Carlos Fonseca Amador

 

 

 

 

 

 

 

1936

Nascido em Matagalpa distrito trabalhoso (23 de junho). Filho de Justina Fonseca, empregada doméstica e cozinheira, e Amador Fausto, contra empresa de mineração americana. 

Durante sua infância ajudando sua família, vendendo doces nas ruas. Ele começou a sua educação primária na Escola Superior de Meninos, Matagalpa

1950

Digite o Instituto Nacional de Norte aa Matagalpa a seguir, como os estudos secundarios.Trabaja Telegraph mensageiro de Matagalpa. Além disso, na noite de sábado, o jornal local vende Rumores .

1952Melhor aluno em seu curso, com o seu amigo Thomas Borge descobrir escritores Thomas More, John Steimbeck, Howard Fast, e assim por diante.
1954

Com os outros, fundou a revista Segovia e dirige seus primeiros quatro números.

1955Ele bac e obter a estrela de ouro medalha é atribuído ao melhor ensino médio a cada ano (4 de março). Ele vai para Manágua, onde foi nomeado, por William Rothschuh Tablada, inspetor e diretor da biblioteca do Instituto "Ramirez Goyena" (maio). Ele se matriculou na Faculdade de Direito da Universidade de Leon (5 de junho).
1956Mudou-se para Leon e integra-se com colega outro marxista a primeira célula do país. Preso cai em setembro por ocasião da execução do tirano Somoza, quatro meses depois de sair da prisão.
1957Aprova o primeiro ano de faculdade de direito e obtê-lo (março). Viagem à Costa Rica e ficar comManolo Cuadra . Viajar a Moscou o Festival VI da Juventude e dos Estudantes pela Paz e Amizade outro festival, em Leipzig, República Democrática Alemã (Junio-Sept.). Em seu retorno ele foi preso.Escreve o "livro A Nicarágua em Moscou" (setembro).
1958

Pronuncie a abertura do curso de 1958, a primeira desde o estabelecimento da autonomia universitária (maio). Participa no dia de repúdio à visita do oficial tentou Milton Eisenhower, um doutoramento honoris causa pelo College Board (julho). Falls e, em seguida, preso em Manágua, em Matagalpa.

1959Custódia é forçosamente exilados para a Guatemala. Março a Honduras para se juntar à coluna guerrilheira "Rigoberto Lopez Perez" coluna é massacrados em El Chaparral, Honduras, foi ferido por uma bala em seu pulmão. Levado ao hospital em Tegucigalpa, é visitado por sua mãe e depois vai para o hospital, "Calixto Garcia", em Havana.
1960Chegada em Costa Rica. Viagem à Venezuela. Preso no aeroporto de Maiquetia, é enviado ao México, onde. Edelberto Torres conhece o professor, em seguida, sai, ilegalmente, a Havana. Não estão à espera Tomas Borge e Julio Jerez, que o acompanha para a Costa Rica e se mudou para a Nicarágua.
1961Cubra com Gaitán e Julio Jerez Germain Movimento Nova Nicarágua (MNN), a queixa preparativos MNN invasióna para a Baía dos Porcos e publicou as primeiras idéias de Sandino selecionados por ele (fevereiro). Viaja de volta para Honduras, onde se encontrou com o coronel Santos Lopez, Tomás Borge, Silvio Mayorga e Guerrero Noel, entre outros, e formam a Frente Sandinista de Libertação Nacional decidir chamar, embora o nome é incerto devido à oposição de Guerrero. Lentamente, vem a Frente Sandinista de Libertação Nacional, forjado no calor do combate.
1962

Entra no país, retorna a Honduras e, em seguida, para Cuba. Viagem para Caracas e re-entrar no país para ativar a Frente Revolucionária Estudante (FER) e volta para Honduras.

1963

Novamente para Honduras. Estudo do movimento de guerrilha da Nicarágua e as lutas revolucionárias de outros povos (novembro-dezembro).

1964

Após entrar no país para verificar a qualidade da organização interna da FSLN, mudou-se para Manágua. É capturado na San Luis, juntamente com Victor Tirado Lopez (20 de junho). Escrever o livro " Da cadeia, eu acuso a ditadura ". Declarou em tribunal e condenado a seis meses de prisão.Na prisão você visitar Maria Haydee Teran, sua futura esposa.

1965

Deportado para a Petén na Guatemala (06 de janeiro) e confinanado, onde os militares se torna amigo de Luis Turcios Lima, comandante futuro das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) da Guatemala. Ele escapa e viaja para o México (março). O casamento civil, por procuração, em León, María Haydee Teran (20 de março), no México, o casamento religioso se realiza, a ser realizada na casa de Edelbetro Torres.

1966

Digite o país e mudou-se para a montanha para desenvolver o trabalho de preparar uma base de guerrilha (abril). Nascido em Leon, seu filho, Charles.

1967

É a área com um grupo guerrilheiro Quirague (abril). Lutando juízes Mesta, que se reportam a Guarda Nacional da presença da guerrilha (06 de agosto).

1968

Julio Buitrago levar, Ricardo Morales Avilés e as outras fotos que reorganizar as fileiras da FSLN.Escreve a "Mensagem dos alunos da FSLN revolucionárias." Assinar a "Mensagem da FSLN no primeiro aniversário da imolação de Che" (08 de outubro).

1969

Nascimento de sua filha Tania Leon (Jan. 29). Escreva Nicarágua: Tempo 0. A FSLN se consolida ideologicamente e politicamente, apesar de sua derrota militar e oferecer um programa histórico, político Eles são capturados em Alajuela, Costa Rica (01 de novembro), é resgatado e re-capturado (Dec. 21).

1970

Intelectuais franceses, liderados por Jean Paul Sartre e Simone de Beauavoir, pedir ao governo da Costa Rica garante para sua vida e sua libertação imediata (fevereiro). Finalmente, é lançado com três amigos em troca de reféns, incluindo funcionários da "United Fruit Company" e um plano "LACSA" seqüestrado por um comando liderado por Carlos Aguero Sandinista (Oct. 21). Lança"Mensagem ao Povo nicaraguense" , e foi enviado ao México, onde ele passa Cuba.

