Estado do Pará realiza curso de Formação de Formadores para Plebiscito Popular

 

 

 

BELÉM - Nos dias 11 a 13 de abril de 2014, se realizou no Sindicato dos Bancários o curso de formação do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana pela Reforma do Sistema Político.

 

 


O curso teve como objetivo formar agentes multiplicadores e formadores no estado do Pará. O mesmo reuniu cerca de 80 militantes sociais de mais de 20 organizações e movimentos populares e sindicais do estado. O curso, que de início era para ser somente da Região Metropolitana de Belém e Nordeste Paraense, também contou com a participação de pessoas de Marabá e Altamira.

Durante o encontro foram debatidos os limites do atual sistema político brasileiro. Para Leidiano Farias, da Consulta Popular Nacional e do Comitê Nacional do Plebiscito, o nosso atual sistema político é atrasado e que o mesmo representa um obstáculo para as mudanças estruturais na sociedade brasileira. O mesmo cita a existência de uma bancada ruralista, que tem engessado o avanço da forma agrária, além de outras reformas como a democratização dos meios de comunicação. Para o Dep. Federal Cláudio Puty, o congresso brasileiro passa por uma crise de legitimidade, porque a grande maioria dos deputados e senadores eleitos não representam o voto de quem os elegeu, mas sim, os interesses privados de quem os financiou. Para o mesmo uma importante mudança a ser feita em nosso sistema político é acabar com o financiamento privado de campanhas.

Foi colocada também a necessidade de democratização do judiciário brasileiro, que segundo a fala do representante da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, é uma das estruturas de poder do estado mais conservadoras do Brasil e totalmente refratária aos anseios do povo por justiça.  Só no estado do Pará temos os mais diversos casos que demonstram isso, é só olharmos para a história de impunidade nos crimes cometidos por grandes fazendeiros contra trabalhadores/as no Campo.

Pe. Paulinho, da Comissão Pastoral da Terra, faz duras críticas ao modelo representativo e à estrutura de poder fundado nos interesses do capitalismo e no machismo. Afirma de forma enfática que devemos renunciar a qualquer forma de messianismo, como se existisse um messias para nos salvar, como se só delegar poder através do voto bastasse. Faz também críticas às práticas personalistas, que super valorizam a projeção pessoal na política e fortalecem o corporativismo.

Para Vera Paoloni, da Central Única dos Trabalhadores, é de fundamental impotência a participação dos trabalhadores(as) na construção deste plebiscito. Para ela “é a forma de gritar contra a opressão: O trabalho que não é descente, os salários que são baixos, a comunicação que é distorcida e deformada, o sistema de juros que é muito auto e o agronegócio que toma conta de tudo”.

O Plebiscito é para o nós neste momento um dos principais instrumentos políticos de diálogo com a sociedade, afirma Viviane Brígida, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Para as organizações que constroem o Plebiscito Popular no Pará, somente uma mudança profunda no sistema político brasileiro possibilitará avançar nas conquistas e reformas estruturais, pois para que tenhamos significativas mudanças na economia, nas conquistas sociais e políticas, a reforma do sistema é sem dúvida um primeiro passo importante, já que as instituições brasileiras atuais são completamente refratárias aos clamores do povo, principalmente do trabalhador.

 

AS LUTAS SOCIAIS E O PLEBISCITO POPULAR PELA CONSTITUINTE EXCLUSIVA E SOBERANA DA REFORMA DO SISTEMA POLÍTICO

Na última mesa do sábado (12) à tarde, foi debatido a relação entre as bandeiras de luta social com a bandeira política da Constituinte exclusiva e soberana para Reforma do Sistema político. Aqui é colocado que é de fundamental importância se ter a consciência de que os problemas econômicos e sociais vivenciados pelo povo decorrem de uma estrutura de poder que objetiva sempre favorecer a iniciativa privada das grades empresas e corporações nacionais e internacionais. Por isso cada luta travada pelos setores populares da sociedade deve se converter em uma luta contra o atual sistema político.

 

ORGANIZAÇÃO DOS COMITÊS

Os participantes do curso saíram com o compromisso de organizarem Comitês nos municípios, sendo que os participantes da Região metropolitana já saíram organizados para criar comitês nos Bairros. De início já começaram a se organizar comitês em Bragança, Tracauteua, Santa Luzia, Marabá, Altamira e na região metropolitana, sendo que já teve indicativo para os municípios de Santarém e os do Baixo Tocantins.

 

Relato:Antônio Alberto da Costa Pimentel

Acadêmico de Direito, militante da Sociedade Paraense de Defesa de Direitos Humanos