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Atualizado: 1 hora 28 minutos atrás

EDITORIAL | “Sorrir enquanto luta é uma forma de confundir os inimigos”

ter, 13/11/2018 - 11:45
RESISTÊNCIA É com canto, dança, batuque e organização que o povo vem lutando e vai resistir nos próximos períodos Redação | Grafite em homenagem a Mestre Moa do Katendê no Dique Pequeno, em Salvador. Jamile Araújo

No último dia 28 de outubro o povo brasileiro foi às urnas fazer a escolha do próximo Presidente da República. A disputa eleitoral entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) foi marcada pela polarização de dois projetos para o país. De um lado, Haddad trouxe um plano de governo baseado nos direitos dos trabalhadores, garantia da educação e saúde públicas, fortalecimento das empresas estatais, combate às desigualdades sociais, de gênero e racial e geração de emprego. Do outro lado, Bolsonaro propunha o combate à corrupção e aumento da segurança pública, mas com ausência de iniciativas em todas as outras áreas fundamentais para a população. Infelizmente, o vencedor nas urnas foi o projeto de Jair.
Durante o segundo turno, assistimos a denúncia de agressões motivadas pelo discurso de ódio contra as pessoas que defendiam a candidatura de Haddad, mulheres, negros e LGBT. Em Salvador, na madrugada do dia oito de outubro, o Mestre de capoeira Moa do Katendê foi assassinado em um bar por um eleitor de Bolsonaro, após se posicionar em defesa de Fernando Haddad. O autor do crime desconhecia o legado cultural de Moa, o afoxé Badauê e a importância dele para a preservação da memória de resistência e luta dos negros.
No mês da consciência negra, afirmar “Moa Vive!” é afirmar que esse povo está atento para resguardar sua memória. Esse povo que resiste desde que foi trazido escravizado de África nos navios negreiros, que foi explorado e açoitado por mais de três séculos, mas que contribuiu muito na edificação da sociedade brasileira.
Povo que resistiu a uma abolição feita apenas no papel, que teve de lidar com a criminalização da capoeira, dos batuques em locais públicos, e de exercer a religião; que resistiu a uma elite brasileira que sempre esteve no poder, submissa aos interesses internacionais e incapaz de ter um projeto de vida digna para os trabalhadores.
A desigualdade social e racial, a precarização das condições de trabalho, as diferenças de remuneração com mesmo grau de escolaridade, o grande número de negros assassinados versus diminuição no caso de pessoas não negras, mostra que ainda há muito para ser feito, já que a primeira luta é para se manter vivo ao fim do dia.
O povo negro nunca aceitou passivamente o açoite e as péssimas condições de vida. Fugiu das senzalas, criou quilombos e realizou revoltas. Tudo isso em defesa da liberdade e igualdade! Ao longo dos séculos, se organizou em terreiros, em grupos de capoeira, afoxés, blocos afros, movimentos sociais do campo e da cidade. Manter seus costumes a partir da dança, dos tambores, das vestes, da culinária e do sorriso é uma forte característica. O poeta Sérgio Vaz diz que “sorrir enquanto luta é uma forma de confundir os inimigos”. E, sem dúvidas, será com dança, percussão, canto, amor, fé, resistência e luta que vamos enfrentar o próximo período, de um governo que já deu sinais de ser intolerante com a diversidade. Não se pode prever o futuro, mas é certo que esse povo vai quebrar as correntes do mal e construir a alvorada do dia em que não será necessário mais lutar, pois haverá um país justo, onde todos e todas serão iguais.

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Maranhão institui Escolas com Liberdade e sem Censura no estado

ter, 13/11/2018 - 10:55
EDUCAÇÃO Nesta terça (13), o projeto Escola sem Partido será votado na Câmara dos Deputados Mariana Tokarnia, da Agência Brasil | “Falar em Escola Sem Partido tem servido para encobrir propósitos autoritários incompatíveis com a nossa Constituição", disse Dino. Sumaia Villela / Agência Brasil

Na véspera da votação do projeto Escola sem Partido na Câmara dos Deputados, o governador reeleito do Maranhão, Flávio Dino, editou decreto instituindo Escolas com Liberdade e sem Censura no estado. O decreto faz oposição ao projeto que será votado pelos deputados federais, defendido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro.

O texto assegura que todos os professores, estudantes e funcionários são livres para expressar os próprios pensamentos e opiniões na rede estadual do Maranhão.

O decreto estipula ainda que a Secretaria Estadual de Educação deve promover campanha de divulgação nas escolas sobre as garantias constitucionais e previstas em lei de “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber”.

O governador maranhense usou o Twitter para divulgar a edição do decreto. “Falar em Escola Sem Partido tem servido para encobrir propósitos autoritários incompatíveis com a nossa Constituição e com uma educação digna”.

Pelo decreto fica proibido no ambiente escolar cercear opiniões por meio de violência ou ameaças; calúnia, difamação, injúrias e outros atos infracionais; e qualquer pressão ou coação que represente violação aos princípios constitucionais de liberdade no ambiente escolar.

Por fim, o texto estabelece que professores, estudantes ou funcionários somente poderão gravar vídeos ou áudios durante as aulas e demais atividades de ensino com a autorização de quem será filmado ou gravado.

Escola sem Partido

Já projetos de lei com conteúdos semelhantes ao do Escola sem Partido tramitam tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Para amanhã (13), está agendada a votação do projeto na Câmara. A proposta é incluir entre os princípios do ensino o respeito às convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis, dando precedência aos valores de ordem familiar sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa.

O projeto estabelece que as escolas tenham cartazes com deveres do professor, entre os quais está a proibição de usar sua posição para cooptar alunos para qualquer corrente política, ideológica ou partidária. Além disso, o professor não poderá incitar os alunos a participar de manifestações e deverá indicar as principais teorias sobre questões políticas, socioculturais e econômicas.

O Escola sem Partido é polêmico. Os defensores dizem que professores e autores de materiais didáticos vêm se utilizando de suas aulas e de suas obras para tentar obter a adesão dos estudantes a determinadas correntes políticas e ideológicas.

Já os críticos dizem que as leis atuais já impedem qualquer tipo de abuso por parte dos professores e que um projeto como o Escola sem Partido vai gerar insegurança nas salas de aulas e perseguição aos docentes.

Após as eleições, a deputada estadual eleita pelo PSL, mesmo partido de Bolsonaro, Ana Caroline Campagnolo, fez uma publicação nas redes sociais incentivando que estudantes gravassem as aulas e denunciassem, por meio de um canal criado por ela, professores que fizessem manifestações contrárias ao presidente eleito. A Justiça determinou que ela retirasse a publicação das redes.

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Principal ministério do novo governo do México será comandado por uma mulher

ter, 13/11/2018 - 10:41
Progressista Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Olga Sánchez Cordero fornece um panorama da futura administração Fania Rodrigues | Olga Sanchéz Cordero assume a Secretaria de Governo no governo progressista de Andrés Manuel López Obrador (AMLO) Fotos: Morena

Ex-ministra da Suprema Corte de Justiça, Olga Sánchez Cordero encabeçará a linha de frente do governo do presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, que assume no dia 1º de dezembro. López Obrador, que foi eleito no dia 20 de julho pelo Movimento Regeneração Nacional (Morena), será o primeiro presidente a romper com o bipartidismo do Partido Revolucionário Institucional (PRI) e do Partido de Ação Nacional (PAN), que governaram o país por mais de 90 anos.

Magistrada da Suprema Corte, entre 1995 e 2015, e professora de direito da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), Olga Sánchez será a ministra da Secretaria de Governo, que no México equivale ao Ministério da Casa Civil do Brasil. Portanto, trata-se do principal ministério do governo de López Obrador, que promete ter como bandeiras temas como a regularização do uso recreativo da maconha, uma política de segurança mais humanitária, mudança no tratamento dado aos imigrantes centro-americanos que passam pelo México em direção aos Estados Unidos.

:: Confira a cobertura completa das Eleições Mexicanas 2018 ::

Em uma entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, a futura ministra mexicana fornece um panorama de como será o governo de López Obrador, que tem em sua equipe de governo nomes que representam diferentes espectros ideológicos.

Um deles é o empresário Alfonso Romo, chefe do gabinete da Presidência, responsável pela condução da estratégia econômica do governo. Ele representa o lado mais liberal do novo governo mexicano.

Por outro lado, está a engenheira agrônoma María Luisa Albores González, conhecida por sua atuação à frente de cooperativas camponesas e o trabalho com movimentos populares. Ela chefiará a secretaria de Desenvolvimento Social, que mudará o nome para Secretaria de Bem-Estar Social, de acordo com anúncio de López Obrador. Também será responsável por políticas de distribuição de renda, geração de emprego e redesenho das políticas públicas para melhorias nas condições de vida da população mais pobre, assim como ações para os setores camponeses. Segundo o porta-voz do futuro mandato de López Obrador, Jesus Ramírez Cueva, essa pasta terá um dos maiores orçamentos do governo.

Dentro desse contexto, a futura ministra Olga Sánchez terá um papel central na execução das políticas públicas, que pretende ser a marca principal desse governo progressista. Além disso, deverá atuar na mediação dos conflitos entre o setor liberal e o de esquerda, que vão compor a nova equipe que governará o México nos próximos seis anos.

Nesta entrevista, Olga Sánchez fala sobre quais serão as linhas gerais do próximo governo. Confira:

Brasil de Fato: O programa de governo do presidente eleito, Andrés Manuel López Obrador, apresenta dois projetos claros. Um mais liberal e outro mais à esquerda, dirigido à classe popular. Mas no campo econômico o que será feito? Ele vai reverter as privatizações feitas nos últimos anos, por exemplo?

Olga Sanchéz Cordero: Não, ele não vai reverter nenhuma [privatização]. Ele vai respeitar as privatizações. No campo social o que haverá serão, sobretudo, mudanças nas políticas sociais. A política econômica terá os mesmos parâmetros e praticamente as mesmas condições que temos agora. Não haverá controle de câmbio, haverá autonomia do Banco Central do México, não haverá privatizações, mas tão pouco desapropriações. Vamos revisar os contratos [com o setor privado petroleiro], isso sim. E se forem lesivos ao Estado [mexicano], vamos recorrer à Justiça e às instâncias internacionais para resolver as possíveis controvérsias.

A senhora será ministra da Secretaria de Governo, um órgão que concentra várias pastas. Como ficará essa questão da distribuição dos poderes desse superministério?

Será dividido. Para a pasta de Segurança Pública será criado um novo ministério. Vou ficar com as pastas de Migração, Direitos Humanos e a de Governo, que é quem faz a relação com os poderes públicos, órgãos do governo e os três poderes do Estado. Em relação à segurança, minha participação se resumirá a um assento no Conselho de Segurança [um órgão multidisciplinar], que se reunirá todos os dias às 6h da manhã para analisar as questões policiais urgentes.

Vamos falar sobre migração. Quais serão as principais mudanças nessa área? A senhora confirma a informação de que a sede desse órgão do governo será transferida para Tijuana, na fronteira com os EUA?

Isso é verdade. E a política migratória será baseada no respeito aos direitos humanos. Porque não podemos reclamar de como os Estados Unidos tratam os imigrantes quando nós também tratamos mal aos imigrantes que estão aqui. Então, vamos mudar a maneira como tratamos o tema da migração para respeitar os direitos de todos os imigrantes que entram em nosso país. No nosso caso, não temos previsto delitos por emigração, são apenas multas administrativas. Nos Estados Unidos, em alguns casos, sim, são penalizados como delitos à estância migratória. 

A política migratória do México mudará, então? 

Vamos respeitar os direitos humanos.

A senhora foi presidenta da Suprema Corte, um setor mais conservador do Estado. Ainda assim a senhora considera que vem das bases da esquerda?

