Nota da Consulta Popular a respeito das Cotas Sociais e Raciais nas Instituições Federais do Ensino Superior

 

 

 

A ideia de democracia racial é construída no Brasil desde a abolição da escravatura apontada nos livros de história como a libertação dos negros e negras pós colonização do Brasil. Aqui, não vivemos o sistema de apartheid como política governamental, mas sabemos que o sectarismo de raça existe entre o povo brasileiro.

Nesse contexto, muitas foram as lutas do povo negro para superar a condição de subservientes do capital. Nenhuma política pública ou ação afirmativa veio apenas a partir da assinatura da princesa Isabel num documento de abolição. Tudo é fruto de conquistas do povo negro que enxerga sua condição, se movimenta e pressiona as autoridades pelos seus direitos.

Vivemos num país onde o padrão de desenvolvimento europeu e norte americano massacra nossa cultura que tem origem no povo índio e no povo negro. É a valorização dessa cultura, sufocada a centenas de anos que libertará de fato o povo brasileiro. Por isso, a Consulta Popular, vem demonstrar todo o apoio ao contexto que o governo brasileiro impôs às elites reafirmando a importância do negro no nosso contexto político, apontando que nos próximos 4 anos, a partir do dia 29 de agosto de 2012, todas as Instituições Federais do Ensino Superior devem possuir o sistema de cotas sociais e raciais. Essa medida destaca no cotidiano de todos os brasileiros e brasileiras um debate que incomoda as grandes elites, mas que nos desafia a reafirmar nossa posição nessa luta histórica do movimento negro e da esquerda brasileira.

Muitas estão sendo as manifestações da direita em todo o Brasil indo contra ao posicionamento sancionado pela presidenta. Sendo assim, reafirmamos aqui nosso compromisso político de lutar por esta bandeira histórica de acesso ao ensino superior e fazemos um chamado a toda a esquerda para que resistamos a essa investida dos setores burgueses esclarecidos em derrubar a real democracia que é de envolver o povo em espaços aos quais historicamente fomos privados. Apenas unida a classe trabalhadora irá resistir à onda conservadora de ações contra as cotas e apenas em movimento irá contribuir no avanço de consciência do povo que se sente marginalizado no contexto de desenvolvimento do Brasil hoje.

Essas e outras iniciativas nos fortalecem no caminho de seguir em frente na luta pelo Projeto Popular para o Brasil, pelos direitos do povo brasileiro e pelo espaço da classe trabalhadora nessa sociedade de forma que acumulemos forças para a sonhada ruptura com esse sistema político capitalista cruel e devastador que apenas atrasa a vida do povo brasileiro;

Nos encontramos nas lutas!

Pátria Livre,
Venceremos!