Principais Lutas de 2011

Nacional
O ano foi marcado por importantes resistências dos trabalhadores, no setor público e na construção civil. Segue um balanço de alguns ramos que fizeram lutas com maior capacidade e duração. Textos recolhidos do Espaço Sindical, do jornal Brasil de Fato, que semanalmente passou a noticiar as principais lutas, dados e campanhas do sindicalismo brasileiro.
Pedro Carrano, de Curitiba

Metalúrgicos


No ramo metalúrgico, três mil metalúrgicos da Volkswagen/Audi, em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba-PR), detonaram uma paralisação que alcançou 40 dias e um prejuízo superior a R$ 583,2 milhões para a empresa. O estopim da luta é inusitado: A oferta da montadora de R$ 4,6 mil para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), foi rechaçada pelos trabalhadores, que buscavam R$ 12 mil, patamar próximo do conquistado pelos trabalhadores da Volvo (PR), que iniciaram as movimentações. Também em São José dos Campos (SP) e em outras regiões de atividade metalúrgica, o aumento da PLR adquiriu centralidade em uma série de lutas.
“A PLR é usada pelo trabalhador para botar em dia o cartão de crédito, que entrou forte no mundo operário. Trata-se de uma luta pós-fordista, ligada à financeirização”, aponta Cesar Sanson, pesquisador da Casa do Trabalhador (Cepat), de Curitiba. O sociólogo defende que não se pode rechaçar esse fenômeno que hoje mobiliza os trabalhadores em torno da PLR, mas recorda que é uma luta limitada, no sentido de fragmentar a classe, pois não atinge, por exemplo, os terceirizados de uma unidade de produção. 
“É uma armadilha para os trabalhadores, uma soma de recursos que é dada de uma vez só, mas não incide nos ganhos e nos demais direitos. No entanto, rendeu as maiores mobilizações, como a greve de uma semana na Renault, e o movimento na Volkswagen (...) A PLR está associada à produtividade e metas. Mas deve também se ver coisas interessantes, são novas bandeiras de luta que mobilizam, a questão é como não cair na armadilha do capital e trocar PLR por outros direitos”, adverte, ressaltando que a duração da greve de 40 dias da Volks se deveu ao fato de ser uma fábrica com mais uma planta em outros estados, o que fez com que não pudesse ceder ao pedido de aumento, o que implicaria dar um aumento também noutros estados. Ao contrário de Volvo e Renault, que estão apenas no Paraná e cederam o aumento com mais rapidez.

 
Professores de MG


No dia 25 de agosto, perto de 9 mil trabalhadores em educação, sob coordenação do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), realizaram a “Marcha pela Educação”, com a participação de sindicatos e diversas organizações que conformaram apoio à luta dos professores e contra a criminalização promovida pelo governador Antônio Anastásia (PSDB).
A greve teve duração de mais de 90 dias. Sua reivindicação era pelo imediato cumprimento do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN), que, de acordo com o MEC, está estipulado em R$ 1.187,00. O governo mineiro paga o vencimento básico de R\$ 369,00.


Bombeiros do RJ


O Quartel Central do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, ocupado por três mil bombeiros e familiares, foi invadido no dia seguinte pela Tropa de Choque da Polícia Militar e pelo Bope. Bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo foram lançados contra os manifestantes e seus familiares.
Houve disparos de armas. Encaminhados para a corregedoria da Polícia Militar, 439 bombeiros foram detidos. A categoria, dona do menor salário do país (R$ 950), reivindicava piso de R$ 2 mil e vale-transporte. O governador Sergio Cabral chamou os bombeiros que participaram no protesto de “vândalos e irresponsáveis”, mas a sociedade se manifestou a favor do movimento.


Serviço público


Os servidores técnico-administrativos das universidades federais mantiveram greve por mais de 40 dias, paralisação que ocorreu em 31 universidades, atingindo 50 instituições. “No Funcionalismo Público, destacam-se as greves de Professores (Municipais e Estaduais) por pagamento do Piso Nacional do Magistério. No âmbito federal, a greve dos servidores das Universidades e a dos servidores do Judiciário estão entre as principais. Em empresas estatais, as greves nos Correios e dos Bancários (que envolveu trabalhadores em bancos públicos e privados) são os destaques”, enumera Thomaz Ferreira Jensen, do Dieese.


Construção civil e rebeliões em RO


O ramo da construção civil é um dos carros-chefes do atual modelo de crescimento econômico. Em Rondônia, cerca de 20 mil trabalhadores rebelaram-se contra a superexploração do trabalho em obras do PAC, e contra as péssimas condições de vida para esses operários vindos de outras regiões.
O setor é caracterizado pela alta taxa de rotatividade no emprego, de 7,5%. Foi criada no fim de março uma mesa de negociação entre governo, empreiteiras como Camargo Corrêa e Odebrecht e sindicato da categoria — isso após os “levantes” e a insatisfação com as condições de trabalho nos canteiros de obras das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia.


Governo de SP contra a parede


Semana turbulenta em São Paulo, em junho de 2011. Metroviários, ferroviários, trabalhadores rodoviários do ABC paulista e funcionários da Sabesp mobilizaram-se — em paralisações ou estado de greve — cobrando melhorias econômicas de governo e patrões.
A mídia corporativa ficou de cabelo em pé, anunciando os fatos como prejuízo ao restante da população. O movimento dos metroviários escreveu seis “Cartas Abertas” à população, defendendo a redução da tarifa do transporte, denunciando a superlotação do metrô. Os ferroviários, por sua vez, há 16 anos não entravam em greve. Após a paralisação de dois dias, o Sindicato dos Ferroviários suspendeu o movimento e se mantêm em estado de greve.
Os funcionários da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) cruzaram os braços, no dia 01 de junho, pela manutenção de direitos conquistados em campanhas salariais anteriores e por melhores condições de trabalho. A greve não afetou o abastecimento de água para a população, contou com a adesão de cerca de 80% da categoria e conquistou, além da manutenção da “cláusula de estabilidade", com garantia de emprego para 98% do efetivo, reajuste de 8% e ampliação da licença maternidade de 120 para 180 dias.

Fonte: 

Setor Sindical Nacional

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