ELEGER FERNANDO HADDAD E DERROTAR O FASCISMO

 

O processo eleitoral de 2018 está ocorrendo num momento em que a convergência entre crise econômica e crise política aprofunda a nossa crise de destino. O golpe de estado em curso no Brasil, articulado pelo imperialismo e pelas forças antinacionais e antipopulares no plano interno, busca se legitimar pelas urnas e abrir uma nova etapa no processo de retirada de direitos sociais e a destruição da Constituição 1988.

Portanto, o golpe de novo tipo em curso no Brasil é a via que a classe dominante optou para jogar as consequências da crise econômica nas costas da classe trabalhadora. Buscam recompor suas taxas de lucro e realinhar o Brasil com os interesses do imperialismo estadunidense. Não por acaso, já aprovaram medidas que retiram direitos sociais e ferem de morte a soberania nacional. É o caso da reforma trabalhista, da Emenda Constitucional 95 e dos leilões do petróleo da camada pré-sal.

A política econômica voltada para os interesses do rentismo aprofunda a desindustrialização e agrava a crise fiscal brasileira, dificultando os investimentos nas áreas sociais e a geração de empregos. Ao mesmo tempo, se aprofunda a crise social. De 2016 a 2018 o índice de extrema pobreza aumentou 11,2%, totalizando 14,83 milhões de brasileiros. Neste momento, são 13 milhões de desempregados. As políticas sociais dos governos Lula e Dilma estão sendo desmontadas, desamparando milhões de brasileiros.

Os golpistas também atuam via operação lava jato para desnacionalizar a economia brasileira e destruir conquistas civilizatórias inscritas no pacto constitucional de 1988 como o direito à presunção da inocência e o devido processo legal.

A candidatura de Jair Bolsonaro, que tem na sua retaguarda os setores militares golpistas, representa a continuidade e aprofundamento do golpe de estado. Representa a consolidação do processo de restauração ultra neoliberal em curso. É a candidatura do imperialismo, dos setores antinacionais e antipopulares que são inimigos do povo brasileiro e assim devem ser tratados.

Uma eventual vitória constituiria um cenário marcado pela combinação de mais retirada de direitos sociais dos trabalhadores, com a criminalização e perseguição das forças democráticas e populares. Nossa intervenção na batalha eleitoral do segundo turno tem como objetivo contribuir para evitar este cenário. Esta é nossa prioridade até 28 de outubro.

A candidatura de Jair Bolsonaro é impulsionada por uma corrente de opinião fascista que tenta ganhar a classe trabalhadora em torno de um discurso antissistêmico de direita. O modus operandi desta candidatura são as notícias falsas, a desinformação da população, a intolerância e a violência. O objetivo é intimidar a militância e evitar o crescimento do nosso volume de campanha. Estamos travando uma luta contra um inimigo que tem valores e práticas fascistas. Por isso mesmo, devemos ter o máximo de cuidado com as questões de segurança. E devemos dar centralidade ao confronto de projetos em disputa neste segundo turno para derrotá-la. A sua candidatura significa o aprofundamento do golpe e a retirada de direitos sociais da classe trabalhadora. Significa comprometer a soberania nacional. Significa mais intolerância, desrespeito e violência contra as mulheres, negros e LGBTs.

A ação na reta final do primeiro turno não foi suficiente para garantir a vitória da candidatura fascista. O segundo turno tem uma dinâmica específica de embate entre dois projetos e isso deverá abrir espaços de discussão sobre o Brasil, seus impasses e o que pretendem as forças em disputa.

Nesta batalha eleitoral, somente a união e mobilização de todos os democratas em torno da candidatura de Fernando Haddad e Manuela d’Ávila poderá evitar este retrocesso. É necessário, desde já, construir um grande movimento em defesa da democracia.

A vitória eleitoral de Haddad é o ponto de partida para restabelecer a democracia e defender a soberania nacional. Seu projeto está em consonância com os interesses da classe trabalhadora. É definido pelo enfrentamento da crise brasileira com a geração de emprego e renda, o fortalecimento das políticas sociais, assim como o combate à extrema pobreza e as mazelas seculares do nosso povo.

Eleger Haddad também significará construir o melhor cenário para que as forças democráticas e populares aprofundem seus vínculos com a classe trabalhadora. Trata-se de um paciente e persistente trabalho de base para organizar o povo brasileiro em torno de um projeto nacional com direitos sociais, reformas estruturais e soberania nacional.

A Consulta Popular é uma organização voltada para fora. Sua marca é a fidelidade ao povo brasileiro e o compromisso com um Projeto Popular para o Brasil. Não está sendo uma batalha fácil. Dispomos de muita energia e confiança que o povo brasileiro não permitirá um retrocesso dessa magnitude em nossa democracia. Contudo, precisaremos de mais. Os próximos dias exigirão a ação conjunta de todos os democratas.

Nossa mensagem é de muita disposição para a luta. Nos somaremos às fileiras em defesa do Brasil. Fazemos um chamamento público ao conjunto das forças nacionais, democráticas e populares para que estejamos juntos nessa batalha.

 

Pátria Livre! Venceremos!

São Paulo 12 de outubro de 2018.