Brasil de Fato

Divulgar conteúdo
Uma visão popular do Brasil e do mundo
Atualizado: 14 minutos 19 segundos atrás

Livro-Agenda do NPC de 2019 tem como tema a educação

qua, 10/10/2018 - 16:37
TRANSFORMAÇÃO Publicação registra, dia a dia, mobilizações por um ensino crítico e transformador no Brasil e no mundo Sheila Jacob | O livro-agenda é destinado a todos os trabalhadores que desejam conhecer essa importante história de lutas e resistência Divulgação

Trabalhadores e trabalhadoras do Brasil estão passando por um momento de duros retrocessos, tanto na área dos direitos quanto na questão dos valores e costumes. E a educação tem um papel fundamental na resistência a esses ataques. Por esse motivo, o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), ao preparar o seu tradicional livro-agenda de 2019, escolheu abordar um tema inédito: “Educação: uma luta de todos nós”. 

Com esse material, procura-se registrar as inúmeras lutas, no Brasil e no mundo, por um novo modelo de ensino. Um ensino que seja crítico, libertário, comprometido com uma visão transformadora de mundo. Um ensino que se contraponha à reprodução de preconceitos e que se preocupe com a formação integral do aluno, voltada à cidadania e ao respeito à diversidade.

Como nos outros anos, a cada dia do calendário são apresentados um ou dois fatos ocorridos naquela data, de acordo com o tema da agenda, neste ano, educação. A cada página estão registradas as lutas pela valorização das condições de trabalho de educadores e educadoras de norte a sul do Brasil, com o destaque para as mobilizações dos sindicatos. Aqui estão os professores da época do Brasil Imperial, os da República, os anarquistas, os comunistas, os da Escola Nova. E as inúmeras lutas dos estudantes. Além disso, são recuperadas as trajetórias de grandes lutadores pela educação no Brasil e no mundo, como Paulo Freire, Maria Nilde Mascellani, Anísio Teixeira, Nísia Floresta, Maria Montessori, Jean Piaget, Antonieta de Barros e Francisco Ferrer.

A agenda é destinada a professores, estudantes, pesquisadores, sindicalistas, lutadores, ativistas sociais e todos os trabalhadores que desejam conhecer essa importante história de lutas e resistência. Isso é fundamental para aqueles que desejam se fortalecer para os muitos desafios que estão colocados no presente. As agendas custam R$ 30,00 e já podem ser encomendadas pelo e-mail npiratininga@piratininga.org.br

A partir de 15 de outubro, elas poderão ser compradas na Cinelândia, no Espaço Gramsci. O endereço é Rua Alcindo Guanabara, 17, térreo, Cinelândia (ao lado do teatro Dulcina).

Serviço

Livro-agenda do NPC de 2019 – Educação: uma luta de todos nós
R$ 30,00 (unidade)
À venda no Espaço Gramsci: Rua Alcindo Guanabara, 17, térreo, Cinelândia
Encomendas pelo e-mail: livraria@piratininga.org.br

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Sérgio Mamberti: "Nunca poderemos descansar enquanto houver injustiça"

qua, 10/10/2018 - 16:23
Democracia Ator e diretor brasileiro comenta o cenário atual e defende a centralidade da cultura para retomar a democracia Mayara Paixão | Sérgio Mamberti, 79 anos, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) Foto: Divulgação/PT

O dia 7 de outubro, quando foi realizado o primeiro turno das eleições gerais de 2018, também foi marcado pelos seis meses de prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR).

A democracia brasileira, já fragilizada pelos dois anos de retirada de direitos sociais com o governo golpista de Michel Temer (MDB), se vê na corda bamba entre um projeto popular e democrático com a candidatura de Fernando Haddad (PT), e o projeto conservador de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL).

Quem está atento a isso e tem se somado a diferentes mobilizações pelo país é o ator e diretor Sérgio Mamberti, lembrado pela memória afetiva de muitos como o feiticeiro Doutor Victor, do Castelo Rá-Tim-Bum, programa infantil da TV Cultura. Em entrevista concedida à Rádio Brasil de Fato, ele defende que a cultura deve ter centralidade em qualquer projeto que anseie retomar o Estado de direito e também comenta o significado de Lula para a história do Brasil.

“A cultura é fundamental para fazer com que a democracia floresça”, afirma. Para Mamberti, a saída é resistir.

Confira, a seguir, a entrevista:

Brasil de Fato – Ao longo destes dois anos de governo Temer, o Fundo Nacional de Cultura já teve 43% de seu orçamento enxugado. Mais recentemente, em agosto, foi publicada a Medida Provisória 841, que reduz novamente a verba do Fundo, desta vez para repassá-la à segurança pública. Qual a situação do fomento à cultura hoje no país?

Sérgio Mamberti -- Isso foi apenas mais um dos golpes que a cultura sofreu desde o início dessa tomada do poder extremamente ilegítima e grave depois de todas as conquistas que nós tivemos no sentido da redemocratização do nosso país.

Certamente, a cultura foi ameaçada desde o primeiro momento, com a extinção do próprio Ministério da Cultura por duas vezes. Na primeira, chegou a ser extinto e reabilitado, mas já fragilizado de uma tal forma que foi precarizado o seu orçamento e com ministros que não tinham a menor representatividade.

O fomento à cultura está absolutamente precarizado em todos os níveis. O Ministério está sem legitimidade e, certamente, em um governo que realmente retome o Estado de direito, a cultura, na minha opinião, tem que ocupar uma centralidade, porque sabemos que cultura é resistência, é identidade.

É através do processo cultural que a gente constrói o processo democrático, a cultura é fundamental para fazer com que a democracia floresça. Na medida em que nós não temos uma comunicação democrática – o que também faz parte de qualquer governo que assuma o poder com a bandeira de redemocratização do país - vamos ter que falar muito seriamente de comunicação.

Falamos muito de cultura, de educação, mas a comunicação também é absolutamente estratégica, não à toa o Ministério da Cultura da França é da Cultura e da Informação.

Mas a cultura tem esse caráter de resistência desde sempre. Estamos resistindo bravamente, erguendo a nossa voz em favor do estado de direito, por Lula Livre, por eleições democríticas e, no momento, Haddad é o nosso foco. Estamos tentando recuperar através do voto aquilo que nos foi tirado de uma forma tão traiçoeira.

O senhor esteve presente no processo de fundação do Partido dos Trabalhadores. Como já disse em outra oportunidade, o PT nasce, na década de 1980, com uma união entre artistas, intelectuais e operários. Hoje o senhor tem participado de diferentes manifestações públicas promovidas pelo PT no país. Como enxerga a importância de a classe artística estar mobilizada? 

Mais importante do que nunca. Até mesmo a nossa regulamentação, que foi conseguida a duras penas em 1979, e que alicerça inclusive a Lei de Direito Autoral, a ministra Carmen Lúcia é relatora de um projeto que tenta desregulamentar a profissão. A gente só pode fazer com que a cultura floresça dentro de um regime que respeite o Estado de direito. 

Isso também tem ajudado a conscientizar muitos artistas, que talvez estivessem um pouco hesitantes, pelo fato até de cansarem um pouco pensando 'as conquistas estão aí, então agora é tocar o barco', e não queriam estar muito presentes nas reivindicações e mobilizações democráticas. 

Como tem visto a corrida eleitoral e a prisão política do ex-presidente Lula, que já ultrapassa seus seis meses?

Tem muita demonização do processo político, dizendo que a política é um espaço de corrupção, de tramoias. Eu vi esses dias uma declaração do papa indo exatamente na direção contrária, ele dizia que a política tem uma dimensão maior e que a gente não pode se eximir de participar politicamente. Foi linda a manifestação.

A gente está nessa luta, que é difícil, não se sabe exatamente o que corre atrás do plano. Temos visto um crescimento grande da candidatura Haddad apesar do nosso grande líder estar preso injustamente, e acho que também é uma missão nossa, temos que lutar pela liberdade dele porque ele é inocente.

E acho que isso também faz parte da preocupação dos artistas, porque uma liderança como ele não pode estar contingenciada a ponto de não poder nem dar entrevista.

Qual o significado do ex-presidente Lula para o Brasil?

Cada vez mais Lula se consagra talvez como o maior líder ocidental em defesa dos princípios democráticos. Mundialmente, o Lula é reconhecido hoje como um homem que representa o que Mandela representou no século passado, e não estou fazendo nenhum tipo de opinião pessoal.

