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Uma visão popular do Brasil e do mundo
Atualizado: 10 minutos 26 segundos atrás

PAPO ESPORTIVO | Paquetá é mais um que vai embora

sex, 12/10/2018 - 15:00
FUTEBOL O Flamengo acertou a venda do seu camisa 11 para o tradicional Milan por cerca de R$100 milhões  Luiz Ferreira | Lucas Paquetá é mais um jovem a deixar o Brasil sem sequer "acontecer" de verdade Foto: Staff Imagem/ Flamengo

O meia Lucas Paquetá é mais uma joia que vai-se embora para o exterior. O Flamengo acertou a venda do seu camisa 11 para o tradicional Milan por 35 milhões de euros, cerca de R$100 milhões na cotação atual e deve partir rumo à Itália no mês de janeiro de 2019. No papel, a venda do jovem de 21 anos foi excelente para os cofres rubro-negros. O valor obtido com a negociação deve servir para que Eduardo Bandeira de Mello feche seu mandato no azul e ainda com uma esperança de título brasileiro nesses últimos meses.

Mas esse nem é o problema. Lucas Paquetá é mais um jovem a deixar o Brasil sem sequer acontecer de verdade. O camisa 11 do Fla ainda tem até o final do ano pra fechar sua passagem pelo Flamengo com um título de expressão e mostrar que tem sim condições de ser o craque que a torcida tanto pede. Não vai para o futebol italiano "pronto", é verdade. Paquetá ainda peca demais na tomada de decisões dentro
de campo, abusando dos dribles e mostrando uma certa dificuldade para ocupar os espaços de maneira correta. Natural da idade. Ainda precisa de rodagem.

A questão aqui é ver mais um jovem promissor deixar o futebol brasileiro. Antes foram Vinícius Júnior, Rodrygo, Gabriel Jesus e Gabigol. Todos sem "acontecerem" de verdade nessas terras. Esse processo não começou hoje e nem no ano passado. Já vem de pelo menos 25 anos com nossos grandes jogadores partindo para "realizar o sonho de jogar na Europa". E se acontece com os homens, imagine como é com as mulheres. Marta teve que sair do Brasil ainda jovem para brilhar no exterior. Ela e muitas outras.

Difícil saber quando esse processo vai acabar. Falta tudo. União dos clubes e seriedade por parte de quem comanda o futebol brasileiro só pra começar. Até porque eu não devo ser o único que deseja pela volta daquele tempo em que nossos grandes jogadores estavam por aqui.

Botafogo e Vasco sobem na tabela (mas nem tanto)

O empate entre Botafogo e Vasco na última terça-feira (9) não foi bom para nenhuma das duas equipes. Menos mal que a zona do rebaixamento ficou mais longe de alvinegros e cruzmaltinos. Mesmo assim, os dois times precisam melhorar muito se quiserem
encerrar 2018 na Série A. Principalmente o Vasco, que sofre também com o clima quente nos bastidores.

Fluminense pode chegar mais longe do que muita gente pensa

A vitória sobre o Paraná deixou o Fluminense na oitava posição na tabela do Campeonato Brasileiro. Essa é mais uma prova de que os comandados de Marcelo Oliveira podem chegar mais longe do que muita gente pensa nessa temporada. Além de uma vaga na Libertadores de 2019, o Fluzão ainda pode sonhar com a Copa Sul-Americana. Por que não?

Grande abraço e até a próxima!
 

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No Dia das Crianças, pequenos se engajam e pedem basta ao fascismo

sex, 12/10/2018 - 13:21
Militância Mobilização em Brasília tem como pano de fundo o avanço conservador no país e a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) Cristiane Sampaio | Servidora pública Clara Fagundes com a filha Helena, de 4 anos, durante oficina de cartazes em Brasília Cristiane Sampaio

Em Brasília (DF), o Dia das Crianças se faz com brincadeiras e diversão, mas também com engajamento social e político. Reunidos no Eixão, principal avenida da cidade, pais e filhos aproveitam esta data para se envolver na luta contra o avanço conservador no país.

Juntos, eles organizam, ao longo desta sexta-feira (12), o evento “Crianças contra o baixo astral”, que consiste na produção de cartazes e pinturas que visam à formação crítica dos pequenos.

Segundo a pedagoga Mônica Padilha, uma das organizadoras da atividade, a inclusão de uma pauta política na programação do Dia das Crianças se baseia no interesse de pais e educadores em incentivar o exercício da cidadania desde a infância.

Ela destaca a preocupação com discursos que incentivam a violência no país e defende uma maior conscientização do público infantil sobre a importância da cultura da paz. 

“A gente acha importante que as crianças participem desses momentos, que elas também saibam o que está acontecendo de grave no nosso país. Criança é cidadã”.  

A servidora pública Clara Fagundes levou a filha Helena, de 4 anos, para participar da atividade. Ela conta que se preocupa com o futuro da menina como cidadã, especialmente quando o assunto é a questão da tolerância e do respeito ao próximo.

A servidora contesta, por exemplo, propostas defendidas pelo candidato à presidência da República de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL), que se posiciona pela generalização do uso de armas e outras medidas radicais como possíveis políticas de segurança pública.

“Você ensina pra criança que, quando o colega toma um brinquedo, ela deve ir lá falar com ele, e não bater no colega, mas aí vai dizer que um adulto pode dar um tiro numa pessoa? Como é que você ensina a uma criança que não pode bater, mas vai defender que as pessoas andem armadas?”.

A pequena Helena, de apenas 4 anos, já entende, ainda que minimamente, o cenário e conta que teme a liberação do uso de armas no país.

“A gente vai ficar matando pessoas à toa?”, questiona.

A defesa dos direitos das mulheres também é uma preocupação da servidora pública, que tenta conversar sobre o assunto com a filha, inclusive por conta do avanço conservador, que, entre outras coisas, defende uma limitação nesses direitos.  

A menina também já ensaia, juntamente com a mãe, algumas palavras em defesa dos próprios direitos e dos valores democráticos.

"Uma manhã eu acordei e vi ecoar ‘ele não’, ‘ele não’, ‘ele não’. Uma manhã eu acordei e lutei contra o opressor. Somos mulheres, a resistência de um Brasil sem fascismo e sem horror. Sigamos juntas pra derrotar o ódio e pregar o amor”, canta, em referência à letra da música atribuída à luta feminista.

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Confira a edição desta sexta-feira (12) da Rede Lula Livre

sex, 12/10/2018 - 13:09
Rádio Nossa programação vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 9h45 às 10h, na Rádio Brasil de Fato e emissoras parceiras Redação | Os jornalistas Fernando Morais, do blog Nocaute, e Mino Carta, da revista Carta Capital, visitaram Lula nesta quinta-feira (11) Joka Madruga

Confira nesta edição da Rede Lula Livre o depoimentos dos jornalistas Mino Carta e Fernando Morais sobre o ânimo de Lula. Os dois visitaram o ex-presidente nesta quinta-feira (11), após terem sido impedidos de ver Lula na semana passada. Segundo os jornalistas, o petista está bem tanto fisicamente e emocionalmente, mas carrega  a indignação de estar preso injustamente.

Você pode ouvir a Rede Lula Lula Livre de segunda à sexta-feira, das 9h45 às 10h, na Rádio Brasil de Fato.

Ouça o Boletim Diário da Rede Lula Livre:

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Fábio Assunção: "Criou-se um ódio absoluto a um partido democrático"

sex, 12/10/2018 - 12:45
POSICIONAMENTO Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, ator se posiciona contra a intolerância e critica a defesa do porte de armas Lu Sudré | Recentemente ator interpretou o juiz Ramiro Curió, na série "Onde nascem os fortes" Foto: José Eduardo Bernardes/BdF

Assim como outros atores e integrantes de classe artística, Fábio Assunção acredita que em momentos de intolerância política é necessário se posicionar. Em entrevista ao Brasil de Fato, realizada em São Paulo, o ator avaliou a atual conjuntura política e o crescente discurso de ódio no país, que se aproxima do segundo turno da eleição presidencial.

“Está em jogo todos os avanços que tivemos. De inclusão, de progresso, de liberdade, de amor. Isso tudo está em jogo. O movimento que está vindo é um movimento tipicamente de pessoas que está sem identidade. De pessoas que não sabem o que dizer”, afirmou Assunção. 

“Criou-se um ódio absoluto a um partido. Todos os partidos erram, todos os partidos tem pessoas e pessoas erram. Mas o princípio ideológico do partido, do PT, por exemplo, é muito bem definido desde o início. É um partido democrático, sem sombra de dúvida. É um partido inclusivo”, disse o ator, que se posiciona contra a liberação do porte de armas. 

Assunção também comentou as contradições de seu último personagem na TV aberta, o juiz Ramiro Curió, da série “Onde nascem os Fortes”. Um juiz coronel, conservador e que usa as leis em seu benefício.

Atualmente, o ator ensaia uma peça chamada “Dogville”, de Lars Von Trier, que aborda os sujeitos de uma sociedade conservadora. O espetáculo estreará no Rio de Janeiro em novembro, onde ficará em cartaz até dezembro. “Dogville” chega a São Paulo no início de 2019. 

Confira a entrevista na íntegra. 

Brasil de Fato - O Ramiro Curió, seu personagem de "Onde Nascem os Fortes", era um juiz, um homem da lei, que tinha uma postura de coronel. Como foi a construção desse personagem? 

