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Atualizado: 7 minutos 49 segundos atrás

Em Pernambuco, mulheres colocam candidatura coletiva na Assembleia Legislativa

qui, 11/10/2018 - 18:21
ELEIÇÕES Com proposta inovadora, as feministas das Juntas receberam quase 40 mil votos Vinícius Sobreira | Joelma Carla, Kátia Cunha, Jô Cavalcanti, Carol Vergolino e Robeyoncé Lima compõem primeiro mandato coletivo de Pernambuco Comunicação PSOL

A partir de 2019 Pernambuco terá, pela primeira vez, um "mandato coletivo" na Assembleia Legislativa. Isso porque no último domingo (7) mais de 39 mil pessoas foram às urnas votar nas Juntas, proposta do PSOL para um mandato feito por mulheres comuns, trabalhadoras, que não pertercem a famílias de políticos e que, unidas, podem fazer na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) um mandato mais próximo aos interesses da população, especialmente os que mais precisam.

Tudo começou inspirado pela ideia das Muitas, proposta parecida que deu certo em Belo Horizonte, em 2016. A proposta inicial era de que as cinco mulheres se lançassem candidatas separadamente. Mas aqui decidiram inovar, lançando cinco "co-candidatas" num único número. Para a Justiça Eleitoral, apenas uma detém o mandato. Mas elas garantem que o mandato será construído por todas.

Seus perfis são diversos. A comunicadora e produtora audiovisual Carol Vergolino, do Recife; a sindicalista Kátia Cunha, professora da rede estadual em Igarassu; a estudante Joelma Carla, de Surubim; a advogada e servidora pública Robeyoncé Lima, do Alto Santa Terezinha, Recife, primeira advogada trans de Pernambuco; e a trabalhadora do comércio informal Jô Cavalcanti, do Morro da Conceição, Recife. Esta última é a que "emprestou" seu CPF para a inscrição da candidatura na Justiça Eleitoral e, por isso, é reconhecida como detentora do mandato.

Trabalhadora ambulante, filha de empregada doméstica e de um feirante de Casa Amarela, Jô Cavalcanti conta que a proposta de candidatura conjunta foi levada pelas cinco às suas bases. No caso de Jô, a ideia foi debatida com o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal (Sintraci) e com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Proposta aceita, o partido aprovou e elas foram atrás dos votos.

Explicar para o povo a ideia de um mandato coletivo foi mais fácil que o esperado. "No início achamos que seria difícil explicar essa ideia para as pessoas. Mas quando fomos conversando e as pessoas começaram a entender, concordaram é um jeito diferente de fazer política, que as coisas precisam ser feitas na coletividade e na fraternidade", conta Jô Cavalcanti. "E quando publicamos os vídeos de nossas biografias nas redes sociais acabou 'estourando'. As pessoas viram que somos pessoas reais, do campo popular, não parentes de políticos", completa.

A proposta de mandato coletivo e feminista uniu movimentos e organizações não governamentais. "A nossa avaliação era de que a nossa campanha já era vitoriosa pela construção que conseguimos fazer. Foi lindo", afirma a futura co-deputada. A boa receptividade da proposta se refletiu também nas colaborações para a campanha. "O partido disponibilizou pouco mais de R$26 mil para fazermos a campanha: adesivos, panfletos, pagar equipe, gasolina, fazer viagens para o interior. Mas a vaquinha na internet acabou arrecadando mais de R$20 mil, que foi uma boa surpresa", conta.

E na reta final da campanha puderam perceber que haviam superado as próprias expectativas e uma grata surpresa aguardava nas urnas. "Na manifestação do 'Ele Não' vimos muita gente indo à casa do partido, no Derby, buscando nossos adesivos. Um número muito grande de mulheres estava usando nosso adesivo naquela manifestação. Foi uma surpresa essa adesão", lembra Jô. Os 39 mil votos foram a maior votação que uma candidatura proporcional do PSOL já obteve em Pernambuco. "Ficamos muito felizes porque estamos criando uma coisa surpreendente. As pessoas abraçaram as Juntas de verdade. Sentimos esse abraço e foi só felicidade", comemora Cavalcanti.

A divisão de tarefas no mandato coletivo das Juntas ainda não foi definida. Por enquanto a proposta é de que Jô e Joelma atuem na mobilização, Robeyoncé seja responsável pelo jurídico do mandato, Carol pela comunicação e Kátia atue na pesquisa e estudo técnico dos projetos dentro da Alepe.

Questionada sobre a participação nas sessões ordinárias e uso do microfone, Jô avalia que elas têm o desafio de modificar o regimento da casa para que o direito ao uso do microfone não esteja restrito a apenas uma delas. "É uma candidatura da despersonalização, estamos 'hackeando' o sistema", conta Cavalcanti, que considera a "cereja do bolo" o fato de entre as Juntas estarem mulheres trabalhadoras, negras, periférias, LGBTs, rurais. "Vamos entrar com nossos corpos políticos na Alepe e eles terão que nos respeitar", afirma Jô, que durante parte da vida precisou morar em palafitas e promete seguir uma militante humilde e levar "olhar mais humano" para os espaços políticos institucionais.

Apesar do sucesso nesse que, para a maioria delas, foi o primeiro desafio eleitoral, não há muito tempo para comemorações ou descanso. "Tivemos uma vitória em Pernambuco, mas precisamos de uma vitória nacional, para que não soframos todos e todas", afirma Jô. Ela convoca: "por isso é importante que nesse 2º turno todas vençamos esse camarada que defende o estupro, a violêcia. Como campo progressista temos que estar unidas para impedir esse camarada".

Mandatos coletivos pelo Brasil
O PSOL já possui uma experiência parecida em Minas Gerais. Um grupo que se denominou Muitas reuniu homens e mulheres que lançaram 12 candidaturas individuais à Câmara de vereadores de Belho Horizonte. A campanha, no entanto, foi coletiva e unificada em torno de propostas. Duas mulheres acabaram eleitas e montaram um grande gabinete conjunto, que inclui as demais candidaturas. A experiência se repetiu este ano, mas com candidaturas a deputadas estadual e federal, elegendo uma para cada casa legislativa.

Duas das candidaturas da "Bancada Ativista", do PSOL em São Paulo, também foram eleitas para a assembleia legislativa. Mas é em Goiás, na pequena Alto Paraíso, que temos desde 2016 um mandato similar às Juntas, mas pelo partido Podemos. Foram cinco pessoas fazendo campanha conjunta para atuarem juntos na Câmara Municipal. Mas só em Pernambuco o "mandato coletivo" é formado 100% por mulheres.

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Beatriz Cerqueira: "A atuação parlamentar deve dar conta de impedir os retrocessos"

qui, 11/10/2018 - 18:15
Governo Sindicalista e professora comenta os desafios da atuação como deputada em tempos de golpe Joana Tavares | “Nenhum dos dois projetos que chegaram no segundo turno em Minas Gerais trazem qualquer progresso para a classe trabalhadora”, afirma Clarissa Barçante

Com mais de 95 mil votos, Beatriz Cerqueira foi a 8ª candidata mais bem votada para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Do campo progressista, a melhor votada. Mas o número que mais chama a atenção é o fato de ter tido votos em 836 dos 853 municípios do estado. Filha de garçom com manicure, ela foi professora da educação básica, coordenadora geral do Sind-UTE/MG, presidenta da CUT Minas e agora leva para o parlamento o desafio de representar os trabalhadores em momento de corte de direitos. “Essa vitória significa que nós, pessoas comuns, podemos estar no Parlamento, que ele não é propriedade de um setor de privilegiados”, diz.

Como você avalia a sua trajetória até aqui, de professora da educação básica, a liderança sindical e agora deputada estadual?

Ser deputada estadual é consequência de um processo em que fomos identificando que as lutas sociais e sindicais são importantes, mas também é imprescindível disputar representatividade na política. Quando nós deixamos de fazer isso, as bancadas vinculadas aos trabalhadores caíram substancialmente. O golpe que vivemos demonstrou a necessidade da disputa do parlamento, e minha candidatura se insere nesse contexto. Ela foi construída na base da categoria a qual eu pertenço – a da educação – mas também junto a uma central de sindicatos, a CUT, a qual eu presidi desde 2012.

Você teve votos em quase todo o território estadual – 836 municípios, entre os 853. O que representa essa expressividade para os trabalhadores que você representa?

Representa que a gente consegue estar no Parlamento, que o Parlamento não é propriedade da elite, de um setor privilegiado. Nós, pessoas comuns, podemos estar lá. Sou uma professora primária. Minha trajetória toda é de luta social, fiz uma campanha sem padrinho, sem poder econômico, construída a muitas mãos. Isso significa que a política apode ser disputada dessa forma. Trabalhamos muito a ideia de representatividade, de chegar com uma plataforma de compromissos e não escondemos nosso posicionamento ideológico.

Quais os principais desafios de exercer um mandato com essas características em um contexto de avanço do conservadorismo?

O primeiro desafio é ser mulher no espaço de poder. Acho que as pessoas não têm dimensão do quanto nossa fala é inferiorizada, de como tentam mandar na gente o tempo inteiro. O segundo desafio é trabalhar com força social própria. Não adianta ir para o parlamento sem capilaridade social fora. Aquela plataforma que te levou ali deve estar presente, com pressão de fora pra dentro. O terceiro desafio é a atuação em si. Como vamos envolver as pessoas, discutir o que é importante pra elas? As pessoas veem o legislativo estadual de uma forma muito distante. Como diminuir essa distância e trazer as pessoas para uma participação efetiva e cotidiana? Por fim, outro desafio é não institucionalizar. O parlamento precisa ser um instrumento de luta na conjuntura em que estamos vivendo.

Como você enxerga a disputa entre Romeu Zema e Antonio Anastasia para o governo de Minas?

A gente sofreu, como em boa parte do país, uma onda fascista na reta final do primeiro turno. A política está muito bloqueada, as pessoas não têm paciência de discutir quando o que você fala não está i integralmente de acordo com o pensamento dela. Vivemos um primeiro turno no qual não se debateu o que precisava ser debatido. Como vamos revolver 28 milhões de desempregados ou subempregados? Como resolver o problema de 12 milhões de famílias que não compram mais gás de cozinha? O aumento da pobreza? A situação das milhares de pessoas que se tornaram moradores de rua porque foram expulsas da condição de pagar aluguel? O futuro da educação, da saúde, da universidade. Como vamos voltar a gerar riqueza no país. Era isso que tinha que estar sendo discutido. E para o segundo turno é preciso retomar as discussões que definem a vida das pessoas.