Esse obscurantismo que nós estamos vivendo aqui hoje também se traduz em termos e forças internacionais, muito poderosas no sentido de manutenção de privilégios. Só me lembro de um embate como esses. Quando eu era pequeno, nasci em 1939, no meio da luta contra o nazismo e o que ele significava, e como meus pais, que eram pessoas esclarecidas, conversavam e também nos contavam dizendo que se nós não derrotássemos Hitler, a gente teria um mundo no qual não se poderia prever as consequências do que aconteceria.

Todo esse esforço e preocupação de que essas forças que estavam ali lutando na Europa no sentido desse domínio do fascismo e de ideias totalitárias onde a representação popular praticamente não existem fossem derrotadas. Nós não podemos esmorecer em nenhum momento, porque a luta para a manutenção do estado democrático é permanente da sociedade e da civilização.

Nunca poderemos descansar enquanto houver injustiça. Acho que é isso que nos alimenta e faz com que a gente tenha essa reação diante de tanto desmando, e o Lula é símbolo dessa resistência.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Qual a atual situação política e econômica da Argentina?

qua, 10/10/2018 - 16:10
FALA AÍ O argentino Leandro Morgenfeld, historiador e professor da Universidad de Buenos Aires, responde a questão Letícia Sepúlveda | Presidente da Argentina, Mauricio Macri, em visita ao Senado Federal brasileiro Marcelo Camargo/Agência Brasil

Atualmente, a Argentina sofre com o aumento da pobreza, do desemprego e o crescimento da inflação. O peso argentino passa por  desvalorização frente ao dólar e já perdeu metade de seu valor. Em junho, Mauricio Macri, presidente do país, firmou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), para o empréstimo de US$ 50 bilhões. Este é o maior recurso já negociado pela Argentina com o FMI. 

Na edição desta semana, Maira Carnevali, de Santa Catarina, quer entender o que está acontecendo no país vizinho.

"Oi, meu nome é Maira Carnevali, sou de Santa Catarina, gostaria de saber um pouco mais sobre a situação política e econômica da Argentina."

Leandro Morgenfeld, historiador e professor da Universidad de Buenos Aires: "Oi Maira, como vai? Obrigado pela sua pergunta. A economia da Argentina vai cair 2,5% neste ano, temos uma inflação que vai chegar a até 45% e o dólar, que tinha uma cotação de 19 pesos no início do ano, já ultrapassou os 40 pesos. Há uma desvalorização da nossa moeda de mais de 100%,o que gera um aumento da pobreza e uma queda ainda maior da economia no próximo ano, segundo os analistas. É uma situação econômica e social ruim para a Argentina. É a pior crise econômica desde a crise dos anos 2000 e 2002, quando também havia uma instabilidade política.

A situação política é incerta e bem complexa. O governo de Macri tinha a expectativa de ser reeleito sem problemas no próximo ano e agora a discussão é se Macri vai poder chegar até o final de seu mandato, que é em dezembro do próximo ano. Ele (Macri) tem uma situação política e econômica complicada para estabilizar, o que dificulta uma reeleição no próximo ano. A oposição tem muita expectativa de poder derrotar o governo neoliberal de Macri, por isso há uma expectativa no que está acontecendo no Brasil. Depois das eleições no México, com a vitória do López Obrador (AMLO - centro esquerda), e se o candidato Bolsonaro for derrotado, isso significaria que temos um contexto político na região de recessão dos governos de direita, dos governos neoliberais.

Na Argentina temos uma previsão de resistência e de luta contra esses governos e contra suas políticas econômicas, porque o FMI tem uma péssima imagem no país. O acordo firmado produziu uma imagem negativa do presidente Macri, que está em queda nos últimos nove meses.  Temos expectativa de mudança política no próximo ano."

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Metalúrgicos fazem greve por tempo indeterminado no Cabo de Santo Agostinho

qua, 10/10/2018 - 15:35
REIVINDICAÇÃO Greve foi motivada por negativas ao reajuste do Vale Alimentação da categoria Da Redação | Cerca de 100 trabalhadores e trabalhadoras paralisaram as atividades SINDMETAL PE

Na madrugada desta quarta (10) mais de 100 trabalhadores e trabalhadoras paralisaram as atividades na empresa Gri (Gestamp) no Cabo de Santo Agostinho, em protesto ao não reajuste do Vale Alimentação, que vem há quatros sem aumento.

O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Pernambuco declarou que a medida foi tomada devido a tentativas frustradas de negociação com a empresa. Ao todo 320 funcionários ficarão sem trabalhar até que tenham sua reivindicação atendida.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Santa Catarina e Paraná somam 82 casos de assédio a trabalhadores durante as eleições

qua, 10/10/2018 - 14:33
Direitos Donos das lojas Havan e dos supermercados Condor foram notificados pelo MPT por coagir funcionários a votar em Bolsonaro Júlia Rohden | No dia 2 de outubro, cinco dias antes do primeiro turno, Luciano Hang publicou imagem com funcionários da Havan e camiseta de Bolsonaro Foto: Reprodução Twitter

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Santa Catarina e no Paraná registrou 82 denúncias de trabalhadores coagidos pelos patrões a declarar voto a um candidato de preferência da empresa nas eleições deste ano. Em ambos os estados, o candidato da extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) foi o candidato mais votado no primeiro turno.

Foram 64 denúncias contra 15 empresas catarinenses e outras 18 no Paraná, relacionadas a oito empresas. Uma semana antes do primeiro turno, dois casos ganharam repercussão.

O primeiro foi um vídeo publicado por Luciano Hang, dono da Havan -- empresa do setor varejista com sede em Santa Catarina. O segundo foi uma carta de Pedro Zonta, presidente da rede de supermercados Condor, que tem 12 mil empregados no Paraná. Ambos coagiram seus funcionários a votar no candidato do PSL.

A procuradora Cristiane Lopes do MPT do Paraná avalia que essa é uma prática peculiar destas eleições. A procuradora do MPT de Santa Catarina, Marcia Cristina Kamei Lopez Aliaga, também afirma que não há denúncias semelhantes em eleições anteriores. 

O advogado Prudente Mello acrescenta que o uso de redes sociais de grandes empresários para coagir os trabalhadores tende a influenciar pequenos empresários. “Esse empresário, Luciano Hang, quer dizer: nossos empregados são nossos e tem que cumprir aquilo que eu estou impondo, ou vão ser demitidos. O discurso levado têm essa noção e, ao fazer isso abertamente, tem como função induzir tantos outros empresários a essa lógica para que adotem igual comportamento”, analisa.

O advogado lembra que os empresários romperam com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e com a Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante a liberdade política de empregados.

Trabalhadores que identifiquem essa situação podem denunciar os casos no portal do Ministério Público do Trabalho.

Voto de cabresto

O historiador Jorge Barcellos aponta que, tradicionalmente, as elites atuavam na política financiando campanhas ou ocupando cargos do poder. “O sentido da sua atuação de exercício de poder era as instituições e não os cidadãos. Acredito que isso é um dos elementos que começa a se agregar como ingrediente complicador dessas reformas neoliberais”, aponta.

Barcellos ressalta a relação de poder do dono da empresa em relação ao funcionário, especialmente em um período de alto índice de desemprego. Para o historiador, é possível comparar a postura adotada pelos donos da Havan e do Condor com a prática conhecida como “voto do cabresto”, usada na República Velha pela elite proprietária de terras para coagir o voto dos empregados.

“A Nova República está tendo continuidade em uma nova etapa ao retorno da República Velha”, afirma. "Nós nunca estivemos tão perto do nosso início, como sociedade democrática, como estamos agora", emenda o historiador, em referência aos retrocessos sociais no Brasil.

Professor da universidade Cesusc, Prudente Mello defende que atitudes como de Luciano Hang e Pedro Zonta impõem medo aos trabalhadores. “Já vivemos uma sociedade do medo, determinada a partir da estrutura de poder que, com a reforma trabalhista, veio ainda a agravar as relações capital-trabalho. Esse tipo de comportamento é realmente um processo que traz a determinação de como as classes dominantes, em especial os grandes empregadores, estão se relacionando com os trabalhadores”, avalia.

Vídeos do dono da Havan

Em publicação em sua página oficial no Facebook, Luciano Hang publicou no dia 5 de outubro uma montagem criticando as ações do Ministério Público do Trabalho. Na imagem, o rosto de Hang é associado a figura do professor Xavier, personagem da série X-Men, como alguns de seus seguidores o chamam. Na montagem está escrito: “Temos um mutante entre nós. A Justiça do Trabalho diz que ele controla mentes" -- alusão ao personagem fictício, capaz de manipular pensamentos.

