registrou em seu perfil no Twitter.

Ciro Gomes (PDT) classificou como “criminoso” incitar a população com “mentiras contras as instituições democráticas” e pediu reação do Congresso. Os partidos políticos, entidades e movimentos sociais informaram que devem se reunir na Câmara dos Deputados, na próxima terça-feira (3), para articular resposta às ações autoritárias do governo e de seus apoiadores. 

Na segunda-feira (24), o general da reserva Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo na gestão Bolsonaro, já havia criticada a mobilização do dia 15 de março. Ele repudiou o uso de imagens do general Augusto Heleno e do vice-presidente, general Hamilton Mourão, em chamados para a manifestação e classificou a ação como “irresponsabilidade”.

“Exército Brasileiro. Instituição de Estado, defesa da pátria e garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. Confundir o Exército com alguns assuntos temporários de governo, partidos políticos e pessoas é usar de má fé, mentir, enganar a população”, disse Santos Cruz. 

Centrais sindicais

As centrais sindicais se manifestaram na tarde desta quarta-feira (26) por meio de nota em que afirmam que "o presidente ignora a responsabilidade do cargo que ocupa pelo voto e age, deliberadamente, de má-fé, apostando em um golpe contra a democracia, a liberdade, a Constituição, a Nação e as Instituições".

Além de chamar a unidade das  centrais em torno do tema, a nota cobra um posicionamento do STF e do Congresso Nacional em relação à atitude de Bolsonaro.

"Diante desse escandaloso fato, as Centrais Sindicais consideram urgente que o  Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional se posicionem e encaminhem as providências legais e necessárias, antes que seja tarde demais.
Do mesmo modo, conclamamos a máxima unidade de todas as forças sociais na defesa intransigente da liberdade, das instituições e do Estado Democrático de Direito", diz o texto.

A nota é assinada pelos representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB),  Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e Central de Sindicatos do Brasil (CSB).

A história se repete

Frente ao não diálogo de Bolsonaro com parlamentares do Congresso que não estejam completamente alinhados com seu governo, o cientista político Pedro Fassoni Arruda, compara a gestão do político, atualmente sem partido, com a atuação de Jânio Quadro e Collor de Mello na presidência.

“O que Bolsonaro, Jânio e Collor tem em comum? O fato de que nenhum deles tem a habilidade, o jogo de cintura, para negociar com o Congresso Nacional. Reclamam da letargia das instituições, que o ritmo é difícil. Nenhum deles contava com maioria no Congresso, e tendo dificuldade para negociação, ensaiavam uma espécie de Bonapartismo, tentando se colocar como liderança acima dos interesses das classes sociais, para conduzir ‘com pulso firme’ o governo. Nos dois primeiros casos, essa tentativa falhou. E acredito que essa tentativa também pode dar errado com Bolsonaro”, aposta Fassoni.

Seis congressistas já manifestaram apoio à manifestação do 15 de março. Entre eles, Carla Zambelli (PSL-SP), que fez uma postagem chamando para o ato.

“Não vivemos num parlamentarismo. Não aceitaremos que caciques invertam regras, para prestigiar os que acabaram com o Brasil. O povo elegeu Jair Bolsonaro para fazer o que está fazendo: tirar o país do buraco em que a esquerda o colocou! #Dia15PeloBrasil e foda-se”, escreveu a parlamentar. 

Delegado Éder Mauro (PSD-PA), Filipe Barros (PSL-PR), Aline Sleutjes (PSL-PR), Guiga Peixoto (PSL-SP) e a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), estão entre os outros políticos que já manifestaram apoio ao ato contra o Congresso.

Apesar das limitações das instituições e da atuação favorável ao impeachment de Dilma Rousseff, entre outras decisões nos últimos anos, o docente da PUC-SP defende que é preciso existir um equilíbrio e uma harmonia entre os poderes, “um sistema de freios e contrapesos que estabeleça uma série de controles recíprocos entre os poderes”

“Assim como não vivemos no parlamentarismo, o presidente da República não pode ser considerado um imperador. Não tem poderes absolutos. O Congresso tem legitimidade e tira essa legitimidade do voto. É um importante instrumento para frear algum ensaio autoritário do governo, pelo menos em tese”, finaliza Fassoni. 

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Brasil is the first Latin American country to identify a case of coronavirus

8 horas 23 minutos atrás

On Tuesday (25), Brazil became the first Latin American country to report a case of coronavirus. At around noon, a 61 year old man tested positive for the infection at the Albert Einstein Israelite Hospital, in a southern suburb of the city of São Paulo.

In order to confirm the case, the Health Ministry is awaiting a more in depth analysis, the results of which should be made public on Wednesday (26), by the Adolfo Lutz Institute, the leading public health laboratory in the country.

According to a press release by the hospital, the man, who is under house quarantine and is showing symptoms such as a cough, was admitted on Monday (24). Shortly thereafter, the state Epidemic Control Board was notified.

“The patient is in good clinical standing, with no need for internment, remaining in respiratory isolation which will last for the next 14 days. Our medical teams continue to monitor him closely, as well as those who had contact with him”.

The government, through the National Sanitation Inspection Agency (Anvisa), affirmed that it will map all those who had contact with the person, and that Brazil has “critically raised the scrutiny of international flights stemming from countries with confirmed cases of the disease”.

The patient, whose identity has not been revealed, was in Italy between the 9th and 21st of January, more specifically in the Lombardia region, where the first cases of the virus in the country were identified. As of Wednesday (26), around 320 people in Italy have been infected, and 11 have died from the illness. Worldwide, around 80 thousand people have been infected, with 2700 having died as a result.

Second suspected case awaits confirmation

Local newspaper Folha de S. Paulo reports that a confirmation test for a patient who had previously been suspected of contracting the disease, has come back positive. According to them, the man tested positive for the virus at the Albert Einstein Israelite Hospital in São Paulo. Further testing will be conducted and the results will be announced by the Health Ministry on Wednesday (26).

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Ministério da Saúde confirma o primeiro caso do novo coronavírus no Brasil

8 horas 29 minutos atrás

O primeiro caso do novo coronavírus no Brasil foi confirmado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (26). Trata-se de um homem de 61 anos que passou pela Itália e está em São Paulo.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que as medidas para diagnóstico e tratamento serão reforçadas a partir da comprovação. No entanto, ele minimizou os riscos da doença e disse que o país mantém as práticas adotadas a partir da declaração de emergência em saúde pública.

"É uma gripe. É mais uma gripe que a humanidade vai ter que atravessar. Das gripes históricas, ela se comporta bem [não oferece tanto risco]. Como todo vírus, a medida mais eficaz é nós termos agilidade", declarou o ministro.

Segundo Mandetta, as autoridades sanitárias brasileiras vão observar o comportamento do vírus a partir da primeira confirmação no país. "No Hemisfério Sul, agora que vamos ver como esse vírus vai se comportar na situação de um país tropical, em pleno verão".

O secretário de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann Ferreira, disse que entramos em uma "nova fase" de cuidados, com a tendência de que os casos suspeitos aumentem no Brasil. "Vão aumentar o número de pessoas que vão ser consideradas suspeitas, porque aumentou o número de países [considerados em risco].

Cuidados com o paciente

De acordo com o Ministério, o paciente com a doença confirmada ficará em isolamento domiciliar e passará por 14 dias de quarentena, acompanhado diariamente por agentes de saúde. 

O ministro da Saúde explicou que o homem só será levado a um hospital caso seu estado piore. "Caso ele tenha queda no estado geral, piora no seu estado clínico, na sua capacidade de respirar, aí sim ele vai ser levado a um ambiente hospitalar", afirmou Mandetta.

Em razão do contato com o paciente infectado, outras pessoas estão sendo contactadas pelo governo federal. Isso não significa, contudo, que elas sejam tratadas como suspeitas, já que isso depende da apresentação de sintomas.

"No domingo, ele recebeu a família. Trinta pessoas da família. Todas as pessoas estão sob observação. Mais os passageiros do avião", relatou o ministro. "Acredito que tenhamos próximo de 50, 60 pessoas", complementou.

Casos 

Até agora são 80.239 casos confirmados da doença causada pelo novo coronavírus, em 34 países diferentes, conforme dados repassados pelo Ministério da Saúde. O número de mortes chegou a 2,7 mil. No Brasil, além do caso confirmado, são 20 casos suspeitos e 59 descartados. 
 

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Correios podem entrar em greve na próxima semana

8 horas 55 minutos atrás

Os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios vêm se organizando para realizar assembleias gerais na próxima terça-feira (3), para discutir se entram em greve geral. Caso aprovada, a greve terá início já no dia 4 de março.

O principal motivo para a paralisação das atividades é a possibilidade de privatização da estatal, anunciada pelo governo federal. Além disso, tramitam no Congresso Nacional propostas consideradas pela categoria como ameaças ao método de funcionamento dos Correios.

O Projeto de Lei nº 7488/2017 visa a quebra do monopólio postal e a (PEC) nº 149, se aprovada, permitirá que o serviço possa ser explorado mediante autorização, concessão ou permissão.

As assembleias devem envolver cerca de 99 mil trabalhadores, de 36 sindicatos filiados a e não filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).

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Governo Temer isentou produtores rurais em R$ 10 bilhões no acesso a agrotóxicos

9 horas 7 minutos atrás

O governo brasileiro isentou os produtores rurais em R$ 10 bilhões em impostos sobre o acesso a agrotóxicos, em 2017. O dado é do relatório Uma política de incentivo fiscal a agrotóxicos no Brasil é injustificável e insustentável, divulgado em fevereiro de 2020, pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) foi a principal fatia na isenção, representando 63,1% do total.

Segundo Guilherme Franco Netto, coordenador do Grupo Temático Saúde e Ambiente da Abrasco e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, o valor de isenção fiscal mostra uma contradição entre a Constituição Federal de 1988 e a realidade brasileira.

Ao mesmo tempo em que existe a proteção ao meio ambiente e à saúde integral da população, existem “medidas que agem em função dos interesses econômicos de grupos que controlam parte do mercado que têm uma facilitação da circulação e do uso desses produtos muito grande".

Para Netto, “no caso de agrotóxicos é uma coisa muito aberrante: nós temos uma isenção quase que integral sendo que o imposto em que mais existe essa isenção é sobre ICMS, ou seja, uma fonte importante de arrecadação dos estados”. 

Além do valor “aberrante” em isenção fiscal, ele também destaca a liberação da quantidade de agrotóxicos desde o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), que vem ocorrendo em uma curva “acentuada”. Para o coordenador da Abrasco, mesmo com a isenção fiscal desenfreada, há a tendência em liberar mais produtos. No último dia de governo de Temer, em 2018, atingiu-se o recorde de agrotóxicos liberados, cerca de 450. Em 2017, foram 405.

Netto afirmou que o relatório pode servir de apoio para o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5553, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que questiona a isenção fiscal sobre agrotóxicos e que está para ser julgada desde junho de 2016. “Obviamente que esse relatório nosso tem um sentido completamente contrário ao da indústria do agronegócio e a todos os subsidiários.”

A ADI pede que a parte do Convênio nº 100/97, do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) – um acordo entre as secretarias estaduais da Fazenda – que autoriza a isenção em 60% em cima do ICMS sobre pesticidas e outros insumos agrícolas se torne ineficiente. O PSOL também solicitou que o Decreto 7.660/2011 que zera a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos agrotóxicos seja considerado inconstitucional. 

Na ação, o partido argumenta que, além de intensificar o uso de pesticidas, a isenção fiscal concedida pelo Estado fere o direito fundamental ao meio ambiente equilibrado, previsto no artigo 225 da Constituição Federal.

A sigla alega também que o incentivo dado pelo Estado aos agrotóxicos não teria sustentação quando se comparam as questões de essencialidade e capacidade contributiva, pelo fato de as indústrias beneficiadas com a isenção fiscal serem de grande porte e terem “ampla capacidade de arcar com a carga tributária regular”.

Os argumentos dialogam com o parecer apresentado em 2017 pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a respeito da ação. Na época, ao considerar como procedente o pedido da legenda, ela afirmou que “o incentivo fiscal endereçado aos agrotóxicos traduz prática contrária aos ditames constitucionais de proteção ao meio ambiente e à saúde, sobretudo dos trabalhadores”.  

Do outro lado, o governo federal argumenta que a desoneração levanta a competitividade entre os produtores melhorando a qualidade do produto. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estima que o fim da isenção fiscal pode representar uma transferência de R$ 12 bilhões aos produtores rurais. 

