Princípios

Princípios e valores de uma prática revolucionária


1.  A solidariedade


É a ação consciente de pessoas com os mesmos interesses de classe, que constroem alternativas conjuntas, para soluções defini tivas e para todos.
Deve ser compreendida e desenvolvida a partir dos nossos interesses de classe dentro e fora do nosso território.
A solidariedade de classe é fundamental para que, independente das categorias de estudantes, camponeses ou operários, se some na defesa de direitos conquistados e a garantia do respeito à Princípios e valores de uma prática revolucionária. A solidariedade na convivência revolucionária vai além das simples ações de hospitalidade, eleva-se para a categoria de responsabilidade coletiva, quando atrai para si a necessidade do companheirismo, a honestidade, a lealdade etc. Ou seja, não se pode ser solidário sem ser honesto e leal, porque a revolução é um movimento que ganha cada vez mais força na medida em que novos hábitos e valores vão sendo introduzidos.
A revolução é um movimento aberto para a frente. Para não ser interrompida, exige que sua atratividade ganhe cada vez mais importância. Não há outro caminho para essa atração senão por meio de gestos concretos. As ações convencem mais do que as idéias.
É na prática social que os hábitos se manifestam. O caráter das forças revolucionárias e a natureza da revolução se confundem em uma só essência. Os seres sociais precisam ser persuadidos a participarem desse movimento para a frente e somente o farão se sentirem atração por esse movimento.
A afetividade se coloca então como valor fundamental para a manutenção da unidade política e organizativa entre as pessoas e forças aliadas. Sem ela a revolução perde a atração. A revolução é o único meio que possuímos para construir a sociedade socialistaque devemos conquistar. Para que ela seja justa, a justiça terá que estar dentro de cada um de nós.É verdadeiro o princípio filosófico que diz que, ao fazer a sociedade, nos fazemos a nós mesmos. Não poderá haver uma sociedade solidária se os seus construtores não são solidários, justos, honestos e leais consigo mesmo e com os outros.
Os objetivos a serem alcançados pela revolução somente serão possíveis se, acima de tudo, tivermos consciência de que os hábitos e costumes da velha sociedade precisam ser derrotados juntos com as forças da contra-revolução. Sem o valor da coerência isso não será possível, pois, os demais valores perdem a força moral e
as palavras se esvaziam de conteúdo e de sentido.

NOSSOS VALORES ÉTICOS

A ética e os valores revolucionários orientam a vida social e política das forças revolucionárias; por isso as táticas adotadas nunca po-Os valores, para os lutadores e lutadoras do povo – não se trata de uma mera escolha que diferencia o bem do mal, mas de uma  linha de conduta que interliga o conjunto das atitudes e práticas.
Não se trata de sobrepor a cada atitude errada uma atitude que julgamos correta, mas de um comportamento que elimina da vida social todas as atitudes mesquinhas, egoístas e oportunistas que se tornaram hábitos ao longo da história.
Nesse sentido é que os valores não existem fora da conduta ou da vida social. A beleza, a bondade e a fidelidade não são referências abstratas, mas atitudes concretas que se reproduzem no cotidiano na convivência humana. O suporte para a manifestação correta dos mesmos está na estrutura econômica e política que organiza a
sociedade. Ou seja, o suporte da prática dos valores com conteúdo socialista virá da estrutura e das convicções da sociedade socialista.
As forças revolucionárias não apenas agem diferentemente das forças repressoras, mas também na sua essência são diferentes, por responderem de outro modo aos desafios e perguntas colocados tanto pelos indivíduos quanto pela sociedade.
A cultura revolucionária é a segunda natureza forjada pela prática humana, que supera os instintos biológicos determinadores do comportamento natural apenas. Aos poucos, a responsabilida de revolucionária insere no comportamento coletivo a prática de valores e normas morais que possuem o mesmo conteúdo e a mesma linguagem da revolução.
Visto dessa forma, facilmente compreenderemos que o ser humano está em permanente desenvolvimento e melhoramento ético, social e político. O seu envolvimento nas lutas leva-o a estabelecer contatos com outras idéias e outras práticas, fazendo com que se torne conivente com a convivência social revolucionária.


A convivência por sua vez exigirá o esforço para modificar determinados comportamentos e hábitos adquiridos na convivência não revolucionária anterior. Nesse sentido é que passa a existir a interligação dos valores que se apresentam com outro conteúdo.A ética e os valores da revolução. A ética e os valores fazem parte do caráter e da conduta das forças revolucionárias. O movimento da revolução arrasta junto de si milhões de seres sociais, agentes e sujeitos das transformações que estimula a querer a se diferenciar das forças dominantes que enfrenta na luta pela transformação da sociedade. As forças revolucionárias não só desejam ser melhores que as forças contra revolucionárias, mas também precisam superá-las e derrotá-las. Por isso lutam para se diferenciar delas. A sociedade
que deverá nascer de todo o esforço empregado é uma sociedade bem melhor.

A sociedade socialista que defendemos se construirá com as características políticas e culturais de cada povo. Será justa e respeitará os valores porque os seres humanos serão mais conscientes do seu papel na história.
Na luta pelo poder, muitos recursos serão utilizados pelas forças revolucionárias. Em se tratando de ações políticas, elas podem ser taticamente de natureza violenta, quando se manifestarão determinados comportamentos identificados com a brutalidade, a rigidez e a intransigência dos inimigos. Mas não se trata de, por usarmos temporariamente os mesmos meios, que tenhamos também a mesma natureza. O uso aparentemente inadequado de determinados meios, para as forças revolucionárias, por consciência, não se converterão em hábitos e por tanto ficarão registrados como momentos da construção histórica.
Nesse sentido, não é o ato em si que determina se uma ação é justa ou não, mas a situação em que o ato foi praticado, bem como as conseqüências que provoca. Devemos avaliar criticamente cada caso para considerar a validade da ética de cada um.
 Nem sempre a boa intenção é a posição mais correta. Por exemplo, se estamos convencidos de que o princípio moral de “não roubar” é em qualquer circunstância correto, ao vermos um mendigoapanhar uma fruta na banca da feira, consideraremos roubo aquilo que é apenas um ato de sobrevivência.