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Atualizado: 1 hora 6 minutos atrás

Maior federação sindical dos EUA dá prêmio anual de Direitos Humanos a Lula

sex, 15/03/2019 - 11:46
LULA LIVRE AFL-CIO pede liberdade ao ex-presidente, aponta perseguição política e homenageia trajetória Redação | “Como migrante, trabalhador, líder sindical e visionário político, Luiz Inácio Lula da Silva passou sua vida lutando por democracia" Ricardo Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o prêmio anual de direitos humanos “George Meany-Lane Kirkland”, da maior central dos EUA e Canadá, a Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO).

“Como migrante, trabalhador, líder sindical e visionário político, Luiz Inácio Lula da Silva passou sua vida lutando por democracia e pelos direitos dos trabalhadores e comunidades excluídas no Brasil. Como presidente, de 2003 a 2010, Lula resgatou milhões de pessoas da pobreza e estendeu o acesso à educação superior e à habitação a milhares de cidadãos de baixa renda”, diz a entidade na justificativa do prêmio.

Criado em 1980, o prêmio homenageia George Meany, um dos fundadores da AFL-CIO que dedicou 57 anos de sua vida à luta sindical, e Lane Kirkland, presidente por 16 anos da entidade.

O documento também ressalta que Lula é perseguido pela justiça e reivindicam a restituição de seus direitos políticos e imediata liberdade. Desde 7 de abril de 2017, Lula é mantido preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR).

“A AFL-CIO junta-se ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas no pedido para que os direitos políticos integrais de Lula sejam restaurados, e nos unimos com o movimento trabalhista global na demanda para que Lula seja absolvido imediatamente e liberado de uma perseguição política profundamente injusta”, diz a carta.

Leia a íntegra do documento:

“Prêmio de Direitos Humanos George Meany-Lane Kirkland 2019

Luiz Inácio “Lula” da Silva

Como migrante, trabalhador, líder sindical e visionário político, Luiz Inácio Lula da Silva passou sua vida lutando por democracia e pelos direitos dos trabalhadores e comunidades excluídas no Brasil. Como presidente, de 2003 a 2010, Lula resgatou milhões de pessoas da pobreza e estendeu o acesso à educação superior e à habitação a milhares de cidadãos de baixa renda.

Ele se tornou um líder respeitado em todo o mundo por aqueles que acreditam que uma economia global sustentável depende de uma melhor distribuição da prosperidade. Por isso, a AFL-CIO honra Luiz Inácio Lula da Silva com seu prêmio de direitos humanos George Meany-Lane Kirkland.

Em seu compromisso para ampliar o acesso a uma vida decente e a direitos básicos, Lula tem sido fiel às suas origens no carente Nordeste brasileiro, onde viveu antes de migrar para São Paulo com sua mãe e irmãos. Como líder de um importante sindicato metalúrgico no fim dos anos 70, ele conduziu trabalhadores que enfrentavam a ditadura no país para democratizar locais de trabalho e sindicatos.

Lula foi um personagem crucial na ampla aliança de movimentos sociais de massa, artistas e intelectuais, mulheres e homens, e brasileiros de todas as raças, que restabeleceu a democracia no Brasil em 1985.

Naquela jovem democracia, Lula lutou sem descansar para colocar o maior número possível de pessoas numa situação de igualdade de direitos e de uma vida decente que um país tão grande quanto o Brasil poderia oferecer a seu povo. Durante sua presidência, o Brasil apresentou progresso concreto e consistente em termos de inclusão social, e todos os brasileiros prosperaram.

Mas, desde 2015, opositores a tal progresso aproveitaram a retração econômica, ressentimento da elite por ter perdido o controle e preconceito contra muitos de seus cidadãos para levar o país para trás, congelando os investimentos em educação e saúde por vinte anos, minando direitos trabalhistas, revertendo avanços em igualdade racial e de gênero, ameaçando a floresta amazônica e povos indígenas e semeando o ódio e medo em seus discursos e ações.

Para avançar sua agenda, esta elite minou as frágeis instituições democráticas brasileiras, especialmente o Judiciário, e tomou medidas extraordinárias e ilegais para impedir que Lula concorresse à eleição presidencial em outubro de 2018, quando pesquisas apontavam sua vitória. Desde 7 de abril de 2018, Lula é um prisioneiro político, condenado por “atos oficiais não especificados” tendo como prova contra ele apenas informações originadas em delações premiadas sem documento.

Contrariamente à Constituição brasileira, ele permanece preso enquanto recursos ainda estão sendo examinados e foi impedido de comparecer ao funeral de seu irmão, embora o Brasil permita tais saídas a milhares de prisioneiros todos os meses. Enquanto estava preso durante a ditadura nos anos 70, Lula teve mais acesso a seus direitos do que no Brasil de hoje.

O crime de Lula foi ter a audácia de tirar mais de 30 milhões de pessoas da pobreza e desafiar os privilégios da poderosa elite que há muito age como se fosse dona do Brasil. Durante este período difícil, a mensagem de Lula e do amplo movimento social que ele e seus aliados construíram permanece clara: a luta continua.

A AFL-CIO junta-se ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas no pedido para que os direitos políticos integrais de Lula sejam restaurados, e nos unimos com o movimento trabalhista global na demanda para que Lula seja absolvido imediatamente e liberado de uma perseguição política profundamente injusta.

Lula e os vibrantes movimentos sociais brasileiros continuam tanto como atores reais na luta diária por justiça social no Brasil, assim como símbolos da esperança que todos compartilhamos por um retorno da democracia em muitos países que atualmente passam por períodos sombrios de aumento da desigualdade e ódio contra migrantes, trabalhadores, e líderes e visionários comprometidos com justiça social.

A AFL-CIO reconhece as décadas de luta de Lula para avanço dos direitos dos trabalhadores, fortalecimento da democracia brasileira, e sua luta para maior igualdade e justiça no mundo. As mulheres e homens da AFL-CIO concedem este prêmio a Lula e prometem continuar na nossa solidariedade com a luta por justiça e democracia no Brasil e no mundo.”

(Com informações da CUT)

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Atingidos por chuva em São Paulo devem receber FGTS antecipado do governo

sex, 15/03/2019 - 11:27
CIDADE Governo e ministério de Desenvolvimento Regional afirmam que vão liberar o FGTS e conceder desconto na conta de água Gabriella Mesquita | Com o registro de treze mortes devido à fortes chuvas, diário oficial declara estado de emergência nas regiões metropolitanas Tânia Rêgo/Agência Brasil

Após reunião com Gustavo Canuto, Ministro de Desenvolvimento Regional, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta quinta-feira (14), que os moradores fortemente atingidos pelas chuvas vão poder sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) antecipado.

A Defesa Civil de cada município afetado deve preencher um cadastro federal junto ao Ministério de Desenvolvimento Regional, informando os endereços afetados pelas enchentes. O Ministro informou, que quem se sentir prejudicado pelas fortes chuvas, pode pedir a antecipação do FGTS. Para isso, é preciso solicitar à Defesa Civil um documento que prove residência fixa nas áreas atingidas e procurar a Caixa Econômica para fazer o saque.

Uma medida publicada pelo Diário Oficial reconheceu a situação de emergência nos municípios da região metropolitana de São Paulo, que registrou 13 mortes em decorrência das fortes chuvas, que aconteceram na madrugada do dia 11 de março.

O governador anunciou também que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), dará um desconto na conta de água dos moradores comprovadamente afetados pelas enchentes.

Para ter acesso ao benefício, o cliente deve procurar uma agência da Sabesp ou um Poupatempo, com o atestado fornecido pela Defesa Civil do município e uma conta de água. Assim, na próxima fatura será cobrada uma média dos seis meses anteriores.

O Governo Federal também se comprometeu a dar prioridade aos moradores de áreas de risco no programa Minha Casa, Minha Vida, e priorizar a análise da lista de demandas dos municípios do Consórcio Intermunicipal Grande ABC no PAC Encostas.

Segundo o ministro Gustavo, os municípios apresentaram suas necessidades e essas obras serão, alegadamente, prioridade dentro do ministério.

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Governo Bolsonaro ignora princípios que orientam atuação do Itamaraty há dois séculos

sex, 15/03/2019 - 10:11
Diplomacia Para especialistas, Brasil está rompendo de forma aberta com os próprios interesses nacionais Rafael Tatemoto* | Ernesto Araújo com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. ERIC BARADAT / AFP

O presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta semana que irá trocar a chefia da embaixada brasileira em Washington, atualmente a cargo de Sergio Amaral, além do comando de outras representações diplomáticas. Segundo o presidente, seria função dos diplomatas reverter sua imagem de “racista, machista e homofóbico”, o que não estariam fazendo a contento. Ao todo, Bolsonaro afirmou que pretende trocar cerca de 15 representações diplomáticas do Brasil pelo mundo. 

