Brasil de Fato

Divulgar conteúdo
Uma visão popular do Brasil e do mundo
Atualizado: 46 minutos 19 segundos atrás

Ouça o Programa Brasil de Fato - Edição Paraná - 22/09/2018

sab, 22/09/2018 - 10:57
Rádio Visita do teórico Noam Chomsky é destaque dessa edição Redação | O programa vai ao ar em rádios das cidades de Ponta Grossa, de Paiçandu, Paula Freiras e Paulo Frontin Gabi Lucena

A visita do teórico estadunidense Noam Chomsky é destaque da edição deste sábado do Programa Brasil de Fato Paraná.

Neste programa, você vai conhecer também a Rede Mandala, uma articulação paranaense de empreendimentos de economia solidária do campo e da cidade é destaque da edição desta semana do Programa Brasil de Fato no Paraná. A Rede Mandala envolve cerca de 3 mil pessoas de diferentes cidades do estado, e incentiva outra forma de produção e consumo que respeite as pessoas e o meio ambiente. Quem vai contar mais detalhes dessa experiência é a educadora popular Tatiana Dedini, diretamente dos estúdios do Brasil de Fato.

Também vamos falar como o desemprego e os altos juros afetam e endividam as famílias brasileiras. E nas eleições estaduais, vamos ver como o ataque a candidatos deve ser investigado como crime eleitoral.

No Papo Esportivo, Gabriel Carriconde avalia como o modelo de gestão bem sucedida , do time Operário, de Ponta Grossa, garantiu o acesso à série B do Campeonato Brasileiro.

E tem música e muito mais!

Além de acompanhar pela internet através da rádio Brasil de Fato, você pode acompanhar o programa em:

Ponta Grossa, na Rádio Princesa 87, 9 FM, aos sábados, a partir das 11h

Paulo Frontin, na Rádio Cidade 87,9FM, aos sábados, a partir das 6h20 e 21h

Paula Freiras, na Rádio Paula Freitas 87,9FM, aos sábados, a partir das 11h.

Paiçandu, na Rádio Pioneira 91,3 FM, aos sábados, a partir das 5h30

Ficha Técnica

Apresentação: Gabriel Carriconde e Lucas Botelho | Roteiro: Franciele Petry e Lucas Botelho | Montagem: Lucas Botelho | Apoio: Equipe de jornalismo do Brasil de Fato

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Ouça o Programa Brasil de Fato - Edição Minas Gerais 22/09/2018

sab, 22/09/2018 - 10:23
Rádio Mulheres de todo o Brasil vão às ruas no próximo dia 29 contra o fascismo de Bolsonaro Redação |

Faltam menos de 15 dias para o primeiro turno das eleições de 2018. No próximo dia 7, quase 150 milhões de eleitores vão às urnas para eleger seus candidatos à Presidência e ao governo do estado, e escolher seus senadores, deputados federais e estaduais. Em repúdio a Jair Bolsonaro (PSL), mulheres de todo o país organizam uma manifestação no sábado (29) para denunciar o conservadorismo e o fascismo que o candidato representa. Acontecem ações em, pelo menos, 19 capitais e em 12 cidades mineiras.

Conheça o projeto Mesa de Theresa, que acontece em BH, e serve café da manhã nas ruas da capital. A iniciativa é da artista plástica, pintora e professora da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), que se inspirou em memórias de sua avó que servia café fresquinho a quem visitava sua casa. Theresa chega, monta uma mesa com pães, bolos, biscoitos e coa o café na hora para quem tiver passando no local. Na toalha de mesa, as pessoas bordam impressões e mensagens enquanto compartilham o momento.

Confira também roteiro cultural, notícias do esportes, Amiga da Saúde e, claro, muita música! Sintonize na rádio Brasil de Fato! Todos os sábados, às 11h. 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Brasil só tem a perder com a entrega das riquezas petrolíferas

sab, 22/09/2018 - 10:00
coluna Serra é o principal mentor da substituição da partilha pelo de concessão Mário Augusto Jakobskind | Ou a opção será pela democracia ou pelo retrocesso que representa a edição 2018 de Plínio Salgado, um apoiador da ditadura, como Bolsonaro Divulgação/EsquerdaOnline

O político José Serra, do PSDB, está vibrando com o retorno, depois de vários anos, da empresa petrolífera Exon ao Brasil, que agora tem a sua disposição a riqueza do pré-sal. Serra é o principal mentor da substituição do esquema de partilha pelo de concessão, o que é defendido ardorosamente pelo atual governo e também pelos próceres do PSDB, pois com isso se facilitou a entrada de empresas petrolíferas estrangeiras no país, o que já tinha sido defendido pelo governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Quem não se lembra, ou eventualmente não tenha nascido ou era criança e não acompanhou o que então acontecia, não deve deixar de ler o recém lançado livro Memórias, de autoria de José Dirceu. Está tudo lá o que representou para o Brasil o governo FHC.

É mais do que necessário divulgar o que está acontecendo hoje e exigir dos candidatos, seja à Presidência ou ao Legislativo, a posição a respeito do que acontece na área petrolífera. 

O governo de Michel Temer, com o apoio do PSDB, PMDB e demais partidos integrantes da base aliada viraram o jogo em agosto de 2016, exatamente para fazer o que estão fazendo de forma indecorosa. Tem até o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, querendo enganar a opinião pública ao afirmar que não apoiou o esquema implantado no Brasil por meio de um golpe parlamentar, midiático e judicial, que culminou com a ascensão do atual governo. Alckmin, que insiste na mentira segundo a qual o PSDB não apoiou ou apoia o atual governo, imagina que os brasileiros e brasileiras sejam completamente desinformados.

Mas quem tiver dúvidas a esse respeito basta consultar os arquivos do Legislativo para verificar como foi a votação, na Câmara dos Deputados e posteriormente no Senado, que culminou na derrubada da presidenta constitucional Dilma Rousseff, que segundo as pesquisas mais recentes deverá se eleger senadora por Minas Gerais. E também quem integrou e segue integrando o Ministério de Temer, como, por exemplo, Aloysio Nunes Ferreira, que também serviu ao governo FHC.

Quanto a eleição presidencial, as três semanas que faltam para o primeiro turno poderão ser decisivas. Nesse caso, vale acompanhar a cobertura da mídia comercial, que visivelmente se volta contra o candidato Fernando Haddad, que a cada pesquisa se consolida como a opção para enfrentar a edição 2018 do extremista Plínio Salgado, hoje chamado Jair Bolsonaro.

A hora é, portanto, decisiva para o Brasil. Ou a opção será pela democracia ou pelo retrocesso que representa a edição 2018 de Plínio Salgado, um apoiador entusiasta, como Bolsonaro, do golpe empresarial militar de abril e 1964.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

XIII Kipupa Malunguinho acontece nesse domingo

sab, 22/09/2018 - 09:00
Agenda Cultural Evento conta com programação rica com luta contra o racismo e a intolerância religiosa Redação | Cartaz do evento Divulgação

No dia 23, de 09 às 18h, acontecerá o XIII Kipupa Malunguinho – Coco na Mata do Catucá, com programação rica com luta contra o racismo e a intolerância religiosa. Serão realizadas a 2ª Feira Preta de Economia Solidária e shows de grupos e artistas da cultura popular. O evento será realizado no Quilombo Cultural Malunguinho, Pitanga II, Abreu e Lima e a entrada é gratuita.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Ouça o Programa Brasil de Fato – Rio de Janeiro – 21/09/18

sab, 22/09/2018 - 08:30
Rádio Carta elaborada pela Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro e feira Saberes e Sabores são os destaques da edição Redação | Dentre as propostas apontadas na carta está a adoção de um programa estadual de redução do uso de agrotóxicos Divulgação/ARRJ

A produção agroecológica, a agricultura familiar e os saberes das culturas de povos tradicionais são os assuntos do programa da última sexta-feira (21).

Em entrevista, Márcio Mendonça, membro da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ) e da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, fala sobre como os próximos parlamentares e governos eleitos podem estabelecer políticas públicas que desenvolvam relações mais saudáveis na produção de alimentos. Ele também explica sobre as propostas elencadas na carta-compromisso dirigida a candidatos e candidatas ao Governo do Rio, Senado, Câmara Federal e Assembléia Legislativa (Alerj).

Também em entrevista, Vagner Nascimento, quilombola e coordenador do Fórum de Comunidades Tradicionais, traz as informações, direto do Quilombo do Campinho, da feira Saberes e Sabores, que é realizada pelo Fórum de Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba.

Em tempos eleitorais o programa ainda traz reportagens sobre os vice candidatos e candidatas à presidência da República e sobre o chamado “voto útil”.

No quadro “Repórter SUS”, as informações da Conferência Global sobre Atenção Primária à Saúde, realizada em Astana, no Cazaquistão, pela Organização Mundial de Saúde (OMS). E no quadro “Com Ciência” o porquê das bebidas mudarem de sabor depois de congeladas.

No quadro “Mosaico Cultural”, uma homenagem ao poeta chileno Pablo Neruda, morto em 23 de setembro, há 45 anos. E na estreia do quadro “Cinema de Fato” as dicas e comentários sobre lançamentos, mostras e festivais que agitam as telonas no Rio.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

José Dirceu lança livro de memórias em João Pessoa

sab, 22/09/2018 - 08:00
LITERATURA MILITANTE Durante entrevista coletiva sobre o livro Memórias, o petista falou sobre misoginia Cida Alves | Coletiva aconteceu na sede do PT, em João Pessoa. O livro traz memórias de militância de Dirceu. Marcos Freitas

