Em Curitiba, ato público na Boca Maldita exige Comissão da Veradade e lembra lutadores mortos e desaparecidos

Em Curitiba,aconteceu um ato público na Boca Maldita, centro da capital paranaense, para denunciar os assassinatos, torturas e violações de direitos humanos na Ditadura Militar. Entre os denunciados está o tenente Paulo Avelino Reis, citado como torturador em documentos do Grupo Tortura Nunca Mais.


O evento do dia 26 de março abriga lutadores de diferentes gerações, tanto as que viveram os horrores da repressão, assim como aquelas que não querem que esses setores conservadores voltem a ter voz na política nacional. O local de encontro foi a Boca Maldita, no centro de Curitiba. Se no dia 08 de março, as mulheres silenciaram os famosos espaços “de conversas só para homens” conforme a tradição desse local, hoje será a vez de silenciar muitas vozes que não querem a verdade sobre os crimes da ditadura civil-militar. O ato marca a mobilização para o lançamento do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, quando mais um estado se soma à reivindicação nacional pela instauração da Comissão Nacional da Verdade. O lançamento acontecerá no dia 12 de abril, às 19:30h, no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Um leque amplo de organizações assina e participa da atividade, desde os partidos de esquerda, além de sindicatos como o Sindipetro-PR, Sindicato dos Petroleiros, Sindijus (Servidores do Judiciário), Sindiquímica (trabalhadores da Vale Fertilizantes), Sindicato dos Engenheiros (Senge), entre outros. A juventude também marca presença com a poesia e animação do Levante Popular da Juventude. Entidades voltadas à defesa dos direitos humanos participaram da articulação, além de entidades no campo institucional, caso da OAB-PR, Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná e Promotoria Pública. “Essa é uma luta de todo o povo brasileiro no sentido de impulsionar a Comissão da Verdade a avançar na ampla e rigorosa apuração dos crimes da ditadura civil-militar, contribuindo para a construção de um Brasil verdadeiramente democrático e soberano”, avalia Antônio Goulart, da direção do Senge.