Marcha de esperança e luta - um olhar sobre a 5ª Assembleia*

Eram centenas de lutadores do povo às margens do mar azul, nas terras do Mucuripe, do Cariri, do Santo Cícero, Dom Helder, Patativa, das secas e do povo de riso fácil, sofrido e resistente, e lá nos encontramos.

Debates complexos, difíceis, em um quadro de ofensiva conservadora, retirada de direitos e também de belos processos de resistência.

Ali estivemos para debater, reencontrar e até mesmo nos reinventar como uma organização de lutas.

Jovens lideranças, nas cores do nosso povo, cabelos em tranças, dreads, turbantes, black power, brancos não resistiram à brisa perene e cheia de esperança.

Lembramos dos nossos desafios monumentais. Da nossa necessidade de semear mais e mais para que essa caminhada seja partilhada por mais gente. E se pinte mais com as cores, bandeiras, valores e cuidados do e para o povo brasileiro.

Inevitável não recordar dos tantos que não estão mais entre nós e certamente estariam ali nas fileiras da esperança. A memória da Gina Couto, José Rezende, Sérgio Almeida, Ricardo Brindeiro, Thayan Japa e Profeta, dentre outros, se fazia presente. Estariam ali anotando, compartilhando e alimentando esperanças. Partiriam e cantariam com seus cabelos, parte deles bem grisalhos, para as cores dessa centenas de construtores da esperança.

De mais longe um pouco convivemos com a memória da Zilda Xavier, Margaridas, Berta Cáceres, Fernando Martinez Heredia, Chávez, Fidel, Che, Dandaras, tantas Dorcelinas e Emersons Pacheco, cuja figura remete aos milhares de jovens pobres mortos todos os anos.

De lá partimos para uma nova marcha da esperança. Imbuídos da energia dos 100 anos daqueles dias de Outubro que mudaram o mundo e verteram esperança em todos os idiomas e para todos os povos.

O encontro foi de chegadas e partidas. O cansaço ficou na estrada. O medo encontrou seu espaço diminuto. A fome de vida em abundância para o povo brasileiro foi lida, cantada e sentida em cada abraço, momento e olhares para as incertezas do futuro.

Eram sorrisos de contentamento. De chegadas com bagagens de lutas, vitórias e derrotas, querendo seguir em marcha com mais e mais aprendizados, vitórias e muita sola de sapato gasta e mãos calejadas.

A esperança dos olhares não escondeu a noção dos enormes desafios de enfrentar inimigos que não tem outra resposta pra nós que não seja aniquilar, aniquilar e aniquilar. A eles mandamos um recado: vocês, inimigos do povo, fracassaram no passado e fracassarão no futuro. Nossa marcha seguirá e mostrará que por trás desses sorrisos, gestos ternos e olhares de esperança tem uma geração de lutadores com disposição, coragem e muita, muita energia para ajudar na derrota do projeto dos nossos inimigos e convidar o povo pra dançar e constituir o Brasil como ele deve ser. Do povo para o povo. Não tardará a chegar esse dia. E seremos uma parte dessa marcha.

Saímos de Fortaleza, as gerações ali presentes, convencidos de que nossa construção é a de um grupo humano a serviço de uma causa e que se coloca na história a serviço do povo brasileiro.  Por um Projeto Popular para o Brasil, a América é o mundo. Que a esperança e o vigor para a luta seja a nossa memória desse momento.

Por nós, pelos nossos mortos e pelos milhões de Marias e Josés, suas dores e cores, anunciando que queremos fazer dessa marcha um cortejo da libertação nacional. E lá adiante sorrir e festar, sob o olhar sereno daquele mulato baiano atrevido e apaixonado pela vida e pelo povo.

 Pátria livre, colorida, cantada em rimas das libertações das opressões e dos traços da velha sociedade que ajudaremos a enterrar.

*Ronaldo Pagotto

Integrante dessa marcha de esperança e luta