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Bancos abrem às 12h nesta quarta (26)

10 horas 15 minutos atrás

As agências bancárias retomam o atendimento nesta quarta-feira, dia 26, ao meio dia. O encerramento será em horário normal, segundo a Federação Brasileira dos Bancos. 

O funcionamento do serviço bancário foi suspenso na segunda e terça-feira de carnaval. 

Nas localidades em que os bancos fecham normalmente antes das 15h, o início do atendimento ao público será antecipado, de modo a garantir o mínimo de 3 horas de funcionamento.

As contas de consumo, como água, energia, telefone, e carnês com vencimento em 24 e 25 de fevereiro poderão ser pagos, sem acréscimo, hoje. 

Esses tributos normalmente já vêm com datas ajustadas ao calendário de feriados nacionais, estaduais e municipais.

 

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Bolsonaro é alvo de críticas em Festival de Berlim; Brasil tem recorde de filmes

10 horas 20 minutos atrás

Com recorde de filmes este ano - 19 produções e co-produções selecionadas -  a participação brasileira no Festival Internacional de Cinema de Berlim tem sido um espaço  de críticas da classe artística em relação às políticas do governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

A equipe do longa-metragem brasileiro Todos os Mortos, que concorre ao Urso de Ouro, principal premiação do Festival, aproveitou a estreia do filme no último sábado (22) para tecer duras críticas em relação à situação atual do cinema nacional.

 Nos créditos, ao final do filme que aborda a temática da escravidão brasileira e suas consequências para a estrutura da nossa sociedade, a equipe destaca que 700 empregos foram criados com o projeto.

"Hoje temos uma problema enorme com um presidente de extrema-direita que ataca nossa cultura, nossa educação e nosso audiovisual. A indústria brasileira de cinema tem 500 mil pessoas que com ela trabalhavam e trabalham direta ou indiretamente. Estamos sendo totalmente tolhidos, freados por um governo que não entende, talvez por lhe faltar inteligência. Já que são tão neoliberais porque não entendem que proporcionamos empregos, idéias, diversidade e, sobretudo, resistência", destaca a produtora Sara Silveira em entrevista ao Brasil de Fato.

"Existe hoje no Brasil uma tentativa diária para se conter a força expressiva da arte brasileira. Os artistas estão sendo alvos de ataques diretos, de notícias falsas, perseguições pessoais ou perseguições a suas obras e circulação de mentiras", afirmou ao Brasil de Fato Caetano Gotardo, um dos diretores do filme

Gotardo ressaltou que a presença do maior número de filmes brasileiros no evento fortalece a classe cinematográfica em um momento delicado para o país. 

"É muito importante haver aqui em Berlim todos esses filmes brasileiros, é muito importante o cinema brasileiro estar no cenário internacional e inclusive no cenário nacional, porque isso nos dá uma sensação da força que tem a arte brasileira e nos dá energia para lutarmos contra esses ataques cotidianos, inclusive com acenos à censura em certos temas e censura contra certos artistas. Tudo isso estamos vivendo hoje e nossa presença aqui tem uma força simbólica muito grande, de resistência e de luta, para continuarmos vivendo do nosso trabalho artístico", concluiu. 

Ainda sobre resistência, a produtora do longa-metragem destacou que "enquanto existir como mulher, eles vão ter de ouvir e ver os meus filmes". "Vai ser difícil nos calar, visto a força que a gente tem. Eu não preciso de armas. Eu preciso de força, amor, coragem e momentos heróicos, para suportar o que estamos vivendo, nós de todas as raças, de todos os gêneros, os artistas que estão aqui gritando por liberdade, democracia e contra a censura", afirmou.

Crise

A crise no cinema brasileiro foi capa do jornal francês Le Monde do último domingo (23). A publicação afirma que o setor vive "uma das piores crises de sua história, ligada à ascensão ao poder do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro".

O jornal destaca que a Ancine (Agência Nacional do Cinema) é um dos principais alvos do governo e aponta que o orçamento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que permite o financiamento de filmes no Brasil, sofreu um corte de 43% em 2020.

Escolhido para integrar o júri internacional dessa edição do Festival de Berlim desse ano, o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho expressou durante encontro com a imprensa preocupação com relação ao cinema brasileiro e lembrou que 600 projetos audiovisuais estão neste momento congelados por burocracia.

A preocupação com a situação do cinema brasileiro também foi expressada pelo novo diretor do Festival de Berlim, o italiano Carlo Chatrian que afirmou em entrevista à publicação alemã Deutsche Welle que convidou o  cineasta Kleber Mendonça Filho para "mandar um sinal para a indústria internacional de que nos importamos com o cinema brasileiro".

 

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Brasil é o primeiro país da América Latina a identificar caso de coronavírus

12 horas 35 minutos atrás

O Brasil se tornou, nesta terça-feira (25), o primeiro país da América Latina a identificar um caso de infecção por coronavírus. Trata-se de um homem de 61 anos que apresentou resultado positivo para a doença, no Hospital Israelita Albert Einsten, na Zona Sul da capital paulista, por volta de 12h. 

Para confirmar o caso, o Ministério da Saúde aguarda um teste de contraprova, cujo resultado deve ser divulgado nesta quarta-feira (26), pelo Instituto Adolfo Lutz, que atua como laboratório central de saúde pública. 

De acordo com uma nota divulgada à imprensa pelo hospital, o homem, que se encontra em isolamento domiciliar e apresenta sintomas brandos como tosse, foi atendido na segunda-feira (24). Logo depois, a Vigilância Epidemiológica estadual foi notificada.

“O paciente encontra-se em bom estado clínico e sem necessidade de internação, permanecendo em isolamento respiratório que será mantido durante os próximos 14 dias. A equipe médica segue monitorando-o ativamente, assim como as pessoas que tiveram contato próximo com ele.”

O governo, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou, em nota à imprensa, que fará uma mapeamento das pessoas que tiveram contato com o homem, e que o Brasil “aumentou a criticidade no monitoramento dos voos internacionais provenientes de países onde há casos confirmados da doença”.

O paciente, que não teve a identidade revelada, esteve entre os dias 9 e 21 de janeiro na Itália, mais precisamente da região de Lombardia, onde foram identificados os primeiros casos de coronavírus no país. Até esta quarta-feira (26), cerca de 320 pessoas foram infectadas e 11 morreram, na Itália. No mundo, são cerca de 80 mil infectados e 2.700 mortos em decorrência da doença Covid-19.