No mesmo dia, uma decisão judicial obrigou Hang a publicar em sua página a determinação judicial que o proíbe “de adotar quaisquer condutas que, por meio de assédio moral, discriminação, violação da intimidade ou abuso de poder diretivo, intentem coagir, intimidar e/ou influenciar o voto de quaisquer de seus empregados à Presidência da República”.

Após a decisão de primeira instância do juiz Carlos Alberto de Castro, Luciano Hang entrou com recurso. No entanto, o desembargador federal do trabalho Gilmar Cavalieri determinou que a determinação inicial fosse cumprida, sob pena de multa de R$ 500 mil.

O caso ganhou repercussão na mídia a partir da divulgação do vídeo no qual Hang reuniu os trabalhadores da Havan na sede da empresa, em Brusque (SC). No vídeo, todos os empregados vestem blusa verde com escrito “o Brasil que queremos só depende de nós”.

O empresário afirma que realizou pesquisas entre os funcionários e constatou que 30% deles votariam em branco ou anulariam seu voto. Ele ainda questiona trabalhadores se, em caso de resultado eleitoral diferente da vitória de Bolsonaro: “Você está preparado para sair da Havan? Você está preparado para ganhar a conta da Havan? Você que sonha em ser líder, gerente, e crescer com a Havan, você já imaginou que tudo isso pode acabar no dia 7 de outubro? E que a Havan pode um dia fechar as portas e demitir os 15 mil colaboradores?".

O advogado Prudente Mello ressalta que o ato viola a liberdade política dos trabalhadores definirem livremente seu voto. “Ele coagiu, ele exerceu esse processo com ameaça efetiva de demissão desses trabalhadores caso não votassem ou caso votassem em um candidato oposto a visão política que ele tem”, diz.

Carta do dono do supermercado Condor

No estado vizinho, o presidente do grupo Condor, Pedro Joanir Zonta, enviou aos funcionários uma carta declarando apoio a Bolsonaro, com críticas à esquerda e se comprometendo a não cortar o 13º salário e férias, em referência ao comentário do vice do PSL, General Mourão, que alegou ser um peso pagar esses direitos aos trabalhadores.

A procuradora Cristiane Sbalqueiro Lopes, do Ministério Público do Trabalho do Paraná, encaminhou uma notificação à Zonta para uma audiência. De acordo com ela, o conteúdo da carta pode ser interpretado como uma promessa de vantagem em razão a determinado posicionamento político. “Nos momentos que antecedem uma eleição, não pode fazer promessa. Por um lado, é crime eleitoral por promessa de vantagem, e por outro lado é crime eleitoral por coação”, afirma.

Lopes ressalta que, diferentemente de Luciano Hang, o dono dos supermercados Condor imediatamente se retratou pelas redes sociais e pelo site da rede de supermercados e assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Frente Brasil Popular organiza plenária lotada em BH

qua, 10/10/2018 - 14:26
Resistência Panfletagens direcionadas e “mudança de foco” serão tônicas da campanha de Haddad na capital mineira Rafaella Dotta | A maior parte das falas focou na mudança de discurso, para que os materiais de campanha e a militância saiam do campo moral Foto: José Geraldo

Na noite de terça (9), aconteceu uma plenária lotada da Frente Brasil Popular em Belo Horizonte. Cerca de 200 pessoas ocuparam o auditório do Sindicato dos Servidores de Belo Horizonte (Sindibel), no centro da cidade. O objetivo foi pensar as estratégias de campanha para as três semanas que nos separam do segundo turno para presidência da República.

Para o arquiteto e músico Augusto Brant, que foi pela primeira vez a uma plenária da Frente, o momento é de se encontrar e reconstituir forças. “Eu vim porque estava precisando compartilhar esse sentimento, é uma tendência digital de que a gente se isole”, declara. “Foi legal para captar a diversidade que está no ar. Eu estou muito ligado em pensar no que eu e pessoas que estão perto de mim podem fazer para ser mais potentes”.

A maior parte das falas focou na mudança de discurso, para que os materiais de campanha e a militância saia do campo moral e passe a mostrar as propostas econômicas e de políticas públicas de ambos os candidatos. Os apoiadores de Fernando Haddad (PT) fizeram também uma forte autocrítica, de que o candidato precisa ser mais apresentado ao eleitorado, que, na opinião deles, ainda não o conhece bem.

Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT MG), informou que a central está realizando um mapeamento dos votos brancos, nulos e abstenções na cidade de Belo Horizonte. A plenária decidiu que as panfletagens serão direcionadas a estes locais. “Nosso inimigo tem uma outra face, que não é meramente eleitoral, que a gente enfrentou no último período. E se apresenta ao povo de forma muito sedutora. Nós precisamos sair das bolhas e conversar com essas pessoas”, defende Beatriz.

A partir de hoje, a campanha de Fernando Haddad (PT) e Manuela D’ávila (PCdoB) vai contar com uma barraca permanente na Praça Sete – que é o cruzamento das duas principais avenidas belo horizontinas. Porém, a panfletagem deve ser permanente e feita em centros de saúde, UPAs, centros de ensino e periferias.

Ações da cultura se multiplicam

Na segunda (8), artistas e apoiadores da cultura também se reuniram para pensar o segundo turno. A reunião abarrotou o Teatro Cidade, no centro da capaital, em uma articulação que não é vista desde 2015, nas mobilizações contra o golpe e contra as medidas de Michel Temer. Foi pensado um manifesto de intelectuais e artistas, além de ações de comunicação. Na terça (9), se reuniu também o movimento Menos Palácio Mais Artes, dos alunos do Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado.

Veja a agenda de mobilizações em BH, resultado da plenária da Frente Brasil Popular:

QUARTA-FEIRA – 10 de outubro

Instalação da barraca pela democracia na Praça Sete – permanente ao longo de todo o 2º turno. 

15h – Reunião de jornalistas dos sindicatos cutistas – na CUT, rua Curitiba

18h – Assembleia Saúde pela Democracia – DAAB / UFMG – av. Alfredo Balena

18h – Plenária Haddad Presidente – no Comitê Haddad Presidente, Rua Timbiras, 2.627

18:30h – Reunião das mulheres para construção do ato #HaddadSim #EleNão – na Consulta Popular, Rua Tupinambás, 179, sala 99

19h – Reunião aberta #EleNão – na Praça da Estação

QUINTA-FEIRA – 11 de outubro

10:30h e 17:30h – Plenária de organização da Campanha Haddad Presidente na PUC Coração Eucarístico – Prainha

11h e 18:30h – Plenária de organização da Campanha Haddad Presidente na UFMG – na Arena da FAFICH / UFMG

19h – Reunião dos comunicadores e jornalistas com Haddad – Sindibel, av. Afonso Pena 726, 18º andar

19h – Reunião Periferia e Cultura Urbanas pela Democracia – Sindicato dos Jornalistas, av. Alvares Cabral 400

SEGUNDA-FEIRA – 15 de outubro

19h – 2ª Reunião da cultura contra o fascismo

TERÇA-FEIRA – 16 de outubro

19h – Reunião geral de mobilização da cultura – “A Central” – na Praça da Estação 104

SÁBADO – 20 de outubro

12h – Ato nacional #HaddadEManuelaSim #EleNão – Praça Sete

QUARTA-FEIRA – 24 de outubro

18h – Festival Livre – no Armazém do Campo – av. Augusto de Lima com av. do Contorno
 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Ouça o Programa Brasil de Fato – Rio de Janeiro – 09/10/18

qua, 10/10/2018 - 13:36
Rádio As campanhas no segundo turno e a luta das mulheres contra o racismo nas próximas legislaturas são destaques da edição Redação | Cresce o número de mulheres eleitas para o Congresso e para as Assembleias Legislativas em 2019 Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O programa da última terça-feira (10) continua a repercutir os resultados do primeiro turno das eleições. Na disputa pelo Governo do Rio, as polêmicas envolvendo o candidato do PSC, Wilson Witzel, e no legislativo estadual e nacional, as perspectivas para as lutas em defesa dos direitos humanos.

Viviane Tavares, jornalista da Eté Checagem, esclarece as dúvidas sobre a foto em que o candidato a governador Wilson Witzel aparece ao lado de deputados do PSL que rasgaram placa feita em homenagem a Marielle Franco.

Em entrevista, Talíria Petrone, vereadora de Niterói e deputada federal eleita para 2019 pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), fala sobre a expectativa de atuação no Congresso e sobre os desafios no diálogo com as eleitoras de correntes conservadoras e autoritárias.

No quadro “As lutas dos trabalhadores no Brasil”, conheça histórias e personagens da comunicação popular brasileira. 

