Honduras: Condenamos o assassinato de Berta Cáceres e exigimos justiça!

Nesta manhã militantes populares de todo o continente acordaram com a terrível notícia de que Berta Cáceres Flores, Coordenadora Nacional do COPINH (Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras), foi friamente assassinada quando se recolhia em sua casa nesta madrugada, por volta da 01:00 da manhã.

Os assassinos invadiram a casa da família para matar Berta Cáceres, sendo que seu irmão e outra pessoa presente também foram feridas. A polícia já apresenta a versão de que foi uma tentativa de assalto, no entanto há anos Berta vem sofrendo ameaças de morte que foram denunciadas internacionalmente em diversas ocasiões.

Berta era ameaçada simplesmente pelo papel de liderança que cumpria na organização da resistência popular frente ao golpe em 2009, somado à luta camponesa, indígena, feminista, ambientalista e anti-imperialista. Através do COPINH ela atuava na região de Intibucá, próxima das fronteiras com El Salvador e Nicarágua, organizando o povo Lenca, a maior etnia indígena de Honduras, que cada vez mais tinham sua sobrevivência ameaçada pelo avanço das empresas transnacionais, principalmente mineradoras, no país. Recentemente, em 2015, ela recebeu o prêmio Goldman de defensores da natureza e meio ambiente, simbólico reconhecimento da sua luta junto ao COPINH.  

Além das ameaças de morte, Berta convivia com uma intensa criminalização e perseguição política, tendo recebido diversas ordens de prisão sem fundamentos, especialmente após o golpe de estado em 2009 que depôs o presidente eleito Manuel Zelaya com o apoio direto da embaixada dos EUA, retomando Honduras como um entreposto político e econômico dos Estados Unidos. Desde então, Honduras é o país mais violento do mundo para jovens, lideranças populares e sindicais e jornalistas.

Na semana passada Berta tinha ido à público denunciar as ameaças sofridas pelo povo lenca e o assassinato de quatro líderes indígenas do COPINH, que ocorrem em um contexto de intensa luta contra projeto da Hidroelétrica Agua Zarca, financiado pelo BCIE (Banco Centro Americano de Integração Economica) e a empresa estatal chinesa Sinohydro, que abandonou o projeto em razão das pressões.

Indignados com tamanha covardia, a Consulta Popular repudia o assassinato de Berta Cáceres e, junto a centenas de organizações do Continente, exige que o Governo e as autoridades de Honduras investiguem e esclareçam publicamente o ocorrido e que se faça justiça condenando os culpados.

A morte de Berta não pode ficar impune, assim como as centenas de outros assassinatos de militantes populares que perderam a vida somente por lutar por justiça, por igualdade e em defesa de seus territórios e que seguem injustiçados.

Expressamos nossa solidariedade à Família de Berta, ao COPINH e a toda resistência popular Hondurenha. E estamos certos de que seu exemplo de coragem e de luta, sempre acompanhado de um sorriso no rosto, seguirá nos inspirando a seguir adiante na luta por um Projeto Popular para todo o continente americano.

 

Berta Cáceres Flores, Presente, Presente, Presente. Hoje e sempre!

 

Consulta Popular

03 de Março de 2016.