Outros três casos estão em investigação no estado de São Paulo, dois na capital e um em Bauru. Em Pernambuco, uma mulher que chegou da Itália nesta terça também está em observação. Ao G1, o secretário de Saúde do estado nordestino, André Londo afirmou que se ampliou recentemente a definição de caso suspeito. 

“Antes, falávamos da Ásia, agora falamos também da Europa. Essa paciente estava em deslocamento na Europa, na região de Milão, e veio para o Brasil via São Paulo, onde fez uma escala. Ela chegou ao Recife com alguns sintomas que se enquadram na nova definição de caso suspeito para a doença”.

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Violência contra manifestantes deixa 21 mortos em três dias na capital da Índia

13 horas 34 minutos atrás

A violência de policiais e grupos de extrema direita contra manifestantes que criticam as novas regras de cidadania da Índia causou 21 mortes e feriu 183 pessoas nos últimos três dias na capital Nova Delhi. Ao todo, mais de 40 pessoas foram assassinadas em conflitos relacionados ao tema desde dezembro, quando o primeiro-ministro do país, Narendra Modi, assinou uma emenda à lei de cidadania do país (CAA, na sigla em inglês)

As escolas estão fechadas e as "reuniões de pessoas em locais públicos" estão proibidas desde terça-feira (25). A orientação do governo local é que as vítimas sejam encaminhadas ao Guru Teg Bahadur Hospital, um dos maiores da capital, com 2,5 mil leitos. Dezenove dos 21 óbitos confirmados ocorreram nessa unidade.

Partidos políticos e organizações contrários à CAA publicaram notas responsabilizando a polícia pelos assassinatos.

O Partido Comunista Marxista Indiano (CPI-M), por exemplo, “condenou fortemente o que parece ser violência pré-planejada em Delhi por grupos pró-CAA, com o patrocínio da polícia contra os protestos pacíficos e democráticos”, conforme nota divulgada no dia 25. “Exigimos que a polícia de Delhi pare com este comportamento pouco profissional tendencioso e aja rapidamente para parar a violência”, diz o texto.

O CPI-M, assim como os principais partidos de esquerda do país, pedem que o governo reconheça o fracasso da polícia e convoque o Exército para tentar erradicar a violência na capital.

O ministro do Interior, Amit Shah, disse que a violência não é planejada, mas “espontânea”, e que o governo está monitorando a ação policial e estudando maneiras de conter os conflitos.

A Suprema Corte também se posicionou nesta quarta-feira (26), observando “falta de independência e profissionalismo na polícia com referência aos tumultos”. No mesmo dia, o ministro-chefe de Delhi, Arjind Kerjiwal, implorou para que o Exército seja enviado à região nordeste da capital.

:: Leia também: Mulheres fazem vigília há dois meses contra lei que discrimina muçulmanos na Índia ::

Histórico

Várias ruas da capital estão bloqueadas desde dezembro por manifestantes anti-CAA. Eles alegam que essa emenda, assim como o novo Registro Nacional de Cidadãos (NRC), discrimina a população muçulmana e pretende relegá-los à condição de imigrantes ilegais. Campos de detenção já estão em funcionamento desde 2019 no estado de Assam.

Os protestos eram pacíficos até domingo (23), quando Kapil Mishra, integrante do Partido do Povo Indiano (BJP), o mesmo do primeiro-ministro, incitou seus aliados a praticarem atos de vandalismo para tentar desbloquear vias públicas. Essa atitude foi corroborada pela polícia de Delhi, que ordenou o desbloqueio de algumas ruas em até três dias – coincidindo com a chegada do presidente estadunidense, Donald Trump, à cidade.

Movimentos anti-CAA acusam a polícia de usar gás lacrimogêneo contra um ato pacífico e de permanecer passiva enquanto os partidários do governo, em maior número, atiravam pedras em direção ao lado oposto da rua.

Os atos em defesa da emenda à lei de cidadania são liderados pelo grupo paramilitar Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), de extrema direita. O BJP, partido de Narendra Modi, é um dos braços dessa organização ultranacionalista, que pretende “refundar” a Índia com base nos valores do hinduísmo, religião predominante no país.

A postura de Misha e das forças de segurança da capital provocaram a revolta de cidadãos contrários à emenda e ao NRC. Inflamados, eles também passaram a atirar pedras, além de incendiar dezenas de lojas, casas e carros no distrito de Jaffrabad, nordeste da capital. Ratan Lal, membro da polícia de Delhi, foi morto com uma pedrada na cabeça na última segunda-feira (24).

A morte de Lal intensificou ainda mais a repressão. Desde então, foram confirmadas ao menos outras 20 mortes, a maioria por armas de fogo. 

Os pontos da capital onde foram registrados os principais atos de violência são Khureji, Maujpur e Chand Bagh, todos na região nordeste. Nesses bairros, casas de famílias muçulmanas foram atacadas por grupos com tijolos, varas de bambu e barras de ferro. Mesquitas também foram depredadas enquanto Trump discursava ao lado de Modi, colocando-se à disposição para ajudar na luta "contra o terrorismo".

O que está em jogo

Com as novas regras de cidadania assinadas em 2019, os muçulmanos que não conseguirem comprovar que moram no país há mais de 11 anos deixam de ser considerados cidadãos indianos. Ao mesmo tempo, as regras passam a ser mais brandas para pessoas de outras religiões. Cerca de 14% dos indianos são muçulmanos, enquanto 80% seguem o hinduísmo.

Um dos pilares da Constituição da Índia de 1947 é o secularismo, ou seja, a liberdade de crença e a separação entre igreja e Estado. Modi foi o primeiro chefe do Executivo da Índia a assinar um texto que condiciona a cidadania à religião. 

A Suprema Corte, composta em sua maioria por aliados do primeiro-ministro, analisou a nova lei de cidadania e considerou que não há violações à Constituição.

A violência contra muçulmanos é uma das marcas da trajetória política de Narendra Modi. Ex-ministro-chefe do estado de Gujarat (extremo oeste da Índia), ele foi acusado de conivência com o massacre de 790 muçulmanos no estado entre fevereiro e março de 2002. Dez anos depois, o político do BJP foi absolvido pela Suprema Corte, projetando-se como figura pública e assumindo o cargo de primeiro-ministro indiano em 2014.

Desde a juventude, Modi é filiado ao grupo paramilitar RSS.