Sim, eu sempre me coloquei à esquerda. Inclusive em todas as minhas resoluções na Suprema Corte, durante mais de 20 anos, eu sempre me considerei uma pessoa de esquerda e liberal, ou seja, que defende a proteção dos direitos humanos para todos, ampliação dos direitos, sobretudo em temas como a despenalização do aborto, matrimônio igualitário, uso lúdico da maconha. Em muitos temas que são bandeiras de esquerda. Todas as minhas resoluções na Suprema Corte foram nesse sentido.

Também me referia à questão partidária?

Nunca fui de nenhum partido político, nunca militei em partidos.

A pergunta que queria chegar era: que tão de esquerda ou liberal será o governo de López Obrador? Será um governo de esquerda?

Creio que você pode entender como um progressista. Se quiser colocar o termo, então pode-se dizer esquerda-progressista ou social-democrata. Mas, será mais próximo a um governo progressista. 

E como será a relação com países latinos, sobretudo com a Venezuela?

Creio que Andrés Manuel já falou claramente sobre esse tema. A diplomacia mexicana é conhecida por conservar três princípios fundamentais. O princípio da autodeterminação dos povos, da não-intervenção e o repeito à soberania de todos os países. Esses princípios estão claros para Andrés Manuel, e ele quer retomar essa tradição diplomática, da autodeterminação dos povos e o respeito à soberania e, sobretudo, a política de não-intervenção. Então, está claro que não vamos intervir e vamos respeitar a autodeterminação da Venezuela e de todos os povos.

Gostaria de falar da eleição, pois a diferença de votos entre o presidente eleito, Andrés Manuel Lopez Obrador, em relação ao candidato que ficou em segundo lugar foi ainda maior do que a projeção das pesquisas eleitorais. Qual é a mensagem política dos eleitores?

A mensagem é muito clara. A população quer mudança, uma guinada no rumo do país. Isso foi o que se demonstrou nas urnas. O povo do México quer mudança, essa é a tarefa que nós temos. Nunca foi tão claro que o que se quer é mudança na política pública, social, de estratégia contra a delinquência e alterações na segurança pública. 

Virão, então, mudanças significativas?

Claro, isso é o que estamos propondo. Em relação à correlação de forças no Congresso, temos maioria, mas não é absoluta. Vamos ter que construir com outras forças políticas, porque é importante que todas as vozes que estão representadas nesses partidos tenham uma construção importante junto ao Morena, que tem o maior número de deputados e de senadores. Vamos ser inclusivos e vamos levar em conta todas as opiniões, porque eles representam a população e as forças políticas diversas. É muito importante destacar que vamos ser inclusivos. Andrés Manuel sustenta que haverá inclusão política e inclusão social como base para um México diferente, mas com todos.

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No Recife, Boulos defende que momento atual exige união das forças democráticas

ter, 13/11/2018 - 10:22
DEMOCRACIA Na UFPE, dirigente do MTST fez críticas a medidas anunciadas por Bolsonaro e apontou desafios para os próximos períodos Marcos Barbosa | Atividade aconteceu no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco Marcos Barbosa

Na noite desta segunda-feira, Guilherme Boulos, candidato à presidência pelo PSOL nas últimas eleições e dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), esteve na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) dialogando com estudantes, técnicos e professores, em evento organizado pela Frente Povo Sem Medo. A ação reuniu cerca de 900 pessoas e assumiu um tom crítico em relação às recentes ameaças sofridas por alunos e professores da universidade, apontando o evento como uma resposta a essas tentativas de intimidação.

Antes da fala de Guilherme Boulos, outros nomes da cena política pernambucana realizaram breves discursos, dentre eles Dani Portela (PSOL), Amanda Palha (PCB) e Eugênia Lima (PSOL). Também Jô Cavalcanti (PSOL) fez um breve discurso enquanto representante das Juntas, grupo de cinco mulheres que inauguram uma experiência de mandato legislativo coletivo, grande novidade das últimas eleições aqui no estado. Nos pronunciamentos, foram mencionados temas como a necessidade de defesa da democracia e o papel da universidade como espaço de livre pensamento. Todas as falas trouxeram também severas críticas ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e ao projeto Escola Sem Partido, apoiado pelo futuro governante do país.

Guilherme Boulos iniciou seu discurso “parabenizando” Pernambuco e relembrando que, aqui no estado, Jair Bolsonaro foi derrotado nas urnas, apresentando o nordeste como importante polo de resistência ao conservadorismo. O dirigente do MTST também afirmou que Bolsonaro foi “eleito presidente, não imperador ou ditador”, completando que o futuro presidente, que já fez declarações autoritárias e de fechamento para o diálogo com a oposição política, terá que se submeter à Constituição e respeitar as garantias constitucionais e liberdades democráticas, dentre elas a de expressão e opinião.

 Em seguida, Boulos fez críticas ao projeto de governo de Bolsonaro, definido por ele como “liberal na economia, autoritário na política e moral nos costumes”. Dentre as principais medidas já anunciadas por Bolsonaro, Boulos destacou a Reforma da Previdência, o fim do Ministério do Trabalho, a “Lei Antiterrorismo” e o projeto Escola Sem Partido como exemplos de retrocessos para a democracia brasileira. Também foi lembrado, em sua fala, o ex-presidente Lula da Silva, atualmente preso de maneira injusta, segundo o dirigente do movimento sem teto, que aproveitou o momento para fazer uma fala em defesa de sua liberdade.

Em relação à extinção do Ministério do Trabalho, Guilherme Boulos alertou que é nesse ministério onde está sediada a fiscalização de trabalho escravo, infantil e todas as outras violações de direitos no mundo do trabalho. Sobre a Lei Antiterrorismo, ele disse que os movimentos sociais seguirão resistindo e fazendo oposição ao governo conservador e que a única forma de acabar com movimentos como o Sem Teto e o Sem Terra é fazendo reforma urbana e agrária. A respeito do projeto Escola Sem Partido, Boulos declarou que Bolsonaro e seus apoiadores “querem impor um projeto de escola com censura”, enquanto que as forças progressistas defenderiam “escolas e universidades democráticas, espaços de resistência à intolerância e ao pensamento único”.

Desafios para as forças democráticas

Antes de concluir seu discurso, Guilherme Boulos afirmou que a conjuntura política atual exige que as forças democráticas estejam atentas a três importantes desafios. O primeiro deles seria a construção de uma Frente Ampla Pela Democracia, para defender as liberdades democráticas e os direitos, frisando que o momento exige que “diferenças sejam minimizadas em prol daquilo que é comum e une a todos os setores preocupados com a democracia”.  

A segunda tarefa apontada seria focar no “trabalho de base, retomar a conexão com o povo e parar de falar apenas para nós mesmos”, reforçando que muitos setores da sociedade que votaram em Bolsonaro são formados por setores das classes médias e baixas desiludidos com o sistema político mas que, em breve, perceberão as contradições do governo do presidente eleito, de forma que é importante estar aberto para dialogar com esses grupos. O terceiro e último desafio apontado é “não abrir mão dos nossos sonhos”, afirmando que é preciso continuar lutando pela construção de um país sem machismo, racismo e LBGTfobia.

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Empresa pagou diária pela metade para obra em Interlagos, relatam moradores de rua

ter, 13/11/2018 - 10:18
São Paulo Prefeitura da capital questiona a informação de os trabalhadores foram contratados de forma inadequada Eliane Gonçalves | O autódromo de Interlagos foi palco nesse final de semana do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. EBC

O autódromo de Interlagos foi palco nesse final de semana do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.

Esporte que atrai um seleto grupo de fãs dispostos a pagar desde 610 reais, pelo ingresso mais barato, até 15 mil 980, pelo mais caro.

Já as estruturas de arquibancadas e camarotes que abrigaram cerca de 140 mil pessoas foram montadas com a ajuda de moradores de rua e de albergues da cidade de São Paulo.

Segundo os organizadores da corrida, a responsabilidade pela montagem da infraestrutura é da prefeitura, que por sua vez contratou uma empresa para preparar o evento.

Coube à MM Faleiros, empresa com sede em Franca, no interior do estado, a montagem da infraestrutura. Mas para executar o contrato de 7 milhões e seiscentos mil reais, a empresa contratou outras empresas, num esquema de quarteirização.

Quem foi chamado para fazer a tarefa explica que recebeu 50 reais por jornadas que chegavam a 12 horas. O valor corresponde a metade do que seria pago no mercado e a jornada excede em um terço o período padrão para a mesma diária, que é de 8 horas.

Quem trabalhou prefere não se identificar.

Outros enventos também lançam mão dessa estratégia.  As pessoas são escaladas para o trabalho em pontos definidos da cidade, viadutos ou praças .  O uniforme é a garantia de que a pessoa vai receber o pagamento. Já os equipamentos de proteção ficam por conta de quem foi escalado.

Segundo a assessoria de imprensa do Grande Prêmio Brasil,  o trabalho é vistoriado pelo Ministério do Trabalho, Corpo de Bombeiros e pela própria prefeitura  e a organização do Grande Prêmio do Brasil de F1 segue estritamente todas as normas de segurança do trabalho.

Já a prefeitura de São Paulo disse que a não procede a informação de que moradores de rua foram contratados em condições inadequadas para montar as estruturas do evento da corrida e que todos os colaboradores contratados por terceiros são fiscalizados e registrados , inclusive com o fornecimento de Equipamento de Proteção Individual e salários compatíveis com a categoria profissional.

A empresa MM Faleiros disse que as atividades realizadas pela empresa no autódromo foram fiscalizadas na semana que antecedeu a corrida pelo Ministério do Trabalho. 

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Petrolina está de volta ao Pernambucano

ter, 13/11/2018 - 10:00
Gol de Placa Após hiato, cidade volta ao estadual 2019 Da Redação | Clube sagrou-se campeão da Série A2 do estadual Adolfo Júnior

Após alguns anos sem representação na divisão principal do Campeonato Pernambucano, a cidade de Petrolina volta ao estadual 2019. Isso porque o clube homônimo sagrou-se campeão da Série A2 do estadual de forma invicta e conquistou a décima vaga no Pernambucano 2019. Comandada pelo experiente Pedro Manta, a Fera Sertaneja disputou a final contra o Centro Limoeirense, empatando em 1x1 em Limoeiro, mas levantando a taça com um convincente 3x0 no estádio Paulo Coelho.

Na primeira fase jogaram 15 clubes divididos em quatro grupos. Já nesta fase o Petrolina mostrou a que veio: foram 5 vitórias e 1 empate, equipe que mais pontuou. No mata-mata foram 3 vitórias e 3 empates. Nas quartas de final a Fera passou pela Cabense; o Centro Limoeirense venceu o Porto; o Decisão/Bonito superou o Vera Cruz; e o Serrano eliminou o Íbis. Nas semifinais o Petrolina bateu o Decisão, enquanto o Centro superou o Serrano. O artilheiro da competição foi Daniel Floro, do Centro Limoeirense, com 7 gols.

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Deputada mais jovem da história dos EUA é latina e socialista

ter, 13/11/2018 - 09:56
Eleições midterm Com 28 anos, Alexandria Ocasio-Cortez foi eleita pelos bairros do Queens e do Bronx, na cidade de Nova York Lucas Estanislau | O sucesso de Cortez nas primárias confirmou o potencial da candidata democrata Reprodução/Facebook

Nas eleições de meio de mandato norte-americanas, realizadas no dia 6 de novembro, os bairros do Queens e do Bronx, na cidade de Nova York, escolheram uma mulher latina de 28 anos, socialista e filha de porto-riquenha para representá-los na Congresso. Dez meses depois de deixar seu emprego como garçonete em um restaurante mexicano, Alexandria Ocasio-Cortez derrotou o republicano Anthony Pappas com 78% dos votos e se tornou a mais jovem congressista da história dos EUA.