1971

Em Cuba, todo o ano. Escreve "A Frente Sandinista de Libertação Nacional". Mantém contato com o resto da organização nacional.

1972Escreve várias obras, incluindo "Revisão Secular da intervenção americana na Nicarágua" (21 de fevereiro) e " Notas sobre a Carta de Rigoberto Lopez Perez "(28 de junho) e" Sandino, Guerrilla Proletária ".
1973Afirma-se oficialmente que Carlos Fonseca morreu em confronto com o GN em Nandaime (setembro). Sua esposa, de Cuba, negou a notícia (Oct. 25).
1974

Mesmo o escritório em casa 'Quarenta' FSLN, Havana, Cuba estudando Sandino e das experiências das lutas de outros povos. Junto com outros dirigientes sandinistas também prepara os documentos e materiais de orientação política.

1975

Retornar para a Nicarágua via Honduras, em novembro. Tente resolver os problemas entre os três diferentes tendências da Frente Sandinista. Fique um pouco na cidade (setembro-dezembro). Mais tarde juntou-se a montanha.

1976Voltar para as montanhas de Matagalpa em março. Um informante na área, apelidado de "El Pinto", revela a presença de Charles para o GN. Noite de domingo 07 novembro Carlos Fonseca e seus companheiros caíram numa emboscada perto da casa do camponês Matias Lopez Maldonado, na região de Zinica, Matagalpa (08 de novembro). Testemunhas indicam que Carlos foi morto depois de ser capturado. Seu corpo é mutilado e suas mãos são enviados para a Manágua para identificá-lo.Junto com Carlos Carvajal e queda Crescencio Benito Aguilar.
1979Milhares de cidadãos estão na Plaza de la Revolución de que os restos mortais do Comandante em Chefe da Revolução Sandinista Carlos Fonseca Amador, para o enterro no mausoléu da Praça (7 de novembro de 1979), onde as pessoas humildes ainda lutam para mantê-las.

 

¿Que es un Sandinista?

1 El revolucionario Sandinista debe evitar la simple "frase revolucionaria", tenemos que acompañar esto con unaprofunda identificación con los principios revolucionarios.

2 El Sandinista sabe vincular la teoría revolucionaria con la práctica concreta en la que actúa, estrecha vinculación con las masas populares, asimilación de la experiencia que se desprende de la práctica de nuestra fuerza combativa.

3 El Sandinista debe tener un autentico espíritu critico, ya que tal espíritu de crítica constructiva le da consistencia mayor a la unidad y contribuye a su fortalecimiento y continuidad, entendiéndose que una crítica mal entendida que expone la unidad, pierde su sentido revolucionario y adquiere un carácter reaccionario.

 

4 Un Sandinista posee, ante todo, modestia revolucionaria. Esta es una cualidad que tiene más importancia de lo que a primera vista puede parecer. La modestia facilita, quizá en muchos casos decisivamente, la vida colectiva, la actividad de un conjunto de personas.

 

5 La conciencia colectiva, la conciencia de que es la energía de un conjunto de hombres lo que integra la vanguardia, es imprescindible en el espíritu militante. Ese espíritu colectivista, que lo sustenta la modestia, debe convertirse en una pasión en el militante Revolucionario.

 

6 El Revolucionario nunca olvida el titulo que ostentan los combatientes Sandinistas: HERMANO. Esto tampoco es opuesto al empleo de la energía y el rigor, tan necesario en la vida dura clandestina y guerrillera. De lo que se trata es de ser enérgico y riguroso sin olvidar el respeto, la sinceridad, la fraternidad.

 

7 El militante Sandinista, en cualquier lugar que este, debe estar relacionado en alguna medida con la vida del Pueblo Trabajador.

 

8 El Sandinista sabe que la corrección ideológica no vale nada sin una consecuente conducta práctica, pero una conducta práctica positiva es insuficiente si no está acompañada de una definición ideológica revolucionaria.

 

9 El Sandinista sabe que solo vinculación intensa con los trabajadores contribuye a su verdadera educación política.

 

10 El Sandinista practica una política de paciencia y serenidad, evitando que esta se convierta en una política de indulgencia. Ser paciente sin ser indulgente, sin pasar por alto las distintas violaciones a los principios.

 

11 El revolucionario Sandinista no puede proponerse solamente enseñar a las masas populares, sino que al mismo tiempo debe aprender y saber ser discípulo de las masas populares. Que todos sus pasos lleven la marca del carácter de nuestro pueblo.

 

12 Hay cuestiones que molestan en lo personal, pero nuestra obligación es subordinarlo todo a los intereses de la causa Sandinista, a los intereses del subyugado pueblo nicaragüense, a los intereses de los explotados y oprimidos de Nicaragua.

 

13 El Sandinista sabe ayudarle a sus compañeros a que reconozcan sus fallas, sus debilidades. Pero debe entender que un Sandinista no va a ser comprensivo por tácticas, por simple conveniencia, sino porque así lo exigen los principios revolucionarios.

 

14 El Sandinista sabe vincular las opiniones de las personas a las prácticas de estas, como concuerdan lo que hablan con lo que han hecho. Demostrar perfeccionismo en el papel es fácil, demostrarlo en la práctica es difícil.

 

15 Un revolucionario sabe que este donde este, siempre que luche por la humanidad, estará cumpliendo con su deber.

 

16 Un Sandinista no es desmedido ni en el pesimismo ni en el optimismo.

 

17 El Sandinista sabe que si alguna vez es necesario calificar, se deben emplear los términos más objetivos e imparciales. Sin caer en epítetos. Calificar, pero no para responder al insulto con insulto, sino para poner de relieve nuestra serenidad.