No começo do mês, o diplomata Paulo Roberto de Almeida, historicamente próximo da linha defendida pelo PSDB para a política internacional, foi demitido após publicar três textos –  de Fernando Henrique Cardoso, de Rubens Ricupero e outro do chanceler Ernesto Araújo – sobre a crise na Venezuela. Almeida conduzia o Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais.

As duas iniciativas são vistas como uma tentativa do governo de ter no primeiro escalão do Itamaraty apenas quadros completamente alinhados à visão do governo em relação à política externa. Visão essa que não se limita apenas a modificar posições e cargos no Ministério de Relações Exteriores, mas que influem diretamente na condução da diplomacia brasileira. 

Para dois estudiosos do tema ouvidos pelo Brasil de Fato, as opções de Bolsonaro e Araújo, mais que uma profunda reorientação na pasta, significam uma ruptura com princípios históricos da atuação do Itamaraty. 

Juliano da Silva Cortinhas, professor de Relações Internacionais da UnB, explica que, apesar de submetido à orientação da Presidência, o Itamaraty construiu, ao longo de dois séculos, linhas para a política externa que se converteram em política de Estado, transcendendo a alternância entre governos. 

“O Itamaraty, ao longo dos séculos de existência, conseguiu dar uma continuidade em nossa política externa. Ele é visto, pelos analistas, como o Ministério brasileiro que tem mais coerência [ao longo da História]. O Brasil é um dos poucos países do mundo que pode se orgulhar de ter relações diplomáticas com quase toda a comunidade internacional. De ter uma voz muito respeitada internacionalmente”, afirma.

Alguns desses princípios históricos, que garantiram ao Brasil a imagem de país negociador na diplomacia, são a solução pacífica de controvérsias, o respeito ao Direito Internacional e aos fóruns e organizações transnacionais.

Marcelo Zero, sociólogo especialista em Relações Internacionais, destaca que a postura brasileira de não adesão automática a nenhum outro Estado conferiu ao país um “soft power” na diplomacia (poder “suave”), colocando o Brasil em diversas vezes como elemento de mediação na política internacional. 

Ele destaca que todos os governos escolheram prioridades na área – grosso modo, os governos do PSDB privilegiaram as relações com os países desenvolvidos, ao passo que o PT optou por maiores esforços com os parceiros do sul global, como a África e a própria América Latina -, mas nenhum rompeu de forma aberta com a política de Estado de perseguir interesses objetivos do Brasil. 

“Claro que todo governo tem sua linha específica para a Política Externa, mas nunca se pode perder os objetivos maiores. É uma política orientada por identidade ideológica. Ele está comprando brigas que não são brigas nossas. Os tucanos, de fato, privilegiaram as relações com os EUA e União Europeia, mas não perderam de vista a América Latina, o Mercosul. Talvez não deram a relevância merecida, mas não abandonaram”, afirma. 

O sociólogo afirma que o chanceler brasileiro Ernesto Araújo tem uma “visão peculiar” da política externa, que leva ao abandona da noção de política de Estado para a adoção de uma linha “hiper-ideologizada”. 

“[O presidente e o chanceler] se aliaram a uma força política muito específica dos EUA. Não é nem aos interesses do Estado americano. Essa força específica, o trumpismo, tem uma visão bastante ideologizada do mundo. O Brasil se alinhou a isso, ignorando os próprios interesses objetivos do país”, afirma. 

O professor da UnB concorda com a avaliação de que a política externa que vem sendo implementada representa uma profunda modificação nos princípios de atuação do Itamaraty.

“Aparentemente, só há dois meses de governo, tudo isso está sendo jogado por terra. O governo Bolsonaro está mudando esse padrão histórico que estabeleceu uma política internacional com base nos valores do Estado e está ideologizando sua política externa. Isso nunca ocorreu da forma como está ocorrendo agora”, defende. 

Efeitos

Ambos pesquisadores citaram o anúncio, seguido de recuo, da transferência da embaixada em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém como um dos efeitos negativos da nova política externa, levando à indisposição de países árabes, que têm maior peso em nossas exportações do que Israel, em relação ao Brasil. 

Outro fato mencionado foi a elevação de tom com a China, seguindo a retórica de Trump. O primeiro país, que compra muito mais commodities brasileiras que os EUA, acabou fechando uma grande compra de soja justamente dos estadunidenses, que se portaram com maior pragmatismo do que o chanceler brasileiro. 

Por último, as declarações sobre o Mercosul também repercutiram mal. O mercado sul-americano absorve a maior parte de nossas exportações de manufaturados, onde o Brasil é mais competitivo do que em outros mercados. “Do jeito que estamos caminhando, vamos acabar exportando nem commodities, nem industrializados”, resume Marcelo Zero. 

*Colaborou Cristiane Sampaio

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Coaf mostra depósito de R$ 100 mil em outubro na conta de suspeito de matar Marielle

sex, 15/03/2019 - 10:08
QUEM MANDOU PM reformado Ronnie Lessa, preso por assassinato da vereadora, teve bloqueio de bens declarado Redação | Élcio Queiroz (esq.) e Ronnie Lessa (dir.) são principais suspeitos de executarem o crime Divulgação/PM-RJ

O policial reformado Ronnie Lessa, de acordo com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), recebeu R$ 100 mil em dinheiro, no dia 9 de outubro de 2018, em um depósito de boca de caixa, sete meses após o crime que vitimou a vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, segundo divulgou na manhã desta sexta-feira (15) reportagem do G1.

O relatório faz parte de um pedido de bloqueio dos bens — para garantir a indenização das famílias das vítimas — de Lessa e do ex-PM Élcio Queiroz. Ambos foram presos nesta terça-feira (12) e são apontados pelas investigações como principais suspeitos de executarem o crime.

Da parte de Lessa, que morava em uma mansão no condomínio Vivendas da Barra, na zona oeste do Rio de Janeiro, próximo ao presidente Jair Bolsonaro, serão bloqueados: uma lancha em Angra dos Reis registrada em nome de um “laranja”, a casa e um carro de R$ 150 mil. Para o Mìnistério Público, os bens são incompatíveis com a renda de um policial militar reformado.

Nesta sexta-feira, Élcio Queiróz e Ronnie Lessa irão depor sobre o crime. Ambos negam o crime. Eles estão presos em flagrante por posse ilegal de arma em suas residências. Além disso, na casa de um amigo de Lessa, foram encontrados 117 fuzis desmontados.

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No RJ, MPF investiga destruição de usina que serviu para ocultar corpos na ditadura

sex, 15/03/2019 - 10:04
MEMÓRIA Segundo depoimento de ex-delegado do DOPS, fornos da Usina de Cambahyba eram usados para incinerar presos políticos Clívia Mesquita | Antigos fornos da Usina de Cambahyba viraram escombros; MPF investiga o caso sob sigilo Arquivo

A Usina de Cambahyba, no município de Campo dos Goytacazes, é alvo de duas investigações do Ministério Público Federal (MPF). A primeira apura o uso das instalações para ocultar cadáveres durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). A segunda tenta descobrir quem são os responsáveis pela demolição dos fornos onde ao menos 10 presos políticos teriam sido incinerados nos anos 1970 na região norte fluminense pelo regime.

"De repente, os fornos já não existiam mais”, comenta a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Ana Costa, que se deparou com a estrutura danificada em uma aula de campo em julho de 2018. Já em novembro, ela e os alunos encontraram só escombros. Ana aponta a destruição de um registro histórico no local onde as investigações ainda não foram concluídas. 

“Os movimentos de luta pela terra tinham uma proposta de transformar em memorial da repressão. Não só de manter mas de torná-lo um espaço importante da resistência a todo esse processo que foi a ditadura”, afirma.

Entre os desaparecidos de Cambahyba estão os militantes de esquerda David Capistrano da Costa, Luiz Ignácio Maranhão Filho e o casal Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva. Ana Rosa era irmã do jornalista e escritor Bernardo Kucinski, homenageado na 40ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

Aqueles que não resistiam às torturas praticadas na Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), e no DOI-CODI, na Tijuca, eram levados para as caldeiras e cremados nos fornos com portas de ferro da usina de açúcar. Os crimes vieram à tona pelo assassino confesso da ditadura e ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) Cláudio Guerra em depoimento à polícia e publicado no livro “Memórias de uma Guerra Suja” (Editora Topbooks, 2012).

