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Atualizado: 29 minutos 59 segundos atrás

Opinião | As religiões e o fascismo

qua, 10/10/2018 - 09:00
RELIGIÃO No artigo dessa semana, o monge Marcelo Barros fala dos erros cometidos pela igreja na busca pelo poder Marcelo Barros* | "É preciso ter coragem de rejeitar essa imagem de um Deus poderoso e cruel e testemunhar que Deus só pode amar" PH Reinaux

Um jovem procurou o bispo Pedro Casaldáliga e lhe disse: “Eu sou ateu”. O bispo lhe perguntou: “De que Deus, você é ateu?”.

No século VI, o papa Gregório afirmava que conhecia dois tipos de idolatria: a mais banal era adorar a deuses falsos. A outra, mais sofisticada e, entretanto, cotidiana na prática religiosa consiste em adorar o Deus verdadeiro de uma maneira falsa. Na Bíblia, essa ocorreu quando os sacerdotes do templo e o rei Salomão construíram o templo de Jerusalém. Até então, Deus se tinha revelado no deserto, em meio à caminhada do povo hebreu. Deu ao povo a sua lei, o seu projeto libertador, em meio ao fogo de um espinheiro ardente. E sempre quis morar no mesmo tipo de barraca (tenda) na qual o povo nômade vivia. Ao construir o templo, os sacerdotes copiaram as religiões de seus vizinhos e transformaram o projeto divino da aliança em uma estrutura especificamente religiosa. Reproduziram os mesmos tipos de cultos sangrentos com sacrifícios de animais que os cananeus faziam, só que agora oferecidos ao Deus da aliança que nunca pediu nem quis isso.

Assim aprisionaram a Deus em leis cultuais, em exigências de tributos e tabus que dividiam, e até hoje discriminam, as pessoas em puras e impuras, religiosas e profanas, abençoadas e outras abandonadas por Deus e pela religião. Na Bíblia, durante todo o tempo, os profetas denunciaram essa religião dos sacerdotes. Protestaram que Deus chama o povo a viver a fé baseada na justiça e no cuidado da vida dos pobres. Jesus entrou nesse mesmo caminho. Conforme os evangelhos, quando ia ao templo era para exercer a profecia (ensinar) e não para oferecer sacrifícios rituais. Revelou aos discípulos que Deus é Pai (Abba: paizinho) e não um Deus todo-poderoso. Ensinou-os a orar diariamente: Pai Nosso, venha a nós o teu reino (isso é, o teu projeto de um mundo novo). Por isso, ele foi perseguido pelos religiosos da sua religião e foi entregue aos romanos pelos sacerdotes que pediam: Crucifica-o!, Crucifica-o!.

Na sua história, muitas vezes, as Igrejas cristãs substituíram a religião do templo, mas a mantiveram praticamente igual. Aprimorou belos rituais baseados no poder sagrado, mas sem relação com a justiça e o direito. Durante séculos, a Igreja Católica aceitou a escravidão, concordou com as guerras de conquista e a colonização para se expandir e para ter do seu lado o poder político, sempre acreditando estar com isso agradando a Deus. O Concílio Vaticano II veio propor uma mudança nesse projeto. Embora muitos bispos e padres ainda pensem e se comportem assim, essa não é mais a postura oficial da Igreja. Infelizmente, grupos pentecostais herdaram da velha Cristandade o que ela tinha de pior. Agora têm como projeto criar um Brasil pentecostal. A coalizão da extrema direita se declara “Por Deus”.  É esse projeto que está por trás do tal templo de Salomão que Edir Macedo reconstruiu em São Paulo. É o que está por trás da espiritualidade de vários grupos religiosos evangélicos, mas também católicos. E de algumas emissoras de rádio e televisão religiosas.

Foi esse tipo de religião que entregou Jesus à morte. Foram esses religiosos que apedrejaram Santo Estêvão acusando-o de ter blasfemado contra o templo (contra a religião). Foram eles que queimaram na fogueira Santa Joana d’Arc para ficar bem com os ingleses que tinham conquistado a região norte da França. Foram eles que mataram nas inquisições e cruzadas milhares de pessoas em nome de Deus e chamavam isso “auto de fé”.

É preciso retomar o espírito do Evangelho e ter coragem de rejeitar essa imagem de um deus poderoso e cruel e testemunhar que Deus só pode amar e não quer um mundo religioso e sim um mundo justo e fraterno, de paz, justiça e comunhão com a Terra e a natureza.

Na exortação apostólica sobre a alegria do Evangelho, o papa Francisco afirma: “A proposta do evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. E a nossa resposta de amor também não deveria ser entendida como uma mera soma de pequenos gestos pessoais a favor de alguns indivíduos necessitados, o que poderia constituir uma “caridade por receita”, uma série de ações destinadas apenas a tranquilizar a própria consciência. A proposta é o reino de Deus. Trata-se de amar a Deus, que reina no mundo. (...) O projeto de Jesus é instaurar o Reino do seu Pai: por isso, pede aos seus discípulos: Proclamai que o Reino do céu está perto”. (E. G. 180).  

*Marcelo Barros é monge beneditino e assessor de movimentos populares

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Fotografia e costura se entrelaçam em projeto desenvolvido em Passira (PE)

qua, 10/10/2018 - 09:00
Arte “Bordando o feminino” promove a troca de experiências na cidade considerada terra dos bordados Redação | Projeto surge da troca de saberes entre mulheres Raul Luna

É a partir da troca de saberes entre mulheres que surge o projeto “Bordando o feminino”, idealizado pela artista visual pernambucana Lais Domingues. A proposta é construir um diálogo, ao longo do segundo semestre de 2018, entre dois fazeres manuais - a fotografia e o bordado. Desenvolvido no município de Passira, no Agreste de Pernambuco, o intercâmbio se dará através de uma residência vivenciada na Associação das Mulheres Artesãs de Passira (AMAP), que atua com mais de 40 mulheres, todas bordadeiras e que vivem do seu trabalho.

“Esse projeto é como uma reafirmação de toda a transformação que venho vivendo desde que descobri o universo têxtil, há três anos. Não estou aprendendo apenas a bordar, estou descobrindo como se vive desse ofício e como o bordado e a costura podem transformar a realidade de várias mulheres”, conta Lais. Ao longo de quatro meses, a artista visual receberá aulas de bordado na AMAP, com a facilitadora Luzinete Maria da Silva e, em contrapartida, as trabalhadoras receberão oficinas de tingimento natural de tecido e de desenvolvimento criativo para a confecção de uma coleção própria.
Para conduzir essa troca, Lais convidou a estilista Thanina Godinho, de São Paulo. “Juntas estamos acessando as memórias das mulheres do grupo, suas histórias, que são cheias de significados. Além de despertar energia criativa, o projeto tem o objetivo de ajudar a potencializar a autonomia dessas mulheres, utilizando o fazer com as mãos como ferramenta para o crescimento da economia da comunidade”, explica Thanina.

A culminância do projeto se dará tanto em Passira quanto no Recife, com uma exposição de fotos (que receberão a aplicação de bordados) e vídeos com registros de todo o processo, além das cerca de 40 peças que serão desenvolvidas para a coleção, buscando resgatar a identidade do território dessas mulheres. “Como fio condutor do trabalho pensamos na identidade deste território, ou seja, na significação do feminino como alma, situando-as no tempo e no espaço, e relacionando o passado com relação ao presente”, conta.

A Associação de Mulheres Artesãs de Passira (AMAP) iniciou seus trabalhos em 2007, quando as artesãs do município sentiram a necessidade de se reunir em torno de uma sociedade civil para estimular, congregar e encontrar soluções para problemas socioeconômicos dos associados, além de promover o intercâmbio e experiências profissionais, representando a classe junto aos órgãos governamentais e privados. É constituída por cerca de 40 mulheres de idades variadas que, organizadas em cooperativa, participam de feiras, realizam formações e produzem coleções de vestuário feminino, comercializando seu trabalho através de vendas online e eventos.

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Vinil em Brasa na Venda de Seu BIU acontece em todos os sábados de outubro

qua, 10/10/2018 - 09:00
Música Evento acontecerá semanalmente às 22h na Venda de Seu Biu, em Olinda Redação | A entrada custa R$10,00 Divulgação

Fruto da famosa Terça do Vinil, a festa Vinil em Brasa tem no seu repertório o melhor do Samba, Funk, Soul, Forró, latinidades, afrobrasilidades, cumbias, além de outros ritmos tropicais dançantes. O evento acontecerá todos os sábados de outubro, começando às 22h na Venda de Seu Biu, que fica na Rua 27 de Janeiro, 32, Carmo, Olinda. A entrada custa R$10,00.

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Previsão do tempo para quarta-feira (10)

qua, 10/10/2018 - 08:31
CLIMA Saiba como estará o clima nas cinco regiões do Brasil Rede Nacional de Rádio | Previsão do tempo Karina Ramos | BdF

Previsão do Tempo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia. 

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“Incômodo Cotidiano” provoca a olhar para dentro de si e para o entorno coletivo

qua, 10/10/2018 - 08:00
Resenha Com poesia e fotografia, livro nos convida a questionar a nós mesmos e o mundo em que vivemos Raíssa Lopes | Autora fala do que está ali, aqui e lá. Ela fala de resistência Foto: Larissa Costa

"Você já pensou que pode ser uma pessoa privilegiada desde que nasceu?” É a partir dessa pergunta que a escritora Alanna Fernandes, de Uberlândia, apresenta o seu livro de estreia, o “Incômodo Cotidiano”. 
Com poesia, a autora fala do que está no dia a dia, do que está ali, aqui e lá. Do que está o tempo todo, mesmo que muita gente insista em negar: a desigualdade, a violência, o racismo, a exploração, o moralismo.
A provocação inicial instaura um clima de análise de si, do exterior que nos cerca e faz olhar para o outro. A conclusão a que cada um chega provavelmente depende do lugar que ocupa no mundo, mas uma vez na posição de se questionar, é difícil voltar atrás. “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”, diria Chico Science. 
A publicação parece agir como uma espécie de denúncia, porém, é um grito individual, e também coletivo, nunca nos deixando esquecer que fazemos parte de um povo, uma classe. Que a empatia é importante e que existe luta. Que nem tudo é natural, que existem outros projetos de mundo e vários tipos de existência possíveis.
A poesia de Alanna também vem em foto. O livro é todo ilustrado com a obra fotográfica da artista. Elas não só complementam, elas falam. Mostram a rotina da vida, às vezes mais ardida que serena. Mostram a ação do Estado sobre nós, sempre presente, mesmo que ora sutil, ora escandalosa.
Mas não se engane, Alanna fala do que está ali, aqui e lá. Ela fala de resistência. E a resistência está em cada pedra de cada ladeira erguida por torturados em cidades históricas, em cada estrada construída por explorados em capitais. 
Ela fala do que está o tempo todo: do feminismo, da emancipação, do amor, do Nordeste, da batalha, da esperança por democracia, de não se acomodar. A resistência é cotidiana. 
 

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Estudante da UFPR com boné do MST é espancado aos gritos de “Aqui é Bolsonaro”

ter, 09/10/2018 - 21:38
Violência Prédio da biblioteca da universidade e casa da Estudante Universitária foram depredados Ana Carolina Caldas | Estudante da Federal do Paraná agredido por eleitores do Bolsonaro em Curitiba Divulgação

Na noite desta terça, 9, um estudante da Universidade Federal do Paraná que usava um boné do MST foi violentamente atacado por um grupo da torcida da Império, do Coritiba. Aos gritos de “Aqui é Bolsonaro”, o grupo de cerca de 15 pessoas vestidas com a camisa do time espancou o rapaz que estava em frente à Casa da Estudante Universitária (CEUC). Houve depredação no local e também foram quebrados vidros da biblioteca da universidade.
Testemunhas que estavam próximas disseram que houve discussão das pessoas da torcida com o jovem. “De repente, o rapaz de vermelho levou um soco e quando isso aconteceu todo mundo da torcida começou a quebrar garrafas e ir para cima do cara. Uma covardia”, disse uma estudante que não quis se identificar.
Outra estudante afirmou que muitos que ali estavam correram assustados. “Quando voltamos, vimos o rapaz ensanguentado, já entrando na ambulância.“ A polícia foi chamada ao local, mas os agressores fugiram. O rapaz ferido foi acompanhado de amigos para um hospital.

Confira a nota publicada pelo Diretório Central dos Estudantes
URGENTE!
Estudante da UFPR acaba de ser brutalmente violentado em frente à Universidade por membros de uma torcida organizada aos gritos de "Aqui é Bolsonaro!".
O estudante sofreu lesões na cabeça causadas por inúmeras garrafas de vidro quebradas pelos agressores. Além disso, houve depredação à Casa da Estudante Universitária de Curitiba (CEUC), que teve vidros quebrados.
A justificativa da agressão foi o uso de um boné do MST pelo estudante.
Resistiremos à barbárie, ao fascismo e à violência. Mais do que nunca, a democracia, o diálogo e a tolerância precisam prevalecer

Nota da Universidade Federal do Paraná

NOTA DE REPÚDIO contra ato de violência nas dependências da UFPR
 
Superintendência de Comunicação Social

A Universidade Federal do Paraná lamenta profundamente o ato de violência ocorrido em frente às suas dependências. Um membro da comunidade foi vítima de agressão física, aparentemente por seu posicionamento político. Ele já foi encaminhado para atendimento médico e não corre risco de morte. Vidros foram quebrados na Biblioteca Central e na casa da estudante universitária.

A Pró-reitoria de Administração e a Superintendência de Infraestrutura prontamente foram acionadas e já tomaram as devidas providências para garantir a segurança no local e boletins de ocorrência foram registrados.

A UFPR repudia veementemente todo e qualquer ato de violência, de preconceito ou de discriminação e entende que os espaços universitários são ambientes de debate e do exercício de liberdade de opinião. Um espaço histórico e simbólico que deve se manter pleno da democracia e de continua resistência à intolerância, à violência e banidas as formas de opressão.

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Eleições de 2018 reforçaram aliança entre bancadas conservadoras

ter, 09/10/2018 - 21:24
Eleições 2018 Câmara teve maior acha de renovação dos últimos 24 anos por conta do PSL Rafael Tatemoto | Mais da metade da Câmara será composta por novos nomes Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Mais da metade da Câmara dos Deputados, cerca de 53%, será composta por novos nomes. É a maior renovação em 24 anos. Patamares como este só foram verificados em 1990 e 1994.

O fenômeno foi causado pelo PSL, atual partido de Jair Bolsonaro, que se tornou a segunda maior bancada da Casa, atrás do PT. Por outro lado, as eleições de 2018 para o Parlamento representam uma manutenção de seu caráter conservador e pela aliança entre diversas bancadas temáticas.

O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) previa uma manutenção de nomes tradicionais muito acima da verificada. Antonio Augusto de Queiroz, diretor da entidade, aponta que o fenômeno observado em 2018 surpreendeu a todos e está “diretamente associado” à campanha presidencial.

“A nossa expectativa de baixa renovação não contava com o tsunami que foi o PSL na Câmara. Nem nós, nem eles. Eles trabalhavam que, no menor cenário, chegariam a 30. Aí explodiu. Como a maioria é novo, aumentou o índice de renovação”, afirma. 

Ele destaca que, apesar do sucesso que levou à desidratação de legendas tradicionais de direita e centro-direita, como PSDB e MDB, caso seja eleito, Bolsonaro contará com uma bancada do próprio partido menor do que os presidentes anteriores.

O outro BBB

Ainda não há contabilização exata do tamanho das bancadas temáticas, e alguns levantamentos preliminares apontam, por exemplo, para a diminuição da bancada evangélica. Queiroz, entretanto, aponta que qualitativamente este setor chega fortalecido na Câmara, também por conta do teor da campanha presidencial de Bolsonaro.

“Ele parte de um patamar de 10% na Câmara, um pouco abaixo da média do que outros presidentes elegeram, mas muito próximo. E conta com mais partidos que formariam um núcleo duro por identidade plena: PRB e DEM. Uma coisa já se sabe, ela [bancada evangélica] vem empoderada porque esse debate foi muito forte nas eleições”, diz Queiroz. 

A campanha de Bolsonaro parece ter reforçado a aliança entre estas bancadas temáticas. A relação entre as bancadas pró-armamento, cristã fundamentalista e do agronegócio, batizada nos últimos anos como BBB – Bíblia, Boi e Bala – é um fenômeno mais recente na história brasileira do que para outros países. Magali Cunha, pesquisadora em Comunicação e Religião e consultora do Conselho Mundial de Igrejas, explica que o eleitorado evangélico é, na verdade, bastante diverso.

“Tem uma pluralidade muito grande. É difícil falar de apenas um segmento evangélico. São muitas igrejas. Essas pautas mais amplas, que não mexem com a questão da moralidade não há uma unanimidade de posição das igrejas evangélicas. Mesmo nas pautas referentes à sexualidade, ao corpo, há muita diversidade”, pondera. 

Ela ressalta que a bancada evangélica representa fundamentalmente as lideranças religiosas, e não o conjunto de fiéis. Em sua origem, sua atuação se limitava ao protagonismo conservador em pautas relacionadas a direitos reprodutivos e sexuais das mulheres e os direitos civis de LGBTs, por exemplo. Mais recentemente, interesses como concessões públicas para canais de rádio e TV aproximara o setor de outros temas. 

“Há um jogo discursivo que tem a ver com a lideranças [religiosas] que fecham com os políticos que estão na bancada, que jogam com muitos interesses. É uma novidade na bancada esse envolvimento de questões maiores da política nacional”, defende.

Um indício da mudança da bancada da Bíblia ao longo dos anos, e acentuada em 2018, apontada por Cunha é o fato de que se originalmente era composta basicamente por líderes pentecostais, hoje, o setor é composto também e cada vez mais por empresários que se declaram evangélicos.

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No Recife, professora sofre ataques e ameaças após criticar Bolsonaro

ter, 09/10/2018 - 21:06
ELEIÇÕES A educadora Fernanda Pessoa foi alvo de ataques organizados durante esta terça-feira Da Redação | Estudantes afirmam que a professora não conseguiu dar aula nesta terça (9), após receber ameaças e ataques inclusive de pais de alunos Fernanda Pessoa/divulgação

A artilharia online do Movimento Brasil Livre (MBL), que atuou no golpe contra Dilma Rousseff (PT) e agora impulsiona a campanha do candidato de ultra direita à Presidência da República, se voltou hoje contra a professora pernambucana Fernanda Pessoa, que na semana passada, num "aulão", fez críticas abertas contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Alunos revelam que a professora não conseguiu dar aula nesta terça (9), muito abalada após receber ligações com ameaças e ataques contra sua honra. Pessoa tem um cursinho privado pré-Enem voltado para Redação e Linguagens com alta taxa de aprovação. As mensalidades ficam entre R$250 e R$300, mas ela concede um grande número de bolsas.

Em áudio gravado por um estudante durante um aulão na última quinta-feira (4), a professora pergunta quais dos seus alunos votarão em Bolsonaro e questiona: "Vocês acham certo ele não participar de um debate às vésperas de uma eleição? Por que ele não vai participar, se ele está bem e recebeu alta?". Ela avalia que a postura do candidato é prejudicial à democracia do país. "Eu preciso saber quais são as propostas dele. As pessoas precisam conhecê-lo. Por que ele não aparece para defender suas ideias?", indaga. Na sua opinião, a sociedade está prestes a tomar uma decisão baseada na revolta.

Durante a conversa, ela afirma que seu voto é do candidato Ciro Gomes (PDT). O Movimento Brasil Livre (MBL) publicou em suas redes a imagem da professora, com acusações de que ela teria constrangido os estudantes e acusou-a de "doutrinação" por exprimir sua opinião. Contraditoriamente, o movimento lamentou, horas depois, que o um professor da UFPE defensor de Bolsonaro foi alvo de protesto de estudantes de esquerda, também nesta terça (9).

Em outro áudio a professora parece estar numa postura defensiva, alegando que não vai abrir mão de sua liberdade de expressão na sala de aula. "Eu vou dar minha opinião sempre. Não posso? Aqui não é ambiente de 'lavagem cerebral', porque aqui cada um tem acesso a informação e pode opinar o quanto quiser. Só não fala quem não quer", pontuou.

Fernanda Pessoa também lamentou o que classificou como imaturidade para conversar sobre política. "A gente não tem preparo para falar sobre político num ambiente maduro. Por isso estamos nessa situação, à beira de um colapso. E pelo que tenho escutado das pessoas, não tem chance de melhorar", lamentou. "Precisamos defender ideias, não reproduzir o que ouvimos das pessoas. Extremismos matam e continuarão matando", alertou a educadora.

Ela também reafirmou sua posição em defesa dos grupos mais fragilizados da população. "Eu não acredito nessa ideia de ter que oprimir a classe trabalhadora para ter o meu dinheiro. Eu não trabalho tirando proveito das camadas inferiores da sociedade".

Pessoa ainda destaca que é a favor de um projeto inclusivo, que protege as minorias. "Eu incluo pessoas, independentemente de quem elas sejam, de onde elas venham, sem saber se me darão retorno financeiro, sem oprimi-las e sem tratá-las de forma diferente", pontuou.

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Sindicalista dos EUA visita Lula e lamenta ameaça a direitos no Brasil

ter, 09/10/2018 - 21:01
Unidade Diretora do Sindicato dos Metalúrgicos dos EUA falou sobre semelhanças entre Trump e Bolsonaro Lia Bianchini | Kristyne Peter, diretora de Relações Internacionais do "United Auto Workers - UAW" Foto: Joka Madruga/APT

Kristyne Peter, diretora de Relações Internacionais do Sindicato dos Metalúrgicos dos Estados Unidos da América (“United Auto Workers - UAW”) visitou a Vigília Lula Livre, em Curitiba, nesta segunda-feira (9), e manifestou a preocupação compartilhada por sindicalistas de diversos países com a conjuntura política brasileira.  