Formada em economia e relações Internacionais pela Universidade de Boston, Cortez surpreendeu durante as primárias do partido Democrata ao derrotar o experiente congressista Joe Crowley e iniciou uma campanha vitoriosa para o Congresso, onde, a partir de 2019, irá representar o 14º distrito de Nova York.

Filha de mãe porto-riquenha e pai nova-iorquino, Ocasio-Cortez já havia trabalhado como voluntária na campanha presidencial de Barack Obama, em 2008. No ano seguinte, ainda caloura do curso de bioquímica - o qual abandonou depois de um semestre -, trabalhou no gabinete do então senador democrata por Massachusetts Ted Kennedy (1932-2009). 

Em 2016, a ativista se engajou de vez na atividade política quando ajudou a organizar a campanha do democrata socialista Bernie Sanders para as primárias do partido Democrata, durante as quais ele disputou com Hillary Clinton a vaga para concorrer à Presidência. 

De salão de beleza a comitê de campanha

Em um local que costumava ser um salão de beleza, Ocasio-Cortez organizou o comitê de campanha de Sanders no Bronx. Rapidamente, o lugar se tornou um centro ativo de discussão política. Membros de grupos como o Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em tradução livre), líderes comunitários, sindicalistas de diversas categorias, ambientalistas, feministas, ativistas LGBTs e socialistas democratas passaram a se reunir no comitê montado pela jovem.

Clinton saiu vitoriosa nas primárias dos democratas, mas acabou perdendo as eleições para o atual presidente dos EUA, Donald Trump. A movimentação de base do partido Democrata, porém, ficou, e ainda cresceu e prosperou em 2018, quando ocorreram as midterms.

Poucos recursos, diálogo e base

Seguindo o exemplo da campanha de poucos recursos, baseada em diálogo e movimentação de base, apoiadores de Sanders criaram o Brand New Congress, algo como "Congresso Novo em Folha", um movimento que adotou esses princípios como estratégia fundamental para lançar candidaturas ao Congresso nas eleições de 2018.

Ocasio-Cortez surgiu dentro do movimento como um dos nomes para disputar um assento na Câmara dos Representantes. Ela começou a receber apoio técnico para iniciar sua campanha nas primárias. 

À época, ela já havia voltado a morar no Bronx e trabalhava em empregos temporários como garçonete e balconista - ocupações que evitavam que ela se afastasse da família: a mãe, Blanca, passava por dificuldades financeiras e trabalhava como faxineira depois da morte do marido. 

Com ajuda do Brand New Congress, Ocasio-Cortez deixou de servir mesas em um restaurante mexicano de Nova York e foi fazer campanha, agora, para si própria.

Primárias: campanha na rua

Na disputa pela vaga dentro do partido Democrata, a jovem ativista enfrentou o experiente deputado Joseph Crowley, que vinha de reeleições sucessivas. A campanha modesta de Ocasio-Cortez, sustentada por pequenas doações e forte atividade de base, parecia não representar uma ameaça para o tradicional candidato.

Ocasio-Cortez, então, foi para a rua. A campanha foi marcada por diversas ações diretas para angariar votos, como abordagens em praças públicas, parques, estações de metrô, envio de mensagens de texto, telefonemas e, até mesmo, batendo de porta em porta. Voluntários ajudavam a candidata na campanha.

Por sua vez, Crowley fazia o que havia garantido sua vitória nos anos anteriores naquele distrito tradicionalmente democrata: apostou em reuniões formais e pouca atividade de base.

Além disso, Ocasio-Cortez recebeu apoio de movimentos que espontaneamente deram suporte à candidatura. À revista New Yorker, Virginia Ramos, uma das coordenadoras da campanha, disse que organizações como Bronx Progressive, Queens Neighborhoods United, Black Lives Matter e, principalmente, os Socialistas Democráticos da América “abriram caminho para a vitória”.

Ocasio-Cortez venceu Crowley com 57,13% dos votos e se credenciou para disputar a eleição geral.

Midterms

O sucesso da jovem latina e socialista nas primárias confirmou o potencial da candidata democrata perante o rival republicano que enfrentou nas midterms. Anthony Pappas, um professor de economia de 72 anos, filiado ao partido Republicano, baseou sua campanha em um discurso conservador sobre “imunidade judicial”, repetindo que “ninguém está acima da lei” e que estaria em “uma missão”, em uma campanha baseada em postagens simples no Facebook.

Com 78% dos votos, Cortez saiu vitoriosa das eleições de meio de mandato e deu continuidade à hegemonia democrata no 14º distrito de Nova York. 

Após eleita, em entrevista ao New York Times, Ocasio-Cortez disse que teme não conseguir bancar um apartamento em Washington e que talvez terá que esperar pelo primeiro salário para se mudar para capital. "Eu tenho três meses sem salário antes de me tornar membro do Congresso. Então, como posso arrumar um apartamento? Essas pequenas coisas são muito reais."

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Seminário sobre conjuntura mundial e desafios para o Brasil ocorreu na UFRJ

ter, 13/11/2018 - 09:00
GEOPOLÍTICA Debate sobre mudanças nas tendências hegemônicas globais vão além da questão econômica e englobam ciência e tecnologia Clivia Mesquita | Ao todo, serão dez encontros, a expectativa é produzir coletivamente um livro com reflexões levantadas ao longo dos debates  Foto: André Cardoso

Na última segunda-feira (12) ocorreu o primeiro seminário organizado por centros de pesquisa e organizações populares e sindicais sobre a conjuntura mundial e os desafios para América Latina e Brasil. Serão dez encontros até o final deste ciclo, a expectativa é produzir coletivamente um livro com reflexões levantadas ao longo dos debates. 

O evento foi promovido pelo Núcleo de Estudos do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ) sobre Geopolítica, Sistema Mundial e Integração Regional (GIS/UFRJ) e lotou o Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Largo São Francisco de Paula, centro do Rio de Janeiro.

Na mesa de abertura, a professora da UFRJ e diretora de pesquisa da Cátedra e Rede UNESCO sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (REGGEN), Mônica Bruckmann, falou sobre a importância de fortalecer posicionamentos que visam atuar de maneira propositiva na sociedade, aproximando a academia dos movimentos populares.

Também falaram na abertura do evento Sergio Sant'anna, do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e Olímpio Alves dos Santos, do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (SENGE-RJ), que comentou sobre o desafio de construir uma frente política democrática diante de um governo de extrema-direita no país. “O Brasil não está imune às mudanças mundiais”. 

Compuseram a mesa o Instituto Tricontinental, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o ex alto representante do Mercosul Samuel Pinheiro Guimarães. 

Novas tendências mundiais 

Nesta primeira parte, o seminário analisou os  aspectos geopolíticos em andamento e de integração regional como a emergência da região asiática e particularmente da China como grande articulador de novas tendências na economia.

A professora adjunta do departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Beatriz Bissio fez uma breve apresentação com o questionamento: “Esse novo arranjo mundial pode mudar o futuro do mundo?”  na primeira parte do seminário, indicando a queda da liderança dos Estados Unidos no cenário internacional. “O declínio do ocidente aponta para a formação de um mundo multipolar, com Rússia e China como atores de destaque”. 

Segundo Bruckmann, o deslocamento de hegemonia para o campo asiático do globo não se dá apenas no nível econômico. Ela vai além, e afirma que a China tem disputado ciência, tecnologia e pesquisa de ponta em áreas que eles consideram estratégicas. Para ela, o principal desafio é entender o papel da integração regional dos países da América Latina, uma vez que a economia mundial vai demandar recursos naturais. 

Anna Esther Ceceña, coordenadora do Observatório Latino-Americano de Geopolítica e professora da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) participou do seminário por videoconferência. “Estamos em uma época de transição, para uma nova hegemonia mais oriental, asiática, e quem sabe uma alternância de hegemonia dentro do capitalismo”, destaca. Ela falou sobre a estreita relação entre hegemonia e disputa de territórios, maneiras de produzir e compreender o mundo.
 

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O recado que vem do Nordeste: a resistência pulsa forte

ter, 13/11/2018 - 09:00
coluna A história depende de nós Aristóteles Cardona Júnior | Ato Semiárido pela Democracia reuniu cerca de 30 mil pessoas de vários estados do Nordeste em resistência à candidatura de Bolsonaro Vinícius Sobreira

Passados alguns dias da confirmação da vitória de Bolsonaro para a presidência, a sensação é que a poeira começa a baixar e agora temos a possibilidade de entender os aspectos que permitiram a vitória de um candidato de extrema-direita nestas eleições.
De toda forma, não dá para escapar do resultado final e do sentimento de derrota que nos abateu. São muitos e incômodos os motivos que nos levaram a este sentimento após o dia 28. Mas, certamente, o incômodo maior reside na percepção do quão retrógrada e prejudicial ao seu povo é a agenda que o próximo governo tentará colocar em prática em nosso país. Autoritarismo político associado a uma agenda ultra-neoliberal de ataques aos direitos sociais.

Num momento como este é preciso conseguir ter tranquilidade para planejar e agir de uma maneira condizente com a realidade. Em primeiro lugar, é tarefa de cada militante prezar por sua saúde física e mental, assim como de todos e todas que nos cercam. Precisamos estar bem para conseguirmos dar conta da realidade da melhor forma possível.

Outro passo é buscar entender cada vez mais este processo pelo qual passa o Brasil, mas que vem ocorrendo em outras partes do mundo. Há um avanço do conservadorismo na sociedade. E foi neste fértil terreno que as Fake News ganharam espaço através das redes sociais, especialmente o Whatsapp, e provocaram grande estrago. Cabe agora que busquemos entender melhor este processo e, principalmente, como melhor construir a disputa da sociedade, não deixando isso apenas para os períodos eleitorais.

Não quero deixar de destacar pontos positivos, como a vitória de todos os candidatos a governador do campo mais progressista na região Nordeste. Inclusive, a eleição de Fátima Bezerra, do PT do Rio Grande do Norte, única mulher eleita governadora em todo o país. Se desta vez, nós, nordestinos, não conseguimos impor derrota ao campo da direita, certamente deixamos o recado da resistência que pulsa, e pulsa forte, em nossas veias.

Que nos preparemos e tenhamos muita paciência. As novas condições exigem muito mais preocupações com a segurança de toda a militância. Precisamos saber nos preservar. Penso que nossa grande tarefa é saber encontrar a mediação entre nosso papel histórico de lutar e a necessidade que temos de preservar as nossas forças. Afinal, a história depende de nós e tenho certeza que estamos ao lado das pessoas certas. Que sigamos juntos.

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Coluna Coral | De ovo em ovo...

ter, 13/11/2018 - 09:00
Coluna dos Clubes Houve muito "disse e me disse" sobre a venda de ovos pela diretoria do Santa Cruz... Stella Nascimento | O treinador Léston Júnior foi o escolhido por Tininho e sua diretoria para assumir o comando técnico do Mais Querido Botafogo PB/Divulgação

Eu não poderia começar esta coluna de maneira diferente. Depois de tanto ‘disse e me disse’ sobre a venda de ovos pela diretoria do Santa Cruz para ajudar com as despesas do clube e do CT, chegou a hora de falar sério sobre as coisas. O treinador Léston Júnior foi o escolhido por Tininho e sua diretoria para assumir o comando técnico do Mais Querido.

Com um acesso comandando a equipe do Tupi-MG, o jovem treinador tem um requisito que eu já abordei aqui: conhecimento em trabalhos de base. Afinal de contas, sabemos a quem sempre se recorre quando o bolso aperta. Para ajudar no trabalho, Luciano Sorriso é o novo executivo de futebol do Santa, e vai auxiliar na vinda dos jogadores para a próxima temporada. Leston quer começar ainda este mês os treinamentos, então teremos um fim de ano daqueles.