Fábio Assunção - Geralmente, quando vou fazer um personagem, começo a procurar ele dentro de mim e depois vou procurando uma forma, uma maneira de me expressar fisicamente. A primeira coisa que pensei para o Ramiro era fazer um personagem sem alma, desalmado. Fiz isso porque acho que a relação que ele tem, não só com o trabalho dele, mas com filho, com toda a questão, por exemplo, do hobby que ele tinha de soltar presidiários e atirar nessas pessoas, é um desalmado. O Ramiro teve essa construção. Aí entra figurino, entra o visual, deixei a barba bem grande. O figurino sempre monocromático. Uma figura de muito poder, uma figura impune com certeza da impunidade. Fui para esse lugar onde não existe ninguém. Onde ele pensa que não existe ninguém que possa frear todo instinto perverso dele, esse estado de desalma. 

Existem "Ramiros "ou pelo menos pessoas parecidas com ele na realidade, que manipulam as leis para interesse próprio? Houve um choque da sua visão de mundo com a visão de mundo dele?

A minha visão de mundo é completamente outra. Sou orientado por duas questões fundamentais que são o princípio humanitário e esse lado progressista. Gosto das pessoas livres, podendo fazer suas escolhas, gosto da inclusão. Onde essas pessoas sejam não só aceitas, mas bem vindas.

Claro que existem paralelos em tudo que estamos vendo. A coisa da violência, do ódio, muitas vezes sem motivo. Sem motivo em relação ao odiado. Claro que a pessoa pode ter mil motivos, falar da infância dela, de como foi excluída. Acho que nada é isolado. Se essas pessoas existem, é porque construímos esse mundo. De alguma forma, escravizamos os povos. Os regimes políticos foram extremamente desalmados. O fascismo é desumano. 

Não foi nada difícil encontrar um paralelo para esse juiz, foi bastante fácil. É claro que o Ramiro está inserido em uma dramaturgia, dentro de um roteiro, e as coisas colocam esses personagens como vilões, como figuras extraordinárias. Mas esses vilões estão inseridos na sociedade, de uma forma dissimulada. Eles parecem até gentis, às vezes. Essas figuras se revelam e é muito difícil porque causa muita descrença nas pessoas.

O principal de tudo isso é achar que estamos em um mundo caótico por causa dessas pessoas. Tomamos banho de água fria, desanimamos muitas vezes porque, como as mídias só mostram isso, a gente fica com a sensação de caos absoluto. Acho que tem muita gente batalhando para que isso não aconteça, para que isso não continue. Tem um monte de Ramiros por aí no mundo inteiro e são figuras que vão estar aí sempre. 

Não acho que o mundo é um lugar em que um dia vamos encontrar perfeição. Aqui temos que buscar o nosso caminho, tentar limpar o nosso caminho de qualquer coisa que seja carregada de preconceito. De qualquer coisa que exclua outras pessoas, de qualquer maldade ou falta de empatia, de se colocar no lugar das pessoas em dificuldade. Podemos fazer isso sem se promover a santo. Dá pra ter a sua vida, saber onde está pisando. Pisar firme, na terra, fazendo a nossa parte. Gentileza gera gentileza.

Costumo pensar assim: No trânsito, quando você dá passagem para uma pessoa, daqui a pouco está todo mundo dando passagem. Você contagia. No fundo, todo mundo quer a passagem. Se alguém dá a passagem, a primeira coisa que você vai fazer é dar a passagem. Responder ao Ramiro ou a essas figuras com ódio, isso só joga a gente para um lugar inviável. O lugar que estamos experimentando.

Nesse contexto, qual o papel da arte? É importante que a classe artística se posicione?

Em primeiro lugar, a arte é o lugar onde se tem o máximo da expressão humana. Onde se expressa livremente em qualquer tipo de instrumento, artes plásticas ou através do cinema, da música, é o lugar onde se é livre. Onde você tem condições de colocar suas críticas de uma forma inteligente, de uma forma que desperte no outro alguma reflexão, sem que isso seja panfletário. A arte, por si só, já é um grande encantamento.

O que aconteceu recentemente é que voltou a ter censura em exposições, em manifestações artísticas, como se isso tivesse algum fundamento. Como se isso te colocasse em uma posição de moral, de bons costumes. A arte não passa por ai. Não pode estar sujeita à moral, à aprovação ou desaprovação. A arte é para você buscar dentro de si onde se identifica com isso, onde não se identifica e isso te trazer reflexão. A arte tem que ser preservada em sua expressão, não pode ser censurada jamais.

A classe artística, assim como as pessoas, tem que se posicionar da forma que acreditam. Pela classe artística transitar e respirar a arte, as peças que lemos, o tempo todo estamos vendo conservadores e humanismo. O próprio Ramiro era um cara extremamente cruel e conservador. Mas ali tem uma função dramatúrgica, ele se comportar dessa maneira.

Não dá pra cobrar de colegas que tenham um posicionamento como o seu. Quem vive de arte, quem conhece as dificuldades, todo mundo que conhece as pessoas que estão com dificuldades, vai se humanizando. No fundo tenho um posicionamento de quem gosta de gente. Acho que a maioria dos artistas gostam de gente ou, de pelo menos, estudá-las, retratá-las, falar suas palavras. É natural que a classe tenha essa postura, mas obviamente que isso não é 100%.

Nos últimos anos, tivemos uma conjuntura muito conturbada no Brasil. Gostaria de saber qual avaliação você faz desse período, se acredita que houve retrocessos. E agora, nesse atual momento, o que está em jogo no nosso país?

Eu acho que estão em jogo todos os avanços que a gente teve. De inclusão, de progresso, de liberdade, de amor. Isso tudo está em jogo. O movimento que está vindo é um movimento tipicamente de pessoas que está sem identidade. De pessoas que não sabem o que dizer. Criou-se um ódio absoluto a um partido. Todos os partidos erram, todos os partidos tem pessoas e pessoas erram, outras acertam, mas o princípio ideológico do partido, do PT, por exemplo, é muito bem definido desde o início. É um partido democrático, sem sombra de dúvida. É um partido inclusivo. Tudo o que o [Fernando] Haddad vem falando é nesse sentido e ele está apenas dando continuidade a um projeto de país que já existe.

Não consigo entender tudo que está vindo contra isso. Posso em algum momento ter raiva da minha vida ou de alguma coisa minha, mas não posso olhar para você e o meu desejo ser carregar uma arma para caso, se de repente você discutir comigo, te dar um tiro. Não vejo qual é a base de sustentação de um argumento desse a não ser o de que essa pessoa perdeu totalmente a identidade dela e ultrapassou qualquer fronteira de respeito, de generosidade, de amor. De querer uma sociedade boa. Eu não consigo associar o porte de armas a querer uma sociedade saudável.

Para mim, primeiro, essas pessoas são mal informadas, e depois acho que esse projeto só pode afundar o país. Estamos em um momento de escolha. Se essa for a vontade da maioria do país, o país vai se tornar isso. Cabe a cada um saber como contribuir dentro de um lugar tão indecente e tão obscuro. Se essa agenda for aprovada, será que vai continuar sendo crime bater em uma mulher? Porque não, se há um líder que transborda essa vibe para a população, porque não se poderia fazer isso? Quem vai reclamar? Se você tem uma filha, e ela levar uma porrada, a quem você vai reclamar?

Então, vamos escolher o que é o melhor para o país. Não sei, talvez eu seja burro e isso seja o melhor para o país. Uma grande destruição, uma grande falta de olhar para o outro. E aí vamos ver o que acontece. Eu continuo com as minhas convicções, não defendo partidos, mas continuo acreditando na mesma coisa que acreditava desde sempre. Já fiz campanha do desarmamento uma vez e fui apedrejado. Apedrejado no plebiscito. Toda a questão, por exemplo, da não legalização de drogas tem que ser revista com as famílias brasileiras, porque isso gera violência. Coloca uma coisa que pessoas consomem em um lugar de crime. Como não sabem resolver, não sabem dialogar respeitando as diferenças.

Se você tem um primo que fuma maconha e você fala: "Não vai fumar e se reagir vou te dar um tiro". A sociedade não está avançando. Em vários lugares do mundo se tem a maconha medicinal, vários trabalhos do mundo andando para um lugar onde as pessoas sintam menos dor. Com a sua sexualidade, com suas cores, com seus penteados, com suas roupas. Com essas pessoas felizes, a sociedade melhora. 

Mas se você quer que isso não exista, você terá que amordaçar os instintos do ser humano. Não posso mandar você calar a boca e achar que você não vai sentir raiva. Não vou dizer que você não vai ter emprego porque você é mulher e você não vai sentir raiva. Então porque eu não te dou um trabalho? Você fica feliz, eu fico feliz, você paga suas contas, eu pago minhas contas. Não adianta as leis gerarem exclusão, abandono, falta de oportunidade, miséria e querermos resolver isso dessa forma. Se alguém vier te assaltar, dar um tiro nele. Isso não tem lógica, não tem base de sustentação a não ser em regimes fascistas e ditatoriais. Em uma sociedade democrática isso não cabe, esse pensamento não cabe. Não se sustenta em uma sociedade democrática. Ou a gente pensa nisso ou votamos contra a democracia. 

Estamos em um momento de fazer alerta do que pode acontecer… 

Já está sendo feito mas acho que está acontecendo muito em bolhas de whatsapp. Acho que teria que ultrapassar essa bolha. É muito fácil ouvir de um grupo de whatsapp aquilo que eu quero ouvir e o grupo que eu não estou afim de ouvir, saio fora. É o que tem acontecido. Está tão polarizado que uma pessoa que fala contra o que eu penso, pego e saio do grupo. Mas a vida não é grupo de whatsapp. Você anda nas ruas com as pessoas, tem que pegar uma fila para comprar as coisas com pessoas na sua frente. Se estamos nesse retrocesso, amanhã posso empurrar quem eu quiser dessa fila. 