“Como vocês sabem, nós [EUA] estamos sob a administração de Donald Trump e temos visto a destruição dos direitos civis e trabalhistas. E vemos muitas semelhanças entre isso e o candidato da direita aqui no Brasil: misógino, racista, xenófobo, [com propostas que podem] destruir a seguridade social”, disse Peter.

Para a sindicalista norte-americana, o atual presidente dos EUA, Donald Trump, é “praticamente igual” ao candidato do PSL à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro. Ela deu exemplo do modo como Trump tem governado o país, atacando diretamente as classes mais populares. 

“Ele [Trump] está pretendendo privatizar escolas públicas do nosso país, ele é imprevisível, mente o tempo todo e basicamente está fazendo uma política que vai beneficiar o 1% mais rico [da população], enquanto aumenta a disparidade entre os pobres e os ricos. Isso cria um problema maior”, explica.

Outra semelhança destacada pela sindicalista foi o fato de que, assim como a campanha de Bolsonaro, Donald Trump investiu fortemente na disseminação de notícias falsas (chamadas de fake news em inglês). Para Peter, é um desafio lutar contra as mentiras espalhadas nas redes sociais, que pode ser superado, no entanto, com a militância “indo às ruas para conversar olhando nos olhos da população”.

Cartas para Lula

Em sua passagem por Curitiba, Peter levou cerca de 700 cartões postais com mensagens de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, escritos por outros sindicalistas e trabalhadores norte-americanos. 

O UAW, sindicato do qual Kristyne Peter é diretora, é um dos maiores da América do Norte, com mais de um milhão de membros espalhados entre Estados Unidos, Canadá e Porto Rico. O sindicato representa os setores automotivo, agrícola e aeroespacial, além de trabalhadores de hospitais, ensino superior e organizações privadas sem fins lucrativos.

“Nós estamos chocados com o modo como Lula está sendo tratado e com a farsa da justiça que está acontecendo no Brasil. Há um ataque à democracia brasileira”, disse Peter.

Do mesmo modo como as empresas são globais, a sindicalista entende que os trabalhadores e as trabalhadoras devem se unir globalmente. Ela conta que o Sindicato dos Metalúrgicos dos EUA mantém relações próximas com outras entidades brasileiras, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM). 

Em novembro, a população dos Estados Unidos também irá às urnas, para eleições legislativas, quando escolherão seus representantes para a Câmara e o Senado. Segundo Peter, agora, “mais do que nunca, os sindicatos estão fazendo política nas ruas” para conseguir eleger candidatos e candidatas que representem de fato a classe trabalhadora.

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"Nós estamos escrevendo nossa história", diz primeira mulher indígena eleita deputada

ter, 09/10/2018 - 20:41
Representatividade Joênia Wapichana vai representar o estado de Roraima, região brasileira marcada por conflitos de terras indígenas Luciana Console | Joênia também foi a primeira mulher indígena a se formar em Direito no Brasil. Causa indígena é marco em sua trajetória. Foto: Reprodução/Facebook

Pela primeira vez na política brasileira, uma representante dos povos indígenas vai ocupar um cargo no Congresso Nacional. Do partido Rede Sustentabilidade, Joênia Wapichana foi eleita deputada federal de Roraima no domingo e trás como principais pautas a defesa dos direitos indígenas. 

Joênia tem "Batista de Carvalho" como sobrenome na certidão de nascimento, mas utiliza o nome indígena em sua atuação política. Ela pertence ao povo Wapichana, da Comunidade Truarú. Sua trajetória é marcada pela defesa dos povos indígenas e pela conquista de espaços. Além de ser a primeira deputada federal indígena, Joênia também foi a primeira mulher indígena a se formar em Direito no Brasil, na Universidade Federal de Roraima, em 1997. Ela também é mestra pela University of Arizona, dos Estados Unidos, desde 2011.

A formação acadêmica permitiu com que a sua atuação nas causas indígenas fosse mais ampla e desde 1999 a advogada indígena coordena o Departamento Jurídico do Conselho Indígena de Roraima. 

Um dos destaques de sua trajetória profissional e política é a atuação como advogada na demarcação da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, que fica na fronteira com a Venezuela. Apesar de já identificada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em 1993 para demarcação, pressões políticas tem retardado o processo e a terra foi sendo cada vez mais ocupada por produtores de arroz, que se recusam a sair dali. O conflito na região perdura desde a década de 70 e é um dos mais emblemáticos conflitos de terras indígenas no Brasil, com muitas mortes decorrentes da disputa pelo território, que tem 1,7 milhões de hectares.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Joênia falou sobre as pautas que dará andamento em seu mandato. Ela também fala sobre os desafios de ser a primeira mulher indígena eleita deputada federal e o poder simbólico que isso representa para seu povo.

Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato -- O que representa a conquista de uma vaga no parlamento pra participar da luta dos povos indígenas?

Joênia Wapichana -- Representa uma ferramenta super necessária neste contexto que estamos vivendo hoje no país, quando existe riscos aos direitos que já são garantidos na Constituição. Há necessidade de os povos indígenas terem sua defesa ali, mesmo que seja só uma [pessoa] ali pra bater de frente com uma bancada anti-indígena, mas é necessário.

Que pautas principais você pretende levar por meio do seu mandato?

Vou te colocar três bandeiras que estou defendendo. Primeiro, é a defesa dos direitos coletivos indígenas e dos direitos sociais.

Nós sabemos da defesa da demarcação das terras indígenas, da necessidade de ter a implementação dos processos demarcatórios e, pra isso, temos que combater propostas anti-indígenas que tramitam no Congresso Nacional, como a PEC 215; como o projeto que tenta fazer com que as terras indígenas sejam arrendadas; e outras de qualquer facilitação pro licenciamento ambiental.

E também fazer com que os direitos indígenas, principalmente os direitos de consulta, sejam inseridos pela proposta de lei que tramita no Congresso Nacional, como o PL 1610, que tenta regulamentar a mineração em terras indígenas. E, nessa mesma linha dos direitos sociais, também vai a priorização dos direitos fundamentais não somente paras comunidades indígenas, mas pra todos, que é a questão da educação. Na questão indígena, é [necessário] ter um sistema próprio de educação escolar.

A segunda bandeira que vou levar é a da sustentabilidade, pra que as comunidades indígenas sejam incluídas no processo geral de planejamento do país, e garantir suas práticas culturais, seus conhecimentos tradicionais e mesmo a produtividade e a circulação da renda interna sem que isso possa significar um desrespeito pra cultura ou qualquer outro tipo de direito. É parar com essa discussão de que terras indígenas são empecilho ao desenvolvimento do Estado. O que está faltando é oportunidade. Se é preciso leis pra garantir isso, vou trabalhar pra isso, levando a sustentabilidade das comunidades indígenas.

A terceira bandeira é focada na questão do orçamento público. A gente tem que trabalhar pela elaboração e pela consolidação das leis, mas nem todo o orçamento é conivente com a realidade que temos. Eu não concordo e vou tentar combater a PEC da morte, que congela o nosso orçamento. Dentro dessa linha do orçamento, também vou lutar contra a corrupção, as regalias e os privilégios que existem.

Para que isso seja consolidado, nós precisamos de ferramentas e de fiscalização dos orçamentos, assim como os recursos federais que vem em nome dos povos indígenas.

A bancada ruralista, conhecida por ser o principal grupo algoz dos indígenas no Congresso, conta com mais de 200 membros. Que estratégias você pretende usar pra que o seu mandato tenha voz diante desse cenário de hegemonia do poder econômico na Câmara? 

Vai ser difícil, mas não impossível. Nós vamos usar todas as alianças possíveis, levando pessoas que defendem os direitos humanos, os direitos sociais, que apoiam a dignidade, a vida, a questão do meio ambiente, a sustentabilidade, que acreditam na pessoa desde já, apoio da população brasileira e dos povos indígenas em geral porque só assim a gente vai conseguir barrar muitos projetos inconstitucionais, fazer valer o que existe na nossa Constituição Brasileira e não deixar retroceder nossos direitos garantidos. E fazer com que os regimentos, todo os argumentos jurídicos sejam aplicados, então vou usar do que eu tenho de conhecimento, prática e experiencia.

O que lhe vem à cabeça quando lembra que será a primeira mulher indígena a ocupar uma vaga na Câmara dos Deputados? 

Eu estou escrevendo a nossa história, fazendo valer o que os povos indígenas já tinham planejado há muito tempo. Então eu sou fruto desse sonho de muitos anos, muitas gerações que estão aí. Porque a nossa história, para nós, povos indígenas, principalmente o movimento de Roraima, a gente já tem experiência que nunca foi dado nada de graça pra nós.

Tudo isso que a gente conquistou, todos os direitos, as demarcações de terra, foi fruto de uma longa batalha, uma longa luta de união dos povos, de movimentos e pessoas que apoiam a causa indígena e os direitos humanos. Então o que vem na minha mente é que é só o primeiro passo. Quando me formei em Direito, eu estava abrindo essa história para vir outras pessoas.

Como foi o processo de você se candidatar ao cargo de deputada federal?

O fato de ser mulher indígena, a minha história, pra ter chegado até aqui. Não foi eu que cheguei e disse que queria ser [deputada], mas foi um convite da nossa militância, de uma grande assembleia indígena que teve na aldeia Raposa Serra do Sol, quando avaliaram que era necessário os povos indígenas terem uma participação nesse processo eleitoral.

Sempre a gente tem que ir pra luta e se a política é uma ferramenta, é o meio da gente também lutar pelos nossos direitos, a gente tinha que participar. Então esse comprometimento meu com a causa indígena e da minha identidade indígena com o meu povo, foi que veio esse resultado, então eu te digo, nós estamos escrevendo a nossa história.

Por fim, o que fica como lição diante de mais esta conquista que você teve agora? 

É o que eu sempre coloquei na minha campanha. Tudo que a gente passa a decisão é nossa. Se a gente quer mudança, a gente tem, se a gente quer, a gente pode, então a decisão é nossa. Cabe a nós lutar, unir e ir pra luta e sonhar. Nós tivemos uma decisão, tivemos trabalho coletivo, tivemos participação de todos e nós ganhamos. A lição é essa.

O momento é muito mais do que necessário, oportuno e importante, nesse cenário politico, nesse novo quadro político que o Brasil vai ter ano que vem. Se a gente está aí na política, os indígenas, não é por folia ou alguém disse que era bonito. É por extrema necessidade que a gente está aí.

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Stedile on Brazil elections: ‘Projects and interests will become clear in runoff’

ter, 09/10/2018 - 19:41
BRAZIL ELECTIONS MST leader on the presidential race between Workers’ Party’s Fernando Haddad and far-right candidate Jair Bolsonaro Brasil de Fato | “In the first round, Bolsonaro was hiding. Now it’s only two candidates now, so it will become clear that there are two [opposing] projects” Rafael Stedile

After votes were counted last Sunday and confirmed a second round between Brazilian presidential candidates Fernando Haddad and Jair Bolsonaro, the member of the national board of the Landless Workers’ Movement João Pedro Stedile spoke with Brasil de Fato Radio about the next steps in Brazil’s presidential elections, saying voters will now have the opportunity to learn more details about the platforms and interests each candidate represents.