CARLOS FONSECA

 

O SANDINISMO

Monica Baltodano

 

Em 1995 em uma de minhas viagens ao Brasil fiz uma apresentação sobre Nicarágua na universidade de São Luis do Maranhão. Nela afirmei que um dos fatores fundamentais para rearticular o espírito de luta do povo nicaragüense -vital para o triunfo da Revolução de 1979- foi a recuperação da figura, do ideário, da luta do General Augusto C Sandino. Essa tarefa que correspondeu ao fundador da FSLN, Carlos Fonseca, continua vigente a mais de 80 anos de seu assassinato, não só para Nicarágua, como também para os revolucionários de outros povos que lutam por sua completa emancipação.

As relações com os movimentos sociais brasileiros, em especial com o MST, me permitiram levar uma e outra vez às terras de Marighella, de Ruy Mauro Marini, de Florestán Fernandez, e tantos outros lutadores, alguns fragmentos do pensamento, da vida e obra de Sandino. Não só através de falas e apresentações com fotos de Sandino, mas aportando à Biblioteca da Escola Florestán Fernandez diversos textos sobre Sandino, Carlos Fonseca, Ricardo Morales; Alguns de Sergio Ramirez, Ernesto Cardenal, textos que permitem aos estudantes da Escola conhecer sua heróica proeza e a vigência de seu exemplo.

Em diferentes discussões com o dirigente do MST João Pedro Stedile conversamos sobre a importância da vida do General Sandino, de seus aportes à resistência latino americana contra a dominação imperialista, do espírito que lhe animava, de sua coragem, de sua limpeza ética, e sobre tudo da atualidade de seus principais ensinamentos. Foi em parte assim, como surgiu a idéia de um livro que recolhesse algum dos textos sobre Sandino que permitam em pouco tempo o conhecimento essencial de sua vida e pensamento.

A seleção incluiu dois textos referenciais. “Viva Sandino”, escrito por Carlos Fonseca e uma análise do pensamento de Sandino esboçado por Sergio Ramirez na Conferência “Sandino Clase e ideologia”.

A escolha de Viva Sandino me pareceu indispensável. Carlos Fonseca se dedicou com disciplina e fervor ao estudo de Sandino quando na Nicarágua o mantinham oculto ou soterrado em calunias e mentiras. Carlos dedicava muitas horas à pesquisa com todas as limitações da vida clandestina e à perseguição. Se apoiava em militantes para buscar informação em bibliotecas e arquivos onde ele não podia aparecer.

Priorizou o que considero indispensável e por isso adiantou a publicação do Ideário de Sandino. Carlos, como nos disse Jaime Wheelock considerava que o fundamental era dotar os jovens lutadores anti-somozistas “primeiramente das lições de moral, de dignidade, de patriotismo, em uma palavra da ideologia prática renascida das mesmas raízes da luta pela defesa da soberania nacional”. A nossas mãos de garotos e garotas chegaram estas letras impressas clandestinamente em mimeógrafos, e que reproduzíamos de maneira simples nas reuniões.

Porém o texto “Viva Sandino” que formava parte das primeiras investigações ficou empilhado entre caixas de papéis de Carlos e de Angelita Morales Avilés, quem como parte de sua equipe havia trabalhado arduamente sobre as mesmas. Carlos cai combatendo em Novembro de 1976 e Angelita Morales em 1977.[1] “Viva Sandino” só pode ser divulgado em 1982.

A Escola de Quadros da FSLN, Ricardo Morales Avilés fundada em 1979 concedeu grande importância ao aprofundamento do estudo da História de nosso país. Sandino ocupava um lugar central.

Sergio Ramirez já havia escrito o Muchacho de Niquinohomo em 1973, e o Pensamento Vivo de Sandino em 1974. Os tão esperados estudos dos documentos de Sandino são sintetizados na Conferencia Magistral que faz a numerosos militantes e jovens guerrilheiros ainda vestidos de verde oliva e saídos recentemente da luta contra a ditadura nos primeiros meses da Revolução, 12 de Maio de 1980. Este texto, Sandino Clase e ideología é uma análise do pensamento, dos motivos de Sandino, porém buscados não em textos teóricos, que não teve oportunidade de escrever, mas no desenvolvimento de sua práxis. Sua publicação foi incorporada ao Pensamento Vivo de Sandino na edição de 1981

Os textos escolhidos traduzidos para português, permitirão um acesso mais profundo das novas gerações de brasileiros, ao conhecimento de nosso General de Homens Livres.

Aos nicaragüenses, Sandino nos enche de orgulho nacional. Foi o guerrilheiro que infringiu a primeira derrota militar em solo latino americano, aos militares norte americanos, em um pequeno país de 130.000 Km2 em 1933. Nos enaltece além disso como um herói da liberdade, como exemplo de dignidade, coragem, valor. Por sua honradez pessoal e ética de vida consagrada a altos ideais. Pela conseqüência entre o que falava e fez.

Sandino em seu tempo foi reconhecido e admirado desde distintos pontos do planeta, também por sua genialidade. Sandino, talvez sem saber desenvolveu com enorme sabedoria os princípios essenciais da guerra de guerrilhas, descobriu a importância do fator político moral na guerra do povo, e por isso buscou o respaldo camponês à luta, desenvolvendo um trabalho político dentro do campesinado analfabeto, pobre e abandonado.

Frente a uma população que não sabia ler nem escrever, Sandino com seu exemplo, com o trabalho direto pode convencer a milhares de campesinos para que o apoiaram, para se somarem com valor ao assalto da utopia e que combateram contra o exército gringo, que já era o mais poderoso da América.

O guerrilheiro da América como o chama Gregorio Selser, foi respaldado por um mundo que olhou com assombro “o gesto de um desconhecido, trabalhador, camponês que se tornou herói quando não restou outra alternativa salvo a de morrer de vergonha”. Na Nicarágua entretanto, pela opressão ditatorial, a dimensão da luta de Sandino foi apenas objeto de estudos clandestinos até final dos anos 50.