O ex-ministro José Dirceu concedeu entrevista coletiva a respeito do seu novo livro “Zé Dirceu – Memórias Volume 1”, nesta sexta-feira (21), em João Pessoa. A entrevista aconteceu na sede do PT. O petista irá percorrer mais de 20 cidades em cerca de um mês, realizando entrevistas, debates, conversas e sessões de autógrafos.
Numa rápida coletiva de imprensa, Dirceu discorreu sua visão sobre as algumas veias desse complexo sistema político brasileiro. 
Sobre recentes declarações do General Mourão a respeito das mulheres: “Um general atacar as mulheres, mães e avós, e dizer que são fabricas de desajustados, é um insulto sem razão alguma. As mulheres são um terço das chefes de família, batalham muito para criar os filhos, pra colocar na escola, alimentar, cuidar e vem esse general dizer que a culpa da criminalidade é delas? Isso tem a ver com misoginia, uma mistura de poder, machismo, atraso e, principalmente, um desejo que a mulher se perpetue como serva, sem remuneração alguma pelos seus serviços.” E ele complementa sobre o presidenciável fascista: “alguém que diz que teve quatro filhos e errou na quinta vez porque nasceu uma mulher, por aí você entende o desprezo que essa pessoa tem pelas mulheres.”
José Dirceu, que também foi vítima da operação Lava Jato e espera em liberdade a sentença, afirmou que Lula quer ser inocentado, que ele não aceita um indulto (que é um ato de clemência do Poder Público), como vem sendo disseminado nas redes sociais. “Lula não quer ir para a prisão domiciliar, nem usar tornozeleira eletrônica, como aconteceu comigo. Ele quer ser liberto e quer que seja feito pela justiça”.
A obra “Zé Dirceu – Memórias Volume 1” figura entre os mais vendidos do país. A obra foi editada pela Geração Editorial e já vendeu 30 mil exemplares. O lançamento ocorrerá hoje, no Sindicato dos Bancários, às 19h, com sessão de autógrafos e debate sobre a obra.
José Dirceu escreveu o livro em cerca de cinco anos, enquanto esteve na prisão. A obra narra os bastidores da sua militância estudantil nos anos 1960, o exílio e o treinamento para ser guerrilheiro em Cuba, a cirurgia plástica que mudou o seu rosto, a vida clandestina no Brasil nos anos 1970 e a volta à legalidade com a anistia, em 1979. A obra é também um passeio pela fundação do Partido dos Trabalhadores, no qual se tornou presidente e maior responsável pela eleição de Lula à Presidência da República. Um livro imprescindível para entender o atual momento político do país.
 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Ouça o Programa Brasil de Fato - Edição São Paulo e Sorocaba - 22/09/18

sab, 22/09/2018 - 08:00
RÁDIO Propostas dos candidatos à governador de São Paulo são destaques do programa Redação | Programa vai ao ar em São Paulo na rádio Imprensa FM 102.5 e em Sorocaba na rádio Super FM 87.5 Gabi Lucena | Bdf

A edição do programa Brasil de Fato de São Paulo desta semana destaca o quadro "Alimento é Saúde" que fala sobre alimentos a base de soja que compramos no mercado e que escondem em seus rótulos a existência de transgênicos. 

Outro destaque é a volta da transmissão da Rede Lula Livre, que traz notícias direto de Curitiba, onde o ex-presidente Lula é mantido como preso político desde abril. Além disso, a edição traz uma reportagem sobre as propostas dos candidatos que concorrem à governador de São Paulo em relação a melhoria do acesso da população às universidades. 

E ainda, no quadro "Momento Agroecológico" você vai conhecer o trabalho de um grupo do MST (Trabalhadores Rurais Sem Terra), do semiárido alagoano, que juntou agroecologia, apicultura e jovens da comunidade local. 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Ouça o Programa Brasil de Fato - Edição Pernambuco - 22/09/18

sab, 22/09/2018 - 07:00
PERNAMBUCO Dia de luta contra a discriminalização do aborto é destaque nesta edição Da Redação | Sintoniza a Rádio Clube 720 AM aos sábados e domingos, às 7h Arte: Brasil de Fato

O programa dessa semana traz uma entrevista com Paula Viana, que é enfermeira e da coordenação colegiada do Grupo Curumim. O tema da conversa são as pautas em torno do aborto no Brasil, especificamente sobre o dia de luta Latino Americano e Caribenho pela Discriminalização do Aborto, que é celebrado no no dia 28 de Setembro.

Além disso, nosso repórter Daniel Lamir destaca os temas e as declarações mais importantes da coletiva de imprensa com José Dirceu, que estava no Recife para o lançamento do seu livro "Zé Dirceu - Memórias". Ele fala do cenário político atual e também das eleições. 

Nesta edição também tem o quadro Mosaico Cultural com todas as informações e vida do escritor chileno Pablo Neruda. Ainda tem a retomada do boletim semanal da Rede Lula Livre, que volta a ser veiculado em todos os nossos próximos programas. Este quadro sempre traz os temas relacionados ao preso político Luiz Inácio Lula da Silva, que está na Polícia Federal de Curitiba.

Tem isso e muito mais. Confere!

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

"Não dá mais para os pobres pagarem tanto em impostos", afirma economista

sex, 21/09/2018 - 22:02
Desigualdade Esther Dweck defende reforma tributária em artigo do livro “O Brasil de Amanhã”, lançado nesta sexta (21) Júlia Rohden | Esther Dweck defende a revogação do Teto dos Gastos Sérgio Silva

“Nenhuma regra fiscal pode impor um tamanho do Estado, é a sociedade quem deve definir qual tamanho o Estado deve ter. Se a sociedade quer mais educação, saúde, mais serviços, precisa saber que isso deve ser financiado e deve definir como financiar”, avalia Esther Dweck, professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A economista critica a Emenda Constitucional 95 (EC 95), conhecida como Teto dos Gastos, que congelou pelos próximos 20 anos os investimentos públicos, e avalia que as medidas adotas pelo governo golpista de Michel Temer (MDB) tiveram impacto negativo no crescimento econômico e na distribuição de renda. 

A avaliação de Dweck foi compartilhada durante o evento de lançamento do livro “O Brasil de Amanhã”, nesta sexta-feira (21), na Fundação Perseu Abramo, em São Paulo. O livro apresenta 11 textos que sintetizam o trabalho do Coletivo de Economistas que se reúne frequentemente no Instituto Lula para debater as políticas implantadas por Temer e propor soluções para o próximo governo.

Esther Dweck e Pedro Rossi participam do livro com um artigo sobre política fiscal e defendem, como medidas urgentes, a revogação da EC 95  e a implementação de uma reforma tributária. “Não dá mais para os pobres continuarem pagando muito imposto e, para piorar, com a Emenda Constitucional 95, não tendo de volta os serviços [públicos]”, sintetiza a economista.

Os autores propõem aumentar a faixa de brasileiros isentos do imposto de renda e aumentar a contribuição para os mais ricos. De acordo com os economistas, dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstram que 10% dos mais pobres comprometem 53% de sua renda com tributos, enquanto os 10% mais ricos contribuem com apenas 23% da sua renda disponível.

Democratização da mídia

O jornalista e advogado Rui Falcão é outro dos autores do livro “O Brasil de Amanhã”. Presente no lançamento, ele defendeu a necessidade de que o próximo governo democratize os meios de comunicação. Ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) e deputado federal e estadual, Rui Falcão aponta que a mídia teve papel central, junto com setores do judiciário e do capital internacional, para desestabilizar o governo de Dilma Rousseff e apoiar o golpe de 2016. 

"Não haverá democracia completa no país enquanto houver monopólio comandado pela rede Globo. É necessário, no mínimo, cumprir a Constituição que proíbe propriedade cruzada [quando um mesmo grupo controla diferentes tipos de mídia, como deter um canal de televisão e também de rádio, por exemplo], exige que não haja monopólios e oligopólios, além de exigir produção de conteúdo regionalizado e uma integração do sistema público, privado e estatal”, concluiu.

Na avaliação do Coletivo, não é possível replicar soluções vitoriosas do passado neste novo contexto de retrocessos, mas é necessário propor novas alternativas para a retomada do crescimento econômico e o combate à pobreza e à desigualdade.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Unidade para além do território: pesquisador analisa desafios do pan-africanismo

sex, 21/09/2018 - 20:45
Entrevista Pós-doutor em História da África, Muryatan Barbosa enaltece o papel dos estudantes negros na universidade brasileira Rute Pina | Segundo o pesquisador, pan-africanismo não pode ser analisado apenas do ponto de vista identitário Divulgação UFABC

Emancipação das populações negras, solidariedade entre os países da África. São esses os valores que unem os 400 militantes, de 50 nacionalidades diferentes, que participam desde ontem da 3ª Conferência Pan African Today (Pan-africanismo Hoje, em português). O evento acontece em Winneba, Gana, e termina na próxima segunda-feira (24).

O termo pan-africanismo é utilizado desde o início do século 20, quando começou o processo de reorganização do continente após séculos de colonização europeia.

Um dos primeiros líderes políticos a adotar a expressão foi Kwame Nkrumah, ex-presidente de Gana, que propunha solidariedade entre africanos e afrodescendentes em todo o mundo.

Para explicar os desafios que se impõem ao pan-africanismo no século 21, a reportagem do Brasil de Fato conversou com o professor Muryatan Barbosa, pós-doutor em História da África. Na entrevista abaixo, o pesquisador ressalta a importância do ideal de civilização africana como forma de superar o racismo e a herança da escravidão.

“A entrada dos estudantes negros na universidade, nos últimos quinze anos, é uma caixa de pandora, um elemento fundamental para transformar esse pensamento brasileiro”, afirma Muryatan. “O Brasil está em uma encruzilhada. Ele criou uma abertura e hoje tem que decidir se vai aprofundar essa abertura ou se vai voltar para a caverna, onde o Brasil sempre esteve”, completa.
Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato: O que é o pan-africanismo e em que contexto histórico ele surge?

Muryatan Barbosa: O termo começou a ser utilizado no final do século 19 para se referir a uma luta dos africanos e dos afrodescendentes por uma vida mais digna, por uma luta comum por ideais de liberdade, de solidariedade da raça negra. Ficou consagrado no primeiro Congresso Pan-Africano de 1900, em Londres. A partir de então, vem sendo usado de formas diversas.

A partir da década de 1960, o termo foi muito relacionado às lutas anti-neocolonialistas, pelo fim das opressões dos povos africanos. Quais são as principais bandeiras e frentes de luta do pan-africanismo hoje?

Desde o fim do século 19, há algumas bandeiras, comuns como a ideia da liberdade. Lembrando que falamos da época do colonialismo na África. Então, é a ideia de libertação, de integração da África, de uma personalidade africana, uma civilização africana que tinha valores a contribuir para a humanidade, e a ideia da solidariedade. Esses quatro princípios sempre caminhavam junto com a luta pan-africanista.

Em 1945, ocorreu o Congresso mais importante até hoje: o Congresso pan-africano de Manchester. Nesse Congresso, várias correntes pan-africanistas se uniram em prol da defesa da descolonização da África. Então, a partir de 1945, o pan-africanismo ficou muito associado à luta pelas independências africanas.

Sobretudo, com o Kwame Nkrumah, há um tipo de luta que era pela unidade africana. Para além da independência nacional. O Nkrumah, que passou a ser o principal líder pan-africanista do pós guerra, em 1950-60, passou a defender que a descolonização deveria levar à unidade africana como um todo. Isso trouxe uma nova roupagem, um novo teor à luta pan-africanista.

Ocorreram várias disputas em torno de como se realizaria essa unidade. Todos os pan-africanistas, na época, defendiam essa unidade, mas a questão era como ela iria ocorrer. O Nkrumah defendia que isso deveria ocorrer de forma rápida, outros defendiam que isso ocorreria gradativamente. Então, houve uma ruptura dentro dessa tradição pan-africanista, e a formação da organização da unidade africana foi uma forma de tentar unir novamente as diversas correntes.