Stedile argued it is necessary to show people that Bolsonaro’s economic plan, devised by ultra neoliberal economist Paulo Guedes, includes raising taxes on the poor and reducing them on the weathy.

::: BRAZIL ELECTIONS 2018

He said Bolsonaro is getting a lot of votes because he claims to be an “anti-system candidate,” even though, right now, he is the one representing capital the most.

Even in case of a democratic defeat, Stedile believes it will be possible to carry on a progressive political struggle. “In case of an eventual a Bolsonaro administration, there is no reason for despair. Contradictions will increase, problems will increase. We must strengthen our grassroots work, our ideological work. Strengthen the work toward resistance.”

Read the interview:

Brasil de Fato: What is your take on this Sunday’s elections?

João Pedro Stedile: Well, there was a scenario where voters wanted change. To change what they saw in old politics. Old politicians. And, in a way, the elections did not follow so much the strength of traditional parties. And that change was found in [Luiz Inácio] Lula [da Silva]. Unfortunately, the dictatorship of the court system, clearly breaking the laws of this country, barred Lula from running. [If if hadn’t done that], at this point, we would be celebrating his outright victory in the first round.

Bolsonaro, in a way, was appealing to these nonpolitical, nonpartisan voters who wanted change from the beginning. So he managed to galvanize the idea that he is the anti-system candidate, even though, right now, he is the one representing the most the Brazilian bourgeoisie, capital, and this political system of domination.

He made it into the second round exactly because he has the ideological skill to fool the poor and say, “I’m against the rich.” He replicates, in a way, the role [Fernando] Collor played in 1989, when, as a legitimate representative of Globo [Brazil’s largest media conglomerate], he made that speech against the ‘maharajahs,’ fooled the poor and defeated Lula in the elections.

There were surprises, especially unpleasant ones, in [the elections for] the Senate, because we lost several valuable [candidates for] senators that proved to be, in the latest term, fighters against the coup and all this attack against national sovereignty. But, on the other hand, they also lost [names] that represented the oligarchy.

Haddad won in most northeastern states. How do you see this victory?

There is no surprise in the Northeast. When we look back at previous elections, that happened with Lula as well. I think that, in the runoff, it is not going to be about parties. Of course Haddad will have to negotiate with parties, especially the PDT [Ciro Gomes’ party]. Of course there will be conversations between parties, but that is not what is going to make up voters’ minds.

I think that, in the runoff, it is not going to be about regions. What it is going to be about is a battle between projects and classes. Haddad won in the Northeast, but not because they live in the Northeast. It’s because there are poor people there whose lives changed with the Lula and Dilma [Rousseff] administrations, and therefore they raised their class consciousness.

As now it’s only two candidates [running in the second round], it is clear that it’s about two projects. Bolsonaro, despite his hypocritical speech, obviously represents this country’s reactionary forces. It’s not a coincidence that most of the armed forces support him, most members of the military police support him, most bankers, represented by [his economic guru] Paulo Guedes – who is a partner at the investment bank Bozano. So I think it will become clearer to the people. And that is what I hope Haddad can explain to the people. More than being a spokesman for Lula, he has to be a spokesman for the working class.

Will this argument, showing the project that Bolsonaro represents, produce results on the ballot?

It has to. After all, in the first round, Bolsonaro hid behind the stabbing incident.

And what is the role of the activists in this process?

First, let’s keep showing the powers that are behind Bolsonaro. He is being provided intelligence services from abroad, which means the power of international capital backing him up. Just like it is necessary to expose all these bots, which we know cost a lot of money, and which he is using to make a media warfare online.

We have to show the people, we have to engage with workers, with the poor. And to do that, we have to use arguments, facts. We have to tell people not to fear – because they are using fear a lot – and show that, even though Bolsonaro has fascist ideas, there is no fascist movement in Brazil. There is no grassroots movement in society for fascism in Brazil.

Is it surprising that Bolsonaro won in the North? Is that connected to his alliances with the ruralist lobby?

The Center-West and North regions of Brazil are where latifundia [system of large estates and big monoculture] are very hegemonic in society. It’s not just that they win the elections: they rule the churches, it’s where security forces barracks are, they rule society’s life. It’s very hard for the Left to thrive there, because there is no working class. The working class migrates, they come looking for jobs in the Southeast or other regions.

That does not worry me. What worries me is that, now, in the second round, we have to do grassroots work, go door to door, hold meetings at parishes, at churches, call progressive ministers to explain to the people that voting for Bolsonaro is voting for LP gas price hikes, rental price hikes, bus fare hikes. And, looking at Brazil’s map to see how contradictory that is, most governors [who won outright majority in the first round] are progressive. So we are good with candidates for governor. That does not mean that people drank a ‘fascism tea’ and is now voting for fascism.

Most people who vote for Bolsonaro are thinking about change, but it’s only a small part that really agrees with his more aggressive views.

You’re right. Bolsonaro’s big strength is that he was able to mobilize activists, military police officers, the Armed Forces, especially retired officers, most of the Freemansonry, and these intelligence services that helped him online [with a strong campaign on social media and messaging apps]. Just like they managed to convince some ministers, who are not evangelical at all in the sense of the gospel, who are spreading fake news, [talking about] topics such as gay marriage to terrorize people who have conservative values, and ministers who openly campaigned for Bolsonaro. That explains why Marina [Silva]’s campaign melted down.

What are the possible challenges of a Bolsonaro or Haddad administration?

In case we have a Bolsonaro-led government, there is no reason for us to despair. On the contrary. We must strengthen our grassroots work, strengthen our ideological work, strengthen our political power in other spaces in order to be in opposition. So, if we lose space in the executive branch, that will be a reason for us to be more careful in the political struggle: replenish our energy to develop people’s communication outlets, to be able to convey the ideas of the working class and how the working class collectively understands the political scenario. They don’t have a platform for Brazil. A Bolsonaro-led government will mean four years of deep crisis.

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Bolsonaro é autor da lei que liberou falsa pílula do câncer

ter, 09/10/2018 - 18:53
Saúde Em quase três décadas de atividade parlamentar, o candidato do PSL aprovou apenas dois projetos de lei Leonardo Fernandes e Juca Guimarães | A pílula, indevidamente usada como remédio para câncer, foi proibida pelo STF Reprodução Youtube

Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, protagonizou um dos episódios mais alarmantes da medicina brasileira e que levou dezenas de pacientes à morte, ao se aliar ao movimento de aprovação da fosfoetanolamina sintética, a chamada pílula do câncer, que comprovamente não faz efeito e nem pode ser chamado de medicamento, pois não passou por todas as etapas do processo de testes das agências reguladoras.

A liberação da substância fraudulenta foi objeto de um dos dois projetos de lei de autoria de Bolsonaro que foram aprovados em 27 anos na Câmara. A liberação do medicamento foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Depois de proibida no Brasil, a fosfoetanolamina seguia sendo vendida como um suplemento alimentar pela empresa Quality Medical Line, sediada nos Estados Unidos, e que tinha como um dos principais acionistas o empresário Humberto Silva De Lucca, que esteve preso por duas ocasiões, depois de condenado pelos crimes de porte ilegal de arma, receptação e uso de documento, praticados em 2002, em Balneário Camboriú (SC). 

"Muita gente certamente morreu porque acreditou nessa mentira da fosfoetanolamina. Esse é um caso que eu considero como uma das maiores vergonhas da ciência brasileira. Virou um caso de polícia. As pessoas que tem familiares com câncer acreditam porque estão desesperadas", disse o professor da Unicamp.

Luiz Carlos Dias, professor titular do Instituto de Química da Unicamp, acompanhou de perto toda a história do uso fraudulento da substância como tratamento para o câncer. Segundo ele, o mais grave da situação é que os pesquisadores que, ao lado de Bolsonaro, apoiavam o tratamento, recomendavam a suspensão de outros métodos, estes sim eficientes, como a quimioterapia e a radioterapia.

"A pressão popular e principalmente dessa avidez por votos dos nossos políticos levou esses estudos a serem feitos diretamente em seres humanos, não respeitando todas as etapas de testes. Questões éticas muito sérias foram burladas  aí. Porque os políticos estavam interessados, obviamente, em votos", disse o professor.

O outro projeto de lei de autoria de Bolsonaro que foi aprovado é o que estendia o benefício de isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para bens de informática.

Questionado sobre o fato de ter aprovado apenas dois projetos de lei durante quase três décadas de atividade parlamentar em uma entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, em 2017, o presidenciável Jair Bolsonaro respondeu: “A Dilma [Rousseff] apresentou algum projeto na vida dela? O [João] Doria apresentou algum projeto? Não tem nada a ver uma coisa com a outra”.

Um sete um

Foram 171 projetos de lei, lei complementar, decreto de legislativo ou propostas de emenda à Constituição (PECs) durante a vida pública de Bolsonaro, entre os quais propostas direcionadas a atender aos interesses dos militares. No ano 2000, por exemplo, o deputado apresentou um projeto de lei (PL 3662/2000) que visava anistiar as multas aplicadas aos militares por irregularidades na ocupação de imóveis funcionais. 

Em sua cruzada contra as chamadas minorias políticas, Bolsonaro também foi o autor de propostas polêmicas, como o Projeto de Decreto Legislativo 18/2015 que visava suspender os efeitos de resoluções da Secretaria de Direitos Humanos que garantem o uso de nome social para travestis e transexuais nos boletins de ocorrência da polícia militar e em instituições de ensino. 

Outra proposta polêmica e sem sucesso foi o Projeto de Decreto Legislativo apresentado em 1993 pelo deputado que visava anular o decreto de homologação da demarcação administrativa da terra indígena Yanomani, nos estados Roraima e Amazonas (PDC 365/1993).

Pela primeira vez desde 1999, quando foi criado, o Ministério da Defesa passou a ser chefiado por um militar, após o golpe de estado em 2016, que levou Michel Temer (MDB) ao poder. Mas antes mesmo de consumado o golpe, em março de 2016, o deputado Jair Bolsonaro apresentou uma proposta de emenda à Constituição (PEC 191/2016) para determinar que o Ministro da Defesa fosse escolhido por oficiais generais das Forças Armadas. 

O analista político Fernando Amaral avalia que Bolsonaro, por mais que tente passar uma imagem de nova opção política, sem ligação com partidos tradicionais, é um político que se encaixa no perfil mais básico de parlamentar das últimas décadas, que faz de tudo para ficar à sombra do poder. 

"O deputado Jair Bolsonaro sempre foi do baixo clero, como Severino Cavalcante e outras figuras folclóricas, que se caracterizam por este paroquialismo. Falar que ele é antissistema é ignorar um dos grandes problemas do país, que é este palacianismo e o que ele representa. O PSL, do Bolsonaro, é o partido mais fiel do governo Temer", disse.