O nome de Sandino, sua figura começam a aparecer em panfletos e comunicações clandestinas, em pinturas de paredes nos anos 60 porém sua luta só pode ser conhecida e massivamente divulgada para os nicaragüenses após o triunfo da Revolução em 79. A Ditadura somozista, inutilmente se encarregou não só de abafar sua grandeza, mas de tergiversar a natureza de sua luta, sua qualidade moral e os objetivos que perseguia.

 

Contexto da luta de Sandino

Sandino nasceu em 18 de Maio de 1895. Quer dizer morrendo Martí e nascendo Sandino. Somente 74 anos depois da independência de nossos países centro americanos do domínio espanhol em 1821

Depois da independência e estando nossas nações incorporadas à Confederação de Repúblicas centro americanas, os Estados Unidos impõem a doutrina Monroe. Em vez de permanecer unidos para ser mais fortes frente às pretensões imperiais, a Confederação se divide em 1836, dando lugar à pequenas repúblicas que hoje continuam sendo nossos países centro americanos. As ambições dos grupos oligárquicos, seus desejos de poder são um fator determinante nesta ruptura.

As vantagens naturais de Nicarágua para a comunicação (eventual canal) entre o Pacifico e o mar Caribe através do Lago Cocibolca e o Río San Juan determinaram nossa vida como nação, porque por isso as grandes potências disputaram o controle da Nicarágua. Primeiro foram os ingleses (que dominaram a costa Atlântica Nicaragüense e controlaram a desembocadura no Caribe e mais adiante os Holandeses (1831)[2] os franceses (1846)[3]

 

O interesse dos Estados Unidos sobre Nicarágua se incrementa com a febre do Ouro na Califórnia. A determinação norte americana por nos dominar se expressou nos unilaterais tratados de 1847, 1948,1949[4] e o tratado Clayton-Bulber (1856) mediante o qual Inglaterra e Estados Unidos, passando por cima da soberania nicaragüense, fazem um acordo sobre o controle da posição geográfica. Já se havia produzido o primeiro ataque armado dos Estados Unidos sobre Nicarágua em 1854. 

As disputas inter-oligárquicas favoreceram a dominação estrangeira, até o ponto que em 1855 um flibusteiro estadunidense, William Walter consegue dominar Nicarágua, se proclama presidente da Nicarágua (com o beneplácito do governo em Washington), restabelece a escravidão e tenta dominar toda Centro América. Pela primeira vez se unem os nicaragüenses e com o respaldo de outras nações centro americanas conseguem derrotar o invasor em Maio de 1857. Porém a intromissão estadunidense continuou enquanto os liberais e conservadores se revezavam no poder.

Nos fins do século 19 o regime econômico feudal dá mostras de esgotamento. Os setores populares aparecem com força na guerra dos índios de Matagalpa 1881, o que favorece as idéias liberais. Em 1893 triunfa a Revolução Liberal encabeçada por Zelaya que empreende algumas reformas liberais inspiradas na revolução francesa, o que lhe proporciona certa autonomia. Os Estados Unidos impõem a renuncia de Zelaya através da nota Knox e a partir daí se inicia a intervenção aberta em Nicarágua. Nicarágua passou a ser um protetorado norte americano.

Setores patrióticos nicaragüenses resistem a esta intervenção. A resistência patriótica dura 3 meses até sua derrota com a queda do herói da Barranca Benjamín Zeledón em Outubro de 1912.

Os Estados Unidos obrigam a Nicarágua a firmar o tratado Chamorro-Bryan, 1914, para impedir que outro estado construa um canal que venha competir com seus interesses com o já construído canal do Panamá. Diversos governos títeres convivem com a intervenção, o são chamados para que sirvam de suporte militar. É a situação que se vive em 1926.

 

Sandino e sua luta antiimperialista

Quando Sandino completou 17 anos (1912), vê passar em seu povo uma carreta com o cadáver destroçado do patriota Benjamín Zeledón e segundo ele relata, isso o marcou para sempre. De origem humilde, chega, com ajuda de seu pai a converter -se em um comerciante de grãos. Sai da Nicarágua em 1921. Trabalha em Honduras, e depois na Guatemala nos enclaves de capital estrangeiro. Conclui seu périplo no México onde trabalha como mecânico, em companhias petroleiras transnacionais. Sua morada no México permite a ele ampliar seus horizontes.

Estando no México recebe noticias sobre a nova intervenção dos militares norte americanos e decide regressar a Nicarágua, em Maio de 1926. Trabalha como operário na mineração de San Albino, organiza um grupo de seus companheiros, subtraem dinamite dos armazéns da mineradora, tomam as armas para incorporar -se à luta. Lançam a Proclama de San Albino..

É inicialmente uma luta de liberais contra conservadores. Estes últimos apoiados pelos marines que haviam desembarcado com 5000 jovens em Puerto Cabezas, no ano de 1926.

A coluna de Sandino conta para isto com varias centenas de homens e mulheres essencialmente camponeses. A coluna se destaca não só por sua coragem nas batalhas, mas por suas idéias, por seus emblemas vermelho e negro, diferente de outras forças que andavam com a bandeira liberal vermelha. É uma luta popular na qual “os pobres, os humildes, empunham o fuzil em busca de justiça porém o mando do movimento rebelde está podre de indivíduos cheios de princípios e carregados de ambições: Moncada e Sacasa”[5]

O liberal José María Moncada lidera as forças rebeldes. Porém em 4 de Maio de 1927 se entrevista com o representante do império Henry Stimsom. E sob a sombra de uma árvore de espinho negro, firmam o que se conhece como “o pacto do Espinho Negro, ou a traição do espinho negro. Mediante esse pacto Moncada aceita render - se, com a promessa de umas eleições vigiadas pelos Estados Unidos. Chama os rebeldes para que entreguem suas armas, e oferece por cada fuzil entregado a soma de 10 dólares.

Quando Sandino soube decide não render -se. Viaja à Segovias escolhe aos mais provados combatentes e com eles (não chegam a 30) lança sua declaração de guerra patriótica.