E, no quadro “Dicas Mastigadas”, uma lista de chás para aliviar a tensão.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Roger Waters, ex Pink Floyd, protesta contra Bolsonaro en show en São Paulo: Resistan

qua, 10/10/2018 - 12:17
CULTURA Músico alerta sobre amenaza fascista en el mundo, exhibe "#ElNo" en pantalla y provoca reacción "ensordecedora" Redacción RBA | Ex músico de la banda inglesa Pink Floyd, Roger Waters manifiesta su apoyo a la democracia y repudio al fascismo durante show Manuela D'Avila/Facebook/Reproducción

En su show en la noche de este martes (9) en São Paulo, el ex integrante de la banda inglesa de rock Pink Floyd, Roger Waters, exhibió en la pantalla sobre el escenario mensajes de alerta contra la ola fascista que ocurre en varios países del mundo, incluyendo Brasil y el candidato a presidente Jair Bolsonaro. Waters dijo: "Ustedes tienen una elección muy importante de aquí a tres semanas. Se que eso no es mi asunto, pero siempre debemos combatir al fascismo. No pueden ser conducidos por alguien que cree que una dictadura militar puede ser algo bueno". 

En reportaje, el periódico Folha de S.Paulo afirma que, durante la ejecución de la canción "Eclipse", cerca del final del show, las palabras "#ELE NÃO" [#EL NO] fueron exhibidas en la pantalla. "La reacción fue ensordecedora. Las casi 40 mil personas en el estadio produjeron una mezcla de pocos aplausos y muchos abucheos". Relatos en las redes sociales afirman que las manifestaciones estaban igualmente divididas entre favorables y contrarias a la manifestación de Waters.

Según la nota, "en determinado momento, el texto en la pantalla pidió resistencia contra los neofascistas, exhibiendo una lista de países, destacando un político de cada lugar. Al lado de, entre otros, el presidente estadounidense Donald Trump y la líder de la extrema derecha francesa, Marie Le Pen, aparecieron los nombres de Brasil y Jair Bolsonaro completando la lista.

Waters se presenta nuevamente en el Allianz Parque la noche de este miércoles (10). Después su gira sigue hacia Brasilia (día 13), Salvador (17), Belo Horizonte (21), Rio (24), Curitiba (27) y Porto Alegre (30).

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Pior versão da Reforma da Previdência pode ser votada na surdina, alerta especialista

qua, 10/10/2018 - 11:57
Golpe Advogado Ludimar Rafanhin acredita que Temer tem pressa e pode tentar viabilizar aprovação logo após as eleições Ana Carolina Caldas | "Temos hoje o candidato Bolsonaro defendendo a retirada de direitos dos trabalhadores. A bancada do partido dele é uma das maiores." Reprodução

Em entrevista para o jornal Brasil de Fato Paraná, o advogado e especialista em Direito Público e Previdência Pública, Ludimar Rafanhin, faz um alerta sobre os perigos da aprovação da Reforma da Previdência. Para ele, Temer tem pressa e pode, logo após o resultado das eleições, movimentar aprovação na surdina.

BdF - O “fim de feira” do Governo Temer inclui a intenção de aprovar a toque de caixa a Reforma da Previdência. Qual sua análise sobre isso?

O próprio Temer já disse que fará conversas imediatamente após o fim das eleições para aprovar a Reforma da Previdência. E, com a pressa que ele está, pode ser votada na surdina a pior versão da Reforma da Previdência, sem as alterações conseguidas com a luta de sindicatos, por exemplo.

BdF - De que forma impactará na vida dos trabalhadores brasileiros?

Entendo que se é para discutir previdência, tem que se falar em financiamento e não em retirar direitos dos trabalhadores. E, sendo aprovada a Reforma, teremos 65 anos como idade para aposentadoria, a exigência de 49 anos de contribuição para se aposentar na integralidade, obrigar trabalhadores rurais a fazerem contribuição previdenciária mensal, o que não acontece hoje. Enfim, serão inúmeros retrocessos de muitas lutas que foram feitas para que o trabalhador não seja quem tenha que ser prejudicado para resolver as contas públicas.

BdF - Qual é a importância das eleições para este tema

Temos hoje o candidato Bolsonaro defendendo a retirada de direitos dos trabalhadores. A bancada do partido dele é uma das maiores. Por isso, é preciso garantir a eleição de Haddad para que esta reforma não avance.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Artigo | A face horrenda da nova extrema direita

qua, 10/10/2018 - 11:55
ELEIÇÕES É preciso ir além do momento e organizar-nos socialmente para resistir em todos os espaços onde o povo brasileiro esteja Bruno Lima Rocha * | Milhões de pessoas em todo o Brasil já foram às ruas em atos contra o fascismo Foto: Alexandre Garcia

O Brasil adentra a campanha de segundo turno com uma evidente ameaça protofascista através do candidato favorito, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Na esteira da “onda conservadora” que o cerca, a minúscula legenda se transforma na segunda maior bancada do Congresso, contando com parlamentares que beiram o grotesco degenerado. Tem ator pornô, apresentador de TV local, âncoras do PIG, passando até pela decadente extinta realeza do segundo reinado. Alguns podem falar que se trata da “renovação da política”, mas vejo como um jogo de oportunidades, onde o pior do país ganhou nova roupagem.

As subcelebridades da nova-extrema-direita foram também impulsionadas pela estrutura das empresas de exploração da fé alheia, autodenominadas “igrejas”. Especificamente falo dos ‘’conglomerados econômicos comandados por “pastores”, que pregam a Teologia da Prosperidade e uma mescla de adoração ao Bezerro de Ouro e um culto ao individualismo burguês como forma de sobrevivência na pobreza metropolitana. O “novo normal” da política é o discurso do “sagrado”, como forma de alimentar a guerra cultural, cujo ícone maior é um ex-astrólogo auto exilado nos Estados Unidos, o patético Olavo de Carvalho.

Por mais que pareça ridículo e absurdo (e de fato é), também é a soma de todos os medos vindos da latrina da política mesclada com a sarjeta da alta sociedade. Uma parte relevante dos especuladores e do empresariado se somou nesta aventura restauradora e reacionária e hoje babam de ódio contra as conquistas populares. As acusações de crime eleitoral por abuso de poder empresarial nos locais de trabalho passaram de 120 até a quinta-feira anterior ao pleito de 7 de outubro. Imaginem o que vem por aí?

Mas não basta constatar a face horrenda da direita desavergonhada do mal banalizado. É preciso ir além do momento e organizar-nos socialmente para resistir em todos os espaços onde o povo brasileiro esteja. Como diz a letra do poeta Zé Pinto: “porque nós somos a maioria e vai chegar o dia de um novo amanhecer!”.

Bruno Lima Rocha é cientista político

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Artigo | Como a fala desconexa de Bolsonaro cria unidade contra um inimigo comum

qua, 10/10/2018 - 11:23
Eleições Limitações e deficiências do discurso do presidenciável são, na verdade, sua maior vantagem para unificar eleitorado Rafael Tatemoto | Bolsonaro não só tem forte presença digital, mas também pensa e se articula de forma não-analógica Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Há perguntas que inquietam o eleitorado que rechaça Jair Bolsonaro: como uma campanha baseada em notícias falsas e com um candidato que discursa de forma tão desconexa é capaz de atrair uma parcela significativa da população? Como grande parte do povo brasileiro foi capaz de aderir a uma plataforma abertamente machista, homofóbica, racista e elitista? O segredo do presidenciável do PSL é justamente esse: ninguém aderiu ao pacote completo.

As supostas fragilidades de Bolsonaro enquanto candidato são, na verdade, sua principal vantagem. Com pouco tempo de televisão e parco volume de dinheiro investido em campanha digital, ao menos oficialmente, a candidatura de extrema direita conta, por outro lado, com uma massa de ativistas digitais. A relação entre a campanha “apócrifa” e a oficial ainda não é exatamente clara. O que mais salta aos olhos, entretanto, não é apenas o método escolhido por ele, mas sim a adequação quase perfeita de forma e conteúdo, e entre campanha digital e sua linha política. 

Seu discurso -- capaz de citar em uma mesma fala um versículo bíblico, o combate à corrupção, a redução da maioridade penal e a questão de gênero – não é linear em termos racionais tradicionais. Não apresenta encadeamento de fatos e análises. Não desenvolve conclusões a partir de premissas. Não estabelece relações de causa e consequência verificáveis. Esse mosaico fragmentado que é sua retórica indica que Bolsonaro não só tem forte presença digital, mas também pensa e se articula de forma não-analógica. 