Aqui no estado a gente foi vítima dessa onda conservadora que se abateu em todo o Brasil na reta final. Nenhum dos dois projetos que chegaram ao segundo turno em Minas Gerais trazem qualquer progresso para a classe trabalhadora. Já conhecemos o projeto neoliberal do PSDB e, embora não conheçamos o ouro candidato igualmente por ele não estar na política, podemos ver que seu comportamento é totalmente Estado mínimo: vender tudo, desregulamentar tudo. Na área da educação, seu projeto é transformar a educação pública em privada. Então ele é um aprofundamento do que nós já vivemos em outros momentos. O parlamento assume, então, uma tarefa ainda mais importante nesse cenário, seja qual dos dois ganhe. Precisamos de uma atuação parlamentar que dê conta de impedir os retrocessos que serão propostos por um ou outro candidato. Os movimentos e sindicatos também assumem um papel ainda mais importante, de resistência. 
 

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2º turno das eleições presidenciais é destaque dos programas de rádio

qui, 11/10/2018 - 17:48
RÁDIO Edições vão ao ar em emissoras de MG, PR, PE, SP e Sorocaba aos sábados e domingos Redação | Gabi Lucena | Bdf Confira o que vai ao ar nas edições deste final de semana

Os programas de rádio do Brasil de Fato trazem como destaque os desdobramentos do 1º turno e a corrida no 2º turno das eleições presidenciais, que irão acontecer no dia 28 de outubro. 

A edição de Pernambuco traz uma entrevista sobre o resultado das eleições do 1º turno com Paulo Mansan, da Coordenação Estadual da Frente Brasil Popular e também da Coordenação Estadual do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), além disso o programa também informa a programação cultural da semana. 

No programa de São Paulo, o quadro "Alimento é Saúde" traz os benefícios da cebola, alimento rico em vitaminas, de fácil acesso e que apresenta muitas possibilidades de preparo. O programa também apresenta a radionovela produzida pelo Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes). Os capítulos abordam a realidade do SUS, o Sistema Único de Saúde. 

Já em Minas Gerais, o programa repercute a corrida eleitoral pelo cargo de governador do Estado com a deputada estadual eleita Beatriz Cerqueira, que comenta o cenário. Na reportagem, a história dos moradores do bairro Taquaril, em Belo Horizonte, que lutam para reabrir a rádio comunitária.

A sintonia do programa em São Paulo é na Rádio Imprensa (102.5 FM), aos sábados às 10h. Em Sorocaba, na Rádio Super (87.5 FM), você nos ouve no sábado às 12h30, com reprise no domingo no mesmo horário. 

Em Recife (PE), os pernambucanos ouvem o programa na Rádio Clube (720 AM), aos sábados, às 7h.

Na Rádio Autêntica Favela (106.7 FM), em Belo Horizonte (MG), a edição é veiculada, às 11h de sábado, com reprise no domingo, às 7h. 

No Paraná, em Ponta Grossa, você ouve o programa aos sábados na Rádio Princesa (87.9 FM), às 11h.  

Ouça os destaques de São Paulo e Sorocaba:

Ouça os destaques de Pernambuco:

Ouça os destaques de Minas Gerais: 

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Processo Condor: documentos ligam ex-tenente uruguaio a torturador argentino

qui, 11/10/2018 - 17:27
Ditadura Papéis detalham o funcionamento da colaboração entre agências de inteligência durante ditaduras no Cone Sul Janaina Cesar* | A professora Elena Quinteros foi sequestrada em junho de 1976 Proyecto Memoria de la Resistencia

Documentos anexados ao processo de apelação do Caso Condor, que tramita no Tribunal de Roma, ligam o ex-tenente uruguaio Néstor Troccoli com o argentino condenado por tortura Alfredo Astiz, além de evidenciarem o possível envolvimento do Serviço de Inteligência da Marinha do Uruguai (Fusna) no sequestro da professora Elena Quinteros, uma militante anarquista que desapareceu durante a ditadura no país oriental (1973-1985). Os papéis, no geral, detalham o funcionamento da colaboração entre as agências de inteligência em Montevidéu e Buenos Aires.

A informação sobre a apresentação das provas foi dada no final da audiência de apelação, que aconteceu em dia 8 de outubro. A sessão aberta ao público, e presidida pela juíza Agatella Giuffrida, foi encerrada após pedido da defesa, que alegou ter tido problemas com o recebimento dos autos do processo, e adiada para o dia 7 de novembro.

No total, são treze documentos inéditos que foram desclassificados recentemente e por isso não puderam ser utilizados no processo de primeiro grau que, em 17 de janeiro de 2017, condenou à prisão perpétua 8 dos 33 acusados de crimes cometidos durante o período de atuação da Operação Condor. Do total dos réus, 14 são uruguaios, mas somente o ex-chanceler Juan Carlos Blanco foi condenado. Troccoli, por sua vez, era um dos militares responsáveis pelos interrogatórios do Fusna e hoje vive em Battipaglia, pequena cidade do sul da Itália.

Depositadas no tribunal dia 5 de outubro por Andrea Speranzoni, advogado do Estado do Uruguai, as provas foram recolhidas durante viagem de vinte dias que Speranzoni fez ao Uruguai e Argentina em agosto passado. Parte da documentação foi encontrada em arquivos do Fusna, arquivos do Departamento de Estado dos Estados Unidos e do Centro de Estudos Legais e Sociais, da Argentina. Com base no conteúdo da nova documentação, Speranzoni pretende chamar para depor cinco novas testemunhas contra Troccoli.

O documento produzido pelo advogado, ao qual Opera Mundi teve acesso, elenca as provas encontradas pelo advogado. Entre elas, consta um manuscrito analisado por um grafólogo com informações atribuídas a Troccoli, onde ele cita o argentino Alfredo Astiz. Conhecido como “Anjo da Morte”, era um agente infiltrado em grupos de ativistas - incluindo a associação das Mães da Praça de Maio - e foi condenado por vários crimes contra a humanidade em seu país. Segundo o documento, nesse manuscrito, Troccoli afirma que Astiz "o conhece perfeitamente", deixando entender que o argentino estava ciente das operações uruguaias na Argentina.

O advogado ainda cita no documento a investigação aberta pela Justiça uruguaia para apurar as ameaças de morte feitas por um autoproclamado “Comando Barneix” em fevereiro de 2017 contra juízes, pesquisadores e ativistas ligados de alguma forma ao Processo Condor. Entre os ameaçados, está o brasileiro Jair Krischke, presidente da ONG Movimento de Justiça e Direitos Humanos.

Troccoli

Especificamente contra o ex-militar uruguaio, os autos em trâmite na Justiça italiana descrevem inúmeras vítimas, como a argentina Aida Celia San Fernandez, por exemplo. Grávida, foi sequestrada em Buenos Aires na antevéspera do natal de 1977. Foi torturada com o uso de cabos elétricos e uma colher nas genitais, o que provocou o parto prematuro da filha, Mercedes Carmen Galo, que nasceu na prisão. Aida é mais uma das vítimas que integram a lista de desaparecidos do continente sul-americano: foi assassinada, e seu corpo, jamais encontrado.

Em depoimento à justiça italiana, que Opera Mundi publicou com exclusividade em 2015, Troccoli declarou ser inocente e não saber da existência da Operação Condor. “Não sabia da existência do Plano Condor, fazia o que meu comandante pedia”, disse. “Eu sabia as torturas, sabia que nas Forças Armadas havia tortura. A tortura era um procedimento normal na Fusna. Consistia em manter por várias horas os prisioneiros em pé, encapuzados, sem beber e sem comer. Mas torturar sadicamente e perversamente, não. A tortura era uma condição de rigor.”

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Worst version of Pension Reform could be passed on the sly in Brazil, expert says

qui, 11/10/2018 - 16:49
COUP Law expert Ludimar Rafanhin says president Michel Temer may rush to pass proposed reform after runoff election Ana Carolina Caldas | Demonstrators gather in Brazil protesting against proposed pension reform in December 2017 Elitiel Guedes

Ludimar Rafanhin, a lawyer and expert in Public Law and public pension, spoke with the Brasil de Fato Paraná newspaper about what is at stake in case a proposed pension reform passes in Brazil. He says the country’s president, Michel Temer, is trying to rush this and could move to try to pass the bill on the sly after the runoff election, on Oct. 28.

Brasil de Fato: These last few months of Temer administration include his plans to rush the Congress to pass the Pension Reform. What is your take on this?

Temer himself has said that he will start conversations as soon as the election is over to pass the Pension Reform bill. And as he is in a hurry, the worst possible version of the Pension Reform bill could pass on the sly, ignoring changes unions have been fighting to introduce, for example.

What would be the impact [of passing this Pension Reform bill] on Brazilian workers’ lives?

What I see is that, to talk about pension funds, we have to talk about financing, and not about removing workers’ rights. And, if the proposed reform is passed, the full retirement age will increase to 65 [right now it’s 60 for women and 65 for men], workers will have to work 49 years to receive full retirement benefits [currently it is 30 years for women and 35 for men], rural workers will be required to make monthly social security payments, which does not happen today. There are numerous setbacks to so many struggles that were carried out so that workers would not be the ones that had to hurt to fix government accounts.

How important are the elections in this sense?

Today we have candidate [Jair] Bolsonaro advocating for eliminating workers’ rights. His party caucus is one of the largest [after last Sunday’s elections, his party will grow by more than sixfold, gaining 52 seats and becoming the second largest caucus in Congress starting in January]. This is why electing Haddad is necessary to stop this reform.

