Brasil de Fato

Divulgar conteúdo
Uma visão popular do Brasil e do mundo
Atualizado: 2 horas 58 minutos atrás

A filosofia de Pedrinho Pedreiro

qua, 12/12/2018 - 16:17
coluna Gostava de filosofar, tocava violão muito bem e era tido como meio doido Mouzar Benedito | As ruas de Nova Resende (MG), por onde desfilou Pedrinho Pedreiro e seu terno branco Divulgação

Estive na minha terra, Nova Resende, em Minas Gerais, e me lembrei de um personagem dos meus tempos de infância e juventude. Muito antes da música “Pedro Pedreiro”, de Chico Buarque, já existia lá um Pedrinho Pedreiro.

Nas horas de folga, andava sempre de terno de linho branco. Escrevia bem, tinha uma letra bonita, e pronunciava as palavras como quem tinha uma certa cultura escolar — e tinha mesmo: numa época em que só existia o curso primário na cidade, diziam que ele estudou “até a segunda série do ginásio”. 

Não sei onde estudou, mas tinha mesmo muitos conhecimentos. Gostava de filosofar, tocava violão muito bem, e era tido como meio doido, mas isso não era nada demais: todo mundo em Nova Resende era tido como meio doido. 

Suas palavras viravam moda na cidade. O jeito que ele usava para cumprimentar todo mundo — “Oi, bem” — foi um caso desses. Uma época, todo mundo se cumprimentava falando “oi, bem”.

Era divertido. Desde a pessoa mais simples até professores, quando se cruzavam na rua um dizia:

— Oi, bem.
E o outro respondia:
— Oi, bem. 

Isso valia de homem pra mulher, de mulher para homem, de homem para homem, de mulher para mulher...
Outra expressão que pode não ter sido criada por ele, mas com certeza foi ele quem a popularizou lá era para se referir a gente chata: “É uma dor de dente”, que concorria com outra muito usada na mesma situação: “É uma íngua”.

Seu filho, apelidado Nem, um dia arrumou uma namorada, e quando o Pedrinho a conheceu foi logo dizendo:

— O Nem é um jumento, né, você não vai aguentar dormir com ele...
Ela fez cara brava, porque jumento é conhecido pelo tamanho enorme do pênis, mas antes que falasse qualquer coisa ele continuou:
— ... Ronca a noite inteira. Um jumento mesmo, né!

Lá por volta de 1970, encontrei o Pedrinho num bar. Era tempo de ditadura, em que as pessoas tinham medo de falar o que pensavam. 

Falar mal do governo podia dar cadeia e, conforme o caso, tortura e morte. Então, era um tempo de silêncio, ruim. Provoquei o Pedrinho:

— O senhor que consegue filosofar sobre muitos assuntos, falar frases sábias, pode me dizer alguma coisa sobre a ditadura?
Ele ficou em silêncio alguns segundos, olhou para mim e disse:
— Na ditadura, a vida é íntima...

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

No Rio, "espetacularização e procedimentos não usuais" marcam prisões políticas

qua, 12/12/2018 - 16:11
LAVA JATO Especialistas alertam que arbitrariedades da Lava-Jato no estado podem servir como exemplo para réus comuns Clívia Mesquita | Dois pedidos de impeachment contra o prefeito preso Rodrigo Neves (PDT) foram protocolados pela Câmara de Vereadores na terça-feira (11) Fernando Souza / AFP

Em menos de um mês, foram presos o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB) e o prefeito de Niterói (RJ), Rodrigo Neves (PDT). Ambos são acusados de praticarem crimes de corrupção e, por isso, foram alvos de força-tarefa do Ministério Público (MP) e da polícia em desdobramentos da Operação Lava-Jato no âmbito estadual.

A operação “Alameda”, segundo investigação do MP, aponta que a gestão de Neves recebeu propinas milionárias de empresários do setor de transportes entre 2014 e 2018. Na última terça-feira (11), a Câmara Municipal de Niterói protocolou dois pedidos de impeachment contra o prefeito, preso esta semana em sua residência na região metropolitana.

Os pedidos foram enviados por um grupo chamado “Advogados pela Liberdade” e outro pelo Movimento Brasil Livre (MBL). A defesa de Rodrigo Neves afirma que a prisão cautelar ainda pode ser revertida e que “ao que tudo indica, a postura revela-se dotada de interesses políticos, aproveitando-se dessa situação vivenciada pelo prefeito”, disse o advogado Marcello Ramalho. Até esta quarta (12) o processo será analisado, e segue para votação dos vereadores já na próxima sessão.

Por trás das prisões de políticos

O defensor público federal, Thales Arcoverde, faz uma análise crítica sobre o uso da “espetacularização e de procedimentos não usuais” na condução dos processos da Lava-Jato no estado do Rio. Ele destaca a preocupação dessas arbitrariedades serem legitimadas e reproduzidas no tratamento de pessoas comuns, longe da visibilidade midiática que recebem as prisões políticas.  

“Se fazem isso no processo contra o Presidente da República [Lula], ou governador, como apareceu o Sérgio Cabral algemado daquele jeito bizarro com correntes que uniam as algemas dos pés e das mãos, quando não havia a menor necessidade, imagina como a polícia fica emponderada na favela quando vai prender um réu pobre”, alerta.

Carlos Nicodemos, membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB e professor universitário também questiona: “Para que serve uma prisão no início da manhã, com convocação da imprensa e da população?”.

Ele explica que a prisão de Rodrigo Neves (PDT) na segunda-feira (10) figura mais um capítulo do que se instaurou em nível nacional, e foi precipitada porque “viola os princípios do devido processo legal e da ampla defesa”. A inversão dessas normas, segundo o professor, não permite ao investigado aguardar juízo de culpa para depois ser preso e, então, cumprir a pena.

“Um chamado segmento do direito penal do espetáculo ou do terror tem como objetivo, entre outras coisas, difundir na sociedade que existe uma justiça igual para todos, mas sabemos que isso não é verdade. No Brasil, a justiça funciona de maneira seletiva e atravessa a vida, em sua ampla maioria, de jovens negros de periferias que são levados ao processo de criminalização no conjunto da falta de estrutura promovida pelo estado”, explica.

Sobre o prefeito de Niterói (RJ), Carlos Nicodemos analisa que ele poderia ter sido afastado do cargo, de modo a garantir a apuração do caso em relação aos documentos e provas. E, a partir disso, submetê-lo ao processo criminal. A função seletiva da justiça, nesse contexto, também tem como objetivo "aprofundar o sentido de que a corrupção é um mal a ser combatido especialmente no campo dos chamados governos populares”.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Trabalhadores rurais contam sobre a importância da Feira da Reforma Agrária, no Rio

qua, 12/12/2018 - 15:44
AGROECOLOGIA Toda organização do evento, que neste ano comercializa cerca de 150 toneladas de alimentos, é feita pelos trabalhadores Jessica Moreira e Mariana Pitasse | A 10ª edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes está movimentando o Largo da Carioca, no centro do Rio de Janeiro Comunicação MST

A 10ª edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes está movimentando o Largo da Carioca, no centro do Rio de Janeiro, desde a última segunda-feira (10), com atividades culturais e comercialização de mais de 150 toneladas de produtos agroecológicos de assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Toda organização do evento, que encerra nesta quarta-feira (12) só é possível por conta dos trabalhadores rurais que a estruturam. Como é o caso do agricultor Maguiessi Vieira, que há mais de 14 anos é morador do Assentamento Florestan Fernandes, localizado no Espírito Santo. Ele já participou de seis edições das feiras organizadas pelo MST e, desta vez, trouxe geleias e licores, alguns dos produtos do coletivo de mulheres “As Camponesas”, que tem como selo “Terra de Sabores”.

“É importante mostrar para o povo que tem outras maneiras de vender produto, sem conservantes. Tudo aqui é feito com produtos naturais, além de ser medicinal”, explica ao mesmo tempo em que sorri mostrando uma folha de menta nas mãos.

Enquanto corta e lava mandioca, exposta na sua barraquinha da feira, Jorgina Leopoldino da Silva, do Assentamento Osvaldo Oliveira, localizado em Macaé, no norte do estado Rio, também destaca a importância da feira para os trabalhadores rurais.

“Essa é uma das poucas oportunidades que assentados e acampados têm de mostrar os produtos sem veneno que produzem. Para além de falar, é momento de mostrar a reforma agrária e entender a conjuntura”, avalia.

Já a trabalhadora rural Ana Alves Viana complementa que estar na feira é poder realizar a troca com o consumidor diretamente. “Com a nossa feira não precisamos de atravessadores, que compram a preço barato e vendem caro”, destaca a moradora do Assentamento Dandara dos Palmares, em Campos, no Rio.

Expondo um dos produtos mais baratos da feira, os quatro abacaxis por R$ 10, Cleber Almeida da Silva, do Assentamento Zumbi dos Palmares, no Espírito Santo, explica que a fruta é mais doce porque não tem veneno na sua produção. Para ele, a feira é muito importante, principalmente, porque o povo pode conhecer alimentos como os que ele produz, sem agrotóxico.

“Ainda temos muitos desafios para conseguir comercializar os nossos produtos. Também é pouco que seja uma vez por ano. O ideal seria ter três feiras por ano”, avalia.

Financiamento coletivo

A Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes vai até esta quarta-feira (12), no Largo da Carioca, no centro do Rio. Neste ano, a iniciativa está ocorrendo de maneira independente, sem apoio governamental. Por conta disso, o MST lançou uma campanha de financiamento coletivo, orçada em R$ 17 mil. AS doações são a partir de R$ 10 e podem ser feitas pelo site catarse.me.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Indígenas se organizam para criar licenciatura especializada em São Paulo

qua, 12/12/2018 - 15:26
EDUCAÇÃO Quase dois mil estudantes nas aldeias não têm acesso a uma educação que contemple sua cultura e tradições no estado Marcos Hermanson | Grupo de Trabalho “Por uma licenciatura indígena no Estado de São Paulo” se reúne periodicamente na Unifesp Mayke Toscano / GEMT

Dentro das divisas do estado de São Paulo, estima-se, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, que vivam 41.784 indígenas, distribuídos em aproximadamente 40 terras, das quais 14 são oficialmente reconhecidas e demarcadas pelo governo. A maioria desses homens e mulheres pertence às etnias Krenak, Kaingang, Guarani Mbya, Terena e Tupi Guarani.

Para cada um destes territórios, existe também uma unidade escolar especial, atendendo um total de 1,8 mil alunos de ensino fundamental, médio e EJA (Educação de Jovens e Adultos). A Constituição Federal garante, desde 2009, “normas próprias e diretrizes curriculares específicas, voltadas ao ensino intercultural e bilíngue ou multilíngue, gozando de prerrogativas especiais para organização das atividades escolares [nas aldeias indígenas]”.

Essa norma, instituída por decreto do ex-presidente Lula em 2009, tinha como objetivo garantir não só a “integração” dos povos indígenas, mas também seu direito de manter e reproduzir sua cultura original através da educação. Ainda assim, líderes indígenas e especialistas no assunto apontam a insuficiência de uma formação capaz de preparar os professores que lecionam nas aldeias paulistas.

Para ajudar a reverter esse quadro, surgiu o Grupo de Trabalho “Por uma licenciatura indígena no Estado de São Paulo”, que se reúne periodicamente na Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), tem elaborado plano para a criação de um curso inédito nas universidades públicas do Estado de licenciatura indígena.

“A gente vem já há muitos anos lutando pela formação dos professores indígenas no estado de São Paulo. Do total de 360 professores, mais ou menos 90% não tem formação específica, só ensino médio”, diz Cristine Takuá, professora na Aldeia Rio Silveira, Litoral Norte de SP.

Valéria Macedo, professora da Unifesp e coordenadora do Grupo de Trabalho, ressalta o atraso de São Paulo no assunto. "Boa parte dos estados do Brasil que têm uma população indígena significativa já tem licenciaturas interculturais para que os professores possam atuar nas aldeias".

A luta pela criação da licenciatura

Takuá explica que, através do Fórum de Professores Indígenas do Estado de São Paulo (Fapisp), os indígenas se juntaram e começaram a entrar em contato com uma série de universidades públicas, como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e Unifesp, para propor a criação do curso. Apesar da boa recepeção, o projeto foi abrigado pela Unifesp, através da criação do Grupo de Trabalho.

“Quem tá protagonizando todo esse processo são os indígenas, que têm lutado pela implementação dessa licenciatura. Eles vieram buscando alianças com diferentes universidades públicas que pudessem implementar essa licenciatura, e tiveram uma resposta muito positiva por parte de todas essas universidades. O que nós estamos fazendo é apenas atender ao chamado deles”, conta Takuá.