"Não necessariamente as narrativas desses episódios vindos das pessoas responsáveis pelas violações correspondem à realidade dos fatos, então é preciso ter cuidado. Por isso é tão importante o trabalho do MPF de dar seguimento às investigações e constituir provas com a materialidade ainda existente”, analisa Nadine Borges, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ e ex-presidente da Comissão Estadual da Verdade no Rio de Janeiro.

A advogada ressalta que a Comissão da Verdade nas esferas estadual e federal tinham um prazo de dois anos determinado por lei para funcionar e foram encerrado em 2015. Desde então, o MPF é o único órgão brasileiro responsável por continuar investigando os crimes contra os direitos humanos na ditadura. "O Estado não pode permitir que desapareça a possibilidade de periciar um determinado local apontado como de violações, então o Estado continua sendo responsável por essa ação de destruição de lugares de memória", completa.

Questionado sobre a destruição dos fornos, o MPF informou que “instaurou procedimento investigatório criminal para apurar o caso, porém o mesmo encontra-se sob sigilo”. Também afirmou, em nota, que aguarda uma perícia no local em breve, mas não deu um prazo.

Escombros e memória

“Como o assunto envolvia um importante membro da oligarquia campista de um lado [Eli Ribeiro Gomes], "terroristas" de outro, e não tinha consistência de provas materiais ou documentais, pode imaginar que não foi preciso muito esforço para que o assunto morresse”, disse Antonio Carlos Ornellas Berriel, diretor do Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes. O prédio da Usina de Cambahyba não é tombado e a destruição do equipamento pode comprometer a construção de um memorial caso seja condenado.  

Para o vereador Leonardo Giordano (PCdoB), autor da lei que instaurou a Comissão da Verdade em Niterói, a destruição dos fornos é um exemplo concreto da falta de proteção da memória histórica no país. Por isso, ele destaca a importância das comissões municipais. O Ginásio Caio Martins, em Niterói, foi o primeiro estádio de futebol usado como prisão política na América Latina. Estima-se, segundo depoimentos, que mais de mil pessoas ficaram detidas.

“Infelizmente aqui no Brasil a gente ainda luta contra essas tentativas de apagar ao invés de reconhecer. A gente conseguiu fazer uma Comissão da Verdade ampla com participação da sociedade civil, OAB, universidades, movimentos populares. Tem uma proposta de memorial das vítimas no Caio Martins no prédio físico  encaminhado ao poder público para execução do governo do Estado do Rio”, comenta o parlamentar.

O trabalho de resgate resultou no relatório total da Comissão da Verdade de Niterói com capítulos específicos sobre o estádio e outros locais da cidade. A publicação deve ficar disponível na internet e virar um livro ainda este ano para consulta.

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Paraná realiza atos pela memória de Marielle Franco e Anderson Gomes

sex, 15/03/2019 - 10:01
Memória e Justiça Em Curitiba,  mais de 500 pessoas se concentraram durante a noite na Praça Santos Andrade. Interior também se mobilizou. Redação | Além de resgatar a memória de Marielle, ato denunciou genocídio contra população preta e periférica Giorgia Prates

No dia em que se completou um ano do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, na quinta-feira (14), algumas cidades do Paraná fizeram parte do movimento nacional dos que se mobilizaram por suas memórias ressoando a pergunta "Quem mandou matar Marielle?", na denúncia à violência contra mulher.

Em Curitiba,  mais de 500 pessoas se concentraram durante a noite na Praça Santos Andrade, no centro da capital. Integrante da Marcha Mundial de Mulheres, Ana Carolina Dartora foi uma das pessoas que participou da mobilização. Segundo ela, a comoção em torno da Marielle está relacionada à atuação política e a quem a vereadora representava:

“Eu já ouvi falar que os movimentos sociais e que alguns partidos de esquerda estão envolvidos na pauta pra se promover, o que é absurdo porque Marielle trazia com ela muitas bandeiras, da mulher negra, lgbt, população periférica. Ela representava muitas pessoas, e me representava”, afirma.

Telma Mello, uma das organizadoras do ato, lembra que outras ações foram realizadas neste último ano para exigir a solução do crime. Agora, com a prisão de dois ex-policiais acusados de executarem Marielle, ainda resta saber quem foi o mandante do crime.

“Isso tocou bastante as pessoas que têm essa consciência que não é só Marielle, gente preta como eu que são mortas pelo genocídio da pm, da justiça. (...) Agora queremos saber quem mandou matar Marielle: qual é o miliciano que matou, e porque tiraram o delegado da condução do crime”, indaga.

Um dos responsáveis pelo caso, o delegado Giniton Lages foi afastado do caso. Inicialmente houve a suspeita que o afastamento se deu em razão de o delegado revelar que um dos policiais presos morava no mesmo condomínio de Jair Bolsonaro, e que um dos filhos do presidente havia namorado a filha do miliciano. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, alega que o delegado irá fazer um intercâmbio na itália.

A professora do curso de pedagogia da Universidade Federal do Paraná, Lucimar Dias, lembra que a mobilização não pode encerrar, há ainda questões muito importantes a serem solucionadas: “E mesmo respondendo quem mandou Matar Marielle nós precisamos continuar organizadas, porque há muitas lutas para serem enfrentadas na sociedade brasileira no atual momento. O feminicídio está espantoso, então nós precisamos continuar essa luta” finaliza.

Outros atos

Outras ações pelo um ano da morte de Marielle também foram registradas em outras cidades do Paraná. Em Londrina, mulheres do movimento dos trabalhadores rurais sem terra realizaram uma campanha de doação de sangue para denunciar o assassinato de Marielle e Anderson e, ao mesmo tempo, ajudar a salvar outras pessoas. Na mesma cidade, jovens também colocaram o nome de Marielle Franco na rua da praça onde está a concha acústica. Nos campos gerais paranaenses, em Ponta Grossa, mais de 100 pessoas participaram de uma marcha em memória a vereadora carioca. Em Cascavel, no oeste paranaense, moradores do assentamento da reforma agrária Valmir Mota inauguraram uma das ruas do local com o nome da vereadora.

ESPECIAL | UM ANO: COMO ASSIM MATARAM MARIELLE?

 

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Aeroporto do Recife vai a leilão

sex, 15/03/2019 - 09:58
Privatização Parlamentares alertam que formato escolhido pelo Governo Federal trará prejuízo para o Recife Vinícius Sobreira | O Aeroporto dos Guararapes recebe 8,28 milhões de passageiros por ano Governo de Pernambuco

O Aeroporto Internacional dos Guararapes, localizado na Imbiribeira, tem previsão de ir a leilão na Bolsa de Valores de São Paulo, na manhã da sexta-feira (15). A venda de aeroportos teve início ainda no governo Temer e será continuado pelo governo Bolsonaro. Deputados pernambucanos preveem queda de qualidade nos serviços oferecidos.
Inaugurado em 1958, o aeroporto foi reformado no início dos anos 2000 pelo valor de R$400 milhões (ou R$900 milhões, em valores corrigidos), investimento que foi dividido meio a meio entre Governo de Pernambuco e Governo Federal. O lucro anual do aeroporto, atualmente, gira em torno dos R$130 milhões. Segundo a Infraero, dos 54 aeroportos brasileiros apenas 17 dão lucro.
Mas o Aeroporto dos Guararapes foi colocado à venda dentro de um bloco de seis aeroportos: a empresa que arrematar o do Recife, também levará os aeroportos de Aracaju (SE), Maceió (AL), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB) e Juazeiro do Norte (CE). A outorga dura pelos próximos 30 anos, com obrigação de investimento nos equipamentos. Pelos cálculos dos parlamentares, o fato de ser vendido dentro de um bloco com aeroportos deficitários vai reduzir o valor de investimentos no equipamento pernambucano.
O deputado federal Felipe Carreras (PSB) liderou a briga por uma mudança no formato de venda. Ele avalia que no atual formato de leilão o aeroporto do Recife receberá cerca de R$838 milhões de investimento ao longo dos próximos anos, enquanto os aeroportos de Fortaleza (CE) e Salvador (BA), já leiloados individualmente, preveem investimentos de até R$1,4 bilhão e R$2,8 bilhões, respectivamente. Enquanto o Recife tem 8,28 milhões de passageiros por ano, Fortaleza tem 6,51 milhões e Salvador 7,70 milhões.
O senador Humberto Costa (PT) usou a tribuna no Congresso para apontar o que considera injustiça. “A perda de competitividade do aeroporto do Recife pode ser constatada por meio de comparações com terminais do Nordeste privatizados individualmente. O aeroporto de Natal (RN), mesmo tendo apenas 2,3 milhões de passageiros (28% do que Recife transporta) receberá R$ 650 milhões em investimentos, ou 77% do total da capital pernambucana”, observou.
Os deputados estaduais também se posicionaram, aprovando na Assembleia Legislativa um requerimento pedindo que a Procuradoria Geral do Estado interferisse judicialmente, o que não foi feito. Os parlamentares avaliam que a diferença de investimentos do Recife em comparação com Salvador e Fortaleza, dentro de alguns anos, afetará qualidade dos serviços prestados e deixará a cidade para trás na concorrência com as outras duas capitais nordestinas, afetando até Suape. “As operações com grandes aeronaves se darão nos outros aeroportos e não mais em Recife. E para o transporte de cargas é um desastre total. Vamos penalizar todo o nosso todo investimento feito no Porto de Suape”, disse Alberto Feitosa (SD), que já foi superintendente do aeroporto.
Até os últimos dias Felipe Carreras (PSB), que já foi secretário de Turismo de Pernambuco, tentou travar o leilão através da Justiça, mas não obteve sucesso. Os parlamentares pernambucanos se reuniram com o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), mas o Governo Federal manteve o formato de leilão.

