'Orgulho dessa nova geração' Entrevistada com Amelinha Teles

SÃO PAULO. Presa em 1972 com os filhos pequenos, o marido e a irmã pela Oban, Maria Amelia de Almeida Teles conta que foi torturada pelo coronel de reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra e pelo "capitão Lisboa", codinome que teria sido do delegado aposentado David Araújo.

 

O GLOBO: A senhora foi torturada por Araújo?

AMELINHA TELES: Fui torturada pelo capitão Lisboa. Na Oban, tinha dois com esse nome, mas acredito que era ele (Araújo).

 

O que achou do protesto do LEVANTE POPULAR?


AMELINHA: Foi maravilhoso. Fiquei cheia de orgulho dessa nova geração.

 

A senhora sabia que o capitão Lisboa é hoje empresário da segurança, dono da Dacala?

 

AMELINHA: Não, fiquei sabendo por essa denúncia do LEVANTE. É denunciado há mais de 20 anos o fato de que vários policiais da Oban entraram nesse ramo de segurança. Olha o perigo que a sociedade está correndo.

A senhora se lembra do capitão Lisboa?

 

AMELINHA: Sim. Ele foi um dos meus torturadores. Fazia tortura física e psicológica.

 

LEVANTE é para pressionar a nomeação da Comissão da Verdade?

 

AMELINHA: Tudo é um processo. Essa verdade exige justiça, punição. A comissão está demorando demais a ser criada.

 

E a Lei da Anistia analisada no STF?


AMELINHA: Se o STF tivesse compromisso com a democracia, veria que a anistia é para os perseguidos. Anistiar perseguidores é perpetuar os crimes da ditadura. (Tatiana Farah)