Qual a relação da direita brasileira com o “dragon ball z”?

Por Vinícius Luduvice

Não tardou um dia após o resultado final das eleições 2014 a direita brasileira iniciou uma movimentação frenética para conter/deter qualquer tipo de avanço do movimento sindical organizado, das forças populares e da juventude.

O primeiro ato do retrocesso foi afastar o povo brasileiro das decisões - participação popular. Para isso rejeitaram no plenário da Câmara o decreto presidencial que criou a Política Nacional de Participação Social, três dias após a reeleição da Presidenta Dilma Rousseff.

O segundo ato está em processo e tem o mesmo intuito de afastar a capacidade de o povo exercer força real sobre o sistema político brasileiro para aprovar um Plebiscito Oficial por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

 Qual seria a metodologia mais indicada para “mimeografar” um terceiro turno onde os conservadores/reacionários poderiam se unificar de uma forma onde pudessem criar uma força mais repressora no congresso? A partir de uma fusão entre legendas de direita e extrema direita. 

 Essa é uma iniciativa primária para manter o sistema político favorecendo de maneira totalmente desproporcional a ruralistas/latifundiários, donos de bancos e de empresas, em suma burgueses.

 Vamos aos fatos. Em verdade, as articulações entre o Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Popular Socialista (PPS), Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Partido Ecológico Nacional (PEN) e o Solidariedade (SD), já não são novidades faz tempo, apesar de nem todas serem admitidas publicamente.

Mas as fusões não param por aí, em declaração semana passada ACM Neto, do Democratas (DEM) – que não são democratas nem aqui nem em lugar nenhum - anunciou o início do fim do DEM e uma possível fusão com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), mas admitiu a possibilidade da fusão acontecer com partidos “nanicos”.

Essa fusão “descoordenada” entre os partidos de direita faz-me lembrar “dragon ball z”, uma série de desenho animado que ficou famosa no Brasil durante as décadas de 90 e 2000 onde os personagens faziam a fusão entre duas ou mais pessoas no mesmo corpo para ficarem mais fortes e poderem enfrentar inimigos mais fortes e resistentes.

No caso das fusões partidárias, a sua função é evitar – de qualquer maneira - que as promessas mais populares fiquem cada dia mais longe da realização e que a caixa preta do poder no Brasil – que é o sistema político – nunca seja aberta pelo Povo Brasileiro.

A direita no Brasil começa a admitir mesmo que de forma indireta que a aprovação de um Plebiscito Oficial por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político pode colocar o Povo Brasileiro na disputa do poder. E isso ameaça definitivamente as suas benesses.

Mas afinal, por que tanto “frenesi” para aumentar as respectivas bancadas (ruralista, empresarial, evangélica e da segurança ou da bala, como queiram) no Congresso Nacional, se como já divulgou o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), desde 1964 não temos um Congresso tão anti-popular?

A intenção é evidente, pressionar de todas as formas e para todos os lados tentando provocar instabilidade no Governo promovendo assim supressão e/ou redução de direitos sociais e trabalhistas.

Sendo assim, admitimos sabermos que com a luta pela Constituinte as contradições se agravarão, pois não é possível agradar a todos numa sociedade tão antagônica como a brasileira.

Como nos diz Florestan Fernandes “A sociedade capitalista tem essa característica: possui uma possibilidade de transformação que não é eliminada pelas iniciativas das classes burguesas. Muito embora o Congresso brasileiro reflita inversamente a nossa sociedade: a minoria rica e poderosa é a maioria parlamentar, e a maioria da nação é representada por uma minoria que só pode conquistar pequenos avanços”.

A nossa maior tarefa tática é continuarmos pautando a necessidade histórica de uma democracia com Povo no Brasil, pois se com esse Congresso que ainda está aí as coisas estão extremamente complicadas, ano que vem ficarão extremamente difíceis.

Mas acreditamos na possibilidade de aprofundarmos a nossa organização, pois patrão não tem medo de trabalhador desorganizado e nós sabemos disso. Retomarmos o trabalho de base como princípio para elevação da consciência do Povo Brasileiro pelo simples fato de não acreditarmos que a Rede Globo e seus afins possam fazer. Aguçarmos as mobilizações por todos os cantos e encantos do Brasil com toda nossa criatividade e beleza, que já foi iniciada com o Plebiscito Popular pela Constituinte, dando continuidade para que tenhamos “[...] grandes reivindicações proletárias, dos trabalhadores da terra, dos vários tipos de párias e excluídos[...]”.

Sendo que estas reivindicações “[...] precisam buscar um leito histórico menos confuso e perverso do que o das ‘promessas eleitorais’ e dos “programas” do partido da ordem. É necessário retornar à linguagem do passado (ou das origens), equacionando tais causas em termos socialistas, mesmo quando elas são propostas para serem atendidas dentro da ordem e através da ordem. Se a minoria que monopoliza o poder bloqueia o campo das transformações (e da linguagem ou da ação liberal-radicais da burguesia), a maioria deve saltar à frente e servir como a alavanca da revolução democrática e da criação de um estado democrático popular” (Florestan Fernandes).

*Vinícius Luduvice é Diretor de Formação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins-SINTET Regional Palmas-TO e membro do Comitê Estadual do Plebiscito Constituinte.

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