Povo do Equador: Não eleja um representante da direita financeira!

O dia 02 de abril de 2017 será um momento transcendental para o povo do Equador e de toda a América Latina, pois neste dia se realizará o segundo turno das eleições presidenciais no Equador, de um lado o candidato da “Alianza País”, Lenin Moreno, e do outro Guillermo Lasso, o representante do capital financeiro nacional e internacional, que conduz seu próprio movimento e, apesar do discurso fantasioso, é muito similar às outras direitas do continente. Por isso as mesmas o apoiam firmemente.

Conscientes das diferenças que existem entre nossos países, queremos nos referir ao que estamos vivendo nas maiores nações do Cone Sul.

 

O exemplo da Argentina

Há pouco mais de um ano, a Argentina viveu um momento similar. Em 22 de novembro de 2015, no segundo turno, triunfou por uma margem muito pequena (2,7%) o candidato Mauricio Macri, também um rico empresário e muito comprometido com atos de corrupção e enriquecimento ilícito na época do neoliberalismo.

A partir de sua ascensão ao poder, as políticas do seu governo não deram lugar a dúvidas: governa somente para os ricos. As tarifas de água, luz e gás aumentaram imediatamente: nos primeiros meses de 2016 o “tarifaço” alcançou entre 100 e 400%. Logo no começo de 2017 tiveram mais aumentos. O preço do transporte duplicou há um ano e agora pretendem aumentar mais 60%.

O argumento para este ajuste, que golpeia a população, é de que tem que diminuir os gastos públicos, mas ao mesmo tempo dão isenções fiscais aos ricos e o próprio presidente perdoa suas dívidas e transfere negócios a empresas de seus amigos e familiares. Isso é tudo o que pode se esperar de um político empresário que já esteve comprometido em atos de corrupção com dinheiro público e esconde seu capital em paraísos fiscais “offshores”.

 

O caso do Brasil

No Brasil ocorreu basicamente o mesmo, deram um golpe institucional na presidenta legítima, com a desculpa de combater a corrupção. Assumiram o governo e em apenas nove meses a crise econômica segue, o desemprego atinge a marca histórica de 15% da população, congelaram todos os gastos sociais por 20 anos, fecharam o Ministério de Desenvolvimento Agrário e terminaram com o programa de Reforma Agrária, entregando a agricultura e os bens naturais às empresas transnacionais, que financiaram o golpe e são seus verdadeiros patrões.

A corrupção agora segue com mais força, nove ministros foram denunciados e outros 250 políticos da direita estão denunciados pelas mesmas empresas. A burguesia, os ricos, sempre fazem suas manobras eleitorais, mudam discursos, porque querem voltar ao poder custe o que custar, para que eles possam seguir acumulando riqueza.

 

Eleições Gerais no Equador

Querido Povo do Equador, não caiam nessa armadilha de eleger uma direita dura, que já anunciou que se unirá aos demais governos de direita do continente, como Peru, Colômbia, Brasil e Argentina, para reconstruir a hegemonia da ordem capitalista e suas políticas neoliberais contra os povos.

Depois da derrota, não haverá tempo para arrependimentos, pagarão o erro político com seu trabalho e maior exploração. 

Devemos ser sempre críticos aos governos, como forma de manter a democracia e buscando a melhoria de vida da população. Mas não podemos nos enganar e colocar a raposa para tomar conta do galinheiro!

O povo do Equador ainda está a tempo de frear o candidato mais radical do neoliberalismo e dos ricos.

Neste dia 02 de abril, para o Equador e para Nuestramérica, nos parece melhor utilizar todas as formas de voto que impeçam o capital financeiro de voltar ao poder.

Nós do Brasil e da Argentina estamos com vocês!

Um forte Abraço

 

Assinam este manifesto (apenas o início das assinaturas):

1.     Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST Brasil.

2.     Fernando Morais – Jornalista e Escritor.

3.     Beto Almeida – Jornalista.

4.     Dilma de Melo Silva – Professora da Universidade de São Paulo (USP).

5.     José Claudinei Lombardi – Professor Titular da Faculdade de Educação da Unicamp.

6.     Emir Sader – Professor e Escritor.

7.     Maria Fernanda Milicich Seibel – Advogada, RS, Brasil.

8.     Centro de Estudos, Pesquisa e Direitos Humanos (CEPDH) – Caxias do Sul.

9.     Rogerio Crisosto – Professor de História da Rede Pública de Ensino de São Paulo.

10.  Cido Araujo – Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé (SP).

11.  Jose Luis Coraggio – Economista, Argentina.

12.  Eleonora Lucena – Jornalista.

13.  Rodolfo Lucena – Jornalista.

14.  Altamiro Borges – Jornalista e coordenador do Barão do Itararé.

15.  Wadih Damous – Deputado Federal, Rio de janeiro.

16.   Joao Pedro Stedile – Ativista da Reforma Agrária y da Frente Brasil Popular.