#Minha resolução é esta: Eu não estou disposto a entregar minhas armas no caso de que todos o façam. Eu morro com os poucos que me acompanham porque é preferível morrer como rebeldes e não viver como escravos.# 

A partir de 4 de Maio de 1927, Sandino combate aos norte americanos e às forças mercenárias vende pátrias. Decide utilizar a tática de guerrilhas. Não teve nunca posição fixa para ser atacado. Seus combates, ainda em condições desiguais consegue infringir de maneira crescente fundamentais derrotas ao inimigo.

Durante todos esses anos, Sandino consegue a incorporação de camponeses, que combatem em condições terríveis, descalços, em farrapos, sem comida. Seus generais são camponeses e trabalhadores como Juan Pablo Umanzor, Pedro Altamirano (Padrón), Francisco Estrada, entre outros. Também se incorporam mulheres, e se destacam por sua combatividade e apoio à luta de Sandino María Altamirano, Conchita Alday, Blanca Arauz, Teres Villatoro.

Os combates de Sandino se tornaram cada vez maiores na geografia nacional e os norte americanos empenham todo seu poderio, como mais tarde o fariam no Vietnã. Para dar uma idéia da força de enfrentamento, basta assinalar que em 4 de janeiro de 1928 puseram 6 cruzeiros de guerra em frente às costas nicaragüenses. Em 1ro de Fevereiro de 1928, os norte americanos dispõem 4000 militares, e 27 aviões[6]. Nesse mesmo ano, puseram mais 14 tanques de guerra , com 5,365 marines. No final deste ano chegavam a 5,600 os marines combatendo em nosso pequeno e despovoado pais.

Em Janeiro de 1929 se realizam eleições sob intervenção dos estadunidenses e sobe ao poder Moncada, e novamente o Almirante D.F. Seller da Marinha estadunidense obrigando sob ameaças Sandino a render -se.

Sandino responde:

#O patriotismo a que você apela é o que me tem mantido rechaçando a força contra a força, desconhecendo em absoluto toda intromissão do seu governo nos assuntos interiores de nossa nação, e demonstrando que a soberania de um povo não se discute mas se defende com as armas na mão.

Fundado no anterior é que exponho a você que para chegar a esse acordo de paz efetivo com o general José María Moncada, pomos como primeira base, absolutamente indispensável, a retirada das forças norte -americanas sob seu mando em nosso território.

Não acredito ser demais manifestar a você que as propriedades estrangeiras ficarão melhores garantidas por nós os nicaragüenses que por forças de um governo estranho, porque toda intromissão estrangeira em nossos assuntos, só traz a perda da paz e a ira do povo# 

As eleições sob intervenção colocam na presidência Juan Bautista Sacasa, e a partir daí se inicia um processo de Paz em que a condição primordial de Sandino é a retirada das tropas estadunidenses.

Em Janeiro de 1933, os Marines se retiram da Nicarágua sem haver podido vencer as forças de resistência do Exército Defensor da Soberania Nacional. Sua retirada constitui a primeira derrota militar em seus desejos imperialistas sobre nossa América.

O processo de negociações levou Sandino a viajar a Manágua, e em Fevereiro de 1934 realiza sua quarta e última viagem, depois de um jantar em casa presidencial, a escassos 300 metros do Palácio, Sandino é preso e posteriormente assassinado junto com seus generais Juan Pablo Umanzor e Francisco Estrada.

Quando procederam a revista em seus bolsos disse: “Não levo um só centavo porque jamais tomei fundos da nação” Era 21 de Fevereiro de 1934.  

 

As idéias de Sandino

Sandino não pode realizar diretamente a sistematização de suas idéias e práticas revolucionárias. O estudo de seu ideário realizado por distintos investigadores, nos permite afirmar que era portador de uma proposta mais além da mera derrota do invasor imperialista. Sandino tinha uma visão patriótica, mas também uma proposta ética, uma proposta cultural e uma proposta social.

Quem conheceu pessoalmente a Sandino como o escritor nicaragüense Salomón de la Selva e o jornalista vasco Ramón de Belausteguiogoita, diz que Sandino era parte de uma família que cultivou grandes ideais. O pai de Sandino tinha uma biblioteca na qual o jovem Sandino inicia seus conhecimentos sociais e filosóficos. (Mac Caulay y Belausteguigoita, citado por Alejandro Bendaña: 14)

Enquanto a luta se desenvolve, Sandino vai fortalecendo sua convicção de que não se trata somente do combate à intervenção, mas se trata da luta contra uma realidade de exclusão. Fortalece seu sentido classista, porém de acordo com nossas realidades. Nicarágua é então, um país com nenhum desenvolvimento industrial e as poucas concentrações operárias se encontram em enclaves, muito longe dos centros políticos. As bananeiras, as explorações florestais e minerais nos enclaves se localizavam principalmente na isolada Região do Caribe da Nicarágua. Por isso Sandino desempenha uma função muito importante entre os camponeses.

Quando sai da Nicarágua Sandino é portador de inquietudes sociais e políticas, e ao chegar ao México é sem dúvidas impactado pelos ares da revolução mexicana. Se vivia em todo o país a agitação e a mudança e reinava o radicalismo frente aos Estados Unidos. Sandino mesmo reconhece ao afirmar.

#Bendigo a hora em que emigrei a um país onde apaguei minha sede de ensinamentos bebendo em novas idéias, tremeu meu espírito purificando no sentimento de amor pátrio. Não quero dizer que fui à Europa buscando escola de heróis, pois estamos convencidos meu bom amigo que os heróis se improvisam pelas circunstâncias do momento e sempre surgem da classe do povo. [7]#

Sandino além de operário da companhia petroleira no México entra em contacto com os sindicatos mais radicais da época. O investigador Bendaña aponta que ao longo dos escritos de Sandino se consegue identificar a influência do socialismo libertário, que professam os anarcossindicalistas mexicanos.