Mas, a bem da verdade, a corrente que defendia o gradualismo, tornou-se mais importante. Já nas décadas de 1970-80, período pós-colonial da África, portanto, houve o ressurgimento de algumas tendência mais associadas ao Garveyismo, com a ideia de raça dentro do pan-africanismo. O afrocentrismo e outras tendências e, por outro lado, a ideia de classe.

Os neomarxistas, a partir de uma apropriação do Fanon e do Walter Rodney, passaram a defender a ideia de classe como fundamental para o pan-africanismo. Nós tivemos, nesse momento, uma disputa dessas duas correntes. O pan-africanismo na África continuou muito ligado ao continentalismo, na verdade, à ideia de uma integração regional que gradualmente iria se consolidando. E, assim, o pan-africanismo perdeu a unidade que tinha no pós guerra.

Mais recentemente, de 2000 pra cá, após o fim do Apartheid, com a participação forte da África do Sul, da Líbia, da Nigéria e do Zimbabwe, sobretudo, houve o renascimento do pan-africanismo mais continentalista. Isso está vinculado ao crescimento dos países africanos e à fundação da União Africana, também em 2001. Então, há uma preocupação em fazer renascer a ideologia pan-africanista, como uma ideologia de formação de uma nova arca. Daí o slogan: "Soluções africanas para problemas africanos".

E também, claro, tentando atualizar esse ideal para questões que não foram anteriormente muito abordadas como a questão de gênero, a questão da democracia, dos direitos humanos, que não eram questões centrais pro pan-africanismo mais antigo. 

Como o pan-africanismo se aproxima dos debates de classe e de movimentos de esquerda, por exemplo? 

Isso foi muito forte. O próprio Nkrumah, figura chave para todo o debate pan-africanista, passou a aceitar o socialismo científico, o marxismo comunista, depois do golpe de estado em Gana, em 1966. Dali até sua morte, em 1972, passou a defender essa percepção de um pan-africanismo de classe, stricto sensu. Isso reverberou na Diáspora, no panteras negras, já havia antecedentes claro, e tudo isso, no final dos anos 1960-70, aproximou o pan-africanismo do marxismo, com vários debates de classe.

Essa tendência continua. Até hoje, há uma tendência marxista dentro do pan-africanismo. Mas ela não é a única. Existem algumas mais aproximadas a tendências liberais, e outras que acham que o pan-africanismo tem sua própria tradição política, que não deve ser interpretado como uma variante local do marxismo, ou do liberalismo, ou de outras ideologias ocidentais.

Para os pan-africanistas, a unidade é um elemento maior do que a raça, a classe, o gênero, e outros elementos. Essa tendência continua forte e está tentando construir esse pan-africanismo de um ponto de vista mais institucional da união africana. 

O Brasil é um país importante no contexto da chamada Diáspora Negra. Qual a contribuição dos pesquisadores brasileiros para o pensamento pan-africano? 

Essa discussão chegou ao Brasil a partir da influência da negritude francófona. Existia, antes disso, na imprensa negra aqui em São Paulo, algumas referências ao Garvey, mas parece ser algo mais esporádico. No final das décadas de 40 e 50, tem, em particular, no Teatro Experimental do Negro (TEN), havia um debate sobre o movimento da negritude francesa, sobre os intelectuais africanos da época. Acho que, no Brasil, o TEN, liderado pelo Abdias do Nascimento, foi, a instituição mais importante dessa chegada do debate pan-africanista aqui no Brasil.

Sobretudo, penso eu, a partir da presença do Abdias, do Heronides Rodrigues, e do Guerreiro Ramos. Eram os três que mais lidavam com essa temática e criaram um pensamento próprio dessa discussão. Existia uma interpretação própria, deles, não só da negritude francófona, mas também dessas outras abordagens pan-africanistas que mal chegavam no Brasil. Eu digo isso porque o Brasil nunca traduziu essas obras clássicas do pan-africanismo. O que chegava, era por uma leitura em francês, geralmente, ainda na década de 1950. Então, era algo não muito contínuo ou generalizado.

Já na década de 1970, aí sim, nós temos uma entrada de uma bibliografia de autores negros, em geral. Não só os pan-africanistas, mas também muitos dos Estados Unidos, que serão lidos por uma nova geração de ativistas do movimento negro, que depois vai formar o Movimento Negro Unificado (MNU), e outras organizações importantes dos anos 1980.

Havia grupos de leituras que liam Amílcar Cabral, liam o Kwame Nkrumah, eram grupos de ativistas negros, estudantes, que corriam atrás da forma como podiam, e liam essa literatura. Isso na década de 1970-80. Nos anos 2000, eu acho que a coisa ficou um pouco mais secundarizada, mas o Discurso da Diáspora, sobretudo, se tornou um discurso que tomou conta desse debate. Mas também, infelizmente, nunca tivemos a tradução dos textos originais dos pan-africanistas, até aqui no Brasil. Só recentemente começamos a ter livros sobre o pensamento africano.

Isso está se divulgando rapidamente. Tem alguns livros novos interessantes sobre a temática, que é importante em diversos níveis. No nível político, acadêmico, enfim, há toda uma base de pensamento que foi pouca explorada no Brasil. 

Em relação a esse interesse crescente pelos autores, tivemos livros traduzidos do Nkrumah, do Fanon também, e estamos em um contexto de emergência das lutas identitárias. O que explica o aumento da procura por esses autores? 

Em primeiro lugar, a entrada dos estudantes negros na universidade. Enquanto isso não ocorria, era muito difícil conseguir pressionar as universidades, e consequentemente as editoras, para trabalhar com essa temática. Também porque havia uma clara predisposição das editoras, dos professores e da universidade a não trabalhar com essa temática. E não era só uma questão de má-fé. Havia muito de ignorância mesmo, porque o Brasil e a academia brasileira sempre foram muito egocêntricos.

Parte da esquerda via esse debate pan-africanista de uma forma um pouco problemática, como algo que secundarizaria o debate real da esquerda, que deveria ser o debate sobre as classes. Mas isso está sendo superado. Há uma disposição maior para o diálogo, hoje, sobre essas temáticas todas. Eu acho que a esquerda tradicional está aprendendo também que esse debate pan-africanista pode ser muito interessante para o Brasil. Há muito o que aprender nisso.

É questionável quando se coloca esse debate pan-africanista só no nível da questão de identidade. Porque o debate pan-africanista é maior que isso. Ele estruturou a luta pela descolonização na África, envolveu o debate de gênero, de classe. É algo que estamos só tateando aqui no Brasil.

Há muito o que trabalhar em cima desses assuntos, acho que estamos só no começo. Será importante para que o Brasil, de fato, fique mais cosmopolita, porque o nosso cosmopolitismo na verdade é disfarçado, é enviesado, porque é egocêntrico. Nós só conhecemos aquilo do debate intelectual que vem da Europa e dos Estados Unidos. E quando eu falo Europa, me refiro só a Inglaterra, França e Alemanha.

O Brasil está em uma encruzilhada. Ele criou uma abertura e hoje tem que decidir se vai aprofundar essa abertura, ampliar, democratizar, ou se vai voltar para a caverna, onde o Brasil sempre esteve. Então, é um esforço que está só no início.

É uma luta difícil, sobretudo, para os estudantes negros. Porque eles têm que lutar para se ver mais, sentir um maior reconhecimento na academia, para que as autoras e autores negros africanos sejam lidos, contra a massa de professores que não foi formada nessas temáticas e não tem interesse nessa discussão.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Raquel Dodge completa um ano à frente da PGR com atuação ambígua

sex, 21/09/2018 - 20:12
Balanço Procuradora-Geral da República assumiu a instituição em meio a polêmicas políticas Rafael Tatemoto | Dodge sucedeu Janot em período de fortes críticas à Procuradoria-Geral da República por conta de atuação na Lava Jato Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Raquel Dodge completa, nesta semana, um ano à frente da Procuradoria-Geral da República, órgão de cúpula do Ministério Público brasileiro que é responsável, entre outras coisas, por apresentar acusações contra autoridades políticas cujos processos ocorrem no Superior Tribunal de Justiça ou no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ela sucedeu Rodrigo Janot no comando da instituição. À época, sua nomeação gerou especulações sobre que rumos daria à instituição, já que foi escolhida por Michel Temer (MDB) entre os nomes da lista tríplice elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República em detrimento de Nicolao Dino, primeiro lugar do rol e mais próximo de Janot.

A observância da lista não é obrigatória, mas ao longo dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o candidato mais bem votado sempre foi empossado, "tradição" quebrada após o golpe de 2016. 

A substituição de Janot por Dodge se deu em um momento em que atuação da PGR estava sob intenso questionamento, principalmente no que toca à Lava Jato, por conta de questões como a colaboração de executivos da JBS, que chegaram a ter os benefícios anulados pelo STF posteriormente.

Uma das polêmicas foi a atuação de Marcelo Miller, que trabalhava no gabinete de Janot, em empresa de advocacia que defendia os integrantes da empresa. A colaboração, que contou com a gravação de áudios, foi considerada ilegal por muitos juristas, e embasou as duas denúncias contra Temer rejeitadas na Câmara dos Deputados. A forma como as delações eram fechadas -- e muitas vezes vazadas -- também levantava ataques à credibilidade da instituição.  

Em seu discurso de posse, Dodge sinalizou uma possível mudança de perspectiva em relação a Janot, afirmando que sua atuação visaria garantir que "ninguém esteja acima da lei e ninguém esteja abaixo da lei". Mas seu primeiro ano à frente da PGR significou poucas mudanças na esfera dos posicionamentos da instituição quando se trata da interpretação da lei.

Abusos

A atual procuradora-geral da República, por exemplo, se manifestou favoravelmente à possibilidade de prisão após condenação em segunda instância em todas oportunidades que o tema foi debatido no STF. A Constituição diz que a privação de liberdade só pode ocorrer após todos os recursos terem sido esgotados, o que inclui não só a segunda instância, mas também o STJ e o STF.  

Dodge também se manifestou favoravelmente à possibilidade de condução coercitiva -- ou seja, do uso de força policial para forçar a prestação de depoimentos -- sem convocatória prévia que tenha sido desrespeitada pelo investigado, prática bastante utilizada pela operação Lava Jato.

Após a maioria do STF rejeitar tal entendimento, o Ministério Público passou a pedir prisões preventivas e temporárias. O último caso a ganhar holofotes foi o de Beto Richa (PSDB), ex-governador do Paraná e candidato ao Senado. Posteriormente, o ministro Gilmar Mendes concedeu liberdade ao tucano. Dodge, por sua vez, pediu que a prisão fosse restaurada e a questão decidida no Plenário da Corte.