Não estou sendo pessimista, estou sendo realista. É o que está acontecendo. Recebi uma mensagem com vários links publicados de como o mestre de capoeira foi morto. Tem testemunhas. Ele falou que era PT. Então, qual o valor da vida? Avisa logo. Avisa que é ditadura, que é porradaria. Não dá para dizer "vamos nos armar para ter segurança". Não. As pessoas querem se armar para dar tiros. Não quero me armar para ter segurança. Vai ficar aquele negócio coçando no porta luvas. A primeira pessoa que chegar e falar algo, acabou.

Qual é a graça de viver assim? Estamos indo para um lugar perigoso, sem falar em tudo que esse governo Temer fez em relação a congelamento de investimentos, em relação a retirada de direitos trabalhistas que foram duramente conquistados. Essas manobras todas que estamos vendo na calada da noite, em um Congresso podre. Metade daquele Congresso são pessoas que enriqueceram ilicitamente. São pessoas que não estão nem aí. Vamos esperar. Vamos ver.

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Pará aprova lei que obriga que embalagens apresentem informações sobre agrotóxicos

sex, 12/10/2018 - 12:42
Direito do Consumidor Projeto de Lei foi aprovado na Assembleia Legislativa em Belém e agora segue para sansão do governador do Estado Lilian Campelo* | As embalagens deverão conter a informação “produzido com agrotóxico”. Greenpeace

O consumidor paraense teve mais um avanço em seu direito. Na última quarta-feira (10) foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), em Belém, o Projeto de Lei (PL) 253/2017 que obriga que os produtos alimentares produzidos e comercializados no estado devem conter em suas embalagens a indicação expressa se na sua produção foi utilizado algum tipo de agrotóxico. O projeto segue agora para sanção do governador do Estado, Simão Jatene (PSDB).

De acordo com o PL, nos rótulos das embalagens devem conter a informação “produzido com agrotóxico”, seja de “produtos processados parcialmente, ou industrializados”, e em “caixas de acondicionamento ou exposição, para produtos comercializados na sua forma natural, no atacado, ou a granel”. A proposta se baseia no Código de Defesa do Consumidor, que estabelece que é dever informar sobre os riscos que determinado produto pode oferecer, cabendo a ele o direito de consumi-lo ou não. 

De autoria do deputado estadual Carlos Bordalo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor, ele destaca preocupação com o uso intensivo de agrotóxicos na agricultura brasileira, a exemplo de denúncias recebidas sobre a produção de arroz no Marajó, considerado o maior arquipélago flúvio-marítimo do planeta composto por 16 municípios.

“Aqui no Marajó existe o plantio de arroz que tem sido borrifado na água, porque o arroz é produzido dentro d'água, e estão borrifado com substâncias agressivas e comprometedoras que podem causar doenças extremamente graves. É preciso intensificar na sociedade a consciência ambiental e ecológica, para que as pessoas entendam que nenhum processo produtivo pode ser feito comprometendo a vida humana, o meio ambiente e o a preservação das nossas nascentes e rios”, enfatiza.

Campeão do mundo

Sobre o uso de agroquímicos, desde 2008 o Brasil é o principal consumidor de agrotóxicos do planeta, representando 20% do total mundial. Na região Norte o Pará triplicou a comercialização de agrotóxicos por área plantada, entre 2007 e 2013. Os impactos do uso do veneno atingem não somente os consumidores, mas também os agricultores familiares em suas plantações, como relata Ângela Conceição de Jesus, presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Agricultura do Pará (Fetagri).

“A questão dos agrotóxicos é uma questão de saúde pública, ela impacta diretamente em nossas vidas, porque ao ser pulverizada uma plantação, ela atinge a plantação e os arredores dos agricultores familiares que estão produzindo fruticultura, a olericultura, seja qualquer tipo de atividade da agricultura familiar”, explica. 

Para André Rocha, de 39 anos, produtor rural e membro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pará, o projeto é importante e deve se somar ao projeto nacional sobre rotulagem de transgênicos. Ele acredita ainda que o PL é uma proposta inéditae pode abrir precedentes para outros estados. Mas o principal, na opinião dele, é que o consumidor poderá perceber que determinado produto que ele consumia teve em sua produção algum tipo de agrotóxico utilizado. 

“A gente não vê o veneno na comida, a gente come veneno sem está vendo ele, então eu acho que essa rotulagem expõe o quanto nós brasileiros estamos sendo envenenados a cada dia nos nossos alimentos”, destaca.

Rocha também considera que além de informar ao consumidor, o PL também fortalece os produtos oriundos da agricultura familiar, muitos destes apoiados por movimentos populares que defendem a reforma agrária, a justiça social no campo e possuem experiência de uma “agricultura agroecológica, que na verdade é a agricultura de vida”, enfatiza.

*A matéria contou com a colaboração da jornalista Márcia Carvalho

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Quem é Wilson Witzel, candidato ao governo do Rio?

sex, 12/10/2018 - 12:36
DISPUTA Candidato já declarou que vai acabar secretaria de Segurança Pública e que não vai priorizar assassinato de Marielle Eduardo Miranda | Candidato participou de ato de destruição de placa com nome da vereadora Marielle Franco Reprodução

Candidato que vai enfrentar o ex-prefeito Eduardo Paes (MDB) no segundo turno na disputa pelo governo do estado do Rio, Wilson Witzel (PSC) coleciona polêmicas. Logo após obter 41% dos votos válidos no primeiro turno, anunciou que daria voz de prisão a Paes, sob alegação de que o ex-prefeito da capital estaria espalhando “fake news” sobre ele. 

Dar voz de prisão em crime flagrante é um direito de qualquer cidadão, conforme estabelece o Código Penal do Brasil. Mas o anúncio do juiz e candidato foi criticado nas redes sociais. E o próprio Eduardo Paes respondeu que Witzel, que teve o dobro de votos do emedebista, não aceita críticas e que governar não é o mesmo que ser juiz. 

Com a visibilidade que surpreendeu muitos eleitores do estado, já que só começou a crescer nas pesquisas de intenção de voto na última semana de campanha, Witzel passou de crítico a criticado. Na última segunda-feira (8), advogados e estudantes de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) denunciaram práticas de Witzel como professor substituto na instituição. 

Integrante do Partido Social Cristão e aliado do candidato do PSL à presidência da República, Jair Bolsonaro, Witzel é criticado pelos advogados e estudantes de Direito por estar associado ao “obscurantismo fundamentalista” do Pastor Everaldo, presidente do PSC, e ao “fascismo sem pudor, sem humanidade, sem compromisso democrático” de Bolsonaro. 

“As deficiências técnicas e a falta de comprometimento com o magistério não são, contudo, a principal razão que nos move a assinar este manifesto. Como advogados e estudantes de Direito, juramos solenemente ‘defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos e a justiça social’. Nesse sentido, alertamos à sociedade que a candidatura do ex-magistrado está profundamente associada a duas graves ameaças que se confundem e se retroalimentam”, diz o documento, assinado por mais de 200 profissionais da área. 

Nas redes sociais, mais dúvidas foram lançadas sobre o candidato, desta vez por seu filho mais velho, Erick Witzel, de 24 anos. No Instagram, o rapaz comentou o resultado das eleições que levaram seu pai ao segundo turno. “Seguimos rindo para não chorar, porque a vontade é sumir. Um dia triste para a história do nosso estado e do nosso país”. 

Proposta de acabar com Secretaria de Segurança provoca polêmica 

Enquanto a população sofre com os governos de Michel Temer (MDB) e de Luiz Fernando Pezão (MDB) no Rio de Janeiro e a intervenção federal das Forças Armadas só piora os índices de violência, o candidato do PSC ao governo do estado, Wilson Witzel, declara que vai acabar com a Secretaria de Segurança Pública. A proposta provocou preocupação entre especialistas. 

“A Secretaria não envolve apenas a Polícia Militar, mas também a Polícia Civil, que constrói informações para o Judiciário. O candidato ignora isso e essa ignorância revela uma concepção em que o Poder Executivo é imaginado absolutamente desintegrado de uma articulação com o Judiciário, já que uma delegacia de polícia deve construir informações e dados voltados para a produção sistêmica da ordem”, aponta Lenin Pires, professor do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF). 

Segundo o pesquisador do tema, a declaração de Witzel, que foi dada em um vídeo publicado no Facebook, espanta por se tratar de um juiz federal que deveria ter conhecimento das consequências dessa proposta de desarticulação das polícias. 

“Essa declaração é extremamente perigosa, porque pode inclusive sucatear as potencialidades das polícias e apontar na direção de uma maior desintegração do sistema. Ele (Witzel) demonstra desinteresse de ser o articulador de um sistema que integra as polícias e se referência nas regras, nas leis e nas normas”, avalia Lenin Pires. 

Você sabia?  

No domingo anterior ao primeiro turno da eleição, Witzel participou de um ato de campanha em Petrópolis (RJ) em que candidatos do PSL, partido aliado, destruíram uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco (Psol), assassinada em março deste ano. A placa foi arrancada de uma rua da Cinelândia, no Centro do Rio, e quebrada diante e eleitores. O candidato do PSC disse ainda que a investigação, caso vença a eleição, não será prioridade. A declaração contraria até mesmo a ONU, que julgou prioritária a solução do crime, já que Marielle combatia os abusos da polícia e a violação de direitos da população moradora das comunidades do Rio. 

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sex, 12/10/2018 - 11:25
Áudio Diversos programas estão sendo pensados e produzidos para a plataforma digital Redação | Diversos programetes da Rádio Brasil de Fato estão sendo disponibilizados no aplicativo. Reprodução

Agora você poderá ouvir as produções radiofônicas da Rádio Brasil de Fato no Spotify. A estreia dos programas no aplicativo de áudio aconteceu essa semana com o programa Jardim da Política, que contou com a participação do ator Fábio Assunção e da Kelly Mafort, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Além do Jardim da Política, que vai ao ar todas as quintas-feiras, o canal do Brasil de Fato no Spotify também disponibilizará diversos outros programas, como o Mosaico Cultural, que traz histórias de gêneros musicais, de artistas, fala sobre poesia e festas típicas. Já o Momento Agroecológico relata experiências agrícolas sem o uso de agrotóxicos e em harmonia com a natureza, e o Alimento é Saúde aborda as vantagens e curiosidades de diversos alimentos que compõem a culinária brasileira.