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O que o povo espera dessas eleições?

qui, 11/10/2018 - 16:16
coluna Precisamos defender a vida e a continuidade de programas sociais que deram certo Tita Carneiro | Desde que os governos de Lula e Dilma foram interrompidos o Brasil voltou ao mapa da fome e milhões de brasileiros perderam seus empregos Marcelo Camargo/Agência Brasil

Desde 2013 vem-se criando um clima de instabilidade no país, o que podemos chamar de crise institucional. Em 2016, quando foi dado o golpe na democracia e nos nossos direitos, ficou muito evidente a existência de dois projetos em disputa na nossa sociedade. 
O projeto da morte, que hoje se expressa na candidatura de Bolsonaro tendo como única munição as mentiras inventadas sobre os governos de Lula e Dilma, mentiras estas que associam estes governos à corrupção, sexualidade ou extremismo. Se mantém preso a estes temas para não ter que explicar qual seu projeto para as camadas mais pobres da população brasileira, pois seu principal objetivo é fazer com que os ricos sejam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. 
Como o projeto da morte é formado pelos donos dos grandes meios de comunicação, grandes empresários e por boa parte de quem faz e executa as leis, de forma combinada começaram a criar uma atmosfera de pavor que desencadeou no golpe que todos nós brasileiros sofremos em 2016. Esse clima de pavor tenta convencer o povo da falsa ideia de que durante os governos de Lula e Dilma a sua vida teria piorado. Contudo, os depoimentos pessoais que milhões de brasileiros têm feito em rodas de conversa e também em suas redes virtuais comprovam os dados que demonstram o quanto a vida do povo brasileiro melhorou com os programas sociais de educação, saúde, habitação, transferência de renda, dentre outros criados pelos governos de Lula e Dilma. 
Nós que defendemos o projeto da vida, um projeto construído pelo povo e para o povo, não queremos ver o nosso país arruinado numa guerra de mentiras, ódio e desespero. Pelo contrário, a vida já está tão difícil que o que precisamos é de coragem para levantar todos os dias, repartir e muitas vezes inventar o pão de cada dia. Desde que os governos populares de Lula e Dilma foram interrompidos o Brasil voltou a estar no mapa da fome e milhões de brasileiros perderam seus empregos, assim como muitos jovens dos bairros da periferia foram assassinados. Para retomarmos a esperança de alimentarmos nossos filhos e nossa família a partir do suor nosso de cada dia precisamos ter a certeza de que teremos emprego, de que nossos filhos vão ter o direito de estudar, que conseguiremos nos aposentar. Para que a esperança volte a viver em nossos corações a gente precisa ter a certeza de nos abraçar como irmãos que caminham do mesmo lado, como uma multidão que está do lado do amor e da compaixão pela dor do outro, que em boa medida é também a nossa.
Um povo só pode viver tranquilo com a certeza de que seus direitos serão garantidos. E para isso precisamos defender a vida e a continuidade de programas sociais que deram certo. É por acreditarmos num Brasil mais humano e justo que estamos nos dedicando a eleger o projeto que defende a vida do povo brasileiro. Cada um de nós que se dedicar à tarefa de eleger Haddad –o candidato do Lula- saberá que está lutando por um Brasil com mais dignidade para a sua família e para os seus semelhantes. A gente merece ser feliz de novo!
 

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Palavra tem poder

qui, 11/10/2018 - 15:36
LITERATURA Mulheres baianas desafiam o machismo e o racismo a partir da literatura Lorena Carneiro | Carol e Clarissa apontam os desafios encontrados pelas escritoras no cenário da literatura brasileira Arquivo pessoal

Nas redes e nas ruas, as mulheres têm ocupado cada vez mais o seu espaço e reafirmado seu projeto de sociedade. A palavra, esse importante símbolo de expressão que, mesmo a partir de formas muito singelas, consegue refletir a disputa de um cenário político - como é o caso da recente hashtag #EleNão - é também matéria-prima da arte, em especial da literatura. E é a partir dela que as mulheres têm desafiado romper barreiras e confrontar seu lugar na sociedade.
A negação da candidatura da premiada escritora Conceição Evaristo à Academia Brasileira de Letras trouxe à tona o debate sobre o preconceito dentro do universo da arte. Segundo Tailane Sousa, pesquisadora de literatura afrofeminina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), “a consciência da intersecção do racismo e do sexismo produz uma escrita literária combativa, poderosa e que compreende o texto literário como arma de enfrentamento no campo simbólico”. Ser mulher, ainda mais mulher negra na literatura, incomoda.
É o que afirma também a escritora e estudante de psicologia Caroline Anice. “Ser mulher negra jovem escritora é dar continuidade a um legado e a um chamado também de construir poder popular, de transformar a sociedade e construir o nosso horizonte, a nova sociedade”. Caroline tem textos publicados nas coletâneas “O Movimento Leve” (Editora Malê), fruto do Prêmio Jovens Escritores da Literatura, e “Raízes: resistência histórica” (Vienas Abertas).
“Arder me emociona desde que aqui cheguei”
Com os versos de Marize de Castro, a poeta Clarissa Macedo também ressalta como ser mulher reflete no seu trabalho. “Quando vivo a escrita materialmente falando, algo tão fundamental para a minha vivência, é a mulher que fala; é a condição feminina, a existência atravessada pelo machismo, pelo abuso, pela violência, sofrida por tantas gerações, que se manifesta”. Doutora em Literatura e Cultura, escritora, revisora, professora e pesquisadora, Clarissa Macedo é autora de “O trem vermelho que partiu das cinzas” (Pedra Palavra) e “Na pata do cavalo há sete abismos” (Penalux), ganhador do Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia em 2014.
Mesmo tendo sua obra traduzida para o espanhol e viajado diversos países com seu trabalho, Clarissa afirma ainda enfrentar o machismo e a desqualificação da sua arte. “A grande crítica literária, no sentido de veiculação, me ignora. Quanto ao público, ah!... tenho tido boa receptividade. Um retorno que me enche de alegria e fôlego, manifestado de várias formas”.
Palavra que reverbera
Tailane ressalta o poder multiplicador da escrita das mulheres: “Quando escritoras negras como Conceição Evaristo, Miriam Alves, Cidinha da Silva, Cristiane Sobral, Lívia Natália, escrevem e publicam, criam uma rede de resistências (e reexistências) e sinalizam um ato político comprometido com mudanças efetivas nas estruturas sociais”. Foi também pensando nesse potencial que as professoras e escritoras Mariana Paim e Larissa Rodrigues levaram para Feira de Santana o projeto “Leia Mulheres”, inspirado no projeto #readwomen2014, criado pela inglesa Joanna Walsh. A cada mês, uma obra escrita por mulheres é lida e debatida no grupo.

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CNBB recebe Haddad e se posiciona em defesa da democracia

qui, 11/10/2018 - 14:51
Eleições 2018 Candidato do PT solicitou apoio da comunidade católica para combater a onda de fake news durante segundo turno Cristiane Sampaio | Ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) disputa o segundo turno das eleições presidenciais com Jair Bolsonaro (PSL) Divulgação/ Campanha PT

Em reunião realizada na manhã desta quinta-feira (11) com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), o candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) se comprometeu a cumprir pontos considerados centrais para a comunidade católica nas eleições 2018, em caso de vitória da chapa PT/PCdoB no segundo turno.

Haddad encontrou-se com o secretário-geral da entidade, dom Leonardo Steiner, que pediu compromisso com cinco pautas específicas.

A primeira delas diz respeito à atuação do Estado para combater a cultura da violência no país; a segunda é o fortalecimento das instituições democráticas; em seguida, vem o fortalecimento dos órgãos de combate à corrupção, como Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário, para que continuem recebendo apoio do Executivo, mantenham a autonomia e a independência e ajudem a preservar a democracia no país.

O quarto ponto ressaltado pela CNBB trata do compromisso com o meio ambiente, com base no combate à devastação ambiental, na preservação dos recursos naturais e no controle das emissões de carbono. O último diz respeito ao compromisso com a preservação da vida, considerada o maior de todos os princípios cristãos.

Dom Leonardo Steiner não falou à imprensa após a reunião, mas Haddad informou que não há, para os católicos, uma hierarquia entre os cinco pontos, que seriam considerados igualmente relevantes.

“Nosso programa de governo prevê ações alinhadas com esses princípios e nós, recebendo novos subsídios e sugestões, vamos aprimorá-lo, no que for possível, nessa mesma linha. Porque os princípios estão todos de acordo com o que imaginamos ser uma sociedade civilizada, da paz e dos direitos”, afirmou.

A CNBB já havia se manifestado em relação às eleições, na última segunda (8), quando, em entrevista ao portal UOL, Steiner pediu que os eleitores católicos observem os candidatos que contribuem para a democracia.

Na ocasião, o religioso disse que os padres não devem defender um candidato específico, mas defendem a importância da preservação do sistema democrático.  

Outro tema que tem preocupado a igreja são as medidas de austeridade, como o Teto de Gastos e a reforma trabalhista, ambas iniciativas de Michel Temer (MDB). Segundo Haddad, esses pontos também foram abordados pela CNBB durante a reunião e o candidato se comprometeu a revogar tais medidas, caso seja eleito.

Fake news & Bolsonaro

O candidato do PT também informou que pediu ao secretário-geral da CNBB que fizesse um alerta ao público sobre a necessidade de um cuidado maior com informações que circulam na internet: “Não é pra inibir o fluxo de informações, mas pra checar antes se aquilo é verdade ou não. Se for, as pessoas têm que saber, mas, se não for, elas têm que ter o compromisso de barrar a propagação da mentira”.

A afirmação é uma referência à onda de fake news que tem se alastrado pelo país, especialmente via grupos de WhatsApp. A chapa do petista tem sido alvo de diferentes conteúdos falsos na internet.

Na última segunda (8), por exemplo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada imediata de 33 links do Facebook que criticavam a chapa PT/PCdoB com base em informações falsas. Os posts tiveram amplo alcance, com mais de 146 mil compartilhamentos e cerca de 5,1 milhões de visualizações.

“Nós temos que ganhar a eleição por meio do  melhor projeto, do melhor argumento, de como tirar o país da crise, e não atacando a honra das pessoas com informações falsas. Usar a mentira pra ganhar voto não me parece recomendável no Estado democrático de direito”, afirmou Haddad.  

O petista também comentou a recente ideia apresentada por Jair Bolsonaro (PSL) de implantação de um 13º para o Bolsa Família.

A proposta foi interpretada como um aceno aos eleitores do Nordeste, onde 29,3% dos domicílios recebe o benefício, segundo dados do IBGE de 2017. A região é também a única onde Bolsonaro perdeu para o petista em número de votos no primeiro turno em todos os estados.

Haddad lembrou a atuação do candidato de extrema direita na Câmara dos Deputados, onde ele tem mandato há 28 anos, e destacou que, em 2015, Bolsonaro votou contra o projeto que criou a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), formulada com o objetivo de proteger pessoas com deficiência.

O petista também lembrou o apoio do líder do PSL a medidas como a reforma trabalhista e o Teto de Gastos.

“Só vota contra o trabalhador e agora quer dar um cavalo de pau e dizer que defende os pobres?”, questionou o ex-prefeito.

Datafolha

Na ocasião da coletiva concedida à imprensa em Brasília, Fernando Haddad também comentou a pesquisa Datafolha divulgada nessa quarta-feira (10). De acordo com o levantamento, o petista teria atualmente 42% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro (PSL) estaria com 58%.

Haddad agradeceu o apoio que teve do eleitorado no primeiro turno e disse que se sente confiante em relação à segunda fase da disputa.