Com sua narrativa fragmentada, é capaz de amalgamar diversos setores que, entre os cidadãos comuns, não teriam razões imediatas para se relacionar. Por que alguém preocupado com a corrupção deveria automaticamente se associar com a defesa do agronegócio, quando a realidade apresenta diversos indícios em contrário? O modelo de discurso bolsonarista simplesmente elenca uma séria de temas, permitindo que boa parte do eleitorado tenha ao menos uma preocupação compartilhada com sua plataforma. Os outros tópicos são absorvidos de forma secundarizada.

Seu estilo exagerado e “brincalhão”, de forma complementar, cria uma visão tão insólita de mundo que aquele que escolhe um tópico de seu discurso pode desacreditar dos outros, ou ao menos levar menos a sério. Obviamente, ainda que haja em sua fileiras até mesmo neonazistas, nem todo eleitor de Bolsonaro acredita que gays devam apanhar, ainda que tenda a acreditar que os LGBTs são privilegiados.

Realidade

Bolsonaro, que se ampara no medo e no ressentimento social e os estimula, foi capaz de juntar diversos setores sob o signo de um inimigo comum. Trata-se de uma operação ideológica no sentido estrito da palavra. Apesar das significativas melhoras pelas quais o país vem passando desde a redemocratização, em especial nos governos do PT em relação à justiça social, é óbvio que nem todas as mazelas do Brasil foram resolvidas. Para os bolsonaristas, que enxergam um caos social de forma distorcida, é preciso identificar os responsáveis por isso. 

O primeiro culpado, evidente e direto, é o próprio PT. Os outros são as feministas, os sindicatos, os sem terra, o movimento negro e os LGBTs. Setores que tiveram avanços parciais recentes em nossa sociedade. Mas para os bolsonaristas, os historicamente oprimidos são responsabilizados pelos próprios males que denunciam. Os movimentos de negritude, por exemplo, são os responsáveis por criar a divisão racial no país. Os sindicatos, por estabelecer uma cisão entre trabalhadores e patrões. 

Na visão bolsonarista, estes grupos, o inimigo comum, foram beneficiados em detrimento do “cidadão comum” - e “de bem”. Aquele preocupado com o alto índice de homicídios, através desse discurso, passa também a combater LGBTS e feministas pela suposta degradação social generalizada. Aqueles setores religiosos mais sensíveis a “questões morais”, que já combatiam os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e os direitos civis de homossexuais, incorporam também a pauta anti-reforma agrária. É na confusão que tal aliança difusa prospera.

Assim, ao se encontrar culpados pelo que ainda se falta ajustar em nossa democracia se criam também um passado e um presente idílicos, nos quais tais setores não existiram e não existirão: a ditadura militar e o um possível governo do próprio Bolsonaro, que fala em “eliminar ativismos”.

Tópicos

Ao discursar oralmente, Bolsonaro funciona não como um expositor, mas como um perfil de Twitter disparando torpedos. Ou um grupo de WhatsApp onde mais importante que a perenidade da mensagem é seu impacto momentâneo. Um estilo comum a políticos com Trump e Berlusconi. Intuitivamente ou não, foi capaz de operar uma distinção entre a razão científica - argumentativa e lógica – e a razão política radicalizada. A campanha de Bolsonaro se vale de um tipo de coerência que não é o usual. Provavelmente, não será um discurso iluminista capaz de desmontar o todo de sua visão, que beira a teoria da conspiração, o capaz de derrotá-lo no curto prazo eleitoral. 

Assim, neste segundo turno, para os e as interessadas em superar sua plataforma eleitoral, é preciso identificar neste mosaico de interesses diversos que Bolsonaro representa aquilo que, ao ser colocado como prioridade, pode afastar parcela de seu eleitorado de sua candidatura. Uma dica: ele não costuma divulgar propostas para a economia, exceto para desautorizar seus principais assessores. 

*Rafael Tatemoto é repórter do Brasil de Fato

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

O voto da virada vem da vida

qua, 10/10/2018 - 11:20
coluna É do bolso que virá o impulso para romper com a ilusão com os "valores éticos" Artur Araújo | Onze milhões e quinhentos mil brasileiros e brasileiras podem afastar o Brasil do desastre se votarem pela democracia no segundo turno Ricardo Stuckert

Onze milhões e quinhentos mil brasileiros e brasileiras podem afastar o Brasil do desastre. Essa é, em “conta de padeiro”, a quantidade de eleitores que, pelas mais diversas razões, digitaram o 17 na urna e que precisam ser convencidos de que tal opção é a negação de seus próprios interesses, aspirações e necessidades.

A aritmética que levou a esta cifra é amadora e singela. Aos 49,3 milhões de votos no 17, adicionei 85% dos dados a Alckmin, Amoedo, Meirelles, Daciolo, Marina e Álvaro; deixando o saldo para novas abstenções, brancos e nulos, seriam potencialmente 59,8 milhões de eleitores. Por segurança, “presenteei” o capitão com 30% dos votos no 12, o que o levaria a 63,8 milhões. 

Se Haddad mantiver 100% dos votos que teve em primeiro turno, atrair 70% dos dados ao Ciro e 85% dos que Boulos obteve, somará 41,1 milhões. Como diz a velha regra política que “voto virado é dois”, chegamos aos tais 11,5 milhões que dimensionam o desafio. Com 11,5 milhões de votos que precisa ganhar no segundo turno, Haddad venceria com 52,6 milhões de votos, enquanto Bolsonaro perderia com 52,3 milhões.

Apesar de nada científicas, diria que são continhas que servem razoavelmente para começar uma conversa.

Por mais que seja essencial e decisiva a formação de uma enorme frente política e social em defesa da democracia, da civilidade e do convívio minimamente harmônico entre todos os brasileiros - independentemente de suas preferências eleitorais, partidárias, comportamentais, religiosas ou ideológicas – penso que a quantidade de votos necessária para derrotar o neofascismo supera em muito o alcance dessa iniciativa.

Se é evidente que urge a denúncia incessante do autoritarismo, do preconceito, da violência e da opressão que formam o “pacote” do bolsonarismo; se é vital a desconstrução da falsa imagem de probidade, desapego, firmeza e dedicação ao povo associada ao candidato do PSL; se é necessidade imediata a convocação de todos os democratas para que se juntem em defesa de um Brasil com futuro decente e sem medos para as maiorias; se tudo isto tem que ser feito, mesmo o fazendo creio que ainda faltará uma boa parte dos 11,5 milhões de votos que precisam ser recuperados.

Há um crescente apelo, oriundo principalmente dos grandes veículos de comunicação, por uma tal “reorientação ao centro” da campanha de Haddad e Manu. Se por isso quisessem significar tão somente a junção de esforços dos eleitores e partidos de esquerda com os partidos e eleitores de centro e centro-direita, em defesa da democracia, nada mais correto e meritório. Mas, como nos adverte a sabedoria popular, o diabo está nos detalhes.

Embrulhada no discurso democrático vem uma demanda que, se aceita, impedirá irreversivelmente a vitória da candidatura progressista: é a adesão ao austericídio liberal e, portanto, a inviabilização de qualquer programa emergencial de saída da crise econômica e social em que o golpe de 2016 enterrou o Brasil. 

A única rota realista de convencimento de 11,5 milhões de eleitores, principalmente das camadas populares, para que troquem seu voto é a explicitação do que o capitão propõe (e esconde) para a vida cotidiana dessas pessoas e de suas famílias, acompanhada da apresentação simultânea de uma alternativa crível, vinda de Fernando Haddad.

Com perdão do mau trocadilho, é do bolso que virá o impulso para o rompimento da ilusão com os “valores éticos” e com a “dureza contra o crime” que foram habilmente colados em J. Messias. Só quando muitos eleitores perceberem que seus empregos (formais ou não); que seus rendimentos; que o atendimento dos serviços públicos de que dependem; que o funcionamento econômico e social do Brasil; que tudo isso corre sério risco é que abrirão seus ouvidos, olhos e corações para uma alternativa em tudo oposta. E só assim e só por isso mudarão seu voto.

Desnudar por todos os meios ao alcance da campanha o que é de fato o “posto Ipiranga” tem que ser missão ininterrupta. A isso contrapor medidas, iniciativas, ações muito urgentes e definidas deve ser o centro da comunicação da chapa e de seus apoiadores.