Além disso, diversos outros produtos jornalísticos e musicais também serão lançados ao longo das próximas semanas pensando na plataforma digital. Acompanhe o canal no Spotify e aguarde pelas novidades.

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"Liberação do porte de armas é um tiro no pé", aponta sociólogo

sex, 12/10/2018 - 10:58
SEGURANÇA Para Daniel Misse, a relação que Bolsonaro faz entre mais armamento e segurança vai na contramão de diversas pesquisas Clívia Mesquita | "Política de armar a população tende a ser um tiro no pé a piorar muito a situação da segurança pública no país", diz Daniel Misse Ian Cheibub

Com o aumento dos índices de violência e homicídio no Brasil, a sociedade cobra medidas efetivas de reversão desse quadro alarmante, que já ultrapassa 62 mil pessoas assassinadas por ano, segundo o Atlas da Violência 2018. Com a aproximação do segundo turno, o eleitorado brasileiro tem até o dia 28 de outubro para conhecer melhor e mais profundamente os programas de governo dos candidatos à presidência da República para a área da segurança pública. “O Brasil Feliz De Novo”, com as propostas de Fernando Haddad (PT), e “O Caminho Da Prosperidade”, de Jair Bolsonaro (PSL), estão disponíveis para download na internet. 

No plano de governo do PT, a intervenção militar no Rio de Janeiro é colocada como mau exemplo do desvirtuamento do papel do Exército - que foi levado a assumir a função das forças de segurança pública. Em contrapartida, assume que a atuação do Estado sobre o tema precisa ser aprimorada com articulações de políticas sociais de forma integrada, controle de armas e o Plano Nacional de Redução de Homicídios.

Do outro lado, as previsões de Bolsonaro aparecem em formato PowerPoint, com mapas pintados de vermelho em alusão a Estados governados por partidos como PT e PCdoB. Em seguida, o documento mostra países que aboliram o controle de armas de fogo como EUA, Inglaterra, Noruega e seus baixos níveis de homicídio sem considerar que eles possuem planos públicos de proteção social e combate à desigualdade. A correlação inversa é feita com países da América Latina.

Para Daniel Misse, Professor Adjunto do Departamento de Segurança Pública do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC) da Universidade Federal Fluminense (UFF) a relação estatística entre intenção de voto e regiões mais ou menos violentas do Brasil deve ser feita com muita cautela, visto que é uma interpretação feita a partir de uma pesquisa que não tem essa finalidade.

“Na verdade, se tem uma percepção de violência que é difusa, não tem como controlar as variáveis sem um estudo sério e específico sobre o tema e as sondagens eleitorais não servem para isso. Mesmo porque o grupo estudado é sempre pequeno, de dois mil eleitores espalhados normalmente em capitais. Não se tem uma visão do país todo”, explica.

Segundo o pesquisador, o problema dessa interpretação continua sendo em tentar relacionar a percepção da violência com o cenário político atual, no qual questões complexas vêm sendo tratadas de forma simplista com o apoio de setores conservadores da sociedade com o objetivo de reforçar uma polarização em relação a um adversário. “Esse tipo de interpretação não explicaria porque regiões muito violentas e pouco violentas dentro de uma mesma cidade acabam escolhendo o mesmo candidato”, complementa.

Na primeira pesquisa de intenção de voto no segundo turno do Instituto Datafolha, Bolsonaro mantém vantagem sobre Haddad, apesar da política de segurança do PSL pregar o armamento irrestrito como solução para a crescente violência no país. Bolsonaro descreve em suas propostas de segurança que as armas são meros instrumentos, “objetos inertes que podem ser utilizadas para matar ou para salvar vidas. Isso depende de quem as está segurando: pessoas boas ou más”.

O professor Daniel Misse aponta que a relação entre mais armamentos e uma sociedade mais segura vai na contramão das muitas pesquisas de avaliação de impacto de políticas públicas sobre o desarmamento no Brasil e no mundo. A busca pela redução da violência passa não só pela restrição da venda, mas também pelo controle rígido das armas e munições, “reforçando o rastreamento por meio de marcações rigorosas e controle com entidades que possam ser responsabilizadas em caso de qualquer malfeito”, completa.

Violência e desigualdade social

O sociólogo e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), José Cláudio Souza Alves chama atenção para o somatório de informações sem fundamento e sem aplicação de estudos claros no programa de governo de Jair Bolsonaro. “A primeira sensação é que você está diante de uma Fake News do tipo das várias que vem sendo divulgadas no Brasil ao longo desses últimos dias”, comenta.

“A violência aumentou porque as pessoas estão se matando em busca de alternativa de sobrevivência diante de um Estado que não lhes dá proteção alguma, e o candidato sequer cita isso. Na América Latina a desigualdade é um fosso brutal e as populações empobrecidas não tem acesso a políticas públicas nem formas de proteção frente à violência e a criminalidade. Os habitantes de países que liberaram as armas têm alternativas reais dentro da situação de desemprego e vulnerabilidade.”

José Cláudio ainda ressalta que há uma tendência desse pensamento de promover uma batalha de “todos contra todos” quando propõe em escala nacional o que já é uma realidade nas favelas militarizadas do Rio de Janeiro. “Se hoje a polícia já possui carta branca para matar a rodo como ocorre e sofre as consequências disso que é ser morto também, porque é disso que se trata: a polícia mais homicida e suicida do mundo. Ele [Bolsonaro] quer elevar isso a sua enésima potência numa escalada que é um banho de sangue", conclui. 

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Apoiadores de Bolsonaro espalham violência pelo país antes do segundo turno

sex, 12/10/2018 - 09:24
Fascismo Assassinatos, agressões físicas e ameaças de morte tomaram conta das redes sociais e das ruas na última semana Júlia Dolce | Três homens cortaram uma suástica na barriga de uma mulher, que vestia um adesivo #Elenão, em Porto Alegre (RS). Reprodução/Facebook

Com o resultado em primeiro turno que colocou, no último domingo (7), o candidato Jair Bolsonaro (PSL) como favorito neste pleito presidencial, as denúncias sobre o ódio e violência representados por seu discurso saíram do plano discursivo: dezenas de relatos de ameaças, agressões físicas e até mesmo assassinato de militantes ou minorias sociais tomaram as redes e chegaram às ruas. Os criminosos, em sua grande maioria, são eleitores declarados de Bolsonaro.

Um mapeamento inédito realizado pela Agência Pública em parceria com a Open Knowledge Brasil, que está sendo organizado no site Vítimas da Intolerância, revelou que foram pelo menos 70 ataques com motivação política nos últimos 10 dias no país, no contexto do acirramento eleitoral. A grande maioria, 50 deles, foram cometidos por eleitores do Capitão reformado do Exército, e 33 deles ocorreram na região sudeste do país. Uma outra iniciativa, o Mapa da Violência da Extrema Direita no Brasil, também mapeou quase 50 ataques desde o último 1º de outubro.

Para a psicanalista Miriam Debieux, professora da Universidade de São Paulo e coordenadora da Rede Interamericana de Psicanálise e Política, o ódio faz parte constitutiva do ser humano, mas vem sendo manipulado como arma política. No dia 5 de outubro, um jogo online cujo objetivo é guiar o presidenciável do PSL em uma jornada de espancamento de negros, mulheres, pessoas LGBTI, militantes do movimento sem-terra e petista, foi lançado na plataforma Steam.

"Nos processos democrático admitimos divergências, conflitos de interesses, lutas por ideia, mas considerando que o outro também comunga do mesmo direito. Admite-se a diversidade. O que temos vendo não são atos agressivos dispersos, são dirigidos especificamente para um certo grupo. Estamos falando de agressões dirigidas a certos grupos, que passaram a ser considerados proibidos de emitir sua opinião, no caso de eleitores do PT, participantes de grupos de esquerda, e no caso de mulheres, homossexuais, que não podem ser do jeito que são", afirmou.

Uma das primeiras, e mais graves notícias que sucederam a decisão do primeiro turno foi a do assassinato do mestre capoeirista Moa do Katendê, esfaqueado após defender seu voto no petista Fernando Haddad em Salvador (BA), logo após a apuração do primeiro turno. No dia seguinte do pleito, Anielli, irmã da vereadora Marielle Franco, assassinada em março deste ano, relatou que foi verbalmente agredida no Rio de Janeiro por um homem que gritou muito próximo ao rosto de sua bebê de dois anos, "esquerda de merda, sai daí feminista, piranha".

Também no estado fluminense, em Nova Iguaçu, a mulher trans Julyanna Iguaçu, ex-vocalista do grupo Furacão 2000 foi golpeada na cabeça e no pescoço com uma barra de ferro, e recebeu chutes e socos pelo corpo. O ataque foi realizado por ambulantes que gritavam "Bolsonaro vai ganhar para acabar com os veados, essa gente lixo tem que morrer".

Na noite da terça-feira (9), um estudante da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve sua cabeça cortada após ser atingido por uma garrafa jogada por integrantes de uma torcida organizada que gritava "Aqui é Bolsonaro". Também no Paraná, o cineasta Guilherme Daldin foi atropelado na noite do domingo eleitoral, por estar vestindo uma camiseta vermelha com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao Brasil de Fato, ele relatou a violência que sofreu. Daldin comemorava o resultado do primeiro turno no Bar do Torto, em Curitiba, quando foi derrubado por um carro que "bateu com tudo" em suas costas.