“Eu sou candidato há trinta dias, saí de 4% das intenções de voto e estou com 42% e nem começou o segundo turno, que começa agora sexta-feira, Por isso, me sinto estimulado”, disse.

Por fim, o candidato informou que a chapa PT/PCdoB trabalha atualmente na formulação da estratégia de campanha a ser adotada durante o segundo turno. Segundo normas definidas pelo TSE, os programas e rádio e TV recomeçam nesta sexta (12) e seguem até o dia 26 de outubro, antevéspera da votação.  

CNBB

Em nota divulgada nesta tarde à imprensa, dom Leonardo Steiner ressaltou que Haddad não foi à sede da CNBB para pedir apoio e esclareceu que a entidade não tem partido nem candidato.

“A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma instituição aberta ao diálogo com pessoas e grupos da sociedade brasileira. É comum, em período eleitoral, que candidatos de diversos partidos e grupos políticos solicitem agenda e sejam recebidos. O candidato expôs suas propostas de governo e sua preocupação com o Brasil. Da minha parte, abordei com o candidato assuntos que preocupam os bispos do Brasil”, disse o religioso.

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O lado escuro da lua

qui, 11/10/2018 - 14:34
coluna O golpe militar deixou de ser uma ameaça para habitar sem máscaras o cotidiano João Paulo Cunha | A banalidade do mal se alimenta da autorização expressa pelo comportamento do líder do “movimento” que toma conta do país Foto: Laerte

O atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, se inscreveu na escola dos revisionistas e chamou a ditatura militar de “movimento”. O resultado do primeiro turno da eleição deixou a sociedade brasileira na iminência de conviver, nos próximos quatro anos, com uma leva de militares que fizeram questão de ostentar a patente em suas candidaturas. A intervenção militar no Rio de Janeiro foi vendida como solução para a criminalidade e aumentou a violência no estado.

A população carioca tem ainda como um dos candidatos ao segundo turno um ex-juiz que ameaça de prisão seu oponente caso seja criticado em debates. Delações requentadas são apresentadas às vésperas da votação. Juízes furam filas para colocar em pauta ações que criminalizam a política. A censura volta à carga: cala a boca não morreu quando se trata de Lula. Promotores fazem de suas redes uma plataforma de propaganda eleitoral.

O golpe militar, com reforço do ativismo do Judiciário, deixou de ser uma ameaça para habitar sem máscaras o cotidiano. Mais do que isso, é vendido como um alerta em caso de derrota de Bolsonaro no segundo turno. Como o vice do candidato já é general, tem a desfaçatez de falar em autogolpe. Essa naturalização do arbítrio é uma consequência do clima que se estabeleceu no país e que tem como o mais triste exemplo as manifestações de ódio, violência e até mesmo morte perpetradas pelos que são incapazes de conviver com a diferença.

A banalidade do mal se alimenta da autorização expressa pelo comportamento do líder do “movimento” que toma conta do país. Bolsonaro desconfia do processo democrático, recusa gestos de civilidade com grosseria, não condena as ações violentas de seus eleitores, reafirma seus preconceitos a cada dia: machismo, misoginia, homofobia e racismo. Não só preconceitos, mas também crimes explícitos, como defesa da tortura e de ações policiais além dos contornos da lei. Foge do debate direto se escorando nas redes sociais articuladas por batalhões de soldados da mentira e se manifesta numa linguagem imatura e anti-intelectual.

Medo encobre a verdade

Quando se traduz sua pauta moral para o campo da economia e das políticas públicas, a regressão mostra então todas as suas garras e interesses. As desprezíveis bandeiras em termos de valores, com reforço nas diferentes formas de discriminação e violência, se tornam ainda mais perversas quando revelam seu papel de desvio dos debates das questões pragmáticas da política públicas e da economia. Não fosse em si mesmo horrorosa, a pauta moral desvia a atenção dos reais interesses da candidatura e de seus financiadores.

O medo não vence a esperança, ele encobre a verdade. Cada tema que é falado expressa o silêncio de outro: kit gay em vez de reforma da previdência; posse de armas em vez de direitos sociais. E segue: sexualização da criança no lugar da privatização de estatais; deboche sobre diversidade da formação social brasileira silenciando o debate contemporâneo sobre os rumos da educação. No campo, criminalização dos movimentos populares como complemento da entrega das questões ambientais aos interesses do agronegócio. Uma no cravo, outra na ferradura.

Com essa estratégia, o tosco Bolsonaro é o que de melhor o mercado dispõe para manter sua lógica e dar continuidade exponencial ao serviço iniciado por Temer e rejeitado pela população.

Essa é a situação dentro de casa. Para o resto do mundo, é ainda pior.

Kinder ovo monstruoso

Objeto de execração internacional de figuras de destaque do cenário intelectual e político, a cada dia o ex-capitão se torna alvo de repúdio de grande parte da imprensa mundial, inclusive de veículos conservadores e liberais. O que o Brasil chama suavemente de direita ganha a límpida classificação de fascismo. Bolsonaro envergonha o mais conservador dos xenófobos europeus ou dos ultraliberais americanos. Até mesmo quando emite sinais de sua submissão aos interesses dos países dominantes no campo econômico.

Mais do que comparar duas propostas, como vem sendo defendido e que será inevitável num turno polarizado, o desafio é mostrar que, no caso de Bolsonaro, há dois projetos embutidos numa mesma embalagem, como um kinder ovo monstruoso. Quem compra (enganado) o moralismo, o combate a corrupção, a retórica antissistema e a sensação de segurança pelas armas, leva junto o desemprego, a destruição do SUS, a mercantilização da educação, a entrega do patrimônio público, a desistência da aposentadoria justa e o autoritarismo.

No começo é apenas um manual sobre educação sexual, em seguida uma fogueira de livros. No primeiro momento, é a defesa dos valores da família tradicional, logo a violência contra mulheres e LGBTIs. O primeiro passo é a flexibilização da legislação, em pouco tempo o arbítrio dos direitos tutelados pelo Estado. Num dia a urna eletrônica não é segura, na manhã seguinte a eleição é uma fraude. O relógio aponta a hora de combater a corrupção do sistema político, com uma volta do ponteiro é momento e fechar o Congresso. A Constituição precisa de emendas, mas talvez seja melhor trocá-la por uma carta feita por notáveis, sem a contaminação do povo.

O mais grave é que tudo isso não parece uma distopia paranoica, mas uma realidade paralela que espreita da esquina e foi percebida primeiro pelo olhar que vem de fora. Nem mesmo Roger Waters, em sua recente apresentação em São Paulo, foi capaz de abrir os olhos de todos. Mesmo ele, que há anos vem sendo o guia moral e estético da recusa do autoritarismo. Talvez tenha sido um urgente raio de luz sobre o lado escuro da lua.

Para implantar uma pauta antipopular pode se apelar para a mentira, para a manipulação dos meios de comunicação, para o golpe parlamentar, para o ativismo judicial, para a criação de uma atmosfera de insegurança e medo ou para a ditadura militar pura e simples. No caso de Bolsonaro, vem tudo no mesmo pacote. É o “movimento” de 2018. Se as mentiras devem ser combatidas com a verdade, a violência, por sua vez, quando chegar a hora, vai exigir outras formas de ação. Ainda é possível desarmar essa bomba. A contagem regressiva já começou.  

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Amid escalating violence, Bolsonaro maintains lead over Haddad in Brazil runoff

qui, 11/10/2018 - 14:05
BRAZIL ELECTIONS Pollster Datafolha shows votes for other candidates transferred at equal rates to each presidential hopeful Brasil de Fato | Far-right Jair Bolsonaro (left) and left-wing presidential hopeful Fernando Haddad will battle in runoff vote on Oct. 28 Handout

The first opinion poll released by Datafolha for the second round of Brazil’s presidential election shows far-right candidate Jair Bolsonaro at 58 percent of voting intention, while leftist Fernando Haddad is at 42 percent of voter support.

::: BRAZIL ELECTIONS 2018

The Northeast is the only region where the retired army captain would lose for Haddad, where the presidential hopeful running for the Workers’ Party is at 52 percent of voting intention, over 32 percent for Bolsonaro.

The far-right candidate would win by a large margin in Brazil’s most populous region, the Southeast, holding 55 percent of voter support. His best poll numbers, however, are in the South – 60 percent over 26 percent for Haddad.

The survey for the runoff election was conducted on Wednesday and disclosed that same evening. The pollster interviewed 3,235 voters in 227 Brazilian cities, estimating a 95-percent confidence level. The margin of error is plus or minus 2 percentage points.

Demographic profile

The second round maintains a demographic trend that showed Bolsonaro’s voters are mostly men. Right now, 42 percent of his voters are women and 57 percent, men.

Meanwhile, the demographic profile of Haddad’s constituents shows an opposite trend: 39 percent are women and 33 percent are men.

Endorsement

The polling firm Datafolha also investigated how important it is for voters that their candidates in the first round endorse Haddad or Bolsonaro.

::: MEET BRAZIL’S PRESIDENTIAL CANDIDATES

For center-right Marina Silva’s voters, her endorsement for one of the presidential hopefuls could lead 11 percent of respondents to decide who to cast their votes for. Centrist Ciro Gomes’ endorsement would influence 21 percent of his supporters, while 46 percent of them say he should endorse Haddad in the runoff.

Only 14 percent of respondents who voted for right-wing Geraldo Alckmin in the first round said his endorsement would influence their choice, while 46 percent of them believe he should endorse Bolsonaro.

Datafolha also asked voters about when they decided for whom they would vote. Sixty-three percent of respondents said they chose their presidential candidate at least a month before the elections (the first round was held on Oct. 7), while 10 percent said they did it 15 days in advance, and 8 percent only a week before the polling. Six percent of voters made up their minds the day before the first round, while 12 percent made their decisions on the day of the election.

Escalating violence

After the results of the first round were out, last Sunday, Jair Bolsonaro said he would “put an end to all activism in Brazil.” That same night, capoeira master Moa do Katendê, 63, was murdered in Bahia, northeastern Brazil, stabbed 12 times by a Bolsonaro supporter.

In the southern city of Curitiba, a driver intentionally ran over filmmaker Guilherme Daldin, who was wearing a T-shirt with a picture of ex-president Luiz Inácio Lula da Silva. On Tuesday, a college student was brutally assaulted by 15 people who shouted words of support for Bolsonaro during the attack; the university was vandalized that same night.

A survey published by Agência Pública, a nonprofit investigative journalism agency, showed at least 50 attacks by Bolsonaro supporters were recorded in Brazil in the past ten days, while six supporters of the far-right candidate were assaulted.

