Organizações brasileiras lembram aniversário de morte de Hugo Chávez

Foto: Mídia Ninja

Entidades prestaram solidariedade ao povo e ao governo venezuelanos; De forma unânime, a situação no país foi caracterizada como uma articulação da extrema-direita na tentativa de um golpe

09/03/2015

Por Rafael Tatemoto,

De São Paulo (SP)

Organizações políticas e movimentos sociais do Brasil fizeram um ato em memória a Hugo Chávez, presidente da Venezuela de 1999 a 2013, ano em que faleceu, no dia 5 de março. A atividade, ocorrida em São Paulo na última sexta-feira (5), fez parte de uma jornada internacional de solidariedade ao povo venezuelano e também foi realizada em outras cidades do Brasil.

A embaixadora da República Bolivariana da Venezuela no Brasil, María Lourdes Urbaneja Durant, agradeceu, na ocasião, o apoio das entidades brasileiras. “Chávez foi, e é, o condutor do processo de transformação social que hoje vivemos. Uma luta permanente. Esse é seu legado mais importante e está relacionado à necessidade de construção do socialismo, do socialismo do século 21, do socialismo bolivariano”, declarou, lembrando a importância de Chávez.

  
 

O venezuelano Iván González, também presente no ato, destacou que os governos chavistas mudaram profundamente, de forma positiva, a sociedade do país. “O extraordinário passou a ser cotidiano. O que antes era assunto de vida ou morte, saúde, alimentação, educação, passou a ser normal. Isso mudou e está mudando a vida de milhões. Déficits históricos da sociedade venezuelana foram resolvidos, com um sentido de ter direitos e dignidade”, apontou.

O ex-presidente venezuelano também foi lembrado pelos esforços em prol da integração da América Latina, pensando não só na relação entre Estados, mas também por meio de parcerias inéditas com movimentos sociais.

“Chávez colocou que um projeto de integração latino-americano vai para além dos governos, apontando para uma integração dos povos. Esse é o significado de gestos como a criação de institutos de agroecologia, escolas de medicina e de convênios com a Telesur [rede de televisão pública de vários países]”, apontou Paola Strada, da Articulação dos Movimentos Sociais da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba).

ATAQUES

O ato também foi um momento para que os representantes das organizações prestassem apoio ao povo e ao governo venezuelanos pelo momento delicado que estão passando. De forma unânime, a situação no país foi caracterizada como uma articulação da extrema-direita na tentativa de um golpe.

“A primeira eleição do Chávez, em 1998, foi um primeiro sinal na América Latina de um movimento que se espalhou: o rechaço da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que significava a dominação irrestrita dos EUA sobre o continente; a política de privatizações, o Estado mínimo; a pilhagem dos nossos recursos naturais pelas multinacionais”, afirmou Júlio Turra, dirigente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Turra acrescentou que esse enfrentamento com capital e as tentativas de golpe também ocorrem em outros países do continente. “O que está em jogo na Venezuela, mas também no Brasil e na Argentina, é a política do imperialismo, diante da crise do capitalismo que se aprofunda desde 2008, fomentando, de um lado, a guerra e, de outro, a superexploração dos trabalhadores”, apontou.

Max Altman, do PT, foi enfático sobre a conjuntura no país vizinho, destacando o uso do boicote econômico e de campanhas midiáticas na desestabilização política. “A Venezuela é o principal objetivo da Casa Branca. Para o Departamento de Estado dos Estados Unidos, a destruição da Revolução Bolivariana é a primeira peça do dominó a ser derrubada. Existe uma tentativa real e concreta de golpe de Estado”, declarou.

Foi destacada ainda a necessidade de apoio internacional ao povo venezuelano neste momento. “A solidariedade é fundamental. Todos os processos transformadores em nosso continente são objetivo central do imperialismo, que não aceita ter perdido espaço. O inimigo segue nos atacando, pois sabe que é um processo que leva à libertação das pessoas”, avaliou a diplomata venezuelana.

A representante da Articulação dos Movimentos Sociais da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) ressaltou o papel que os brasileiros devem desempenhar nesse momento. “É muito importante enfrentar a batalha de ideias sobre o que ocorre na Venezuela, os grandes meios de comunicação mentem sobre a situação lá”, apontou. 

Apesar das dificuldades, os venezuelanos se mostram otimistas, justamente por conta do legado político de Hugo Chávez. “O povo venezuelano conquistou dignidade. Temos pátria. Isso é muito difícil de nos tirar”, disse González. A embaixadora María Lourdes aposta no povo organizado para a defesa dos direitos conquistados. “Enfrentamos essa situação com vontade e convicção. O que nós construímos não pode ser destruído quando há um povo disposto a defender”, concluiu.


No encerramento, um show celebrou a solidariedade dos brasileiros com o povo da Venezuela. Participaram do ato o rapper brasileiro Gog e o cantor venezuelano  Alí Alejandro Primera, sobrinho do músico Alí Primera, conhecido como “cantor do povo venezuelano” e apoiador da Revolução Bolivariana.

Fonte: 

Brasil de fato