Deste sindicalismo é que recebe influencias Sandino. Não estamos falando do anarco - sindicalismo como o conhecemos depois mas do estado em que se encontra nos momentos mais importantes de seu trabalho no México. Não nos referimos ao anarco -sindicalismo que nega toda autoridade, nos referimos ao que estava fundado nas idéias do socialismo libertário, que dá a autogestão um papel fundamental, o que reclama um regime coletivo de propriedade, e o que se distancia da ditadura do proletariado, por considera- la autoritária. A pesar de Sandino nunca se auto qualificar-se de anarquista, utilizou os termos de socialista e comunista racionalista:

#enquanto você esconde ser chamado de comunista, eu o declaro ao Universo inteiro, com toda a força de meu ser, que sou comunista racionalista”. (Carta a Humberto Barahona, 27-5-33, II, 338).#

Carlos Fonseca ao estudar seu pensamento de forma ousada localiza suas idéias sociais nos limites com o socialismo, Sua luta antiimperialista então tem conteúdos de transformação social. Sandino se expressa contra a propriedade privada e critica a apropriação da riqueza, por parte dos oligarcas.

Em um Boletim de Guerra assinado em Agosto de 1931[8] Sandino recorda aos combatentes do EDSNN que

#Nossa guerra é guerra de libertadores, para matar a guerra dos covardes agressores que CONSOMEM o que não PRODUZEM e se valem das mesmas armas que o povo lhes há confiado para lançar ao povo contra o mesmo povo.#

Somoza com o objetivo de desqualifica-lo conta em sua obra Sandino El Calvario de la Segovias:

#Nessa ocasião, Moncada disse haver recebido um memorial escrito por Sandino a respeito de suas idéias, o qual terminava assim: “a propriedade é um roubo”… Naturalmente isso me deu o perfil do homem que era Sandino… as idéias de Sandino são algo mais que socialistas… no México segundo parece, esteve em contacto com elementos anarquistas.[9] (Somoza pp 83)#

Ramón Belausteguigoitia em suas crônicas refere que no acampamento de Sandino se entoava o hino “A Internacional”

 

Sandino e seu projeto

Sandino combate a intervenção norte americana, porém não se detém no nacionalismo. Sandino é sensível à situação de miséria e de exclusão que vive a maioria dos nicaragüenses, e propõe a construção de uma Nicarágua sem exploração.

O mesmo o explica, ao referir - se a seu regresso do México e o trabalho realizado na Mineradora de San Albino:

#Eu de minha parte comecei a trabalhar com o ânimo daqueles trabalhadores, explicando - lhes os sistemas de cooperativas de outros países e o tristemente que éramos explorados e que devíamos nos preocupar por um governo que de verdade se preocupara com o povo, para que este não fosse vilmente explorado pelos capitalistas e as grandes empresas estrangeiras, pois o povo é Nação e que devíamos exigir, como em todos os países civilizados do mundo, que todas as empresas que operam em Nicarágua deveriam proporcionar a seus trabalhadores atenção médica, escolas, leis e organizações, tais como união de trabalhadores e que nos não tínhamos nada disto. (Román, 49 citado por Bendaña:59)#

Imediatamente depois de que se retiram os marines Sandino reflete sobre o caráter econômico e político da intervenção, assinalando a função das oligarquias representadas nos dois partidos tradicionais “Nicarágua continuava política e economicamente invadida e assim continuaria enquanto os governos estivessem nas mãos dos partidos existentes”. 

Quando Sandino consegue expulsar os marines fala da possibilidade de criar um partido político e das características de um governo popular. Concebe a formação de um governo, como o representante de uma sociedade em que não seriam explorados os operários e camponeses. Esse governo “estaria desligado de elementos burgueses, que em todos os tempos têm querido que aceitemos as humilhações do yankee”. (Arellano, 55)

Um reflexo desse projeto consegue realizar na organização de cooperativas em Rio Coco. Com o processo de paz, Sandino trabalha um ano em Wiwilí e impulsiona projetos de colonização na região do Rio Coco para “fazer uma agricultura cooperativista”.

Mais que um programa agrário é um projeto social que por sua vez pretende resolver o problema dos camponeses sem terras e dos trabalhadores desempregados pela via do regime de cooperativas e a auto-gestão operária, resguardado por um sistema de milícia popular

Para a realização desse projeto econômico nacional empreendido diretamente pelos trabalhadores, negocia créditos com o governo, toma contacto com comerciantes do Cabo Gracias a Dios “para organizar o intercâmbio comercial de Wiwilí, com uma companhía mexicana para o cultivo de banana na Costa Atlântica e que tiremos a United Fruit”. (Bendaña 69)

 

Sandino e os comunistas

No inicio da luta Sandino, recebeu o apoio decidido dos comunistas agrupado na III Internacional, porém em 1929 se produzem transformações que levam ao distanciamento.. Sandino sai para o México pretendendo reverter o processo de isolamento que está sofrendo sua luta. Expressa:

#Nos agoniava o silêncio, o isolamento, o desespero de permanecer ignorados. Nos fazia falta que o mundo conhecera que ainda estávamos na luta… a luta tem seguido na Nicarágua tão intensa como antes, porém o dinheiro norte americano nos levou ao silencio”.#

A Resolução do VI Congresso da Internacional Comunista de 1928, havia convocado a apoiar efetivamente a luta antiimperialista de Sandino.

