O desafio maior

Brasil de Fato : Ed. 571

O ato do dia 11 de julho não pôde ser disputado pela direita, pois tinha uma pauta clara e definida. Os grandes meios de comunicação tiveram que desqualificá-lo, estabelecendo a comparação entre o número de participantes nas manifestações, mas omitindo seus impactos na economia. Uma postura que reforça a urgência da luta para democratizar uma mídia que cada vez mais se comporta como partido político.

Os participantes das manifestações de junho eram essencialmente jovens, que pela primeira vez saiam às ruas, movidos por reivindicações majoritariamente progressistas que foram disputadas política e ideologicamente pelos grandes meios de comunicação e agrupamentos de direita.

O descontentamento com a falência do atual sistema político esteve presente nos milhares de pequenos cartazes, palavras de ordem e pichações.

Por sua vez, o dia nacional de lutas, construído pelas centrais sindicais e movimentos sociais em 11 de julho de 2013, embora não tenha conseguido atrair e dialogar com a juventude dos atos de junho, demonstrou intensa força social paralisando a produção em importantes centros industriais de todo o país.

O ato do dia 11 de julho não pôde ser disputado pela direita, pois tinha uma pauta clara e definida. Os grandes meios de comunicação tiveram que desqualificá-lo, estabelecendo a comparação entre o número de participantes nas manifestações, mas omitindo seus impactos na economia. Uma postura que reforça a urgência da luta para democratizar uma mídia que cada vez mais se comporta como partido político.

Precisamos extrair as lições desta experiência. As múltiplas contradições da insuportável vida nas grandes cidades e os problemas sociais que de fato levaram os jovens às ruas em junho de 2013 não foram resolvidos e sequer enfrentados. Além disso, as vitórias obtidas em junho na redução das tarifas de ônibus em várias cidades geraram uma importante autoestima para uma geração que pela primeira vez entrou no cenário político.

Os esforços dos movimentos sociais populares, da grande mídia e mesmo de agrupamentos de direita, deixaram evidente que nenhuma entidade ou articulação de forças, nem mesmo os poderosos meios de comunicação possuem a capacidade de convocação dos atos.

Em junho de 2013, o estopim foi a solidariedade com as absurdas repressões que se abateram sobre os atos de Porto Alegre e São Paulo.

É previsível que ao longo deste ano, tão decisivo em razão das eleições gerais, novos atos, com intensa participação jovem voltem a eclodir.

Muitos apostam que o calendário da Copa do Mundo proporcionaria a nova fagulha. E todas as forças políticas e sociais se preparam, de alguma forma, para isso. Até mesmo o torturador Coronel Brilhante Ustra tenta se apropriar das contradições geradas pela Copa do Mundo e estimula manifestações no calendário

dos jogos.

Afinal, aprendemos nas jornadas de junho que a direita aprendeu a disputar com as forças de esquerda os mesmos metros quadrados nas manifestações. Este ensinamento deve ser incorporado na tática dos lutadores populares. Provavelmente se repetirá nas novas manifestações que o ano promete.

Neste momento é impossível prever datas. É provável e desejável que a força social desencadeada pela entrada em cena política da juventude, que estreou em junho de 2013, volte a ocorrer. E isto poderá se dar antes,

durante ou após a Copa do Mundo.

Com certeza envolverá a disputa entre todas as forças políticas e ideológicas que utilizarão as suas energias para disputar politicamente os rumos e bandeiras do movimento, ainda mais pelos evidentes impactos que terão nas eleições gerais de outubro.

Nosso grande desafio, que adquire um caráter cada vez mais estratégico é como somar os setores organizados da luta popular que demonstraram sua força em 11 de julho com a intensa energia da juventude que foi protagonista em junho? Como construir uma bandeira unitária que responda a insatisfação com o sistema político e impeça a manipulação já previsível dos grandes meios de comunicação e das forças de direita?

Este é o sentido e a importância de construir a bandeira da Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

Uma proposta clara que abre as portas para pautar o conjunto dos problemas estruturais que conformam o programa de transformações em nosso país.

A principal herança e o elo frágil do pacto conservador herdado da ditadura é o atrasado sistema político atual. O sentimento de ampliação da democracia presente nos atos de junho e julho é incompatível com o sistema político. O atual Congresso Nacional benefi ciário das regras jamais aceitará reformas que mexam com seus próprios interesses.

Podemos construir uma bandeira política de luta unitária das forças populares que responda ao anseio de conquistas democráticas de nosso povo e abra novas perspectivas para enfrentar nossos maiores problemas sociais. Nossa ferramenta pedagógica é o Plebiscito Popular.

Sabemos onde estudam, onde trabalham e onde moram os milhares de jovens que saíram às ruas em junho de 2013. Temos um desafio fundamental que exigirá muito trabalho, mas que representará um salto de qualidade na luta do povo brasileiro.

Editor: 
Nilton
Ano: 
2014