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Jornal Brasil Atual Edição da Tarde | 25 de fevereiro de 2020

ter, 25/02/2020 - 20:37

A Águia de Ouro é a campeã do Carnaval 2020 de São Paulo. A definição aconteceu na tarde desta terça-feira (25). A escola da zona oeste da capital paulista conquistou o título pela primeira vez, com um samba-enredo que levou para a avenida a evolução do conhecimento humano. O educador Paulo Freire, patrono da educação no Brasil, foi um dos homenageados pela agremiação. 

No Rio de Janeiro, o segundo dia de desfiles na Sapucaí, na madrugada de segunda (24) para terça-feira, teve críticas à corrupção, referências diretas ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e celebração da diversidade. 

As manifestações contra o presidente da República foram tema da crônica do Diário do Bolso, sátira bem-humorada das ações de Jair Bolsonaro, de autoria de José Roberto Torero. O jornalista foi entrevistado nesta terça-feira pelo Jornal Brasil Atual Edição da Tarde e falou sobre o processo de criação dos textos nos quais ele traz a avaliação dos desfiles sob a perspectiva do “Bolso”. 

“Eu não assisto [aos desfiles] me sentindo como ele, porque seria muito ruim. Ele é um cara que certamente odeia carnaval. Ele só se sente feliz quando faz alguém infeliz. Então, eu não assisto como se fosse ele, porque iria estragar o meu programa.”, conta. 

Esta edição também traz atualizações da situação do novo coronavírus em todo o mundo. O Irã anunciou nesta terça-feira que 16 pessoas morreram no país por causa da doença. No Brasil, que ainda não tem registros de circulação do vírus, o Ministério da Saúde incluiu mais oito países na lista de alerta para o Covid-19 na última segunda-feira. A pasta também atualizou os critérios de doação nos bancos de sangue em decorrência do surgimento do novo coronavírus.   

O programa destaca ainda as consequências do motim de policiais militares no Ceará. Chegou a 170 o número de assassinatos no estado durante os oito dias de paralisação dos agentes amotinados.

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O Jornal Brasil Atual Edição da Tarde é uma produção conjunta das rádios Brasil de Fato e Brasil Atual. O programa vai ao ar de segunda a sexta das 17h às 18h30, nas frequências da Rádio Brasil Atual na Grande São Paulo (98.9 MHz) e noroeste paulista (102.7 MHz), e pela Rádio Brasil de Fato (online). Também é possível ouvir pelos aplicativos das emissoras: Brasil de Fato e Rádio Brasil Atual.

 

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“Na Vale privatizada, vale tudo contra natureza”, diz autor de livro sobre mineração

ter, 25/02/2020 - 18:44

Charles Trocate argumenta que existe um silêncio na mineração brasileira. “É um silêncio produzido pela falta de justiça, pela falta de qualquer aprendizado punitivo", diz sobre os crimes socioambientais que o país sofreu devido à extração mineral no Brasil. 

Lançado recentemente pela Expressão Popular, o livro “Quando Vier o Silêncio - o problema mineral brasileiro” de Charles Trocate e Tádzio Peters Coelho, traz uma reflexão sobre a construção de um projeto de soberania popular na mineração. Trazendo exemplos recentes de Brumadinho e Mariana, os autores buscam mostrar os impactos do extrativismo mineral no Brasil e como ele está distantes de favorecer as populações realmente afetadas.

Em entrevista a Mauro Ramos, da Rádio Brasil Atual (RBA) Charles Trocate, escritor, filósofo e educador popular explicou que foi necessário dedicar um capítulo do livro exclusivo à Vale devido ao processo de desestatização, que afastou ainda mais o Estado brasileiro de ter autonomia na mineração dentro do país. 

“A Vale privatizada virou um vale tudo contra a natureza em função dos lucros extraordinários dos seus acionistas. Não tenho dúvida que para pensar numa mineração alternativa, nós tenhamos que o papel da empresa pública e estatal deve ser redesenhado. Só é possível nós controlarmos o modelo de mineração brasileiro se nós retomarmos a ideia que de a mineração no Brasil tem que ser pública, advinda do setor público e que beneficie o conjunto da sociedade.”


Capa do livro "Quando vier o silêncio – o problema mineral brasileiro" lançado pela Expressão Popular / Reprodução/Expressão Popular

A soberania popular na mineração é um ponto chave para Charles Trocate. Esse poder de decisão do Estado brasileiro é primordial para que a extração mineral no país não prejudique a população.

“O Estado brasileiro precisa dizer onde minerar e onde não minerar. Esse é o primeiro elemento para construção de um projeto de soberania popular na mineração. De uns anos para cá, nós deslocamos o sentido da natureza em relação ao desejo da vontade humana. A primeira tarefa é: onde minerar, como minerar, qual o ritmo dessa mineração e qual é a renda que essa renda que essa mineração vai projetar no ponto de vista da sociedade de modo geral.”

Charles Trocate também fez um resgate histórico para explicar como a mineração no Brasil faz parte de uma lógica presente desde o período colonial. 

“Nós sempre participamos da economia global oferecendo matéria prima. Há uma dialética entre as economias industriais, ou seja as do Norte, e as economias extrativas do Sul. Poderíamos chamar isso de uma permanente dependência. A natureza do Brasil é funcionar no sistema mundial de produção de mercadoria.”

O livro está disponível gratuitamente e para compra no site da editora Expressão Popular.

 

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Águia de Ouro vence o carnaval em SP com homenagem a Paulo Freire

ter, 25/02/2020 - 18:29

A escola de samba Águia de Ouro é a grande campeã do Carnaval de São Paulo 2020 e consagra o engajamento político em todo o país do carnaval deste ano. A agremiação conquistou 269,9 pontos na avaliação de seu desempenho. Com o enredo “O poder do saber - Se saber é poder….Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, a escola homenageou o educador Paulo Freire, alvo constante de ódio do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido).

É a primeira vez que a Águia de Ouro conquista a disputa no Grupo Especial paulista. A concorrência foi acirrada com a Tatuapé, que buscava o tricampeonato. O título foi decidido no último quesito,  de alegoria, que acabou jogando a escola da zona leste para a quarta posição, terminando com 269,7 pontos. 

Ao todo, os jurados avaliaram nove quesitos de cada escola: fantasia, comissão de frente, samba-enredo, harmonia, evolução, mestre-sala e porta-bandeira, enredo, alegoria e bateria. Cada categoria teve quatro jurados, com notas de nove a 10, fracionadas em décimos.