"Foi muito rápido, a parte da frente dele bateu na minha coxa, e o pneu passou no meu pé, e foi como uma rasteira, me jogou para o chão. Por sorte não fui para baixo do carro. Ele já saiu acelerando, não parou para prestar socorro nem nada, cantou pneu saindo correndo. Eu senti que estava doendo mas não tinha nada de grave e alguns amigos foram atrás dele. Quando chegaram perto dele perguntaram se foi ele que me atropelou e ele disse 'tenho uma surpresinha pra vocês', e ameaçou tirar uma arma. Meus amigos saíram de perto dele porque não iam pagar para ver", afirmou.

Daldin conta ainda que ao comparecer na Central de Flagrantes da Polícia Civil para realizar o Boletim de Ocorrência, se deparou com o computador da escrivã coberto por adesivos em apoio a Bolsonaro. A escrivã disse que era apenas uma estagiária, e que os adesivos vinham "de cima", do próprio Delegado.

"Eu preferi fazer em outra delegacia. Consegui identificar a pessoa que me agrediu pela placa do carro, na rede social do cara ele é completamente anti-PT, naquele nível doentio, dizendo até que ia dar uma porrada no meio da cara de quem votar no Haddad. O clima, principalmente em Curitiba, é de violência constante, que deixa a gente angustiado. Eu olho a cada esquina, não ando muito a pé sozinho. Não deixa de ser uma milícia, se tem um líder que propaga isso e eles se organizam minimamente em torno de um movimento", opinou.

Crime eleitoral

Para Beatriz Vargas, membra fundadora da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UNB), a cena encontrada por Daldin na delegacia configura "crime eleitoral", algo "de conhecimento de qualquer servidor público". Ela acredita, no entanto, que com a possível eleição de Bolsonaro, hoje com 58% das intenções de votos válidos, as instituições democráticas, principalmente na Segurança Pública, ficarão cada vez mais enfraquecidas.

"Não são boas as expectativas. Eu poderia dizer que, no mínimo, um futuro governo dele seria de uma insegurança e irresponsabilidade total. Se tem algo certo hoje é isso. Até por conta das promessas de campanha declaradas, o endurecimento dessa concepção de segurança pública tradicional voltada ao combate, a autorização para o policial matar. Ele tem a prisão como centralidade, algo incompreensível pensando no Sistema Prisional Brasileiro. Para a Segurança Pública, a imagem é pior do que pessimista, é realista de um aprofundamento dos problemas", afirmou.

Vargas destacou também a resposta policial a uma das agressões mais emblemáticos da última semana: o caso da jovem que foi abordada por três homens em Porto Alegre, por estar usando adesivos com a frase "Ele não", palavra de ordem que mobilizou o mundo todo contra Bolsonaro nas últimas semanas. Os homens a agrediram com socos e desenharam uma suástica em sua barriga com um canivete. A jovem não teve seu nome identificado e optou por não representar o caso criminalmente. Em entrevista, o delegado titular da 1ª Delegacia de Porto Alegre onde a jovem realizou o B.O, Paulo Jardim, afirmou que o símbolo desenhado é budista, de "harmonia, de amor, de paz e de fraternidade".

Em relação ao caso, a professora da UNB reitera que é esperado que as autoridades cumpram sua função jurídica conforme a moldura legal. "É espantoso o caso do delegado de Porto Alegre. Mostra uma contaminação de um ambiente de ódio, uma cultura que vicia o comportamento institucional", afirmou.

"Não tenho controle"

Questionado na última segunda-feira, o candidato Jair Bolsonaro afirmou lamentar os episódios, mas diz que não tem controle sobre a situação. "Será que a pergunta não tem que ser invertida não? Quem levou a facada fui eu. É um cara lá que tem uma camisa minha, comete um excesso, o que eu tenho a ver com isso? Eu lamento, peço que o pessoal não pratique isso, mas eu não tenho o controle", afirmou. No dia seguinte, o candidato postou em sua conta no Twitter que o partido "dispensa voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam nele", afirmou.

Para muitos, no entanto, o discurso do próprio candidato, que vai desde declarações machistas, racistas e homofóbicas, até a defesa da tortura na Ditadura Militar, e, mais recentemente, às falas em que diz que "vai metralhar a petralhada", deveriam responsabilizar Bolsonaro pelos ataques. O Deputado Federal já foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por crimes de racismo e manifestação discriminatória, devido a um discurso proferido em 2017 no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro.

Para a psicanalista Miriam Debieux, o candidato se isenta da responsabilidade do ódio que destila.

"De certa forma, ele tem razão porque ninguém pode se responsabilizar pelo que o outro faz. Mas se ele faz isso da posição como candidato, ele traz essa pauta como algo que autoriza as ações e essa ideia como uma ideia de todos. É um discurso que autoriza uma ação. Se ele não diz explicitamente "faça", ele, com as suas atitudes e displicência nas formas de dizer, traz uma autorização para que o outro faça, e daí ele se isenta disso em seguida", afirmou.

Debieux destaca que a desqualificação de setores sociais presentes nas manifestações e na campanha de Bolsonaro é o primeiro passo para tirar as pessoas desses grupos de um lugar de dignidade.  

"Como todos os processos de constituição da violência se constroem? Justamente desqualificando o lugar do outro, reduzindo-o a uma coisa. Isso autoriza que o outro faça valer, pelo ato, a sua vontade. De uma certa forma, esse discurso, que não é da boca pra fora, porque quem diz isso também diz que ele é sincero, convida a uma identificação com essa prepotência. Na Alemanha pré-nazista ocorreu coisas muito parecidas, a disseminação de grupos que tomam para si a palavra e começam a intimidar, agredir e matar por conta própria", afirmou, destacando ainda que, embora enquanto presidente Bolsonaro não tenha o poder para realizar o que acredita, a bancada recém-eleita do Poder Legislativo que o apoia poderia dar essa força.

Apologia à violência

Para a jurista Beatriz Vargas, o candidato poderia sim ser responsabilizado pela apologia à violência.

"Há uma responsabilidade dele que pode vir sim a se manifestar como crime, mas uma responsabilidade dessa cultura do ódio em relação aos atos concretos, reais, acontecendo em vários lugares, que a princípio podem ser isolados mas podem formar um conjunto altamente preocupante de eco. Essa fala está ecoando. E é uma fala que volta ao candidato, que se apropria dela. Em tese, há como responsabilizar juridicamente Bolsonaro por apologia, o que é crime. Ele seria responsabilizado pelos ataques se houvesse a comprovação de que ele está diretamente ligado ao crime, como mandante. Não quero dizer que apologia não é grave. Na verdade, chegamos em um momento em que estamos relativizando a gravidade da apologia ao crime e ao rompimento da ordem democrática", afirmou.

No entanto, Vargas opina que a resposta contra tais manifestações de ódio e violência deveria ser realizada no campo da política.

"Não estou dizendo que não existem consequências institucionais, espero que elas venham a ser construídas, porque não podemos abrir mão de aplicar a norma neste caso. Mas isso é pouco. Quando temos que apelar muito para o juridiquês é porque a situação está muito difícil de ser resolvida no campo da política. É uma pena, porque a melhor resposta seria a de uma maioria esmagadora nas urnas. O Direito tem limites. É um horizonte sombrio que se descortina, uma previsão metereológica: vai chover".

Em suas redes sociais, o candidato petista Fernando Haddad também se pronunciou contrário a onda de violência. "Estamos conversando com todas as forças que queiram conter a barbárie que está escalada no país. Nós temos que botar um fim nessa violência. É demais o que está acontecendo. Violência não se responde com violência", afirmou.

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Exposição do artista Arnaldo Antunes encerra nesse fim de semana no Recife

sex, 12/10/2018 - 09:00
TRAJETÓRIA A exposição resgata trinta anos de produção do artista paulistano Vanessa Gonzaga | A exposição reúne caligrafias, colagens, instalações e objetos poéticos Divulgação/Paulo Winz

O próximo domingo (14) é o último dia de visita para quem ainda não conferiu a exposição Palavra em Movimento, de Arnaldo Antunes. A exposição, que está aberta desde o dia 16 de agosto reúne mais de 30 anos de produção visual do artista, que trabalha a palavra por meio de diversas técnicas verbais, sonoras e visuais. A atividade é organizada pela Caixa Cultural, que fica na Praça do Marco Zero, Bairro do Recife.

Com a curadoria de Daniel Rangel, a proposta da exposição é fazer uma síntese da trajetória da produção de Antunes nas artes visuais contemporâneas, reunindo, em recorte cronológico, caligrafias, colagens, instalações e objetos poéticos realizados em toda sua carreira artística.

Os grupos que agendarem visita à exposição Palavra em Movimento também podem participar da ocupação Poética Escrito/Sonora. Os participantes são convidados a criar, a partir de seu próprio repertório, composições caligráficas e verbetes sonoros utilizando como base a série Caligrafias, de Antunes, com escritos à base de monotipia sobre papel, com o uso de tintas de carimbo, realizada entre os anos de 1998 e 2003 pelo artista. Os agendamentos para visitar a exposição e participar da atividade podem ser feitos através do email gentearteirape@gmail.com ou pelo telefone 3425-1906.

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Judeus, muçulmanos e cristãos lançam manifesto em apoio a Haddad

sex, 12/10/2018 - 08:21
Frente democrática "Não podemos colaborar para que estes tempos sombrios voltem a surgir entre nós", afirma parte do texto Redação | Evangélicos no ato do dia 29/09 contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Reprodução

Entidades de judeus, muçulmanos e cristãos lançaram nesta quinta-feira (11) o manifesto "inter-religioso contra a barbárie", em referência a Jair Bolsonaro (PSL).