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Ouça o Programa Brasil de Fato – Rio de Janeiro – 14/03/19

sex, 15/03/2019 - 09:24
Rádio O Brasil amanhece com atos por Marielle e espetáculo que aborda o direito à cidade são os destaques Brasil de Fato | Milhares de pessoas no Brasil e no mundo prestaram homenagens à Marielle Pablo Vergara/ MST/ RJ

O programa da última quinta-feira (14) traz todas as atividades em celebração à luta e ao legado de Marielle Franco e o espetáculo de dança contemporânea "A(COR)DO".

Ao completar um ano do assassinato da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, o Brasil e o mundo fizeram homenagens e atos políticos. Apesar das prisões, esta semana, de dois acusados de serem os assassinos, todos os atos cobram mais agilidade e justiça para saber quem mandou matar Marielle.

Em entrevista, Alice Ripoll diretora da cia REC e Romulo Galvão, intérprete e criador, comentam sobre o espetáculo "A(COR)DO" que questiona os legados que os grandes eventos como a Copa do Mundo e Olimpíadas deixaram para o Rio. Para Alice, o espetáculo questiona o que é ser negro e viver no Rio de Janeiro. Já para Rômulo, o espetáculo mostra como a cidade trata com desigualdade os corpos negros.

Nas reportagens, o Dia Internacional de Luta Contra as Barragens e familiares e amigos prestam as últimas homenagens às vítimas do massacre em Suzano. 

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Arte e cultura marcam novas lutas do povo mapuche no Chile

sex, 15/03/2019 - 09:00
Mosaico Cultural A dominação colonial que sofremos também marca uma dominação social | Ato de indígenas mapuche em Santiago, capital chilena, em 2017 AFP

Mais de cinco séculos marcam a trajetória de resistência do povo indígena mapuche no território do Chile. Se no século 16 eles lutaram contra a invasão colonial espanhola ao território latino americano e pela autonomia de suas terras, hoje permanecem organizados contra a criminalização de seus dirigentes políticos.

Ao longo do tempo, a violência contra o povo mapuche segue registrando casos. De acordo com levantamento do site Werken Notícias, 15 indígenas mapuche foram assassinados ao longo dos governos democráticos no país, em um período de 20 anos. O último caso registrado é o de Camilo Catrillanca, 24, neto de uma liderança mapuche e morto com um tiro na cabeça pelas forças policiais em 14 de novembro do último ano.  

Na contramão deste cenário, diferentes formas de enfrentamento foram desenvolvidas pelos mapuche. O historiador e professor pela Universidade do Chile Rodrigo Huenchún explica que a cultura tem sido cada vez mais apropriada como manifestação política.

"O novo contexto, em particular marcado pelo acentuamento da violência que sofremos na sociedade chilena, politiza também a expressão artística. Não é apenas manter a herança cultural que herdamos dos nossos antepassados por gerações, que também são valiosas, mas também ressignificá-las com as novas lutas que temos hoje", afirma.

O professor defende que que pensar a organização destes indígenas exige um ponto de partida: a compreensão de que os mapuche vivem uma dominação cultural por parte da sociedade e do Estado chilenos.

"Essa dominação colonial que sofremos também marca uma dominação social, epistemológica. A sociedade mapuche se viu desestruturada em todos os sentidos, desraigada de suas dinâmicas próprias, invisibilizada, discriminada, marginalizada, ignorada", defende o Huenchún. "Em particular, perdemos a língua, o contato com nossas famílias que continuam lá, perdemos até nossos direitos de herança sobre nosso território", completa.

Mapuche-warriache, hoje Rodrigo vive em Santiago, capital chilena — uma realidade comum a muitos indígenas. Segundo nos conta, da população mapuche, que representa 9% da população total chilena, apenas um terço vive em seu território histórico, ao sul do país, conhecido como Araucanía. O restante divide-se entre Santiago e outras cidades. "Portanto, mencionamos que somos um povo em diáspora."

Vanguarda da resistência

Já na época da violenta ditadura militar chilena, o povo mapuche se apropriou da cultura como forma de resistência. Uma das principais organizações populares criadas foram os Centros Culturais Mapuche, em 1978, que lutavam, entre outras coisas, contra a separação de terras indígenas — e a consequente desarticulação de sua luta — promovida pelo governo ditatorial de Augusto Pinochet (1973 - 1990).

No período, 171 indígenas mapuche foram assassinados pela ditadura, segundo mostra o Informe Final trabalho de investigação de executados e desaparecidos pertencentes à Nação Mapuche, concluído em 2016.

Segundo o historiador, um dos desafios hoje é ressignificar o próprio conceito de cultura mapuche. "Por muito tempo, as manifestações culturais ou artísticas mapuche foram consideradas como apenas isso, como uma expressão de um povo arcaico, que mantém suas manifestações, mas como uma curiosidade arqueológica."

De toda a diversidade que possui, a manifestação cultural mais conhecida desses indígenas é sua escrita. Multiplicam-se no país os centros de poetas e poetisas mapuche. Alguns nomes a serem conhecidos são os de David Aniñir, Roxana Miranda e Elisa Loncon.

David Aniñir Guilitraro, gestor cultural e poeta mapuche (Foto: Reprodução)

Outro nome historicamente conhecido é o de Elicura Chihuailaf, precursor da poesia e da prosa mapuche. Hoje aos 67, ele traz em sua trajetória a militância para espalhar a arte escrita mapuche e a publicação de livros como Recado Confidencial aos Chilenos, de 1999.

Na prosa, também se destaca Javier Milanca Olivares, autor de Xampurria. Lançado em 2015, o livro fala sobre a resistência dos mapuche que ainda vivem em seus territórios tradicionais e aqueles que foram forçados a migrar para os grandes centros urbanos.

Já na música, diferentes gêneros se mesclam para cantar a palavra do povo indígena mapuche. Rodrigo conta, no entanto, que um deles tem se destacado: o hip hop. Mesclando o idioma mapuche, conhecido como mapudungun, com o espanhol e outros idiomas, as músicas mesclam a urbanidade e o dia a dia tradicional dos indígenas.

"É um som urbano, onde está concentrada a maior parte da população, e aproveita essa massividade para passar mensagens claras e políticas", descreve o historiador. Nomes como o da banda Wechekeche ñi Trawün se destacam.

Mulheres mapuche

Rodrigo explica que a luta mapuche, hoje, é marcada pela reivindicação de direitos políticos, mas também por outras dinâmicas sociais. A arte, sendo assim, acompanha essas mudanças, e assim como pressiona a sociedade chilena, também quer pressionar a própria sociedade mapuche. A principal pauta, segundo nos conta, é a feminista.

"Não há que se iludir: a sociedade mapuche, fundamentalmente a tradicional e a campesina, mas não apenas isso, é propriamente machista. Então, dentro das dinâmicas e demandas políticas que se podem pensar hoje está a quebra dessas dinâmicas machistas e patriarcais", diz.

Por muito tempo entendidas como personagens secundários da luta mapuche, hoje diversas artistas ecoam suas vozes para protagonizar as mulheres de seu povo. É o caso da cantora Daniela Millaleo e das poetas Graciela Huinao e Roxana Miranda Rupailaf, por exemplo.

Representando a luta das mulheres indígenas, a indignação com a violência histórica das forças policiais e um guarda-chuva de outras reivindicações, a arte se consolida cada vez mais como vanguarda das novas luta mapuche no período atual.