Marta Amoroso, professora de antropologia na USP e participante do Grupo de Trabalho, reforça a importância do projeto dentro do contexto da educação do estado. “Representa para nós uma renovação das nossas epistemologias, um processo de crítica, de pensamento descolonizado. Para quem sabe, em breve, termos essas lideranças indígenas junto com a gente", analisa Amoroso.

Encontro dos povos Guarani na Aldeia Rio Silveira, onde Cristine Takuá reside e leciona (foto: Prefeitura de Bertioga)

Preocupações

Antes de anunciar a transferência da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o recém-criado ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, sob o comando da pastora Damares Alves, o presidente eleito Jair Bolsonaro disse à jornalistas: “Por que no Brasil temos que mantê-los [os indígenas] reclusos em reservas, como se fossem animais em zoológicos?"

A postura de Bolsonaro preocupa, mas os integrantes do projeto reafirmam sua disposição de levar adiante a luta pela criação do curso. Cristine explica que, apesar das dificuldades, uma estratégia já está sendo traçada: "Nós fizemos uma reunião na reitoria da Unifesp para saber quais vão ser as articulações que teremos que fazer para viabilizar esse curso, dada a situação deste novo governo. O Ministro da Educação indicado é péssimo no sentido de entendimento do que é uma educação brasileira, e ainda mais de uma educação escolar indígena".

"A gente está muito apreensivo [e não sabemos] se essa licenciatura vai conseguir se estabelecer. Mas, no que depender dos professores indígenas e universitários já engajados nessa luta, vai ter muita pressão para que a gente possa fazer valer esse direito garantido pela Constituição e pela Lei de Diretrizes e Bases", diz Macedo.

Próximos passos

As discussões acerca da licenciatura se iniciaram em agosto deste ano. Foram realizados dois módulos do projeto e, até novembro de 2019, devem acontecer mais três encontros, todos na Unifesp. O objetivo dos indígenas e pesquisadores envolvidos é elaborar uma proposta curricular robusta, para então iniciar as tratativas formais de criação do curso nas universidades públicas do estado.

Valéria Macedo explica: “O terceiro módulo vai ser mais voltado para interdependência entre docência e pesquisa, no quarto falaremos sobre as grades curriculares, e o último módulo vai ser mais político, voltado para fortalecer as alianças entre as universidades, as secretarias de educação estaduais, municipais, ONGs etc”. 

“Em torno da escola da aldeia se constroem projetos de futuro para as comunidades indígenas. Se a escola tiver esse conteúdo diferenciado que vem sendo proposto ela vai ter um papel muito importante”, finaliza a professora Marta.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

"Resistência não é algo novo para a gente", diz primeira deputada trans do Nordeste

qua, 12/12/2018 - 15:04
ENTREVISTA Aos 30 anos, Robeyoncé Lima integra a "mandata coletiva" Juntas, eleita com mais de 39 mil votos Lu Sudré | A candidatura Juntas foi eleita em Pernambuco com mais de 39 mil votos (Foto: Juliano Vieira)

Primeira advogada trans, negra e nordestina a conseguir o nome social na carteirinha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Robeyoncé Lima foi eleita deputada estadual em Pernambuco por meio de um mandato coletivo. Insatisfeitas com os rumos da política no país, cinco mulheres se reuniram para formar a candidatura “Juntas”, com o objetivo de ocupar a Assembleia Legislativa do estado em defesa dos direitos humanos.

“Nos elegemos com 39.175 votos. É um projeto de reparação histórica porque estamos ocupando um espaço que foi historicamente negado. Estamos fazendo uma reparação daquilo que nunca tivemos oportunidade, está sendo nos devolvido nosso lugar de fala que desde 1500 foi tomado”, afirma Robeyoncé. 

Em entrevista ao Brasil de Fato, a representante da Juntas relata que a perspectiva da vida política da “mandata coletiva” é defender os direitos humanos e assegurar que os direitos existentes permaneçam.

Ações contra a transfobia estão entre as principais bandeiras que Robeyoncé planeja defender. Em 2017, 179 pessoas trans foram assassinadas no país, 35 a mais do que em 2016, conforme Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Minas Gerais, Bahia e São Paulo lideram a lista de ocorrências.

“Não é fácil ter uma transexual ou travesti eleita deputada. Não é fácil existir uma transexual ou travesti aqui no país, que conseguiu sobreviver até os 30 anos ou 35, sem ser assassinada, sem ser morta. É uma perspectiva de superação, de superarmos o que está posto socialmente para nós. Se chegamos aqui até agora, quer dizer que podemos ir mais adiante. A resistência não é algo novo pra gente. A luta não é algo novo”, diz Robeyoncé. 

Confira a entrevista com a militante que saiu da periferia de Alto Santa Teresinha (PE) para ocupar a Assembleia Legislativa de Pernambuco. 

Brasil de Fato: Como se consolidou sua trajetória política?

Robeyoncé Lima: Minha história de militância começa dentro do próprio ambiente acadêmico, universitário, por meio do diretório acadêmico, ocupar os espaços. E quando você se forma, traz essa militância das grades da universidade e leva para fora. Saímos da militância acadêmica e fomos para a militância nas ruas, pelos movimentos sociais. Eu especificamente pela militância no movimento LGBT. Mas, com o tempo, vamos percebendo que a atividade de rua também é importante mas não é suficiente. Vamos percebendo a necessidade de ocupar outros espaços para além da academia, para além da rua. 

Foi por isso que quando chegou para mim o convite para participar da "mandata" coletiva das Juntas, resolvi encarar esse desafio

Como essa candidatura foi articulada?

As cinco mulheres já tinham em comum, em primeiro lugar, a insatisfação política estarmos em um contexto em que a política tradicional nunca deu voz e nunca deu vez para nós. Em segundo, já sabíamos que se fossemos disputar individualmente, nossas chances seriam bem de menores de conseguir uma vaga nesse local institucional. Resolvemos nos unir para ter um pouco mais de força e um pouco mais de possibilidades. Uma possibilidade mínima de conseguir uma vaga no ambiente institucional que sempre nos foi renegado, que nunca foi dada oportunidade estarmos lá, naquele local.

Devido a estas dificuldades, de inserção nessa política tradicional, e também devido ao fato de nenhuma das cinco ter um sobrenome político - nenhuma das cinco vêm tradicionalmente daquela hereditariedade política - resolvemos nos junta. Nos elegemos com 39.175 votos. Esse projeto é de reparação histórica, porque estamos ocupando um espaço que foi historicamente nos renegado. Estamos fazendo uma reparação daquilo que nunca tivemos oportunidade, está sendo devolvido nosso lugar de fala que desde 1500 foi tomado. 

É uma ação política só o fato de estarmos ali, naquele ambiente institucional. A Assembleia Legislativa de Pernambuco é um prédio que tem mais de 180 anos e, obviamente, este prédio histórico foi construído com o suor dos meus ancestrais. Foi construído com o suor dos ancestrais da Erica Malunguinho, que foi eleita deputada aqui em São Paulo mas é de Pernambuco. Como é que um prédio, construído com a força e com o suor da nossa ancestralidade não dá oportunidade sequer de ocuparmos um espaço dentro dele?  É nesse sentido de ocupar esse espaço politicamente, de fazer essa reparação histórica e ao mesmo tempo aquilombar esse espaço. Mudar a configuração da política que temos hoje, que nunca deu vez, que nunca deu voz às minorias. Minorias entre aspas porque na verdade somos maiorias. As pessoas negras, LGBTs, quilombolas, indígenas e todas as outras sub-representatividades que temos no país. 

Qual a perspectiva de atuação sob o governo Bolsonaro?

A perspectiva de atuação é basicamente lutarmos pelo direitos que ainda não perdemos, porque perdemos muito. Temos uma democracia de 30 anos em que muitas pessoas sub-representadas nem sequer reconhecem o que é essa democracia porque não tiveram acesso aos direitos básicos mínimos. Que tipo de democracia é essa que temos? Vamos atuar nesse sentido, de resgatar a perda de direito e segurar o que temos nessa perspectiva de luta, de insistência e de resistência porque a luta não é novidade pra gente, é algo do nosso cotidiano.

Não é fácil ter uma transexual ou travesti eleita deputada. Não é fácil existir uma transexual ou travesti aqui no país, que conseguiu sobreviver até os 30 anos ou 35, sem ser assassinada, sem ser morta. É uma perspectiva de superação, de superarmos o que está posto socialmente para nós. Se chegamos aqui até agora, quer dizer que podemos ir mais adiante. A resistência não é algo novo pra gente. A luta não é algo novo. Para chegar aos 30 anos de idade sendo transexual e travesti, você já está com a casca bem dura. Já tem o molejo dessa vida hostil, desse ambiente que vivemos. 

No período eleitoral, houve casos de mulheres trans e travestis que foram assassinadas e, segundo as denúncias, sob os gritos de "Bolsonaro presidente". Como lidar com esse ódio fomentado pela figura do presidente eleito?

Com esse governo legitimamente eleito pelas urnas, foi dada uma autorização para que a sociedade fizesse esse tipo de extermínio, o que também não é novidade pra gente. O extermínio de LGBTs, travestis e transexuais não é de hoje. Mas o que temos é uma intensificação desse extermínio. Uma multiplicação, uma elevação ao cubo. Como podemos trabalhar essa questão em uma sociedade tão conservadora como a que temos? Uma sociedade que tenta colocar novamente as pessoas em seus papéis tradicionais de que mulher negra tem que estar na cozinha, que homem negro tem que ser operário, que travesti e transexual tem que estar nas esquinas fazendo programa. Que alternativa podemos dar a essas pessoas no sentido de que podem ter sim outras opções para além do conservadorismo de extrema direita que é o que temos agora?

Nós perdemos o discurso do anti-sistema. Tínhamos um sistema posto, as pessoas estavam inconformadas com esse sistema, vem a extrema direita com esse discurso anti-sistema e convence as pessoas a votar nesse tipo de candidatura, de ideia e nesse tipo de candidato presidenciável. Não é 55% da população brasileira que é racista, que é LGBTfóbica, que é preconceituosa com nordestinos. Acho que tem que haver um diálogo com essas bases. Precisamos revisitar nossas bases no sentido de formação dessas pessoas porque muitos votaram nesse candidato sem saber realmente ele os ideais que ele traz com ele.

E como seria isso?

Se você for, por exemplo, em alguma periferia daqui de São Paulo mesmo ou até de Pernambuco falar sobre fascismo, muitas pessoas não vão entender o significado da palavra. Então é uma falha e até uma autocrítica. Foram ambientes que deixamos de acompanhar e ambientes que o Estado também deixou de acompanhar. O Estado deixou de subir a periferia, deixou de subir o morro. Então chega essa ideia de nacionalismo, de privatização, que faz com que chegue no imaginário das pessoas que a esquerda é ruim. Que tudo que é do Estado é ruim, que tudo que é público não presta. Como podemos trabalhar isso nas pessoas e oferecer outras alternativas que não esse liberalismo que diz que lugar de mulher é sempre na cozinha e dos travestis é sempre na esquina das ruas. Não vejo outra possibilidade além de empoderar essas pessoas, no sentido de que elas podem fazer algo diferente para além disso. Dar outras alternativas a elas.

Como fazemos isso? Somente por meio do diálogo, da conversa com essas pessoas. Revisitar esses ambientes que deixamos de ir e que a igreja está lá até hoje. São perspectivas como essa que fazem com que sigamos em frente e continuemos lutando e persistindo nessa revisitação das pessoas no sentido de empoderá-las. Quem sabe, em 2022, tenhamos mais deputadas transexuais e travestis eleitas?

A essencialidade disso tudo é justamente empoderar as pessoas no sentido de saberem que é possível sim elas irem além dos destinos que a sociedade neoliberal coloca pra elas. Porque o principal que queremos é isso, justamente empoderar as pessoas. Se hoje temos 3 deputadas trans em todo o Brasil, nada impede que em 2022 sejam eleitas 10, 20, 30 deputadas trans em todo o país. 

Você foi a primeira advogada a conseguir o nome social na carteirinha da OAB. Qual o significado dessa conquista e da importância do nome social?

Temos um Legislativo conservador em relação aos avanços e direitos de transexuais e travestis, e de LGBTs de uma maneira geral, mas temos o Judiciário sendo o "salvador da pátria" nas pautas LGBTs. Foi o caso do nome social [porque] o Judiciário regulamentou e facilitou a questão da retificação do nome no cartório. Vai ficar muito mais fácil deixar de ter o nome social para ter o nome civil propriamente.

