Movimentos ocupam Shopping Higienópolis para denunciar racismo no Estado

Organizações fazem parte do Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra

13/02/2012

 

Fernando Knup

de São Paulo (SP)

Foto: Fernando Knup

 

Grupos do movimento negro, GLBTs, de direitos humanos, estudantis e culturais participaram da ocupação simbólica de um dos halls do Shopping Higienópolis, em São Paulo, por volta das 16h deste sábado (11). Segundo os manifestantes, a ocupação se fez no sentido de denunciar as recorrentes práticas de racismo institucional por parte do Estado brasileiro e chamar atenção para os inúmeros casos recentes de racismo no estado de São Paulo. O local foi escolhido pelo episódio da rejeição da instalação de uma estação de metrô no Higienópolis pela associação de moradores do bairro, em 2011.

Concentrados no largo de Santa Cecília, região central da capital, os cerca de 300 manifestantes se dirigiram em marcha até o Shopping. Com cantos alusivos à cultura negra e ao quilombo de Palmares, o grupo entrou pacificamente atraindo a atenção dos clientes que se dividiam em sorrisos de surpresa e narizes torcidos. Apesar da presença dos seguranças, que tentaram impedir a manifestação, e da chegada da Polícia Militar, que entrou no shopping para ‘acompanhar o ato’, não houve tumultos.

O ato foi organizado pelo Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra, formado por 27 entidades que vão desde grupos culturais e estudantis a sindicatos e mandatos partidários. Segundo Douglas Belchior, membro da Uneafro, o protesto foi a maneira encontrada para denunciar a dicotomia histórica mantida no país “Existe uma parte do povo no Brasil que é privilegiada pela forma com que a sociedade se organiza. Essas poucas pessoas têm acesso às riquezas de um país tão rico como o nosso, enquanto a maioria do povo brasileiro é condenado à superexploração, como por exemplo os trabalhadores das lojas desse shopping. Nós nos solidarizamos com essas pessoas“, afirmou.  Uma das bandeiras de luta do comitê trata da reparação histórica aos afrodescendentes.

Entre cantos e falas de representantes das entidades, a estudante e representante do Núcleo de Consciência Negra na USP Haydeé Fiorino leu o manifesto do grupo. Em um dos trechos, o texto afirma que "o Brasil é um país onde cabelo liso é padrão estético e corporativo; pobreza é crime e problemas que deveriam ser tratados por médicos viram caso de polícia. Este é um país onde ser negro e pobre é passível de punição, prisão e morte. No entanto, nada acontece com o colégio que discriminou nem com o restaurante que humilhou nem com o delegado que prendeu sem provas ou com o PM que atacou o estudante.” O Núcleo vem sofrendo pressão da reitoria da USP para deixar o prédio que ocupa hoje na universidade.

Após quase uma hora os manifestantes saíram tranquilamente. Durante a saída, foram prometidos outros atos.