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Por que a indústria de transformação tem a menor participação no PIB desde 1947?

sex, 15/03/2019 - 08:57
Economia Dados foram divulgados esta semana pela CNI; economistas ouvidos pelo Brasil de Fato explicam os motivos Marcos Hermanson | Auge da industrialização brasileira aconteceu em 1986 e já representou 27% dos empregos em território nacional kerttu/Pixabay/Creative Commons

Você se lembra de ouvir seus long plays em uma vitrola Gradiente, ou de ter na cozinha um fogão bege da Prosdóscimo? Sua infância foi povoada por consoles de videogame produzidos pela Dynacom, ou será que você chegou a ver um autêntico carro Gurgel circulando pelas ruas da cidade? Se a resposta foi sim para ao menos uma dessas perguntas, então você provavelmente viveu uma época em que a indústria nacional tinha mais relevância na vida da população.

Nesta semana a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou números do setor industrial no país, atualizados para 2019. Segundo estes dados, a indústria de transformação ocupa hoje apenas 11,3% do total do PIB, menor patamar desde 1947, enquanto a indústria como um todo -- o que inclui a extração de minérios, petróleo, gás natural e a construção civil -- representa 22% do PIB.

Em 1986, auge do indústria no Brasil e época em que as marcas mencionadas acima ainda eram mais presentes na vida dos brasileiros, esse setor respondia por 27% dos empregos com carteira assinada dentro do território nacional. Hoje ele representa apenas 15% do total. 

Enquanto produtos básicos como a soja, o milho e outras commodities respondem por 50% das nossas exportações, os produtos manufaturados são 83% de tudo que o país importa.

O mundo já fala na quarta revolução industrial e nas economias do conhecimento, mas o Brasil continua a exportar principalmente produtos agrícolas e importar, a muito custo, bens de alto valor agregado, alguns dos quais antigamente produzíamos aqui. 

E o que explica esse processo? Foi o que o Brasil de Fato perguntou aos economistas Márcio Pochmann e Paulo Kliass. 

Uma tendência mundial?

“No mundo atualmente nós temos dois tipos de desindustrialização. A primeira é a chamada desindustrialização madura, em que, à medida que o país for elevando a renda da população, ela vai concentrando a sua renda na aquisição de bens industriais. Fogão, geladeira, microondas, automóvel”, diz Pochmann, que é economista e já atuou no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e no Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Isso significa dizer que quando chega esse patamar, o acréscimo de renda que vai vir para essa população deixa de ser direcionado para o consumo de bens industriais e passa a ser concentrado nos serviços”.

Para Paulo Kliass, doutor em economia e especialista em políticas públicas, não foi esse o processo observado no Brasil. “Tem muita gente que diz ‘não, mas não é necessariamente ruim a desindustrialização. Veja o que acontece nos Estados Unidos, nos países europeus, nos países escandinavos, tem também uma redução da participação da indústria’. Isso é verdade, mas eles têm redução da participação da indústria a troco de uma participação maior dos setores de elevadíssimo valor agregado. Na nossa desindustrialização, não. A gente tá caminhando para trás, substituindo a indústria por exportação de produtos primários e uma área de serviços de baixíssima qualificação”, afirma ele. 

Os motivos 

Não há consenso sobre o que causou o processo de desindustrialização vivido pelo país desde os anos 80, mas é possível apontar fatores comuns na leitura de grande parte dos economistas. Entre eles, a incapacidade da indústria nacional em acompanhar o avanço  tecnológico; os juros e a taxa de câmbio alta; a transferência de plantas industriais e a financeirização da economia. 

“[Na] industrialização chamada precoce, que é o nosso caso, e de alguns outros países latino-americanos, a indústria perdeu importância porque a população simplesmente não teve a capacidade de adquirir bens industriais. No Brasil os serviços que crescem não são os que estão vinculados à produção, mas à concentração de renda: trabalho doméstico, segurança, passeador de cachorro, limpador de piscina, personal trainer, várias ocupações que dependem não da indústria, mas da renda concentrada de poucas famílias” afirma Pochmann.

“Com o Plano Real o Brasil combinou altas taxas de juros para atrair capital estrangeiro, com valorização cambial. Então o setor produtivo teve que conviver com um custo de produção muito inadequado: moeda valorizada e taxa de juros muito elevada, o que tornou muito cara a atualização tecnológica do setor industrial”.  

Kliass e Pochmann concordam que as altas taxas de juros dificultam a aplicação do investimento na produção, enquanto a taxa de câmbio elevada facilita a importação. Essa combinação praticamente impossibilita as indústrias brasileiras de competirem em pé de igualdade com as estrangeiras. 

“Nessas últimas três décadas, o processo de desindustrialização interna fez a gente passar a importar bens que antes eram produzidos internamente. Em 1990, na fase mais aguda do neoliberalismo, propunha-se a liberação completa das fronteiras [e o] fim das proteções para a indústria nacional, com a ideia de que o importado é melhor e mais eficiente, e que o Brasil só teria a ganhar com essa abertura de fronteiras”, diz Kliass.

“A abertura feita pelos governos dos Fernandos, Collor e Cardoso, não permitiu uma pariação prévia do setor produtivo. Simplesmente o expôs a competição internacional sem que houvesse condições isonômicas de competição”, afirma Pochmann.

Quem lucra com isso?

“A desindustrialização vai mudando a composição das frações de classe no Brasil. Houve famílias [donas de indústrias] que se desfizeram de sua atividade industrial, vendendo para empresas estrangeiras, se associando ao rentismo. Então uma parte da burguesia industrial virou rentista, abandonou a indústria, vendeu seu setor produtivo e passou a viver de renda. Outra parte se transformou em comerciante. Passou a produzir na Ásia e a vender internamente”, diz Pochmann. 

Ao mesmo tempo em que aponta esse caráter rentista das elites nacionais, ao seu ver desinteressadas em um processo de industrialização, Kliass defende como solução a retomada do papel indutor do Estado: “Reforçar a presença do Estado nos setores estratégicos. Na área financeira, por exemplo, pela capacidade de investimento e crédito, e na área do petróleo. Aumentar a produção de conhecimento, com políticas públicas para a educação nas universidades e nos laboratórios de pesquisa. Mudar a política comercial no sentido de encontrar nichos estratégicos onde o Brasil tem ganho de competitividade em relação ao resto do mundo e protegê-los, assim como as economias avançadas protegem os seus”, conclui ele. 
 

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Relato | Visita ao acampamento de mulheres montado nas terras de João "de Deus"

qui, 14/03/2019 - 21:17
Reforma agrária É quase impossível descrever a beleza e a emoção que tomou conta ao chegar ao local Nonô Noleto* | Ato político em homenagem a Marielle Franco Nonô Noleto

Acabo de chegar de uma visita ao "Acampamento Marielle", com a Marina Sant'Anna, Maria Tereza (Caneca) e a Isabelzinha. É quase impossível descrever a beleza e a emoção que tomou conta da gente, ao vermos cerca de 800 mulheres sem-terra, debaixo de barracas de lona, segurando toda a estrutura daquele acampamento, desde a parte da segurança, na cancela de entrada. Fomos, junto a várias outras lideranças sindicais e populares, participar de um ato daquelas mulheres guerreiras que realizam mais uma Jornada Nacional de Lutas, com o lema "Pela Vida das Mulheres, Somos Todas Marielle!"

:: Confira o especial sobre o primeiro aniversário de morte de Marielle Franco ::

Convidada a representar o Bloco Não é Não, de Goiânia (GO), falei ligeiramente da nossa iniciativa de fazer de um bloco de carnaval de rua, um veículo de protestos e conscientização contra o abuso sexual e o feminicídio. E cantei a música do Caymmi, "Minha jangada vai sair pro mar, vou trabalhar, meu bem querer...", lembrando as mulheres presas e torturadas na época da ditadura militar que, mesmo machucadas, tinham a capacidade de cantar para dar força e encobrir os gritos dos companheiros das celas vizinhas, enquanto estes eram torturados.

Abrigadas em barracas de camping ou lonas pretas, depois de uma noite de chuvas pesadas, elas enfrentavam um sol de fazer pipocar a pele, segurando com raça, arte e graça um acampamento feminista, nas terras de um homem que se auto intitulou João "de Deus" e que está sendo acusado de crime de assédio e de abuso sexual por centenas de mulheres que o procuravam, em busca de assistência médica espiritual.

:: Pela vida das mulheres: entenda por que 800 camponesas ocupam fazenda de João de Deus ::

No auto-falante, duas mulheres coordenam o ato lúdico revolucionário, organizando num grande círculo as acampadas e visitantes. E revezam-se na leitura de um documento da Jornada Nacional de Luta das Mulheres do SMT-2019.