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Mulheres ampliam participação no parlamento, mas seguem como minoria

qui, 11/10/2018 - 13:59
ELEIÇÕES No Rio de Janeiro, 12 candidatas foram eleitas para câmara estadual e 10 para o parlamento federal Jaqueline Deister | O estado do Rio de Janeiro elegeu apenas 10 mulheres para compor as 46 cadeiras do Rio na Câmara dos Deputados Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O resultado do primeiro turno das eleições no estado do Rio de Janeiro seguiu a “onda conservadora” de boa parte dos estados brasileiros e confirmou o flerte com a extrema-direita que estava em curso há alguns anos. No entanto, uma parcela da população demostrou no último domingo (7) que é necessário pensar em representatividade, gênero e classe social no momento de votar.

No próximo ano, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) terá uma renovação de 51% em seu quadro parlamentar. A maior bancada será a do Partido Social Liberal (PSL), com 13 deputados; seguida pelo Democratas (DEM), com seis parlamentares e pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), com cinco. 

A outra novidade foi o crescimento da participação das mulheres na Alerj, que, apesar de ocuparem mais vagas, continuam sendo minoria nas 70 cadeiras da Assembleia Legislativa. Ao todo, 12 deputadas atuarão na Casa, um aumento de 33% em relação ao atual período. Entre os destaques estão três mulheres que trabalharam no gabinete da vereadora assassinada Marielle Franco: Mônica Francisco, Renata Souza e  Dani Monteiro, todas negras e do Psol.

Em seu discurso após o resultado das eleições, Mônica Francisco ressaltou o papel da mulher negra e da periferia para mudar a forma de fazer política.

“É o tempo em que nós, mulheres negras, somos a vanguarda da revolução, não farão mais política sem nós. Estamos no centro de todas as opressões, do machismo, do racismo, do sexismo, da desumanização e nós temos a capacidade, a competência e a ousadia para enfrentar esses tempos. Nos tiraram tanto, que perdemos o medo”, destacou Mônica.

Outra mulher reeleita para assumir o seu segundo mandato é a deputada Zeidan (PT). A parlamentar que se destacou entre os quatro primeiros deputados que mais apresentaram propostas aprovadas afirmou que a união será fundamental em 2019 para evitar o avanço do conservadorismo.

“Essa tragédia que se abateu sobre o Rio, com prisões de lideranças do PMDB deixou um vácuo de poder, nesse setor conservador, e o PSL vai tentar ocupar. A disputa maior será entre eles. E nós, do campo democrático, temos que nos unir e constituir um bloco com partidos e deputados que queiram estar com a gente, nas pautas progressistas", disse.

Câmara Federal

Já na esfera federal, o estado do Rio de Janeiro elegeu apenas 10 mulheres para compor as 46 cadeiras do Rio na Câmara dos Deputados. Entre as eleitas está Talíria Petrone (Psol). Estreante na Casa, a então vereadora do município de Niterói obteve mais de 107 mil votos. 
Talíria também é negra e foi uma das vozes combativas para denunciar o assassinato de Marielle Franco que completa no próximo domingo (14) sete meses sem respostas. 

Em entrevista ao programa Brasil de Fato, Talíria falou sobre as suas expectativas de atuação no Congresso. Segundo ela, a disputa de pensamento com a extrema-direita será fundamental.

“Nem todo mundo que defende Bolsonaro é fascista. As pessoas estão com as suas vidas precarizadas, fazem parte de uma política velha que as afasta do território, precisamos voltar com os trabalhos de base e também convencer o povo brasileiro que aquele que diz que ‘bandido bom é bandido morto’ é o mesmo que vota na reforma trabalhista e tira direito do trabalhador, que vota contra a PEC das Domésticas”, explicou.

Com uma trajetória de luta social e representatividade, a deputada federal Benedita da Silva (PT) também foi reeleita.  A parlamentar sinalizou preocupação com a composição do Câmara dos Deputados. Benedita ressaltou que o Congresso conservador vai exigir muita organização da população brasileira. Para ela, a tarefa das mulheres do campo progressista será árdua.

“Estamos com uma grande tarefa de representar o Rio e fazer uma disputa ideológica, pois os direitos dos trabalhadores e das mulheres estão em risco real com o avanço do conservadorismo”, disse a deputada.

Além de Benedita da Silva e Talíria Petrone, a deputada Jandira Feghali (PCdoB) também foi reeleita.

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En medio de ola de violencia, Bolsonaro mantiene ventaja sobre Haddad en 2º vuelta

qui, 11/10/2018 - 13:26
ELECCIONES Según Datafolha, ambos absorbieron votos de los demás candidatos en proporciones iguales Redacción | Fueron 3.235 electores entrevistados por el Instituto, en 227 municipios brasileños Reproducción

La primera encuesta de intención de voto en segunda vuelta, producida por el Instituto Datafolha, muestra que el candidato Jair Bolsonaro (PSL) tiene el 58% de la intención de voto, contra el 42% del candidato petista, Fernando Haddad.  

El resultado de la encuesta del escenario de la segunda vuelta fue divulgado al final de la tarde de este miércoles (10). La encuesta fue realizada el mismo miércoles, y tiene margen de error de ± 2 puntos. 

La región Nordeste es la única donde el diputado federal del Partido Social Liberal perdería con Haddad, donde el petista tiene 52% de los votos totales, contra 32% del capitán retirado. Bolsonaro vencería con amplitud en la región más populosa del país, el Sudeste, con 55% de la intención de voto. Su mejor desempeño, sin embargo, se da en la región Sur, con 60% de la intención de voto contra 26% del petista.

La tendencia de que el electorado de Bolsonaro es más masculino se confirma también en segunda vuelta. El militar retirado tiene la intención de voto de 42% de las mujeres, y de 57% de electores hombres. Con relación al voto por Haddad, la ecuación se invierte: el petista tiene 39% de la intención de voto entre mujeres, y 33% del electorado masculino. 

El cálculo de los votos válidos realizado por el Instituto excluye de la muestra votos blancos, nulos y a los electores que se declaran indecisos, el mismo procedimiento utilizado por la Justicia Electoral en la divulgación de los resultados oficiales de la elección.

En los porcentajes de votos totales, los resultados muestran intención de voto de 49% de los electores por Bolsonaro, 36% por Haddad, además de 8% de intención de voto blanco y nulo. 6% de los entrevistados no supieron responder por quien van a votar.

ELECCIONES BRASIL 2018

Datafolha destacó también la importancia para los electores de a quien apoyan los presidenciables que disputaron la primera vuelta. En relación con Marina Silva (Rede), su apoyo a uno de los dos candidatos podría llevar 11% de los entrevistados a decidir su voto. En el caso del de Ciro Gomes (PDT), el apoyo del candidato sería importante para la decisión de 21% de los electores, siendo que 46% de los consultados afirmaron que Ciro debería apoyar a Haddad en segunda vuelta.

Con relación a Geraldo Alckmin (PSDB), su apoyo en la elección de candidato en segunda vuelta sería importante para apenas 14% de los entrevistados, y 46% de ellos creen que debería apoyar a Bolsonaro. 

Datafolha preguntó a los electores también sobre el momento en que el voto fue decidido. El 63% afirmó que decidió su voto para presidente por lo menos un mes antes de las elecciones, 10% dijo que escogió a su candidato 15 días antes y 8% afirmó que la decisión fue tomada apenas una semana antes. Para 6% de los electores el voto fue decidido en la víspera de la primera vuelta, y 12% del electorado decidió apenas el día de votar. 

Fueron 3.235 electores entrevistados, en 227 municipios brasileños y tiene un nivel de confianza de 95%.

Escalada de violencia

Justo después del resultado del escrutinio de las urnas en la primera vuelta, el día 7, el candidato Jair Bolsonaro (PSL) afirmó que va a “colocar un punto final en todos los activismos de Brasil”. El mismo día, el mestre de capoeira Moa de Katendê, de 63 años, fue asesinado en Bahia con doce puñaladas en su cuerpo por un seguidor de Bolsonaro. En el centro de Curitiba, un automóvil fue lanzado contra el cineasta Guilherme Daldin, que vestía una camiseta con la imagen del ex presidente Lula. El martes, un estudiante de la UFPR fue brutalmente herido por un grupo de 15 personas que gritaban su apoyo a Bolsonaro. En la misma ocasión, la Casa de la Estudiante Universitaria (CEUC) y la biblioteca de la universidad también fueron depredadas.

Un levantamiento publicado por la Agencia Pública, agencia de periodismo de investigación señaló que por lo menos 50 ataques de seguidores de Bolsonaro fueron registrados en todo el país en diez días. Seis seguidores del candidato del PSL también fueron agredidos, según la agencia.

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Onda de violência assola o Brasil

qui, 11/10/2018 - 12:32
Eleições Desde que resultado das eleições foi conhecido, discussões têm levado a agressões e até morte Redação | Houve depredação no local e também foram quebrados vidros da biblioteca da universidade. Divulgação

Na Bahia, o músico e mestre de capoeira Moa do Katendê, de 63 anos, foi assassinado na noite do último domingo com 12 facadas nas costas em um bar em Salvador (BA). O caso ocorreu após uma discussão sobre política em que Moa disse votar no PT e foi assassinado por um apoiador de Jair Bolsonaro (PSL). 

Em Curitiba, no mesmo dia, jogaram um carro em cima do jornalista Guilherme Daldin, que vestia uma camiseta com a imagem do ex presidente Lula. “O carro foi jogado contra mim, o pneu passou por cima dos meus pés. Depois, saiu em disparada. Quando amigos conseguiram chegar perto, o motorista ameaçou atirar, dizendo que portava uma arma”, diz Daldin. Com a placa identificada, foi descoberto que o perfil do Facebook do motorista continha postagens ódio e pedido de morte a quem apoia o PT. 

E na terça-feira, dia 9, um estudante da Universidade Federal do Paraná que usava um boné do MST foi violentamente atacado por um grupo da torcida da Império, do Coritiba. Aos gritos de “Aqui é Bolsonaro”, cerca de 15 pessoas espancaram o rapaz. Houve depredação no local e também foram quebrados vidros da biblioteca da universidade. Questionado pelo Folha de S.Paulo sobre esses atos de violência de seus apoiadores, Bolsonaro afirmou que: “É um cara lá que tem uma camisa minha, comete um excesso, o que eu tenho a ver com isso?" 

