Nota de Solidariedade: Mais do que nunca é preciso ter a coragem de dizer!Somos todos Sem Terra!

 

O dia 4 de novembro figura na história dos lutadores e lutadoras de nosso povo como marca de heroísmo e resistência pelos ideais de justiça e democracia. Nessa mesma data, em 1969, era assassinado o comandante Carlos Marighella, dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN), importante organização de combate e luta contra a ditadura sanguinária estabelecida em 1964. Quarenta e sete anos depois o Brasil vive sob um novo golpe de Estado, que interrompeu a já escassa democracia conquistada com tantas lutas, cujo objetivo é entregar novamente o controle do Estado e de nossas riquezas aos interesses imperialistas norte-americanos.

 Hoje, 4 de novembro, o governo ilegítimo de Michel Temer demonstra sua estratégia de criminalização e perseguição aos movimentos e entidades comprometidas com a democracia e os direitos da classe trabalhadora. Seu alvo prioritário: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Tal movimento resistiu às décadas de neoliberalismo não apenas rompendo as cercas do latifúndio, mas organizando gente e desenhando futuros na vida de milhares de agricultores sem-terra, muitos deles hoje produzem comida saudável para a classe trabalhadora nas cidades, o movimento planta também escolas onde antes havia apenas o deserto do agronegócio, constrói relações de solidariedade com todos e todas engajados na luta por direitos, realizando inclusive diversas ações internacionais. Uma das realizações mais marcantes do MST para a disputa de ideias foi a construção da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema-SP, onde são realizados inúmeros cursos de formação, inclusive em convênio com universidades, voltados aos movimentos sociais do Brasil e de diversos outros países.

 No dia de hoje, o aparato repressivo do estado do Paraná, centro articulador do golpe e da perseguição aos movimentos sociais, deflagrou a violenta operação batizada de “Castra”, cujo objetivo principal é criminalizar e prender lideranças dos acampamentos Dom Tomás Balduíno e Herdeiros da Luta pela Terra. Tais acampamentos reúnem mais de 3 mil famílias e situam-se em áreas griladas pela Araupel, empresa do agronegócio conhecida por financiar campanhas de políticos paranaenses e por atuar em conluio com o aparato da polícia civil e militar.

Quatorze militantes do MST estão sendo perseguidos pela polícia e seis companheiros já foram presos. A ação desdobrou-se, na manhã do dia de hoje (4), na invasão sem mandado de busca e apreensão, à Escola Nacional Florestan Fernandes, onde vários cursos e eventos estavam sendo realizados. Cerca de 10 viaturas chegaram à escola por volta das 9:30 da manhã, invadindo o espaço, dando tiros para o alto para intimidar os educandos presentes com balas letais. Nessa ação truculenta outros dois militantes foram arrastados e detidos sem justificativa pela polícia. Já no Mato Grosso do Sul, três viaturas policiais, com placas do Paraná, entraram no Centro de Pesquisa e Capacitação Geraldo Garcia (CEPEGE), em Sidrolândia. Tais fatos demonstram que o golpe iniciado contra a presidenta Dilma Rousseff agora dá mais um passo inaceitável na criminalização dos movimentos populares.

A Consulta Popular, organização nascida do exemplo pedagógico do MST, se solidariza aos companheiros e companheiras que resistem rompendo as cercas do conservadorismo e da ignorância da classe dominante brasileira. Não é à toa que o alvo dos ataques seja o movimento, mas o objetivo é a perseguição de toda a esquerda brasileira e aos movimentos populares. Convocamos a todas e todos os lutadores e lutadoras a cerrar fileiras com o movimento contra esse ataque, demonstrando publicamente sua solidariedade e compromisso.

O governo temer e as forças da reação demonstram a voracidade em eliminar qualquer resistência ao seu projeto entreguista. A esquerda e os setores democráticos têm o desafio de demonstrar unidade, compromisso, solidariedade e força para barrar a barbárie contra o nosso povo. Nesse 4 de novembro, a melhor homenagem que podemos prestar ao comandante Carlos Marighella e a todos aqueles e aquelas que tombaram pela libertação de nosso país é demonstrando aos golpistas a força e unidade da classe trabalhadora e que nenhum ataque poderá calar nossa rebeldia e nosso sonho de um Projeto Popular de Nação.

#SomosTodosMST

#LutarÉumDireitoConsulta Popular

4 de Novembro de 2016