O nome social era aquele nome administrativo, um nome interno. Só éramos tratadas pelo nome social naquela instituição. Mas das grades da instituição para fora, éramos a pessoa que estava no documento. Um documento que não nos representa, que nunca nos representou. Quando chega o Supremo dizendo que podemos pegar o nome social, ir no cartório e requerer a retificação dos seus documentos para que o seu nome social vire civil, facilitou ainda mais esse processo. 

Não dependemos mais do Judiciário, não dependemos mais do que eu chamo de loteria judicial. Quando entrávamos com um processo de retificação, entrávamos fazendo figa para que caísse na vara de um juiz que fosse de mente aberta porque fica discricionário ele ceder ou não a notificação do seu nome. No cartório tem essa facilidade de que, apresentando todos os documentos, o cartório tem que retificar seu nome e aí passa a ter o nome civil.

Aos poucos o nome social está perdendo o objeto, sua finalidade. Foi uma conquista, uma política importante, mas é precária, fraca, frágil. Porque não pode substituir o nome. Na própria carteira da OAB, se não tiver com o nome retificado, ela virá com os dois nomes. O masculino e o feminino. Que foi o que aconteceu com a Márcia Rocha, primeira advogada de todo país a conseguir o nome social na carteira da OAB, mas ela não era retificada, então o nome ficou com masculino e feminino.

Claro que o que temos mais dificuldade para além do procedimento é justamente o trato com as pessoas. Elas chamam fulano de tal com um nome, e, de repente, fulano de tal chega com outro nome e exigindo ser tratada como fulana. Em termos burocráticos, a retificação do nome é mais fácil. Agora a dificuldade realmente vai ser a sociologia da retificação do nome, o aparato sociológico. As pessoas lhe conhecem de um jeito e quer ser tratada de outro jeito. É algo que precisamos trabalhar e amadurecer mais. 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Moradores de Muriaé (MG) barram mineração e transformam área em Patrimônio Hídrico

qua, 12/12/2018 - 14:48
Vitória Projeto de Lei também prevê incentivos a turismo ecológico, agricultura familiar e atividades de proteção das águas Rafaella Dotta | Conquista é resultado de anos de movimentações feitas por moradores, pelo MAM e por Frei Gilberto Teixeira Foto: Gilselene Mendes

Mais de 10 mil hectares de mata e 2 mil nascentes foram preservados da mineração. Esse foi o resultado de uma mobilização em Muriaé, na Zona da Mata de Minas Gerais, para proteger o distrito de Belisário, às margens do Parque Estadual Serra do Brigadeiro. A população conseguiu que vereadores aprovassem por unanimidade o Projeto de Lei 192, que nomeia a área como “Patrimônio Hídrico do Município de Muriaé”.

A justificativa do prefeito Ioannis Konstantinos (DEM), conhecido como “Grego”, é de que é papel do município incidir nas políticas de gestão das águas. “A presente proposta (...) tem como condão efetivar a proteção do patrimônio hídrico da área descrita, visando a defesa do meio ambiente”, escreve, “como também impulsionar o envolvimento social na construção de uma política municipal de proteção de recursos hídricos”. A nova lei protege parte do entorno da Serra do Brigadeiro e coloca obstáculos a dez pedidos de mineração da empresa Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

Fruto do movimento da comunidade

A conquista é resultado de anos de movimentações feitas por moradores, pelo Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), por outras organizações populares e por Frei Gilberto Teixeira, padre da Paróquia de Belisário. Desde 2016 a mobilização aumentou com atos políticos, audiências públicas, caminhadas pela água e outras dezenas de ações. As reações também se intensificaram e em fevereiro de 2017 Frei Gilberto chegou a ser ameaçado de morte por um homem armado.

A maior preocupação dos moradores de Belisário é que a mineração destrua a produção natural de água e as nascentes, segundo Frei Gilberto. “Belisário é um grande gerador de água. Aqui, nesse pequeno distrito, nós temos mais de 2 mil nascentes já cadastradas, que abastecem Belisário, Muriaé e as cidades aqui pra baixo. Vemos que a zona de amortecimento do parque e Belisário devem ser protegidas porque, tirando a bauxita, tira também a nossa água. Uma está ligada intimamente à outra. Nós só temos muita água, porque temos muita bauxita”, explica.

A lei prevê ainda o incentivo pelo poder público à realização de atividades econômicas sustentáveis, como o turismo ecológico, a agricultura familiar, a conservação ambiental, promoção de pesquisa científica, educação ambiental e práticas para a construção de uma política municipal de proteção aos recursos hídricos.

27 pedidos de mineração

A Serra do Brigadeiro possui uma das maiores jazidas de bauxita do país - substância que se transforma em alumínio após ser refinada. Desde a década de 1950, a região vem sendo fortemente cobiçada por mineradoras, em especial pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim, para aumentar a exploração do composto.

A CBA tem abertos 27 requerimentos de lavra para minerar na zona de amortecimento do Parque Serra do Brigadeiro e entornos. Se forem aprovadas, a mineração irá invadir três Áreas de Proteção Ambiental: a APA Municipal Pico do Itajuru (Muriaé), APA Municipal Serra das Aranhas (Rosário de Limeira) e APA Municipal Rio Preto (São Sebastião da Vargem Alegre).

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Plano econômico de Bolsonaro é destaque do "No Jardim da Política" nesta quinta (13)

qua, 12/12/2018 - 13:57
Programa de rádio Edição também fala sobre o grafite, arte que ocupa os centros urbanos, e vai ao ar às 14h na Rádio Brasil de Fato Redação | Economista Leda Paulani, 64, e grafiteiro Tody One, 30, são os entrevistados do programa Montagem BdF

Os anúncios econômicos feitos pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) serão destaque da edição do programa No Jardim da Política que vai ao ar na Rádio Brasil de Fato nesta quinta-feira (13), das 14h às 15h30.

Mesmo antes de assumir a Presidência, o político de extrema direita, ao lado de seu ‘guru-econômico’ e futuro ministro da Economia, o economista Paulo Guedes, já tem dado indicações de como pretende governar a economia brasileira.

Para analisar o cenário, a economista e professora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) Leda Paulani estará presente nos estúdios da rádio em São Paulo (SP) para uma entrevista ao vivo.

Como previsto no plano de governo de Bolsonaro, medidas como a reforma da Previdência, um amplo programa de privatizações das estatais brasileiras e a reestruturação da área econômica, com dois organismos principais, o Ministério de Economia e o Banco Central, são algumas das ações já cotadas pelo futuro governo a ser empossado.

Trazendo a cultura para a discussão política, esta edição do programa também contará com entrevista realizada com o artista visual João Belmonte, conhecido como Tody One. Natural de Pernambuco, ele reside em Guaianases, na zona leste de São Paulo, e tem conseguido, através de sua arte, promover diálogos com o poder público para melhorias na cidade.

No segmento de reportagens, vamos conhecer os bastidores do especial "Colômbia Profunda", produzido pelo Brasil de Fato e lançado na última semana. O material traz relatos do cotidiano do Exército de Libertação Nacional (ELN), principal organização guerrilheira da América Latina no contexto atual; e das forças populares, sociais e parlamentares que constituem o país.

>> Confira a íntegra das edições anteriores do programa No Jardim da Política <<

É possível acompanhar o No Jardim da Política na Rádio Brasil de Fato pelo site ou pelo aplicativo do BdF disponível no Google Play. O programa tem duração de 1h30 e também será transmitido no Facebook.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Cade pede condenação de empresas por fraude de R$ 9 bilhões no metrô de SP

qua, 12/12/2018 - 12:00
Tucanistão Cartel atuou por 15 anos sob as gestões tucanas de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin Redação | Alckmin e Serra no metrô durante campanha em 2010; esquema de corrupção funcionou durante governos do PSDB Mauricio Lima / AFP

A Superintendência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pediu a condenação de 16 empresas e 52 pessoas físicas por formação de cartel em contratos para construção, extensão e reforma de linhas de trens e do Metrô de São Paulo.

O parecer do Cade indica que as empresas montaram o cartel entre 1998 e 2013, durante os governos dos tucanos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. A estimativa é que o esquema de contratos fraudulentos, que começou com a construção da Linha 5 - Lilás do Metrô, tenha chegado a R$ 9,4 bilhões. 

O relatório do órgão conclui que a falcatrua afetou pelo menos 27 projetos. O esquema, que começou a ser investigado em 2013, também teria atingido licitações de metrôs no Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. 

Entre as empresas citadas, estão a Alstom, Bombardier, CAF Brasil, Hyundai-Rotem, Mitsui, Tejofran, Iesa, MGE, MPE, Procint, Serveng-Civilsan, TC/BR, Temoinsa, Trans Sistemas, ConsTech e Balfour. A Siemens, que trouxe o esquema à tona em 2013, está livre de punição.

O Cade atua apenas na esfera administrativa e é responsável por investigar infrações contra a concorrência no país. Nestes casos, a superintendência do órgão pode recomendar punição ou arquivamento dos envolvidos. Sete conselheiros que compõe o tribunal são responsáveis por acatar ou não a decisão.

Caso sejam condenadas, as empresas estão sujeitas a multas de 20% do seu faturamento bruto. Já as pessoas físicas acusadas podem pagar de R$ 50 mil a R$ 2 bilhões.

Os investigados também podem responder criminalmente. A Justiça apura o crime corrupção de agentes públicos. O Ministério Público já fez 14 denúncias sobre o esquema.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

O que tu indica? | Eu não sou uma bruxa

qua, 12/12/2018 - 12:00
Cinema "Eu Não Sou Uma Bruxa" é uma grande revelação que garantiu a Rungano Nyoni um prêmio BAFTA Carolina Reis* | Cena do longa de Rungano Nyoni Divulgação

Este longa-metragem de 2017 dirigido pela diretora zambiana Rungano Nyoni retrata a realidade da jovem de 8 anos Shula (Maggie Mulubwa) acusada de bruxaria por uma banalidade e obrigada a viver em uma colônia itinerante de bruxas, prestando serviços ao governo, sendo exilada para um campo de bruxas no meio do deserto. No local, ela passa por uma cerimônia de iniciação em que aprende as regras da sua nova vida como bruxa. Como as outras residentes, ela é amarrada em uma grande árvore, sendo ameaçada de ser amaldiçoada e de se transformar em uma cabra caso corte a fita. Nesta jornada, o governo acredita que essas mulheres tem poderes sobrenaturais e como prestação de serviço as "bruxas" têm funções de trabalho peculiares devido a crença da população na Zâmbia.

Uma grande obra que tem críticas à intolerância com o feminino, ao colonialismo, ao patriarcalismo, às superstições. Com uma cajadada só, a diretora expõe a problemática da exploração do trabalho, reaviva a vergonhosa ação dos "zoológicos humanos" como turismo para pessoas brancas e principalmente trata da questão do controle e poder sobre o corpo feminino. Ela ultrapassa as questões românticas atreladas ao olhar que o ocidental tem muitas vezes sobre as tribos africanas, desnaturalizando a ideia de convivência harmônica intra-tribos, além de denunciar o sistema de exploração e manipulações do misticismo. Tudo isso acompanhado de uma excelente direção de fotografia e arte, as mudanças de cor da película nos aproxima muito da realidade e sensações das personagens. É inevitável não se emocionar após o seu término mesmo com a belíssima mensagem de libertação. 


*Carolina Reis é estudante de engenharia civil

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Saúde à beira do colapso

qua, 12/12/2018 - 11:44
HOSPITAIS EM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA Rio Grande do Sul nunca esteve em situação tão grave. Dívida estadual com municípios bate na casa de R$ 1 bilhão Ayrton Centeno | Má qualidade na gestão gera desperdício de valores. Resultado é superlotação e falta de recursos para pagamento de pessoal e fornecedores Foto: EBC Memória

“Nunca na história do Rio Grande do Sul estivemos em situação tão grave”, denuncia o presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (COSEMS/RS), Diego Espíndola. Bate na casa de R$ 1 bilhão a dívida do governo estadual com os municípios e hospitais.

Como se não bastasse a ausência ou o atraso dos repasses para as prefeituras, o Estado perdeu, de uma hora para outra os médicos cubanos que estavam na linha de frente do atendimento à população na periferia e nas cidades do interior. 