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Ouça o Programa Brasil de Fato – Rio de Janeiro – 09/11/18

ter, 13/11/2018 - 08:30
Rádio A tragédia em Niterói e as mães vítimas da violência de Estado são os destaques da edição Redação | O desmoronamento no Morro da Boa Esperança, em Niterói, deixou quinze pessoas mortas e 22 famílias desabrigadas Fernando Souza/AFP

O programa da última segunda-feira (12) fala sobre o desastre ocorrido no fim de semana em Niterói e sobre o cotidiano das mães que tiveram seus filhos mortos pelas forças de segurança do Estado do Rio. 

Em entrevista, Sidnea Missel, moradora do Morro da Boa Esperança e integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), conta a experiência de quem presenciou o deslizamento e acompanha a situação de instabilidade dias após o desastre.

Ana Paula Oliveira, pedagoga e cofundadora do Movimento Mães de Manguinhos, fala sobre a realidade das mães que tiveram seus filhos mortos em operações policiais em favelas do Rio e sobre a morte de Janaína Soares, que morreu sem saber o final da investigação sobre a morte do filho.

O programa traz ainda as informações da visita da Comissão interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ao Rio.

Em reportagem, a demora na regularização de mais de cinco mil comunidades quilombolas e o risco de novas mudanças no Estatuto do Índio que podem significar a retirada de mais direitos dos indígenas no Brasil.

Confira também a análise dos jogos do fim de semana no Papo Esportivo.

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Abriu-se a porteira da absoluta ingovernabilidade no Brasil, diz Paulo Arantes

ter, 13/11/2018 - 08:23
Incógnita Filósofo marxista analisa eleição de Bolsonaro e fissuras do campo popular desde a ditadura militar de 1964 Rute Pina e Emilly Dulce | Arantes foi um dos mais importantes intelectuais ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), até romper com o partido, em 2003 Brasil de Fato

Conhecido por definir o Brasil como uma "democracia de baixa intensidade" ou "democracia racionada", o filósofo Paulo Arantes não explicaria o fenômeno Bolsonaro por essa perspectiva. Para analisar a vitória do candidato da extrema direita nas eleições deste ano, o professor aposentado do departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) questiona, inicialmente, qual é o tipo de regime que vivemos desde o fim da ditadura militar (1964-1985). Segundo ele, o Brasil está ingovernável e o pilar desse contexto é o renascimento da política como luta. 

"A encrenca brasileira é essa: abriu-se a porteira da absoluta ingovernabilidade no Brasil. O que nós temos agora é um comportamento destrutivo da classe dominante brasileira que está apostando todas as fichas em tirar sua castanha do fogo com o braço da delinquência fascista. Ferre-se o resto. E isso é realmente o inacreditável. Houve várias chances de acordo desde que se instaurou a crise na Era Lulista. Mas eles resolveram puxar o tapete, fazer o impeachment e abrir a porteira do inferno. Um caos político e social", avalia, em entrevista ao Brasil de Fato

Arantes foi um dos mais importantes intelectuais ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) até romper com o partido, em 2003. Autor de 12 livros e importante pensador marxista, ele avalia que o campo popular precisa mirar sua política para além da próxima eleição. 

"O prisma para se entender o que ocorreu agora é o renascimento da política. Nós não imaginávamos. Quando eu digo nós, eu estou falando, sobretudo, da esquerda. Nós estávamos completamente anestesiados com um tipo de esquerda que se consagrou com a abertura [pós ditadura], dos anos 1990 em diante, que é uma esquerda que pensa em governo e não se imagina fora dele, uma esquerda para governar. Essa é a grande novidade do petismo e, portanto, gestionária", argumenta o filósofo. 

Confira a entrevista na íntegra. 

Brasil de Fato: Você sempre alertou para o que chamamos de "democracia de baixa intensidade". E agora, nestas eleições, tivemos a consolidação de candidatos como Jair Bolsonaro e uma bancada forte de deputados, por exemplo, do MBL [Movimento Brasil Livre], de movimentos que pautaram sua campanha no ódio, em posições antidemocráticas. O que significa a ascensão destes movimentos neste contexto?

Paulo Arantes: Está todo mundo em um estado catatônico. A expressão "democracia de baixa intensidade" não sei se ainda a adotaria. É uma analogia com "guerras de baixa intensidade". O Lincoln Secco prefere uma denominação do [Carlos] Marighella: democracia racionada. 

Está todo mundo em um estado catatônico. A expressão "democracia de baixa intensidade" não sei se ainda a adotaria. É uma analogia com "guerras de baixa intensidade". O Lincoln Secco prefere uma denominação do [Carlos] Marighella, democracia racionada.

Por um lado, eu acho que eu não começaria discutindo pela questão da democracia para entender o fenômeno Bolsonaro. Não é que tenhamos uma democracia ruim, incompleta, de baixa intensidade, racionada, assim por diante, que tornou possível a vitória dele. Teria sido possível uma vitória do outro lado e, nem por isso, eu iria desqualificar porque a democracia não é intensiva, digamos assim. Eu acho que a boa pergunta seria que regime é esse no qual nós vivemos desde o fim da ditadura?

O prisma para se entender o que ocorreu agora é o renascimento da política. Nós não imaginávamos. Quando eu digo nós, eu estou falando, sobretudo, da esquerda. Nós estávamos completamente anestesiados com um tipo de esquerda que se consagrou com a abertura [pós ditadura] em diante, dos anos 1990 em diante, que é uma esquerda que pensa em governo e não se imagina fora do governo. Uma esquerda para governar. Essa é a grande novidade do petismo e, portanto, gestionária.

De tal maneira nós estávamos impregnados por essa ideia que nós, de certa maneira, tínhamos abandonado a ideia clássica de política como conflito social canalizado em torno de algumas grandes expectativas -- e nos aferramos à ideia de gestão, governo e administração. E eu acho que estava subentendido que não haveria mais política. No fundo, era isso: a política tinha se resumido na disputa dos fundos públicos e políticas orçamentárias alternativas e como encaminhar esses fundos através de políticas públicas conquistadas ou implementadas através de negociações com o Congresso, lobbys e assim por diante.

A ideia de eleição ou alternância de poder praticamente era uma rotina sem nenhum significado político. Isto é, por mais acirrados que fossem os embates nas campanhas eleitorais que acontecessem de dois em dois anos -- e dá uma ilusão de mobilização em torno de projetos, mas são projetos de poder em disputa eleitoral. E isso não muda estruturalmente nada. Se a gente imagina a alternância do FHC e Lula, a política econômica basicamente tem um fundo comum. Tanto é que se tira e põe o [Henrique] Meirelles, que é pau para toda obra. Nós achávamos que não haveria mais inovação política, que seria representada pelos dois projetos que se alternavam, tucanos, ortodoxia e um governo social, digamos assim. Mas o pano de fundo era o mesmo. Nós, nos anos 1990, definimos quais eram os dois projetos em disputa e, a partir disso, eles poderiam se alternar sem que houvesse nenhuma quebra, nenhum tipo de ruptura.

O que, de certa maneira, indica que nós havíamos desistido da ideia de política enquanto transformação ou como conquista, luta. Ora, a direita reinventou isso. Nós estamos presenciando um retorno da política pela extrema direita, se nós imaginarmos que havia um bloco só de centro-direita e centro-esquerda que convergia ao centro e a política era uma variação macroeconômica em torno disso e uma maior intensificação ou não de programas sociais compensatórios, emancipatórios.

Do ponto de vista do rumo nacional a ser disputado, nada mais poderia ocorrer. E eis que de maneira surpreendente, a partir de 2013, aparece uma nova direita. E essa nova direita dá um trança-pé e contorna a centro-direita e a centro-esquerda ao mesmo tempo, o que faz como ela apareça configurando um só establishment. Então, o lulismo está sendo defenestrado assim como o tucanismo, porque não são identificados como parte do establishment. Não é apenas demagogia populista o sistema contra o sistema porque eles foram identificados como tal, são governos. E a grande reviravolta que aconteceu foi contra o establishment. E em condições que nem a esquerda exasperada poderia imaginar.

multidões manifestação corrupção cbf ódio

Para o filósofo, o golpe, da centro-direita, foi apropriado pelos campos conservadores extremistas. (Foto: Fábio Flora)

Como o senhor avalia o papel das fake news nesse contexto?

Por mais que se fala em financiamento externo ou fake news, isso é absolutamente irrelevante. O fato de que um pequeno grupo folclórico, até então, de extrema direita conseguiu, por uma espécie de sexto sentido, enxergar alguma coisa ante de si e, pelo simples faro, dizer 'é a nossa hora' e contornar um sistema político e de financiamento de campanha, contornar os grandes partidos políticos, golpear a mídia e fazer quase 60 milhões de votos. Em cinco anos. Exatamente de 2013 a 2018. Essa é a novidade.

Ora, em função dessa grande novidade, que é uma ameaça, a pergunta pela democracia fica prejudicada. A pergunta é: o que estamos entendendo por democracia quando nós entendemos essa grande vitória política da extrema direita como uma ameaça à democracia? Que democracia existia antes que nos estão ameaçando? E, se nós ganhássemos, que tipo de democracia era essa que permitiria esse tipo de vitória?

Então, eu acho que não raciocinaria nestes termos. Eu disse de maneira clara e fazendo uma tirada, se existe alguma política leninista no Brasil neste momento, ela foi feita pela extrema direita. Havia uma vanguarda informal. Eles se organizaram, interpretaram um movimento de rebelião de massas que foi 2013, disseram para aqueles que foram às ruas qual era o programa deles (que eles não sabiam ao certo qual era, não era apenas corrupção), por que eles buscando, por que eles estavam indignados, por que a corrupção os deixava naquele estado, o que significava os megaeventos... E, em três anos, derrubaram a presidenta. Souberam surfar num golpe malogrado. O impeachment era golpe de centro-direita clássico que não deu o que eles imaginavam, que era reconduzir e abreviar essa alternância que estava se prolongando demais. Eles aproveitaram a primeira chance para encurtar o caminho. Mas quando eles atalham o caminho, é outro bloco que entra e leva a rapadura.

Isso é uma coisa inacreditável. Ninguém imaginava que isso pudesse acontecer. E aconteceu só que não é um grupo organizado. É um grupo exaltado, com princípios mais exóticos e anti-democráticos possíveis e que não sabe bem o que quer, em termos programáticos. Eles não têm programa de governo. É qualquer coisa que abra para a economia de pilhagem, que vai acontecer. É como se fosse um conglomerado de lobbies que vai disputar anos de poder econômico, que vai se desmanchando.  

E o pano de fundo, a trilha sonora da extrema direita que garante o apoio popular e de massas eleitoral para esse projeto que não existe. Se perguntarem qual é o programa de governo deles, ninguém saberia dizer.

Esses movimentos se sustentaram, nos últimos cinco anos, pelo discurso de ódio e por um antipetismo latente. Como eles vão conseguir, no governo, se sustentar sem projeto de governo? Eles vão conseguir permanecer sustentados apenas por esse ódio e alimentando esse inimigo? O Bolsonaro em sua primeira entrevista não abriu mão do projeto de tipificar movimentos como o MST como terroristas...

Tudo aparece como uma catástrofe de tal envergadura que temos a tendência de falar em um antes e depois. Claro que há um antes e um depois. E o que vem por aí não se sabe direito. Mas acontece que não há uma ruptura com o que tinha antes. Quando se fala em criminalizar os movimentos sociais, há quanto tempo nós falamos em criminalização dos movimentos sociais? E há quanto tempo nós estamos em uma coalização democrática popular? Não é preciso acrescentar nenhuma legislação nova para enquadrar qualquer movimento social.