O texto, que foi assinado por grupos como Frente Evangélica pelo Estado de Direito, Judeus Contra Bolsonaro e a representantes da mesquita Sumayyah Bint Khayyat (SP), se posiciona a favor da candidatura de Fernando Haddad (PT). 

"Somos parte das três religiões monoteístas do mundo. Acreditamos em um Deus de bondade e de amor. Um Deus que ama todas suas criaturas, não importa sua cor ou seu gênero", diz o documento. "Toda vez que a fé foi utilizada para promover a paz, tivemos progresso e convivência pacífica entre os seres humanos. Mas quando utilizaram dela para promover o ódio, tivemos os piores períodos da nossa história."

"Não podemos colaborar para que estes tempos sombrios voltem a surgir entre nós. A barbárie que bate a nossa porta não pode entrar", afirma. 

O texto afirma que judeus, muçulmanos e cristãos devem se unir "contra o obscurantismo". "Possa Nosso Deus único nos proteger, permitindo que o bem vença o mal, o amor e a compaixão vençam o ódio que foi semeado no coração de cidadãos brasileiros e que nos ajude fazendo com que todos retornem a consciência da palavra de Deus, em suas ações!"

O grupo Judeus Contra Bolsonaro no Facebook conta com 5.700 membros. Já a Frente Evangélica contabiliza 12 mil curtidas em sua página na rede social. 

Confira o manifesto na íntegra:

Nós membros dos movimentos que subscrevem este manifesto, vimos a público neste momento decisivo em que a barbárie desafia a civilização, nos manifestar em nome da democracia.

Somos parte das três religiões monoteístas do mundo. Acreditamos em um Deus de bondade e de amor. Um Deus que ama todas suas criaturas, não importa sua cor ou seu gênero. Ele nos fez à sua semelhança, e nossa diversidade é a prova de um Deus que está em cada um de nós.

Toda vez que a fé foi utilizada para promover a paz, tivemos progresso e convivência pacífica entre os seres humanos. Mas quando utilizaram dela para promover o ódio, tivemos os piores períodos da nossa história.

Não podemos colaborar para que estes tempos sombrios voltem a surgir entre nós. A barbárie que bate a nossa porta não pode entrar.

O Judaísmo trouxe ao mundo a Bíblia Hebraica, o Cristianismo trouxe ao mundo os Evangelhos e o Islã o Alcorão, livros sagrados que orientam o ser humano a um mundo de respeito ao próximo.

Todos aqueles que professam a sua fé em Deus e nos valores éticos e morais do monoteísmo estão conosco a favor da civilização e do direito de todos os seres humanos conviverem em paz e harmonia. Judeus, cristãos e muçulmanos irmanados por um Brasil para todos e contra o obscurantismo.

Possa Nosso Deus único nos proteger, permitindo que o bem vença o mal, o amor e a compaixão vençam o ódio que foi semeado no coração de cidadãos brasileiros e que nos ajude fazendo com que todos retornem a consciência da palavra de Deus, em suas ações!

Por tudo isso nós conclamamos o apoio aos candidatos Fernando Haddad e Manuela D’Ávila, através do seu voto.

Judeus contra Bolsonaro

Articulação Judaica

Movimento Nossa Voz – SP

Igreja Anglicana Latino Americana – MG

Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito

Abrahamicos Unidos – Rio de Janeiro

Mesquita Sumayyah Bint Khayyat – Embu das Artes-SP

Comissão Justiça e Paz – SP

Juprog

Grupo Católico de Oração e Solidariedade Rio Maria-RJ

Cristãos e Cristãs contra o fascismo

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Coluna Paraná Clube | Não abro mão!

sex, 12/10/2018 - 08:00
FUTEBOL PARANAENSE Diante da possível venda do mando de campo parte da torcida ameaçou cancelar o sócio, outros procuraram o Procon. Marcio Mittelbach | Marcio é colunista esportivo do Brasil de Fato PR Arte: Vanda Moraes

Parecia tudo acertado. A população de Cascavel já sabia até quanto seria o ingresso da partida entre Paraná Clube e Flamengo no dia 21 de outubro. O tricolor iria faturar algo em torno de R$ 400 mil. Um bom dinheiro, é verdade, mas que não é nada diante de um direito fundamental do sócio-torcedor: ver o time jogar. “Ah, o clube já está rebaixado”. Não importa! Para mim o jogo do Paraná é muito mais do que buscar três pontos na tabela. Inclui um programa em família, tomar uma com os amigos paranistas, extravasar, gritar, xingar. 

Diante da possível venda do mando de campo parte da torcida ameaçou cancelar o sócio, outros procuraram o Procon que, por sua vez, disse que caberia uma medida punitiva ao clube. Não precisou. A diretoria percebeu que estava fazendo bobagem e suspendeu o negócio. 

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Coluna Atlético PR | Paulo André nos representa

sex, 12/10/2018 - 08:00
FUTEBOL PARANAENSE Uma atitude ousada dentro de um clube que já é administrado da forma ditatorial. Roger Pereira | Roger é colunista esportivo do Brasil de Fato PR Arte: Vanda Moraes

E o “dono” do Atlético fez mais uma das suas. No último sábado, véspera da eleição, no melhor estilo dono da Havan, Mário Celso Petraglia fez seus funcionários entrarem em campo com uma camiseta com manifestação política. Manifestação que não representa o pensamento de alguns dos jogadores, que já haviam se manifestado em redes sociais, mas acabaram não tendo firmeza para questionar o patrão e usaram a camiseta que tanto envergonhou a nação rubro-negra. 

A exceção foi nosso capitão Paulo André. Líder do movimento dos atletas por melhores condições de trabalho, e declaradamente contrário a qualquer tipo de autoritarismo, nosso zagueiro foi o único que não utilizou a camiseta. Uma atitude ousada dentro de um clube que já é administrado da forma ditatorial que defende o candidato à presidência apoiado por Petraglia. Mais do que nunca, Paulo André, você nos representa. 

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Coluna Coritiba | Aproveitar a chance

sex, 12/10/2018 - 08:00
FUTEBOL PARANAENSE Aos poucos, o técnico Argel Fucks vai definindo o desenho tático mais adequado ao elenco. César Caldas | César é colunista esportivo do Brasil de Fato PR Arte: Vanda Moraes

O jogo diante do Figueirense no próximo sábado (13/10), às 19 horas, em Florianópolis, é crucial para as pretensões do Coritiba de voltar à Série A. A vitória não apenas constituirá a terceira consecutiva na competição, o que ainda não ocorreu. Mas terá como principal repercussão uma imensa oportunidade de aproximação do G4 como mandante, eis que, dos três jogos seguintes, dois serão no Alto da Glória contra times acima na atual classificação – CSA e Guarani. Entre os dois confrontos, uma viagem para enfrentar o Paysandu, em Belém, que apenas luta contra o rebaixamento. 

Aos poucos, o técnico Argel Fucks vai definindo o desenho tático mais adequado ao elenco. Tentará tirar proveito da acomodação do “Furacão do Estreito”, hoje equidistante (exatos oito pontos) dos blocos de acesso e descenso do campeonato. 

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Resistência trans: a arte de quem ousa existir além das aparências

sex, 12/10/2018 - 07:30
Diversidade Artistas trans vem ocupando espaços cada vez maiores no mundo da música, da dramaturgia e da literatura Michele Carvalho | A rapper Alice Guél Jefferson Lucas

Olhar no espelho e não se reconhecer nas feições, curvas ou cabelos refletidos. Habitar um corpo que não corresponde aos desejos e as aspirações do existir e do fazer.

“Para mim eu estava fantasiada de menino até 9 anos. 
Nove anos com uma fantasia quente, pinicante. 
A maquiagem não é para reforçar isso? Eu sou uma menina!!
Não! Eu sempre me senti menina, independente de maquiagem”

Alice no País que mais Mata Travestis – Alice Guél

Como transbordar quem se é de verdade? Emergir das várias e várias camadas de regras e comportamentos esperados e aceitos pela sociedade? Esse parece ser o sentido dado à vida por pessoas que se descobriram ser de um sexo diferente daquele que nasceu.

Pessoas como a rapper Alice Guél! Quando criança, decidiram que ela, ainda em um corpo que não era seu, devia jogar futebol, mas foi o balé que fez seu coração bater. A cantora diz, que a dança cumpriu um papel importante na sua formação, mas ela sentia que precisava extrapolar os limites que lhe foram dados.

“Eu sentia a necessidade de expressar meu corpo fora do que me davam no balé, fora do que me davam no contemporâneo, para fora disso, eu queria mais, sabe? E outra, acho que essas minhas inquietações vieram junto com o meu processo de se assumir travesti socialmente”.

"Cês nem tão ligado que eu passei no deserto
Sem apoio de amigos, ou Estado, certo?
Agora destruo padrão sem dó, nem piedade
Niguém segura as travas, [?], sociedade"

Trecho da canção “As coisas vão mudar “ - Alice Guél

Foi nas rimas e na batida do rap, que Alice encontrou uma forma de falar sobre as dores que sempre foram caladas.“Mas eu sinto que o rap é o grito da periferia, o grito do movimento negro e é o grito dessas pessoas que sempre quiseram dizer e sempre foram bloqueadas, caladas. E agora, eu sou apaixonada, muito, muito, muito mais apaixonada pelo rap, faz muito sentido para mim agora, tudo isso”, explica.

"Pela Deusa Travesti
A deusa dos corpos que querem resistir
Deus é travesti
A deusa dos corpos que querem existir"

Trecho da música Deus é Travesti - Alice Guél

Alice quer resistir, tem sede de se superar cada vez mais. Talvez, isso explique de onde vem a força para encarar com firmeza a tarefa de ser uma mulher trans nos microfones do rap, de se mostrar do jeito que ela é, mesmo a sociedade esperando alguém diferente.