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Conheça os deputados federais mineiros financiados por empresários

ter, 09/10/2018 - 17:12
Eleições Levantamento mostra nove candidaturas que mais receberam doações privadas Marcelo Gomes | Pesquisa foi feita com base no banco de dados do TRE-MG nas últimas semanas, enquanto ocorriam as doações Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

A maior parte dos recursos destinados para as campanhas deste ano partiram dos cofres públicos, em virtude da minirreforma política aprovada em 2017. Além disso, em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o financiamento de campanhas por parte de empresas. Mesmo assim, os empresários não deixaram de financiar seus candidatos favoritos em 2018.

Levantamento feito pela reportagem, com base em informações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mostram nove campanhas para deputado federal em por Minas Gerais que tiveram expressivos recursos provenientes do empresariado. Desses, seis foram eleitos no último dia 7.

A  lei 13.488/ 2017 aumentou os recursos do Fundo Especial de Financiamento da Campanha. Essa mesma lei deixa livre para as pessoas físicas doarem até 10% da renda apurada no ano anterior. Por exemplo, uma pessoa que possui uma renda de R$1 milhão pode doar R$ 100 mil. Diante disso, nove campanhas mineiras para deputado federal figuram como as que mais receberam doações de pessoas físicas, em especial de empresários.

O levantamento foi feito com base no banco de dados do TRE-MG nas últimas semanas, enquanto ocorriam as doações. Por essa razão, os valores podem ter sofrido alguma alteração.

Candidatos que mais receberam doações empresariais em Minas:

Eleitos

Tiago Mitraud (Novo) - Dos 927 candidatos a deputado federal por Minas, a campanha de Tiago foi 66° mais cara. Ele concorreu pela primeira vez em um cargo eletivo. Do total doado à sua campanha, R$ 658.197,15, 97% provém de doação de pessoas físicas. Rubens Menin Teixeira de Souza, co-fundador da MRV Engenharia, doou R$ 125 mil. José Salin Mattar Junior é o segundo empresário que mais doou para a campanha de Tiago, R$100 mil. Há 10 empresas no nome de Mattar, entre elas destaca-se a Localiza. Outras são no setor pecuário e de petróleo.

Lucas Gonzalez (Novo) - Pela primeira vez concorrendo a algum cargo público eletivo, Gonzalez figura na 70° posição entre as campanhas mais caras. Pelo menos 88% de todas as receitas para o custeio da candidatura decorrem da doação de pessoas físicas. O co-fundador da MRV é o que mais doou para Lucas, com R$ 125 mil. Em segundo lugar vem o dono da Localiza, doando R$ 100 mil.

Domingos Sávio (PSDB) - Do total das receitas de sua campanha, R$ 1.641.000, quase 24% corresponde às doações de pessoas físicas.  O restante ficou a cargo do fundo especial.

Fábio Ramalho (MDB) - Mais conhecido como Fabinho, este candidato teve o total de receitas para o custeio de campanhas na casa dos R$ 2.055.900. De todo o montante, quase 22% provém de doações em CPFs. O co-fundador da MRV Engenharia é o que mais doou para a campanha de Ramalho, R$ 125 mil.

Zé Silva (Solidariedade) - Ocupa a posição 30° entre os que mais tinham recursos para o custeio de campanha. R$ 1.558.356 é o total mais atualizado que Zé possui de receitas. Cerca de 20% desse valor decorre de doações de pessoas físicas. A outra parte vem do Fundo Especial de Financiamento. O titular do CPF que mais doou para este candidato é Marcelino Flores de Oliveira. Empresário baiano, existem sete empresas em seu nome. A maioria delas são do setor agropecuário. 

Newton Cardoso Jr (MDB) - Filho do ex-governador Newton Cardoso, aparecia na colocação 13° entre os candidatos com maiores receitas de campanha, com R$ 1.962. 523. Seus maiores doadores foram o Fundo Especial de Financiamento e pessoas físicas. Nessa última categoria, que equivale a cerca de 17% de todo o dinheiro recebido, a pessoa que mais doou foi Maria de Fátima Turano, que desembolsou R$ 100 mil. Fátima é de Montes Claros (Norte de Minas) e empresária do setor de educação. Alem disso, é dona de uma empresa na área de investimentos.

Os candidatos abaixo concorreram à Câmara e também foram destaque no levantamento. Porém, não saíram vitoriosos:

Marcus Pestana (PSDB) – Concorrendo pela terceira vez a deputado federal, o total de sua campanha é R$1.793.892,33, com isso ele fica na 19° posição entre as mais caras. Desse montante, a maior parte advém de recursos do Fundo Especial de Financiamento. A segunda maior fonte de receitas da campanha do postulante são doações de pessoas físicas, que representam 32% do total arrecado. O principal doador foi Walfrido Silvino dos Mares Guia, com R$ 100 mil. Walfrido é dono da rede de ensino médio e superior Pitágoras e é irmão do candidato a governador pela Rede, João Batista dos Mares Guia.

Alexandre (PSB) – O candidato, cujo nome completo é Alexandre de Souza Andrade, é o que figura na posição 55° entre as campanhas mais caras, com gastos em torno de R$ 926.000. 45% desse valor corresponde às doações de pessoas físicas, a maior parte fica a cargo de repasses do Fundo de Financiamento Especial de Campanha. O co-fundador da MRV Engenharia é o principal doador, R$ 125 mil.

DR Ricardo SOS Aids (DC) – Foi o candidato que mais recebeu doações de pessoas físicas. Dos aproximadamente R$ 70 mil que custaram sua campanha, que é a 215° mais caras em relação às 927, 98% provém de doações de pessoas físicas.

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Paraíba elege governador no primeiro turno e renova parte do parlamento

ter, 09/10/2018 - 16:38
ELEIÇÕES O resultado do pleito de 2018 demonstrou força e crescimento do PSB no estado Heloisa de Sousa | A Paraíba elegeu seu governador no primeiro turno das eleições, o que demonstrou a força do PSB e do atual governador Ricardo Coutinho. Divulgação

O candidato eleito, João Azevêdo (PSB), conseguiu absorver o capital político do atual governador Ricardo Coutinho (PSB) e obteve 58,18% dos votos válidos, deixando para trás seus adversários Lucélio Cartaxo (PV) com 23,41% dos votos, seguido por Zé Maranhão (MDB), 17,44%, Tárcio Teixeira (PSOL), 0,81% e Rama Dantas (PSTU), 0,16%. Para além desse feito, o atual governador da Paraíba conseguiu eleger um grande número de deputados estaduais e federais e ainda um senador de seu partido, Veneziano Vital do Rêgo. A vitória de Azevêdo marca a força política de Ricardo Coutinho na Paraíba, que desde 1998 não elege um governador em primeiro turno, além disso, foi a primeira vez que João Azevêdo disputou um cargo eletivo, e mesmo assim conseguiu ser eleito com a expressiva votação de mais de 1 milhão e 100 mil de votos. 
João Azevêdo conseguiu se eleger pela coligação A força do trabalho, composta pelos partidos PSB, PDT, PT, DEM, PTB, PRP, PODE, PRB, PC do B, AVANTE, PPS, REDE, PMN e PROS.
Outra façanha do povo paraibano, neste pleito, foi ter conseguido derrotar o atual senador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). Ricardo Coutinho, durante a campanha para senadores, apoiou os nomes de Veneziano Vital do Rêgo (PSB) e de Luiz Couto (PT). Veneziano obteve 24,63% e Daniella 24,25% dos votos válidos. Luiz Couto teve 23,1%; Cássio Cunha Lima, 17,5%. Cássio era um velho conhecido da política paraibana. Tem no currículo a cassação enquanto governador em 2009, foi um dos articuladores do golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, apareceu na lista da Odebrecht, onde teria recebido cerca de R$ 800 mil em propina. Ficou bastante conhecido por ter atirado da janela do Edifício Concorde cerca de R$ 350 mil para compra de votos. Herdou a carreira política do pai, o ex- governador Ronaldo Cunha Lima. Cássio apoiou o governo de Temer e agora foi derrotado nas urnas.

“Fazer política, no nosso entender, é assim chegar em cada canto, chegar mais próximo possível da população e fazer com que a população sinta-se partícipe do processo e foi isso que esse projeto fez”, declarou João Azevêdo, durante entrevista coletiva após a vitória.
As coligações que se agruparam em torno de João Azevêdo elegeram 18 deputados estaduais e 6 deputados federais, tendo inclusive as candidaturas para estadual e federal mais votadas, respectivamente, Cida Ramos (PSB) e Gervásio Maia (PSB).
“Fizemos uma bancada histórica aqui dentro do estado na Assembleia Legislativa, dando sustentação a João Azevêdo, fazendo metade das vagas na Câmara Federal e elegendo Veneziano como senador”, frisou o atual governador Ricardo Coutinho.

Bancada Paraibana

Foram eleitos 12 deputados federais, são eles: Gervásio Maia (PSB), Aguinaldo Ribeiro (PP), Wellington Roberto (PP), Dr. Damião (PDT), Hugo Mota (PRB), Frei Anastácio (PT), Wilson Santiago (PTB),  Pedro Cunha Lima (PSDB), Efraim Filho (DEM), Julian Lemos (PSL), Edna Henrique (PSDB), Ruy Carneiro (PSDB). Deixam a bancada federal da Paraíba seis deputados: Veneziano (PSB) - eleito senador pelo estado; Manoel Júnior (PSC); Wilson Filho (PTB), - que se elegeu deputado estadual, Marcondes Gadelha (PSC); Luiz Couto (PT) - que tentou vaga de senador, mas não conseguiu; e Benjamin Maranhão (MDB) - que também não conseguiu se reeleger.

Dos 36 deputados estaduais eleitos, 14 são novos: Cida Ramos (PSB), Wallber Virgolino (Patriota), Drª Paula (PP), Anderson Monteiro (PSC), Dr Tarciano Diniz (Avante), Junior Araújo (Avante), Cabo Gilberto Silva (PSL), Moacir Rodrigues (PSL), Eduardo Carneiro (PRTB), Chió (Rede), Dr. Érico (PPS), Felipe Leitão (Patriota), Pollyana Dutra (PSB) e Hervázio Bezerra (PSB).

E 22 foram reeleitos: Adriano Galdino (PSB), Ricardo Barbosa (PSB), Estela Bezerra (PSB), Doda de Tião (PTB),  Manoel Ludgério (PSD), João Gonçalves (PODE), João Henrique (PSDB), Edmilson Soares (PODE), Nabor (PRB), Branco Mendes (PODE), Wilson Filho (PTB), Jeová (PSB), Inácio Falcão (PC do B), Camila Toscano (PSDB), Buba Germano (PSB), Tião Gomes (AVANTE), Caio Roberto (PR), Genival Matias (AVANTE), Galego de Souza (PP), Tovar (PSDB), Raniery Paulino (MDB), Bosco Carneiro (PPS). Agora serão cinco mulheres no parlamento estadual paraibano, atualmente são três.