Em temas fora da esfera penal, como a defesa de povos tradicionais e o combate ao trabalho escravo, Dodge tem mostrado sensibilidade. Na primeira questão, por exemplo, se manifestou contra a tese do marco temporal, que defende que indígenas e quilombolas só teriam direito a territórios que ocupavam efetivamente no momento da promulgação da Constituição, em 1988. Em relação ao aborto, cuja criminalização é contestada no STF, tem demorado a apresentar seu parecer, afirmando que esperaria o fim das audiências públicas sobre o tema para se posicionar. 

Processos

Uma das críticas recorrentes à sua condução da PGR é a de que Dodge se posiciona tardiamente. Quando, em fevereiro, por exemplo, Fernando Segovia, então diretor da Polícia Federal, afirmou em entrevista que seria arquivado por ausência de provas o inquérito contra Temer relativo ao Decreto dos Portos, que supostamente teria beneficiado empresas ligadas ao emedebista, o ministro do STF Luís Roberto Barroso pediu esclarecimentos ao policial pelas declarações à imprensa. A PGR se manifestou dias depois sobre o assunto, no mesmo documento em que pediu a prorrogação da investigação.

A atuação da Procuradoria-Geral em relação a Temer, na qual se inclui o referido inquérito, é outro alvo de polêmicas. Dodge inovou em relação a Janot ao entender que é possível investigar o presidente da República por atos anteriores ao exercício do mandato, afirmando ser apenas vedada o processo penal, que ficaria para depois do fim do governo. De outro lado, rejeitou a solicitação feita pela Polícia Federal de quebra de sigilo bancário e fiscal de Temer no curso da investigação. O ministro Barroso, contrariando a posição da PGR, decidiu pela quebra de sigilo.

Mais recentemente, em meados de setembro, o ministro Edson Fachin determinou que a PGR se manifeste sobre o oferecimento ou não de denúncia contra Temer em caso relacionado a suposto recebimento de propina por parte da Odebrecht ocorrido em 2014, quando o emedebista era vice-presidente. Janot havia optado por não incluir Temer na investigação, o que foi modificado por um pedido de Dodge. Caso a PGR opte pelo não oferecimento, o caso irá para a primeira instância com a perda de mandato de Temer. A Constituição veda que o presidente seja processado por fato anterior ao seu governo, posição que Dodge já afirmou outras vezes. 

Raquel Dodge, segundo levantamento da PGR, ofereceu 46 denúncias ao STF e ao STJ durante seu primeiro ano, envolvendo 144 pessoas. O número equivale a uma denúncia a cada semana. Além das denúncias, que são a primeira petição do processo penal, a Procuradoria solicitou a abertura de 85 inquéritos, ou investigações, fase que antecede o processo propriamente dito.

A relação de Dodge com o meio político não é completamente clara. Ofereceu denúncias contra petistas e petebistas. Nos primeiros seis meses de condução da PGR, não fechou nenhum acordo de colaboração. A partir do segundo semestre deste ano, o ritmo das denúncias oferecidas caiu consideravelmente. 

Avaliações

Lembrando da posição de Dodge em temas como a prisão após condenação em segunda instância, defendida pela procuradora, Paulo Teixeira, deputado federal pelo PT paulista e doutor em direito pela USP, vê mais continuidade do que rupturas em relação à Janot. 

“Acho que continua com os mesmos vícios, só mudou de gênero. Eu acho que é o retorno da democracia. Estamos vivendo um Estado de Exceção. A eleição pode ser um curativo para isso. Um governo que tenha legitimidade democrática para equilibrar a relação entre os poderes”, diz. 

Já Antônio Carlos “Kakay” de Almeida Castro, advogado criminalista que tem atuado na Lava Jato , entende que a postura de Dodge conduzindo o órgão é distinta da de seu antecessor. 

“O primeiro mandato do Rodrigo Janot foi um mandato em que ele trabalhou bem, com maior tranquilidade. O segundo mandato foi mais difícil, no qual ele se perdeu um pouco. Ele falar 'enquanto houver flecha, haverá flechada'. Se manifestando muito. As delações sendo feitas de forma apressada. Delações que agora começaram a ser questionadas no Supremo. Várias denúncias não estão sendo recebidas”, avalia. 

O estilo de Dodge, para Kakay, tem representado um “freio de arrumação”, incluindo seu maior “recato” ao interagir com a imprensa, o que ele entende ser uma atitude mais respeitosa em relação a acusados e investigados. Uma das questões que a PGR passou a enfrentar em 2018, por demanda do Supremo Tribunal Federal, foram os vazamentos de delações. Até o momento, nenhum esclarecimento veio a público. 

“O inicio do mandato dela está tendo uma grande vantagem. Está fazendo as coisas com um pouco mais de estudo. Mesmo as delações mais espetacularizadas não estão ocorrendo. Eu acho isso positivo para a advocacia. O poder dela é um poder enorme, e uma extrema responsabilidade deve ser correspondente”, diz. 

O mandato de Dodge se encerra em 2019, com possibilidade de recondução para mais dois anos à frente da PGR.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Reforma da Previdência: trabalhadores rurais serão os mais prejudicados

sex, 21/09/2018 - 19:44
Direitos Em entrevista, advogado previdenciário analisa o atual projeto de reforma e o impactos que a população pode sofrer Lia Bianchini | "A reforma da Previdência proposta por Temer não é uma reforma, é a destruição da Previdência", diz advogado previdenciário Foto: Joka Madruga/APT

A Previdência Social é um dos principais alvos do governo de Michel Temer (MDB) e da direita política do Brasil. A proposta de reforma apresentada pela articulação que aplicou o golpe de Estado em 2016 sugere mudanças significativas nos moldes como o benefício é calculado atualmente, alterando, por exemplo, o tempo de contribuição e a idade mínima para aposentadoria. 

Ainda que, por ora, fora da pauta legislativa, a Reforma da Previdência continua presente nos debates políticos. Em conversa com o Brasil de Fato, o advogado previdenciário Ludimar Rafanhim fala sobre as mudanças propostas pelo atual governo para a Previdência, além das propostas dos presidenciáveis. 

Brasil de Fato -- Quais são as principais ameaças representadas pela Reforma da Previdência?

Ludimar Rafanhim -- A reforma da Previdência proposta pelo governo Temer não é uma reforma, é a destruição da Previdência. É acabar com a aposentadoria por tempo de contribuição. É mexer na aposentadoria dos servidores públicos. A aposentadoria por invalidez passa a ser integral apenas se for acidente de trabalho. No INSS, hoje, todas as aposentadorias por invalidez são integrais. Nas pensões por morte ocorre uma mudança significativa, porque a pessoa não vai poder acumular pensão e aposentadoria.

Se passar de dois salários mínimos, vai ter que escolher um dos dois. Outra mudança significativa é a dos trabalhadores rurais, que, na minha opinião, é a mais cruel de todas. Hoje, o trabalhador rural se aposenta após 15 anos de atividade rural, bastando a mulher ter 55 anos e o homem, 60. Na proposta do governo, não basta mais ter esses 15 anos de atividade rural, eles precisam ter 25 anos de contribuição. Na verdade, é retirar desses trabalhadores rurais -- que hoje não tem uma contribuição específica -- o direito que eles tinham, que eles conquistaram. A idade mínima para se aposentar passa a ser 65 anos. Tem uma emenda que reduz para 62 para mulher, mas a proposta inicial é de 65 anos tanto para o homem quanto para a mulher. Então, são todos esses ataques.

Todos os candidatos à presidência têm propostas para essa área. O Haddad, por exemplo, já se manifestou contrário à reforma do governo Temer; já Bolsonaro, propõe um sistema de contas individuais de capitalização. Como você analisa essas propostas?

Todos eles estão falando de algum tipo de reforma. Na minha opinião, a reforma que deveria ser feita seria a seguinte: para os atuais trabalhadores, que já estão no sistema, não deve mexer. Eles querem que a Previdência seja financiada apenas com a contribuição patronal e dos empregados. Só que há outras fontes de financiamento. Quando eu falo em financiamento, é porque várias entidades são isentas da contribuição patronal, por exemplo. E isso tinha que ser revisto.

Outra questão que eles não falam também é que o sistema de seguridade deve ser financiado pelo orçamento geral. Não é só pela contribuição de empregado e empregador. Então, é um mito o déficit da Previdência. 

Eles estão falando em privilégio. Bom, que privilégios são esses? Falar que servidor público é privilegiado porque se aposenta com valor integral de sua remuneração? Calma, ele se aposenta com valor integral, é porque ele contribui. 

O problema é na origem disso. Por que a maior parte dos cidadãos brasileiros ganham um salário mínimo, dois salários? Por que 1% dos brasileiros ganham mais que 26 mil reais? Pra mim, é aí que está o desequilíbrio na divisão, não é lá na Previdência. A previdência apenas sofre os efeitos disso.

Pensando nos próximos meses, quais são os futuros possíveis para a tramitação dessa Reforma da Previdência?

Então, eu acho que o [Henrique] Meirelles, o [Geraldo] Alckmin, o [Jair] Bolsonaro, sem dúvida já disseram que concordam com essa reforma que está aí. O Meirelles, inclusive, é o mentor dessa reforma que está no Congresso. Eu acho que, com relação a isso, os movimentos sociais têm que se preparar para fazer a resistência. Nos outros governos que podem existir, se for o Haddad, por exemplo, nós temos que saber que temos que garantir a eleição, a posse, e garantir que governe.

Porque a reforma da previdência não é uma coisa da cabeça dos políticos só. É uma coisa do mercado. Só pelo fato de o Temer anunciar que a idade mínima poderia ser de 65 anos, a carteira de clientes das previdências privadas aumentou 19%. É o mercado nacional, mas o mercado internacional também, que está de olho nesses milhões de brasileiros que podem passar a contribuir. O movimento social não vai poder ir para casa. 

Nós estamos em frente ao local onde Lula está mantido preso. Como você enxerga a politização do judiciário e qual é a importância de defender a candidatura de Fernando Haddad?