#(…) Esta linha de ação corresponde ao pensamento marxista latino americano de Julio Antonio Mella (…) a José Carlos Mariátegui quem manteve fecunda fidelidade à causa de Sandino até o final de seus dias, e de Gustavo Machado que defendeu Sandino até a véspera de sua morte em 1983 na Venezuela[10]#

A Internacional comunista dispunha como instrumento para fazer valer seu respaldo a este tipo de lutas a Liga Antiimperialista mundial e antes de 1929, predominava a tese da Frente Única, para as lutas em nossos países que enfrentavam o colonialismo, e às tarefas de independência nacional. “Jorge Dimitrov, soube promover a consigna fundamental para formação de uma Frente Única Antiimperialista que agrupara todas as forças de libertação nacional. Obviamente esta consigna propunha e desenvolvia a política da Internacional Comunista em relação ao problema nacional das colônias, elaborado sob a direção de Lenin nos primeiros momentos da IC de 1919 a 1924 “. (Armando Amador 118)

Esta tese correspondia com as convicções de Sandino, que vinha propondo a necessidade da construção de uma Frente Única Antiimperialista

#A primeira vez que o General Augusto C. Sandino convocou a formação de uma Frente Única contra os avanços dos conquistadores yanquis na América Latina, era como um recurso fundamental diante a 15 presidentes de Governo que em agosto de 1928, expressavam autonomias em suas manifestações oficiais em conferências internacionais” Armando Amador[11]#

Nessa reunião de Presidentes Sandino expôs:

#Por quinze meses, o Exército Defensor da Soberania Nacional da Nicarágua (1927-agosto de 1928), frente a fria indiferença dos governos latino americanos e entregue a seus próprios recursos e esforços, soube , com honra e brilho, enfrentar às terríveis bestas loiras e à terrível caterva de traidores renegados nicaragüenses que apóiam ao invasor em seus sinistros desígnios.#

#A colonização yanqui avança com rapidez sobre nossos povos sem encontrar em sua passagem muralhas firmes de baionetas, e assim cada um de nossos países a quem chega seu turno é vencido com pouco esforço pelo conquistador, já que, até hoje cada um se defendeu por si mesmo (…)#

#(…) Se os governos das nações que estão na cabeça da América Latina estivessem presididas por um Simón Bolívar, um Benito Juárez ou um San Martín, outro seria nosso destino, por que eles saberiam que enquanto a América Central estivesse dominada pelos piratas loiros, seguiriam no mesmo caminho México, Colômbia, Venezuela, etc.#

#(…) somos 90 milhões de latino americanos, e só devemos pensar em nossa unificação e compreender que o imperialismo yanqui é o mais brutal inimigo que nos ameaça e o único que está disposto a terminar por meio da conquista com nossa honra racial e com a liberdade de nossos povos.#

#(…) Para formar uma frente única e conter o avanço do conquistador sobre nossas pátrias devemos principiar por nos fazer respeitar em nossa própria casa e não permitir que déspotas sanguinários como Juan Vicente Gómez e degenerados como Leguia ou Machado e outros nos ridicularizem frente ao mundo como o fizeram na pantomima de La Habana (en 1928)#

#Os homens dignos da América Latina, devemos imitar a Bolívar, Hidalgo, e San Martín e as crianças mexicanas que día 13 de Setembro de 1847 caíram crivadas pelas balas yanquis em Chapultepec que sucumbiram na defesa da pátria e da raça, antes que aceitar submissos uma vida cheia de desprezo e de vergonha em que nos quer submeter o imperialismo yanqui.#

Porém quando se modifica a linha da Internacional comunista e passa a defesa da “pureza ideológica”, a percepção comunista muda. Encabeça essa posição o Partido Comunista do México. Em nome dessa pureza ideológica criticam a Sandino em muitas coisas. Por exemplo, não estão de acordo que peça apoio a sua luta ao governo mexicano. Expressam seu desacordo no impulso da iniciativa para uma conferencia latino americana para colocar a rota do canal interoceânico e o Golfo de Fonseca sob a jurisdição da América Latina, e criticam seu apelo aos liberais burgueses contra o imperialismo.

A essas alturas Sandino propõe um chamado amplo, que envolva a todos os setores na luta contra o imperialismo. A tese da Frente Única havia sido abandonada pelos comunistas que não compreendem a Sandino.

Uma expressão das boas relações de Sandino com os comunistas se reflete na cooperação de Farabundo Martí, que lhe outorgou o grau de capitão e lhe serviu como seu secretário geral e lhe acompanhou ao México em 1929. É certo que existem diferenças que alguns têm sobre dimensionado. Nas próprias palavras de Sandino:

#Seu entusiasmo e boa fé me deixaram uma viva impressão e muito lamentei sua morte”, disse Sandino em 1933. No fundo tinha grandes méritos porém desgraçadamente com um caráter sumamente rebelde… Realmente, eu nunca tive nenhuma disputa ideológica com ele porém por sua rebeldia dificultou sua compreensão das limitações da missão no México, nem sua categoria de subordinado. (Román, 132).#

#Estava de acordo com todas suas idéias… porém lhe explicava que naquele momento não era isso o que cabia e que minha luta devia seguir sendo nacionalista e antiimperialista. Lhe explicava que o primeiro era defender o povo nicaragüense da garra imperialista, livrá-lo dela, expulsando de nosso solo esses cachorros, as companhias estadunidenses, e que o seguinte passo era organizar os trabalhadores. (Conversación en Niquinohomo, II, 366)#

Salvador Calderón Ramírez, em seu livro Últimos dias de Sandino, relata que dois dias antes do crime o herói lhe disse algumas palavras sobre a separação com o mártir comunista salvadorenho Agustín Farabundo Martí:  “nos separamos repletos de tristeza, na maior harmonia, como dois irmãos que se querem e não podem se compreender”. Farabundo Martí sempre respeitou o guerrilleiro antimperialista. Antes de receber a descarga que lhe tiraria a vida, o comunista Martí declara:

#Dou testemunho agora da integridade moral, da pureza absoluta do general Sandino. Me consta que no México recebeu ofertas repetidas de consideráveis soma de dinheiro, com tanto que abandonara sua luta em Las Segovias, e que essas ofertas foram rechaçadas por ele general com a mais nobre indignação.#

#(…) Tenho interesse que se aclarem estes pontos para estabelecer a verdade histórica. E já para morrer, a dois passos da execução, declarou solenemente que o general Sandino é o primeiro grande patriota do mundo.#

Sandino também teve relações com APRA e suas idéias também expressam alguma influencia em Sandino. Esteban Pavletich foi membro de seu estado Maior. Porém dentro dos conflitos também teve que despedir a Pavletich e expressou suas abertas diferenças com o aprismo. Se relaciona com Haya de la Torre, porém se distancia em relação ao papel da burguesia na condução dos movimentos de emancipação. Sandino acredita no papel de condução dos operários e camponeses

Sandino foi um revolucionário de seu tempo, muito fundido na realidade nacional, por isso se pode afirmar que esboçou os traços de uma teoria que não teve tempo de desenvolver. Baseado nas realidades da Nicarágua, um país invadido e submetido aos ditados dos norte americanos, sem uma classe operaria ampla. Seu objetivo foi o nacionalismo, a defesa da soberania e autodeterminação democrática e sua preocupação central a situação de exploração e miséria de seu povo. Considerava vital a conquista da soberania para avançar na transformação da realidade de opressão da qual eram responsáveis em sua grande maioria políticos mestiços.