“Com 630 médicos fora das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e sua difícil reposição imediata, somado ao não pagamento dos hospitais, os gaúchos não tem a quem recorrer”, reclama Espíndola. “É possível que a saúde pública do Rio Grande entre em colapso, coisa que nunca ocorreu aqui em 33 anos de SUS”, adverte. “Há lugares que não têm mais gaze, seringas, soros, pessoal para atender”, descreve o secretário-executivo do COSEMS/RS, William Alves. “Não há dinheiro para pagar fornecedores”, agrega.

600 milhões 

Espíndola explica que o Estado deve R$ 600 milhões apenas às prefeituras. E mais R$ 380 milhões aos hospitais. Os municípios precisam dos valores  para manterem abertos postos de atendimento, a farmácia básica, a vigilância sanitária,  a atuação do Samu e outros serviços que estão sob sua responsabilidade mas que dependem do financiamento do Estado.

Diante do quadro, o COSEMS/RS lançou a “Carta ao Povo Gaúcho” avisando do “iminente colapso na saúde pública”. No documento, acentua “a grave situação instalada resulta na paralisação, redução e suspensão de diferentes serviços de saúde, desde a atenção primária até os atendimentos hospitalares”.

Apelo ao MPE

No documento, pede providências ao governador  José Ivo Sartori e à equipe de transição do governador eleito, Eduardo Leite. O Conselho formou um gabinete de crise para levantar e organizar informações e reivindicou ao Ministério Público Estadual “o imediato movimento para abertura de uma ação civil  pública”  contra a administração estadual. 

“A gente espera que o Estado anuncie alguns recursos para a virada do ano porque nem os hospitais aguentam mais”, observa Espíndola. Ressalta que a crise se aguçou ainda mais no final do ano, devido aos compromissos dos prefeitos com o pagamento do 13º salário e as férias do funcionalismo, fazendo com que muitas cidades não tivessem condições financeiras de manter abertos seus hospitais.

Ao corte dos recursos, o presidente do Sindisaúde/RS, Arlindo Ritter, cuja base envolve 70 mil empregados de hospitais, clínicas, laboratórios, ambulatórios e consultórios acrescenta outro problema. “Também há má qualidade de gestão”, aponta, mencionando indicações por critérios político-partidários e não técnicos, que levam ao desperdício dos valores destinados à saúde. Cita, como exemplo, o esquema milionário de corrupção descoberto em Canoas no começo deste mês.

Isenções e sonegação

Para o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Cláudio Augustin, é preciso atentar para o fato de que o governo estadual é credor de R$ 40 bilhões, valor referente à dívida ativa de empresas. Mas não consegue cobrar o que lhe devem. Abriu mão de mais R$ 16 bilhões em consequência da política de concessão de isenção de tributos ao setor privado. Calcula-se, ainda, que deixem de ingressar nos cofres estaduais cerca de R$ 7 bilhões referentes à sonegação de impostos. Ele lembra ainda que o Estado não investe os 12% em saúde pública, no ano passado foi somente 6,75%.

“Devemos fazer um repasse de R$ 80 milhões em torno do dia 13 deste mês”, promete o secretário-adjunto da Secretaria de Saúde/RS, Francisco Bernd. Ele projeta um possível segundo repasse antes do final do ano propiciado pelo aumento na arrecadação de impostos co­mo o IPVA e o ICMS.

“Que coisa horrível está acontecendo”

“Vivemos, talvez, o pior momento das últimas décadas”, diz o superintendente Jairo Tessari, da Federação das Santas Casas e  Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos/RS. Desde agosto, segundo ele, o Estado deixou de repassar os recursos a 269 hospitais distribuídos pelo território gaúcho. 

Tessari acentua que 230 municípíos gaúchos apenas contam com os hospitais filantrópicos. São R$ 70 milhões por mês que deixaram de receber. “Não pagamos os salários de novembro nem a primeira parcela do 13º salário aos nossos funcionários”, revela.

Trinta hospitais já comunicaram à federação que só atendem emergências e urgências. Outros 30 estariam na mesma situação mas ainda não oficializaram o corte no atendimento. “Que coisa horrível que está acontecendo”, desabafa.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Dilma Rousseff sobre los desafíos de 2019: “No basta sólo la lucha institucional”

qua, 12/12/2018 - 11:29
ENTREVISTA Ex presidenta comenta el escenario político post elección de Bolsonaro (PSL) y proyecta resistencia Leonardo Fernandes | Dilma Rousseff concedió una entrevista a Brasil de Fato el sábado, 7 de diciembre Pedro Ribeiro Nogueira

La elección de Jair Bolsonaro (PSL) inaugura un nuevo escenario para las luchas populares en Brasil. Con la ascensión de la extrema derecha, las fuerzas progresistas necesitan reorganizarse y buscar valores en común para frenar los retrocesos. Ese es el análisis de Dilma Rousseff (PT) sobre el escenario político que se anuncia para 2019.

En entrevista con Brasil de Fato, la primera presidenta de la República de la historia de Brasil, comentó la necesidad de se conciliar optimismo y pesimismo para construir una oposición capaz de enfrentar la extrema derecha.

Confira la entrevista íntegra:

Brasil de Fato: Asistimos a una serie de tentativas de desalojos [de ocupaciones del MST] en el último período y entendemos que esa táctica va a continuar. ¿Cómo mira usted la centralidad de la lucha por la tierra en esta coyuntura, y como la sociedad puede se movilizar para ayudar a evitar esos desalojos?

Dilma Rousseff: Creo que la cuestión de la lucha por la tierra y la cuestión de la lucha por la vivienda son las dos grandes luchas en Brasil, porque tratan de la distribución de riqueza. Distribución del ingreso son el Bolsa Familia y una serie de actividades que hicimos, garantizando, por ejemplo, reajustes de salario mínimo por encima de la inflación. Pero el gran paso al frente, lo que interesa para la población brasileña cuando se habla de distribución de riqueza es, primero, el patrimonio, que son la tierra y la vivienda, jubilación y educación de calidad.

Nuestros gobiernos venían en esa trayectoria de distribución de ingreso. Comenzamos con el Mi Casa Mi Vida, con los asentamientos, a enfrentar la distribución de riqueza. Y creo que ella va a ser, en este final de década y en la próxima, la cuestión central en Brasil. Nosotros no seremos una nación desarrollada si no tenemos la capacidad de encarar eso. Y [eso] acarrea una serie de cosas, por ejemplo, la reforma tributaria. Una tributación ultra-concentradora de ingreso como la nuestra es inviable, porque alguien va a tener que financiarla. Y ahí entra el problema de las ganacias del capital, que en Brasil son intocables.

Otra cuestión que va a entrar, necesariamente, es el hecho de que hay una brutal concentración del ingreso y de la riqueza en manos del sector financiero en nuestro país, como en el mundo entero. Entonces, creo que es esa es una cuestión esencial, porque también es la base de una mayor democratización de nuestra sociedad. Em caso contrario, vamos a quedar en lo que estamos. Usted avanza un poco, ellos vienen y eliminan lo que usted avanzó. Usted ve la concentración del ingreso en el estudio de la Oxfam: aumenta la concentración de ingresos, aumenta la miseria, usted vuelve al “mapa del hambre”… es aquel círculo vicioso.

Enfrentar esos problemas es crucial para que cualquier país se vuelva, no estoy siquiera diciendo un país socialista, sino una nación que tenga responsabilidad con relación a sus ciudadanos y ciudadanas.

¿Cuál es su mensaje de resistencia para la militancia que está desanimada en relación con el próximo gobierno? 

La alegría es la forma básica de resistencia. Un gran luchador de gran valor tiene que tener la certeza, la esperanza y la fuerza para la lucha. Y, al mismo tempo, la capacidad de análisis, un cierto pesimismo que la racionalidad da. Esa combinación, la deseo para el MST. Esa capacidad de optimismo de la voluntad y pesimismo de la razón. Son esas dos cosas juntas que nos hacen resistir.

Tenemos que tener el pesimismo de la razón para superar y suponer cuales son los escenarios posibles de lucha. Y, al mismo tempo, [el optimismo] es lo que hace resistir y salir esa fuerza de dentro de nosotros, que es sentimiento, es la búsqueda por un mundo mejor, es la búsqueda de la fraternidad.

Lo que hay en ese movimiento, y en los movimientos de transformación, es una conciencia de la fraternidad. Lo que nos une – y es necesario que así sea – implica una relación en la que somos fraternos unos con otros. Por eso no queremos esa sociedad extremamente competitiva, individualista. Queremos la cooperación, los valores que nos transformaron en personas. Porque no nos transformamos en personas por la competencia feroz. Nos transformamos cuando comenzamos a cooperar. Y esa fraternidad es lo que hay en los movimientos. 

Y para el MST, tengo una preocupación especial. Es el movimiento social más organizado de Brasil. Es hora de que nos juntemos, nos protejamos y enfrentemos, porque vamos a tener que resistir. Todos nosotros, demócratas, que defendemos la población del país y también defendemos la soberanía, tenemos que estar junto al MST.

¿Cuáles son las perspectivas de resistência fuera de la institucionalidad, de las organizaciones sociales y de los movimientos, en 2019?

Creo que ese va a ser un momento fundamental para volver a invertir en las luchas fuera de la institucionalidad, en la organización fuera de la institucionalidad. Y de esa combinación entre la institucionalidad y las luchas fuera de la institucionalidad es que está el quid de nuestra resistencia. La lucha de las mujeres, de los trabajadores, de los sin-tierra, de los desempleados… Es importantísimo buscar organizar a los desempleados porque hoy no hay una perspectiva que de sentido a su lucha.

Cuando ni los gobiernos ni las luchas consecuentes son alternativa para una parte de la población que no tiene donde ir, ni a quien recurrir, se vuelve presa de soluciones fáciles, de teorías como, por ejemplo, el Escuela Sin Partido, de la criminalización de la visión de género. Todo eso crea el ambiente en que nacen los cachorros de la extrema derecha.

Tenemos que ser capaces de volver a las bases nuevamente. Aquellos que ya están allá, tenemos que reforzar y ampliar. Y aquellos que no estaban, tienen que volver a ese camino. Y combinar las dos cosas. No basta sólo la lucha institucional. No basta sólo la organización de masas. Ella es crucial, mas no basta una sola, aislada de la otra.

¿Cómo queda el derecho a la salud de los brasileños, ahora que los cubanos dejaron el Más Médicos?

Queda extremadamente amenazado. Creo que, en Brasil, están creando una “fake news” inmensa, en ese caso de que los médicos brasileños ya se han inscrito para sustituir a los médicos cubanos.

Al comienzo de ese proceso, evaluamos que había una carencia de médicos para atender a las poblaciones marginadas de las grandes regiones metropolitanas. Porque no es sólo en la Amazonia que faltan médicos. Faltan en la periferia de São Paulo, de Belo Horizonte. Y ahí, abríamos concurso para médicos brasileños, ellos se inscribieron y estábamos muy felices. Pero, a la hora de participar, no iban a esos lugares. Ellos quieren ir a donde se concentra población de clase media y de ingresos altos. En las áreas de bajos ingresos, donde más se necesitaba la atención, los médicos no iban. Y más: cuando iban, pasaba un año, un año y medio, y ellos salían. No se construía una integración de la población con el médico.

Entonces, abrimos para todos los países del mundo. Y los cubanos fueron importantes porque ellos tienen el mayor número de médicos por cada mil habitantes. Cuba tenía esa ventaja con relación a cualquier país que necesita apoyar a otro en la atención de salud. No estábamos quitando médicos a la población de Cuba, porque allá hay 6,7 médicos por cada mil habitantes, y Brasil tenía 1,8. Por eso, ellos fueron a la periferia de las grandes ciudades, a los departamentos de salud indígena.

Por primera vez, quilombolas tuvieron acceso a un médico, asentados de la reforma agraria muchos por primera vez, también tuvieron médico. Esa fue la gran contribución de los médicos cubanos. Al comienzo, por tener compromiso con otros países, Cuba sólo proveyó tres mil médicos. Yo, personalmente, pedí al gobierno cubano ampliar a 11.000 médicos, para conseguir equilibrar la atención en Brasil. Fue un esfuerzo que el gobierno cubano hizo.

Posteriormente, hubo una manifestación clarísima de la población brasileña, dejando claro que el médico cubano tenía una forma más “humana” de atención, por su formación en salud pública. Nuestras investigaciones daban 95% de aprobación. En algunos municipios, la población quería que el médico [cubano] se candidateara a concejal, alcalde, porque asumía una función primordial. Cerca de 700 municipios brasileños nunca habían visto un médico en la vida.

