A juventude e os riscos das eleições em Sergipe

As tão comentadas manifestações de Junho de 2013 sinalizaram a disposição da juventude para pleitear interferência estatal a fim de garantir mais direitos. Transporte, saúde, educação, trabalho, participação política, enfim, tudo foi demandado. Portanto, devem ser enfrentadas todas as posições capazes de impor obstáculos a essa vontade popular. A análise sobre os riscos das eleições também deve passar por esse prisma.

Em Sergipe, tem-se por certa a candidatura de Eduardo Amorim (PSC). Como integrante do Partido dos Dois Irmãos (PDI) – como bem definiu o comentarista Ivan Valença –, sua candidatura, com o marketing da “novidade”, representa os mais antiquados fundamentalismo religioso e viés privatista da Administração Pública. O discurso do recrudescimento da ação policial (e do sistema penal como um todo) e da redução da maioridade penal e a íntima relação com os desmandos do empresariado do transporte “público” da Grande Aracaju (claramente através do suplente Lauro da Bomfim) o caracterizam. Além disso, trata a política através de uma “empresa partidária” (domina, declaradamente, 11 partidos), sendo o fisiologismo sua marca maior.

Ainda, muito se ouve falar da candidatura de João Alves (DEM) ao governo ou o seu decisivo apoio a outras candidaturas. A influência do demista só tende, sem dúvidas, à completa negação dos direitos da juventude. Basta ressaltar a tentativa de entrega da saúde aracajuana às organizações sociais (OS’s), a conivência com a miséria do transporte “público” e seu projeto sanguinário de segurança pública (rememore-se o grupo de extermínio intitulado “A missão”) para tratar das questões sociais.

Conclui-se – sem descuidar das consideráveis contradições governistas – que a candidatura de Amorim e a influência de João Alves representam interesses opostos às demandas dos sergipanos que pedem “mais Estado”.

Do ponto de vista de diversos ativistas mais embrenhados no jogo eleitoral, fala-se em aceitar/fomentar João Alves na aliança governista pela suposição de que sem ele não será possível vencer o pleito. Isso pode até ser verdade quanto aos números das eleições. É um risco. Agora, mais verdade ainda é que vencer com João Alves pode ser uma vitória de Pirro: obtida a alto preço e com grandes prejuízos.

Ao mesmo tempo em que essa famigerada aliança pode fortalecer uma ou outra liderança do bloco governista – o que não necessariamente corresponde ao fortalecimento de um projeto político popular –, ela com certeza não contempla o pleito por mais intervenção do Estado. Não anima a juventude, despolitiza o processo eleitoral e confunde o povo quanto à fidelidade de seus representantes. Tal com ocorreu com Pirro, uma vitória como essa muito se aproxima da derrota. O risco é ainda maior.

De maneira ainda mais evidente, impõe-se o desafio de enfrentar, com coragem e altivez, o debate com a sociedade. De trazê-la à participação política. É isso que a juventude quer: motivos para defender o caminho para um projeto popular. Para isso, há muita disposição. O debate de ideias e projetos para Sergipe é fundamental. Essa é a medida para análise do processo eleitoral, sendo esse um momento primordial para o debate político, tal como foram e continuarão sendo as manifestações de rua.

 

Jessy Dayane, Presidenta do Diretório Central dos Estudantes da UFS e Diretora de mulheres da União Nacional dos Estudantes.

 

 

Thiago Santana, advogado e membro da Consulta Popular/SE.