O resultado das eleições na Paraíba demonstram o caminho do governo em consonância com o desejo do povo paraibano, já que o governador Ricardo Coutinho sempre se colocou contra o golpe, iniciado com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, e contra o governo de Temer, e agora já se posicionou na construção da Frente Ampla Democrática e na disposição militante para eleger o candidato a presidente do Brasil, Fernando Haddad (PT).
 

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As palavras de Aleida Guevara: o pai, a pátria grande e o cuidado comum entre o povos

ter, 09/10/2018 - 15:42
SOLIDARIEDADE Em entrevista, ela fala sobre a prisão de Lula, o orgulho de ser uma médica cubana e os caminhos da revolução cubana Gabriel Carraconde, com contribuição de Pedro Ribeiro Nogueira | "Em Cuba, nós não temos nenhuma mudança ideológica, somos um país socialista e seguiremos sendo um país socialista", afirma. Foto: Comunicação MST

Uma das poucas lembranças que Aleida Guevara tem de seu pai, o Che, é a imagem do argentino jogando flores ao mar em memória de seu amigo, o revolucionário cubano Camilo Cienfuegos. Desde então, Aleida desdobra as lembranças do pai em uma vida de luta e cuidado com os povos do mundo. 

A médica pediatra, que já atendeu crianças de Cuba, Angola, Nicarágua e Equador, veio ao Brasil visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e participar de atividades junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. 

Em entrevista ao Brasil de Fato, feita pelo programa Democracia em Rede, transmitido pela Rádio Brasil de Fato e pelo Facebook, durante a visita de Aleida à vigília Lula Livre em Curitiba Guevara, ela fala sobre a prisão de Lula, que considera infundada; explica o legado de Che Guevara aos jovens e repreende aqueles que tatuam seu pai “porque a pele é a primeira defesa do corpo”, mas reconhece que quem quiser "pode tatuá-lo, mas o mais importante é tê-lo na cabeça e no coração, para agir"; explica como o bloqueio econômico dos EUA impede leite de chegar às crianças cubanas; discorre sobre a importância do internacionalismo e do respeito à vontade dos povos e analisa o novo momento de Cuba, sob a batuta de Miguel Díaz-Canel.

Confira:

Brasil de Fato -- O que você sentiu ao chegar aqui na Superintendência da Polícia Federal [onde Lula é mantido preso]?

Aleida Guevara -- Não tive que chegar aqui para sentir. Desde que soube da notícia, tive uma sensação de indignação, porque alguém pode cometer um erro, somos humanos, isso pode acontecer, mas para condenar uma pessoa, é preciso mostrar as provas e nunca chegou alguma prova contra Lula. Nesse sentido, não entendemos o que está acontecendo neste país, de verdade. Me dá uma sensação de impotência extraordinária, nem é preciso vir até aqui, todos em Cuba têm essa mesma sensação, de impotência, indignação, de não entendermos.

Esse tipo de situação é ruim para a democracia em nível mundial?

O problema também está nos conceitos que as pessoas tem sobre democracia. Democracia vem da palavra demos, que significa poder do povo. No entanto, o governo que está atualmente no poder nesse país, faz todo o contrário, atua contra tudo que é considerado como democracia. Além disso, democracia é um Estado de Leis, de legalidade para todo o povo em igualdade de condições e isso é democracia. E no momento em que levam uma pessoa presa sem demonstrar que é culpada, está dizendo que não existe democracia.

Qual sua leitura sobre o atual processo da revolução cubana, com afastamento dos irmãos Castro, novas lideranças surgindo. Como você vê isso dentro do contexto da América Latina, que vê um crescimento assustador de ideias fascistas após um período de governo progresistas?

Em Cuba, nós não temos nenhuma mudança ideológica, somos um país socialista e seguiremos sendo um país socialista, mas sem nenhuma mudança importante dentro do país. Teremos algumas modificações logísticas, em busca do desenvolvimento de um país que precisa crescer economicamente. Já tivemos a eleição do nosso novo presidente, Miguel Díaz-Canel, que é um homem relativamente jovem, mas muito fiel ao processo revolucionário, que desde jovem é dirigente do partido, que demonstrou seu valor, sua perseverança, e que está hoje como presidente trabalhando intensamente para ir superando coisas que precisamos superar. 

Por exemplo, temos problemas com moradia, com o transporte urbano, reformas de vias e estradas. Há muita coisa pra se fazer em Cuba, mas dentro do sistema socialista. Neste caso, estamos dando uma lição de democracia para o mundo, porque estamos mudando nossa Lei Magna, nossa Constituição, mas a Assembleia Nacional, que são nossos deputados, aprovaram um projeto e este projeto está sendo discutido por todo o povo, inclusive pelos estudantes, não só universitários, mas pré-universitários e do ensino médio básico.

Porque em Cuba os homens e mulheres maiores de 16 anos têm direito ao voto, então têm o direito também de ver como são as leis de seu país e a propor coisas. E são muito interessantes as propostas que estão fazendo para mudar a Constituição. Assim que agora, quando acabe a consulta, o Estado cubano tem que recolher todas as propostas e ver quais são massivas em relação à opinião do povo e mudar. Depois, a Assembleia Nacional terá que aprovar 

Claro, é preciso melhorar o socialismo todos os dias, é uma obra humana, não é perfeita. Todos os dias cometemos erros, mas esses erros são os únicos que podemos retificar, como povo. Nesse sentido, está a discussão que estamos realizando em todo o país, para ter uma Constituição melhor, para ter como primeiro parágrafo da Carta Magna do país, nossa sociedade socialista, essa é a primeira coisa. Depois, vamos fazer todas as demais mudanças que precisam ser feitas. Mas a primeira é que reconheçamos que nosso país é socialista.

Como os povos latino-americano pode vencer a ascensão da extrema direita no continente?

O poder do povo é extraordinário, mas é preciso se unir para mostrar esse poder. Os argentinos, por exemplo, derrubaram cinco presidentes por força popular. Não sei quanto durará [Mauricio] Macri no poder, porque o povo está mobilizado, muito reativo diante das coisas que estão acontecendo no país. No Equador, foi uma traição, porque se supunha que Lenin [Moreno, sucessor de Rafael Correa na presidência] era um homem dos nossos, e ele se transformou totalmente, foi uma coisa brutal. E aqui, no Brasil, é um golpe de Estado, sem dúvidas. Mas além disso, sem nenhum tipo de justificativa legal, violaram todas as leis do país e violaram a democracia. Os povos são os que têm a última palavra sempre e esperam que a tenham de volta em breve. 

Como é possível pensar no legado do Che e da Revolução Cubana para essa nova geração?

A primeira sugestão é ler ao Che, o que ele escreveu, e não o que as pessoas dizem que ele disse, mas o que ele escreveu. E o Che, desde os 17 anos, escrevia como ia vivendo as coisas que ia conhecendo. O primeiro, por exemplo, está em seu Diário de Viagem, que virou um filme de Walter Salles, Diários de motocicleta, um filme maravilhoso, para mim, o único filme sobre o meu pai que eu gosto. E Walter foi muito fiel a esse livro, a esse diário e mostrou que este homem jovem começa como qualquer um de nós, com as mesmas ambições, os mesmos desejos que pode ter qualquer um, quero ser médico, quero ser famoso, quero ser reconhecido internacionalmente, mas para quê? por quê? Para ter mais dinheiro, para ter mais poder ou para ser mais útil ao seu povo? Aí que está a diferença. E o Che nesse momento vai crescendo como ser humano e vai percebendo que, sim, há uma enfermidade muito grave que a maior parte do nosso povo sofre, que é a fome. E ele decide dedicar o resto da sua vida a resolver esse problema. Então ele está mostrando um caminho importante, sempre. Então se os jovens quando veem as coisas, podem dizer "eu não gosto disso", mas o que vão fazer para mudar isso? A questão não é não gostar de algo, a questão é que entenda que está mal feito e como resolvê-lo, buscar soluções. Eu sempre digo em Cuba que nós podemos criticar tudo, somos muito críticos, criticamos qualquer coisa, mas isso não é assim, o importante é buscar soluções, você critica e propõe uma solução, então te escutam, levam em conta.

Aos nossos jovens, sempre dizemos isso: digam soluções. Mas, primeiro, temos que praticar. Quando falo com os universitários, sempre lhes recomendo que olhem à sua volta,  porque quando chegam à universidade às vezes pensam que alcançaram a glória, que olhem para ver se sabem o nome da companheira que limpa o piso da sala de aula, se já ajudaram-na alguma vez, a carregar a água, se se preocuparam com isso. Isso é solidariedade e tem que começar desde o primeiro momento entre nós. São coisas que vamos semeando nas novas gerações e então é muito importante ler o Che, mantê-lo presente, sobretudo praticá-lo. Eu, por exemplo, quando vejo um jovem com a imagem do meu pai tatuada no peito ou no braço, primeiro reajo muito mal porque sou médica, e a pele é o primeiro órgão de defesa, em segundo lugar, digo, "pode tê-lo tatuado, mas o mais importante é tê-lo na cabeça e no coração, para agir com ele". Aí está algo que aprendi com uma mãe argentina que um dia resgatou os restos de seu filho desaparecido. Ela o enterra e escreve sobre seu túmulo algo que considerei fantástico. Ela diz: "se eu morrer, não chore por mim. Faça o que eu fazia, e seguirei vivendo em ti". Isso para mim é fantástico, para os homens e mulheres que tivemos em toda a nossa história e que fizeram a diferença, para mantê-los vivos, precisamos fazer o que eles faziam.

Você se lembra da sua relação como filha com o Che?

Eu tinha apenas 4 anos e meio quando meu pai desapareceu da minha vida e foi para o Congo. Depois ele volta para Cuba, mas ele pede para o Fidel que seja de forma clandestina, porque oficialmente ele já tinha se despedido do povo cubano, não queria voltar a passar por isso. Então seus filhos não podiam saber que ele estava lá, porque senão, no outro dia, poderíamos comentar na escola, no círculo infantil, então ele se preparou para ir para a Bolívia e fomos vê-lo, mas ele foi apresentado como um amigo do meu pai, essa foi a última noite que ele nos viu, depois ficamos sabendo que era o nosso pai. Mas as recordações que tenho, reuni em um pequeno vídeo, que se chama “Ausência Presente”, porque todo mundo me pergunta a mesma coisa. Então, de alguma maneira essas recordações vão perdendo sua magia. 

Mas há uma anedota muito linda para mim, porque demonstra o valor humano desse homem. Meu pai era muito amigo de Camilo Cienfuegos, o amava muito. E ele é um grande revolucionário, as pessoas sempre o viam atirando com suas armas, mas esse homem sabia amar, meu pai era um homem que sabia amar e ele demonstra de uma forma muito romântica. No dia 28 de outubro, quando Camilo desaparece fisicamente, todo o povo cubano vai lançar flores no mar. E fazemos isso sempre. Ele foi criador disso. Uma imagem que tenho dele é estar num carro com a minha mãe, meu pai e meu irmão Camilo, descemos no Malecón [Havana, Cuba] e joguei uma flor no mar por Camilo. É uma imagem muito linda para mim, porque fala dessa capacidade de amar um verdadeiro revolucionário.