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Qual a diferença entre os óleos mais comuns que usamos na cozinha?

qui, 11/10/2018 - 12:29
Gordura Comparamos os mais vendidos no mercado: o óleo de soja, de girassol e o óleo de canola Letícia Sepúlveda | Os óleos de soja, girassol e canola são ricos em gorduras polinsaturadas, que ajudam na diminuição do colesterol ruim. Pexels/ Pixabay

É muito comum os óleos de cozinha serem usados para facilitar o preparo dos alimentos. Em geral, os óleos de origem vegetal são classificados como gordura insaturada, ou seja, boa para a saúde. Esse tipo de gordura ajuda na diminuição do colesterol ruim sem prejudicar o colesterol bom.

Os óleos de origem vegetal fornecem energia ao corpo, regulam o metabolismo, além de ajudar no funcionamento do intestino. Os mais fáceis de encontrar nos supermercados são os óleos de soja, de girassol e de canola. A nutricionista Viviane Lago, comenta as principais diferenças destes três tipos:

"A escolha entre qualquer um deles será um benefício. O que levamos em consideração são dois pontos principais: a qualidade, levando em consideração a quantidade presente de gordura denominada ômega. Esses óleos de origem vegetal têm os ômegas 3, 6 e 9; o de soja tem mais do ômega 3; o de girassol tem todos os ômegas, com o ômega 9 em maior quantidade. Os três óleos vão ter praticamente as mesmas características nutricionais e os mesmos benefícios".

O ômega 3 e 6 são dois tipos de gorduras poli-insaturadas, conhecidas como gorduras boas, já o ômega 9 é uma gordura monoinsaturada, mas também é classificada como boa para o nosso organismo.

O outro tema enaltecido pela nutricionista é o ponto de fumaça, quando o óleo atinge uma temperatura alta e começa a modificar suas características. Isso gera a formação de acroleína, substância que pode causar riscos à saúde. Os óleos de soja e canola são mais resistentes a altas temperaturas se comparados ao óleo de girassol.

Já os óleos vegetais também podem alterar o sabor do alimento, dependendo do tipo e da quantidade usada. "O óleo de girassol é o que menos altera, tanto sabor, quanto cor e cheiro do alimento. Para a maioria dos preparos, como assados e grelhados, o óleo de girassol seria nesse quesito o melhor. Para as frituras, ele atinge o ponto de fumaça mais alto, então o óleo de soja é mais interessante".

Porém, se usado em excesso, esse ingrediente pode trazer alguns males para a saúde. Para as pessoas que têm colesterol mais alto, ou que sofrem de problemas cardíacos, ingerir grande quantidade de óleo vegetal pode piorar os sintomas.

Muitas pessoas têm o hábito de reutilizar o óleo, mas esta prática não é recomendada pela nutricionista: "A gente até fala de reaproveitar o óleo para uma segunda fritura, mas não é o ideal, porque ele já foi aquecido uma vez, ele já modificou sua composição."

O ideal é descartar o óleo de cozinha que já foi usado. Uma alternativa é despejar o conteúdo em uma garrafa PET e levar até um ponto de coleta seletiva. Neste site estão os locais que trabalham com o descarte correto do óleo.

Jogar o conteúdo pelo ralo da pia ajuda no acúmulo de resíduos que entopem a rede de esgoto e o fluxo de água. Além disso, o descarte incorreto pode causar problemas de higiene, já que a sujeira atrai insetos, baratas e ratos. O óleo de cozinha também atua na poluição da água e pode causar a morte de alguns seres vivos. 

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Ex-prefeita de Santos: "Márcio França tem experiência e palavra; João Doria, não"

qui, 11/10/2018 - 12:26
Governo SP Hegemonia do PSDB no Executivo paulista pode acabar por divisões internas no partido e pela inexperiência de Dória Juca Guimarães | França e Dória chegaram no segundo turno com ritmos opostos de crescimento montagem com reprodução do Youtube

A disputa no segundo turno da eleição para governador em São Paulo coloca frente a frente dois políticos distintos e, dependendo do resultado, pode criar um racha dentro do ninho tucano. 

Márcio França, do PSB, fez carreira política no litoral paulista, onde começou a militância política. Neste mandato, assumiu o governo do estado após Geraldo Alckmin deixar o cargo para disputar a presidência da República, pelo PSDB.  França tem uma boa relação com parte dos caciques tucanos, ao mesmo tempo que recebe elogios e recomendações da militância histórica da esquerda paulista.

Já João Doria, que encabeça a chapa pelo PSDB, não é o sucessor natural de Alckmin e, recentemente, trocou farpas com o antigo padrinho. Sem grande experiência política, ele usou a Prefeitura de São Paulo para primeiro se projetar como possível candidato à presidência, o que foi um grande fracasso, e, posteriormente, deixar o cargo para concorrer ao governo. 

A ex-prefeita de Santos, Telma de Souza, que comandou a prefeitura no final dos anos 80, com índice de aprovação de 97%, conhece França há mais de 30 anos, e fez comparações entre ele e Dória.

"A relação de confiança com o Márcio é que ele cumpriu todos os seus mandatos e continuou caminhando. Fazendo um paralelo, um tem experiência política, o outro chegou por agora. Um cumpre os mandatos até o fim e tem palavra, o outro abandona e só faz saltos para galgar poder sem uma estrutura de governo sólida. O Márcio nunca foi varrer, fantasiado de gari, a cidade. Como o Doria fez para criar um fato deplorável para quem detém mandato público, disse a ex-prefeita de Santos.

De acordo com Telma, a gestão de Márcio França à frente da Prefeitura de São Vicente, durante dois mandatos, de 1997 a 2000 e de 2001 a 2005, foi marcada pelas políticas sociais. 

O cientista político Rodrigo Gallo analisou as duas candidaturas que estão na briga pelo segundo turno em São Paulo. 

"A disputa entre o Dória e o França expõe algumas disputas dentro do próprio PSDB. O França foi o vice do Alckmin e houve uma série de problemas internos dentro do partido que colocaram em oposição o Alckmin e o Dória. O partido está enfrentando algumas fraturas internas. Existe um desarranjo de forças ali dentro. Também, olhando de fora, o França é um outsider nesta disputa eleitoral. E de repente, na campanha, na reta final dos últimos 15 dias, ele começou a crescer. Isso mostra pra gente que, uma parte do eleitorado de São Paulo, está começando a questionar essa manutenção do PSDB no poder estadual. O desafio do Dória é conter essa grande alta do França".

Segundo Gallo, uma eventual derrota de Doria fortalece as forças internas contra ele no PSDB e, provavelmente, sem espaço e prestígio o ex-prefeito vai ter que abandonar o ninho tucano. 

Na votação do primeiro turno, Doria teve 6,43 milhões de votos (31,77% dos votos válidos). Já França conseguiu uma vaga no segundo turno com 4,35 milhões de votos (21,53% dos votos válidos).  Essa diferença de cerca de 2 milhões de votos para que o candidato do PSB supere o ex-prefeito da capital podem vir tanto dos eleitores do Paulo Skaf (MDB), que fechou o primeiro turno com 4,26 milhões de votos, como também do petista Luiz Marinho que recebeu cerca de 2,5 milhões de votos. 

Márcio França foi duas vezes vereador em São Vicente e duas vezes deputado federal por São Paulo. Por sua vez, Dória, antes de ser prefeito da capital, tinha no currículo de gestor apenas uma passagem sem grandes realizações pela secretaria de turismo de São Paulo, por indicação de Franco Montoro, no começo dos anos 1980.

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Candidatos falam de prioridades após primeiro turno

qui, 11/10/2018 - 12:11
Disputa em aberto Em entrevistas Haddad em geração de empregos e educação. Bolsonaro prega privatização e redução da maioridade penal Redação | Haddad afirmou que o centro de seu plano de governo é a geração de empregos e a valorização da educação Rodolfo Buhrer/Reuters

Logo após a confirmação do resultado oficial de que haverá segundo turno na eleição presidencial, os candidatos Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) deram entrevista à TV Globo. 

Haddad afirmou que o centro de seu plano de governo é a geração de empregos e a valorização da educação, sintetizando suas propostas em "uma carteira assinada em uma mão e um livro na outra". “É uma grande satisfação estar no segundo turno. É uma situação em que poderemos confrontar dois projetos... Nosso projeto pretende gerar empregos e oportunidades educacionais”, afirmou. 

Bolsonaro utilizou seu tempo para reafirmar propostas como a redução da maioridade penal, a redução de ministérios e a privatização de empresas públicas –pretende, apenas no primeiro ano, vender 100 empresas que hoje pertencem ao povo brasileiro. 

Na entrevista, teve de desautorizar seu vice, General Mourão, que falou em acabar com o 13º salário e abono de férias. E desautorizou, também, seu candidato a  ministro da Fazenda, que propôs a volta da CPMF e aumento do imposto de renda para os mais pobres. 

Bolsonaro não vai a debate 

O deputado federal usou “atestado” de seus médicos para não ir aos debates que estavam programados para esta semana contra Fernando Haddad. Haddad afirmou que está à disposição para debater até na enfermaria, se Bolsonaro quiser.

Você conhece os candidatos?

Fernando Haddad 

É professor de ciência política da Universidade de São Paulo (USP), foi ministro da Educação de 2005 a 2012 e prefeito de São Paulo de 2013 a 2016. Nos governos do PT e, na maior parte com Haddad como ministro da educação, foram criadas 18 universidades federais e 173 campi universitários. Foram implantados também mais de 360 institutos federais de educação. E criados o (ProUni), o Ciência sem Fronteira, assim como a reformulados e ampliados o FIES e o Enem. É casado há 30 anos com Ana Estela Haddad e pai de dois filhos. 

Jair Bolsonaro 

Esteve no Exército de 1979 a 1988, quando foi para a reserva como capitão. É político desde 1988, quando se elegeu vereador no Rio de Janeiro. E deputado federal desde 1990, estando no seu sétimo mandato. Passou pelos partidos PDC, PPR, PPB e PSL. Entre os projetos que defendeu estão o controle da natalidade, revisão das áreas indígenas, a pena de morte, prisão perpétua e redução da maioridade penal e o porte de armas. Está no seu terceiro casamento e teve cinco filhos.

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Povos indígenas do Amapá e norte do Pará declaram voto em Haddad

qui, 11/10/2018 - 12:11
Eleições 2018 Em nota, indígenas afirmam que proposta de Bolsonaro permeia o ódio contra os povos originários Lilian Campelo | " Apoiamos o candidato (...) Haddad porque vemos nele um homem capaz de respeitar a nossa diversidade", afirma nota dos povos indígenas Divulgação/Agência Brasi

A Articulação e Organização dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP) declaram voto ao candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) e veem nas propostas do ex-ministro da Educação sensibilidade às necessidades dos povos indígenas.