É uma intensificação de coisas que já vinham ocorrendo por um período histórico. Não houve, nenhum momento, talvez nos fins dos anos 1980 -- talvez até 1987 no caso do MST em que ele fosse considerado um protagonista social construtivo, que a ruptura dele era encarada como um benefício geral para o país, com reforma agrária, entre outras coisas. Isso foi um breve instante em que isso ocorreu. Fora esse breve instantes, eles sempre foram criminalizados, massacrados. Massacre de camponeses ainda é uma coisa recorrente no Brasil. De modo que, quando dizem que agora haverá uma tipificação penal em que movimento social passa a ser terrorista e uma ocupação passa a ser um ato de terror e será reprimido como tal; do ponto de vista dominante, isso sempre foi encarado assim. Nosso temor é que essa ameaça se cumpra de maneira mais intensificada e mais generalizada. É uma diferença de grau para o que tinha antes, mas não uma mudança qualitativa, que antes não havia e agora tem.

Eu acho que a resistência se equivoca um pouco achando que é tudo absolutamente novo e nós estamos desarmados. Nós já estávamos desarmados há muito tempo. Algo que é novo é essa nova direita nas ruas, há cinco anos, e com um eleitorado de 60 milhões que optou pela figura do ódio, raiva, preconceito.

O senhor tem evitado caracterizar esse movimento como fascista, mas afirmou que estamos em um período em que monstros aparecem. O Mano Brown, em no comício, deu uma declaração parecida e disse que viu "muito dos seus se tornarem monstros". Como podemos caracterizar esse fenômeno?

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Em comício, Mano Brown criticou as esquerdas e se disse assustado com "amigos que se tornaram monstros". (Foto: Reprodução)

Raiva, ódio, rancor, ressentimento não nascem por geração espontânea. Há uma matéria-prima que estava fermentando na sociedade brasileira há muito tempo e nós não queríamos enxergar. Se nós computarmos os quase 60 milhões de votos do bolsonarismo, teria um número irrisório de pessoas que estariam dispostas a violar, linchar, matar, estuprar, humilhar e barbarizar.

O que é mais assustador é que o Bolsonaro não enganou ninguém. Ele fala disso há muito tempo. E agora passou a ser verossímil. Ele não está enganando ninguém e não há razão achar que seja apenas bravata. Então, por que que as pessoas não ligam para isso? Como não são 60 milhões de fascistas, o que significa uma maioria esmagadora de pessoas para as quais esses discursos não conta, não afeta e se pode ficar indiferente a isso, simplesmente virar o rosto para o outro lado. Isso é o que eu acho mais terrível. Não é o fato de que o fascista seja um brutamontes e vá barbarizar -- é da natureza dele, não pode fazer nada que não seja isso. O mais assustador é que haja essa imensa maioria que vira a cara para o outro lado e fica indiferente. E não é apenas por medo. Eu não diria cumplicidade porque as pessoas ficariam horrorizadas se assistissem a um ato de selvageria, com pessoas sendo oprimidas e massacradas. Mas isso não as afeta nessa vontade de ser indiferentes a um horror que é anunciado. Significa então que tudo é possível.

As comparações históricas são muito complicadas, mas no entre-guerras na Alemanha as pessoas tendiam a virar o rosto para o outro lado. Havia uma espécie de consentimento. E isso é o mais aterrorizante.

Ou chegamos a um ponto que nós não entendemos mais como uma pessoa pode raciocinar friamente, articuladamente e racionalmente quando votam e aderem [à campanha de Bolsonaro]. Eu não falo dos apoiadores fanáticos, mas aquele que faz o voto estratégico no Bolsonaro e diz que não concorda com homofobia, racismo, xenofobia. Se deve imaginar que a vida se tornou tão invivível que, mesmo alguém que fala coisas horríveis, eu tendo a dar um desconto porque eu quero mudar, não dá mais para viver desse jeito. Então, mesmo que Fulano diga que vai fazer todos os horrores que ele promete, eu acho que isso ainda não está na altura do preço que eu estou pagando pela minha vida cotidiana, como assalariado, desempregado, precarizado, esculachado de tudo o que é jeito. Tornou-se invivível para dois terços da população. É uma reação que pede algum tipo de mudança.

E, nessas circunstâncias, quem sofre diretamente é o establishment, de qualquer campo político. O antipetismo não é que as pessoas sejam burras, reacionárias, fascistóides. É como se dissessem: "Você não enxerga pelo que estamos passando e ainda nos chamam de burras e reacionárias? Nossa vida, independente de governo, tem sido uma desgraça". As políticas compensatórias, que é o jargão oficial, elas são, de certa maneira, insensíveis para o padecimento geral dos assalariados, daqueles que estão na engrenagem social. Elas protegem quem está fora, mas fecha os olhos para quem está dentro do olho do furacão. E isso é considerável intolerável e o fato de perseguirem, por exemplo, desvios da norma sexual, isso, para eles, não vai alterar nada. É apenas um bode expiatório para qual você canaliza tudo aquilo que te angustia. E esse tipo de curto-circuito não funciona mais e as pessoas sabem disso -- e isso que é o espantoso porque o bolsonarismo não está escondendo nada. Eles estão dizendo o que eram. Mesmo durante dois meses intensos de campanha. O enigma está aí. E enquanto a gente não decifrar isso vamos tomar no lombo mais uma bela temporada.

E o senhor tem uma pista?

Eu não tenho nenhuma pista que seja razoável. A gente leu quilômetros de sociologia sobre a realidade contemporânea brasileira. Mas não explica. Todo o repertório clássico de psicologia das massas para decifrar o que seria um fascismo contemporâneo, não há como encontrar uma descrição razoavelmente coerente.

É complicado imaginar por que as pessoas fizeram este tipo de aposta. Estamos realmente desnorteados e nenhuma explicação clássica satisfaz. É claro que eu posso descrever o que é bolsonarismo, da ditadura militar, posso falar da lei de anistia que não aconteceu. Mas tudo somado não dá para explicar nessa conjuntura que virou pelo avesso em cinco anos.

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Para Arantes, entender a migração de votos de Lula para Bolsonaro é "a pergunta de um milhão de doláres". (Foto: Ricardo Stuckert)

Outro fenômeno que aconteceu nessas eleições é o voto em Lula -- que até então liderava as pesquisas de intenção de voto no primeiro turno -- terem se convertido em votos para o Haddad, mas também em nulos, brancos e uma parcela se reverteu também para Bolsonaro. Quem é esse eleitorado?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Os dados e mapas eleitorais ainda não foram totalmente desagregados... É difícil entender o que é uma revolta conservadora, dentro da ordem -- que é uma das definições clássicas do fascismo. É um voto, para usar uma terminologia de uma socióloga americana, dos insurgentes contra os entrincheirados. Chegar ao ponto de você considerar um beneficiário de um programa como Bolsa Família como um entrincheirado, como um privilégio, não é fácil de entender isso. Eu não me contento com as explicações que estão circulando por aí. É um nó. Estamos fazendo uma entrevista sobre um beco sem saída.

Nós encontramos situações que são análogas ao que foi o fascismo histórico que é uma reação de autoproteção da sociedade. A gente não está conseguindo explicar absolutamente nada.

Então, existem 60 milhões de pessoas que nós temos que ganhar. E qual o caminho para para dialogar com essas pessoas que, muito provavelmente, uma parcela delas será a primeira a sentir e ser atingido algumas medidas deste governo?

Pois é. Como a decepção vai ocorrer rapidamente porque ele não vai entregar nada do que prometeu, vai ocorrer uma grande frustração e uma migração para o outro campo. Só que esse campo só se manifesta em movimentos eleitorais. O problema da esquerda é que ela está calculando que por mais que essa derrota eleitoral, por mais acachapante que seja, ela é recuperável. Seguramente, o vencedor vai enfiar os pés pelas mãos e não vai conseguir entregar o que prometeu. E eu digo: o Brasil está ingovernável, este é um problema fundamental.

Nós continuamos a investir na frustração possível de um eleitor que vai ocorrer, fatalmente, daqui a dois anos. Nós estamos pensando em termos eleitorais e partidários -- os eleitores possíveis para implementar nossas políticas que são bem ou mal sucedidas. Nós não pensamos jamais o que foi o que aconteceu lá atrás para nós perdemos desse jeito, esse outro jeito que nós imaginávamos ser possível fazer no fins dos anos 1980 e 1990 que era política de massa. Nós continuamos apostando, não no fundamento insurrecional por assim dizer -- com toda a cautela possível -- desse voto.

E ele foi um voto de protesto, óbvio que foi. Foi um voto para varrer do mapa tucanos, petistas. Mas nós estamos pensando que precisamos recuperar isso enquanto gesto eleitoral e não o que apareceu ali, que não é para ser trabalhado como uma massa uniforme, para mobilizar, fazer as velhas políticas antigas dos movimentos sociais. Nós não sabemos o que fazer, mas há uma coisa se preparando aí. E vai mudar.

O que PT e companhia está pensando em fazer? Exatamente o que foi feito nesses últimos cinco anos. Isso significa que a OAB, tribunais, ministérios públicos estão aí para conter a onda violenta que vem aí, esse rescaldo do fascista que ganha alguma coisa e se sente empoderado. E no médio prazo, o que nós vamos fazer? Exatamente o que eles fizeram e nós vamos repetir porque essa é a lógica: ninguém vai mais governar. Daqui a seis meses ou um ano, está correndo um processo de impeachment.

Então, nós começamos pela desestabilização da oposição e essa desestabilização é fácil fazer porque temos setores organizados, no nosso campo, que podem por areia na máquina pelos erros que eles vão cometer. Inevitavelmente, eles vão enfiar os pés pelas mãos com a Previdência, na nova reforma dentro da reforma trabalhista. Isso posto, nós começamos no Congresso a desarticular a base parlamentar deles, inviabilizar o governo e, quando a mídia também mudar (a Folha já mudou).

Mas a mídia é tucana, não é bolsonarista, eles simplesmente estão tirando a lasquinha deles e mostrando que está disposta a qualquer coisa, inclusive um governo delinquente como o bolsonarismo. Mas, se não der certo, eu os rifo. Então, como essa maré vai virar, nós podemos, regimentalmente como há na Constituição brasileira, impichá-lo, como eles fizeram conosco.

Mas isso não resolveria a crise política, não?

A encrenca brasileira é essa: abriu-se a porteira da absoluta ingovernabilidade no Brasil. E o que ficou claro na greve dos caminhoneiros, quando os militares se apavoraram, porque viram que não tinham um efetivo para controlar aqui, as milícias tomaram conta em boa parte e o conflito para onde vai a conta, ficou migrando. Não há mais nenhum tipo de acordo de concertação social entre as várias categorias sociais, empresários, bancos, agronegócio... Não há mais acordo possível. Ficou claro isso nos últimos cinco anos. Tanto é que ocorreu o impeachment, que era absolutamente desnecessário.

Há a possibilidade de um rearranjo da casa, como foi no fim da ditadura, para o campo que pode ser chamado de democrático, que vai da extrema esquerda até a centro direita, e repactuarmos alguma coisa depois da Constituição de 1988. Como foi no fim da ditadura. Mas o que nós temos agora é um comportamento destrutivo da classe dominante brasileira que está apostando todas as fichas em tirar sua castanha do fogo com o braço da delinquência fascista. Ferre-se o resto. E isso é realmente é o inacreditável. Houve várias chances de acordo desde que se instaurou a crise na Era Lulista. Mas eles resolveram puxar o tapete, fazer o impeachment e abrir a porteira do inferno. Um caos político e social.

Você acompanhou a trajetória do PT, desde o seu início. E agora, se encerra um capítulo para o partido. Qual as perspectivas para o partido?