Então, acho que a gente não pode fingir que o Judiciário não tem lado. Quais são as pessoas que conseguem passar em um concurso público do Judiciário? Não são os filhos dos trabalhadores rurais. São pessoas que se formam e que podem ficar mais três, quatro anos estudando. Então, o Judiciário tem lado e não é o lado dos trabalhadores. Se a gente for pegar o exemplo do que está acontecendo no Brasil hoje: o ex-governador Beto Richa (PSDB) foi solto rapidinho. O Lula está preso aqui. Então, o judiciário tem lado. O Ministério Público, infelizmente, tem lado. Não deveria ter, mas tem lado. Então, é muito importante, quando eu falo em garantir [a candidatura], é garantir, inclusive, juridicamente. Porque podem criar algum empecilho para tomar posse, para governar. E a gente tem que estar preparado para defender ele. A candidatura, a eleição, a posse e o governo.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Militante egípcio é preso em meio a perseguições do governo, denunciam ativistas

sex, 21/09/2018 - 19:07
Ação do Judiciário Partido Pão e Liberdade denuncia que condenação de um dos seus membros é medida para frear protestos populares Zoe PC | Protesto de mulheres no Cairo, neste ano Mosa’ab Elshamy/972mag

A Justiça do Egito condenou nessa quinta-feira (20) o militante Mamdouh Makram, do Partido Pão e Liberdade, a seis meses de prisão. Makram havia sido preso em 2016 no contexto de uma revolta popular desencadeada pela notícia de que o presidente egípcio, Abdel Fatah el-Sisi, aceitou entregar duas ilhas no Mar Vermelho ao Reino da Arábia Saudita, como parte de um acordo de demarcação de fronteira marítima entre os dois países.

A decisão provocou uma onda de protestos no Egito, com grandes manifestações e demonstrações de revolta nas redes sociais. Às intensas mobilizações, seguiu-se uma repressão severa por parte do governo em todo o país, em diferentes frentes. Na época, Mamdouh foi levado para a prisão e ficou 25 dias detido. Apesar de ter sido liberado ainda em 2016, a Justiça começou a ouvir o caso do militante novamente e, nessa quinta-feira, anunciou a sentença.

Mamdouh é um militante socialista dedicado desde os tempos da faculdade e é um dos fundadores do Partido Pão e Liberdade, relatam membros de sua organização. Ele nasceu em Asyut, no Alto Egito, uma das províncias mais pobres do país, que possui um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano.

O portal Peoples Dispatch conversou com Elham Eidarous, representante legal do Partido Pão e Liberdade e um de seus fundadores, e com Mohamed Abdo, porta-voz do partido, para entender o que motivou a prisão de Mamdouh e seu trabalho dentro de sua comunidade e do partido:
 
Peoples Dispatch - Por que Mamdouh foi preso?

Elham Eidarous - Durante os protestos de abril a junho de 2016, o governo começou a prender os militantes mais ativos e visados de cada província. Nós somos um partido muito pequeno, em ascensão, e dez dos nossos militantes foram presos. De um partido maior, o Al-Dostour – Partido da Constituição –, 30 foram presos; e, da Aliança Popular, outro partido socialista, dois ou três foram presos. Essa repressão aconteceu em todas as regiões e contra todos os partidos.

Na época, Mamdouh ficou 25 dias detido, mas a Justiça começou a ouvir seu caso novamente. Além disso, cerca de dez dos nossos companheiros foram presos naquele momento. Alguns foram absolvidos pela Justiça posteriormente e outros saíram da prisão, mas os casos não foram encerrados e, agora, estão sendo levados de volta a julgamento, como aconteceu com Mamdouh.

Esse é o caso também do nosso camarada Gamal Amdel-Hakeem, que é o diretor do coletivo de estudantes do partido. Ele é um jovem de 21 anos que foi condenado, no ano passado, a cinco anos de prisão por causa de opiniões sobre o governo publicadas no Facebook. No meu país, eles simplesmente odeiam o Facebook! É sempre um grande problema quando publicamos alguma coisa no Facebook.

Mas o que é mais estranho no caso de Gamal – e é a razão pela qual ele vai ficar cinco anos preso – é que a Justiça o acusou de incitar o terrorismo utilizando as redes sociais. No caso de Mamdouh, a acusação foi de incitação à desobediência às leis e injúria contra autoridades públicas, e ele foi condenado a seis meses de prisão. Muitos jovens homens e mulheres como Mamdouh e Gamal estão sendo presos por suas opiniões, por publicarem posts no Facebook, entre outras coisas.

Essas acusações são consequência de alguma legislação recente do regime de Abdel Fattah el-Sisi?

EE: O Egito nunca foi uma democracia. O Código Penal egípcio começou a ser escrito no início do século 20. Temos alguns crimes peculiares na legislação que existem desde 1940 e que não foram revistos até hoje. Todo governo que chega ao poder só acrescenta mudanças mais opressivas e arbitrárias.

[Abdel Fattah el] Sisi realizou mudanças mais severas no Código Penal, incluindo uma lei completamente nova sobre atos terroristas cometidos por indivíduos, como aquele pelo qual Gamal está sendo acusado, ou por organizações. Basicamente, os juízes têm uma pilha de legislação opressiva do século passado e estão autorizados a usá-la.

A acusação contra Mamdouh está baseada em uma lei redigida provavelmente nos anos 1950, enquanto a acusação contra Gamal se baseia em uma lei de 2015. Por exemplo, se você participa de uma manifestação, você pode ser acusado a partir de duas leis. Uma, que trata do protesto como crime individual, foi criada em 1910, ainda quando o país estava sob o domínio britânico, e é válida até hoje. Ou você pode ser enquadrado em uma lei criada pelo regime de Sisi em 2013, chamada de Lei de Protestos e Manifestações Públicas, que trata protestos e manifestações como crimes coletivos. O regime de Sisi acrescentou ainda mais leis – e mais arbitrárias – à legislação opressiva que já existia.

Mamdouh Makram foi sentenciado a seis meses de prisão por participação em protestos de 2016 | Foto: Arquivo pessoal

O que faz o Judiciário? Aceita todas as acusações feitas pelo governo?

EE - Houve uma época em que o Ministério Público se pautava mais por diretrizes legais, então, se a polícia não fizesse seu trabalho fazendo o boletim de ocorrência sobre você, ou cumprindo outros aspectos do devido processo legal, talvez a acusação tivesse contratempos. No entanto, hoje se tornou uma raridade, principalmente agora que temos tipos inovadores de acusação, principalmente para casos políticos. Esse tipo de processo é diferente do julgamento na esfera criminal. Você pode ficar em prisão preventiva por até dois anos. E isso nunca chega a julgamento, porque eles esperam que, se chegar, você será absolvido.

Mohamed Abdo: Formalmente, no Egito, não existem prisioneiros políticos, a não ser membros da Irmandade Muçulmana, mas, tecnicamente, todos os prisioneiros democráticos são levados à prisão preventiva por dois anos com base nessas leis. E, agora, estão encontrando brechas na legislação para manter você preso por ainda mais tempo!

EE - O Judiciário hoje é um grande problema. Eles não são apenas seguidores do Poder Executivo, como fazem parte da contrarrevolução. São pessoas conservadoras que estão defendendo o regime. Não estão seguindo ordens – estão é se vingando de certos grupos e certas classes da sociedade que creem ser causadoras de caos. E o “caos” é a revolução, claro.

Podem falar um pouco mais sobre Mamdouh?

EE - Mamdouh tem muito interesse na formação política e no pensamento revolucionário. No partido, ele trabalha principalmente com formação, estudando teoria política e a simplificação disso para torná-la acessível a novos membros.

Ele também tem muito interesse em poesia e literatura e expressa isso em seu trabalho com instituições culturais públicas. No Egito, existem centros culturais do governo que normalmente são administrados por um bando de funcionários burocráticos que não fazem nada. Mas, onde há gente como Mamdouh, gente que vai e se oferece e ativa esse tipo de equipamento, eles passam a ser muito importantes para a vida cultural, principalmente fora da capital. Ao contrário de Cairo, onde há muitos espaços culturais privados – tanto com ou sem fins lucrativos – em lugares como Asyut não existem muitos.

Ele também é muito crítico do fundamentalismo religioso reacionário incrustado nas tendências políticas islâmicas e já escreveu sobre o assunto.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Apenas sete das 12 campanhas presidenciais trazem políticas específicas para LGBTs

sex, 21/09/2018 - 19:00
Eleições 2018 Especialistas destacam demandas por combate à violência e promoção da saúde, emprego e direitos sociais Cristiane Sampaio | Bolsonaro e Daciolo apresentam em seus programas ataques às demandas da população LGBT Mídia Ninja

Dos 13 nomes que participam da corrida rumo ao Palácio do Planalto, quatro não abordam a questão da diversidade sexual no plano de metas protocolado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São eles: Álvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB), Eymael (DC) e João Amoêdo (Novo). Dos nove que mencionam dois não trazem uma perspectiva positiva sobre a promoção de políticas voltadas ao público LGBT

É o que aponta o pesquisador Cleyton Feitosa, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (Ipol/UnB), que fez uma análise dos diferentes programas. Segundo o levantamento do cientista político, as propostas de Jair Bolsonaro (PSL) e Cabo Daciolo (Patriota) atacam a pauta do segmento LGBT, apresentando um discurso de caráter reacionário.

O programa de Bolsonaro, por exemplo, afirma, em caixa alta, que a educação é algo que precisa ser desenvolvido “sem doutrinação e sexualização precoce”. Feitosa analisa que o discurso está diretamente alinhado ao de propostas como a do programa Escola sem Partido e do movimento que combate a chamada “ideologia de gênero”, em oposição à pauta da construção da igualdade.

O plano de metas de Daciolo também se coloca de forma contrária à ideia de “ideologia de gênero”, fazendo menção a um suposto estímulo à pedofilia.

“Quem está na militância sabe que é uma clara oposição e uma tentativa de fortalecer o estigma de que homossexuais seriam pedófilos, estimulariam sexualidade precoce, infantil, essas coisas. Ainda que sutil, tem uma menção implícita”, afirma.

O pesquisador destaca que, apesar de os dois candidatos não mencionarem no texto a sigla “LGBT”, isso não impede que seus programas sejam apontados como um plano de metas contrário aos direitos humanos e, por consequência, avesso aos interesses do segmento, que reúne gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.

Promoção de cidadania

Já os demais candidatos, de acordo com a pesquisa de Feitosa, apresentam um projeto de governo com diagnósticos e propostas voltados ao tema de forma considerada positiva. O plano de Geraldo Alckmin (PSDB) aborda a pauta timidamente, propondo que seja feito um “pacto nacional para redução da violência contra idosos, mulheres e LGBTI”.

Ciro Gomes (PDT), por exemplo, traz 14 propostas, com destaque para a criação de uma Secretaria Nacional de Políticas Públicas LGBT. João Goulart Filho (PPL) propõe a qualificação do atendimento a pessoas do segmento no serviço público.

Já o projeto de Guilherme Boulos (PSOL), segundo levantamento do pesquisador, menciona a sigla “LGBT” 73 vezes ao longo das 238 páginas do programa de governo – o mais extenso de todos os candidatos.

O plano dá centralidade ao tema, abordando os direitos LGBTs em diferentes seções, como educação, emprego, moradia, segurança e saúde, e defende a garantia da cidadania LGBT como política de Estado.