"Seguiremos nos desafiando a viver, amar, cuidar, confiar e lutar ainda mais intensamente. Seremos resistência! Estamos despertas! Cuidaremos umas das outras, de nossa classe e de nossa sementes rebeldes, que brotarão em pura conspiração, seja da terra ou da pedra, não importa. Sabemos semear na calmaria ou no conflito. Não somos pedras, mas sabemos endurecer!"

* Nonô Noleto é diretora do Sindicato dos Jornalistas de Goiás.

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Curitiba: Dia do bibliotecário é celebrado com debate sobre fake news e pós verdade

qui, 14/03/2019 - 21:14
Informação O evento acontece nesta sexta, 15, no pátio da reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Redação | Dia 12 de março comemora-se nacionalmente o Dia do Bibliotecário Samira Chami Neves/Sucom

Mediar a leitura, a informação e a pesquisa são algumas das qualificações e funções do profissional bibliotecário. Muitas vezes, uma profissão  incompreendida. Por isso, no próximo dia 15 de março, no pátio da reitoria da UFPR, um evento com programação ao longo do dia será realizado aberto ao público. Segundo a bibliotecária da UFPR Cristiane Sinimbu Sanchez, uma das organizadoras do evento, “o bibliotecário é muito importante uma vez que são mediadores de informação e promotores do acesso ao conhecimento. Tem uma grande contribuição para a formação da consciência crítica, cidadã e política das pessoas.”

O evento acontece para comemorar o Dia do Bibliotecário, que é dia 12 de março, e trazer reflexões  importantes sobre conhecimento e informação.  Debates sobre fake news e pós verdade, biblioteca escolar e biblioativismo integram a programação. O Brasil de Fato Paraná fará a mediação da mesa "Fake news e Pós Verdade", às 15h, com a participação do Professor Dr. Ary Azevedo, da Faculdade de Comunicação da UFPR e do bibliotecário Cesar Galvão , do Campus de Jandaia do Sul, UFPR e mediação do jornalista Pedro Carrano.

Cristiane, que também é diretora administrativa do Conselho Regional de Biblioteconomia, lembra que o Conselho reforça a importância da sociedade participar exigindo bibliotecas nas escolas. “A sociedade precisa fiscalizar se existem bibliotecas escolares e a presença do profissional bibliotecário. Lembrando que a lei 12244/2010 prevê que até 2020 toda escola tenha uma biblioteca com um acervo de pelo menos um título por aluno e com a presença deste profissional."

O evento é promovido pelo Conselho Regional de Biblioteconomia 9ª Região, com o apoio da Universidade Federal do Paraná, Sinditest, EBSCO e SophiA.

Confira a programação completa:

15H30 – ABERTURA DO EVENTO

15H45 – RODA DE CONVERSA: FAKE NEWS E PÓS-VERDADE – Prof. Dr. Ary Azevedo Jr. (UFPR) e Bibliotecário César Galvão (UFPR).

16H20 – CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS COM CARLOS DAITSCHMAN

17H00 – RODA DE CONVERSA: BIBLIOTECA ESCOLAR É PRECISO? O QUE PENSAM OS ESTUDANTES? – Camila Lanes, presidente da UJS; Izabela Marinho, presidente da União Paranaense dos Estudantes e Wellington Thiago, presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas UPES

17H45 – RODA DE CONVERSA: BIBLIOATIVISMO – Bibliotecário Adriano Lopes (presidente do CRB9/ UTFPR) e a Bibliotecária Maria Lúcia Madruga (UEPG)

18H30 – SHOW DE ESTRELA LEMINSKI E TÉO RUIZ

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Milhares de pessoas no Brasil e no mundo protestam por justiça no caso Marielle

qui, 14/03/2019 - 20:58
Justiça As manifestações também homenagearam a vereadora e lembraram de sua luta pela defesa dos direitos humanos Redação | No Rio de Janeiro, milhares de pessoas se reuniram na Cinelândia, centro da capital fluminense Pablo Vergara | MST-RJ

Atos pelo Brasil e pelo mundo marcaram nesta quinta-feira (14) um ano da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes. Na noite de 14 de março de 2018, logo após a parlamentar sair de uma agenda de trabalho, no Rio de Janeiro (RJ), o carro em que ela estava foi alvejado com 13 tiros.

:: Confira o especial do Brasil de Fato sobre o caso Marielle ::

Os manifestantes enalteceram o legado da vereadora e pediram esclarecimentos e justiça. Apesar da prisão de dois homens acusados pelos assassinatos na última terça-feira (12), a pergunta continua: quem mandou matar Marielle?

No Rio de Janeiro, as homenagens se concentraram na Cinelândia, onde foi organizado o "Festival Justiça por Marielle e Anderson". Ao longo de todo o dia houve atividades culturais e políticas, além da celebração de um ato ecumênico. A irmã de Marielle, Anielle Franco, agradeceu o apoio de todos que ajudaram na organização do evento e pediu para que as pessoas emanem energia positiva.

"Espalhem amor, espalhem o legado da Marielle, espalhem a essência. O mundo já está cheio de muito problema e não é isso que a gente precisa. Então isso aqui hoje, esse resultado aqui, é pra dizer que a gente está vivo. E a gente estar aqui continua sendo uma luta pra ela, e por ela".

Maria Santiago, historiadora e integrante do movimento Mulheres Unidas contra Bolsonaro, esteve presente na manifestação. Para ela, o principal legado de Marielle foi conseguir se eleger como vereadora, sendo mulher, negra e favelada. E acrescentou: "[foi] levar a voz para que nós mulheres continuemos na luta, não desistamos, sigamos nessa resistência. Graças a Marielle, muitas mulheres saíram das covas, se reergueram e hoje lutam com a gente".

Já Andreia Fonseca, servidora pública, lembrou que a morte de Marielle foi "uma pancada para democracia" e que o crime não pode ficar sem resolução. Mas ela também reforçou a importância da vereadora principalmente para a luta das mulheres.

"Essas jovens que estou vendo hoje em dia, lutando, esse empoderamento feminino, esse empoderamento das jovens negras. Pra mim, eu vejo, desde então [da morte de Marielle], um renascimento da luta pela verdadeira democracia e pela organização da luta das mulheres".

Em São Paulo (SP), a manifestação se concentrou na Avenida Paulista, região central da capital. O ato começou com uma aula pública sobre o legado de Marielle, ministrada por Jupiara Castro, do Núcleo Consciência Negra da USP, e pela Deputada Estadual Érica Malunguinho (PSOL). Em seguida, os manifestantes caminharam, de baixo de chuva, pela avenida, puxados pelo grupo de rua Ilu Obá de Min, que homenageia a cultura afro-brasileira e cuja bateria é formada apenas por mulheres. 

Waldete Tristão, 55, doutora em educação, faz parte do grupo e destacou a importância de descobrir quem mandou matar Marielle. Ela considera que a vereadora se tornou um ícone de resistência. "A Marielle nos representa e deixa um legal de suma importância para o Brasil. Quem sabe não vai ser ela a responsável pra que a gente volte a ter justiça nesse país".

A teleoperadora Layla Cristina, 28, também reforçou o legado de Marielle principalmente para as mulheres, e para as mulheres negras. "Eu sou mulher negra, favelada. Eu tenho uma filha, sou mãe solo. É muito importante estar aqui pra agregar o ato e mostrar que ela deixou sementes e que nós também vamos lutar".

Já Fernanda Curti, 24, que é da direção do Partido dos Trabalhadores (PT), acrescentou que, para além de cobrar justiça no caso de Marielle, o ato pede "pelo fim da morte do povo preto no Brasil". "Hoje também significa pra gente cobrar as mortes de todos os jovens e todas as mulheres negros e negras que são assassinados todos os dias nesse país e que o Estado brasileiro continua relativizando as nossas vidas, continua relativizando as vozes do nosso povo", protestou.

Em Campinas (SP), cerca de 600 pessoas se reuniram no Largo do Rosário para homenagear a vereadora. Já em Belo Horizonte (MG) a manifestação foi marcada por um momento inter-religioso, conduzido por lideranças de diferentes religiões. Em Palmas (TO), a avenida em frente à Universidade Federal do estado foi batizada de Marielle Franco. 

Camponeses do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Curitiba (PR) e militantes do Congresso do Povo realizaram um mutirão de solidariedade em homenagem a Marielle. O grupo fez a revitalização da horta de uma creche no bairro Uberaba, região sul da capital paranaense. No final da atividade, houve uma formação junto com os alunos sobre agroecologia e a importância da alimentação saudável. 