Casal de mestre sala e porta bandeira da escola Águia de Ouro / José Cordeiro/ SPTuris

A escola Águia de Ouro, de 44 anos, do bairro Pompeia, na Zona Oeste, volta à avenida na próxima sexta-feira (28) para o Desfile das Campeãs, junto com as outras quatro primeiras colocadas do Grupo Especial: Mancha Verde, Mocidade Alegre, Acadêmicos do Tatuapé e Dragões da Real. 

X-9 Paulistana e Pérola Negra caem

As escolas X-9 Paulistana e Pérola Negra foram rebaixadas e desfilam no Grupo de Acesso do Carnaval de São Paulo no ano que vem. A X-9 Paulistana, uma das escolas mais tradicionais de São Paulo, ficou com 268,4 pontos e terminou em penúltimo lugar. A última posição foi da Pérola Negra, que tinha subido para o grupo especial ano passado e ficou com 267,6 pontos.

A X-9 Paulistana levou o enredo “Batuques para um rei coroado” para a avenida. Para explicar o poder do batuque no Brasil, a agremiação passeou por diversos ritmos, como Xaxado, Maracatu e Samba. Além disso, abriu espaço para uma homenagem às festas de São João e do Divino. A escola recebeu uma punição devido a problemas com um dos seus carros e perdeu 5 décimos de nota. Além disso, teve um mau desempenho no quesito alegoria e fantasia.

Já a Pérola Negra abriu o segundo dia de desfiles. A escola enfrentou, no último dia 10 de fevereiro, uma enchente em seu barracão, que culminou na perda de 40% das fantasias da agremiação. A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo determinou, então, que os adereços com defeitos da Pérola Negra não tirariam pontos da escola no quesito Fantasia.

Na avenida, a escola apresentou o enredo “Bartali Tcherain – A estrela cigana brilha na Pérola Negra”, que contou a história do povo cigano, mas devido a perda de pontos nos quesitos alegoria, evolução, fantasia e comissão de frente, não conseguiu se segurar no grupo especial.

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Protagonismo das mulheres e denúncia de feminicídios marcam carnaval paulistano

ter, 25/02/2020 - 17:10

O protagonismo das mulheres foi uma das marcas do carnaval paulistano deste ano. Como foliãs, instrumentistas, mestras de baterias e à frente da organização de blocos, elas coloriram as ruas de São Paulo e passaram suas mensagens sobre feminismo, do empoderamento feminino e contra o assédio.

Entre os mais de 600 blocos que desfilaram na cidade, o Pagu se destaca pelo protagonismo feminino. Com 140 ritmistas mulheres, o grupo desfilou pelas ruas do centro de São Paulo, nesta terça-feira (25).

Entre as bandeiras, estavam a igualdade entre gêneros, a liberdade feminina e a denúncia de casos de feminicídio que bateram recorde na capital paulista em 2019.

Mariana Bastos, fundadora do Bloco Pagu, conta que esse foi o primeiro ano que o grupo trouxe um tema, que foi o feminicídio. “Escolhemos a cor vermelha que está presente na vida particular de cada mulher. Na violência sofrida, no aborto que deveria ser uma questão de saúde pública, na menstruação que não é vista de forma natural”, explica.

Outro tema levantado pelo desfile carnavalesco foi o assédio sexual. As participantes entrevistadas pelo Brasil de Fato foram unânimes ao dizer o quanto se sentiam à vontade estando em um bloco feminista. “Infelizmente, quando vamos num bloco que não traz essa pauta, o assédio e as brigas são muito mais frequentes”, alertou a professora de língua portuguesa Meyre Cardoso.

Jéssica Eliana, que trabalha em uma empresa de tecnologia, ressaltou que, a partir do momento em que se vive em uma sociedade extremamente machista e misógina, onde a mulher é atacada o tempo todo, é fundamental ter um bloco para se sentir confortável vestida da forma que quiser. “É importante as mulheres se reunirem, se fortalecerem e mostrar que estão seguras juntas”. 

Com um traje inspirado na pintora mexicana Frida Kahlo, a psicóloga Sabrina Sorci levou as duas filhas pequenas para conhecer o Bloco Pagu. Para ela, a luta feminista é longa e o Carnaval é o momento de reforçar a mensagem de que a mulher tem o direito de estar onde quiser, sem ter seu corpo violado. “O ‘não é não’ significa dizer chega. Para encostar em mim, eu tenho que permitir”, disparou.

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Pagu

O Bloco Pagu desfila em seu quarto ano e o nome homenageia a jornalista, escritora e ativista política brasileira, Patrícia Galvão, a Pagu. Defensora da participação ativa da mulher na sociedade e na política, foi filiada ao PCB (Partido Comunista) e a primeira brasileira do século 20 a ser presa política, ao participar de uma greve de estivadores em Santos. 

Pagu apoiava a esquerda revolucionária e criticava as feministas de elite, e os valores das mulheres paulistas das classes dominantes.

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Artigo | A estratégia estadunidense para isolar a China, por Vijay Prashad

ter, 25/02/2020 - 16:11

Desde 2017, o governo dos Estados Unidos vem divulgando alguns relatórios e informativos sobre sua nova Estratégia Indo-Pacífico. É impossível analisar esse material e as declarações de oficiais de alto escalão de Washington, pois são em grande parte apenas frases vazias. Por exemplo, o que querem dizer quando falam que a Estratégia Indo-Pacífico vai promover “o comércio livre, justo e recíproco”? Cada um desses termos – livre, justo e recíproco – necessita elaboração. Mesmo assim, entre as centenas de páginas, não há explicação para nenhuma dessas afirmações.

O tamanho do investimento Chinês

O governo dos EUA já deixou claro que sua maior preocupação é a iniciativa chinesa chamada "Um cinturão, Uma Rota (BRI)", que já inclui mais de 70 países mundo afora. Adotada em 2013, a BRI é vista como um mecanismo para acabar com a dependência da China em mercados ocidentais e gerar novas oportunidades em outros continentes.

A iniciativa também pretende usar as enormes reservas chinesas para construir infraestrutura em partes importantes da África, Ásia e América Latina. Até 2027, segundo estimativas da Morgan Stanley, Pequim vai gastar 1,3 trilhões de dólares nesse projeto ambicioso. Até mesmo a Arábia Saudita, forte aliada dos Estados Unidos, tornou o BRI um dos focos centrais de seu plano econômico Visão Saudita 2030.