O programa do PT, antes liderado pelo ex-presidente Lula e agora encabeçado pelo ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, traz como objetivos a promoção do direito à vida, ao emprego e à "cidadania LGBTI", com destaque para pessoas que se encontram na linha da pobreza. Além disso, propõe a superação da violência por meio da criação da Rede de Enfrentamento à Violência contra LGBTI+.

Outro destaque do programa é a nacionalização do programa “Transcidadania”, que inclui pessoas trans nos serviços municipais a partir da distribuição de bolsas que buscam a qualificação de cidadãos em situação de maior vulnerabilidade. A experiência surgiu em São Paulo na gestão de Haddad.

Já Marina Silva (Rede) propõe o combate à discriminação nas escolas, a ampliação do acesso dos LGBTs aos serviços de saúde, além de políticas de prevenção da violência e acesso ao mercado de trabalho.

Apesar da ligação orgânica com setores evangélicos, o que fez com que, nas eleições de 2014, Marina recuasse em relação a temas mais progressistas, a candidata traz agora a necessidade de uma legislação que regulamente o casamento civil igualitário e defende o mesmo tratamento para casais que adotam crianças.      

Por fim, Vera Lúcia (PSTU) defende a criminalização da LGBTfobia, a regulamentação do nome social e educação com respeito à diversidade, entre outras coisas.  

Selo da diversidade

Preocupada com o tema e de olho no futuro cenário político do país, a Articulação Brasileira de Jovens Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ArtJovem LGBT) lançou, no mês passado, o “Selo ArtJovem LGBT – Eleições 2018”. O objetivo é certificar candidaturas que se comprometam com a pauta da comunidade LGBT.

De acordo com o coordenador nacional da entidade, Émerson Santos, a certificação considera cinco compromissos fundamentais.

São eles: promoção da saúde integral para a juventude do segmento e combate à epidemia de HIV/Aids e outras DSTs; execução de políticas voltadas à inclusão de jovens no mercado de trabalho; desenvolvimento de  políticas culturais direcionadas à expressão da cultura da juventude LGBT; e, por fim, a promoção de uma educação sem LGBTfobia e a criminalização da prática.

Os diferentes atos de violência somados ao avanço conservador no país resultaram, por exemplo, num aumento de 30% nos assassinatos de LGBTs em todo o Brasil entre 2016 e 2017. Foram 445 mortes ano passado, segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB).

Émerson Santos defende que a superação da violência comece nas escolas, por meio de ações que combatam o preconceito e promovam a cidadania do segmento.   

“Pra gente, é fundamental um presidente [da República] que tenha atenção às pautas e às demandas da população LGBT, e isso passa primeiro pela efetivação da nossa cidadania porque não temos esse exercício pleno no Brasil. Nossa cidadania é precária”, afirma.

Até o momento, a entidade certificou um total de 60 candidaturas, incluindo deputados estaduais, federais, governadores e senadores. Com relação aos presidenciáveis, a ArtJovem LGBT informou que tem conversado com as chapas de Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT), mas ainda não certificou nenhuma delas.

Atribuições

Cleyton Feitosa, que também é autor do livro “Políticas públicas LGBTs e construção democrática no Brasil”, destaca que o presidente da República, na condição de gestor público, tem grande relevância para a promoção de políticas voltadas ao segmento.

Ele é maior responsável pela execução das leis e pelo cumprimento dos ditames da Constituição Federal, que prevê, entre outras coisas, o combate à discriminação. O pesquisador destaca que a ideia de um presidente alinhado à pauta LGBT é importante também para que haja disposição política em canalizar recursos para ações destinadas ao segmento.

Mais que isso, Feitosa pontua que a sintonia do chefe do Executivo federal com a pauta LGBT tem também um valor simbólico.

“Se você tem um presidente ou uma presidenta que se coloca favoravelmente à questão LGBT, isso já é um ganho muito grande, porque ele também é um formador de opinião”, afirma.   

Os planos de governo dos presidenciáveis podem ser visualizados na plataforma virtual do TSE.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Paraíba tem a chance de eleger um senador de esquerda

sex, 21/09/2018 - 17:52
Eleições Luiz Couto (PT) foi recebido pela militância de João Pessoa e regiões, que demonstrou amplo apoio a a sua candidatura. Heloisa de Sousa | Estiveram presente ao evento o governador Ricardo Coutinho, integrantes de movimentos sociais e demais eleitores de Luiz Couto. Heloisa de Sousa

O auditório da Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais da Agricultura (Fetag) ficou repleto de militantes dos diversos movimentos sociais do estado da Paraíba, que se reuniram para demonstrar apoio ao candidato a senador, Luiz Couto (PT). Mulheres, feministas, idosas, juventude, LGBTs, movimentos de luta por moradia e por reforma agrária, trabalhadores e professores que gritavam: “A Paraíba já confirmou, Luiz Couto senador!”
Na ocasião foram entregues cartas-compromissos dos segmentos de mulheres, juventude, Lgbts e professores que elencaram uma série de propostas as quais consideram importantes que Luiz Couto defenda no Senado.
Luiz Couto (PT) é padre e professor, tem uma longa trajetória em defesa dos direitos humanos e da luta dos oprimidos. É deputado federal desde 2003, bastante atuante e conta sempre com o apoio dos movimentos sociais. 
O governador do estado da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), esteve presente e falou da importância de eleger Luiz Couto como Senador durante a abertura da plenária: “Não é simplesmente dizer que Luiz Couto é bom, o Brasil está muito bagunçado e a cabeça das pessoas está muito esquisita, oscila da esquerda para a extrema-direita numa velocidade muito rápida, e é preciso que a gente, que é militante, reconheça isso, e que possamos fazer Luiz senador eleito em 2018. A vitória de Luiz tem que ser, necessariamente, a derrota de Cássio, que é um inimigo do povo brasileiro. É inimigo por causa da reforma trabalhista, pela questão do petróleo, é inimigo pelo desprezo à Democracia, até mesmo a representativa.”.
Também estavam presentes os suplentes de Luiz Couto: o primeiro é Edvaldo Rosas, e o segundo, Alexandre Santiago. Presente, também, o coordenador da campanha de Haddad, na região nordeste, Jonas Paulo.
“É possível fazer o trabalho do amor, da paz e da justiça”, falou Luiz Couto. “ A primeira luta nossa será a revogação de todas as medidas de Temer que retiraram direitos do povo. Vamos lutar pela Constituinte porque precisamos olhar para o futuro, olhar para a juventude, principalmente a juventude negra que está enfrentando um genocídio. Precisamos investir em educação fortemente, e enfrentar o problema da violência contra as mulheres, do feminicídio e das desigualdades salariais entre homens e mulheres. Vamos lutar para que o Congresso Nacional e os partidos tenham paridade e destinem 50% das suas vagas para mulheres”, continuou o candidato, sob aplausos.
Marcella Arbia, do movimento feminista, Marcha Mundial das Mulheres e assessora parlamentar, fala que eleger Luiz Couto é uma questão de justiça. “Não só os paraibanos, mas o povo brasileiro precisa ter um representante comprometido com os direitos humanos no Senado, um Senador que vai defender nossos interesses. Vamos à vitória para a Paraíba e o Brasil ser feliz de novo”, enfatiza a militante.
A plenária foi encerrada pelo padre Luiz Couto, que cantou a música de Gonzaguinha, “viver e não ter a vergonha de ser feliz”.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Visita de Noam Chomsky a Lula é destaque nos programas estaduais do Brasil de Fato

sex, 21/09/2018 - 17:18
RÁDIO Edições vão ao ar em emissoras de MG, PR, PE e SP aos sábados e domingos Redação | Confira o que vai ao ar nas edições deste final de semana Gabi Lucena | Bdf

Os programas de rádio do Brasil de Fato trazem como destaque a visita do filósofo Noam Chomsky ao ex-presidente Lula, que é mantido preso político desde o dia 7 de abril, em Curitiba - PR. A edição de São Paulo também destaca as propostas dos candidatos que concorrem à governador do estado em relação a melhoria do acesso da população às universidades. Você confere ainda o quadro "Alimento É Saúde" que faz um alerta para o perigo dos alimentos à base de soja vendidos no mercado que não trazem informações sobre ingredientes transgênicos presentes na composição. 

Já o programa de Pernambuco traz a importância do dia 28 de setembro, Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização do Aborto com entrevista com Paula Viana, da Frente Nacional pela Discirmanilzação das Mulheres e Pela Legalização do Aborto. Além disso, os pernambucanos ouvem a cobertura da equipe do lançamento do livro "Em Memória", do ex-ministro  da Casa Civil, José Dirceu.

Na edição do Paraná você vai conferir uma reportagem que mostra como o desemprego tem contribuído para o endividamento dos brasileiros. A educadora popular Tatiana Dedine também bateu um papo com a equipe sobre a experiência da Rede Mandala de economia solidária. 

Em Minas Gerais, o destaque é a tentativa de impugnar a candidatura da ex-presidenta Dilma Rousseff para o cargo de senado pelo Estado. Ainda sobre política, o programa mineiro esclarece sobre os votos nulos e brancos. 

A sintonia do programa em São Paulo é na Rádio Imprensa (102.5 FM), sempre aos sábados 10h. Em Sorocaba, na Rádio Super (87.5 FM), você nos ouve no sábado às 12h30, com reprise no domingo no mesmo horário. 

Em Recife (PE), os pernambucanos ouvem o programa na Rádio Clube (720 AM), aos sábados, às 6h, com reprise aos domingos no mesmo horário.

Na Rádio Autêntica Favela (106.7 FM), em Belo Horizonte (MG), a edição é veiculada, às 11h de sábado, com reprise no domingo, às 7h. 

No Paraná, em Ponta Grossa, você ouve o programa aos sábados na Rádio Princesa (87.9 FM), às 11h, na Rádio Cidade (87.9 FM) de Paulo Frontim, às 6h20, em Paiçandu na Rádio Pioneira (91,3 FM), às 5h30 e na Rádio Paula Freitas (87.9 FM) às 11h, no município de Paula Freitas.

Ouça os destaques de São Paulo e Sorocaba:

Ouça os destaques de Minas Gerais:

Ouça os destaques de Pernambuco: 

Ouça os destaques do Paraná: 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Campanha de distribuição de alimentos alerta sobre emergência alimentar na Argentina

sex, 21/09/2018 - 17:16
FOME NÃO "Panelas populares", a iniciativa de movimentos e organizações cobra do governo de Macri ações contra a volta da fome Redação | Panelas populares: voluntárias distribuem sopas durante o primeiro dia da campanha "Fome não" Página 12

Movimentos e organizações sociais da Argentina convocaram uma nova jornada de luta denominada “Fome não”, para pressionar o governo do presidente, Maurício Macri, a declarar a existência de uma “emergência alimentar” no país. As organizações começaram a instalar diversos pontos de distribuição de sopa e alimentos e de doações para os restaurantes comunitários na última quarta-feira (19), em diferentes cidades do país.

