Nota pública da Consulta Popular em São Paulo sobre as Eleições 2014

“A crítica - a mais implacável, violenta e intransigente - deve dirigir-se não contra o parlamentarismo ou a ação parlamentar, mas sim contra os chefes que não sabem - o mais ainda contra os que não querem - utilizar as eleições e a tribuna parlamentares de modo revolucionário, comunista. Somente essa crítica - ligada, naturalmente, à expulsão dos chefes incapazes e sua substituição por outros mais capazes - constituirá um trabalho revolucionário proveitoso e fecundo, que educará simultaneamente os "chefes", para que sejam dignos da classe operária e das massas trabalhadoras, e as massas, para que aprendam a orientar-se como é necessário na situação política e a compreender as tarefas, amiúde bastante complexas e confusas, que dessa situação decorrem” - Lênin, O Esquerdismo, doença infantil do comunismo.

 

Em outubro deste ano, mais uma vez, milhões de brasileiros e brasileiras irão às urnas escolher

seus representantes para os parlamentos estaduais, para a Câmara e o Senado federais, e para a Presidência e os governos estaduais. A Consulta Popular entende que essas eleições, com este sistema político e os interesses que o sustentam, não põem imediatamente o poder político em jogo, mas que são centrais para traçarem as condições futuras da luta por um Projeto Popular para o Brasil.

Neste momento em que a frente neodesenvolvimentista vive uma de suas maiores crises e tende a avançar ainda mais sobre os interesses da classe trabalhadora e dos setores populares, é dever dos resvolucionários se posicionarem em contrário, pressionando para que – ainda que nos marcos do neodesenvolvimentismo – os trabalhadores e trabalhadoras sigam tendo melhores condições de emprego e vida, defendendo, portanto, melhores condições de luta e de avanços populares.

Não há, nesta conjuntura atual, uma candidatura que represente um Projeto Popular Para o Brasil que tenha força eleitoral suficiente para superar as barreiras impostas por nosso sistema político e alcançar a vitória. Assim, mais uma vez, os espaços de representação parlamentar e executivo são disputados por interesses neodesenvolvimentistas e neoliberais. E entre esses, não podemos vacilar: nosso inimigo principal é o projeto neoliberal, representado eleitoralmente pelo PSDB e partidos satélites, e seus aliados: o capital internacional, a burguesia financeira e o imperialismo.

Em São Paulo, vivemos sob um governo pró-neoliberal desde a redemocratização. As consequências disso são perversas para o povo paulista: privatizações, caos urbano, avanço do agronegócio, sucateamento da saúde e da educação, interesses privados acima do bem público, aumento da violência polícial e da repressão aos movimentos sociais, entre outros. Assim, reafirmamos que nossa principal tarefa nestas eleições é derrotar o projeto neoliberal, representado nas candidaturas de Aécio Neves para a Presidência da República, Geraldo Alckimin para o Governo do Estado e José Serra para o Senado.

Entendemos que as únicas candidaturas que incorporam bandeiras populares e tem força para disputar e vencer as candidaturas tucanas são as de Dilma Rousseff, Alexandre Padilha e Eduardo Suplicy, respectivamente. Assim, apoiaremos e trabalharemos por suas eleições, aproveitando o clima político para debater as questões centrais da política brasileira – em especial a necessidade de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

Compreendemos também que, com todos os limites do parlamento, disputar estes espaços e garantir deputados comprometidos com as causas populares é também uma tarefa fundamental. Por isso, estaremos ao lado de campanhas que confiamos serem representantes dignos da luta popular no estado de São Paulo. Indicamos voto e estaremos nas ruas apoiando as eleições de Adriano Diogo (PT), Douglas Belchior (Psol), Ivan Valente (Psol) e Paulo Teixeira (PT) para deputados federais; bem como Juninho (Psol) e Renato Simões (PT) para deputados estaduais.

Seguiremos dando prioriodade para nossa construção cotidiana, no trabalho de juventude trabalhadora, mulheres, movimento negro, sindical, de moradia e demais frentes de trabalho popular – em especial a Campanha do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, mas não voltaremos as costas para este importante momento da conjuntura. Temos certeza de que ao derrotar o neoliberalismo, ainda que não tenhamos uma vitória imediata, abrimos a possibilidade de seguir avançando, em melhores condições, para a construção da Revolução Brasileira.

 

Pátria livre, venceremos!

 

Somos a Consulta Popular!