No município de Remígio, no Brejo Paraibano, a 150 quilômetros da capital João Pessoa (PB), cerca de seis mil mulheres foram às ruas. Elas pediram por justiça a Marielle durante a décima edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia.

Já em Itabuna (BA), 100 mulheres de diversos movimentos e organizações populares ocuparam as ruas da cidade em memória de Marielle e também para denunciar a violência contra a mulher. No último ano, a cidade foi considerada a segunda mais perigosa para as mulheres baianas.

Desde cedo

As manifestações com pedidos por justiça e homenagens a Marielle já estavam espalhadas em dezenas de cidades do Brasil no início da manhã. No Rio de Janeiro, calçadas e paredes amanheceram com imagens da vereadora. Em todos os cantos se viam flores e ecoavam palavras de ordem.

Em Presidente Prudente (SP) cerca de 150 mulheres relembraram a memória da vereadora a partir de intervenções artísticas. Durante caminhada pela cidade, contaram a história de luta de Marielle. Em Brasília parlamentares do PSOL fizeram um ato político na Câmara cobrando respostas do Estado sobre o crime. Em Valinhos, no interior de São Paulo, um acampamento ligado ao MST que leva o nome da vereadora também realizou homenagens.

Mundo afora

Em dezenas países, brasileiros residentes no exterior e estrangeiros também prestaram homenagens à vereadora e a seu motorista. Em Buenos Aires, na Argentina, foram realizadas diversas ações, como, por exemplo, colagem de adesivos com no nome de Marielle em placas de ruas. Em algumas cidades europeias, como Bruxelas e Milão, o crime foi lembrado por meio de pichações em muros e prédios.

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Por justiça para Marielle, 6 mil mulheres vão às ruas no Brejo Paraibano

qui, 14/03/2019 - 19:21
LUTA Marcha de camponesas completa 10 anos e elege o tema do racismo como pauta Áurea Olímpia | Marcha pela vida das mulheres e pela agroecologia aconteceu em Remígio (PB) nesta quinta. Áurea Olímpia

Nesta quinta-feira (14), a décima edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia levou cerca de seis mil mulheres às ruas do município de Remígio, no Brejo Paraibano, a 150 quilômetros da capital João Pessoa.

O evento é promovido pelo Polo da Borborema, uma rede de 13 sindicatos rurais da região, em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e há 10 anos sai as ruas no dia 8 de março para denunciar todas as formas de violência contra a mulher e dar visibilidade ao papel das camponesas na agricultura familiar.

Em 2019, a data do dia 14 de março foi escolhida para a realização da Marcha por ser o dia em que se completa um ano do assassinato da Marielle Franco. Negra, pobre e favelada, a vereadora incomodava por sua atuação em defesa dos direitos humanos e das pautas feministas, e por esta razão sua figura transformou-se em um símbolo de luta contra a opressão de gênero, classe social e raça, e entra para a história ao lado de nomes como o de Margarida Maria Alves, agricultora e sindicalista assassinada na Paraíba há mais de 30 anos: “Nos tiraram Marielle, nos tiraram Margarida, mas o que eles não sabiam é que surgiriam várias outras Marielles, várias outras Margaridas. Nosso grito hoje também é por justiça, justiça para Marielle e para as milhares de mulheres que como ela morreram na luta”, afirmou Giselda Bezerra, liderança do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio e da Coordenação do Polo da Borborema, na abertura da Marcha.

Em 2019 a Marcha elegeu como tema de aprofundamento em seus momentos preparatórios o tema do racismo e de que forma ele atinge a vida das mulheres. Segundo Roselita Vitor, da coordenação do Polo da Borborema, a marcha de 2019 veio com uma mensagem clara a respeito do modelo de produção que o movimento defende: “Essa marcha tem um sentido de fortalecer a identidade camponesa das mulheres, mas também de reafirmar a agroecologia como projeto político capaz de trocar conhecimento e produzir solidariedade a marcha foi um momento importante de celebração e de afirmação de tudo isso”, afirmou.

O evento teve início as 8h com concentração no campo de futebol “O Dedezão”. No palco, houve a apresentação de uma peça de teatro que mostrou o cotidiano das mulheres agricultoras e negras que buscam no trabalho doméstico uma oportunidade de sobrevivência e lá sofrem diversas violências e preconceitos. O espetáculo foi encenado pelo Grupo de Teatro do Polo da Borborema, formado por agricultores e agricultoras da região.

Por volta das 10h30 da manhã, a Marcha ganhou as ruas do município, com faixas, estandartes e cartazes, as mulheres do campo e da cidade repudiaram todas as formas de violência, machismo e opressão sofridas pelas mulheres, além dos números alarmantes de feminicídios acontecendo no país.

Em frente à Câmara de Vereadores, a marcha fez uma parada para um ato público, onde Marielle foi homenageada, um painel com sua imagem foi exibido da sacada de um prédio enquanto que nas ruas centena de mulheres seguraram placas com seu nome.

No Parque da Lagoa, no Centro da cidade, em um segundo palco, apresentou-se a Cirandeira Lia de Itamaracá. No mesmo espaço ocorreu ainda uma feira agroecológica com a venda de produtos da agricultura e artesanato frutos do trabalho das agricultoras da região. Após o show de Lia de Itamaracá, a marcha foi encerrada com uma ciranda ao som da música: “Ninguém solta a mão de ninguém”: “É com essa energia que vamos continuar essa luta, vamos continuar de mãos dadas, resistindo e denunciando o racismo, o machismo e todas as formas de preconceito e violência”, finalizou Maria do Céu Silva.

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Lula pede unidade para derrotar reforma da Previdência de Bolsonaro

qui, 14/03/2019 - 18:54
Na vigília Deputado federal José Guimarães e vice-presidente do PT, Luiz Ducci, transmitiram recado após visita nesta quinta (14) Pedro Carrano | Luiz Ducci (esq.) e José Guimarães (dir.) em frente à Superintendência da PF Benildes Rodrigues

Após visita desta quinta-feira (14) ao ex-presidente Lula (PT), na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), o deputado federal José Guimarães (PT-CE) e o vice-presidente do PT, Luiz Ducci, transmitiram uma mensagem aos militantes que integram a Vigília Lula Livre há 342 dias. Segundo o ex-presidente, derrotar a reforma da Previdência do governo Bolsonaro (PSL) deve ser a prioridade dos 56 deputados do partido na Câmara, e para isso é preciso unidade. Outro desafio que a conjuntura impõe, segundo Lula, é a luta pela soberania nacional, contra a política entreguista do atual governo, alinhado aos Estados Unidos.

"Unidade do partido e aliança com o povo brasileiro para derrotar o projeto de Bolsonaro", resumiu Guimarães. Segundo ele, Lula está convicto de que o projeto de reforma da Previdência apresentado pelo governo deve impactar trabalhadoras e trabalhadores.

Ducci disse que o ex-presidente elogiou a campanha Lula Livre, que será lançada neste sábado (16) em São Paulo (SP), por ter um potencial mais amplo que a Vigília. Porém, Lula está ciente de que a base e a face mais visível da luta pela sua liberdade é a organização popular no bairro Santa Cândida, em frente à PF. "A campanha pela libertação dele deve estar vinculada a essas questões: Previdência, soberania", complementou. 

O vice-presidente do PT ressaltou que a tentativa dos procuradores da Lava Jato de criar um fundo de direito privado a partir de acordo com os EUA e Petrobras, escanca o caráter da operação. "Informações secretas foram passadas do Brasil aos americanos. Para mim, é um crime de alta traição com o país. (...) Mas a verdade vai aparecendo. Foi um acordo firmado, as coisas estavam sendo feitas. Uma denúncia dessa gravidade não pode ser ocultada pela mídia", afirmou.

Todas as quintas, Lula tem recebido visitas de amigos e companheiros de partido. Após os encontros, os visitantes aproveitam para transmitir aos apoiadores os recados do ex-presidente sobre a conjuntura política do país.

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Marielle Franco é homenageada em atos pelo mundo

qui, 14/03/2019 - 18:50
#14M Um ano após assassinato, brasileiros e estrangeiros lembram legado da militante de direitos humanos Redação | Na estação Rio de Janeiro do metrô de Buenos Aires, nome de Marielle Franco foi acrescentado em homenagem à vereadora Foto: Emergentes

A vereadora e militante de direitos humanos Marielle Franco é lembrada em atos ao redor do mundo, nesta quarta-feira (14), um ano após seu assassinato. Em diversos países, brasileiros residentes no exterior e estrangeiros prestaram homenagens à vereadora e a seu motorista, Anderson Gomes, que foram executados após a saída de uma atividade de encontro entre mulheres negras no Rio de Janeiro (RJ).