Tengo conciencia de esa importancia y de cuanto Brasil debe a esa cooperación. Exigir examen a los médicos cubanos era una forma de tornarlos presa fácil de esa visión ideológica y absolutamente reaccionaria del gobierno electo, que yo lamento profundamente.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Mulheres se organizam em busca da autonomia financeira

qua, 12/12/2018 - 10:00
Semiárido Na Paraíba, a produção e beneficiamento de frutas colhidas nos quintais foi a alternativa encontrada Monyse Ravena* | Antes da denúncia, grupo comercializava cerca de 4 mil reais por mês Monyse Ravena

São Gonçalo é um distrito do município de Sousa, no sertão paraibano. A localidade fica situada bem próxima às margens da rodovia federal 230, na bacia hidrográfica do Rio Piranhas, cerca de 15 km da sede do munício e 450 da capital João Pessoa. O distrito de São Gonçalo, assim como todo o município de Sousa, está localizado no Semiárido brasileiro, tipo de clima caraterizado pela escassez e irregularidade das chuvas, assim como forte evaporação e altas temperaturas.
Em Sousa, como em uma parte do Semiárido brasileiro não é raro a temperatura bater os 38 graus e a estação chuvosa, normalmente se concentra entre os meses de janeiro e maio. A média pluviométrica da cidade é de cerca de mil milímetros, enquanto a evaporação de 2 mil mm. Com mais de 3 200 horas anuais de insolação, São Gonçalo é conhecida como a localidade onde o Sol mais brilha em todo o Brasil.
É nesta localidade que encontramos um dos maiores perímetros irrigados do Brasil. Os perímetros são projetos controversos que geralmente estão sob a coordenação do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) e que podem beneficiar pequenos e grandes produtores sendo que, em geral, grandes produtores conseguem ter mais sucesso porque têm mais acesso a créditos e subsídios governamentais. Não é diferente em Sousa, o perímetro de São Gonçalo ficou conhecido na região pela produção de banana e coco.
Mas não é da grande produção que falaremos aqui e sim da experiência de uma pequena fábrica de beneficiamento de popas de frutas, protagonizada por mulheres. Nessa experiência tudo que é colhido nos quintais se aproveita: acerola, goiaba, manga, graviola, caju, tamarindo, abacaxi, uva, entre outros, são 12 sabores de polpas que viram sucos.
Quem nos conta é Claudete Varela, liderança da comunidade e idealizadora da pequena fábrica. Claudete também nos conta que depois de dois anos bem sucedidos tem enfrentado dificuldades depois que uma grande fábrica da cidade denunciou a pequena fábrica das mulheres pela ausência do registro da vigilância sanitária, “mas, não desanimamos, estamos correndo atrás da regularização”. Desde a denúncia elas não conseguem mais acessar o Programa Nacional de aquisição de Alimentos (PNAE) e o Programa de Alimentação Escolar (PAA) e por isso a pressa na regularização.
Antes da denúncia o grupo comercializava cerca de 4 mil reais por mês e atualmente o valor é de mil reais, o que diminuiu muito a renda das famílias. Claudete relembra que antes da fábrica toda a produção de fruta colhida era entregue para atravessadores e grandes fábricas da região e que as mulheres não querem voltar para esta situação.
Atualmente um agrônomo acompanha o grupo e tem contribuído com a regularização sanitária. O grupo já conseguiu emitir a certidão municipal e agora busca a nacional.

*A repórter viajou a convite da IPS (Inter Press Service – América Latina).

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Esporte de baixo custo, caminhada pode prevenir doenças físicas e mentais

qua, 12/12/2018 - 10:00
Saúde Sem equipamentos complexos e roupas caras, caminhar é uma opção barata contra o sedentarismo Vanessa Gonzaga | A caminhada traz benefícios para o corpo e para a mente Reprodução

Mesmo com o crescimento de diversas práticas esportivas como o crossfit, musculação e pilates, a caminhada segue sendo uma das preferidas, especialmente pelo custo zero e a facilidade de encontrar pistas ou locais para fazer os trajetos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda 150 minutos de exercícios de intensidade moderada ou por semana, que pode diminuir o risco de ter doenças cardiovasculares, diabete tipo 2, derrame cerebral e alguns tipos de câncer.
Isabella Carvalho tem 22 anos e retomou regularmente a prática da caminhada há poucos meses. Para ela, o principal benefício é ter mais disposição no dia a dia “Eu vejo que sou muito sedentária. Já vi em vários lugares que fazer caminhada melhora o sono, a disposição e também pra ter um corpo melhor”. O educador físico Charles Moraes reforça os aspectos positivos para quem quiser começar a se exercitar “A caminhada não exige habilidade, e sim coordenação ao caminhar. É uma atividade barata, pode ser feitas praticamente a qualquer hora do dia, não tem restrição de idade”.
Geralmente, o motivo inicial de quem caminha é a perda de peso. Por não precisar de equipamentos, roupas especiais e infraestrutura complexa, a caminhada é uma das principais iniciativas de quem deseja ver os números na balança diminuindo. “A caminhada apresenta maior índice de adesão aos exercícios para a prevenção de problemas e promoção de saúde, e é bom lembrar que as atividades físicas devem fazer parte de um programa global de saúde, para não causar malefícios”, reforça Charles.
Além dos benefícios para a saúde do corpo, o hábito de fazer caminhadas pode também melhorar a saúde mental. Um estudo feito pela Universidade de Essex, no Reino Unido, concluiu que a caminhada, especialmente se feita em áreas verdes ou jardins pode melhorar o humor, a autoestima e ajudar a combater a depressão, devido aos níveis de endorfina liberados frequentemente.
É para relaxar e melhorar a autoestima que Vânia Furtado faz caminhadas há quatro anos. Para ela, caminhar é relaxar o corpo e a mente da rotina estressante do trabalho “Como eu trabalho no comércio, é algo que me estressa muito. Você fica mais leve, seu stress diminui, eu saio menos carregada, a mente fica mais tranquila”. Os resultados para Vânia vieram também na balança, com 10 quilos a menos.
Vânia também dá dicas para manter o hábito, como vir sozinha, para evitar distrações e conversas paralelas que diminuem o ritmo da caminhada e ouvir música. Para vencer a preguiça em dias de desânimo, ela conta um segredo “Pra pegar o hábito, é deixar a roupa de caminhar num lugar visível, porque aí você fica lembrando que não pode deixar de vir. É olhar pra roupa, vestir e pensar ‘vamos lá’”.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Marcado para morrer, Padre Amaro resiste na luta pelo direito à terra no Pará

qua, 12/12/2018 - 09:06
Contra o latifúndio Religioso passou mais de 90 dias preso após perseguição de fazendeiros e madeireiros Juca Guimarães | Padre Amaro apoia a luta pela preservação das florestas e do uso sustentável da terra CPT

No Brasil, um homem está marcado para morrer porque acredita nos ideais de igualdade, amor e respeito entre as pessoas. Por esses motivos, Padre Amaro ficou preso mais de 90 dias e vive sob ameaça de assassinato na região de Anapu, no Pará, no médio Xingu, região Norte do Brasil.

Padre José Amaro Lopes de Souza é um religioso que defende a divisão das terras para a agricultura familiar e a preservação das florestas como um contraponto ao processo exploratório dos grandes latifúndios de plantação de soja e de pasto para o gado, produzindo apenas para a exportação e o aumento das fortunas dos fazendeiros, como explica o próprio Padre.

Desde meados dos anos 1990, quando conheceu a missionária americana Dorothy Stang, uma das principais lideranças da luta pela terra para os camponeses e a preservação da floresta, padre Amaro atua na Comissão Pastoral da Terra (CPT) em um conflito constante com fazendeiros e madeireiros. Dorothy, foi assassinada no dia 12 de fevereiro de 2005 aos 73 anos com seis tiros disparados por pistoleiros contratados por fazendeiros da região. Sua cabeça valia R$ 50 mil na época; a de Amaro R$ 25 mil.

Em 2018, padre Amaro foi acusado e preso num processo considerado controverso. A denúncia contra o padre foi feita por fazendeiros da região, e é considerada por muitos uma perseguição política para impedir a luta pela reforma agrária no município em que atua. Padre Amaro foi declarado inimigo de fazendeiros e madeireiros por ser uma das maiores liderança na luta pela terra em Anapu.

O religioso ficou em uma pequena cela no presídio de Altamira, entre 27 de março e 29 de julho. Mesmo atrás das grades, as ameaças continuaram e, segundo o padre, os latifundiários estavam esperando o pretexto de uma rebelião na cadeia para encomendar a sua morte.

Neste período, dois habeas corpus foram negados pela Justiça do Estado e o religioso só foi solto, como medida provisória, quando o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Enquanto estava preso, padre Amaro viu em uma pequena televisão as notícias da prisão do ex-presidente Lula, no dia 7 de abril, também sem provas. “Eu chorei. Eu sabia que era uma liderança popular sendo presa, dentro do esquema do golpe, para que não pudesse concorrer às eleições presidenciais”, relembra o padre.

Nos 13 anos entre a morte da missionária e a prisão do padre sem provas, o conflito por terra no Pará agravou. “A ordem é limpar tudo. Queimar e passar por cima de tudo, plantação, escola e pessoas”, disse.

Neste cenário, que tem a tendência de piorar com a ultra-direita no governo federal, padre Amaro ensina que é o momento de se unir nas lutas populares e resistir.

Padre Amaro esteve em São Paulo no dia 5 de dezembro para receber um prêmio da ONG Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, pela sua luta em defesa das comunidades camponesas, e falou com o Brasil de Fato. No evento, foi lançado o livro Direitos Humanos no Brasil 2018.  A vereadora Marielle Franco, assassinada no início do ano e cujo crime ainda não foi solucionado, também foi homenageada. 

Brasil de Fato: Qual é a origem da disputa pela terra no Pará?

Padre Amaro: As terras são terras públicas da União. No processo de colonização da Transamazônica, foi criada uma área de PIC [Projetos Integrados de Colonização] que abrange seis quilômetros a partir da faixa onde iriam viver os trabalhadores. Depois iriam ser separadas as grandes áreas. Foram feitas licitações e se, em cinco anos, o licitante não cumprisse o contrato, as terras voltariam para a União. Foi o que aconteceu.

Muitos fazendeiros do Sul do país compraram essas terras, onde já tinha a ocupação de trabalhadores. Com os projetos de desenvolvimento da região, como Belo Monte, muitos trabalhadores foram para a região. Quando os fazendeiros chegaram, ele tiraram os trabalhadores a pontapés, matando e queimando.

Como é a dinâmica de trabalho dos agricultores que foram trabalhar na região e estavam lá antes dos fazendeiros?

Você tem lotes de dez alqueires e só pode desmatar 20%. Os 80% é da reserva [mata nativa]. Os pequenos agricultores preservam a floresta. Já os grandes fazendeiros consideram isso um atraso para o desenvolvimento da região. Porque o que eles querem é derrubar e jogar pasto para criar muito gado.

E para onde vai essa produção de carne de gado?

Para exportação. O pequeno produz o cacau, o milho, a mandioca, o arroz, a pimenta do reino. E algumas fazendas usam um pedacinho para criar uma vaca de leite. Ele tem aquela terra para trabalhar a vida toda. Já o grande [fazendeiro] quer aquela terra para explorar e não fica renda nenhuma ali no município. Vai toda para fora.

E como se dá a expulsão dos agricultores da terra?

Eles querem tirar e eles tiram. Para nós, no Norte, parece que é um Estado sem lei. A impunidade mata e desmata. Eles dizem que vão limpar a área. E para limpar a área vale tudo. Matando, queimando, derrubando casa. Mesmo se a ação está na Justiça, eles nem esperam a tramitação final e vão agindo pela força. Eles têm poder, contratam pistoleiros, têm dinheiro. Eles passam por cima do pequeno e da pequena como se fossem coisas que não existem.

Como é a atuação da CPT na região e quais as acusações contra vocês?

A Comissão Pastoral da Terra dá assessoria aos trabalhadores e trabalhadoras. A CPT tem advogados, a gente ensina, encaminha os agricultores para a Defensoria Pública ou o Ministério Público Federal. Com isso, eles [os fazendeiros] têm raiva. Eles dizem que a gente incita o que eles chamam de “invasão”, mas é ocupação de terras públicas.

Como era sua amizade com a missionária Dorothy Stang?

Conheci ela em 1989, em Belém. Ela convidou alguns jovens para fazer uma missão na área e nós fomos. O bispo aceitou a gente e começamos a trabalhar e a estudar em Belém. Em 1998, eu fui ordenado padre em Anapu (PA). Em dezembro de 1998, o bispo elevou para a categoria de paróquia e eu fiquei ali. Tive a graça de trabalhar com a Dorothy por 15 anos. Quando a conheci, ela já fazia parte da CPT.