“Há um aumento da má-nutrição em crianças e adolescentes dos bairros pobres”, afirmou um dos integrantes da organização Barrios de Pie [Bairros em pé] ao jornal argentino Página 12.

“O principal objetivo da campanha é continuar exigindo a declaração urgente de 'emergência alimentar', diante do agravamento da situação social, cada vez mais angustiante”, declararam os organizadores da jornada.

Além de instalar pontos de distribuição de comida, chamadas ollas populares [panelas populares, em português], durante a jornada, as organizações também receberam doações de alimentos para distribuir nos bairros mais pobres e para prover os restaurantes comunitários. Um chamado para que os voluntários “apadrinhem” os restaurantes foi outra iniciativa, já que, segundo os organizadores da campanha, cerca de um terço das crianças mais pobres do país fazem as suas refeições nesses restaurantes.

Em um dos pontos principais da capital argentina, o Obelisco, localizado no centro de Buenos Aires, a campanha está recebendo doações todos os dias. Nesse primeiro dia, sete pontos foram instalados na cidade.

“É uma convocatória aberta e plural, um chamado para a solidariedade daqueles que não querem que a fome se instale na Argentina”, explicou Daniel Menendez, da organização Barrios de pie, no lançamento da campanha “Fome não”.

O integrante do movimento popular também comenta que a campanha “se propõe a dar visibilidade para a dramática e triste situação e, ao mesmo tempo, promover a participação para evitar que as crianças argentinas do futuro não façam parte de uma geração que nasceu sob a sombra da fome”.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Activists remember slavery at Africa’s largest slave trading post

sex, 21/09/2018 - 17:14
MEMORY People’s movements took part in opening activity of Pan-Africanist conference in Ghana Rute Pina | More than 400 people from 50 countries are taking part in conference in Winneba, Ghana Nina Fideles

Activists from 50 countries gathered on Thursday to remember the forced dispersion of black people – also known as African diaspora – at Africa's largest slave trading site.

The group met at the São Jorge da Mina (St. George of the Mines) Castle for the opening activity of the 3rd Pan-Africanism Today Conference, held in Winneba, Ghana.

Jonis Ghedi Alasow, a member of Pan African Today, one of the host organizations, says the Elmina Castle is the starting point of a struggle that continues to this day.

“It is a starting point of our exploitation and also our resistance to that exploitation. So there is a symbolism, there is a meaning to it, there is a history to it for us to understand, in order to start, to continue, and to move to the next level in our quest for unified Pan-African socialist states of Africa. That must start. This is why we felt it was important to begin the conference there. That needs to begin with a recognition of where that comes from. This was quite a physical recognition of that,” he pointed out.

Memory of slavery

The castle is located in the city of Elmina, 159 kilometers (98 miles) from the capital city of Ghana, Accra. More than 7 million people have been kept at some point in the dungeons of the building after being captured for the slave trade and before being shipped to the new colonies in Latin America and the Caribbean, including Brazil. Only half of them survived the punishment, abuse, and long journeys on board of vessels in degrading conditions.

While the facilities had capacity for 1,000 people, twice as much prisoners were actually held at once at the Elmina Castle. Men, women, and children were kept in different dungeons, waiting for months before being sentenced to a life of slavery in other continents.

The “door of no return” was the last place they would walk through before going on board of the ships that would take them in a harrowing journey. This was the only moment when men and women, sometimes couples that were separated from each other, would meet. Unable to speak to each other, all they could do was cry.

Men, women, and children were kept separated | Nina Fideles

The castle is also the oldest European building in West Africa. Erected by the Portuguese in 1492, it was a trading post for commodities such as salt and gold, and also where religious missionaries who traveled the world to spread Christianity would stay. As the colonization of countries in Latin America and the Caribbean expanded, the business changed from things to people.

In 1637, the Dutch seized the castle, putting an end to 157 years of Portuguese rule. That was a period when all Europe was engaged in human trafficking, and the conditions there deteriorated. The site was run by the Dutch for 235 years, and then by the British for 87 years.

The slave trade continued in the castle even after it was banned in the early 19th century. That would only end in the 1870s, when it was ceded to the British. Later, the fortress became a training ground for soldiers during World War II.

Today, the Ghanaian government houses a memorial monument at the castle, and the cells and the “door of no return” are open to visitors.

Ato Ashun works as a guide and wrote books about the history of the fortress. He says that, while the Elmina Castle is at the root of the issues Africa faces, part of the solutions to them are also there.

“Until you know where you are coming from, you will not know where you are going. Knowing exactly what happened in the past will change the way you think. So seeing the dungeons of the castle is of utmost importance to every African,” Ashun said.

No minute of silence

This is why the opening activity took place at the castle, with the organizations that are taking part in the conference.

Brazilian activist Andreia Ribeiro was one of the participants. Born in the state of Maranhão, she has been living in Zambia for over a year as a member of the Samora Machel brigade of the Landless Workers’ Movement (MST).

“It is as if I was feeling what my African brothers and sisters felt. It was a very emotional moment for me. Feelings of anguish, outrage, and anger emerged,” she poignantly said about their visit to the old slave trading site.

Ribeiro said these strong feelings have to be channeled to the struggle for a decent, dignified life that started with enslaved men and women who resisted.

“We are still reliving what has happened to our ancestors, but now in a disguised, masked way. We have to expose that. And the best way to do that is by constantly talking about it, discussing, and trying to find ways to overcome everything we are outraged over.”

The conference

The Third Pan Africanism Today Conference will take place through to Sunday, Sep. 24, gathering more than 400 people from 50 countries in Ghana.

Jonis Ghedi Alasow said the goal of the meeting is to understand how events from the past are still impacting our present.

“The development of capitalism can only be truly understood when we recognize the history of slavery is an integral part to that development,” he points out.

In addition to Pan African Today, the event is organized by the National Union of Metalworkers of South Africa (NUMSA), the Socialist Party of Zambia, left-wing Moroccan Party Democratic Way, Tunisian Worker's Party and the Socialist Forum of Ghana.

According to Alasow, one of the main goals of the conference is to identify progressive, left-wing forces in the African continent and promote unity between those organizations.

“This conference intends to develop resolutions that are not only going to stop at having met one another, but are going to move toward actually working together across the continent in the essential spirit of the Pan-African we talk about,” Alasow said.

The conference is also a step that will culminate in the International People’s Assembly, which will gather people’s movements from all over the world in Caracas, Venezuela, in 2019.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

O dia em que o semáforo causou acidente entre os dois únicos motoristas da cidade

sex, 21/09/2018 - 16:59
coluna “A dez quilômetros, semáforo", dizia a placa entre duas cidadezinhas Mouzar Benedito | Mouzar lembra do dia em que o semáforo foi motivo de distração de dois motoristas e causou o primeiro acidente de trânsito da cidade. Foto: Wikimédia

Cidade, quanto maior melhor. 
E quanto mais cheia de carros e prédios também. Pelo menos isso é o que parece quando as pessoas falam do lugar onde moram ou nasceram. Se a cidade tem dez mil habitantes, dizem que tem vinte mil. Se tem quinhentos mil, dizem que tem um milhão.

Eu que gosto de cidade pequena acho isso uma grande bobagem. Uma coisa que começou nas cidades do interior paulista e se expandiu é vangloriar-se de ter prédios altos. E em todos os lugares pequenos em que se construía um prédio, era considerado um luxo morar nele. Eu morava em apartamento em São Paulo, tinha inveja de quem podia morar num lugar sossegado, numa casa com quintal para plantar verduras, temperos e árvores frutíferas, e achava uma imbecilidade essa coisa de achar chique morar em apartamento.

Outro motivo de orgulho era dizer que a cidade tinha uma porrada de automóveis, muito trânsito. Se chegasse a ser necessário que certas ruas tivessem mão única para comportar o trânsito, melhor ainda. Semáforo então, que luxo! Guaxupé foi a primeira cidade a ter um semáforo na minha região, no sudoeste mineiro. Guaranésia era uma cidade menor que Guaxupé, mas como quase sempre acontece com cidades muito próximas, as duas cidades tinham uma certa rivalidade e ficavam disputando novidades, quem tinha uma coisa que a outra não tinha, e falando mal do “atraso” da cidade rival.

Alguns gozadores de Guaranésia puseram na saída para Guaxupé uma placa: “A dez quilômetros, semáforo”. Mas o cúmulo do exagero, para mim, foi Irati, no Paraná, que hoje é uma cidade relativamente grande. Quando conheci, era pequena. Mas mesmo com pouco movimento de carros havia um semáforo num cruzamento do centro da cidade. Brinquei com uma amiga que morava lá, perguntando pra quê aquilo, e ela me contou mais:

— Quando instalaram esse semáforo só tinha dois carros na cidade. Coincidiu que na primeira vez que um carro ia passar por essa esquina vinha o outro na outra rua. Os dois motoristas nunca tinham visto esses sinais de trânsito, se distraíram olhando aquele negócio e se chocaram no meio do cruzamento... 
Foi o primeiro acidente de trânsito na cidade, um choque entre os seus dois únicos carros.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Se você pensa que a educação é cara, imagine a ignorância

sex, 21/09/2018 - 16:56
coluna O que significa em nosso tempo ser jovem e esperançoso? Instituto Tricontinental de Pesquisa Social | As lutas de estudantes na Índia, na França, no México e na Colômbia são o tema deste artigo Fotos: Instituto Tricontinental

Por Vijay Prashad*

Notícias muito importantes chegam da península coreana. Os chefes de governo da Coreia do Norte e do Sul concordaram não apenas que "a era da não-guerra começou", mas apresentaram uma série de propostas para fortalecer os laços em toda a península. Os exercícios militares terminarão, os mísseis serão desativados, as minas serão desenterradas, as linhas rodoviárias e ferroviárias ligarão as duas metades da Coreia, e ambos os países farão uma oferta conjunta para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 2032.

Ninguém poderia ter antecipado a velocidade desses desenvolvimentos. Pairando em torno dessas negociações está a China, que encorajou a Coreia do Norte a fazer concessões (e prometeu investir pesadamente em sua fronteira com a Coreia do Norte – uma área que é o próprio sebo de metal da China).

Os Estados Unidos – por outro lado – não foram tão claros, com sinais contraditórios sobre seu desejo de manter sua enorme presença militar na Coreia do Sul (30 mil soldados dos EUA) e no Japão (50 mil soldados estadunidenses). Os Estados Unidos são o principal impedimento para a paz na península. A China, sabiamente, disse que o futuro das negociações de paz é da Coreia do Norte, da Coreia do Sul e dos Estados Unidos. Como as duas Coreias concordam com a desmilitarização, o peso fica agora com os Estados Unidos.