Após a abertura de Barack Obama e o fechamento com Donald Trump, como Cuba está lidando neste momento com essa relação com os Estados Unidos?

Quando Obama abriu o jogo e quis ter melhores relações com Cuba, nós dissemos sim, não há problema, Quando tem respeito, pode se ter uma relação. Com este outro senhor, como você disse, é o contrário, ele foi ao extremo da direita brutal e tenta, de todos os medos, afundar a nossa revolução através do mesmo bloqueio econômico, reforçando-o muito mais.

Você pode explicar melhor o que significa essa questão do bloqueio econômico?

Muitas vezes as pessoas escutam bloqueio econômico e não sabem do que estão falando, para citar só um exemplo. Cuba não é produtora de leite, nós não temos vacas produtoras de leite, portanto, temos que comprar leite em pó para nossas crianças e idosos. Tivemos que ir comprar na Nova Zelândia. Se vocês colocam num mapa, onde está Cuba e onde está a Nova Zelândia, vê o espaço enorme que há entre os dois países, é preciso usar um barco para ir até lá. Bom, pela lei do bloqueio, um barco que atraque no porto de Cuba, não poderá voltar a  atracar no porto dos Estados Unidos por pelo menos seis meses. Isso significa que esse senhor, para quem vamos pagar para que busque o leite, precisará que paguemos três ou quatro vezes o que ele pediria normalmente, porque tem que cobrir seus custos, já que não pode comercializar com os Estados Unidos em seis meses. Isso é o bloqueio. É um desgaste econômico terrível para um país, mas sobretudo é um desgaste humano, porque o bloqueio diz respeito a alimentos e medicamentos. Nesse sentido, tem medicamentos que não podemos adquirir, ainda que uma criança ou adulto cubano possam perder a vida porque os EUA impedem que outras empresas o vendam. Essa é a realidade do bloqueio. 

Esse senhor que hoje está na presidência dos EUA tenta tornas mais cruel o bloqueio e tenta afetar mais duramente na questão financeira. Por exemplo, o Brasil, com a Dilma, foi à Cuba e fez um projeto em um porto, um grande projeto econômico que tivemos. Hoje, nós não poderíamos pagar para o Brasil esse investimento porque os EUA bloqueia todas as contas com as quais nós fazemos negócios. É muito difícil fazer negócios com Cuba desse jeito, porque como fazemos para chegar o dinheiro se os Estados Unidos começa a multar qualquer banco que tenha relação com Cuba. 

A direita brasileira ataca muito essa questão dos investimentos estrangeiros…

O mais lógico, o mais normal, é que os países desse continente tenham boas relações. Somos irmãos, você fala português e eu falo espanhol, mas somos muito parecidos, porque somos filhos de africanos e isso nos une. Por exemplo, quando você vai à Bahia, você está indo em Santiago de Cuba, é muito parecido. Quando você vai no Rio, com os cariocas, você percebe também que está com um havanero, porque somos muito parecidos, não são os espanhóis, não são os portugueses, são os negros, que são nossas raízes culturais. O mais lógico seria que os nossos povos todos tivessem um contato muito mais unido, que é o que nós tentamos fazer com a Alba (Alternativa Bolivariana para os Povos da Nossa América). Esse é o sonho latino-americano, nossos povos unidos, nosso povos fazendo comércio, resolvendo problemas, nos ajudando para crescer economicamente e também culturalmente.

Essa é a unidade latino-americana que nós precisamos. Agora, as burguesias nacionais sempre terão muito medo de qualquer relação com Cuba, porque significa, para eles, o fim da sua soberania, do seu governo, do seu poder sobre o povo. Nesse sentido, claro que têm medo, muito medo. Mas pense em uma coisa, apesar de toda a pressão, apesar de toda a propaganda contra nossos médicos, hoje há mais de 8 mil médicos cubanos trabalhando junto com o povo brasileiro. Temos que saber a opinião dessas pessoas sobre esses médicos, o que pensam, como elas se sentem. Eu escutei as pessoas brasileiras falando sobre esses médicos e não os cubanos. E na verdade me sinto muito orgulhosa de ser parte desse exército de jaleco branco, porque o que falam de nós é maravilhoso. 

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Comunidade tenta reabrir rádio comunitária no Taquaril

ter, 09/10/2018 - 15:21
Comunicação Emissora nasceu para comunicar com moradores que ficavam ilhados no período das chuvas Amélia Gomes | A rádio nasceu em meados de 2003 e funcionava em uma estrutura onde ficava a caixa d’água que abastecia obras da região Foto: Arquivo Rádio Taquaril

A Rádio Taquaril FM tem 20 anos de história. Boa parte deles foram passados lutando pela legalização da emissora. Em 2017 veio a tão sonhada e suada outorga. Mas depois de ter seus equipamentos apreendidos, investimentos cancelados e estrutura corroída pelo tempo, a emissora agora enfrenta dificuldades para operar e a comunidade precisa lutar para reerguer a voz do morro.
A história da rádio remonta aos anos 1990, que representaram uma década difícil para os moradores das periferias de Belo Horizonte, especialmente durante o período das chuvas. E no Taquaril, que fica na região Leste, a situação era bem grave. O índice de mortalidade causada por desmoronamento era alto. Além disso, quando chovia, uma parte da favela ficava isolada.  Para tentar resolver esse problema, a associação do bairro criou uma rádio para conseguir falar com os moradores que estavam isolados e também passar informes da defesa civil.
A rádio nasceu em uma estrutura onde ficava a caixa d’água que abastecia diversas obras da região. Os equipamentos foram custeados pela própria associação. A programação era feita pelos moradores do bairro e tinha desde informes da prefeitura até  agenda cultural.
Luta pela outorga
“A gente começou a operar pela necessidade, mas organizamos toda documentação para a legalização da rádio. Em 2003 enviamos o primeiro pedido para o Ministério das Comunicações e em 2004 já recebemos a primeira negativa”, lembra Ednéia Aparecida de Souza, do Centro de Desenvolvimento Comunitário Pró Construção e Desenvolvimento Taquaril e coordenadora da Rádio Taquaril FM.  A segunda negativa veio logo em 2005 e dessa vez eles alegaram que não seria possível legalizar a rádio porque já havia um canal na mesma frequência na cidade de Montes Claros, a 416 km de Belo Horizonte. 
Em dezembro de 2008, uma fiscalização da Anatel fechou a rádio, apreendendo todos os equipamentos e prendendo os locutores que estavam no ar no momento. Mas nem o desmonte desanimou os moradores. “Em março de 2009 fizemos um seminário no Taquaril sobre comunicação para falar da situação da rádio. O evento foi construído com a mesa de mediação de conflitos do governo de Minas e nesse encontro nós coletamos 3 mil assinaturas e entramos com uma ação judicial pedindo a reabertura da rádio”, conta Ednéia Aparecida. 
O julgamento do processo veio em 2013, e a vitória foi para a Associação. Na decisão, o juiz determinou que o Ministério das Comunicações tinha 30 dias para publicar um ato de funcionamento da rádio Taquaril sob pena de multa diária de R$ 500 e que a Anatel deveria devolver todos os equipamentos da emissora no mesmo prazo, também sob pena de multa diária. 
Apesar da sentença, a outorga só foi concedida em abril de 2017, quatro anos após a decisão judicial. Os equipamentos da emissora foram devolvidos em setembro do ano passado. Hoje a Associação tenta reconstruir a rádio e em breve a voz do Taquaril voltará a ressoar.
 

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Leomárcio Araújo defende que a agricultura familiar é pauta de toda a sociedade

ter, 09/10/2018 - 15:03
SOBERANIA ALIMENTAR Em entrevista, o camponês discute sobre as especificidades e necessidades desta prática no contexto brasileiro Da Redação | "O que há de comum é a defesa pela terra, o acesso a esse meio de produção, as águas e o zelo pela natureza", observa o militante. Arquivo pessoal

Nesta edição, o Brasil de Fato Bahia conversou com Leomárcio Araújo da Silva sobre um tema fundamental para a sociedade, quando pensamos em soberania, que é a agricultura familiar. O camponês e militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) falou sobre o que caracteriza tal modo de produção, quais as especificidades na Bahia, bem como sobre o papel do governo na preservação e desenvolvimento desta prática. Confira na íntegra. 

Características 
O conceito de agricultura familiar segue sendo um conceito em disputa. Nós, enquanto movimento dos pequenos agricultores e a própria Via Campesina, estamos na perspectiva de defender a concepção de campesinato, que tem a característica da agricultura familiar, porém é para além disso. Na concepção da política da década de 1990, ela vem numa perspectiva de fazer a transição do campesinato para o agronegócio, sendo apelidada em alguns momentos como agronegocinho. 
No Brasil, metade do campesinato está no Semiárido, na região Nordeste. Dentro desta região, mais da metade está na Bahia. Concretamente é um público que tem diversidade no modo de produzir, de organizar as suas comunidades, mas também no que produz, naquilo que oferece como alimento para o povo. No Brasil, hoje, esse público da agricultura familiar camponesa oferece mais de 70% da alimentação que chega à mesa da população. 

Especificidades na Bahia
O campesinato na Bahia é bastante diverso. A gente tem desde as comunidades de fundo de pasto, quilombolas, pescadores e pescadoras e temos os povos indígenas que são os originários, inclusive que nos ensinaram a praticar a agricultura e a guardar e preservar as sementes crioulas. O que há de comum é a defesa pela terra, o acesso a esse meio de produção, as águas e o zelo pela natureza. A gente sabe que, colocando em contraste com o agronegócio, são projetos antagônicos. Quem garantirá a continuidade das vidas é a agricultura familiar e camponesa na sua diversidade. 

Porque defender a agricultura familiar 
A agricultura familiar, como disse o próprio IBGE em dados do Senso de 2006, é responsável pela alimentação de mais de 70% do que chega as mesas do nosso povo. Precisamos defender a soberania alimentar, que é garantir uma alimentação saudável na mesa do povo de modo geral. O agronegócio também tem optado por nicho de mercado em produzir orgânicos. Isso é real. No entanto, a produção de alimentos maior vem da própria agricultura familiar camponesa. O agronegócio não é capaz de produzir a soberania alimentar e este não pode ser um tema restrito à população do campo. Quem está na cidade também quer se alimentar bem, de modo saudável e precisa evoluir também para um nível de consciência que é entender por que mãos esse alimento é produzido e a que custo para o ser humano, mas também para a natureza. A gente entende que defender a soberania alimentar é uma questão social. 