E qual era a principal luta de Dorothy?

A luta dela é que com a técnica você pudesse trabalhar na área de uma forma sustentável. Para criar os filhos e netos em harmonia com a terra e a natureza. Como tudo estava sendo devorado [pelos fazendeiros], ela entrou com a criação de dois PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável), que ficaram conhecidos como PDS Virola-Jatobá e PDS Esperança. Isso gerou uma raiva no meio dos fazendeiros e alguns setores dos madeireiros. Para calar e acabar com os PDS, eles mataram a Dorothy. Criaram um consórcio e mandaram matar no dia 12 de fevereiro de 2005.

O assassinato da missionária teve a mesma motivação do plano de difamação contra o senhor e que acabou em prisão. Como foi isso?

Eu estava em casa. O padre Bento que estava vindo de outra cidade me pediu para ir buscá-lo no terminal. Levantei, deixei o portão aberto e fui para o terminal. Quando cheguei tinha seis viaturas atrás de mim. E falaram que tinha um mandado de prisão contra mim. Eu disse que queria ler antes lá na minha casa. Entrei no carro, não fui algemado, e lá disseram que queriam arma, dinheiro, celular e o computador do CPT. Eu li a acusação e tinha coisas terríveis. Foi rápido. Me trouxeram para Altamira e fizeram os procedimentos e me levaram para o centro de detenção. Fiquei 92 dias lá.

Como foi a sua soltura? Teve dois pedidos de habeas corpus negados?

As duas vezes que pediram para a Justiça do Estado negaram. Na terceira, que foi lá no Supremo, foi concedido.

No período em que o senhor estava preso no Pará também prenderam o ex-presidente  Lula. Como foi a sua reação?

A minha reação foi terrível. A gente sabe da inocência de Lula. Sabe que foi golpe. Prenderam ele para que não pudesse concorrer à Presidência, para que não pudesse fazer mais nada pelos pobres. O golpe primeiro foi contra a Dilma e depois contra ele. Na celazinha, tinha uma televisão, quando eu vi aquilo, não fiz outra coisa a não ser chorar. Mais um companheiro que estava sendo preso injustamente. Foi uma dor muito forte no meu coração.

A prisão injusta e essa perseguição contra o senhor gera uma sensação de medo na região?

Não só na região, mas a toda entidade que luta por terra e por direitos. Uma das acusações é que eu não faço outra coisa senão defender bandido. Mas são trabalhadores e trabalhadoras rurais. Se eu fiz algum mal, esse mal foi tentar colocar o alimento na boca do trabalhador e trabalhadora e ajudar ele a conquistar um pedacinho de terra.

Após o golpe de 2016, da luta pela terra ficou mais acirrada. Notou alguma mudança no Judiciário também?

A situação política mudou. Em algumas glebas o pessoal está lá há mais de 20 anos e que agora, depois do golpe e da eleição deste moço [Jair Bolsonaro] que vai assumir a presidência, já teve audiência preliminar, já teve vistoria e o juiz já marcou de ir lá de novo. A gente fica muito preocupado com isso. Lá já foi queimada escola. Impediram de chegar energia elétrica. Não deixaram fazer uma estrada.

O senhor pediu algum tipo de proteção da Justiça após a morte da Dorothy?

Quando a Dorothy foi morta mandaram chamar a gente, os presidentes de sindicatos, os trabalhadores e fizeram várias reuniões. Nós percebemos que era para fazer a proteção de testemunha só para o padre e as irmãs. A gente não aceitou porque a gente não aceitava este tipo de segurança se o nosso povo continuasse inseguro. Era muito cômodo um padre, as irmãs e algumas lideranças ter segurança enquanto todo uma região estava insegura.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Amadeu: Se WhatsApp quer contribuir com democracia, entregue os metadados da eleição

qua, 12/12/2018 - 08:43
Internet Em entrevista ao No Jardim da Política, o sociólogo Sérgio Amadeu analisa relação entre política e internet Nina Fideles e Mayara Paixão | Sérgio Amadeu no debate "Internet como Espaço Público", no encontro global Emergências em 2015 Tânia Rêgo/Agência Brasil

"O debate eleitoral no Brasil foi anulado, ninguém discutiu nada. É uma situação atípica que vai dar muito trabalho para desconstruir". A frase é do sociólogo Sérgio Amadeu, em resposta ao papel das redes sociais nas eleições de 2018 no Brasil. Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e defensor do software livre, esteve nos estúdios do Brasil de Fato, para participar do programa No Jardim da Política

Na entrevista, o cientista social analisa o papel das redes sociais, em especial o WhatsApp, nas eleições deste ano, comparando com o processo eleitoral que levou Donald Trump à presidência dos Estados Unidos em 2016. Amadeu fala sobre as características de organizações de direita e a influência internacional que veem adquirindo recentemente. 

Ainda sobre o papel do WhatsApp na política brasileira atual, o autor do livro digital, "Tudo Sobre Tod@s: redes digitais, privacidade e venda de dados pessoais", questionou: "Se o WhatsApp quer contribuir com democracia, que entregue metadados dos dois meses em que aconteceram essas eleições!"

Confira a entrevista na íntegra.

Como você avalia o uso do WhatsApp nas eleições e as maneiras de conter as fake news?

O que aconteceu no Brasil foi um processo de desconstrução dos parâmetros de realidade. Isso já havia acontecido na eleição do Donald Trump, nos Estados Unidos. Um grupo novo da extrema-direita norte-americana considera que o capitalismo não se desenvolve corretamente porque existe um predomínio no mundo todo do que eles chamam de marxismo cultural. Eles se colocam em uma posição de lutar contra o sistema e, obviamente, o que eles usam para isso não é razoável e historicamente sustentável, então se propõem a destruir o debate e trabalhar com dogmas. Eles fizeram isso numa parte dos EUA, na eleição do Trump, e deu certo.

No Brasil, o que aconteceu foi que durante o processo do golpe foram destruídos os parâmetros da realidade. É óbvio que os políticos são complicados, e que o PT é um partido que tem sim gente que entrou na corrupção. Agora, transformar o PT no partido mais corrupto do Brasil é perder a noção. É só olhar qualquer indicador que se vê que a corrupção é estrutural na elite brasileira e está no judiciário, além de ser alimentada, principalmente, por partidos de direita. O PT resistiu muito contra a corrupção e isso foi invertido.

Quem ajudou nesse processo foi a Globo, o núcleo duro do tucanato, o (Rodrigo) Janot. Eles não perceberam a nova direita que se aproveitava disso melhor que eles. Entraram pelos dutos do WhatsApp usando técnicas de big data para atingir pessoas específicas, com um determinado preconceito. Esse preconceito foi amplificado e as pessoas começaram a receber isso com “carinhas bonitinhas”, mas os textos eram feitos por profissionais através de disparos comprados no exterior.

Se o WhatsApp quer contribuir com a democracia, que ele entregue os metadados dos dois meses em que aconteceram essas eleições. Eu não quero saber o que as pessoas falaram e qual o conteúdo das mensagens, eu só quero os disparos que vieram do exterior. Não entregam porque estão protegendo esse grupo que assaltou e fraudou as eleições no Brasil, e isso, as pessoas precisam saber. Não estou dizendo que não existe fascismo no Brasil, que não existem grupos de extrema-direita, que não tem o antipetismo. Fizeram uma onda que nunca se viu. O debate eleitoral foi anulado, ninguém discutiu nada, e fizeram essa ação. É uma situação atípica que vai dar muito trabalho para desconstruir.

Foi preparado um caminho e o Bolsonaro se aproveitou disso?

Ele tomou a hegemonia. O núcleo duro do golpe não incluía o Bolsonaro. O Bolsonaro é um sujeito execrável e não é levado a sério, mas ele mobilizou o fascismo no Brasil. Essa direita norte-americana conhecida como alt-right, ou direita alternativa, tem um projeto de poder mundial através do radicalismo do neoliberalismo, e, do ponto de vista político, do Dark Enlightment, o iluminismo às avessas da obscuridade. Quer destruir os parâmetros da razão.

Falar que o Brasil é socialista? Por que temos direitos? Então quer dizer que Portugal, França, Bélgica, Holanda são socialistas. Os Estados Unidos têm mais direitos que nós. Para falar que a Ku Klux Klan é de esquerda é porque você não quer nem ouvir o líder, que diz que é da supremacia branca da extrema-direita americana. Esses caras têm um projeto de hegemonia, e usam esse termo inclusive. Tem um livro que sugiro chamado Kill All Normies, da pesquisadora americana Angela Nagel, que fez um levantamento sobre como atua essa direita alt-right.

Não é uma disputa onde um político que mostrasse despreparo e apresentasse dados falsos perderia votos. A realidade tem que ser destruída do ponto de vista simbólico para que eles tenham chance de debate. Para destruir os direitos mínimos que foram alcançados no Brasil, vão ter que convencer as pessoas que isso é bom. Não dá para convencer, porque é ruim, então o caminho é os factoides, com mentiras, ‘kit gay’ e perseguição.

Por que o Moro, que não era do grupo do Bolsonaro, virou? Porque ele se adequa. Ele é uma correia de transmissão para destruir a economia nacional. Agora, ele vai perseguir os sindicatos e as universidades, que são os centros que vão oferecer resistência a essa política de desmonte do país.

O que são as guerras híbridas e o que aconteceu durante a eleição que tem relação com elas?

O livro Guerras Híbridas mostra com alguns fatos mais recentes, a operação que combina ações militares e não militares, culturais, econômicas e de sabotagem. Isso é muito antigo. Dou uma disciplina chamada cyberguerra, e, nela, usava um texto dos anos 90 lançado pela Raid Corporation, que trabalha para o departamento de Estado e possui textos de estratégia norte-americana. Existe um texto chamado, em tradução livre, No campo de batalha de Atenas. Atenas é a deusa da sabedoria, também armada. Os estrategistas Arquila e Rondfeldt diziam que existem dois tipos de guerra: a cyberguerra, onde os militares já usavam guerras eletrônicas, e a net war, que é uma guerra híbrida feita pelas redes digitais, que combinam desde sabotagem, até a criação de uma baixa moral na sociedade adversária, mostrando outros valores. Tudo isso já estava colocado como uma estratégia militar.

O texto Cyber Power, do Joseph Nye Jr., traz uma expressão que os estudiosos de relações internacionais gostam muito: o soft power. Ela é sobre o poder dos EUA e a identificação que eles criam. Não é só o hard power, o poder militar, são os dois. Surge, então, a expressão smart power, que combina os dois conceitos. Nos textos do Joseph Nye Jr., ele mostra que é mais barato para a dominação, a criação de cisões na sociedade que se pretende dominar, estabelecendo primeiro uma ideologia. Isso também seria, mais contemporaneamente falando, um trabalho de guerra híbrida. Os americanos sempre fizeram isso.

Na época que o [Edward] Snowden denunciou o sistema de inteligência norte-americano, a intrusão feita a partir de plataformas, foi perguntado sobre se a NSA interfere em eleições. Ele falou que sim. Eles sempre tem um lado que podem ter mais vantagem e, obviamente, talvez não tenham interferido simplesmente nas eleições de uma maneira mais clássica, mas utilizaram o apoio que o Trump, os trumpistas, e a alt-right têm, que não é nem formal do Departamento de Estado americano. O departamento trabalhou no Atlantic Council orientando com migalhas o (Rodrigo) Janot, o (Sérgio) Moro, para destruir a capacidade econômica brasileira, perseguir só de um lado e fazer justiça seletiva.

O curioso é que eu vi no twitter do Janot ele pregando voto para o Haddad. Ele foi enganado e deve estar chateado porque fez parte do núcleo duro do golpe, e fez a justiça virar seletiva. Eles destruíram o Estado de Direito. A pessoa mais citada na Lava Jato é o Aécio Neves, que continua senador. A justiça vale para um e não para outro. Por isso Lula precisou ser fraudado e tirado da eleição em um processo ridiculamente insustentável para qualquer jurista sério. O Moro tem a desfaçatez de ir comemorar com o time que ganhou, virando ministro de Bolsonaro.

Toda essa operação é de dominação. Os EUA está rachado também e não é mais uma potência como era. Tiveram uma eleição recente em que o Trump ganhou no Senado e perdeu na Câmara, mas perdeu por pouco porque conseguiu tirar a pauta econômica da discussão. Sabe o que ele discutiu? Os factoides. Os imigra ntes que vão pular o muro do México. Ele fez uma mobilização militar caríssima. Eles fazem factoides e é o que vão fazer no Brasil, porque não têm como governar sem criar esses castelos de fumaça. A pauta real deles é nefasta. O Moro vai sair com carro de polícia invadindo universidades e sindicatos. Fizeram isso na Lava Jato. Primeiro desmoralizam as pessoas. A única coisa que deu errado foi em Santa Catarina, que o reitor foi tão desmoralizado que se matou.

As operações não tem nenhum fundamento jurídico, mas eu esperava houvesse uma cobertura constitucional no Supremo Tribunal Federal (STF), dizendo que não dá para aceitar esse tipo de aberração. Colocam militares como assessores do STF e mostram que o Brasil vive uma tutela militar lamentável. Militar, em países democráticos sérios, não se mete em política. Está cheio de militar querendo comandar o país com arma na mão. Isso é medieval e não tem nada a ver com democracia. Então, os militares precisam que abandonar as forças armadas, e não as contaminar.

Vai prevalecer o que o Tocqueville fala: quando se tem uma arma politizada, se tem uma arma fraca. Se tem uma arma cheia de políticos. Os militares contaminam a sociedade com seu autoritarismo e são contaminados pelo jogo político. É lamentável um país, que é a oitava economia do mundo, não estar apostando em suas universidades, em fronteiras tecnológicas e em criar plataformas diferentes das dos norte-americanos nas redes. Mas não, será comandado por pessoas que batem continência para a bandeira americana e que o sonho é comprar um ladrilhado em Miami.

O soft power abre uma nova possibilidade de desestabilizar governos, mais baratas inclusive, mas que não é tosco. É um trabalho muito profissional que tem psicologia das massas, jornalismo da guerra...

Antes de começar a eleição formalmente, vi um meme chamado “kit vagabundo”, em que mostravam coisas que existem com correlações impróprias. Dizia: “se aquela mulher é vagabunda e tem filho, não tem problema, o governo dá bolsa família”, “se ele não trabalha porque é vagabundo e alcoólatra, não tem problema, o governo dá seguro desemprego”. Se a pessoa está desempregada, é porque é alcoólatra, a mulher está sempre em posição inferior. Foi esse processo de desinformação que enfrentamos na eleição. Esse processo foi realizado por pensadores dessa direita alternativa e foi trabalhado minuciosamente com construção desses perfis.

Já existiam empresas que, para ganhar dinheiro, rasparam o Facebook tentando organizar em segmentos. Quanto mais informações, melhor pode vender esse banco de dados. É muito fácil obter essas informações e depois comprar cadastros e colocar o telefone das pessoas. Então, tinham o número e o perfil de cada pessoa, podendo fazer disparos massivos que certamente não foram pagos pelo comitê de campanha do Bolsonaro, portanto são crimes eleitorais. A Cambridge Analytica já havia sido fechada durante as eleições, mas o banco de dados já poderia ter sido repassado. Pela quantidade de disparos que eu peguei e informei, acredito que eles tenham comprado esses microsegmentos e orientado as pessoas.

A minha tia, que disseminava informações nos grupos pró-bolsonaro, enviava o tipo específico de conteúdo que a sensibilizava. Sempre tem alguém em seu grupo de família que recebe essa mensagem de algum lugar. Uma minoria recebia dos próprios grupos pró-bolsonaro, mas outros eram colocados milimetricamente em grupos de pessoas que não conheciam, e que recebiam esses disparos certeiros. Foi uma campanha de distribuição massiva.

As pessoas distribuíam porque estavam no banco de dados e foram identificadas como propícias a disseminar esse conteúdo. Como nos Estados Unidos, conseguiram transformar pessoas preconceituosas e que tinham irritação com o “politicamente correto” em militantes. Enquanto para se transformarem em militantes as pessoas precisavam ter o mínimo de conhecimento histórico, pegaram um indivíduo irritadiço e o mobilizaram para matar o debate.

Isso pode ser visto como uma estratégia da guerra híbrida mas, ao meu ver, é uma estratégia antiga dos norte-americanos. Tanto que, quem montou o golpe no Brasil não foi a administração Trump, foi a administração Obama. Foi o Departamento de Estado e Justiça que levava o núcleo articulador do golpe para os Estados Unidos.

E não está restrito ao Brasil

Não. Recentemente, em Andaluzia, na Espanha, venceu o Vox (partido da extrema direita), que também pertence a essa direita alternativa que se coloca como anti-sistêmica. Esse conceito é curioso. O Trump, por exemplo, faz parte do capital imobiliário norte-americano. É um antissistema da boca para fora.

Assim como os nacionalistas, com o “Brasil acima de tudo”

“O Brasil acima de tudo” é o Brasil entregue aos norte-americanos. Infelizmente, não temos mais nacionalistas nas forças armadas. Para eles, para o Brasil se desenvolver, é preciso de ordem, mesmo que isso signifique a entrega da Embraer, da base de Alcântara, da Amazônia, que destrua nossa capacidade produtiva, nossas universidades, cortem recursos de pesquisas avançadas, que não existam pessoas da sociologia e política entendendo como funciona o mundo e como são os países que farão acordos comerciais. Os Estados Unidos, para qualquer país do mundo, têm pelo menos 50 grandes pesquisadores que conhecem o país. Mas para Bolsonaro, isso não serve para nada.

Na verdade, estamos em uma situação muito difícil, e precisamos enfrentar esse cenário. Não só com os movimentos sociais e a luta por direitos, mas quem não sabe como ajudar e conhece outras pessoas também com o mesmo interesse, deve montar um coletivo para não deixar que essa nova direita destrua a realidade, com memes e informações mentirosas. Monte um coletivo e coloque na rede um conteúdo consistente e detalhado e destrua essa mentira. Isso é fundamental, porque desmoraliza e passa a mostrar para pessoas que não têm interesse de se misturar com alguém que não tem nenhum compromisso com a verdade e com a ética. Mesmo a classe média mais conservadora não quer isso.

Para manterem a sociedade nesse entorpecimento, precisam destruir a história e trabalhar com dogmas. É necessário montar coletivos de esclarecimento, de reconstituição da verdade. Se trabalhamos com a realidade, é possível a interpretação de várias formas, mas não estão trabalhando com fatos, e sim destruindo toda a história.

Qual a sua elaboração sobre o conceito de fake news e por que ele está contaminado?

Logo após a eleição dos Estados Unidos, Donald Trump falou para a CNN e para os demais que o criticam e cobram suas incoerências, que não ia responder “porque isso é fake news”. Esse termo foi muito usado nas campanhas e ficou comprometido e apropriado por apoiadores de Bolsonaro. Mesmo que fosse fake, ou seja, algo que não é fato, isso é um tipo de estratégia utilizada na eleição. Uma coisa é uma notícia completamente fabricada e mentirosa, outra é uma que possui fundamentos reais com diferentes interpretações.

Posso ter uma opinião, mas não posso tentar transformá-la em realidade contra a própria realidade, e se eu fizer isso, estou fazendo um processo de desinformação. Ao afirmar que uma estatística que aponta 20% é na verdade 80%, o que acontece é um processo de desinformação. Outro exemplo é apresentar notícias verdadeiras fora de contexto.

O processo de desinformação é muito mais complexo e envolve a “modulação da visão”, com a plataforma das redes sociais que possuem algoritmos, que definem quem pode ver suas publicações. Quem me garante que os algoritmos do Facebook não restringiram determinadas publicações de um tipo de política e não de outro? Ele diz que não faz isso, mas não há garantias.

Além disso, as publicações com maior alcance são as com o maior preço de impulsionamento, e quem tem dinheiro para pagar? Os empresários que apoiaram o Bolsonaro, que pagaram e não declararam. O processo de desinformação não abrange só verdade e mentira, e é por isso que não gosto do termo fake news. Quem tem interesse na desinformação e nas notícias falsas como estratégia válida são os grupos de ódio. Um partido como o PSDB não vai querer se comprometer espalhando uma série de mentiras, mas a campanha da direita alternativa não possui nenhum pudor em fazer isso. Eles quebram a placa da Marielle à luz do dia, tem discursos machistas, racistas, lgbtfóbicos, e não têm nenhum interesse em fazer uma campanha com debate econômico. Querem dizer que a Previdência tem um déficit, mas não querem debater o motivo, que é o valor da aposentadoria de militares e dos juízes. Falar em combater o déficit é uma coisa e não debater é uma forma de desinformação.

Um fato possui um contexto e uma série de elementos que precisamos avaliar. Ele pode ter ocorrido, mas pode não ser relacionado com o contexto em que está sendo utilizado, e é por isso que sou contra as leis de fake news que estão no Congresso, porque vão ser usadas contra os defensores da democracia e contra o bom jornalismo. É assim que o judiciário atua. A lei contra o terrorismo é um exemplo disso, pode ser usada contra os movimentos sociais, assim como a lei contra o crime organizado. É preciso saber que vai ter promotor e juiz que são da elite e vão ser seletivos. Destruíram o Estado Democrático de Direito.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Ouça o Programa Brasil de Fato – Rio de Janeiro – 11/12/18

qua, 12/12/2018 - 08:30
Rádio A aprovação do passe livre universitário nos transportes intermunicipais do Rio é o destaque da edição Redação | Estudantes do ensino médio protestam, no centro do Rio, contra retirada do passe livre Fernando Frazão/Agência Brasil

O programa da última terça-feira (11) fala sobre a conquista do passe livre universitário intermunicipal por estudantes da rede pública e privada de ensino superior do Rio. 

Em entrevista, o historiador e militante do Levante Popular da Juventude, Igor Barcellos, conta sobre o processo de luta até a aprovação do Passe Livre pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e sobre o impacto de tal decisão na vida de estudantes de todo o estado.

Direto do Largo da Carioca, no Centro do Rio, as informações ao vivo da 10ª Feira da Reforma Agrária Cícero Guedes.

O programa ainda traz reportagens sobre o arquivamento do projeto Escola Sem Partido e sobre a Conferência Internacional em Defesa da Democracia, realizada em São Paulo. 

O direito à saúde, à segurança e ao acesso às políticas sociais também são assunto do programa. 

No quadro Dicas Mastigadas, uma receita típica da agricultura familiar: quibe de abóbora.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Artigo | Somos todas Guarani-Kaiowá

qua, 12/12/2018 - 08:00
Luta Nascida em 2013, a ocupação se consolidou e hoje faz parte do mapa de Contagem, na Região Metropolitana de BH Frederico Lopes* | Encontro Guaranis-Kaiowá e moradoras da Ocupação Guarani-Kaiowá Foto: Crianças GK

Um grito ecoou pelo Brasil e pelo mundo afora. Os ruídos dos povos Guarani Kaiowá viraram vozes, e no ano de 2012, essas vozes juntas gritaram contra o genocídio das nações indígenas. Não sei se todos recordam, mas nesse período uma intensa campanha ganhou as redes e as ruas. Era o Brasil afirmando que “somos todos Guarani-Kaiowá”, tal como afirmado por Viveiros de Castro – “No Brasil, todo mundo é índio, exceto quem não é.”

Fruto da campanha - que defende o reconhecimento e demarcação das Terras Kaiowá Guarani no atual Mato Grosso do Sul - surgiu em 2013 a Ocupação Emanuel Guarani Kaiowá, em Contagem, na Região Metropolitana de BH. Homenageando a luta dos povos Guarani Kaiowá, a ocupação urbana, que conta com aproximadamente 150 famílias, foi batizada levando em seu nome a luta dos povos Guarani Kaiowá.

Nas palavras da própria ocupação assim se justifica a homenagem: “O genocídio e o etnocídio das populações brasileiras originárias, camponesas, quilombolas, é o triste retrato de um passado que buscamos resgatar na memória para transformar. Falar e entender Guarani Kaiowá significa, portanto, recuperar a nossa identidade apagada, reconstruir espaços de comunidade vinculados à terra a partir dos povos que foram brutalmente desterritorializados: as populações urbanas de periferia”.

Os anos se passaram e, no final de março de 2014, por intermédio de professores e estudantes da disciplina Laboratório de Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais da UFMG, a ocupação foi ponto de encontro entre os Guarani Kaiowá (MS), com os moradores da ocupação Guarani Kaiowá. No encontro, os companheiros do Mato Grosso do Sul, o rezador Sr. Valdomiro, o Cacique Genito Gomes e o Vice-Cacique Walmir Gomes, fizeram uma reza junto aos moradores e afirmaram: “A terra é de quem planta e cuida, daqui ninguém tira vocês!”. O vídeo do Encontro pode ser acessado aqui.

A profecia se fez como previsto, a ocupação se consolidou, e hoje faz parte do mapa da cidade das abóboras. Em outubro de 2018, quatro anos depois do primeiro encontro, ocorreu o segundo, um encontro mágico entre as mulheres Guarani-Kaiowá, vindas do Mato Grosso do Sul, com as mulheres da Ocupação Guarani-Kaiowá.

Novo encontro: mulheres trocam experiências

Dona Tereza Amarília Flores, Jhonn Nara Gomes e Luiza Flores viajaram mais de 1.300 km para serem professoras, repassando e trocando seus conhecimentos com estudantes e professores, dentro do Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG.

Dona Tereza Amarília Flores, como afirmado no seu currículo, é “rezadora, agricultora, cantora, conhecedora e manipuladora de remédios com a utilização de plantas [...] Mestra e Doutora nos saberes e fazeres do povo Kaiowa, formou-se junto com seu companheiro, o xamã Ñanderu Valdomiro Flores (falecido em 2016), trabalhando juntos nos roçados do Guaiviry, território originário onde viveram seus pais, irmãos, tios e tias, avôs e avós bem como toda uma extensa parentela.”

Johnn Nara Gomes, por sua vez, é uma jovem liderança política do Tekoha Guaiviry, o território ancestral retomado e autodemarcado pela nação Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. “Neta da rezadora Odúlia Mendes e do líder político Nísio Gomes, esse último assassinado em 2011 na violenta luta pela terra contra fazendeiros invasores. Formou-se em cinema pelo Programa de Extensão Imagem Canto Palavra no Território Guarani e Kaiowa (2014 e 2016).”[1] E é co-diretora de Ava Marangatu (2016, 15″) e Ava Yvy Vera (2016, 52″), filmes premiados em diversos festivais.

No dia 6 de outubro, após muitas aulas na Graduação e Pós-Graduação na UFMG, foi o dia do Jajotopa Guarani-Kaiowa Ocupação, o grande encontro das Mestras Guarani Kaiowá com as mulheres da Ocupação.

Na ocasião, pude perguntar o que as indígenas pensavam de uma ocupação urbana, de Belo Horizonte, ter o nome de Guarani Kaiowá, mesmo não sendo uma retomada de terra indígena. De pronto Dona Amarília Flores me respondeu em língua guarani, com tradução de Johnn Nara: “Não foi à toa que vocês [moradores da ocupação] escolheram esse nome Guarani Kaiowá, o espaço de vocês é abençoado, vocês não são Avá, mas têm o coração bom. Isso mostra que os Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, não estão sozinhos na luta”. E, finalizando, ela sentencia: “Ficamos felizes com essa homenagem, vocês acertaram na mosca esse nome, estamos juntos na luta.” 

Johnn Nara deixou um ensinamento eterno para todos nós, sobretudo os Cari (brancos). Jovem de temperança singular, ela pegou o microfone e afirmou firmemente “nós não somos índias! Nós somos Avá, pertencemos à nação Guarani Kaiowá”. Índio, esse termo pejorativo, usado pelo colonizador europeu, que na ausência de sensibilidade e conhecimento para reconhecer a vasta diversidade entre os povos que aqui habitavam, rebaixa e iguala as variadas comunidades nativas de todo o mundo.

As mulheres da Ocupação GK, Deusa, Naiara e Shirley, por sua vez, falaram em nome da comunidade, agradecendo a presença e perseverança das companheiras Guarani Kaiowá, o fato de elas terem viajado tamanha distância, e apesar do cansaço visitarem a ocupação, “que é simples, mas é nosso lar”.

A verdade é que esse encontro rendeu muitos ensinamentos, não somente para mim e para os demais estudantes presentes, mas para todos envolvidos, inclusive as lideranças de ambas as partes, pois os dois movimentos (a ocupação e a retomada) lutam pelo direito à terra, e resistem às ganâncias de especuladores e latifundiários. Seja em Contagem ou no Mato Grosso do Sul, a terra pertence a quem planta, cuida, trabalha e faz dela vida.

*Frederico Lopes é sociólogo e jardineiro.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Editorial | O fim da aposentadoria

qua, 12/12/2018 - 08:00
Opinião As vidas de 51 milhões de brasileiros estão sendo vistas como mercadoria Redação Minas Gerais | Futuro governo federal está criando obstáculos para impedir o acesso da classe trabalhadora a seu descanso digno Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A tão prometida Reforma da Previdência pode ser utilizada com um bom recorte para compreender a relação que o atual e futuro governo federal tem com seu povo, a quem, teoricamente, deveriam servir para garantir sua vida e seu bem-estar. A lógica da mídia burguesa e golpista tem se utilizado da assertiva que diz: “a repetição leva à convicção”. De tanto insistirem que existe um grande rombo no nosso Sistema de Seguridade Social e que só existe um único jeito de resolvê-lo, esta premissa já nos tem parecido como verdadeira, ainda que não seja.
Contas matemáticas das mais simples comprovam que os recursos que entram para as Políticas de Assistência Social, Saúde e Previdência são maiores que sua saída atualmente. Outra questão simples é que as grandes empresas e que os possuidores de grandes fortunas devem pagar o que devem. Porém, para se considerar que o combate à sonegação ou a diminuição da desoneração, além do próprio fomento à geração de empregos seriam as melhores saídas, tais governos precisariam de um valor essencial que não tem demonstrado em discursos e práticas: compromisso com o desenvolvimento do país e com a vida do seu povo.
Escolher entre um modelo de seguridade considerado como um regime de solidariedade e outro que entende a proteção social como um produto a ser vendido e administrado individualmente, passa por uma decisão de como representantes do estado desejam ver o envelhecimento de seus trabalhadores e trabalhadoras. Dignidade e proteção ou abandono e negligência? 
Estão querendo impedir o acesso da classe trabalhadora a aposentadoria
51 milhões de brasileiras e brasileiros que trabalham a maior parte do tempo de suas vidas estão correndo risco de se transformar em mercadoria.
O futuro governo federal promete levar à votação uma solução que, em nome da suposta neutralidade e da melhor administração, ignora e aprofunda desigualdades entre homens e mulheres na sociedade e no mundo do trabalho; uma proposta que desmonta o percurso conquistado desde o processo de redemocratização e construção da Constituição de 1988. Esta deforma da Previdência ignora a razão desta política existir e se inspira em experiências fracassadas e inadequadas para nosso contexto. 
Estão na verdade criando obstáculos para impedir o acesso da classe trabalhadora a seu descanso digno, apontando novas regras que deixam a morte se aproximar de forma muito mais ofensiva que o frágil direito à aposentadoria.
 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Liberdade política é tema do Revista Brasil de Fato Pernambuco

qua, 12/12/2018 - 00:57
Entrevista Perseguição aos movimentos sociais e populares estiveram em pauta Redação | André Barreto é também da Consulta Popular Arte: Diva Braga

Conversamos com o advogado André Barreto sobre a defesa da liberdade política no Brasil. O programa contou ainda com depoimentos de representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trablhadores Sem Teto (MTST), Levante Popular da Juventude, Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE). 

A entrevista com André Barreto adentrou pela conjuntura do país com a transição no governo federal, a condição de preso político de Luiz Inácio Lula da Silva, retirada de direitos da classe trabalhadora, a perseguição aos movimentos sociais e populares e as propostas pela defesa de um setor jurídico democrático.  

André Barreto é advogado e milita na Consulta Popular, na Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e Rede Nacional de Advogados Populares (Renap). 

Vitrola de Fato: "Quem é ninguém" (Siba), "Viverei" (Ana Cañas), "El pueblo unido jamás será vencido" (Itili Mani), "Liberdade" (Maciel Salú).  

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato

Comissão legislativa aprova relatório do caso Marielle e Anderson

ter, 11/12/2018 - 22:27
Direitos Humanos Texto destaca falta de respostas sobre o duplo homicídio e pede federalização do caso, entre outras medidas   Cristiane Sampaio | Coletiva de imprensa da comissão legislativa do caso Marielle Franco, na Câmara dos Deputados Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

Foi aprovado, na tarde desta terça-feira (11), o relatório final da comissão legislativa que acompanha, na Câmara dos Deputados, o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista dela, Anderson Gomes. O texto aprovado é o parecer do relator, Glauber Braga (Psol-RJ), e sugere a federalização do caso, que tiraria a competência das investigações das autoridades estaduais do Rio de Janeiro e as deixaria com órgãos federais.

Atualmente, o trabalho é coordenado pela Polícia Civil carioca e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), tendo ainda uma via paralela de investigação por parte da Polícia Federal (PF).

No entanto, a PF apura especificamente o suposto envolvimento de uma organização criminosa que estaria atuando para dificultar a elucidação do crime, enquanto os órgãos estaduais trabalham pelo esclarecimento do caso.

Os deputados da comissão legislativa se queixam de contradições referentes ao discurso das instituições estaduais envolvidas: enquanto a Polícia Civil afirma que a apuração do crime estaria na fase final, o Ministério Público tem dito que ainda faltaria o esclarecimento de pontos importantes do processo.

O colegiado da Câmara, criado em março deste ano, logo após os assassinatos, tem o objetivo de fiscalizar o trabalho das instituições envolvidas na apuração. O relatório aprovado destaca a falta de respostas para o duplo homicídio, que tem sido apontado como possível assassinato por motivações políticas.

A vereadora Marielle Franco tinha trajetória ligada à defesa dos direitos humanos, com destaque para a luta das mulheres e das populações LGBT, negra e das periferias. As autoridades não chegaram aos atiradores e aos mandantes, nem descobriram a motivação do crime.

“Há uma necessidade de ampliar o rol de responsabilidades, por isso nós consideramos que o deslocamento de competência tem esse papel. Do jeito que está não dá pra continuar”, afirmou Braga, em coletiva de imprensa nesta terça-feira.

Oficialmente, o pedido de federalização do caso precisa ser ajuizado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por conta disso, a comissão deverá encaminhar o relatório para a PGR. Outros órgãos também deverão receber o documento, como as instituições já envolvidas na investigação e o gabinete responsável pela intervenção federal no Rio de Janeiro.

Segundo os deputados, organismos internacionais também irão receber uma cópia. Entre eles, estão a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e a Anistia Internacional, que colaboraram com os trabalhos do colegiado.

O relatório, que contém 118 páginas, também traz outras sugestões, como a criação de um observatório independente para acompanhar as investigações do caso; o controle mais efetivo de armas e munições por parte dos órgãos de segurança pública; e o fortalecimento das diferentes redes de proteção aos defensores de direitos humanos, vítimas e testemunhas ameaçadas, com destaque para aqueles que residem no Rio de Janeiro.

Como desdobramento, o documento pede ainda que seja dada agilidade, no âmbito da Câmara dos Deputados, aos projetos de lei que previnam casos como o de Marielle Franco, bem como aqueles que garantam maior efetividade a esse tipo de investigação e fortaleçam o controle social sobre a segurança pública.

“Frustração”

O presidente da comissão, Jean Wyllys (Psol-RJ), afirmou que, após nove meses de trabalho, o grupo encerra as atividades com “frustração e sensação de injustiça”, por conta da falta de respostas para o crime. Ele destacou ainda a importância da garantia da segurança de defensores de direitos humanos no Brasil.

“A gente quer viver num país em que as pessoas que professam uma ideologia política não tenham que ser ameaçadas de morte. É esse país que a gente quer, é esse país que Marielle queria, e é por esse país que a gente vai continuar lutando, apesar de a hegemonia política indicar o contrário”, afirmou.

Recentemente, a CIDH, órgão ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA), concedeu medidas cautelares a Wyllys, determinando que o Estado brasileiro zele pela vida do parlamentar. O psolista tem recebido diferentes ameaças nos últimos anos, especialmente após o assassinato de Marielle.

Já o deputado Chico Alencar alertou para o fato de que a impunidade estimula os crimes contra defensores de direitos humanos. Ele lembrou ainda que o contexto político atual do país tem impulsionado o cenário de ameaças a parlamentares e militantes de esquerda.

“Elas ficam muito mais fortes quando a gente percebe que, nesse processo todo do caso Marielle, não houve nenhum detido sequer até agora”.

Comissão

Com a aprovação do relatório, o colegiado que acompanha o caso da vereadora encerra oficialmente as atividades, mas, segundo Jean Wyllys, deverá haver mobilização para reativar a comissão no próximo ano, de forma a dar sequência ao acompanhamento das investigações.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-54143594-4', 'auto'); ga('set', 'campaignName', 'FacebookIA'); ga('set', 'campaignSource', 'FacebookInstantArticles'); ga('set', 'campaignMedium', 'social'); ga('send', 'pageview');
Categorias: Brasil de Fato