Encerra, mas não encerra. O futuro do PT não é dos mais terríveis não. A perspectiva deles não é desoladora, nós que estamos agoniados e aflitos. Eles têm a primeira bancada no Congresso, governadores no Nordeste, militância e um partido estruturado. O PSL é um partido socialmente desqualificado. Não há nenhuma força no campo popular capaz de substituir o PT com verossimilhança e como alternativa de poder e voto. Então, eles pensam, nós estamos no caminho. Enquanto não aparecer nada que nos suplante enquanto como alternativa de poder e política social, nós, por inércia, toda a política progressista de esquerda no Brasil cai no nosso colo. É inevitável. Não é ganância, sede de poder hegemônicos. Eles querem sempre hegemonizar tudo, mas não podem fazer de outro jeito. O PT está atravessado e a esquerda que está à esquerda do PT não ofereceu nenhuma alternativa credível. Para eles, a perspectiva não é ruim não. Eles podem, inclusive, perfeitamente ganhar a prefeitura daqui a dois anos.

E aí continua o jogo e isso é o mais incrível dessa conjuntura. Nós estamos aqui agoniados e o empenho deles é normalizar toda a situação. Não é que eles estão dizendo que o Bolsonaro seja bonzinho, normalizado que ele possa ser, assimilado, incorporado e será amansado se colocarmos uma focinheira nele durante quatro anos. Eles estão se comportando como se isso fosse possível, então é o que basta. Se disputa eleição, as instituições, o sistema eleitoral e o TSE estão aí, então nós vamos para fazer uma campanha que nós sabemos que vai ser feita na mídia social, não mais com financiamento direto. E nós podemos voltar ao poder e continuar a não sair. Isso é o inacreditável.

Nós estamos ainda, por assim dizer, na era Geisel. Trata-se de neutralizar os dois extremos. E como se neutraliza um dos extremos? Fingindo que ele não é um extremo, procedendo normalmente para a próxima campanha eleitoral.

Você citou um texto de um colunista da Folha dizendo que o Bolsonaro é o anti-Geisel. A gente está nessa era Geisel, mas vem o Bolsonaro e ganha?

Ele é o anti-Geisel, não o anti-Lula. Todo o comportamento do petismo, do lulismo é impedir qualquer tipo de radicalização, dizendo "nós não somos nenhuma ameaça a um ordenamento jurídico, a um poder estabelecido, nós acatamos". O Lula foi vítima de uma injustiça política, um erro judiciário, mas há duas outras instâncias ainda para corrigir esse erro. Ele não fugiu do país, não foi embora, não chamou a insurreição, acatou às leis, mas com o desejo de que seja feita a justiça porque é inocente e foi condenado sem provas. Isso é dizer: "não temos nada a ver com esse extremo, cedo ou tarde o bolsonarismo vai cair". Essa assombração social não vai refluir, esse é o problema. E ele se comporta como se fosse um acidente de percurso e a normalidade vai continuar a imperar, com todas as instituições e partidos. Vão, finalmente, reconhecer que o PT não é nem um bicho de sete cabeças, nem um extremista, não é radical, é uma alternativa de governo que está se revezando há muito tempo.

Com relação à academia, a gente viu, nas últimas semanas, uma perseguição com relação a alguns manifestos e o senhor chegou a ser citado pelo próprio Bolsonaro nessa questão do Haddad, dizendo que o senhor era um doutrinador marxista. Qual é o papel da universidade nesse sentido? Quais são as ameaças para a produção do conhecimento em um governo Bolsonaro?

Por enquanto, é pura especulação. O que a extrema direita faz, além de aprontar, aterrorizar e atemorizar? Só sabem fazer isso. Por exemplo, as grandes escolas da Universidade de São Paulo (Direito, Politécnica e Medicina) já são conservadoras, com professores titulares conservadores, que têm seus próprios centros de financiamento e fundações, então já é de direitta.

Bom, então o que eles vão fazer? Vão pegar as três unidades que são caracteristicamente de esquerda na Universidade de São Paulo (Filosofia, ECA e Pedagogia). Eles podem fazer piquetes para atemorizar professores e alunos, vai haver denúncia em sala de aula. O que eles querem é que nós fiquemos aterrorizados, mas há uma espécie de inércia estrutural da instituição universidade pública, as particulares não vão mexer, porque é um comércio, eles não vão aterrorizar um comerciante que está vendendo seu produto e tem quem consuma pacificamente.

Quando começam essas ameaças, a opinião pública fica escandalizada, mas nem tanto, e passa. Aí, sim, começam as políticas de dito desmonte das universidades públicas, ou as políticas educacionais que vão aparecer, como o ensino a distância, que são lobbys funcionando, que vêem fronteiras de acumulação na educação do ensino básico e médio.

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Justiça Eleitoral ordenou, durante a campanha, a retirada da faixa "UFF Antifascista", em Niterói (RJ) (Foto: Reprodução)

Do ponto de vista ideológico, não é uma reversão. Por exemplo, na minha faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, uma parte dos meus colegas são tucanos razoáveis, não são nada de extrema direita, pelo contrário. O que eu vou fazer com eles? Não faz sentido.

Acontece que existem muitas novas federais perdidas pelo Brasil afora que são mais vulneráveis a esse tipo de guerrilha, de expedição punitiva, de atemorização, mas vai interferir na contratação de professores, nos concursos públicos? Bom, nem a ditadura conseguiu fazer isso. Abre um edital para contratação de professores de Sociologia na Universidade do Cariri, o MBL vai lá impugnar o concurso, colocar quadros? A gente está muito atemorizado com isso, com aquela avalanche de mandados da Justiça Eleitoral na última semana e nos dois últimos dias de campanha, achando que isso vai ser o cotidiano das universidades daqui nos próximos quatro anos. Elas serão atemorizadas, têm todo o debate sobre o Escola Sem Partido.

A universidade vai ficar nesse embate ideológico para alimentar a excitabilidade pública na esfera pública brasileira. Mas, em termos concretos, eu não vejo o que eles podem fazer de pior. O que pode acontecer de pior, sim, é no governo, no ministério, onde não sabemos ainda o que eles pensam sobre o que fazer com as federais, a não ser ameaçar os reitores com cortes de verbas. Mas, eles já estão a pão e água há quatro anos. Mais do que isso, sucatear, entregar para organizações sociais, é claro que eles podem fazer muito estrago do ponto de vista administrativo central, mas isso é um embate que já vinha acontecendo desde a desaceleração nos anos Dilma. 

Vai, talvez, se intensificar uma espécie de plano descendente, o plano inclinado para baixo já tem um bom tempo. Então, claro, que a universidade vai dizer: "nós resistimos, nós protestamos contra aquela deputada de Santa Catarina que pediu para denunciar [os professores]". Abaixo-assinado todo mundo assina, 150 mil assinaturas, isso vai acontecer sempre. Mas, estamos muito mais organizados e mobilizáveis do que era há 50 anos, então não é assim, nós estamos entregando a rapadura muito rápido. As universidades que já eram mais à esquerda, situadas em um campo mais esclarecido e progressista, vão continuar. Não haverá recrutamento de professores de extrema direita, os cursos não vão ser degradados, o Olavo de Carvalho não será o ideólogo, o novo Paulo Freire da universidade brasileira. Nós estamos raciocinando com parâmetros antigos, em um período histórico anterior. A luta vai ser diferente, não sabemos ainda. 

É claro que se você entrar em uma sala de aula em um instituto de educação e se deparar com uma turma de 50 alunos urrando boçalidades, é diferente, aí você vai entrar no dia a dia de uma escola de ensino fundamental e médio da periferia.  

No início da entrevista, você comentou sobre o renascimento da política…

Como luta e não como gestão. Pela primeira vez, o que se exprime nas eleições, uma espécie de impulso político que não se resumia a gerar ou gerir políticas públicas clássicas, era tomar o poder com embate político. E eles foram à rua ganhar no grito, nas redes sociais, e claro, ganharam na base da mentira. A pessoa foi lá, com paixão, e ganhou a insatisfação popular, souberam canalizar um determinado rumo que significou uma vitória política avassaladora. Portanto, eleição e luta política fazem sentido e podem fazer a diferença e mudar para uma coisa que nós não sabemos o que é ainda. Eu sei que não vai haver governo, no sentido real mesmo, vai haver um pandemônio, um deus nos acuda, todo mundo puxando o tapete de todo mundo, lobby de tudo quanto é jeito, banqueiros, agronegócio, bala... A Taurus, por exemplo, vai ficar sozinha e não vai deixar eles quebrarem o monopólio dela, que é o que eles querem para botar uma série de empresas na indústria bélica brasileira.

A política voltou a isso e nós estamos completamente desarmados, desarvorados, sem saber o que fazer, porque deixamos de fazer política há muito tempo, era só gestão e governo e por aí afora.

A correlação de forças mudou completamente, mas não vai ter mais governo, não vai ter mais gestão como nós conhecemos. Os tucanos fazem e nós fazíamos, até intercambiava, os nossos programas eram mais ou menos semelhantes, melhor ou pior geridos. É claro que vai continuar Prouni, Bolsa Família, FIES, mas tudo degradado, por inércia, não é uma inovação como foi na época dos tucanos essa gestão que eles fizeram. Então, a política voltou, mas aonde está o Estado? O Estado são as forças armadas, só, então outra incógnita: o que esses militares que estão lá vão fazer? Nós temos poucas entrevistas, poucos indícios, ninguém está pesquisando quem eles são, quais são os conflitos internos nas forças armadas, sobretudo no Exército, não sabemos, apenas suposições. Mas, o novo é isso, que os caras ganharam e ganharam a rua. O fato de que você tem gente vociferando, mesmo que seja energúmenos, que sejam coisas horripilantes, é uma energia política em movimento e que está passando por cima.

E nós não conseguimos empolgar ninguém, é essa a verdade. O cara é um líder de massa e o nosso está lá na cadeia e ninguém levantou um dedo. No ABC, no Sindicato, foi o pessoal que o Boulos conseguiu arregimentar no MTST ali do pedaço, não tinha mais de cinco mil pessoas. Seria uma história que seria bem diferente, mas os 30 anos pregressos não justificariam se tivesse um milhão de pessoas na Paulista. Se por acaso, o Bolsonaro perdesse não ia sair barato.

"Quem se mobilizou e encarou a nova realidade? Não foi o petismo, o lulismo. Foram os secundaristas e as mulheres". (Foto: Julia Dolce/Brasil de Fato)

Brasil de Fato: Como a esquerda pode voltar a encantar e a fazer essa política? Quais são as fissuras e brechas?

Sinceramente, eu não sei. Há 50 anos a derrota foi acachapante, a força hegemônica do campo popular era o Partido Comunista Brasileiro e ninguém tinha nada para pôr no lugar, que, estrategicamente, perdeu tudo. Apostou em coisas impossíveis, como dispositivo militar, burguesia nacional e por aí afora. Perdeu tudo. Não saiu desmoralizado, mas saiu desacreditado. O primeiro movimento foi uma dissidência do Partido Comunista, que foi para a necessidade de luta armada, que também perdeu. A partir de 1974, o jogo começa a mudar com a via de governo institucional e, até aquele momento, não existia nada, só um conglomerado de partidos chamado MDB e pouquíssimos movimentos sociais surgindo, além do pólo industrializante do ABC. Há menos de 10 anos, você tinha um campo constituído, que é o que está se esfacelando agora. Então apareceu uma coisa nova que ninguém imaginava, depois do PCB o que poderia acontecer, inclusive o fim da União Soviética.