Em nota, a APOIANP também enfatiza que teme que o candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL), que atualmente tem mandato de deputado federal, assuma o poder e apoie a revogação da homologação das terras indígenas. Em diversas entrevistas, o candidato do PSL já declarou que pretende frear o processo de demarcação de novas terras indígenas e permitir que eles possam comercializar seus territórios.  

“Não aceitamos que essa proposta de governo repleta de ódio, rancor e intolerância nos marginalize e tente retirar de nós indígenas aquilo que nos é mais importante, nossa liberdade, autonomia, cultura, identidade, organização social, nossa existência e direito de viver em nossas terras hoje e no futuro. Não podemos apoiar essa ameaça às nossas conquistas arduamente alcançadas com luta e diálogo com os governos passados”, informa a nota.

Na semana passada, dia 2, a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) declarou oficialmente apoio a Bolsonaro. Composta por parlamentares da bancada ruralista a frente representa uma ameaça aos direitos dos povos indígenas, como propostas de projetos voltados ao agronegócio que avançam sobre os seus territórios.

A Articulação e Organização dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará afirma que as propostas do candidato petista abrigam diversidade e respeito aos povos indígenas.

“Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que apresenta uma postura de diálogo aberta e plural, sem exclusão, sem palavras e ações ofensivas. Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira Haddad porque vemos nele um homem capaz de respeitar a nossa diversidade e ainda assim nos considerar brasileiros. Pela nossa existência, diga: #elenão! Diga não a esse mal nefasto! ”.

Confira a nota completa da APOIANP

Nós, povos indígenas do Amapá e Norte do Pará, brasileiros originários que vivem nestas terras muito antes do país ser chamado de Brasil, viemos manifestar nossa preocupação frente ao cenário político-eleitoral que está para definir nas próximas semanas os rumos da democracia brasileira e o futuro de nossas aldeias, comunidades e juventude. No passado éramos uma maioria absoluta de pessoas que viviam nestas terras, hoje, vencidos os 500 anos de genocídios promovidos pelas armas e doenças e, que, provocaram a diminuição drástica da população indígena, vivemos um momento de insegurança quanto ao nosso futuro. Nossas conquistas são frutos de nós indígenas em movimento, vieram através de muita luta e enfrentamento ao mundo não indígena, assim como da vida e da morte de tantas lideranças de norte a sul, de leste a oeste.

Juntos representamos uma considerável diversidade cultural e linguística, estatisticamente somos contabilizados em mais de 300 povos distintos, falantes de quase 200 línguas indígenas, mas que apesar das muitas conquistas, sobretudo garantidas na Constituição Federal de 1988, ainda precisamos continuar lutando para a permanência de nossos direitos conquistados pelo sangue de nossos antepassados.

Estamos temerosos com o discurso de ódio e de intolerância que surge entre nós, indígenas e não indígenas, nestas eleições de 2018.
Todos os anos mostramos aos sucessivos governos políticos brasileiros que continuamos existindo, promovemos o Acampamento Terra Livre em Brasília na data em que as escolas costumam comemorar o “dia do índio” – abril indígena – exatamente para mostrar aos governantes do Congresso Nacional que somos vigilantes na garantia de nossos direitos constitucionais e que não aceitaremos a revogação de nenhuma terra! Muitos não índios, representados pela bancada da “bala”, do “boi” e da “bíblia”, continuam invadindo e usurpando nossas terras com o objetivo de transformar o Brasil e a Amazônia numa lavoura de soja ou numa boiada produtiva. Não aceitamos que em “nome de Deus” e da “família” o “inominável” – também conhecido como #elenão – apoie a revogação da homologação de nossas terras, barre a “demarcação já” que dá esperança de futuro às novas gerações. Não aceitamos que essa proposta de governo repleta de ódio, rancor e intolerância nos marginalize e tente retirar de nós indígenas aquilo que nos é mais importante, nossa liberdade, autonomia, cultura, identidade, organização social, nossa existência e direito de viver em nossas terras hoje e no futuro. Não podemos apoiar essa ameaça às nossas conquistas arduamente alcançadas com luta e diálogo com os governos passados.

Queremos viver em nossas terras, sem ameaças veladas e sorrateiras, queremos prosseguir na luta por saúde e educação específica e diferenciada, sem imposições e silenciamentos. Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que é sensível as necessidades dos povos indígenas! Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que acredita que o Brasil pode abrigar a diversidade que somos e representamos! Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que respeita nós povos indígenas como somos, sem querer nos transformar em algo que não queremos! Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que acredita na educação para todos, numa educação diferenciada, multilíngue e autônoma! Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que não irá nos trair pelas nossas costas, revogando a demarcação e homologação de nossas terras! Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que apresenta uma postura de diálogo aberta e plural, sem exclusão, sem palavras e ações ofensivas. Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira Haddad porque vemos nele um homem capaz de respeitar a nossa diversidade e ainda assim nos considerar brasileiros. Pela nossa existência, diga: #elenão! Diga não a esse mal nefasto!

Macapá, 10 de outubro de 2018.

Articulação e Organização dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP)
 

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Burocracia

qui, 11/10/2018 - 12:03
coluna Pasmo, perguntei a mim mesmo: pra que escrevi isso tudo? Ninguém leu. Mouzar Benedito | Todos os relatórios dos meus três anos e pouco de trabalho naquela Secretaria tinham como nome da empresa “Viação São Benedito da Silva" Pixabay

Passar em frente a um prédio perto da Estação da Luz, em São Paulo, mexeu com a minha memória. 

É um prédio com uns vinte andares, desocupado, com jeitão de décadas de abandono. 

Teve um período em que foi ocupado por sem-tetos. Um dos ocupantes era um carroceiro que começou a juntar e ler livros jogados fora e catados por ele. 

Acabou criando ali uma biblioteca de milhares de volumes, acessível a todos os moradores do prédio e da vizinhança. Pena que esses moradores e a biblioteca acabaram despejados. 

Mas minha memória é de muito tempo antes. 

Naquele prédio funcionava a Secretaria Municipal de Transportes, onde eu trabalhava como técnico em contabilidade, uma das profissões que tive. 

Minha função era analisar a contabilidade de empresas de ônibus, fazer um relatório detalhado e arquivar nas pastas das respectivas empresas, para que – se fosse o caso – a prefeitura aprovasse a conta das empresas ou lhe multasse. Ou tomasse atitudes mais drásticas por motivo de sonegação de impostos, por exemplo. 

Éramos mais de dez técnicos para analisar a contabilidade das 75 empresas de ônibus urbanos que existiam na cidade, fora a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos. 

Uma das empresas que ficaram sob a minha responsabilidade foi a Viação São Benedito Ltda., que nem sei se ainda existe. 

Depois de três anos e pouco de emprego, pedi demissão. No penúltimo dia de trabalho, fui à Viação São Benedito. Não havia nenhum problema na contabilidade, mas tive que fazer o relatório extenso assim mesmo, no dia seguinte. 

Datilografei e, quando ia entregar para a secretária arquivar, vi que tinha escrito no lugar destinado ao nome da empresa “Viação São Benedito da Silva”. Troquei o “Ltda.” pelo “da Silva”. Meu nome inteiro é Mouzar Benedito da Silva. Daí o ato falho. 

Corrigi meu erro, rindo, e fui eu mesmo colocar o relatório na pasta da empresa. Aí vi que todos os relatórios dos meus três anos e pouco de trabalho naquela Secretaria tinham como nome da empresa “Viação São Benedito da Silva”. Pasmo, perguntei a mim mesmo: pra que escrevi isso tudo? Ninguém leu. Nem sequer abriram a pasta, pois teriam visto o “da Silva”. 

Pra não dizer que foi um trabalho inútil, serviu pra eu escrever esta crônica, não é? 

Obrigado, burocracia. 

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O cinturão progressista no Nordeste e o lulismo como oposição ao fascismo

qui, 11/10/2018 - 11:05
coluna O Lulismo é o ponto de partida de qualquer programa de governo daqui pra frente Patrícia Valim | Porto Digital, em Recife: o maior parque tecnológico do Brasil WikimediaCommons/Américo Nunes

O resultado do 1º turno das eleições de 2018 deixou muita gente perplexa e desanimada. Se é verdade que as pesquisas confirmaram a tendência para a eleição presidencial com Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno, isso não ocorreu com o legislativo brasileiro. Políticos com respeitáveis trajetórias, como Eduardo Suplicy, Lindbergh Farias, Chico Alencar, Dilma Rousseff entre tantos deputados, não foram eleitos, dando lugar a novos agentes que vão desde as subcelebridades das manifestações de 2015 contra o governo do PT, como Alexandre Frota e Kim Kataguri, e uma bancada imensa no empuxo da Lava Jato. 

De acordo com os dados disponibilizados pelo TSE, se compararmos o resultado das eleições do legislativo em 2014 e 2018, políticos implicados na Lava Jato e com protagonismo no golpe/impeachment da Presidenta Dilma também não foram eleitos: Magno Malta, Eunício Oliveira, Cássio Cunha Lima. 

A grande imprensa tem elogiado essa mudança de perfil dos políticos eleitos como um dos desdobramentos das manifestações de 2013, mas omite a representatividade dos novos eleitos. O número de policiais e militares eleitos para as assembleias, câmara e senado pulou de 18 para 73, muitos deles do PSL das regiões centro-sul do país ao tempo em que o PT elegeu a maior bancada do congresso com 57 deputados, a maioria das regiões norte e nordeste. 

Segundo a declaração de bens dos candidatos eleitos no 1º turno, dos 567 parlamentares 48,85% tem patrimônio superior a R$ 1 milhão, sendo que no senado federal a proporção é de dois em cada três senadores com patrimônio médio de R$ 2 milhões. 

De acordo com o site de notícias UOL “um dado curioso é que, nas duas Casas. Os políticos mais ricos [eleitos] se apresentaram ao eleitor como professores, [mas] ambos são grandes empresários da educação”. Além disso, cumpre destacar que entre os governadores eleitos no 1º turno e as pesquisas sobre a disputa no 2º turno: é possível afirmar que o país sairá novamente rachado das eleições de 2018, com um cinturão progressista nas regiões norte/nordeste e conservador/autoritário no centro-sul. 