Enquanto a China gastou 68 bilhões de dólares na construção do Corredor Econômico China-Paquistão, de Xinjang até Gwadar, a Arábia Saudita investiu 10 bilhões no porto da cidade paquistanesa.

O tamanho do investimento chinês e a quantidade de países com diferentes identidades políticas participando da BRI são impressionantes. No Fórum Comercial Indo-Pacífico, em julho de 2018, sediado pelo governo norte-americano em Washington, os Estados Unidos se gabaram de ter gasto 2,9 bilhões de dólares em projetos através do Departamento de Estado e a USAID (Agência Americana de Desenvolvimento Internacional). Disseram também, ter centenas de milhões em investimentos a serem feitos pela Millenium Challenge Corporation (MCC) e a Overseas Private Investment Corporation (programas estatais com incentivo privado).

A soma de tudo que os Estados Unidos pretendem gastar em projetos econômicos não chega a uma fração da quantia que a China já gastou. Com sua atitude “América em primeiro lugar”, não existe o apetite em Washington para investir nas regiões sendo beneficiadas pelo projeto chinês BRI.

Revindicações Militares

Aparentemente, investimentos norte-americanos só virão com revindicações militares. O Nepal debate gastar ou não 500 milhões de dólares de doações da MCC. Esse dinheiro obrigará o Nepal a permitir a presença de militares estadunidenses ou até uma base no país? Isso seria contraditório para o governo comunista de Kathmandu.

Alguns anos atrás, o Nepal descobriu uma enorme reserva de urânio em Mustang, perto da fronteira com a China; com certeza despertando um maior interesse dos EUA na economia nepalesa. Se o dinheiro de Washington necessariamente vier em conjunto com uma presença militar, isso seguramente criará serias tensões nos Himalaias.

Incapaz de concorrer com a China monetariamente, o governo estadunidense está usando o argumento retórico de que respeita mais a “transparência, os direitos humanos e valores democráticos” do que Pequim, que pratica “a repressão dentro e fora do país” (trecho do documento ‘O Indo-Pacífico Livre e Aberto’, novembro de 2019).

Documentos como esse são pura retórica. É difícil imaginar os Estados Unidos sendo “transparentes” sobre seus acordos comerciais. É também difícil de imaginar Washington argumentando que não deixará países endividados.

Existem inúmeros documentos provando que o governo norte-americano criou uma crise de endividamento em massa para países de terceiro mundo nos anos 1980. Isso foi  aproveitado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) – liderado pelos EUA – e seu programa de Reajustes Estruturais, para estrangular países na África, Ásia e América Latina. Essa história ainda é viva e faz piada sobre as tentativas estadunidenses de dizer que seus métodos são superiores aos da China.

Além de tudo isso, os Estados Unidos já indicaram que não estão interessados em acordos multilaterais, já que se retiraram da Parceria Transpacífica em 2017, por exemplo. A Austrália e o Japão reclamaram, porém, logo depois, entraram na Parceria Econômica Regional Abrangente, que exclui os norte-americanos.

Em maio de 2018, Washington mudou o nome do seu comando militar no Pacífico para Comando Militar Indo-Pacífico, um gesto simbólico que dá um aspecto militar à Estratégia Indo-Pacífico. O governo de Trump deixou claro que apesar de toda sua fala sobre um “Indo-Pacífico livre e aberto”, o que realmente quer é o Indo-Pacífico com menos navios chineses e mais navios de guerra americanos.

Em 2017, pouco antes dessa mudança de nomeclatura, a Agência de Segurança Nacional disse que “a China pretende remover os Estados Unidos da região”, logo, a Estratégia Indo-Pacífico pretende lutar pelo domínio estadunidense no Oceano Índico, Pacífico e continente Asiático.

Distanciamento

Com o crescimento do aspecto militar da Estratégia Indo-Pacífico, Japão e Austrália se distanciaram de uma adesão completa ao projeto estadunidense. O Japão começou a usar o termo “Indo-Pacífico” sem se referir à “Estratégia”, enquanto a Austrália assinou uma “parceria estratégica compreensiva” com a China.

Apenas a Índia permanece fiel à agenda do presidente Donald Trump, que chega aqui com nada mais que um monte de truques. Em nenhum dos documentos publicados pelo governo americano, ou depoimentos de oficiais, discute-se a estratégia de conter a China. Existe apenas a retórica que beira territórios beligerantes.

A Índia seria sábia em estudar o projeto de Washington antes de aderir a ele com tanto entusiasmo. O espaço para uma política externa indiana independente já é pequeno e a abertura para uma política comercial independente está igualmente sufocado.

Continuar como um aliado subordinado aos Estados Unidos sugere que a Índia vai perder a oportunidade de fazer parte de uma Ásia reformulada.

O autor, Vijay Prashad, é Diretor do Tricontinental do Instituto de Pesquisa Social. Artigo publicado originalmente em The Hindu.

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"Esse foi o Jesus dos evangelhos e dos excluídos", diz monge beneditino

ter, 25/02/2020 - 13:50

No último domingo (23), a Estação Primeira de Mangueira levou para o sambódromo do Rio de Janeiro, o enredo "A verdade vos fará livre", retirando Jesus Cristo identificado com o povo pobre.

Um grupo de religiosos e religiosas assessorou a escola carioca e estiveram presentes no desfile. Um deles é o monge beneditino Marcelo Barros, que conversou com o Brasil de Fato sobre o enredo e a experiência de estar na Avenida.

Acompanhe a entrevista: 

Brasil de Fato: A Mangueira levou o "Cristo dos Pobres" para o sambódromo, na sua opinião, qual a importância dessa mensagem no Brasil atual?

Marcelo Barros: No Brasil de hoje muitas Igrejas insistem em um Cristo do poder e da discriminação social, racial e religiosa. Por isso, foi importante que a Mangueira pudesse levar para a avenida um Cristo identificado com os sem-teto, os sem-terra e todos os excluídos e excluídas da sociedade. Esse foi o Jesus dos evangelhos. 

Como você pode descrever sua experiência de assessorar a escola e desfilar na Avenida?

Entrei em um grupo de religiosos e religiosas de várias tradições espirituais e a experiência foi excelente de convívio, de colaboração e de trabalho em comum. Gostei muito dessa experiência. E foi muito gratificante sentir a gratidão de muita gente da própria escola que se sentiu apoiada e confirmada em sua opção de levar o Jesus da gente para a avenida. 