O que vai acontecer depois do fim do PT? O PT não vai morrer tão rápido quanto foi o PCB, mas demorou de 10 a 15 anos até os sindicatos passarem para a Chapa 2, para as oposições sindicais. O que vai aparecer no lugar do PT é o próprio PT se refundando. As refundações do Partido Comunista Italiano não deram certo. Nós não sabemos por enquanto o que está aí. Ele ainda é movível, a não ser mobilizações eleitorais efêmeras em torno de gestão, isso ficou para trás. Podem até ganhar a prefeitura, mas não é o novo que vai aparecer. O que vem depois não sabemos, são grandes novidades. Por exemplo, veio o impeachment, quem se mobilizou e encarou a nova realidade? Não foi o petismo, o lulismo. Foram os secundaristas e as mulheres. Essas coisas novas ninguém pode prever. Quem é que imaginava que ia ter uma coisa daquelas dimensões com os secundaristas? Tem dois meses de transição, o que vem pela frente? O que eles vão aprontar a partir de janeiro? Vamos saber como vai ser a reação. É claro que o PT vai querer hegemonizar tudo isso para ganhar as próximas eleições daqui há dois anos, e vão conseguir, porque não tem nada para colocar no lugar, nada que os substitua. Quando apareceu alguma coisa que substituiu o antigo Partido Comunista Brasileiro, ele simplesmente desapareceu, depois virou um partido de esquerda.

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Coluna Ciências | O que é o efeito placebo?

ter, 13/11/2018 - 08:01
Medicação Acontece quando algo teoricamente sem efeito gera uma resposta real sobre um organismo Renan Santos* | Dizem que comer manga com leite faz mal. Mas será que não é coisa do efeito placebo? Foto: Reprodução

Dizem que comer manga com leite faz mal. Quero realizar um experimento científico para ver se isso é verdade. Convido 100 pessoas para me ajudarem. 50 delas comem uma manga com um copo de leite e 50 não. Espero uma hora e avalio quantas delas passam mal.

As 50 pessoas que não comeram nada servem como um parâmetro para o meu teste. Só posso afirmar que essa combinação faz mal se o número de pessoas enjoadas no primeiro grupo for estatisticamente superior ao do segundo grupo. Eis um esquema clássico de experimento científico.

Sabemos hoje que não há mal nenhum em juntar manga e leite. Ou seja, o provável resultado do experimento acima seria que nenhuma das 100 pessoas ficaria enjoada. Porém, imagine que algumas pessoas que comeram a manga com leite passem mal. Elas podem estar sendo vítimas do efeito placebo.

Esse efeito já é bastante estudado pela ciência. Acontece quando algo teoricamente sem efeito gera uma resposta real sobre um organismo. No exemplo anterior, a crença popular de que comer manga com leite faz mal pode ser suficiente para desencadear o enjoo.

Respostas reais

O efeito placebo gera respostas neurológicas, fisiológicas e psicológicas reais, por motivos irreais. Já foi observado de variadas formas em humanos e em outros animais. Em um experimento, ratinhos com dor foram tratados com injeções de analgésicos, que aliviavam suas dores. Após um tempo de tratamento, os pesquisadores eliminaram o analgésico e passaram a injetar uma substância sem efeito nos ratinhos. Mesmo assim, a dor deles diminuiu.

Hoje, há todo um esforço dos cientistas em buscar métodos para eliminar esse efeito dos testes, uma vez que ele pode gerar falsos resultados. Também há situações em que se pode explorar o efeito placebo para o bem. Por exemplo, é possível obter melhoras efetivas em pacientes pela administração de medicamentos e até de cirurgias placebo.

Testes já demonstraram que saber que um procedimento é placebo não elimina o efeito. Ou seja, não é necessário que ele seja inconscientemente produzido, o que parece apontar que suas causas são muito mais fisiológicas do que psicológicas.

Contudo, o placebo gera um resultado efetivo um pouco superior ao nulo, até um certo limite. Ou seja, não é capaz de tudo. É bem efetivo, por exemplo, para tratar dores e ansiedade, mas não será útil para tratamentos mais complexos, como a eliminação de um tumor ou para fazer um paralítico voltar a andar.

O que você acha disso tudo?

Um abraço e até a próxima!

Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais.
 

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Editorial | Quando o “novo” é bem mais velho do que achamos

ter, 13/11/2018 - 08:00
Opinião Zema pretende colocar água e energia a serviço do lucro. Nós devemos nos preparar para a resistência Redação Minas Gerais | Zema é um empresário dono de uma grande rede varejista e foi filiado 18 anos ao PR, considerado um dos partidos mais corruptos do Brasil Foto: Luis Ivo/Divulgação

Muitos eleitores que votaram no Romeu Zema, hoje governador eleito, quando perguntados sobre o porquê do seu voto, respondem: “estamos cansados dos velhos políticos, queremos algo novo”. 
Quando olhamos para história política de Zema, e também para suas propostas, percebemos que ele não é nem representa bem isso. Zema é um empresário dono de uma grande rede varejista e foi filiado 18 anos ao PR, considerado um dos partidos mais corruptos do Brasil. 
Dentre suas propostas, Zema anunciou, ainda em sua campanha, a privatização da Cemig e da Copasa. Como justificativa, dizia que isso possibilitaria serviços de melhor qualidade e tarifas mais baixas. Mas na década de 1990 ouvimos esse mesmo discurso para privatizar as empresas de telefonia, por exemplo. É preciso perguntar: esses serviços melhoraram? As tarifas ficaram mais baratas? Pelo contrário, presenciamos serviços piores e com taxas cada dia mais caras. 
Nem pudemos saber o que seria ter uma empresa pública de telefonia no tempo dos celulares. Hoje, já pagamos uma das tarifas de energia elétrica mais caras do país. Imaginem se a Cemig estiver nas mãos de empresas transnacionais, cuja preocupação central é com o lucro, acima da preocupação com o atendimento da população e qualidade dos serviços. Sem falar na maior precarização dos trabalhadores, que já estão submetidos diariamente a situações de risco. Dados apresentados pelo Sindicato dos Eletricitários (Sindieletro MG) mostram que, com as terceirizações, passamos a ter acidentes fatais com trabalhadores da Cemig e terceirizados a cada 45 dias. 
E se hoje o saneamento básico (água e esgoto) ainda é precário ou mesmo ausente até em alguns bairros da capital mineira, imaginemos em uma lógica empresarial, em busca de lucro. O que hoje é considerado um direito essencial da humanidade será apenas mais uma mercadoria. Com isso, ao invés da efetivação desse direito, teremos mais restrição. 
Pois é isso que quem votou pelo “novo” terá como governador. Alguém que traz consigo tudo aquilo que representa o mais antigo, o projeto neoliberal privatista. Além de não dar resposta aos problemas vividos pelo povo, ainda podemos ver entregues aos capitalistas internacionais bens importantes da nossa soberania nacional, como energia elétrica e água. Mais do que nunca o povo mineiro tem que se preparar para tempos difíceis e de resistência.

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Previsão do tempo para terça-feira (13)

ter, 13/11/2018 - 07:44
Clima Saiba como estará o clima nas cinco regiões do Brasil Rede Nacional de Rádio | Previsão do Tempo Karina Ramos | BdF

Previsão do Tempo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia. 

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Em SP, Dirceu lança livro e alerta: esquerda deve disputar base social de Bolsonaro

seg, 12/11/2018 - 21:05
Resistência Durante lançamento de sua biografia em São Paulo, ex-ministro lembrou da resistência à ditadura militar Julia Rohden | O ex-ministro José Dirceu durante o lançamento de seu livro em Brasília, em agosto de 2018 Fotos: Lula Marques / APT

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu realizou, nesta segunda-feira (12), o lançamento do livro “Memórias – Volume 1”, no Tucarena, espaço da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Cerca de 400 pessoas de diferentes gerações foram ao local ouvir o ex-ministro sobre suas memórias e projeções para o futuro após a eleição de um presidente de extrema direita.

“Tenho certeza que nós vamos deter essa ofensiva contra o país”, afirmou Dirceu. “Escrevi para fazer o que precisamos fazer agora: relembrar a história para aprender com ela, e assim enfrentar o momento que estamos vivendo”, concluiu.

Dirceu criticou políticas que o futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL) pretende aplicar, como a reforma da previdência e a criminalização de movimentos sociais, mas ressaltou a capacidade de mobilização dos brasileiros. “Ao contrário de 1964, o Brasil hoje é outro. As forças democráticas saíram do golpe de 2016 e da derrota eleitoral de 2018 com grande força e consciência democrática”.

Ele falou da necessidade de defender a soberania nacional e a democracia, mas apontou a necessidade da esquerda retomar os trabalhos de base. Dirceu lembrou também a prisão política de Lula e defendeu que seja retomada a campanha pela anulação da condenação do ex-presidente.

“Não adianta pensar que vai se resolver a curto prazo, é uma luta de médio ou longo prazo. O que nos faltou foi a força popular, além da força eleitoral”, disse. Dirceu reforçou que o governo Bolsonaro tem base social. “O nosso papel é construir uma alternativa a esse força política social que nos derrotou e que está enraizada na base popular”.

A obra

José Dirceu contou a platéia que escreveu o livro na prisão a pedido de sua companheira Simone. “Eu não queria escrever a minha história, mas a nossa história, a história de uma época, de uma geração, de ideais”, afirmou.

Atualmente ele responde em liberdade pelos crimes de corrupção passiva, em pena que soma 30 anos e 9 meses, mas salienta que sua prisão foi injusta.

A obra traz relatos das vivências de Dirceu até 2006, com episódios de sua militância estudantil nos anos 1960, o exílio em Cuba, os anos de vida clandestina e a criação do Partido dos Trabalhadores (PT).  O ex-ministro promete escrever um segundo volume.

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Leonardo Boff: pacto social foi rompido no Brasil

seg, 12/11/2018 - 20:17
Visitas a Lula Teólogo visitou o ex-presidente Lula, em Curitiba Lia Bianchini | "Usam Lula como troféu, para sustentar as mentiras que fizeram”, diz Boff Foto: Joka Madruga / APT

O teólogo Leonardo Boff acredita que a principal luta do povo brasileiro no próximo período é resgatar o pacto social rompido após o impeachment de Dilma Rousseff. Ele esteve em Curitiba nesta segunda-feira (12) para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Superintendência da Polícia Federal. Após a visita, o teólogo concedeu entrevista coletiva à imprensa.

“Uma Constituição é um pacto social, que nós fazemos para 'um não comer o outro'. Então, esse pacto social foi rompido com o impeachment contra a Dilma. Como foi rompido, não vale a Constituição, não valem as leis, eles pintam e bordam, surram, prendem”, disse Boff.

Para o teólogo, a prisão do ex-presidente Lula é uma “vergonha para o Brasil e para o sentido do Direito”, pois sua condenação foi baseada em um processo sem provas de culpabilidade. Lula está preso na Superintendência da PF desde o dia 7 de abril, condenado no âmbito da Operação Lava Jato, por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

“Usam ele [Lula] como troféu, para sustentar as mentiras que fizeram, especialmente aquele desenho onde ele era a cúpula de toda uma estratégia de corrupção. Seguram o Lula preso para se autojustificar. Mas sabem que é mentira a questão do triplex. Eles montaram uma narrativa que fez dele chefe de quadrilha, mas não conseguem trazer nenhuma prova”, afirma Boff. 

Além das violações jurídicas que envolvem o processo do ex-presidente Lula, para o teólogo, a campanha eleitoral de 2018 mostrou um novo fator para desestabilização da democracia brasileira, que foram as notícias falsas disseminadas pelas redes sociais. 

Dez dias antes do segundo turno das eleições, o então candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) foi denunciado por receber financiamento ilegal de campanha, com montante de mais de R$ 12 milhões. A denúncia divulgada pelo jornal Folha de São Paulo mostrava que empresários estariam bancando a compra de pacotes de distribuição em massa de mensagens contra o PT no Whatsapp.