Quando as duas Alemanhas se reuniram em 1990, a URSS estava à beira do colapso e a Alemanha Oriental tornou-se efetivamente uma colônia da Alemanha Ocidental. Nada se compara à situação que prevalece na península coreana hoje. A China incentivou a Coreia do Norte a partir de uma posição de força. É improvável que a Coreia do Norte se torne um enteado do Sul (o primeiro dossiê do Instituto Tricontinental, em março de 2018, foi sobre a crise na península coreana).

A foto acima é do gravurista coreano Oh Yoon (1946-1986). Foi feito em 1982, quando a Coreia do Sul foi governada por uma ditadura militar. Será que o artista esperava um dia pela reunificação da Coreia? Durante a ditadura, os estudantes sul-coreanos emergiram como uma das principais forças de mudança, exigindo o fim do regime militar (como na Grande Luta Democrática de Junho de 1987) e ajudando a construir o novo movimento sindical. Essas lutas colocam a questão da reunificação da península na mesa. Os estudantes devem se sentir gratos pelo trabalho político que fizeram para nos levar até este ponto.

O mesmo deve acontecer com o povo coreano. Se alguém for ganhar um Prêmio Nobel da Paz, que seja o povo da Coreia que sofreu como reféns virtuais durante essa longa Guerra Fria.

Não há dúvida de que os movimentos estudantis nos diversos países desempenharam papéis importantes no aprofundamento da democratização em nossas sociedades. A Desordem Natural da Juventude – como os revolucionários estudantes franceses escreveram em 1968 – permite aos jovens imaginar outras formas de organização social, sonhar com um mundo melhor do que o que herdaram de seus pais.

Mas, globalmente, o ataque à educação pública e à liberdade dos estudantes tem sido acentuado. A ponta de lança aqui tem sido o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e outras instituições semelhantes, que pressionaram para desmantelar a educação pública e destruir a função da aprendizagem – que deveria ser desenvolver a mente, não preparar os jovens para serem trabalhadores.

Meu artigo desta semana começa no meio dos protestos de estudantes em Paris (França), Cidade do México (México) e Bogatá (Colômbia). A violência contra os estudantes tornou-se tão comum.

Na Universidade Jawaharlal Nehru (Nova Deli, Índia), a chapa da Esquerda Unida venceu as eleições estudantis por uma maioria considerável. Os estudantes do bloco fascista entraram no campus e agrediram os estudantes de esquerda violentamente (incluindo nossa pesquisadora do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social Satarupa Chakraborty). É para envergonhar o governo indiano quando a ministra da Defesa, Nirmala Sitharaman, sugere que os estudantes estavam "travando uma guerra contra a Índia". Sonhar com uma sociedade melhor não é travar uma guerra contra o país; é a essência do patriotismo. Há algo de estranho nessa linguagem usada contra os alunos.

Estranho também arruinar as esperanças dos estudantes e constrangê-los cortando o financiamento público e aumentando os incentivos para a privatização da educação. Meu artigo pergunta: "O que significa em nosso tempo ser jovem e esperançoso? Onde os jovens podem falar sobre ideias e imaginar mundos melhores? Espaços públicos têm sido cada vez mais controlados por corporações, enquanto as faculdades foram transformadas em fábricas de empregos. Este é o recinto da mente, o sufocamento da humanidade. Precisa ser mais disputada – mais faculdades, mais imaginação – a desordem natural da juventude, um anseio por um mundo sem querer”.

Uma atitude progressista em relação à educação insiste que os alunos não são apenas habilidades ensinadas (como na educação profissional), mas que podem crescer na mente e no coração – que envolvem sua sociedade, entendem suas limitações e contradições e desenvolvem seus experimentos para superar esses restrições.

Se você acha que a educação é cara, pense na despesa da ignorância.

O governo do Conselho de Planejamento de Kerala montou um site para coletar suas sugestões sobre como a educação poderia parecer – eles gostariam que você compartilhasse seus pensamentos imaginativos que se situam além do horizonte do que pode ser visto agora. O Conselho de Planejamento quer suas "ideias/soluções inovadoras, sustentáveis e práticas" que abordarão os desafios enfrentados por Kerala e o resto de nós.

Mês passado, em Buenos Aires, Argentina, observei estudantes e professores lutarem para defender seus direitos da educação. A Argentina é um dos poucos países onde a educação da creche até a universidade é paga pela riqueza social acumulada. Há, no entanto, imensos problemas com o sistema educacional, com a qualidade da educação, em grave necessidade de melhoria. Afetados por uma crise econômica que é de responsabilidade das elites argentinas, e não de seus trabalhadores, foram os últimos a serem solicitados a pagar a conta com cortes na educação pública. Isso era impensável para os estudantes e suas famílias. Semanas de greves desafiaram a economia pobre do governo e insistiram que estratégias alternativas fossem encontradas.

Meu artigo no Newsclick acompanha esses desenvolvimentos. O mesmo acontece com a equipe do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social em Buenos Aires, cujo coordenador é fotografado acima com seus alunos em uma sala de aula ao ar livre na Praça de Maio. A equipe produzirá um dossiê que está na pauta da agenda do FMI, que ameaça drenar as finanças públicas da Argentina. Será lançado em novembro.

Típico de um Estado de direita ignorar as questões urgentes da educação e da harmonia social e enfatizar as ideias xenófobas. O Estado argentino, que dispensou os estudantes, continua a atormentar os trabalhadores mais vulneráveis ​​– mais recentemente os vendedores ambulantes senegaleses, muitos dos quais venderam as bandanas verdes usadas pelos milhões da Argentina para demonstrar seu apoio à lei do aborto. A liderança do Movimento dos Trabalhadores Excluídos (MTE) saiu às ruas para defender esses trabalhadores e foram presos.

Este é uma estratégia comum da direita:

- Em Bangladesh, Shahidul Alam documenta um protesto estudantil, é preso e permanece na prisão;

- Na África do Sul, Sbu Zikode (do Abahlali baseMjondolo) defende os moradores de barracos, é ameaçado de morte e precisa se esconder;

- Na Argentina, Juan Grabois, Rafael Klejzer e Jaquelina Flores defendem os trabalhadores vulneráveis, são presos e são mandados para a prisão (eles foram libertados).

Na última década, o pesquisador Fellow P. Sainath, do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, escreveu sobre as atrocidades em Yvatmal (Maharashtra), onde os agricultores enfrentam um ataque químico de inseticidas. Um relato da maldade foi documentado pelo relatório investigativo de três partes de Jaideep Hardikar, no People’s Archive of Rural India, de março deste ano.

O veneno é exportado para lugares como a Índia pela firma suíça Syngenta. Também é exportado para o Brasil, onde onze pessoas morrem por dia por causa dos venenos. A ONU diz que 200 mil pessoas morrem por ano devido a esses "pesticidas obsoletos" (como o paraquat). No ano passado, dois Relatores Especiais da ONU – pelo direito à alimentação (Hilal Elver) e tóxicos (Baskut Tuncak) pediram um Tratado Global sobre Tóxicos – especialmente sobre pesticidas venenosos e fertilizantes.

Esta semana, o grupo de investigação suíço Public Eye divulgou um relatório sobre a guerra química contra os agricultores de Maharashtra. A Public Eye sugere que a Syngenta seja responsabilizada pela venda deste fertilizante químico agressivo. O fertilizante não só envenena o meio ambiente, mas também é usado pelos agricultores para cometer suicídio quando eles caem em dívidas impossíveis.

Há uma fotografia no relatório que me paralisou. É de um livro de contabilidade guardado quando o fazendeiro compra o fertilizante. Quando o agricultor indica a compreensão de seus perigos, é necessária uma assinatura. Um número obsceno de fazendeiros não pode ler e escrever. Eles marcam o livro com a impressão do polegar.

O Estado não está mais preocupado com a alfabetização. Os agricultores estão à mercê das castas dominantes, muitas das quais usam sua própria alfabetização como meio de tirar proveito de trabalhadores agrícolas analfabetos e pequenos agricultores da venda de bezerros à compra de safras. Os trabalhadores agrícolas e os pequenos agricultores estão à mercê dos grandes proprietários de terras, dos agiotas e das empresas de agronegócios monopolistas.

Tenha em mente que, no Ocidente, a Syngenta tem um Programa de Bolsa de Verão para jovens ansiosos que querem uma carreira em ciências agrícolas. Nenhuma comunhão ou educação para os agricultores.

A pressão está na Suíça. A última linha do relatório é clara: "a venda do produto deve ser descontinuada".

A foto acima é do relatório do Public Eye. Ele mostra duas crianças em um campo aberto. "Uma vez que os pesticidas foram usados", o relatório documenta, "os recipientes em que foram vendidos são reciclados para outros fins. Eles costumam ser usados ​​para transportar bebidas ou lavar a água. Vemos crianças usando recipientes de pesticidas com triângulos de alerta vermelhos se lavando ao ar livre. Nós vemos recipientes usados ​​para pesticidas tóxicos pendurados em portas de latrinas e em cozinhas. Eles estão em todos os lugares”.

Os fazendeiros de Yavatmal contraem empréstimos para comprar esse veneno. Eles estão – como uma classe – em dívida. Muitos agricultores cometem suicídio. Outros morrem das toxinas. A Syngenta vale US$ 43 bilhões.

Neste 21 de setembro, Nandita Das lança seu novo filme, "Manto", baseado na vida e literatura do grande escritor Saadat Hasan Manto (1912-1955). No blog do LeftWord Books, Nandita responde a algumas perguntas sobre seu filme. Dois anos atrás, Nandita nos ajudou com um livro que fizemos sobre os escritos de Manto sobre socialismo e cinema. Desejamos sorte a Nandita com o seu filme e esperamos que aqueles que ainda não leram o Manto aproveitem esta oportunidade para o fazer.

Nossa foto desta semana (abaixo) é da muralista mexicana, comunista e fundadora da Liga dos Escritores Revolucionários: Aurora Reyes Flores (1908-1985). Esta artista brilhante entendeu claramente a importância da educação. Ela lutou para que os filhos dos professores tivessem creches, para que seus pais não se preocupassem com eles enquanto ensinavam os filhos dos outros. Este é o 50º aniversário da rebelião estudantil mexicana de 1968. Aurora Reyes foi uma participante ativa nessa revolta, pela qual ela foi procurada pela polícia. Ela se escondeu em um hospital psiquiátrico.

*Vijay Prashad é historiador e jornalista indiano. Diretor Geral do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato