Capital estrangeiro ameaça indústria Brasileira de elevadores

Fábricas de elevador se unem para sobreviver

Empresas afirmam que líderes de mercado aumentaram uso de componentes importados

05 de agosto de 2012 | 3h 09

CLEIDE SILVA - O Estado de S.Paulo

Um grupo formado por 30 pequenas e médias fabricantes brasileiras de elevadores se uniu para fazer compras e participar de processos de licitação, em uma tentativa de sobrevivência. Num mercado dominado por três multinacionais - Atlas Schindler, Otis e ThyssenKrupp, que concentram cerca de 85% das vendas -, elas reclamam que, além da concorrência, enfrentam a crescente importação de equipamentos asiáticos promovida pelas líderes do segmento.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, no primeiro semestre deste ano foram importados US$ 110,5 milhões em elevadores e componentes, o correspondente a 70% do que foi importado em todo o ano de 2012 - US$ 159,1 milhões. Procuradas pelo Estado, nenhuma das multinacionais informa o porcentual de importação em seus negócios.

O grupo, chamado de Fórum das Empresas Brasileiras Fabricantes de Elevadores (Febrafe) vai ser lançado na terça-feira, durante a Expo Elevadores, feira do setor que será realizada em São Paulo. Além de coordenar as ações conjuntas de compra, será porta-voz das empresas na discussão de medidas de incentivo à indústria nacional com o governo, explica o diretor do Fórum das Empresas Brasileiras Fabricantes de Elevadores (Febrafe), Antonio Aparecido Pereira. "A nossa intenção é salvar a indústria nacional", afirma.

A empresa comandada por Pereira, a Basic Elevadores, criada em São Paulo há 15 anos, produz cerca de 200 elevadores ao ano. "Desde a fundação, crescíamos em média 20% a 30% ao ano, mas, a partir de 2008 ficamos estagnados", afirma. A fabricante importa itens tecnológicos sem produção local, como o acionamento do elevador.

Importação. Há cerca de 15 anos, 60% dos elevadores vendidos no Brasil eram produzidos localmente e 40% eram importados. "Hoje, essas participações se inverteram", informa João Jair de Lima, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Elevadores (Seciesp), entidade responsável pelo Febrafe.

Alexandre Carobelli, sócio da Alfabra, com sede na zona Norte de São Paulo, diz que a política tributária para o produto importado e o nacional é a mesma. Além disso, o empresário afirma que os contratos de licitação para grandes obras são feitos direcionados às multinacionais, o que impede a participação das fabricantes brasileiras. "As multinacionais estão acabando com a produção local pois estão trazendo quase tudo de fora." Segundo ele, a Alfabra usa 90% de componentes locais.

Nicho. Criada em 1998, a empresa sobrevive porque, há oito anos, encontrou um nicho diferenciado, com produtos mais sofisticados e feitos sob encomenda pelos empreendimentos - o de elevadores panorâmicos. "Não é um produto barato, mas é de qualidade e já sai de fábrica com todos os opcionais, como alarme de peso", informa Carobelli. A Alfabra deve produzir cerca de 60 elevadores este ano, mesmo número de 2011.

O mercado total brasileiro para este ano é estimado em 13 mil a 15 mil elevadores. As fabricantes nacionais esperam crescimento de 10% a 15% no volume de negócios. "Se não fossem as importações, poderíamos crescer mais diante do bom momento na construção civil, obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da Copa do Mundo e das Olimpíadas, além dos investimentos em projetos de acessibilidade", relata Lima.

Ele admite que os produtores nacionais também importam componentes, mas em pequena escala. Já as grandes, segundo ele, trazem elevadores completos, apenas para serem montadora localmente. O principal fornecedor é a China, que oferece produtos até 50% mais baratos que os nacionais.

Outro exemplo da diferença de preços, citada por Carobelli, é o da polia de metal, onde passa o cabo de tração do elevador. O componente fabricado nacionalmente custa US$ 1,5 mil. Um similar chinês, mas feito de plástico, sai por US$ 60. Segundo ele, não há riscos para a segurança, mas a durabilidade da peça chinesa é muito inferior à de metal e exige trocas constantes.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,multis-ampliam-producao-e-crescem-acima-do-pib-,911477,0.htm

Múltis ampliam produção e crescem acima do PIB

05 de agosto de 2012 | 3h 10

O Estado de S.Paulo

Uma das grandes multinacionais do ramo, a ThyssenKrupp está ampliando sua fábrica de Guaíba (RS) em 30 metros quadrados, mas não divulga números de produção. Segundo Paulo Henrique Estefan, vice-presidente comercial, a empresa vai fornecer 16 elevadores para o Arena Castelão, estádio de futebol em Fortaleza (CE) que abrigará jogos da Copa.

Serão 11 elevadores para o estádio, três para o estacionamento e dois para prédios anexos que vão abrigar sedes da Secretaria do Esporte do Estado e do Departamento de Arquitetura e Engenharias. A empresa também tem contrato para as obras de ampliação dos aeroportos de Manaus e Confins (MG). Estefan diz ainda que a Thyssen investe na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias em elevadores, e a unidade de Guaíba é um dos centros de pesquisa do grupo.

A Atlas, empresa brasileira que em 1999 foi adquirida pelo grupo suíço Schindler, informa que seus negócios estão crescendo acima dos resultados da economia. "Com a situação econômica favorável, a Atlas Schindler apresentou, nos últimos anos, um crescimento bem superior aos índices do PIB e da construção civil. Vamos continuar crescendo", diz o diretor comercial de operações, Francisco Bosco.

O grupo tem 4,7 mil funcionários na fábrica em Londrina (PR) e na de São Paulo, no bairro do Cambuci, destinada à produção de pequenos componentes e centro de distribuição de peças de reposição. Já a Otis não se pronunciou. / C.S.