“Ele [Bolsonaro] ganhou as eleições de forma fraudulenta, com aqueles milhões de notícias falsas. É uma lição para nós, saber que as eleições futuras não vão ser mais de grandes comícios, vão ser o manejo das mídias sociais, que nós temos que aprender a usar, aprender a nos defender”, diz. 

Aliado ao trabalho nas redes sociais, Boff entende também que existe a necessidade de que os movimentos e organizações de esquerda voltem-se às suas bases e ao contato mais próximo com o povo. Para o teólogo, a religião tem parte fundamental nesse processo, pois o povo “entende o discurso religioso, porque eles manejam a Bíblia.

“Nós temos que retomar o trabalho na base, criar escolas de formação política. E o tema central que nós vamos sempre bater será injustiça social no brasil. Não vamos falar só desigualdade, porque é um tema neutro. Injustiça é um tema ético. Injustiça é pecado contra Deus e contra os filhos e filhas de Deus”, diz.

Antes de visitar o ex-presidente Lula, Boff falou às pessoas presentes na Vigília Lula Livre, que mantém-se em frente ao prédio da PF desde que o ex-presidente foi preso, há 220 dias.

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Em 2007, estudo apontava risco de deslizamento no Morro da Boa Esperança

seg, 12/11/2018 - 20:14
TRAGÉDIA Deslizamento de encosta matou 15 pessoas e deixou 22 famílias desalojadas no último sábado (20) em Niterói (RJ) Jaqueline Deister | De acordo com a prefeitura, 200 pessoas estão trabalhando na limpeza do local e na arrecadação de donativos Foto: Fernando Souza / AFP

A madrugada do último sábado (10) foi marcada pelo terror para os moradores da comunidade Boa Esperança, localizada no município de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O deslizamento de parte de uma encosta causou a morte de 15 pessoas e deixou outras 22 famílias desalojadas.  

De acordo com a professora da faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenadora do Núcleo de Estudos de Projetos Habitacionais e Urbanos (NEPUH – UFF), Regina Bienenstein, a tragédia na comunidade de Boa Esperança já era anunciada.  

A pesquisadora traz um novo dado que difere do laudo fornecido pela Defesa Civil de que o rompimento do maciço ocorreu  em um local de baixa previsibilidade. Segundo ela, um estudo realizado pela UFF em 2007 já alertava para o risco de deslizamento na Boa Esperança. “No plano de mapeamento de risco da UFF a comunidade já estava em nível médio e isso vai aumentando ao longo dos anos”, destaca. 

Para Bienenstein, a prefeitura não pode considerar apenas como política de habitação construir novas moradias. De acordo com a professora, é fundamental que as favelas estejam no eixo central das políticas de habitação dos municípios para evitar que novas mortes voltem a acontecer.  

“A outra parte da política é tratar das ocupações e favelas nos morros e nas áreas sujeitas à inundação. Essa é a moradia que o trabalhador construiu e não são todas as pessoas que estão em áreas de risco, mas precisa se fazer obra, principalmente drenagem, para não se tornar área de risco”, explica.  

Tragédia  

Sidneia Missel foi uma das primeiras moradoras da comunidade Boa Esperança. À Rádio Brasil de Fato, em programa transmitido nesta segunda-feira (12), ela contou que em 2010 houve um deslizamento no mesmo local e que moradores tiveram que sair de suas casas, mas como não receberam o chamado “Aluguel Social”, que teria que ser pago pela Prefeitura de Niterói, muitos retornaram para as casas interditadas.  

“Foi dado um aluguel social para as pessoas que moravam em casas na área de risco. Ele foi fornecido por um período e depois a prefeitura parou de dar. Inclusive, uma das mulheres que morreu, a Madalena*, recebia um aluguel social. A prefeitura promete o benefício e depois retira”, relata a moradora.  

Posicionamento da prefeitura 

Por meio de nota, a Prefeitura de Niterói informou que o município trabalha na elaboração do projeto de lei que amplia o “Aluguel Social”, para incluir o pagamento do benefício para as famílias atingidas. O projeto será enviado para a Câmara dos Vereadores, em regime de urgência, nesta terça-feira (13). 

O comunicado destaca ainda que unidades habitacionais já em construção no bairro do Fonseca serão entregues, no dia 20 de dezembro, às 22 famílias das residências afetadas. 

De acordo com a prefeitura, 200 pessoas estão trabalhando na limpeza do local e na Escola Municipal Francisco Portugal Neves, em Piratininga, onde estão concentradas as nove toneladas de donativos arrecadados.  

A prefeitura informou que já foram distribuídos kits com materiais de limpeza, higiene pessoal, alimentos e água para 18 famílias e que não há a necessidade de novas doações no momento. 

*Maria Madalena Linhares de Resende tinha 54 anos e morreu soterrada no deslizamento da encosta do Morro da Boa Esperança junto com o seu neto Kaíque da Silva Resende, de 1 ano e 10 meses. 

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Compositor estreia música em homenagem às vítimas de violência no campo, no Rio

seg, 12/11/2018 - 19:30
ARTE "Lacrimosa campesina" é um canto de resistência por justiça e paz aos homens e mulheres que lutam pelo direito à terra Clívia Mesquita | Trecho da partitura para coro à capela, composta pelo músico em contato com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) dos últimos dois anos Rodrigo Lima/ Divulgação

Em contato com os números da Comissão Pastoral da Terra (CPT) sobre violência no campo no Brasil, o compositor Rodrigo Lima transformou indignação em arte. Diante os dados, que mostram que somente nos anos de 2016 e 2017, 60 pessoas foram assassinadas por conflitos no campo, ele escreveu a música “Lacrimosa campesina - um canto de resistência por justiça e paz”. 

“Essa violência tem atingido, sobretudo, os povos indígenas, lideranças quilombolas e camponeses que secularmente são vítimas da exclusão do direito à terra como um direito humano”, destaca Rodrigo, que é professor da Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP). 

A canção para coro à capela estreou no Rio de Janeiro na última sexta-feira (9) dentro da programação do 29ª Edição do Panorama da Música Brasileira. Foi executada pelo grupo Madrigal Contemporâneo com regência de Danielly Souza, na Sala da Congregação da Escola de Música, no centro da cidade. O texto da canção é originalmente da Missa de Réquiem, oferecida para o repouso da alma de uma ou mais pessoas falecidas.

Para o compositor, a música “Lacrimosa campesina” pode ser considerada como um ato político, que denuncia os dados alarmantes dos homens e mulheres vítimas do conflito histórico pelo direito à terra no Brasil. “Fiquei profundamente estarrecido que em pleno século XXI temos que conviver ainda com essa barbárie e injustiça”, comenta o professor. 
 
Como compositor, Rodrigo tem atuado na área da música de concerto no Brasil e em festivais na América Latina, Europa e Estados Unidos. Ele também recebeu importantes prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio Funarte de Composição Clássica e o Prêmio Internacional Iberoamericano Rodolfo Halffter de Composición, do México.

Confira a letra da música:

Lacrimosa (latim)

Lacrimosa dies illa

Qua resurget ex favilla

Judicandus homo reus.

Huic ergo parce, Deus:

Pie Jesu Domine,

Dona eis requiem.

Tradução do texto

Dia de lágrimas aquele

Em que ressurgirá das cinzas

O homem para ser julgado

Tende, pois, piedade dele, ó meu Deus!

Ó misericordioso, Senhor Jesus

Concedei-lhe o repouso eterno.

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MPF, MPT, DPU, DPE e OAB recomendam liberdade de cátedra e respeito à pluralidade

seg, 12/11/2018 - 18:15
PARAÍBA Iniciativa foi entregue neste dia 12, no auditório do MPF, às instituições de ensino da rede pública e privada Redação BdF - PB | Entrega de recomendações de instituições paraibanas MPF - Divulgação

O Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba, o Ministério Público do Trabalho, a Defensoria Pública da União, a Defensoria Pública da Paraíba e a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Paraíba, tomaram uma iniciativa importante frente à onda de ataques que as instituições de ensino - e especificamente os professores - vêm sofrendo ultimamente. Expediram recomendação onde alertam sobre a liberdade de cátedra dos docentes e reafirmam a importância do debate na sala de aula das escolas e universidades paraibanas, de acordo com o pluralismo de ideias. Segundo a recomendação, as escolas e universidades não devem interferir na liberdade dos professores pois ela está de acordo com os princípios constitucionais. As instituições de ensino devem ainda adotar as medidas cabíveis e necessárias para que não haja qualquer forma de assédio moral contra os professores por parte de servidores, professores, estudantes, familiares ou responsáveis.
A recomendação foi entregue formalmente aos órgãos e instituições de ensino nesta segunda-feira (12), no auditório do MPF, às 9h da manhã, durante reunião com os secretários de Educação do estado da Paraíba e do município de João Pessoa, reitores das universidades públicas e privadas e diretores de escolas privadas de educação básica.
A recomendação cita decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional a Lei 7.800/2016, do estado de Alagoas, por entender que não se pode ferir “os princípios constitucionais da liberdade de ensinar, de aprender e do pluralismo de ideias”, especialmente por se considerar que “vedações genéricas de conduta, a pretexto de evitarem a doutrinação de alunos, podem gerar a perseguição de professores que não compartilhem das visões dominantes”, o que pode levar ao “risco de aplicação seletiva da lei, para fins persecutórios”.
O terceiro ponto da recomendação é que as escolas e universidades afixem cartazes nos quadros de avisos das suas respectivas instituições de ensino, dando publicidade ao Observatório de Violência por Intolerância, entidade multi-institucional criada para receber e dar prosseguimento adequado aos relatos de LGBTIfobia, racismo, violência contra a mulher e demais pessoas que sofram qualquer tipo de ofensa motivada por ato com fundamentação política e/ou por intolerância à diversidade, à liberdade de cátedra ou pensamento, e à violência policial decorrente de motivação política após o último pleito eleitoral no estado da Paraíba.
O Observatório de Violência por Intolerância disponibilizou um formulário de denúncias online, no endereço eletrônico www.defensoria.pb.def.br. As pessoas que desejarem reportar casos de violência na Paraíba deverão acessar o formulário no link acima e responder sobre o tipo de violência, a razão e o contexto. O sigilo das informações é garantido. Os registros recebidos serão analisados e encaminhados para as instituições responsáveis pela apuração dos fatos e responsabilização dos agressores. Caberá à Defensoria Pública da Paraíba orientar as vítimas juridicamente e acompanhar casos graves relatados.
Caso não seja cumprida a recomendação, os órgãos recomendantes adotarão as medidas cabíveis e necessárias para que não haja qualquer forma de assédio moral contra professores por parte de servidores, estudantes, familiares ou responsáveis e demais professores da instituição.
Agressão e assédio moral – A recomendação foi motivada a partir de denúncia recebida pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, órgão do MPF, que deu origem ao Procedimento Administrativo nº 1.24.000.001881/2018-26. Também foram consideradas as recentes afrontas às garantias previstas na Constituição Federal, notadamente à liberdade de manifestação do pensamento e à liberdade de cátedra, decorrente de casos de agressão e assédio moral aos professores paraibanos, como na denúncia feita ao Ministério Público Federal.
Os órgãos recomendantes ainda consideram que a tentativa de impedir a abordagem, a análise, a discussão ou o debate acerca de quaisquer concepções filosóficas, políticas, religiosas, ou mesmo pedagógicas (que não se confundem com propaganda político-partidária), desde que não configurem condutas ilícitas ou efetiva incitação ou apologia a práticas ilegais, representa flagrante violação aos princípios e normas internacionais e constitucionais.
A recomendação destaca que “um ensino e uma aprendizagem efetivamente plurais somente podem se desenvolver em um ambiente de liberdade de ideias e de respeito à imensa diversidade que caracteriza o nosso país”.

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