Resguardadas as devidas proporções, o PL 4330 está para 2015, como a quebra do monopólio do petróleo está para 1995

 

O ultimo suspiro do ascenso da luta de massas no Brasil, iniciado na década de 80, foi sem dúvida, a greve dos petroleiros de maio de 1995, contra a quebra do monopólio estatal do petróleo. Com a frase "quebrei a espinha dorsal do movimento sindical brasileiro," Fernando Henrique Cardoso, pavimenta a grande avenida do neoliberalismo no Brasil. 

Retirados a chutes de coturnos do exercito brasileiro, 51 demitidos, bens do sindicato penhorados, multas estratosféricas e jogados na ilegalidade, após 32 dias de greve, o sindicato dos petroleiros, o mais estruturado e organizado do país amargava uma derrota que seria não somente de uma categoria estratégica, mas de toda classe trabalhadora no Brasil. A judicialização e criminalização das greves no Brasil encontraram seu marco legal, forjado na intimidação e no autoritarismo do Estado brasileiro, remontando sua melhor tradição. Dai em diante o desmonte do Estado, a abertura aos mercados internacionais e a flexibilização dos direitos trabalhistas deram o tom do que seria a " nova fase" que entraria o Brasil.


A batalha travada naquele momento, longe de significar o fim da luta de classes, impôs as forças progressistas no Brasil, uma derrota que lhe custaria um preço altíssimo, pois se tratava de uma batalha estratégica na correlação de forças interna, entre a soberania e independência, contra o retrocesso neocolonial.O ano de 2015 para além de uma multiplicidade de aspectos que merecem total apreço ás análises necessárias nessa conjuntura, traz na tentativa de implementar o PL 4330, a mesma lógica que regia os ataques ao monopólio do petróleo de 1995, aumentar a taxa de lucro, tornando as mercadorias brasileiras mais competitivas no mercado internacional. O chamado peso do custo brasil, que naquela época fora atribuída ao Estado, agora sem mascaras, é responsabilidade de ninguém menos que ele, O TRABALHADOR.


O timoneiro Eduardo Cunha, em consonância com os centros de poder internacional e por parcelas organizadas do empresariado brasileiro necessitando, urgentemente aumentar as taxas de desemprego e pressionar os salários pra baixo, põe em marcha acelerada o projeto de dependência externa que vincule o mercado  brasileiro ás grandes economias centrais, realinhando o Brasil na divisão internacional como mero produtor de produtos primários a baixíssimo custo, nos reaproximando de nossa velha amiga, a reversão neocolonial. Estamos no inicio de uma batalha que pode durar meses, seus desfechos são imprevisíveis pois o momento é completamente diferente seja, no que diz respeito á organização dos trabalhadores seja, que no que se refere ao ânimo de resistência.


Nos resta uma certeza inabalável, a luta contra o PL 4330 assim como a greve dos petroleiros em 95, assume um caráter estratégico, com uma diferença fundamental, a de que não estamos no fim do ciclo de ascenso da luta de massas no Brasil, e sim no inicio de sua retomada com uma nova classe trabalhadora disposta a não abrir mão dos recentes ganhos obtidos, com a memória  viva dos enfrentamentos do passado, por tanto mais calejada, e sobretudo, tendo a capacidade de transformar uma luta aparentemente de natureza econômica em luta política.


A luta contra a PL 4330 vem revelar na prática que a atual composição do congresso nacional é a expressão maior dos interesses das elites brasileiras para com o Estado. Sua utilização como instrumento no garante imediato desses objetivos é bastilha fundamental, na qual se lançará com margem de segurança, os futuros ataques ás forças populares, seja  pra recuperar na guerra de posição, posições anteriormente perdidas, seja á consolidação de um projeto de enfrentamento estratégico para o futuro que se  desenha, numa guerra de movimento em definitivo.


Desse modo, a luta pela Assembleia Nacional Constituinte Soberana e Exclusiva  como alternativa de mudança ao atual sistema politico, constitui um elemento estratégico de ofensiva, que levado a cabo pelas forças populares, fôrça uma mudança de posição e postura  por parte das forças conservadoras no seio do Estado, dando as massas uma vivência política que deixará cada vez mais explícitas as posições na luta de classes.


Por último,  o 1 de maio  no Brasil, a despeito de sorteio de carros, apartamentos e shows  na lógica do pão e circo, por parte de centrais que mantêm a posição a favor do PL 4330, não ganhava tanta relevância como  o  que se avizinha no próximo maio. Não será mais uma agenda no calendário que se repete  todos os anos por parte do movimento sindical, nem tão pouco um feriado comum, já que sua realização terá impacto real na correção de forças  e na luta política. Já é publico e notório que a luta contra o PL 4330 afetará todo conjunto dos trabalhadores e que por isso não é uma luta somente do movimento sindical, mas de todo povo brasileiro. 20 anos depois da greve dos petroleiros, a história - a senhora toupeira, que teima em cavar nos imprevisíveis terrenos arenosos da luta de classes, nos dá a ótima oportunidade de vê-la ressurgir sob nossos olhos  e a chance de sermos parte desse decisivo momento.

Gleyson Melo - militante da Consulta Popular