O machismo faz mais uma vítima!

Todos ficaram espantados e solidários à família vitimada ante o assassinato da trabalhadora Danielle Bispo dos Santos, cometido pelo seu ex-companheiro, nas dependências do Restaurante Universitário (RESUN) da Universidade Federal de Sergipe (UFS), nessa segunda-feira, 19/08/2013.

Do ocorrido, expuseram-se na mídia duas explicações imediatas: uma, apresentada pelo próprio assassino, de que o motivo seria ciúmes e outras queixas com a família da jovem; outra, trazida dos burburinhos dos curiosos e do ímpeto de obter responsáveis institucionais, daria ao fato a causa da insegurança no campus.
São duas visões compreensíveis: a primeira, oriunda de uma visão particular sobre o caso, inclusive partindo dos sentimentos expressos pelo malfeitor; a segunda, fruto tanto da violência a que estamos suscetíveis, quanto do clima de terror instigado, sobretudo, pela grande mídia.

Ocorre que a faca que ceifou a vida de Danielle é a mesma faca que assassinou cerca de 43.700 mulheres de 2000 a 2010 no Brasil (Mapa da Violência 2012 – CEBELA e FLACSO Brasil).

Trata-se do assassinato de uma mulher ocasionada pelo seu ex-companheiro. Isso se repete há muito tempo e não se explica tão somente por crise de ciúmes, violência generalizada ou insegurança no campus.

Não se quer afastar o debate sobre a necessidade de garantir segurança ao povo que frequenta a universidade. Isso é fundamental. Mas se quer, por ora, trazer ao centro da discussão o que de fato caracteriza o ocorrido, para incidirmos sobre a questão.

Ao considerar o fato como expressão da subjugação histórica da mulher ao homem, do machismo, como a explicitação da violência contra a mulher num local público, permite-se entender que toda maneira de dificultar à mulher o acesso a uma condição de igualdade significa mais uma punhalada. Danielle teve seu direito à vida suprimido e outras mulheres tem outros tantos direitos proibido por esses punhais.

Nesses termos, a cobrança que se faz da administração da universidade – longe de imputar responsabilidades pela situação, senão ao próprio agressor –, é que seja intransigente na luta contra essas violências.

Assim como o estímulo à produção científica sobre as relações de gênero e violência, a construção de uma creche universitária, por ser um espaço pedagógico em que as mães (e pais!) podem deixar seus filhos para desfrutar dos direitos à educação e ao trabalho, dentre outros, pode ser uma sinalização positiva e possível nesse enfrentamento.

 

 Emanuele Suzart* e Jessy Dayane**

*Marcha Mundial de Mulheres/Sergipe

**1ª Diretora de Mulheres da UNE e militante do Levante Popular da Juventude/Sergipe