 

Sandino vive. A luta segue!

Depois do Assassinato de Sandino sobreveio uma larga noite. As bases de Sandino foram duramente reprimidas, seu nome desprezado, sua luta postergada. Somoza executou o assassinato de Sandino, decidido na Casa Branca, e se instalou ditatorialmente por 40 anos. Um dos generais de Sandino, o Coronel Santos López conseguiu sobreviver das matanças. E no final dos anos 50 se encontrou na luta com Carlos Fonseca. Lhe contou suas experiências. Fonseca estudou a vida de Sandino, se enamorou de sua luta , e fundou a Frente Sandinista de Liberação Nacional que conduziu o povo a vitória total sobre a ditadura somozista em 1979.

O exemplo de Sandino tem total vigência porque seguem vivos os ímpetos de dominação imperialista. Para alguns ingênuos o imperialismo já não existe, para outros a dominação do capital não tem referências geográficas. Também há quem chegou a afirmar que a dominação imperial estava abandonando as formas militares para concentrar -se na econômica.

A realidade tem mostrado que o imperialismo existe, que as grandes transnacionais tem sua sede principalmente nos Estados Unidos, que o poder mundial Capitalista tem seu gerente na Casa Branca, que o uso da força e a supremacia militar estão na ordem do dia, não só para intervir diretamente, como o fizeram no Afganistão e no Irak, mas para fazê-lo indiretamente como na Colômbia o na Palestina.

A dominação do sistema capitalista e do imperialismo se manifesta em todas as ordens: no social, no econômico, no cultural, no religioso.

As advertências de Sandino lançadas na reunião de presidentes latino americanos em 1928 formam cumpridas.

#A colonização yanqui avança com rapidez sobre nossos povos#

#(...) Se os governos das nações que estão na liderança da América Latina estivessem presididos por um Simón Bolívar, um Benito Juárez ou um San Martín, outro seria nosso destino (...)#

#Os latino americanos, só devemos pensar em nossa unificação e compreender que o imperialismo yanqui é o mais brutal inimigo que nos ameaça e o único que está disposto a terminar por meio da conquista com nossa honra racial e com a liberdade de nossos povos.#

#É necessário formar uma frente única e conter o avanço do conquistador sobre nossas pátrias.#

Refletir então sobre as lições da história, sobre o pensamento e a ação de homens como Augusto C. Sandino é hoje mais urgente que nunca. Para extrair seus ensinamentos, para aprender, porém sobre tudo, para nos animar, para enchermos de sua coragem e de sua dignidade.

Porque de Sandino não só ressaltamos sua força e seu valor, mas sua ética, sua honradez e sua sinceridade. Isso necessitamos nestes momentos, onde campeia a corrupção, o pragmatismo e resignação, em momentos onde tudo parece submetido à transação. Refletir sobre esta vertente, é então agora também tão importante como seu antimperialismo, porque ambos estão indissoluvelmente ligados. Só a um louco, idealista e puro foi possível ocorrer em 1926 que poderia derrotar, começando com um exército de 30 patriotas, ao imperialismo norte americano. Isso é o que necessitamos agora. Um pouco desta loucura divina, desse ardor, dessa convicção dessa mística.

 

 

Fontes consultadas

Amador Armando: El Exilio y las Banderas de Nicaragua Federación Editorial Mexicana, México 1987

Bendaña Alejandro La Mística de Sandino Centro de Estudios Internacionales. Colección Perspectivas. 1994

Fonseca Carlos. Obras. Tomo 2. Viva Sandino. Editorial Nueva Nicaragua Segunda Edición 1985 

 


[1] Angela Morales Avilés, quién cayo en combate desigual junto con la obrera Merceditas Avendaño el Sábado 14 de Mayo de 1977, en las inmediaciones de la Iglesia Monseñor Lezcano, tenía 27 años de edad y Merceditas 22.

[2] En 1831 el gobierno Centroamericano otorga una concesión canalera a una compañía Holandesa, y aunque esta compañía no dio pasos concretos, avivó los celos norteamericanos.

[3] El príncipe Francés Luís Napoleón Bonaparte publica en 1846 publica un trabajo planteando el problema de la construcción de un canal interoceánico por el istmo nicaragüense

[4] En 1847 se produce el primer acuerdo oficial de intromisión Yanqui en Nicaragua a través de un tratado, en 1848 y 1849 se suscriben dos tratados mas igualmente onerosos.

[5] Carlos Fonseca: Sandino Vive pagina 46

[6] (6 aparatos Dehavillam para lanzar bombas, 6 anfibios e hidroplanos, 6 aparatos de observación, 3 Folker para transporte, 6 de tipos Curti fallon.

 

[7] Richard Grossman. Documento 16 rescatado junto con otros documentos del Centro Histórico de Infantería de la Marina de Esatos Unidos. Carta de Sandino a Don Arnoldo M. Ramírez 17 de Junio de 1927

[8] Escrito Inédito que fue desclasificado por el Departamento de Estado y al que se ha tenido acceso hace 10 años

[9] A. Somoza. “El verdadero Sandino, el Calvario de las Segovias” 2da Edicion Editorial San Jose. SA, Managua Nicaragua 1976

[10] Armando Amador: El exilio y las banderas de Nicaragua:19

[11] Amador Armando: El Exilio y las Banderas de Nicaragua: 116

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