“Eu quero superar a estatística, eu quero superar a ideia de que mulher não pode cantar, eu quero superar a ideia de que a mulher não pode ter força, eu quero superar a ideia de que travesti não pode cantar, eu quero superar que travesti não pode gerar conteúdo, gerar educação, gerar arte, gerar falas”, afirma.

Já o lugar de resistência de Bárbara Aires é o universo da dramaturgia. No currículo, a atriz e produtora coleciona trabalhos em peças de teatro, em novelas, programas de auditório e até uma menção honrosa por sua participação no curta metragem Mercadoria, do Coletivo Carne e Osso.

Bárbara explica que não é possível separar a militância da sua arte. Apesar de sentir que as portas vêm se abrindo cada vez mais para o trabalho dela, sabe que nem todos os artistas têm o reconhecimento necessário.

“A gente tem pessoas trans que são produtoras de teatro, pessoas trans que são figurinistas, pessoas trans que são musicistas. Para que em todas as áreas artísticas, que a gente tenha esse olhar de tentar incluir a diversidade, para que a gente consiga quebrar essa barreira do trabalho, do emprego para as pessoas trans.”

"Mas não se esqueça
Levante a cabeça
Aconteça o que aconteça
Continue a navegar"

Trecho da música Serei A – Linn da Quebrada

Abrir brechas e espaços para que a sociedade aprenda a respeitar as pessoas trans. Era esse o desejo de Amara Moira, mulher trans e escritora, quando iniciou sua tese de doutorado, na Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas, ao mesmo tempo em que ela começa a se descobrir como outra pessoa.

“E a partir do momento que eu começo a transição, eu começo a sentir a necessidade de que exista esse diálogo. Eu queria produzir algo que dialogasse com a sociedade, que transformasse a sociedade, que tensionasse as suas resistências, as suas práticas discriminatórias”, lembra.

Então nasce “E se eu fosse puta”, um livro com as memórias e experiências de Amara como prostituta. Como resultado, ela recebeu respostas de alguns de seus leitores e leitoras. Pessoas que, por meio dos relatos do livro, conseguiram enxergar aqueles que vivem às margens da sociedade, de uma maneira diferente.

Mas como Amara não quer mais ser colocada em caixinhas pré-definidas, ela explica que os seus relatos também buscam alcançar diferentes públicos.“Não é uma obra apenas militante! Eu me esforcei muito para tentar casar o propósito militante, junto com o propósito literário, estético. “É como se juntasse um pouco do que eu fui, com um pouco do que eu me tornei".

Além de Alice, Bárbara e Amara, outras e outros também vem superando as barreiras, ocupando lugares e marcando presença. A lista é grande: As Bahias e a Cozinha Mineira, Liniker, Lin da Quebrada, Maria Clara Spinelli, Gabriela Loran, Danna Lisboa, Carol Marra…

“No chão de pista, apareço de salto
Frenetic, feito tigresa braga
Meto na cara maquiagem brega
Canto de galo à luz da madrugada”

Trecho da música “Dama da Night – As Bahias e a Cozinha Mineira

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Conheça as diferenças entre as propostas de Haddad e Bolsonaro para imposto de renda

qui, 11/10/2018 - 21:28
MORA NOS DETALHES Economistas explicam que programa do PSL gera desigualdade e prejudica economia Luciana Console | Haddad e Bolsonaro disputarão o segundo turno das eleições no dia 28 de outubro Montagem/divulgação

A proposta que prevê a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos é encontrada tanto no plano de governo do candidato Fernando Haddad, do PT, quanto no de Bolsonaro, do PSL. O economista e diretor da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (FENAFISCO) Pedro Lopes entende que a isenção é positiva. 

"Isentar até os cinco salários mínimos é necessário e entendemos que é importante, porque são os rendimentos menores no país. Então, não tributando essas pessoas você gera um maior consumo". 

As semelhanças, no entanto, param por aí. O economista alerta que o eleitor deve estar atento às diferenças e aos detalhes das medidas apresentadas por cada candidato. 

Proposta de Bolsonaro 

A proposta de Bolsonaro prevê alíquota única de 20% para todos que ganham acima de cinco salários mínimos. Atualmente, a tabela do Imposto de Renda é composta por cinco faixas tributáveis, sendo a máxima em 27,5%, para rendimentos superiores a R$ 4.664,68 mensais. Até 1.903,98 o cidadão é isento, de 2.826,66 até 3.751,05 a taxa é de 15% e de 3.751,06 até 4.664,68 é de 22,5%. 

O economista e diretor da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (FENAFISCO) Francelino Valença avalia que tanto a tabela atual quanto a proposta por Bolsonaro estão inadequadas para realidade brasileira. 

"Os países desenvolvidos caminham tributando mais quem ganha mais. O Brasil faz o inverso. Tributa muito quem ganha menos e pouco quem tem bastante recurso. Ela também pega num principio constitucional que nós temos de equidade. Que no Brasil, o imposto tem que ser pessoal e variar de acordo com a capacidade econômica do contribuinte. No momento em que você coloca uma alíquota única de 20% você esta querendo dizer que quem ganhar acima de cinco salários mínimos, quem ganha 6 ou quem ganha 600 teria o mesmo pagamento de alíquota. Isso também vai contra a Constituição". 

O economista afirma que a principal consequência da proposta de alíquota única da campanha de Bolsonaro, sem mudanças nas estruturas, é a queda na arrecadação. Neste contexto, o governo precisaria tomar medidas impactantes na sociedade como reduzir o investimento em serviços públicos e precarizar mais ainda setores como educação, saúde e segurança. Outra alternativa seria aumentar as taxas sobre o consumo, que já são altas no Brasil. 

"E na hora que se aumenta a tributação do consumo aí você prejudica as pessoas de baixa renda. Quanto mais imposto você coloca nas mercadorias e serviços, mais as pessoas de baixa renda acabam sendo oneradas. Então, isso aumenta a desigualdade e prejudica a economia”, complementa Lopes. 

Com a implementação de IR de 20% para todos, o economista afirma que a taxação de lucros e dividendos seria a medida mais justa a ser tomada para compensar a queda da arrecadação. Os dividendos são os valores ganhos por acionistas de empresas conforme o lucro que elas alcançam. Lopes destaca que sem mexer nestas estruturas, a proposta de Bolsonaro se torna inviável do ponto de vista social. 

Proposta de Haddad 

A proposta para Imposto de Renda de Fernando Haddad também isenta de tributação quem ganha até cinco salários mínimos. Porém, acima deste valor e, diferente do concorrente, Haddad seguirá alíquota progressiva. 

O economista Francelino Valença indica como positivo o modelo de tributação progressiva, que é seguido por diversos países desenvolvidos como: Estados Unidos e Alemanha, que possuem alíquota máxima de 37% e de 45%. 

"Porque quando a gente quer se comparar com os países desenvolvidos, a gente tem que fazer o dever de casa. Alguns países são mais liberais e a gente tem políticas liberais muitas vezes colocadas no país, mas a gente só puxa uma parte do que é liberal. A gente não puxa o que o liberal defende que é a tributação mais forte na renda para que diminua no consumo, para que a economia possa girar, para que todo mundo possa ser beneficiado", continua. 

Haddad toca na questão da taxação dos lucros e dividendos. Lopes destaca que o modelo proposto pelo petista está dentro dos princípios seguidos em países desenvolvidos e é o mais adequado para um país onde há pessoas milionárias e miseráveis. 

"O candidato Haddad deixou muito claro que pretende retomar a tributação na distribuição dos lucros e dividendos, então essa medida é fundamental para a gente poder criar um modelo tributário progressivo e justo socialmente e também que tenha eficiência econômica. Se você aumenta a alíquota e volta a tributar lucros e dividendos naturalmente a arrecadação sobe", diz. 

Com arrecadação alta, os investimentos públicos em educação e saúde, por exemplo, se tornam mais viáveis, a tributação no consumo pode diminuída e o poder de compra da população sobe. Neste sentido, se aplicada, a proposta de Haddad para o Imposto de Renda impacta de forma positiva o orçamento dos mais pobres e da classe média, além de fazer girar a economia com o aumento do poder de compra. 

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Fernando Morais critica violência da extrema direita: "É a treva contra a democracia"

qui, 11/10/2018 - 20:11
Eleições 2018 Jornalista visitou o ex-presidente Lula nesta quinta-feira (11), em Curitiba, acompanhado do colega Mino Carta Lia Bianchini | Morais visitou a Vigília Lula Livre, em frente à Superintendência da Polícia Federal, onde o ex-presidente Lula está preso há 188 dias Joka Madruga / PT Nacional

“O que está em jogo é a treva contra a democracia”. Essa é a análise do jornalista e escritor Fernando Morais sobre o atual cenário político brasileiro. Morais esteve em Curitiba nesta quinta (11), junto ao colega de profissão Mino Carta, para uma visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Após a visita, os dois concederam entrevista coletiva. Morais visitou a Vigília Lula Livre, que fica em frente à Superintendência da Polícia Federal, onde o ex-presidente Lula está preso há 188 dias. 

“[Vim] com a preocupação que deve ser comum à boa parte da população brasileira, que é o risco da volta do fascismo. O que está em jogo não é uma eleição entre dois partidos, entre duas pessoas, o que está em jogo é a treva e de outro lado a democracia”, afirmou. 

Autor de clássicos como Olga e Os últimos soldados da Guerra Fria, o jornalista criticou os atos de violência que têm acontecido por todo o país, afirmando que só um dos lados da disputa eleitoral é responsável por incitar tais crimes. Para ele, a extrema direita, representada por Jair Bolsonaro, propicia um cenário de “banalização da violência”.  