Muitos analistas políticos têm afirmado que essa “polarização”, pra usar um termo da moda cunhado pelos isentos, ocorre desde as eleições de 2014, com a presidenta Dilma Rousseff (PT) eleita e Aécio Neves (PSDB) contestando o resultado das eleições. No entanto, chamo atenção para o fato de que essa polarização política ocorre desde as manifestações de 2013: há uma diferença substancial nas manifestações ocorridas no centro-sul em junho de 2013, pedindo “Fora Todos”, e nas manifestações contra o aumento da tarifa no restante do país, especialmente no Nordeste – pois a diferença quantitativa de participantes e qualitativa de demandas são gritantes.

O que explica essas diferenças e as polarizações políticas nos últimos processos eleitorais é a assimetria do Lulismo no país.

Pode-se afirmar com alguma tranquilidade que o resultado das eleições de 2018 seria outro se Luís Inácio Lula da Silva não tivesse sido preso arbitrariamente e tivesse concorrido. Lula é um sertanejo que virou um operário líder sindical, o que explica muito sobre o Lulismo e o movimento político de Lula nos dois mandatos, com destaque para a sua imensa capacidade de negociação e conciliação forjadas nas lutas do chão da fábrica e nas ruas e seu projeto de integração nacional e fim do chamado “Brasil Profundo”. 

Entre 2003 e 2013, o Nordeste teve índice de crescimento de 4,1% ao ano, enquanto o país ficou na marca de 3,3%, de acordo com o Banco Central. Só no ano de 2012, por exemplo, a economia local cresceu o triplo da brasileira. Em 2014, a região passou a ser a segunda maior em consumo, atrás apenas do Sudeste, e corresponde a 13,8% da economia nacional. 

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), entre 2001 e 2012, o nordestino teve o maior ganho de renda entre todas as regiões, o que fez com que a participação da base da pirâmide social caísse de 66% para 45%. Tudo isso fez com que a classe média deixasse de representar apenas 28% da população nordestina em 2002, para ser 45% em 2012. As ações dos governos petistas para a região também geraram empregos: em 2002, apenas cinco milhões de nordestinos tinham emprego formal. Já em 2013, esse número passou para quase nove milhões. Em 2002, quando o presidente Lula foi eleito, mais de 21,4 milhões de nordestinos viviam em situação de pobreza. Em 2012, esse número caiu para 9,6 milhões, segundo estudo da Fundação Perseu Abramo, com base em dados do IBGE. 

Por isso, a importância do programa Bolsa Família para a região, que chegou a ter mais de 35 milhões de pessoas e 7 milhões de famílias beneficiadas pelo maior programa de transferência de renda com contrapartidas: filhos na creche, mulheres com acompanhamento ginecológico e planejamento familiar. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Nordeste tinha 413.709 universitários. Em 2012, esse número saltou para 1.434.825. O número de cursos de doutorado e mestrado também cresceu 33% entre 2010 e 2012 no Nordeste. Com isso, a região ultrapassou o Sul e passou a segunda com maior número de estudantes do ensino superior – 20% do total –, atrás apenas do Sudeste. Sete das 18 universidades criadas nas gestões petistas estão no Nordeste. Apenas quando o Partido dos Trabalhadores chegou à Presidência da República, ações concretas para afastar o fantasma da seca no Nordeste foram realizadas: 1,2 milhão de cisternas foram construídas para consumo humano, pelo o Programa Água para Todos, garantindo água a 22 milhões de sertanejos ao tempo em que para levar acesso à eletricidade de forma gratuita, o governo Lula criou o programa Luz para Todos. Apenas no Nordeste, o programa já tinha atendido, até 2015, mais de 1,5 milhão de famílias, beneficiando cerca de 7,5 milhões de pessoas (PNAD). 

Para quem vive nessas regiões, esses programas, entre outros, resultaram em uma melhoria de vida concreta que foi acompanhada por um processo intenso de politização da importância do Estado Brasileiro no combate às desigualdades econômicas e às assimetrias regionais. Isso significa afirmar que metade da população deu um recado claro nas eleições majoritárias de 2014 e primeiro turno das eleições de 2018: o Lulismo efetivado no Norte e no Nordeste é o ponto de partida de qualquer programa de governo daqui pra frente e assim por diante. Não à toa, esse reformismo de alto impacto dessas regiões tem sido a maior resistência ao processo de fascistização no Brasil. Também tem sido no Nordeste as manifestações mais violentas contra os que votaram no candidato à presidência do PT, Fernando Haddad, como ocorreu com o Mestre Moa do Badauê, assassinado com 12 facadas por uma pessoa sem antecedentes criminais. 
Certo está o candidato Fernando Haddad (PT) que tentou sem sucesso um pacto ético e pacífico com o candidato Jair Bolsonaro (PSL), que além de não aceitar, chamou Fernando Haddad de “canalha”. A sociedade brasileira precisa entender que o que está em jogo, com a fascistização de 30% dos eleitores, é a própria democracia. 

Só em um regime democrático fortalecido poderemos construir as bases para um regime que Boaventura de Souza Santos define como pacífico e democrático, firmado na complementaridade entre as democracias representativa e participativa; modo de produção menos assente na propriedade estatal dos meios de produção do que na associação de produtores; regime misto de propriedade onde coexistem a propriedade privada, estatal e coletiva (cooperativa). 
Um Estado que saiba competir com o capitalismo na geração de riqueza e lhe seja superior no respeito pela natureza e na justiça distributiva; nova forma de Estado experimental, mais descentralizada e transparente, de modo a facilitar o controle público do Estado e a criação de espaços públicos não estatais; reconhecimento da interculturalidade e da plurinacionalidade (onde for caso disso); luta permanente contra a corrupção e os privilégios decorrentes da burocracia ou da lealdade partidária; promoção da educação, dos conhecimentos (científicos e outros) e do fim das discriminações sexuais, raciais e religiosas como prioridades governativas.

* Patrícia Valim é professora de História do Brasil Colonial da Universidade Federal da Bahia. Conselheira do Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Perseu Abramo. Mãe de Ana, Bento e Maria, e avó de Maria Antônia.

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Frente democrática pode tirar centro-esquerda do "canto do ringue"

qui, 11/10/2018 - 11:02
Disputa Para Cândido Grzybowski, se movimento avançar, possibilidade de o projeto que defende a democracia vencer é real Eduardo Maretti | O sociólogo observa que, pela rejeição que Bolsonaro tem, ele pode ter chegado próximo ao seu teto. Ricardo Stuckert

Se consolidada, a chamada frente pela democracia, reunindo democratas e forças de diversos partidos em torno da candidatura de Fernando Haddad(PT) a presidente, pode tirar a centro-esquerda do "canto do ringue" contra Jair Bolsonaro (PSL). "Pelos movimentos que temos visto, há possibilidade de isso acontecer. É um clamor, porque muitos estão dizendo que é a hora de defender a democracia. Isso é o mais estratégico agora", diz o sociólogo Cândido Grzybowski, do Ibase.

Os partidos PSB e Psol já decidiram pelo apoio à candidatura de Haddad. Ontem (10), foi a vez do PDTanunciar o mesmo, assim como as centrais sindicais. Para Grzybowski, se esse movimento avançar, são reais as possibilidade de Haddad e essas forças ganharem a eleição. "Mas tem que elaborar o discurso também e dar um salto de qualidade nessa questão", alerta.

Grzybowski lembra que, de um total de 147 milhões de brasileiros aptos a votar, 30 milhões de eleitores, ou 20,32%, se abstiveram. Dos 117 milhões que votaram, cerca de 3 milhões votaram em branco e 7,2 milhões anularam o voto. No total, brancos, nulos e abstenções somaram 29% do total de eleitores do país.

Na opinião do sociólogo, mobilizar esse contingente de eleitores pode ser decisivo, inclusive porque Bolsonaro não deve conseguir movimentar parcela significativa deles. Ele observa que, pela rejeição que tem, o candidato poder ter chegado próximo ao seu teto, embora ainda tenha algum espaço para crescer.

"Por outro lado, as estratégias de Bolsonaro vão continuar mais fortes do que nunca nas redes sociais", avalia. "E não se trata de inverter o voto desses fanáticos (apoiadores do candidato)– pois tornou-se mesmo um movimento fanático, há violência por toda parte –, mas de tentar mobilizar os quase 30% que não foram votar, que votaram nulo ou em branco. Podemos conseguir talvez 10%."

O professor destaca o papel da chamada "grande imprensa" no atual processo. "A mídia entra forjando o antipetismo, mas não promovendo Bolsonaro tão claramente. Porém, essa mídia foi tolerante com ele."

Para o analista, o candidato do PSL soube usar melhor as novas mídias e redes do que qualquer outro candidato e essa é uma variável fundamental.

Haddad diz ter sido procurado por tucanos em busca de paz para a eleição

Hoje, há analistas e jornalistas comparando o atual processo eleitoral brasileiro com 1989, quando Fernando Collor foi ao segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva e venceu, entre outros fatores ajudado por manipulações de informações e o episódio Abílio Diniz.

Em 1989, havia a questão de corrupção, e Collor se apresentou como alguém que ia combater esse mal, sendo o "caçador da Marajás". O termo foi usado por Bolsonaro nesta terça-feira (9). Ele prometeu "acabar com a farra dos marajás".

"Acontece que Collor não tinha essa postura de feições fascistas de Bolsonaro. Podia ser um oportunista, enquanto Bolsonaro era folclórico, mas nunca escondeu seu autoritarismo, sua visão fascista, misógina, racista, contra direitos. Collor não tinha um discurso dessa ordem", diz Grzybowski.

Entre as semelhanças, estão "os interesses por trás" de Collor e Bolsonaro. "Os dois são instrumentos." Em 1989, estávamos no fim da então "década perdida", já no começo da globalização e de expansão da agenda neoliberal.

"Collor foi visto pelo chamado mercado como uma alternativa naquele quadro. Está sendo a mesma coisa agora. Eles embarcam em qualquer coisa que evite um Estado um pouco mais regulador ou que se volta ao social. Mas, nesse momento, o candidato tem feição fascista, o que é uma diferença importante", aponta o sociólogo.

Como Collor, Bolsonaro, ou os responsáveis por sua campanha, soube captar o sentimento popular que começou com a insatisfação manifestada em 2013, nos movimentos incorporados pela direita. Para Grzybowski, "a esquerda perdeu a oportunidade de entender aquele momento".

Hoje, o sentimento popular clama por emprego e renda e tem sonhos frustrados. São 13 milhões de desempregados. "O acesso à universidade foi real, mas as pessoas estão precisando de trabalho. E agora Bolsonaro representa uma saída, mas uma 'saída sem saída'. O que ele diz? Esse Paulo Guedes (coordenador da área econômica de Bolsonaro)  é do mais radical neoliberalismo."

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