Papel do governo 
Os movimentos sociais, a partir da própria Via Campesina, têm avançado, no último período, na elaboração da proposta de vida digna no campo que se pretende, através do projeto de Reforma Agrária popular, da Soberania Alimentar- defendida especialmente pelo MPA- e da Soberania Energética. Tudo isso tem culminado numa proposta de campesinato que se quer para se ter essa vida digna. No entanto, principalmente o governo Temer, conseguiu bloquear boa parte das ações que culminavam com essa perspectiva nossa a partir do campo. Aqui na Bahia, a gente tem uma situação especial que é o fato de ter um governo que está, de algum modo, a nosso lado. É um governo que tem conseguido atender em larga medida as reivindicações feitas por essas organizações e movimentos sociais que estão no campo. Óbvio que ainda que com alguns pequenos bloqueios no diálogo, porém tem conseguido atender as pautas dos movimento, como foi a construção da Secretaria de Desenvolvimento Rural, um avanço importante que obtivemos entre os governos Jaques Wagner (PT) e Rui Cosa (PT). Temos tido um apoio importante no sentido do fortalecimento das práticas produtivas das comunidades, no campo do beneficiamento da produção, da própria comercialização, a partir das redes que estão sendo construídas junto com as comunidades. Para o próximo período tem algumas lacunas que precisam ser superadas. Exemplo o processo de Reforma Agrária no Brasil e na Bahia. A gente tem tido uma estagnação. Também precisamos seguir avançando na elaboração de um projeto ou de princípios das políticas que tenham a agroecologia como base para isso.

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Tire a gravata, Paulo! Tire a gravata, Jarbas!

ter, 09/10/2018 - 14:29
coluna Em 20 dias de campanha amealhou mais de 30 milhões de votos e está no 2º turno. Jonatas Campos | Pernambuco é um Estado politizado e as lideranças locais influenciam muito nos resultados, afirma o colunista. Andréa Rêgo Barros/PSB

Ano 2000. Eleição municipal no Recife, capital de Pernambuco. O prefeito Roberto Magalhães (do então PFL, atual DEM) era favoritíssimo para se reeleger e não tinha opositor à altura nas pesquisas eleitorais. Nos debates da TV, o advogado constitucionalista, ex-governador, ex-deputado, desdenhava da maneira simples de falar do sindicalista e deputado estadual do PT, João Paulo. Em sua campanha, o PT batia nela lembrando um fato ocorrido um ano antes: o prefeito havia entrado na redação do Jornal do Commercio com uma arma na cintura para ameaçar um jornalista. (Leia aqui). 

De tanta certeza na vitória, a campanha do PFL errava muito. João Paulo chegou ao segundo turno, tornando Recife em uma espécie de Meca para a militância petista, que vinha de outras cidades e estados para ajudar na campanha. Roberto Magalhães continuou errando e chegou a oferecer uma "banana" para militantes que o provocaram em uma carreata. O gesto obsceno foi captado pelas lentes de um repórter fotográfico e ganhou destaque nos jornais. 

Sob ameaça de derrota, o então governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) disse uma célebre frase em um comício: "Vim vestido de governador, com esta gravata, mas a estou tirando para dizer que ela vai para o armário e eu só vou pegá-la no dia 30. Se o outro lado tem militância, nós temos uma muito maior e, se eles têm garra, nós temos mais”.

Ano 2018. Segundo turno das eleições presidenciais mais dramáticas do Brasil desde a Constituição de 1988. De um lado Bolsonaro, o candidato de extrema-direita, favorito, inflado pelo discurso de ódio e com agenda político-econômico ultraliberal. Do outro lado, Fernando Haddad, candidato do PT e do ex-presidente Lula. Em 20 dias de campanha amealhou mais de 30 milhões de votos e está no segundo turno. Tem o desafio de comprovar que pode retomar uma agenda de centro-esquerda, que prioriza o bem-estar social e os investimentos públicos para tirar o Brasil da crise. 

O governador Paulo Câmara (PSB) está reeleito no primeiro turno, com a ajuda da aliança com o PT. Jarbas Vasconcelos será senador depois de uma campanha vitoriosa ao lado do reeleito senador Humberto Costa (PT). Fernando Haddad já se dirigiu ao governador de Pernambuco. "Falei com Paulo Câmara, tenho todo o interesse que as forças democráticas estejam reunidas nesse segundo turno", afirmou em entrevista coletiva.

Então é legítimo perguntar: qual será a postura de Paulo Câmara e Jarbas Vasconcelos nessas próximas três semanas de segundo turno? Irão estes tirando a gravata, arregaçar as mangas e pedirem o voto dos seus eleitores para Fernando Haddad? Têm alguma dúvida entre o bem-estar social ou a barbárie? Pernambuco é um Estado politizado e as lideranças locais influenciam muito nos resultados. Portanto, ajudará na vitória se o atual e ex-governador tirarem a gravata e pedirem voto para Haddad!

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Mulheres e negros na linha de frente da disputa por representatividade

ter, 09/10/2018 - 13:18
coluna Voto das mulheres, negros, nordestinos e LGBTs irá definir eleição Débora Garcia | Aumentou número de deputados negros, de 93 para 113; foi eleita a primeira trans, dois indígenas, e o número de candidatos brancos caiu Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região

As eleições 2018 estão sendo históricas. Para além do acirramento da polaridade entre esquerda e direita, o protagonismo e a organização política de mulheres e negros foram de suma importância e impactaram significativamente os resultados.

Na reta final do pleito, mulheres indignadas com o discurso e postura sexista e fascista do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), conseguiram transformar essa indignação em mobilização política.

Em 30 de agosto foi criado o grupo “Mulheres unidas contra Bolsonaro”, na rede social Facebook. Em apenas uma semana, o grupo atingiu a marca de um milhão de seguidoras, e até a presente data contava com 154.329 membros.

Dessa forma iniciou-se uma grande mobilização nacional que culminou na campanha #EleNão, com grande adesão da classe artística e influenciadores, nacionais e internacionais. A grande mobilização não ficou apenas no campo virtual e transbordou para as ruas. No dia 29 de setembro houve centenas de passeatas das “Mulheres unidas contra Bolsonaro”. Segundo informações do movimento, em 114 cidades brasileiras houve manifestações, sendo que a maior delas ocorreu na cidade de São Paulo, no Largo da Batata e reuniu cerca de 500 mil pessoas. 

Segundo a historiadora Céli Regina Jardim Pinto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cuja pesquisa se debruça sobre a história do feminismo no Brasil, a mobilização de 29 de setembro já é considerada a maior manifestação de mulheres da história do Brasil.

Com essas ações, as mulheres conseguiram marcar a sua força de mobilização política, mostrando que, definitivamente, não será mais possível fazer política no Brasil sem que as pautas femininas e o nosso lugar de fala sejam considerados. O movimento protagonizado por mulheres também foi endossado e apoiado pelas minorias sociais, que veem no crescimento do candidato Jair Bolsonaro uma ameaça aos direitos e garantias constitucionais. Assim, a comunidade negra, LGBT, pessoas com deficiência, dentre outros segmentos, aderiram ao movimento.

Com o mesmo anseio de demonstrar a sua força e garantir a representatividade política neste pleito, o movimento negro também se mobilizou através das redes sociais.

Com a hashtag #VoteEmPreto o eleitor teve oportunidade de conhecer e fortalecer as candidaturas pretas. Linda Marxs, blogueira do Efigênias, criou uma comunidade também na rede social Facebook intitulada “1 milhão de brancos votando em candidatos pretos”. A comunidade é inspirada no lema “Nem direita, nem esquerda. Preto”, do partido “Frente Favela Brasil”, que atua não somente no fortalecimento de candidaturas, mas também no convencimento do eleitorado branco a romper com o racismo institucional e dar um voto de confiança às candidatas e candidatos negros.

O Brasil é formado por 56% de negros, no entanto, essa representatividade não se expressa na seara política. Como consequência, há um acirramento das desigualdades de oportunidades para que suas pautas sejam consideradas nos espaços de poder e decisão. Além do enfraquecimento de suas pautas, a ausência de negras e negros fortalece no inconsciente coletivo a ideia de que política não é um campo para a atuação dessa população.

Toda essa mobilização se refletiu no aumento das candidaturas negras que totalizaram 46% dos 28,1 mil pessoas inscritas para concorrer aos cargos deste pleito, mas a quantidade que conseguiu efetivamente acessar a esfera política ainda é bastante inexpressiva.

Esse anseio por representatividade se refletiu numa tímida, mas histórica mudança no cenário político brasileiro. O estado de São Paulo elegeu Érica Malunginho, a primeira deputada estadual transgênera da história da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Eleita pelo PSOL e com uma campanha modesta, mas carregada de expectativa na alternância de poder – um dos principais lemas de sua campanha –, Érica Malunguinho que concorreu pela primeira vez atingiu a marca expressiva de 55.223 votos. Além de mulher trans, Érica é nordestina, negra e uma importante ativista no cenário cultural negro e periférico da cidade de São Paulo.

Em âmbito federal, a Câmara dos Deputados também sinalizou uma mudança histórica. Neste pleito foram eleitas 77 deputadas federais, um aumento de 26 mulheres em relação ao último pleito, realizado no ano de 2014. 

Houve também o aumento da representatividade étnica. O número de mulheres negras aumentou de 10 para 13; o de brancas, passou de 41 para 63. O estado de Roraima elegeu Joenia Wapichana (Rede), a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira no Congresso Nacional. E isso é realmente muito simbólico, pois os indígenas são os habitantes nativos do Brasil, mas são historicamente excluídos do exercício político.

As candidaturas masculinas, também apresentaram mudanças no que se refere à quantidade e perfil. Neste pleito foram eleitos 436 homens, 26 a menos - essas vagas passaram a ser ocupadas por mulheres. Houve um aumento de deputados negros, que passou de 93 para 113. Foram eleitos dois candidatos amarelos. O número de candidatos brancos caiu de 369 para 321. Todos esses dados tem como referência o pleito de 2014. 

Considerar o gênero e a etnia no momento do voto é de fundamental importância, para garantir a alternância de poder, a pluralidade, o combate ao racismo e sexismo institucional.

Essas eleições nos mostraram que unidas e unidos temos força e, assim, nos tornamos protagonistas das mudanças que desejamos e precisamos.

Porém, o grande enfrentamento ainda está por vir com a definição do segundo turno entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Cabe agora o fortalecimento desses espaços conquistados, a mobilização nas redes e nas ruas, pois os votos das mulheres, negros, nordestinos e LGBTs irá definir essa disputa.  

* Débora Garcia, poetisa e gestora cultural, é idealizadora e artista no coletivo Sarau das Pretas.

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Confira a edição desta terça-feira (9) da Rede Lula Livre

ter, 09/10/2018 - 13:01
Rádio Nossa programação vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 9h45 às 10h, na Rádio Brasil de Fato e emissoras parceiras Redação | Representando o Sindicato dos Metalúrgicos dos EUA, Kristyne Peter trouxe mais de 700 cartões postais para Lula Joka Madruga

 A edição da Rede Lula Livre desta terça-feira destaca a visita da diretora de relações internacionais do Sindicato dos Metalúrgicos dos Estados Unidos da América - United Auto Workers - à vigília Lula Livre. Kristyne Peter trouxe mais de 700 cartões postais escritos por trabalhadores estadunidenses para serem entregues a Lula. O ex-presidente está preso há 186 dias na Polícia Federal, em Curitiba.

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