Geração imediata de milhões de postos de trabalho, principalmente via retomada de obras paradas. Compromisso de injeção acelerada de bilhões de reais para recuperação do SUS, dos sistemas de segurança e da educação pública. Revolução no crédito oferecido pelos bancos públicos, com juros baixos e prazos adequados, para “limpeza do nome” e recuperação da capacidade de consumo de massas. Garantia de aumento real do salário mínimo. Contratação de obras de saneamento, moradia, mobilidade urbana e infraestrutura logística, gerando fortes encomendas de produtos e serviços para as empresas brasileiras (que, por sua vez, terão que comprar insumos e contratar trabalhadores). Menos impostos para os “de baixo” e mais impostos para os “de cima”; pouco imposto sobre consumo e produção, muito imposto sobre propriedades, dividendos, grandes heranças e grandes patrimônios. Impedir a deforma das aposentadorias e recuperar os direitos trabalhistas. Erradicar a Emenda do Teto que asfixia o Estado para oxigenar os agiotas. 

Todos esses são compromissos reais com a melhoria da vida dos trabalhadores e que, pela dinamização da economia, permitem expansão dos lucros empresariais e aumento acelerado da arrecadação tributária. É o caminho sensato para o “saneamento das contas públicas” e para o “controle da inflação” sem ter que recorrer ao arrocho, à expansão da miséria, à trava no desenvolvimento e à repressão para conter a justa insatisfação e protesto.

Por serem compromissos com a vida e pela vida da maioria dos brasileiros são, também, a alavanca da virada eleitoral em 28 de outubro.

Pois é só da vida que vem a virada do voto.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Artigo | No Paraná, savana com a maior diversidade biológica do mundo corre perigo

qua, 10/10/2018 - 11:17
Bioma Cerrado já perdeu quase 80% de sua área e remanescentes atuais sobrevivem em meio a áreas de agricultura e silvicultura Lia Maris Orth Ritter Antiqueira | Avanço constante do agronegócio sobre mosaicos savânicos, que há anos vêm sendo descaracterizados e reduzidos, poderá em breve extinguido Zig Koch

Quando pensamos em “Cerrado” nos vem à mente a fisionomia do Planalto Central Brasileiro, com árvores de troncos retorcidos, raízes longas e folhas grossas que sobrevivem em um ambiente de temperaturas elevadas a maior parte do ano.

Porém, o Cerrado se estende até o estado do Paraná, onde chega na forma de pequenos encraves de arvoretas, que se misturam à vegetação dos Campos Gerais, situação considerada pelo Renomado geólogo alemão Reinhard Maack como inusitada, considerando as condições climáticas do estado em comparação à região central do Brasil.

Maack, radicado em Curitiba, alertava na década de 1960 sobre a importância da formação florística que reconheceu como a mais antiga do estado, e que já chegou a ocupar 1% de todo o território antes da colonização. Porém, estas formações permaneceram ignoradas nos mapas até 2004, quando o IBGE reconheceu a extensão do Bioma até a região dos Campos Gerais, colocando oficialmente esta região como o limite meridional de sua ocorrência.

A importância do Cerrado como bioma é mundialmente conhecida: é a savana com a maior diversidade biológica do mundo. É também um dos locais prioritários para conservação no mundo todo, incluído como um dos 34 “hotspots” mundiais de biodiversidade. Este termo foi criado pelo ecólogo Norman Myers para definir locais do planeta com grande riqueza natural, elevados índices de endemismo de espécies e que já perderam mais de 70% de sua vegetação original. Em resumo, áreas que estão sob forte ameaça e que necessitam de atenção urgente para que não sejam extintas por completo.

Nos Campos Gerais a situação é ainda mais grave: o Cerrado já perdeu quase 80% de sua área e os remanescentes atuais sobrevivem em meio a áreas de agricultura e silvicultura. Com a proposta de redução de 70% da Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana (PL 527/2016), a situação tende a piorar, visto que a quase totalidade dos fragmentos concentra-se nesta região.

Em resumo, o avanço constante do agronegócio sobre os mosaicos savânicos, que há anos vêm sendo descaracterizados e reduzidos, poderá em breve extinguir totalmente o Cerrado dos Campos Gerais, sem que sequer tenha sido devidamente estudado pela ciência.

Do que já se conhece até então, sabe-se que as árvores que atingem grandes alturas em áreas nucleares de Cerrado (Distrito Federal e Minas Gerais), vão diminuindo seu porte quanto mais ao sul, a ponto de atingir fisionomias consideradas “anãs” nos Campos Gerais, como por exemplo o conhecido pequi (Caryocar brasiliense), uma das nativas de maior importância econômica da savana.

Há também variação de espécies que se mostram raras no restante do Bioma e que, nos Campos Gerais, adquirem fisionomia comum, como por exemplo Plenckia populnea, popularmente conhecida como marmeleiro ou marmelo do Cerrado. O inverso também ocorre: o pau terra (Qualea grandilfora), uma das espécies símbolo do Bioma, de ocorrência comum até o estado de São Paulo, possui poucos exemplares nos Campos Gerais.

Além da fisionomia peculiar, há que se mencionar os enigmáticos padrões de ocorrência destas formações nos Campos Gerais, seus aspectos ecológicos, endemismo de espécies, potenciais de uso (que vão desde o medicinal até a recuperação de solos degradados, barreiras contra o vento, etc). Todas estas questões e muitas outras podem nunca chegar a ser desvendadas se não houver o devido cuidado com o que sobrou do Cerrado no estado.

Esta situação impõe ao poder público a necessidade iminente de políticas conservacionistas. Além da biodiversidade que precisa ser melhor conhecida e analisada sob diversos aspectos científicos, o Cerrado representa o patrimônio natural da região, fato que o torna único e digno de toda atenção necessária para que sua sobrevivência seja garantida.

Lia Maris Orth Ritter Antiqueira é bióloga, doutora em Ciências, líder do grupo de pesquisa em Conservação da Natureza e Educação Ambiental (CONEA), docente da UTFPR/Ponta Grossa e parceira do Observatório de Justiça e Conservação (OJC). 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Economia feminista, uma forma de organização que tem mudado vidas no Vale do Ribeira

qua, 10/10/2018 - 11:15
Agricultura Conheça projeto desenvolvido na Barra do Turvo, interior de SP, que fortalece a organização de mulheres nas comunidades Mayara Paixão | Roda de conversa de acolhida e preparação para mutirão de plantio do curso de Formação em Economia Feminista e Solidária Gláucia Marques/SOF

Há quase três anos, um projeto de agroecologia na região da Barra do Turvo, município do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, tem transformado a vida de cerca de 70 mulheres agricultoras. 

Maria Izaldite Dias, aposentada de 66 anos, é uma delas. Moradora do bairro Bela Vista, o mais afastado do município, ela é produtora de remédios naturais, os chamados fiotterápicos, há cerca de vinte anos. São xaropes, pomadas, calmantes e tinturas que a agricultura produzia para a Pastoral da Criança e seus vizinhos.

Desde o final de 2015, o trabalho ganhou um novo significado: Maria Izaldite passou a trabalhar lado a lado com outras dezenas de mulheres de sua comunidade, e a participar de uma rede de comercialização que vende para grupos de consumidores. O trabalho, o esforço e os produtos da agricultura ganharam novo significado ao lado de outras trabalhadoras que têm realidades semelhantes à dela.

"É muito bom porque começamos a perceber que a gente é gente, que as mulheres têm vez e voz. Antes, as mulheres ficavam dentro de casa, não sabiam o que fazer, diziam que não tinham nada. Hoje estão se descobrindo", compartilha a agricultora ao ser questionada sobre o significado de se trabalhar lado a lado com mulheres. 

O projeto do qual Maria Izaldite faz parte é uma iniciativa da Sempreviva Organização Feminista (SOF), uma organização não governamental. Com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, a SOF acompanhou o grupo de mulheres, fortalecendo a sua organização, através de reuniões e formações para capacitá-las entre 2015 e 2017. O Ministério, porém, foi extinto pelo presidente golpista Michel Temer (MDB) em maio de 2016, como uma das primeiras medidas de seu governo.

Enquanto isso, a conversa com as agricultoras que fazem parte do grupo mostra que iniciativas como essa ajudam não só a elas mas, também, à comunidade. E não é só a possibilidade de um aumento na renda dessas mulheres que faz a diferença.

"A minha alegria é o pessoal estar tomando remédio natural. Fico muito feliz de saber que estou contribuindo para que as pessoas se tratem melhor com produtos naturais. A gente ganha uns troquinhos, mas o prazer maior é estar contribuindo com a saúde do povo", conta Izaldite.

Agroecologia

Entre as agricultoras estão também mulheres quilombolas. Uma delas é Vanilda Aparecida de Paulo, de 42 anos. Mãe de três filhos, ela faz parte do Quilombo Terra Seca, que ainda luta para ter o título definitivo da posse de suas terras.

