Aurora Maria do Nascimento Furtado

Aurora Maria Nascimento Furtado

Nascimento9 de novembro de 1946
São Paulo, Brasil

Morte:10 de novembro de1972 (26 anos)
Rio de Janeiro, Brasil

(São Paulo, 13 de junho de 1946 — Rio de Janeiro,10 de novembro de 1972) foi uma militante e guerrilheira da Ação Libertadora Nacional, organização de extrema-esquerda integrante da luta armada contra a ditadura militar brasileira instituída em 1964, morta na cidade do Rio de Janeiro, aos 26 anos, por agentes do governo militar.

Filha de Mauro Albuquerque Furtado e Maria Lady Nascimento Furtado, era ativa militante do movimento estudantil nos anos 1967/1968, estudava psicologia na Universidade de São Paulo e colaborava na imprensa da União Nacional dos Estudantes, de São Paulo.


Ingressando na chamada "luta armada", participou do assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras, em 2 de setembro de 1971, quando foi morto o segurança Jayme Cardenio Dolce. Em outras ações promovidas pela ALN, teve o seu nome envolvido em alguns assassinatos.

Durante uma batida policial realizada por uma patrulha do 2º Setor de Vigilância Norte, em9 de novembro de 1972, em Parada de Lucas, no Rio de Janeiro, resistiu a prisão e após rápido tiroteio, que resultou na morte de um policial, acabou sendo presa.

Sofrendo sevícias desde o momento de sua prisão na via pública, Aurora foi encaminhada à "Invernada de Olaria" e, posteriormente, ao DOI/CODI onde sofreu terríveis torturas, como a do pau-de-arara, sessão de choques elétricos, somados a espancamentos, afogamentos, queimaduras e a "coroa de cristo" ou "torniquete", fita de aço que gradativamente apertada pode levar ao esmagamento do crânio.[1]

No dia seguinte, o seu corpo foi encontrado crivado de balas na esquina das ruas Adriano com Magalhães Couto, no bairro do Méier(RJ), junto a um veículo VW, placa DH-4734, marcado de tiros. Segundo versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança a militante teria morrido durante uma tentativa de fuga da guarnição da rádio-patrulha que a prendera.

O corpo de Aurora foi submetido à necrópsia no Instituto Médico Legal, pelos drs. Elias Freitas e Salim Raphael Balassiano, cujo laudo determinou como "causa mortis" "ferimentos penetrantes na cabeça". As fotos que acompanharam o laudo de perícia do local, de nº 6507/72, mostraram marcas de tortura no corpo, aprofundamento do crânio e escoriações nos olhos, no nariz e boca, que não foram relatadas na necrópsia.[1]

O pai da militante morta, Mauro Albuquerque Furtado, reconheceu o corpo da filha em 11 de novembro de 1972, sendo o mesmo levado para São Paulo onde foi entregue à família em caixão lacrado, com a determinação para que não fosse aberto. A família não só não acatou tal ordem como também, através de advogados, obteve nova necrópsia do IML, que constatou no corpo de Aurora, inúmeros sinais das torturas sofridas (queimaduras, cortes profundos, hematomas generalizados) com um afundamento no crânio de cerca de 2 cm, proveniente do emprego da "coroa de cristo", a causadora da morte.[1]

Os relatórios das Forças Armadas, até hoje, são omissos sobre o assunto.