Impactados pela mineração realizam encontro regional

Mineração gera desenvolvimento, mineração gera progresso. Esse é o discurso de uma das maiores empresas do mundo, a Vale S.A. Para desmontar essa inverdade, acontece nos dias 26 e 27 de julho, em Açailândia, o Encontro Regional dos Atingidos pela Mineração. O evento, que reúne pessoas dos estados do Maranhão e Pará, é uma iniciativa da Rede Justiça nos Trilhos. Assista também ao vídeo.

Esse encontro tem representação dos Missionários Combonianos, da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, Movimento sem Terra, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Açailândia, Centro de Estudos e Pesquisa Popular de Marabá, entre outros. 

O encontro tem o objetivo de denunciar, divulgar e discutir sobre os impactos causados pela mineração nesses estados. Além de contribuir no fortalecimento de comunidades para trabalharem de forma articulada. De acordo com Rose Bezerra, da Comissão Pastoral da Terra do Pará, esse é o momento de todos trocarem experiências, compartilharem os problemas vivenciados em cada localidade e as estratégias de mudança. 

Participam do encontro, 17 comunidades, de diferentes municípios, entre assentamentos, povoados e cidades que representam dois dos principais estados afetados pela mineração, Maranhão e Pará. No primeiro dia de programação o evento contou com a participação do Conselho Tutelar, da Associação dos Deficientes Físicos, do Conselho Municipal de Educação e da Promotoria de Justiça de Açailândia. 

Ricas em testemunhos de quem sofre diariamente os problemas que decorrem da mineração, as atividades foram de socialização e reflexão sobre as inúmeras consequências de um modelo de desenvolvimento injusto, que gera benefícios para poucos.

Problemas como poluição, atropelamentos e morte de pessoas e animais, rachaduras nas casas, descaso do poder público e da empresa Vale, licenciamentos ambientais ilegais e graves agressões ambientais são alguns dos problemas encontrados nas comunidades cortadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC). Essas pessoas se encontram assustadas e com medo do que pode acontecer depois da duplicação da EFC, projeto que está em andamento, mas  a maioria dos impactados não tem conhecimento.

Para o Promotor de Justiça de Açailândia, Leonardo Tupinambá, é importante que as comunidades trabalhem de forma organizada, procurando solucionar os problemas da coletividade. “O caminho correto, para se relacionar com as empresas e denunciar eventuais danos ou responsabilidades, é a organização popular, porque as empresas tendem a buscar negociações e acordos individuais, e isso enfraquece os direitos e a organização coletiva”, afirma. O promotor ainda enfatiza a importância dos órgãos de fiscalização frente aos problemas causados pela mineração. “Se por um lado existe a responsabilidade social da empresa, por outro existe a obrigação dos órgãos públicos de fiscalizar e acompanhar qualquer processo que seja de sua competência”, esclarece. 

Entender o processo de mineração e o que significa a duplicação da Estrada de Ferro Carajás foi a motivação para Cristiane Faustino, representante da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, participar do encontro dos atingidos. “Nós procuramos denunciar as injustiças ambientais e acreditamos que esse modelo de desenvolvimento é desigual, afetando de forma negativa as pessoas pobres, negras e indígenas”, relatou Cristiane, que trabalha com foco nas práticas de racismo ambiental.

Na programação da tarde, as comunidades debateram sobre os grandes empreendimentos e suas consequências, de forma crítica e realista, com pesquisadores, advogados e líderes de movimentos.  

O primeiro dia do evento foi encerrado com atividades culturais e nessa sexta-feira (27) acontecem plenárias, oficinas e um ato público pelas ruas de Açailândia.

Por: assessoria de comunicação da Justiça nos Trilhos, 26 de julho de 2012

Vejam outras noticias sobre a juventude atingida pela mineração:

 

Fonte: 

Justiça nos Trilhos