Parte importante do trabalho dessas mulheres é a forma como trabalham sua terra: através da agroecologia. Uma produção sem uso de agrotóxicos e que respeita o ambiente.

Dona Clarisdina, do quilombo Terra Seca, grupo lavando cajá-manga e preparando os alimentos para  para as entregas em São Paulo (Foto: Gláucia Marques/SOF)

"Para nós, mesmo pela questão que moramos em muito morro, se não soubermos produzir, plantar, acabamos com tudo: com a terra, com a água. É uma forma de nós continuarmos tendo terra, água, qualidade de vida, e pensar nas pessoas que estão consumindo", explica Vanilda sobre a opção pela agroecologia. 

É desse modo que a quilombola produz milho, feijão, batata doce, inhame, mandioca e, quando o solo permite, arroz. Tudo na mesma terra.

Economia feminista

Além da agroecologia, o projeto com as agricultoras tem como uma de suas bases a chamada economia feminista. Ela busca entender o trabalho das mulheres desde as tarefas que elas cumprem dentro de casa até o que fazem na vida profissional, como explica a técnica da Sempreviva Organização Feminista Gláucia Marques.

"A gente entende economia feminista como um jeito de olhar o trabalho das mulheres que envolve todas as etapas. Quando falamos de economia solidária, sabemos que isso envolve preço justo, relações, autogestão, e muitas vezes não envolve todo o trabalho que está por trás para um trabalhador sair de casa: tem que ter uma casa limpa, o cuidado com os filhos, o cuidado com os idosos", explica. 

Dentro do projeto, as agricultoras dividem-se em grupos de produção. A quilombola Vanilda, por exemplo, faz parte do grupo As Perobas, em homenagem a um de seus ancestrais e líder do Quilombo Terra Seca, Benedito Rodrigues Peroba. Já a produtora de fitoterápicos Maria Izaldite compõe o grupo A Esperança. O motivo do nome ela mesma explica: "com a ajuda dessas meninas a gente ficou forte, e a esperança da gente ficou mais forte, porque vimos que tinha gente para apoiar, nos ajudar, ajudar a pesquisar as coisas, por isso o nome e esperança, pela esperança de uma vida melhor"

Hoje, o projeto ainda é mantido com o apoio de organizações internacionais e conta com outros grupos de mulheres não apenas no município da Barra do Turvo, mas por todo o Vale do Ribeira.
 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

João Pedro Stedile lança conta no Twitter para “contribuir na batalha das ideias”

qua, 10/10/2018 - 11:11
REDES SOCIAIS Dirigente do MST usará rede social para participar de debates políticos e enriquecer análise da conjuntura Redação | Internautas comemoraram a chegada de Stedile na rede social Foto: Pedro Biava

Devido ao crescente e relevante papel das redes sociais nas eleições deste ano, João Pedro Stédile lançou uma conta no Twitter. Ele é membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“Vou tentar contribuir na batalha das ideias, agora também pelo Twitter, para que o projeto da classe trabalhadora seja vitorioso e que a gente encontre o caminho que seja de fato a solução para os problemas do nosso povo”, escreveu Stedile em sua primeira postagem. 

Gleisi Hoffmann, Paulo Teixeira e Paulo Pimenta foram os primeiros parlamentares a dar as boas vindas ao dirigente.

Em poucos minutos após sua primeira publicação, já haviam muitas respostas comemorando a chegada de Stedile na rede social.

“Você é bem vindo em todas as trincheiras!”, escreveu uma seguidora. 

“Finalmente, João! Seja bem vindo a mais essa trincheira da luta de classes. O momento é grave e ‘todas las armas son buenas’”, disse outro. 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Confira a edição desta quarta-feira (10) da Rede Lula Livre

qua, 10/10/2018 - 11:07
Rádio Nossa programação vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 9h45 às 10h, na Rádio Brasil de Fato e emissoras parceiras Redação | Vigília Lula Livre resiste há 187 dias em frente à Polícia Federal, onde Lula é mantido preso sem provas Juca Varella

Na edição desta quarta-feira da Rede Lula Livre, você confere a orientação da CNBB para que eleitores católicos optem por candidatos favoráveis a democracia, e contra o discurso de ódio.

E tem mais informações sobre o caso do jornalista atropelado em Curitiba por estar vestindo uma camiseta com imagem de Lula.

Você pode ouvir a Rede Lula Lula Livre de segunda à sexta-feira, das 9h45 às 10h, na Rádio Brasil de Fato.

Ouça o Boletim Diário da Rede Lula Livre:

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

O neopinochetismo com Bolsonaro

qua, 10/10/2018 - 11:01
AMÉRICA LATINA O avanço da extrema-direita no Brasil seduziu seu principal representante no Chile, José Antonio Kast Wagner Fernandes de Azevedo | Kast, ex-deputado e ex-candidato à presidência, anunciou sua vinda para o Brasil, um giro pelo país junto à campanha de Bolsonaro Wikicommons

avanço da extrema-direita no Brasil seduziu seu principal representante no ChileJosé Antonio Kast, ex-deputado e ex-candidato à presidência, anunciou sua vinda para o Brasil. Um giro pelo país junto à campanha bolsonarista para o segundo turno. Segundo Kast, Bolsonaro “representa a direita sem complexos”.

Uma propaganda de televisão de 1988 no Chile, apresentava um jovem universitário se posicionando a favor da continuidade de Augusto Pinochet na presidência do Chile por mais oito anos. Esse jovem era José Antonio Kast que catorze anos depois tornou-se deputado eleito pelo distrito 30, seu berço político, a comuna de Buin. Depois de três eleições pelo seu distrito natal, mudou-se para o distrito 24 e se elegeu para o quarto mandato seguido, representando uma das regiões mais nobres da capital Santiago, as comunas de Peñaloel e La Reina.

Kast tornou-se o principal representante dos mais de três milhões de apoiadores pinochetistas do Chile de 1988. Ficou filiado pela Unión Demócrata Independiente – UDI até 2015, partido aliado de Pinochet. As suas sucessivas eleições como deputado alçaram-no à candidatura à presidência em 2017. Entretanto sem o consenso do seu tradicional partido, que apoiou a aliança de Sebastián PiñeraKast disputou como candidato independente. Sem nenhum apoio partidário, alcançou 8%, ou 523 mil votos.

Além de Augusto PinochetJosé Antônio Kast, a exemplo de Jair Bolsonaro, tem admiração por outra figura da extrema-direita latino-americana: Alberto Fujimori. O pinochetista se manifestou nas redes sociais celebrando o indulto dado ao ex-ditador peruano no final de 2017, comparando a situação com o Chile, que ainda mantém idosos condenados por crimes do período ditatorial em situação de cárcere. Kast disse que “os direitos humanos são para todos”.

Nas últimas semanas manifestações de saudação a Pinochet e Fujimori por parte de Jair Bolsonaro foram trazidas à tona. O jornal Estado de São Paulo revelou em 26-09-2018 que o deputado enviou para a embaixada brasileira no Chile um telegrama direcionado ao neto de Pinochet. A mensagem apresentava a admiração ao neto “por não se curvar à esquerda e honrar a memória do avô [...] o saudoso General Pinochet”.

Outra recordação da simpatia do deputado com o autoritarismo latino-americano foi exposto pelo jornal New York Times. Entrevistado por James Brooke durante o seu primeiro mandato, em 1993, Bolsonaro defendeu o fechamento do congresso feito por Fujimori, no Peru. O modelo fujimorista inclusive era sua proposta para o Brasil: “A Fujimorização é a saída para o Brasil. Estou fazendo essas advertências porque a população é a favor da cirurgia política”, avisou ao NYT.

Alberto Fujimori e Augusto Pinochet foram condenados internacionalmente por crimes de lesa-humanidade, genocídio e corrupção. As condenações não foram problemas para Bolsonaro que, em janeiro de 2015, afirmou na RedeTV que “Pinochet fez o que tinha de ser feito, tinha que ser de forma violenta para reconquistar seu país”.

A admiração conjunta aos ditadores faz de Kast e Bolsonaro dois aliados na região. José Antônio Kast anunciou nesta terça-feira, 09-10-2018, que estará junto à campanha de Bolsonarono segundo turno, fazendo um giro pelo Brasil. O extremista chileno confirmou a CNN Chile que mantém um diálogo constante com os filhos de Jair.