Em Buenos Aires, na Argentina, três ações marcam o dia, organizadas pelo Coletivo Passarinho, de brasileiros residentes no país. A primeira, foi a colagem de adesivos com placas que mudam o nome de ruas da cidade pelo de Marielle. Outra foi o acréscimo simbólico do nome da vereadora à estação de metrô Rio de Janeiro. Um protesto no Obelisco da capital argentina acontece no fim da tarde.

Após a prisão de dois suspeitos de terem assassinado Marielle e Anderson, mas ainda sem resultados quanto aos mandantes do crime, em nota, o coletivo cobra por justiça. "A luta por verdade e justiça para Marielle se transforma em uma tarefa ainda mais importante. Por seus familiares, por todo o povo o povo brasileiro e por todos os e as líderes sociais e defensores de direitos humanos que são perseguidos e mortos sistematicamente na América Latina".

Em frente ao Congresso Nacional da Argentina, manifestantes colocam placa em homenagem a Marielle Franco | Foto: Coletivo Passarinho

Outras atividades de protesto por justiça no assassinato de Marielle e Anderson ocorreram sob a forma de pichações. Na fachada do edifício da missão brasileira na União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica, foram escritas mensagens responsabilizando o Estado brasileiro pela morte da vereadora.

Em Milão, na Itália, a militante de direitos humanos foi lembrada nos muros, com perguntas em português e italiano sobre "Quem mandou matar Marielle?", e seu nome foi o destaque no 1° Festival Antifascista de Mulheres.

Em Bruxelas, também ocorreram protestos | Foto: Divulgação

O Comitê em Defesa da Democracia no Brasil convocou um debate e homenagem à ativista na Universidade de Nova York, com a presença das brasileiras Marcia Tiburi, filósofa, e Adjoa Jones, diretora de educação do museu do Brooklyn.

Outras cidades também receberam ações em lembrança de Marielle e Anderson, como Waisenhausplatz, Zurich, Bern e Genebra (Suíça), Coimbra, Lisboa e Porto (Portugal), Montreal (Canadá), Madrid e Barcelona (Espanha), uma vigília em Londres (Inglaterra), Sydney e Melbourne (Austrália), Berlim (Alemanha), Bogotá (Colômbia), Aarhus (Dinamarca), Paris (França), Bologna (Itália), Estocolmo (Suécia), Montevidéu (Uruguai), Londres (Inglaterra) Washington DC, New Jersey, BostonCambridgeOaklandLos Angeles e Santa Cruz (Estados Unidos). As atividades nesses países ocorrem entre os dias 9 e 24 de março.

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Estudantes lutam pelo início das aulas no Valores de Minas

qui, 14/03/2019 - 18:49
Minas Gerais Quase 850 jovens esperam para ter acesso à formação artística do programa Thainá Nogueira | Aulas não começaram devido à falta de repasse financeiro Divulgação / Valores de Minas

O programa de educação artística do governo de Minas Gerais, Valores de Minas, realizou a pré-matrícula de 845 jovens estudantes para cursos livres de 2019, porém não deu início às aulas devido à falta de repasse financeiro para o início das turmas. Em nota, a Secretaria Estadual de Educação - SEE afirmou que o Estado está revendo algumas prioridades e que estuda remodelar e reestruturar o programa a fim de diminuir seus custos. 

Estudantes, ex-alunos e apoiadores do programa se reuniram em assembleia na terça-feira (12). Segundo eles, a reestruturação mencionada na nota tem a ver principalmente com a retirada da empresa terceirizada de alimentação e mudanças, ainda não definidas, em relação ao vale-transporte oferecido aos alunos.

Kelvin Cassio, estudante do Valores, afirma que a maioria dos alunos são vindos da periferia e lugares distante da escola. “Para algumas pessoas é a única forma de acesso à cultura, arte e educação. E ainda potencializa o objetivo do programa que é a cidadania através da arte”, reforça. Isadora Ferreira, de 17 anos, fez sua inscrição para cursar pela primeira vez artes visuais no módulo I, primeira fase de formação. Ela acredita que esses direitos são essenciais para que ela faça o curso. “Moro longe, na região do Barreiro, e nem sempre dá tempo de ir em casa me alimentar entre a saída da escola e a ida ao Valores. Eu estou doida para começar logo, mas está difícil”, diz.

A SEE/MG afirmou que vai se reunir com uma comissão de estudantes para conhecer melhor o cotidiano do programa.  Uma manifestação artística será realizada pelos alunos na sexta-feira, 15 de março, às 9h, em frente à Assembleia Legislativa.

História de resistência

O Valores de Minas foi criado em 2005 pelo Governo Estadual em parceria com o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas). Os cursos livres são chamados de “Módulo I”, “Módulo II” e “Módulo III”, e, juntos beneficiam, em média, 500 jovens a cada ano. A trajetória dos estudantes da escola é de constante luta para permanência dos cursos e da oferta de novas vagas. 

Na troca da gestão de Antonio Anastasia (PSDB) para a de Fernando Pimentel (PT), foi anunciada uma alteração no programa, envolvendo mudança nos cursos, projetos pedagógicos e inclusive a mudança no nome. A partir de então, foi criado o movimento “Fica Valores”, que organizou uma ocupação estudantil de 21 dias nas dependências da escola. 

A pauta dos alunos era permanência dos cursos livres, dos direitos à alimentação e vale-transporte, e que o programa entrasse para o orçamento estadual, virando assim uma política pública, e não apenas um programa do governo vigente. No ano seguinte, em 2016, já sem a integração com Servas, apenas com a Secretaria de Educação, uma nova ocupação é realizada, desta vez durante 46 dias, por causa da falta de vale-transporte. Wiara Costa, ex-aluna dos cursos livres, participou de ambas as ocupações e ao ser perguntada como se sentia lutando novamente contra o sucateamento do programa ela respondeu: “Lutas por esse projeto tão bonito e único no Estado são desgastantes, mas nada que vai fazer nós, jovens, desistir do programa. Já que mudou tanto minha vida, a gente quer que ele mude outras pessoas também”.
 

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"What do you mean they killed Marielle?"

qui, 14/03/2019 - 18:47
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¿Cómo es eso de que han matado a Marielle?

qui, 14/03/2019 - 18:13
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Acampamento "Marielle Vive", do MST, faz homenagens à vereadora morta há um ano

qui, 14/03/2019 - 17:34
Inspiração Ato político relaciona luta da vereadora com a batalha enfrentada pelos moradores para garantir o acesso à terra José Eduardo Bernardes | Homenagens à vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) começaram pela manhã José Eduardo Bernardes

A vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada há um ano no Rio de Janeiro (RJ), tornou-se inspiração para trabalhadores e trabalhadoras dentro e fora do Brasil. Nesta quinta-feira (14), em que o crime completa um ano, o acampamento “Marielle Vive”, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), onde vivem mais de 1,1 mil famílias, realizou uma assembleia e um ato em homenagem à parlamentar. 

Os agricultores, acampados desde abril de 2018, enalteceram o legado da vereadora e disseram que ela os encoraja na luta por moradia. Para Cícera Alves Bezerra, coordenadora do setor de educação do acampamento, as palavras de Marielle ainda ecoam e servem de inspiração. 

“Foi um exemplo, com tudo o que a gente ouvia ela falar. Em todas as questões da sociedade, principalmente em relação às mulheres negras, à educação”, afirma.

Faixas com os dizeres “Marielle Presente” e “Quem Matou Marielle?” foram expostas na entrada do acampamento. Entre os participantes da atividade, estavam moradores acampados e políticos locais, como a presidenta do PSOL de Campinas (SP), Marcela Moreira.

“A importância de lembrar Marielle é porque ela era luta. E a melhor forma de homenageá-la é com luta. Os que mataram foram presos, mas a gente quer saber quem mandou matar. Por isso, temos que continuar em luta”, disse a presidente da PSOL em Campinas.

“Marielle Vive”

O terreno foi ocupado pelo MST em abril do ano passado e desde então, sofreu várias tentativas de desapropriação. A área, uma fazenda improdutiva de cerca de 50 hectares, é reivindicada pela empresa Eldorado Empreendimentos Imobiliários.

Cercada por condomínios residenciais de luxo, a ocupação também trava luta contra forte especulação imobiliária na região.

Nas próximas semanas, uma decisão judicial poderá decidir se a área permanecerá com os integrantes do MST, que utilizam os terrenos para produção de alimentos agroecológicos.

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