Mangueira trouxe Jesus Cristo jovem, negro e morador de favela / Gabriel Nascimento/Riotur/Fotos Públicas

 A Teologia da Libertação também esteve representada no desfile? 

Toda teologia cristã deveria ser da libertação porque Jesus se apresentou como libertador. Aceitei o desafio de, mesmo doente e com pouca mobilidade, ir para a avenida e dançar para dar esse testemunho. No nosso grupo de religiosos, eu, o pastor Edson Fernandes e a reverenda Lusmarina Campos éramos os representantes da Teologia da Libertação. Espero que esse gesto tenha uma boa repercussão e tenha alguma continuidade. 

 

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Sátira a Bolsonaro e homenagem a Elza Soares são destaques em 2º dia na Sapucaí

ter, 25/02/2020 - 09:00

Com críticas à corrupção, referências diretas ao governo de Jair Bolsonaro e celebração da diversidade, as escolas de samba que passaram pela Sapucaí nesta madrugada de segunda (24) para terça-feira (25) compartilharam um tema em comum: a exigência por justiça social. Uma homenageada da noite foi a cantora Elza Soares.

A São Clemente abriu a noite com um desfile irreverente e muitas críticas políticas. O humorista Marcelo Adnet, um dos compositores do enredo “O Conto do Vigário”, fechou a passagem da escola pela Sapucaí fantasiado de Jair Bolsonaro. Fazendo flexões e gestos de arma com as mãos, ele estava no alto de um carro alegórico adornado pelas fake news propagadas pelo capitão reformado. A bateria entrou vestida de laranjal, em alusão às suspeitas do uso de laranjas no financiamento da campanha eleitoral de Bolsonaro.  

A partir de um acontecimento do século XVIII – em que um vigário enganou o sacerdote da igreja vizinha – a São Clemente se inspirou em notícias de golpes sofridos pela população encontrada em jornais antigos. Para tratar da atualidade, a escola trouxe um pastor que promete terrenos no céu e uma ala chamada Caixa Dois, com foliões fantasiados de presidiários – um desabafo sobre como a boa fé dos brasileiros é testada cotidianamente. 

Brasil compartilhou,  viralizou, nem viu!/ E o país inteiro assim sambou/ “Caiu na fake news!”

Diversidade e inclusão no espaço urbano

Duas escolas levaram à avenida enredos que falavam sobre a concepção e a construção de cidades mais inclusivas e diversas. Cada uma a sua maneira, Vila Isabel e Unidos da Tijuca transformaram em poesia carnavalesca a construção de sociedades mais justas.

A Vila falou sobre os 60 anos de Brasília, com o enredo “Gigante Pela Própria Natureza: Jaçanã e um Índio chamado Brasil”. Conduzidas por uma lenda indígena, a construção e a consolidação da capital foram mostradas sob a perspectiva dos diversos povos que formaram a cidade e da importância dessa diversidade. 


Mestre-sala e Porta-bandeira da Vila Isabel / Foto: Gabriel Nascimento/Riotur/Fotos Públicas

“Onde nascem os sonhos”, enredo da Unidos da Tijuca, construiu o Rio de Janeiro ideal no desfile. A escola mostrou uma cidade inclusiva, justa e humanizada. Em entrevista ao Brasil de Fato, o historiador André Diniz – um dos compositores do samba – afirmou que foi proposital a escolha da letra em primeira pessoa, como forma de aproximar a comunidade do debate tratado na avenida.

“A sinopse da escola era sobre a história da arquitetura brasileira, passando pelas mazelas do Rio de Janeiro e pelo sonho de ter uma moradia mais digna, uma cidade mais justa. O nosso problema era que a gente não sabia se a comunidade ia cantar aquilo com pertencimento. A nossa sacada foi tentar fazer a comunidade perceber que aquela é a realidade dela. Quando a gente bota o samba na primeira pessoa, onde quem canta fala “Eu sou favela”, aí você tenta pegar o coração da pessoa.”

A minha felicidade mora nesse lugar/ Eu sou favela/ O samba no compasso é mutirão de amor/ Dignidade não é luxo nem favor

Benjamin de Oliveira e Elza Soares: arte do povo preto na avenida

A vida do primeiro palhaço negro do Brasil foi contada pelo Salgueiro. Benjamin de Oliveira, filho de uma escrava liberta e de um capitão do mato fugiu de casa, no interior de Minas Gerais,  ainda criança para se juntar ao circo. A trajetória dele, que se tornou uma referência das artes cênicas do Brasil, foi contada com elementos que remetiam à luta do povo preto .

Na corda bamba da vida me criei/ Mas qual o negro não sonhou com liberdade?/ Tantas vezes perdido, me encontrei/ Do meu trapézio saltei num voo pra felicidade

Levada à avenida como uma deusa com origem no povo, Elza Soares foi homenageada pelo enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel.  O desfile foi marcado por elementos que celebraram o empoderamento feminino.  

Por meio da história da cantora, a escola cantou a vida de mulheres trabalhadoras. Um dos carros alegóricos listava os obstáculos que fizeram parte da vida da artista, comuns a muitas mulheres, entre eles a misoginia, o machismo e o racismo. A tolerância e o sincretismo das religiões foram celebrados na letra do samba e em outro carro, que trazia a frase “Exu te ama”.


Elza Soares encerra o desfile da Mocidade / Foto: Mauro Pimentel/AFP

Aos 90 anos, Elza fechou o desfile da Mocidade em um carro alegórico que exigia cultura, educação, saúde e respeito à diversidade. Uma faixa em letras gigantes avisava: 

Nós não vamos sucumbir.

A rua é do povo

Exu também esteve presente no desfile da Beija-Flor, que fechou o último dia de Carnaval no Rio com uma celebração às ruas. Com alas e carros alegóricos que falavam sobre os caminhos e estradas percorridos pela humanidade, a escola ressaltou a todo o momento que a rua pertence ao povo.

O samba enredo também celebrava Exu. Nas religiões de matriz africana, a entidade é responsável por abrir passagens e permitir a comunicação. Na voz de Neguinho da Beija-Flor, Exu esteve presente como o protetor.

É bom lembrar, eu não estou sozinho/ Ê laroyê ina Mojubá/ Adakê Exu ôôô/ Segura o povo que o povo é o dono da rua

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