Segundo levantamento realizado pela Agência Pública, desde o dia 30 de setembro, aconteceram 70 atos de violência com motivações políticas, em 18 estados brasileiros e no Distrito Federal. Cinquenta desses crimes foram cometidos por apoiadores do candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Em outros 15 episódios, não foi possível identificar a ideologia que motivou o agressor.

“O PT está no poder há 13 anos. Vocês viram alguém esfaquear alguém por causa de política [nesse período]? Vocês viram alguém estimular que você agrida outra pessoa por divergir de você? Isso começou agora”, comentou Morais. 

Virar o jogo nas ruas

Morais e Mino Carta disseram que o ex-presidente Lula acredita que o PT pode vencer as eleições. A analogia que Lula usou para exemplificar o cenário eleitoral, segundo os jornalistas, foi a histórica luta de boxe entre Muhammad Ali e George Foreman, em 1974.

Na disputa, conhecida como a “luta do século”, Ali passou os primeiros quatro rounds apanhando e se defendendo de Foreman. A partir do quinto round, quando Foreman mal aguentava golpear seu adversário, Ali partiu para o ataque e, no oitavo round, conseguiu o nocaute.

“O que nós temos que fazer é isso: sair das cordas, ir para as ruas e partir pra cima do adversário”, defendeu Morais, afirmando que a estratégia da militância deve ser nas ruas, através de conversas "olho nos olho" com a população. 

Na mesma tarde, a presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores, senadora Gleisi Hoffmann, também fez uma visita ao ex-presidente Lula. Após a visita, ela foi à Vigília Lula Livre e defendeu o projeto de governo do candidato petista Fernando Haddad (PT).

“Nós estamos do lado do povo. Nós votamos contra a reforma trabalhista, enquanto eles votaram a favor. Votamos contra a Emenda Constitucional 95 [que instituiu o teto dos gastos públicos], enquanto eles votaram a favor. Fomos nós que fizemos o Bolsa Família, enquanto eles criticavam dizendo que era esmola”, afirmou Hoffmann. 

O segundo turno da disputa presidencial entre Haddad e Bolsonaro acontece no dia 28 de outubro.

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Ouça o Programa Brasil de Fato – Rio de Janeiro – 11/10/18

qui, 11/10/2018 - 20:09
Rádio Manifestações e eventos culturais em defesa da educação e da democracia são destaques da edição Redação | Como em anos anteriores, profissionais da educação organizam ato em defesa de um projeto de educação pública de qualidade para o Rio Reprodução

Às vésperas do Dia das Crianças e a poucos dias da comemoração do Dia do Professor, o programa da última quinta-feira (11) fala sobre a importância da educação na formação cultural e democrática de jovens e crianças.

Em entrevista, Isabelle Vieira, professora da rede estadual e municipal do Rio, conta sobre o processo de construção e os objetivos do ato “Educação pela Democracia” organizado por educadoras e educadores para a próxima segunda-feira (15).

Leni Augusta dos Santos, pedagoga da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e diretora do  movimento de resistência cultural Samba Brilha, comenta sobre a roda de samba em homenagem aos profissionais da educação e analisa o cenário atual da educação pública bem como os desafios para os próximos anos.

No quadro “Repórter SUS”, o índice de mortalidade infantil no Brasil volta a crescer depois de quase 30 anos. E no quadro “Nossos Direitos”,como se proteger dos crimes na internet e também como denunciá-los.

O programa ainda traz uma reportagem sobre os 30 anos da Constituição Federal de 1988 e o quadro “Rio, Rua e Cultura” com as dicas culturais para o feriado no Rio.

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"Votar em Bolsonaro é votar em Temer", diz dirigente do MST

qui, 11/10/2018 - 19:23
No jardim da política Kelli Mafort e o ator Fábio Assunção analisam cenário eleitoral na Rádio Brasil de Fato Emilly Dulce | "Custou caro conquistar a democracia e não vamos abrir mão dela", disse dirigente nacional Foto: José Eduardo Bernardes/Brasil de Fato

O programa No Jardim da Política desta quinta-feira (11) repercutiu o primeiro turno das eleições de 2018. As diferenças entre um projeto democrático e popular e um projeto conservador de extrema-direita; e os desafios do povo brasileiro para o segundo turno foram os principais temas. 
Para comentar sobre o cenário eleitoral, o estúdio da Rádio Brasil de Fato recebeu Kelli Mafort, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ela afirmou que o candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), representa o retrocesso de direitos da classe trabalhadora em continuidade ao golpe de 2016, que retirou Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), da presidência. 
"Votar em Bolsonaro é votar em [Michel] Temer. É votar no golpe. É estar de acordo com a Emenda Constitucional 95, a favor da reforma trabalhista e pela aprovação da reforma da Previdência. O que está em jogo é uma questão maior do que gostar ou não do PT e de Fernando Haddad, mas votar pela democracia. A história do nosso povo é de resistência. Custou caro conquistar a democracia e não vamos abrir mão dela", afirmou Mafort. 
O ator Fábio Assunção também participou da programação do No Jardim da Política. "Está em jogo todos os avanços que tivemos de inclusão, de progresso, de liberdade, de amor. O movimento que está vindo é tipicamente de pessoas que estão sem identidade, que não sabem o que dizer", disse. 
A dirigente nacional do MST, que também é do setor de gênero do MST, argumentou que o feminismo é uma das principais trincheiras contra as forças neofascistas. Mafort citou o ato de mulheres do último dia 29 como exemplo de que o "Brasil não é o povo da raiva e do ódio". 
"A verdadeira representação de mulheres está nas ruas e a candidatura de Bolsonaro tem manipulado isso com o que eles chamam de ideologia de gênero e kit-gay. Precisamos combater isso, são mentiras que nunca fizeram parte do programa de Haddad", ressaltou. 
Fábio Assunção questionou a falta de informação e empatia na sociedade brasileira. "O princípio ideológico do PT, por exemplo, é muito bem definido desde o início. É um partido democrático e inclusivo, sem sombra de dúvidas. Tudo o que o Haddad vem falando é nesse sentido e ele está apenas dando continuidade a um projeto de país que já existe. Estamos em um momento de escolha. Se a agenda [de Bolsonaro] for aprovada, será que vai continuar sendo crime bater em uma mulher?". 
Mafort comentou sobre os diversos ataques praticados por apoiadores de Bolsonaro pelo país. "Essas agressões são de responsabilidade de Bolsonaro. As forças de ultradireita liberam a vontade de agressão ao estimular o machismo, o racismo e a LGBTfobia. Votar em Bolsonaro é colocar o Brasil em uma situação de convulsão social", afirmou.
O ator argumentou que “não adianta as leis gerarem exclusão, abandono, falta de oportunidades, miséria e querer resolver isso com armas. Isso não tem lógica e base de sustentação, a não ser em regimes fascistas e ditatoriais. Em uma sociedade democrática, esse pensamento não cabe".

Bancada do boi e da bala

Sobre os projetos das duas candidaturas nas pautas de reforma agrária, transição ecológica e agrotóxicos, Kelli comentou que "Bolsonaro é o candidato da bala, do jagunço, dos latifundiários e dos transgênicos". 
"A questão agrária brasileira está no centro da economia e na disputa desse projeto. Tanto o golpe quanto o programa de Bolsonaro vão no mesmo caminho de que o campo brasileiro seja do agronegócio, da mineração, dos monocultivos e do veneno", explicou.
A dirigente nacional do MST afirmou que o momento político é de unidade suprapartidária e trabalho de base contra um projeto de morte e destruição. "É preciso que todas as pessoas que querem um Brasil melhor e mais justo saiam às ruas, conversem com as pessoas e façam a disputa nas redes sociais. Bolsonaro não vai aos debates porque ele não consegue sustentar nenhuma das propostas de seu programa. Não podemos aceitar que um candidato que não debate suas ideias esteja à frente".

Foto: José Eduardo Bernardes/Brasil de Fato

O programa No Jardim da Política estreou no dia 30 de agosto na Rádio Brasil de Fato. Todas as quintas-feiras, às 14h, é possível conferir entrevistas e reportagens com políticos e analistas sobre as eleições gerais, a política nacional e a cobertura midiática.

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Bolsonaro realiza ato após negar participação em debate alegando recomendação médica

qui, 11/10/2018 - 18:55
Atestado Candidato convocou reunião no Rio de Janeiro com parlamentares eleitos Redação | Restrições médicas, por outro lado, foram alegadas para não participação em debate Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, convocou por meio de seus aliados um ato político no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (11). O ex-deputado federal, no entanto, alegou não poder participar do primeiro debate televisivo contra Fernando Haddad, do PT, por recomendações médicas. 
A atividade foi organizada pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), principal articulista da campanha e cotado para a Casa Civil no caso de Bolsonaro ser eleito. E realizada no Windsor Hotel na Barra da Tijuca, bairro nobre da capital fluminense onde mora o presidenciável. 
O foco do encontro, segundo o próprio Bolsonaro, era reunir os parlamentares eleitos pelo PSL para pensar estratégias de campanha para o segundo turno. 
Na quarta-feira (10), Bolsonaro recebeu deputados ruralistas em sua casa em longa reunião. Após o encontro, foi negado que os ruralistas buscavam cargos em um possível governo em troca de apoio. De qualquer forma, Luiz Antônio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista (UDR), foi anunciado anteriormente com possível ministro da Agricultura. Garcia defendeu o fim do Ministério do Meio Ambiente – responsável por uma “indústria da multa” contra grandes produtores rurais – e a assimilação de suas funções pela pasta que pode assumir. 
Também nesta quinta-feira, o adversário de Bolsonaro, Fernando Haddad (PT), visitou a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF).

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