Em outra entrevista, ao jornal The ClinicKast afirmou que apoia Bolsonaro porque representa aquilo que quer ver triunfar no Chile. “Eu não voto no Jair Bolsonaro porque não sou brasileiro. Mas sim, me parece importante apoiá-lo do Chile, porque representa a direita sem complexos, que queremos que triunfe também no Chile. Estamos há 30 anos na base do consenso, por onde, chegando a acordos com a esquerda, o cerco vai fechando a favor desse setor, sem contrapeso e com um claro retrocesso”.

Kast afirma que admira a política econômica de Jair Bolsonaro, mas que rechaça os posicionamentos homofóbicos, racistas e misóginos, embora afirme que na verdade as acusações partem da esquerda que faz distorções nos discursos. No Chile, Kast também se envolveu em polêmica relacionado à população LGBT. Em artigo publicado pelo jornal La Tercera, em janeiro de 2018, o pinochetista ofende a atriz transexual Daniele Vega, protagonista do filme chileno “A mulher fantástica”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Kast afirmou “Vou dizer a verdade [...] Vega ‘não é mulher, ele é homem’” e acusou que “os juízes [chilenos] são todos esquerdistas”. “É preciso ter vergonha de roubar e mentir, não para dizer a verdade”, conclui no artigo.

José Antonio Kast diz que não admira lideranças políticas como BolsonaroTrump e Pinochet. Admira na verdade os seus programas de governo. Na sua campanha à presidência em 2017, disse que teria o voto de Pinochet, se esse estivesse vivo. No seu giro pelo Brasil quer conhecer a realidade do Rio de Janeiro e São Paulo para entender e aprender como conquistar uma votação expressiva. A extrema-direita latino-americana busca sua referência além das fronteiras geográficas, no passado recente.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Água e esgoto dos municípios estão na mira da privatização

qua, 10/10/2018 - 10:00
SANEAMENTO Medida assinada por Temer ameaça acesso a saneamento para a população pobre e municípios menores Jamile Araújo | Além de precarização de serviços básicos, população pode ser afetada com aumento no valor da conta de água Divulgação

Em julho deste ano, o Presidente Michel Temer assinou a Medida Provisória 844 (MP 844/18), que reformula o setor de Saneamento. A medida está em tramitação no Congresso Nacional, e encontra oposição nos movimentos populares e sindicais, mas tem encontrado resistência por parte da oposição e até mesmo na base do governo.

Chamada de “MP da Sede”, a MP 844/18 abre espaço prioritário para a atuação de empresas privadas de saneamento em detrimento das empresas públicas. Para Grigorio Rocha, Secretário Geral do Sindicato de Água, Esgoto e Meio Ambiente – Sindae BA, se trata de uma medida que faz parte da agenda de retrocessos implementada após o golpe de 2016. 

“A turma de Michel Temer, que patrocinou o golpe tem objetivo de privatizar tudo que for possível. E essa MP visa privatizar todo o setor de água e saneamento que hoje a concessão é do município. É uma medida inconstitucional, porque ela não atende os requisitos básicos de urgência e relevância, e atropela a autonomia dos municípios definir a sua própria política”, pontua Gigorio.

Pequenos municípios serão os mais prejudicados
Em outras palavras, a medida a flexibiliza a lei nacional de saneamento, e tem como consequência que os municípios sejam obrigados a abrir licitação para o serviço de saneamento antes de renovarem as concessões com as empresas públicas, priorizando assim a iniciativa privada. 

Segundo Grigório, isso faz com que nos municípios onde há interesse do setor privado, os mais lucrativos, o serviço seja entregue para as empresas privadas. Já nos municípios onde se têm não há lucro, a tendência é ficar para as empresas públicas. Mas isso prejudica os municípios menores, porque atualmente a empresas públicas utilizam o chamado subsidio cruzado, que utiliza o excedente econômico produzido nos municípios que dão mais lucros para subsidiar o serviço de saneamento onde não há lucratividade.

“Com essa saída dos municípios grandes, privatizados os serviços, as empresas de saneamento estaduais não vão ter como fazer os investimentos e garantir água, esgoto e a parte ambiental para os municípios pequenos. Logo a população mais pobre daqueles municípios onde se tem mais dificuldade de acesso aos serviços, vai sofrer os reflexos da privatização”, conclui.

Água: um bem público e direito humano essencial à vida
Os setores que se colocam contra a Medida alertam para a necessidade de defesa da manutenção da resolução da ONU, que tem a água como direito humano essencial a vida, como um direito do povo. Por isso não deve ser tratada como mercadoria e sem que haja um controle publico e social sobre os serviços. 

MP da conta alta: seu bolso na mira
Grigorio cita que a experiência em diversos locais do mundo, incluindo municípios brasileiros, que entregaram suas concessões para empresas privadas, teve como resultado o aumento do valor pago pelos serviços de água e esgoto. “Houve aumento exponencial das tarifas para aumentar as taxas de lucro, a população começou a ter dificuldade em pagar a conta de água e houve também a queda na qualidade de serviço, as empresas não davam o resultado que diziam que iam dar. Mais de oitocentas cidades no mundo retomaram para o Estado a gestão do saneamento porque a privatização fracassou, os sistemas foram retomados para o poder público”, finaliza.

A MP 844/18 teve o prazo prorrogado por mais 60 dias, e agora o governo federal tem até 11 de novembro para tentar aprová-la no Congresso Nacional. Caso isso não ocorra, a medida provisória perderá a validade.
 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Roger Waters, ex-Pink Floyd, protesta contra Bolsonaro durante show em SP: "Resista"

qua, 10/10/2018 - 09:46
MÚSICA Músico faz alerta para ameaça fascista no mundo, exibe "Ele Não" no telão e provoca reação "ensurdecedora" da plateia Redação RBA | Ex-músico da banda inglesa Pink Floyd, Roger Waters manifesta seu apoio à democracia e repúdio ao fascismo durante show Manuela D'Avila/Facebook/Reprodução

Em seu show na noite desta terça-feira (9) em São Paulo, o ex-integrante da banda inglesa de rock Pink Floyd, Roger Waters, exibiu no telão sobre o palco mensagens de alerta à onda fascista que ocorre em vários países do mundo, incluindo o Brasil e o candidato a presidente Jair Bolsonaro. Waters disse: "vocês têm uma eleição muito importante daqui a três semanas. Sei que isso não é da minha conta, mas devemos sempre combater o fascismo. Não dá para ser conduzido por alguém que acredita que uma ditadura militar pode ser uma coisa boa". 

Em reportagem, o jornal Folha de S.Paulo afirma que, durante a execução da música "Eclipse", já perto do encerramento do show, as palavras "#ELE NÃO" foram exibidas no telão. "A reação foi ensurdecedora. As quase 40 mil pessoas no estádio produziram uma mistura de poucos aplausos e muitas vaias". Relatos nas redes sociais afirmam que as manifestações foi igualmente divididas entre favoráveis e contrárias à manifestação de Waters.

Segundo a matéria, "em determinado momento, o texto no telão pediu resistência contra os neofascistas, exibindo uma lista de países, destacando um político de cada lugar. Entre outros, ao lado do presidente americano Donald Trump, da líder da extrema-direita francesa, Marie Le Pen. Os nomes do Brasil, ao lado do de Jair Bolsonaro encerravam a lista.

Waters se apresenta novamente no Allianz Parque na noite desta quarta (10). Depois sua turnê segue para Brasília (dia 13), Salvador (17), Belo Horizonte (21), Rio (24), Curitiba (27) e Porto Alegre (30).

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Sexta edição da Marcha contra o Trabalho Infantil acontece em Recife

qua, 10/10/2018 - 09:13
MOBILIZAÇÃO Objetivo é chamar a responsabilidade para os órgãos públicos devido à alta incidência de trabalho infantil no estado Vanessa Gonzaga | Cerca de 123 mil crianças trabalham no estado, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) Divulgação

Nesta quarta (10), o Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil em Pernambuco (Fepetipe) promove a 6ª edição da Marcha Pernambuco contra o Trabalho Infantil. A concentração terá início a partir das 13:30h, no Parque 13 de maio. O percurso encerrará no Marco Zero, onde acontecerão apresentações culturais. Antes e durante a Marcha, haverão apresentações culturais como flash mob, teatro, grupo de percussão, apresentação de danças, depoimento de adolescentes oriundos do trabalho infantil.

A proposta é chamar a atenção para a violação de direitos da criança e do adolescente, que atinge mais de 2,6 milhões de brasileiros na faixa etária entre 5 e 17 anos, dos quais, 123 mil estão no estado de Pernambuco, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD/IBGE) 2015. O objetivo da Marcha é mobilizar a sociedade e órgãos de defesa de contra o trabalho infantil em Pernambuco, devido à alta incidência de trabalho infantil no estado.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato