Levante escracha torturador Aparecido Calandra, conhecido como Capitão Ubirajara

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O movimento social Levante Popular da Juventude, realizou na manhã desta quarta-feira (01), um escracho para expor publicamente o ex-militar e delegado acusado de tortura, abusos sexuais e homicídios durante a ditadura militar (1964-1985), Aparecido Laertes Calandra. O ato ocorreu em frente à casa do torturador na Vila Independência em São Paulo.

Cerca de 100 pessoas --com cartazes que traziam estampados os rostos de presos políticos mortos durante a ditadura-- denunciaram a participação do ex-delegado em assassinatos, estupros e tortura durante o regime.

O MPF moveu uma ação civil pública para que Calandra fosse pessoalmente responsabilizado pelas práticas criminosas. Ele teria envolvimento no desaparecimento do estudante Hiroaki Torigoe, na tortura e morte do ex-dirigente do PCdoB Carlos Nicolau Danielli e na construção do cenário da morte do Herzog. Capitão Ubirajara é responsável, também, pela prisão e tortura de Maria Amélia, o jornalista Sérgio Gomes, deputado Adriano Diogo, o jornalista Arthur Scavone e o deputado federal Nilmário Miranda.

Segundo o relato de Maria Amélia de Almeida Teles e seu marido Cesar Augusto Teles relataram à Auditoria Militar, já em 1979, detalhes das violências que sofreram. Sequestrados no dia 28 de dezembro de 1972, foram levados para a sede do destacamento militar na Rua Tutóia:

Arrastaram-nos para três salinhas separadas, duas no andar de cima e uma na parte térrea. Nessas salas, havia o equipamento de torturas: cadeiras-do-dragão, onde éramos amarrados e levávamos choques elétricos por todo o corpo nu, “paus-de-arara”, palmatórias e toda uma aparelhagem de violentação do ser humano (…) Durante todo o tempo, ouvimos seus gritos [de CARLOS NICOLAU DANIELLI] de dor que foram se tornando cada vez mais fracos e roucos. (…) No fim do segundo dia de prisão, pudemos ver Danielli, já quase morto, nu, meio sentado no chão e encostado à parede, com a cabeça tombada, os olhos semi-abertos e a barriga enorme, muito inchada, seu corpo cheio de manchas roxas e feridas. (…) No dia 30, o corpo foi retirado da OBAN numa maca. Estava todo sujo de sangue: nos ouvidos, boca, nariz. Danielli estava morto.

“O ato é para pedir a punição dos torturadores e mostrar que esses torturadores ainda estão soltos e nem os vizinhos sabem disso. A gente quer uma transição democrática em nosso país, ainda continuam ocorrendo assassinatos, desaparecimentos e perseguições de militantes e lutadores dos movimentos sociais”, disse um dos porta-vozes do movimento, o estudante de Letras da USP Luiza Troccoli.

O Levante Popular da Juventude foi nacionalizado em 2012 com escrachos em todo Brasil. O movimento reúne jovens de universidades, das periferias das cidades e do campo. Hoje conta com aproximadamente 10 mil militantes no país. Também participaram do ato membros do Juntos, Partido dos Trabalhadores, da Consulta Popular e do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça.