Estudo aponta que quase 60% dos metalúrgicos de São Paulo são jovens

 

05/12/2012 

Pesquisa da subseção do Dieese na FEM-CUT/SP constatou que 22,5% dos jovens são mulheres, com maior concentração no setor eletroeletrônico. 

Escrito por: Viviane Barbosa – FEM/CUT-SP

 

Um estudo inédito da Subseção do Dieese na FEM-CUT/SP, divulgado nesta terça (4), revela que 55,7% dos metalúrgicos na base da Federação no Estado de São Paulo (250 mil) são jovens com até 35 anos. No Brasil, eles representam 61,2% do ramo.

Na classificação do governo federal, que fixa o jovem com idade máxima de 29 anos, o índice é de 40,6%. O Brasil tem 2,3 milhões de metalúrgicos, dos quais cerca de 750 mil metalúrgicos estão na base da CNM/CUT.

O levantamento foi elaborado pelo economista da Subseção, André Cardoso, e é baseado nos dados da Relação Anual de Informações Sociais – (RAIS), do Ministério do Trabalho.

Na divisão por atividade, os setores no Estado que mais empregam os jovens são: aeroespacial (69,4%), eletroeletrônico (65,4%), outros materiais/transportes (65,3%), naval (61,7%), máquinas e equipamentos (57,2%), siderurgia/metalurgia básica (56,2%) e automotivo (50,1%). “Também verificamos que a juventude metalúrgica trabalha nas funções ligadas à produção, como exemplos:  operador de máquinas, alimentador de linha de produção, soldador, montador de veículos/máquinas, prensista, mecânico, entre outros”, ressalta Cardoso.

Mercado e Salário
O estudo da Subseção do Dieese na FEM constatou que 22,5% dos jovens são mulheres e a maior concentração delas está no setor eletroeletrônico (52,1%). “No ramo metalúrgico como um todo, as mulheres têm maior participação também no eletroeletrônico, mas ainda se encontra abaixo dos homens”, explica Cardoso.

Com relação ao salário, o levantamento mostra que as trabalhadoras ainda ganham menos em relação aos homens. No entanto, André explica que, em comparação aos demais setores metalúrgicos, somente nas montadoras elas recebem 10% a mais que os homens.

Escolaridade e Raça
A pesquisa também verificou que 62,8% dos jovens metalúrgicos têm ensino médio completo, seguido por 11,2% com superior completo.  “Conforme aumenta a escolaridade, a participação das mulheres aumenta também”, avalia o economista.

No tema raça, 19,4% dos jovens negros são homens e 14,7%, mulheres. “Apesar dos esforços pela diminuição da discriminação no trabalho, os negros ganham 22% menos que os brancos na remuneração média do total de jovens da FEM-CUT/SP.  No Estado, essa diferença é de 24,4%”, finaliza André.

Desafios
O Secretário da Juventude da FEM-CUT/SP, Luciano da Silva, (Tremembé) destaca que um dos problemas que atinge o ramo e, principalmente, a juventude é a alta rotatividade. Segundo estudo da Subseção do Dieese na FEM, o índice nas fábricas atinge 39,7%. “Com o salário baixo e a alta rotatividade fica difícil o jovem metalúrgico conseguir fazer uma faculdade. A nossa pesquisa mostrou isso ao constatar que apenas 11,2% dos jovens têm curso superior”, explica.

Tremembé diz que para mudar esta realidade é fundamental a valorização dos pisos salariais de todos os setores metalúrgicos na Campanha Salarial 2013. “Vamos continuar a luta pela unificação nos pisos, priorizando sempre o maior”, finaliza.